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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

08.09.22

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 07 de Setembro de 2022.

NOTA: O Anos 90 lamenta a morte da Rainha Isabel II, de Inglaterra, aos 96 anos. Que descanse em paz.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Ao longo da História, têm sido várias as figuras incontornáveis na cultura popular e mediática; e se muitas delas atingem esse estatuto por se verem constantemente envolvidos em escândalos e outras 'aventuras', outras há que o conquistam, pura e simplesmente, por serem boas pessoas, parecendo deixar um vazio quando (mais ou menos) inevitavelmente, desaparecem.

Curiosamente, as primeiras semanas de Setembro do ano de 1997 – a época sobre a qual passam agora exactos vinte e cinco anos – viram serem 'levadas', em pouco mais de uma semana, duas das principais figuras habitualmente conotadas com a segunda categoria acima citada: Diana, a Princesa de Gales, e a religiosa e Prémio Nobel da paz Madre Teresa de Calcutá. E apesar de as suas mortes terem ocorrido em circunstâncias radicalmente distintas – como, aliás, tinha também sido o caso com as suas vidas - a proximidade das datas, bem como as características em comum que ambas partilhavam, acabaram por ligar indelevelmente estas duas mulheres na consciência colectiva mundial.

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As duas mulheres em causa, em encontro directo

Isto porque tanto Diana Spencer como Anjezë Gonxhe Bojaxhiu dedicaram grande parte das suas vidas à filantropia, e a ajudar, como podiam, os pobres, necessitados, fracos e oprimidos: Diana através da aplicação da sua fortuna pessoal (ainda ampliada aquando do seu ingresso na Família Real britânica) em causas que a tocavam a nível pessoal, Teresa através do trabalho missionário e esforços humanitários, muitas vezes em colaboração directa com instituições como a Cruz Vermelha. E se a Princesa de Gales teve pouco menos de metade da sua vida para a prossecução destes propósitos, tendo falecido com apenas trinta e seis anos, Madre Teresa dedicou-lhes mesmo a maior parte de uma vida que só terminou aos oitenta e sete anos de idade.

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Diana na imprensa britânica e mundial

A filantropia e as datas de falecimento curiosamente próximas são, no entanto, os únicos pontos em comum entre as duas mulheres, cujas vidas não podiam, no restante, ter sido mais diferentes. Diana Spencer (que antes de ser princesa treinava para ser jornalista) era loira, de tez clara, filha de nobres britânicos, casada com um homem com o dobro da sua idade e algo dada a 'aventuras' românticas que preenchiam, frequentemente, as primeiras páginas dos tablóides e revistas 'cor-de-rosa' mundiais, sendo mesmo ao lado de um dos seus amantes que viria a falecer, na sequência de um aparatoso acidente automóvel em Paris; já Teresa de Calcutá era morena, de tez escura, e – apesar de filha de um político Macedónio – encontrou no seminarismo religioso e trabalho humanitário a sua vocação e modo de vida, surgindo na imprensa, sobretudo, como presença constante em cenários de crise ou como receptora de múltiplas condecorações e prémios (não obstante algumas opiniões menos favoráveis veiculadas a seu respeito por membros da imprensa mundial) e vindo a morrer de causas naturais, após uma vida longa e cujos feitos lhe valeram a canonização após a morte.

Duas mulheres muito diferentes, portanto, mas que ficam ligadas não só pela proximidade das datas das respectivas mortes (com menos de uma semana entre si, causando um momento de 'choque duplo' à população da época) como também pela paixão que partilhavam pelas boas acções e pela ajuda aos necessitados – duas características comuns que continuam, um quarto de século após a sua morte, a uni-las na mente de quem recorda aquela semana trágica de final do Verão de 1997.

26.11.21

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Novembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Apesar da variedade e qualidade das publicações periódicas dos anos 90 – que se estendiam de revistas sobre jogos de computador ou ciência a um jornal de música – a imagem que vem imediatamente à mente da maioria das ex-crianças ou jovens daquela época ao ouvir falar em 'revistas' será, quase certamente, uma qualquer capa de uma das muitas publicações semanais que ofereciam uma mistura de informações sobre a programação televisiva naquela semana com muitos, muitos artigos dedicados a 'fofocas' sobre as celebridades do momento; títulos tão icónicos quanto a TV Guia, TV 7 Dias, Nova Gente ou Maria, que pareciam 'habitar' nas mesas dos consultórios médicos ou na casa de familiares, sempre prontas a serem folheadas num momento de maior ócio, em que não houvesse nada melhor para fazer.

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Exemplos do grafismo da TV Guia em finais dos anos 80 e inícios de 90

Embora muito semelhantes, tanto estruturalmente como a nível de temáticas, estas publicações dividiam-se, ainda assim, em dois grandes grupos – de um lado, as mais declaradamente dedicadas ao jornalismo cor-de-rosa (onde se destacavam a Maria, a Ana, e a Nova Gente) e do outro, as que procuravam servir, em primeira instância, como um verdadeiro guia de programação, sendo a vertente de 'fofocas' secundária, caso da TV Guia, TV 7 Dias ou ainda da TV Mais. Não que as revistas pertencentes a este último grupo não tivessem páginas atrás de páginas dedicadas à vida dos famosos, que tinham; no entanto, as mesmas traziam, também, artigos de outro tipo, desde pequenas notícias mais sérias a peças sobre alguns dos filmes que iriam passar na televisão nessa semana, ou que se encontravam em exibição no cinema à data de publicação, entrevistas a actores e personalidades, notícias sobre desporto, ou o principal atractivo para a geração que lê este blog, os destacáveis.

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Exemplo dos conteúdos menos 'cor de rosa' proporcionado por revistas como a TV Guia

Parte tradicionalmente integrante das revistas sobre televisão desta época – sobretudo da TV Guia – os destacáveis tomavam mais frequentemente a forma de 'posters' de temas variados, que podiam ir desde uma foto de um actor ou de desportistas a uma cena retirada de uma série popular (por aqui, ficaram especialmente na memória os 'posters' do Bart Simpson a escrever no quadro, e do Sporting vencedor da Taça de Portugal 1994/95, ambos os quais tiveram lugar cativo na parede até a fita-cola secar.) No entanto, a referida TV Guia ganhava também pontos por oferecer 'capas' para filmes, que permitiam transformar uma qualquer 'cassette' gravada da televisão num 'facsimile' da fita comercial do respectivo filme, completa com texto de resumo nas costas e o título na lombada – uma solução extremamente apelativa numa altura em que a maioria dos filmes em VHS era mesmo gravado directamente a partir da transmissão televisiva, dado o preço algo proibitivo dos vídeos comerciais. Esta é, aliás a vertente pela qual a TV Guia 'clássica' mais é lembrada hoje em dia pela geração de 80 e 90, que muito e bom uso fez da mesma.

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Depois de postas nas caixas, as capas da TV Guia eram virtualmente indistinguíveis das dos lançamentos comerciais

Hoje em dia, a maioria destas revistas continua a ser publicada, e a encontrar o seu 'habitat' natural em salões de beleza e consultórios médicos por esse Portugal fora, ao lado de publicações como a Caras e a tradicional Hola!; no entanto, qualquer das mesmas é uma mera 'sombra' do que foi nos anos 90, reflectindo a mudança de paradigma introduzido pela Internet 2.0, e que teve um impacto considerável sobre os meios de comunicação tradicionais. Para quem cresceu com estas revistas resta, portanto, recorrer à memória do que costumavam ser, e às recordações de as folhear no médico, no salão de beleza ou em casa da avó...

 

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