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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.11.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de grande parte da atenção de um adepto de futebol recair nos jogadores de campo, e sobretudo nos da metade ofensiva do terreno, a importância de uma presença e personalidade consistente e talentosa entre os postes não pode ser descurada – sobretudo se a mesma exibir, também, lealdade, brio profissional e genuína dedicação ao emblema que representa.

Serve esta introdução para falar de um nome que, apesar de nunca ter sido dos mais conhecidos ou recordados pelos adeptos portugueses, exibiu, enquanto jogador, todas essas características, afirmando-se como um verdadeiro e autêntico 'grande dos pequenos', e que celebra precisamente hoje, dia 13 de Novembro, o seu vigésimo-segundo aniversário. Falamos de Paulo Sérgio Rodrigues Firmino, comummente conhecido apenas pelos seus dois primeiros nomes, e que foi figura central do histórico Campomaiorense durante as épocas em que o emblema ribatejano militou na então chamada Primeira Divisão nacional.

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O guarda-redes no Beira-Mar, já em final de carreira.

Nascido no Barreiro, na Margem Sul do Rio Tejo, Paulo Sérgio iniciou a sua carreira sénior, não no emblema local, mas no 'vizinho' Vitória Futebol Clube, onde ingressaria na última época da década de 80, com apenas dezanove anos; a primeira oportunidade de alinhar pelo novo emblema demoraria ainda, no entanto, duas épocas a surgir, tendo o guardião efectuado os primeiros jogos pelos sadinos no decurso da época 1991/92, em que alinharia num total de vinte partidas. A época seguinte traria mais do mesmo (19 partidas, cerca de metade das que um clube das divisões superiores realiza no decurso de uma época) antes de Paulo Sérgio voltar a perder preponderância no histórico emblema setubalense, realizando apenas um total de nove partidas ao longo das duas épocas seguintes.

Sem espaço para jogar, foi com naturalidade que o guarda-redes procurou, logo na época seguinte, novas paragens, encontrando nova 'casa' em Campo Maior; também aqui, no entanto, a afirmação tardaria a chegar, tendo Paulo Sérgio acumulado apenas uma dezena de jogos durante a sua primeira época no novo emblema. Desta vez, no entanto, a situação viria a alterar-se logo na época seguinte, quando o ex-sadino se tornaria escolha principal para a baliza do Campomaiorense, posto de que não mais viria a largar mão durante as restantes seis épocas que passou na histórica agremiação; da época de 1996/97 até à sua saída para o Beira-Mar, em 2002/2003, o número mínimo de partidas que Paulo Sérgio amealharia durante uma época seria de dezasseis (na época 1998/99, em que foi suplente de Poleksic, outro histórico da Primeira Divisão da época) ficando este número, quase sempre, bem acima das duas dezenas nas restantes temporadas. Durante este período, o guardião teve, ainda, o privilégio de partilhar o balneário com nomes como Jimmy Floyd Hasselbaink (um dos mais notáveis 'Grande dos Pequenos'), Beto Severo, Isaías, Paulo Torres, Jordão, Isaías, Rogério Matias (outro jogador cuja carreira justifica a presença nesta secção) e outro verdadeiro histórico dos ribatejanos, o angolano Fernando Sousa.

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O jogador ao serviço do clube que o notabilizou.

Tendo em conta este historial, e a forma como acompanhara o clube durante a sua 'queda' da Primeira Divisão e eventual regresso aos escalões secundários, foi talvez com alguma surpresa que os adeptos viram Paulo Sérgio abandonar o Campomaiorense em favor do Beira-Mar, em 2003 – ainda a tempo de fazer uma época em 'alta' pelos aveirenses, alinhando em vinte e quatro das partidas disputadas nessa época, antes de seguir o percurso natural de um jogador em fase descendente de carreira, assumindo papéis de apoio primeiro no próprio Beira-Mar, (onde alinharia em apenas nove jogos no cômputo geral das duas épocas seguintes), depois no Pinhalnovense (onde ficaria uma temporada sem nunca sair do banco) e finalmente no Olivais e Moscavide, onde viria a terminar a carreira em campo - após apenas dois jogos em outras tantas épocas - antes de rumar ao vizinho Oriental, para assumir o cargo de treinador de guarda-redes. Um desfecho honroso para um nome que, apesar de não figurar entre os 'ilustres' da Primeira Divisão de finais do século XX, não deixa, no entanto, de ter desempenhado papel de relevo em alguns dos principais emblemas 'periféricos' da mesma, fazendo, assim, por merecer o epíteto de 'Grande dos Pequenos' - e esta pequena homenagem na data do seu aniversário. Parabéns, Paulo Sérgio - que conte muitos!

05.06.22

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.

No mercado futebolístico global de hoje, é prática corrente ver jogadores das mais diversas proveniências alinharem nos principais campeonatos europeus e mundiais; em finais do século XX, no entanto, a situação era um pouco diferente, sendo que cada liga profissional tendia a acolher, sobretudo, jogadores de certas e determinadas proveniências – em Portugal, por exemplo, prevaleciam os futebolistas sul-americanos (sobretudo brasileiros), africanos, e da Europa de Leste.

Ainda assim, aqui e ali, surgia em cena um jogador oriundo de um país menos comum para cada campeonato, não sendo o nosso País excepção nesse campo - de facto, na última edição desta rubrica, abordámos precisamente um desses nomes, o sul-africano Eric Tinkler; esta semana, 'repetimos a dose' para falar de um jogador incomum para a nossa liga, não só pela nacionalidade, mas pela marca que deixou em apenas duas épocas em Portugal, e sem nunca ter alinhado por um 'grande' da modalidade.

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Jimmy ao serviço do Boavista

Falamos de Jerrel Floyd Hasselbaink, mais conhecido nos meandros do futebol como Jimmy, um nativo do Suriname (também conhecido como Antilhas Holandesas) que 'aterrou' em Portugal no início da época 1995/96 para representar as cores do Campomaiorense, tendo-se antes destacado como jovem promessa do AZ Alkmaar, por quem realizara 46 jogos (marcando 5 golos) ao longo de quatro épocas. Por alturas da chegada a Portugal, a posição que então ocupava, extremo-direito, havia já sido moldada para o transformar num homem de área, função na qual se notabilizou não só em Portugal, mas durante todo o resto da sua carreira.

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O cromo do jogador na caderneta do Campeonato Nacional 95/96, o primeiro dos dois que passou em Portugal

A razão para tal fama e reputação começou, aliás, a ser delineada logo nessa época, em que marcaria doze golos em 31 jogos - uma marca invejável para um avançado de uma equipa da metade inferior da tabela, e que lhe valeu, logo na época seguinte, a transferência para o então 'quarto grande' Boavista, então viveiro de talentos e 'casa' de outro notável 'grande dos pequenos', o guardião William Andem. Ao serviço dos axadrezados, Jimmy continuaria a estabelecer credenciais de goleador, atingindo desta feita a marca dos vinte golos, conseguidos ao longo de apenas vinte e nove exibições – uma média de um golo a cada jogo e meio, ou um golo a cada 120-125 minutos! - e ajudando o emblema do Porto a conquistar a Taça de Portugal relativa à época de 1996-97.

Os golos de Jimmy ao serviço dos axadrezados, que lhe valeram interesse do estrangeiro

Com uma época a este nível – e, recorde-se, em outro clube que não um dos três principais do campeonato – foi com naturalidade que os adeptos do clube do Bessa viram Jimmy abandonar a agremiação portuense, a caminho de mais altos vôos: nada mais, nada menos do que o campeonato inglês (então ainda na sua fase pré-Premiership), para onde se transferiria a troco de dois milhões de libras – cerca de 465 mil escudos – para representar o Leeds United. E se, em Portugal, os números de Jimmy já haviam sido impressionantes, no Reino Unido, o avançado revelou-se um 'matador' ainda mais letal, conseguindo a Bota de Ouro na sua segunda época ao serviço do clube da zona de Yorkshire, quando competia com nomes como Teddy Sheringham e Alan Shearer!

Esse troféu permitiu, por sua vez, ao avançado dar o 'salto' para Espanha, para representar o então 'aflito' Atlético de Madrid, onde passaria apenas uma época, na qual deixou ainda assim a sua marca, com vinte e quatro golos em 34 jogos – uma marca impressionante para um avançado de um clube que acabaria despromovido, apesar do brilharete na Taça do Rei! Seguir-se-ia um regresso a Inglaterra, para ingressar no Chelsea pré-Mourinho e Scolari, pelo qual alinharia durante quatro épocas, fazendo jus à veia goleadora pela qual era conhecido com 69 golos em 136 jogos, atingindo aquele que terá provavelmente sido o auge da sua carreira como futebolista.

Mesmo em fase descendente, no entanto, Jimmy não perderia as suas faculdades, como demonstraria no seu último grande emblema, o Middlesbrough, ao serviço do qual marcaria vinte e dois golos em 58 jogos, ao longo de duas épocas. As passagens subsequentes pelo Charlton e Cardiff City seriam de menos nota, embora o já veterano avançado tenha, ainda assim, exercido papel preponderante nas épocas dos dois emblemas, realizando vinte e cinco jogos pelo primeiro e 36 pelo segundo; os golos, esses, é que já não surgiam como dantes, somando Jimmy apenas nove no cômputo das duas temporadas.

Um fim, ainda assim, honroso para uma carreira que começaria quase imediatamente de novo, desta vez do outro lado das quatro linhas, no papel de treinador – primeiro como assistente no Nottingham Forest, e mais tarde como 'timoneiro' dos destinos de emblemas mais ou menos modestos, como eram o Antuérpia, o Burton Albion (clube pelo qual acaba de iniciar a sua segunda passagem), o Queens Park Rangers e o Northampton Town; e ainda que esta fase da carreira do surinamenho se desenrole a um nível algo inferior ao dos seus tempos de futebolista, a verdade é que Jimmy não deixa ainda assim de demonstrar o seu polivalente talento nas diversas áreas do futebol.

Para muito boa gente, no entanto – sobretudo de nacionalidade portuguesa – Jimmy não será lembrado como treinador das divisões inferiores inglesas, nem como 'artilheiro' do Leeds, Atlético, ou mesmo do Chelsea; para esses adeptos, o 'homem dos três nomes' será, para sempre, o avançado matador que fazia 'mexer' o Campomaiorense e Boavista de meados da década de 90, e que foi 'recrutado' para mais altos vôos antes que qualquer dos três 'grandes' tivesse oportunidade de o contratar, tornando-se assim, por definição, um dos verdadeiros 'grandes dos pequenos' do futebol português daquela época.

 

18.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 17 de Outubro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

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De entre as (cada vez mais) provas que compõem a época futebolística portuguesa, a Taça de Portugal continua a ser a mais acarinhada pela maioria dos verdadeiros entusiastas de futebol. Isto porque, mais do que uma oportunidade para o nosso clube do coração ganhar mais um troféu, a Taça afirma-se como a mais pura das competições desportivas nacionais (talvez em qualquer modalidade) pelo carácter igualitário que fomenta, permitindo a agremiações que normalmente nunca chegariam a ver as luzes da ribalta jogar olhos nos olhos com as principais equipas nacionais, proporcionando-lhes assim, não só visibilidade e receitas, como também a oportunidade de 'fazer uma gracinha'; e embora este último cenário não seja por aí além frequente, a verdade é que, por vezes, a Taça de Portugal lá reserva uma surpresa aos entusiastas de futebol – e os 'nossos' anos 90 foram palco daquela que talvez seja a mais cabal demonstração deste princípio em toda a História moderna da prova: a Taça de 1998-99.

As peculiaridades da referida edição da Taça começaram logo na quinta eliminatória (a primeira considerada pela maioria das listagens 'online'), em que já só se perfilavam dois dos tradicionais 'três grandes' portugueses, tendo o Sporting ficado pelo caminho ainda numa das rondas anteriores. As duas equipas que sobravam, Benfica e Porto, tinham, obviamente, enorme favoritismo, mas também elas viriam a soçobrar logo nessa mesma eliminatória, com o campeão em título a ser alvo de uma das tais 'gracinhas' mencionadas anteriormente, ao ser batido pelo Torreense em pleno Estádio das Antas - num jogo que pôs o nome de Cláudio Oeiras no radar futebolístico português - e o Benfica a perder com o Vitória de Setúbal, no Bonfim, por 2-0 – um mau resultado, sim, mas longe de uma derrota em casa contra uma equipa da II Divisão B...

As desapontantes prestações dos 'grandes', juntamente com alguns 'agigantamentos' de agremiações mais pequenas (talvez motivadas pela janela de oportunidade que as mesmas proporcionavam) resultaram naquelas que talvez sejam as meias-finais mais atípicas da História da prova, sem nenhuma equipa grande, e com a presença insólita do Esposende, o mais valoroso 'tomba-gigantes' numa época repleta deles, mas que viria a claudicar perante um Campomaiorense então ainda no pleno das suas forças; já no outro jogo, o Beira-Mar levava a melhor sobre o Vitória de Setúbal, confirmando assim uma final da Taça entre dois emblemas de meio da tabela do escalão principal – uma lufada de ar fresco que não se viria a repetir, e que permitiria ao Beira-Mar (mediante um golo de Ricardo Sousa) alcançar um feito histórico para o seu palmarés, carimbando o acesso à Liga dos Campeões do ano seguinte e tornando-se a segunda equipa da década a conseguir desafiar a hegemonia dos 'grandes' (sendo a outra o Boavista, no extremo oposto da década, em 1991.)

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A equipa vencedora, em pleno momento de festa após o seu feito histórico

Uma edição da Taça a todos os níveis atípica, portanto, e que provavelmente já não seria possível na era moderna, em que o futebol é clínico e táctico, e os favoritos normalmente acabam mesmo por ganhar. Ainda assim, o desaire do Sporting frente ao Alverca em 2019-2020 mostra que, apesar de improvável, uma repetição desta Taça não é, de todo, impossível – bastando, para isso, que uma das equipas mais pequenas em prova saiba aproveitar as oportunidades, e apanhar os adversários de surpresa. Até lá, e num fim-de-semana em que se celebrou mais uma vez a chamada 'festa da Taça', nada melhor do que recordar o ano em que alguns dos mais históricos emblemas secundários dos campeonatos portugueses tiveram, por breves instantes, o seu 'lugar ao sol'...

 

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