01.02.26
Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.
Muito mais do que nos clubes ditos 'grandes', os muitos 'pequenos' históricos dos campeonatos portugueses vêem ingressar nas suas fileiras jogadores que verdadeiramente 'sentem' a camisola, e para os quais o compromisso a longo prazo e baseado na paixão se sobrepõe a qualquer consideração contratual ou salarial – ou não fosse essa a premissa desta rubrica. Mais raros, no entanto, são os nomes que conseguem apresentar tal vínculo em não apenas um, mas múltiplos clubes, como logrou o nome a quem dedicamos as próximas linhas, no dia do seu sexagésimo aniversário.

De facto, antes de ser 'esteio' da defensiva central do Grupo Desportivo Feirense durante grande parte da década de 90 (ao lado do ainda mais histórico Pedro Miguel), Armando Gomes dos Santos fora já parte importante dos plantéis dos Dragões Sandinenses a partir de meados da década de 80, altura em que era promovido ao plantel principal, após ter feito toda a sua formação no clube; seria, aliás, ainda ao serviço da agremiação das Distritais portuguesas que o central veria 'entrar' a década de 90, tendo a primeira transferência da sua carreira sénior tido lugar apenas no defeso de Verão da década de 1990/91, quando se transferia para a Sanjoanense, naquela que seria a única época menos bem conseguida da sua carreira, com apenas dois jogos disputados ao longo da temporada. Foi, pois, sem surpresas que o Verão seguinte viu o futebolista 'mudar de ares', rumando à equipa que, sem que ninguém ainda o soubesse, se tornaria sinónima com o seu nome.
De facto, em Santa Maria da Feira, Armando viria a 'pegar de estaca', nunca realizando menos de trinta jogos por época ao longo das sete que passou no clube azul e branco, com o qual viveria 'altos e baixos', transitando entre a então chamada II Divisão de Honra (hoje Liga 2) e a II Divisão B (hoje Liga 3) mas nunca 'virando o bico ao prego' ou procurando novas paragens, preferindo, ao invés, tornar-se 'Grande dos Pequenos' daquele emblema, tal como o fôra em Sandim durante grande parte da década anterior. O defesa só voltaria, pois, a efectivar uma transferência após a segunda despromoção dos homens da Feira à II Divisão B, no final da época 1997/98, quando já contava trinta e três anos, mudando-se para a Vila das Aves para representar, durante uma época e meia, o Desportivo local.
A sua importância no seio da nova equipa e as boas exibições que continuava a carimbar garantiram-lhe, no primeiro defeso da década de 2000, nova transferência, desta feita para o Freamunde, onde passaria o período mais curto da sua carreira – apenas seis meses que, ainda assim, o viram alinhar quase duas dezenas de vezes com a camisola do clube, e abriram caminho a nova 'aventura', desta feita na Ovarense, onde voltou a ser opção quase indiscutível durante mais duas épocas, antes de regressar às suas duas 'casas', ingressando primeiro no Feirense (para a época 2002/2003) e depois no emblema que o vira despontar para o futebol sénior, e onde terminaria carreira, aos trinta e oito anos, no final da época 2003/2004. E quem observou atentamente o 'padrão' da carreira do agora ex-central certamente não ficará surpreendido pelo facto de o mesmo ter escolhido, precisamente, os Dragões Sandinenses como plataforma para embarcar na carreira de treinador, a qual seguiu durante três épocas, antes de se afastar definitivamente do mundo do futebol.
Hoje, aos sessenta anos, o antigo defesa pode 'olhar para trás' e orgulhar-se de uma carreira que, embora passada longe das 'luzes da ribalta' e a um nível mais modesto (sem sequer o habitual 'salto' para um clube de meio da tabela da I Divisão nacional, empreendido por tantos dos seus contemporâneos), demonstra ainda assim um nível de lealdade e amor à camisola cada vez menos comuns entre os futebolistas modernos. Parabéns, e que conte ainda muitos.












