10.03.26
Embora tradicionalmente rica em talento e material de qualidade, independentemente da era ou década, a comédia portuguesa teve nos anos 80 e 90, indubitavelmente, uma 'era de ouro', sobretudo a nível televisivo, com uma safra de humoristas (encabeçada por Herman José e respectiva 'entourage') capaz de produzir um ror aparentemente infinito de programas, séries e espectáculos de qualidade, a maioria dos quais não tardava a encontrar o 'seu' público, tornando-se sucesso de audiências de forma praticamente imediata. Não deixa, pois, de ser surpreendente encontrar um programa deste tipo, e lançado na época em causa, praticamente vetado ao esquecimento – e, no entanto, é precisamente isso que se passa com 'Cartas de Humor', emissão que celebra por estes dias os trinta e seis anos da sua primeira ida ao ar, mas a quem parece ter 'saído a fava' no tocante a programas de humor nacionais de inícios dos anos 90.
A única 'Carta' sobrevivente até aos dias que correm.
De facto, os únicos vestígios da existência destas 'Cartas' são uma página de IMDb, uma entrada de duas linhas no 'blog' 'Eu Também Vejo Televisão', e um único 'clip' de YouTube, que acaba por ter de servir como 'imagem' de um 'post' sobre um programa do qual nem o logotipo sobrevive. É, pois, apenas graças a essas fontes que sabemos tratar-se de um formato baseado em 'sketches' soltos – muito popular à época – com episódios de meia hora de duração, e um elenco constituído por Ana Bola, Manuela Couto e Amélia Videira. O único 'sketch' sobrevivente, que 'acoplámos' a este 'post' e que é oriundo do trigésimo-quinto episódio, transmitido a 27 de Abril de 1990 – parece indicar um estilo de comédia baseada na personalidade dos protagonistas, mais do que nas situações, como é apanágio do humor português, mas também deixa uma potencial pista para o fracasso da emissão, já que em nada se distingue de tantas outras do género, sendo que o horário ao final da noite (e apenas uma vez por semana, às quintas-feiras) subtraía também uma demografia significativa, que talvez pudesse ter gostado do que era apresentado nestas 'curtas'.
Tal como existiu, no entanto, 'Cartas de Humor' está, hoje em dia, no limiar de ser 'multimédia perdido', constituindo o presente 'post' a primeira análise mais a fundo do programa, quase exactos trinta e seis anos após o seu surgimento – um verdadeiro testemunho ao adágio que diz que 'mais vale tarde que nunca', bem como àqueles que postulam que é preciso 'dar tempo ao tempo' e que 'nada é impossível'...












