10.10.25
NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 9 de Outubro de 2025.
Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.
Já aqui por diversas vezes referimos o salutar estado da imprensa portuguesa nos anos 90, que permitia não só a existência de publicações por vezes até demasiado especializadas, como a sã concorrência de vários periódicos centrados no mesmo campo de interesse, como o automobilismo (cuja multiplicidade de revistas aqui terá, em tempo, o seu espaço), o motociclismo, os jogos de computador e consola, a informática, ou, como no caso a que este 'post' se refere, o chamado 'lifestyle', ou em bom português, a 'imprensa cor-de-rosa'.
Isto porque, a um mercado já ocupado e dominado pela 'Caras', 'VIP' e pela pioneira e decana espanhola 'Hola', os primeiros meses do Novo Milénio veriam ainda ser acrescentado mais um título, de grafismo, conteúdos e abordagem em tudo semelhantes às suas antecessoras, mas que, mesmo com essa marcada falta de originalidade, conseguiu ainda assim encontrar público suficiente para reclamar a sua parcela dentro do mercado das revistas sobre celebridades e 'jet-set'.

Falamos da revista 'Lux', cujo número inaugural surgia nas bancas portuguesas em Maio de 2000, apoiado por uma forte campanha de 'marketing' (ou não fosse editada pela Media Capital) e pronto a 'bater de frente' com as concorrentes e a enfrentá-las 'cara a cara'. E a verdade é que, apesar de não apresentar rigorosamente nada de novo em relação a qualquer das ditas-cujas, a publicação então encabeçada pelo casal Carlos e Conceição Pissarra – ambos veteranos do meio 'cor-de-rosa', com passagens pela 'Activa' e 'Cosmopolitan', além da concorrente 'Caras' - foi, ainda assim, acolhida de braços abertos por uma demografia para quem as entrevistas e rumores sobre personagens do 'jet-set' – devidamente acompanhadas das habituais fotografias de luxuosas vivendas e famílias felizes, destinadas a provocar tanto o deslumbre como a inveja – nunca eram a mais.
Tanto assim que, antes do final do ano, a 'Lux' se viu em posição de expandir a sua proposta, lançando publicações dedicadas à decoração de interiores e aos problemas femininos, intituladas 'Lux Deco' e 'Lux Woman', respectivamente, e que foram quase tão bem recebidas como a original. Qualquer das três se mantém, aliás, até hoje nas bancas portuguesas, com a sua longevidade a constituir atestado mais que suficiente ao facto de que, se tiver qualidade e cuidado evidente e der ao público-alvo o que este procura, até um produto mediático totalmente derivativo pode constituir uma história de sucesso.






