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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

04.02.24

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Como já aqui foi mencionado numa edição anterior desta rubrica, os carrinhos de modelo, em escala reduzida, estiveram entre os brinquedos mais populares dos anos 90, em especial junto do público masculino. Quer se tivesse ou não uma das famosas e icónicas garagens, os carrinhos reuniam as características perfeitas para serem peça fulcral em qualquer Domingo Divertido – nomeadamente, a excelente relação entre preço, qualidade, e 'factor diversão' que proporcionavam, e que faziam com que a maioria dos rapazes da época (e também, adivinha-se, muitas raparigas) tivessem caixas cheias de diferentes modelos, prontos a serem empregues numa qualquer corrida ou 'campeonato de destruição' durante uma tarde de fim-de-semana em casa. E apesar de a grande maioria dos conteúdos destas mesmas caixas consistir, normalmente, de veículos da Matchbox ou congéneres de 'marca branca' comprados na loja 'dos trezentos', havia também altas probabilidades de encontrar, em meio a estes, pelo menos um carro da gama Micro Machines.

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De facto, os anos 90 (sobretudo a primeira metade) representaram o período áureo da gama de carrinhos a escala super-reduzida distribuídos em Portugal pela inevitável Concentra. Grande parte deste sucesso devia-se, como nos seus EUA natais, tanto à aparição dos minúsculos carrinhos no mega-sucesso 'Sozinho em Casa' - onde formam a base de uma das mais memoráveis armalhidas montadas por Kevin – como aos bem-conseguidos anúncios aos diferentes modelos da marca, 'debitados' ao melhor estilo 'relato de futebol de rádio' por um 'dobrador' com uma missão espinhosa – igualar a velocidade de discurso de John Moschitta Jr., o 'homem dos Micro Machines' original, cujo nome consta do livro de recordes do Guinness precisamente por esse feito. E a verdade é que o esforço do 'substituto' português em nada prejudicava a essência dos anúncios, que contavam ainda com um 'jingle' memorável, que ajudava a compôr ainda mais o 'ramalhete' – e a tornar os Micro Machines parte integrante das listas de Natal e anos de muitas crianças da época, pese embora o preço proibitivo por comparação aos carrinhos mais 'normais'.

Outra vertente que ajudava a distinguir os Micro Machines dos seus congéneres a escalas menos exageradas era a presença de pistas, muitas das quais 'disfarçadas' de edifícios ou veículos gigantes – uma daquelas propostas feitas à medida para cair no gosto das crianças noventistas, e que, suspeita-se, conseguiria mesmo algum sucesso nos dias de hoje. Assim – e apesar de, como os carros, não serem exactamente baratas – estas pistas não deixaram, certamente, de marcar presença nos quartos dos pequenos fãs da gama em causa, ajudando a tornar a experiência de brincar com os Micro Machines ainda mais entusiasmante.

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Uma das pistas da gama.

Face a todo este sucesso, não é, também, de estranhar que a marca tenha tido direito a adaptações para jogo de vídeo, todas elas bastante bem cotadas entre os adeptos do formato da altura, bem como a nada menos que três 'ressurreições': a primeira logo após a venda da licença à Hasbro, em finais dos anos 2000, a primeira em conjunção com o primeiro episódio da terceira saga 'Guerra das Estrelas', em mados da década de 2010, e a terceira já em inícios de 2020, encontrando-se esta, ainda hoje, disponível em certos mercados. Assim - e apesar de, em Portugal, a sua relevância se ter há muito, esfumado - é ainda bem possível que os elementos mais novos da chamada 'geração Z' venham a descobrir estes veículos, tal como sucedeu com os seus pais três décadas antes, e tornem a trazer o nome Micro Machines para a ribalta; até lá, ficam as memórias daquela linha de carrinhos tão pequenos que quase se podiam qualificar para a secção Quintas de Quinquilharia deste nosso blog...

16.11.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O facto de haver vários jogos e brinquedos extremamente simples que não deixavam, ainda assim, de ter inegável apelo para as crianças e jovens dos anos 90 é já tema recorrente nesta rubrica do nosso 'blog', e o produto de que falamos esta Quinta-feira nada faz para negar ou contrariar esse paradigma; pelo contrário, o tema do 'post' de hoje junta-se a um vasto número de Quinquilharias já aqui abordadas na categoria de conceitos que não deveriam nunca ter desfrutado do grau de sucesso que almejaram, e que provam que atributos como a simplicidade nem sempre são sinónimos de desinteresse ou aborrecimento. 

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Exemplos modernos do jogo, que continua a ser produzido até aos dias de hoje...

O produto em causa – que nunca teve, em Portugal, um nome oficial, sendo normalmente conhecido apenas como 'pinball' – consiste de uma estrutura plástica fechada, sensivelmente do tamanho da palma de uma mão adulta, que contém no seu interior duas ou três esferas metálicas e uma série de plataformas, ou prateleiras, estrategicamente colocadas em toda a superfície de jogo. O objectivo passa, depois, por lançar cada uma das esferas de modo a que assentem nestas prateleiras, às quais correspondem diferentes valores pontuais, sendo necessário, para tal, premir ou puxar um 'gatilho' situado no canto inferior direito do brinquedo, e que lhe valia a sua denominação 'não-oficial', já que se tratava de um mecanismo semelhante ao encontrado nas máquinas de 'pinball' espalhadas por cafés e salões de jogos de Norte a Sul do País.

No fundo, um produto manifestamente simples – quase simplista – mas que, sem ser capaz de entreter uma criança durante mais do que alguns minutos de cada vez, constituía, ainda assim, um dos melhores brindes disponíveis nas famosas 'máquinas de bolinhas', jogos de 'garra', barracas de feira ou simplesmente lojas dos 'trezentos'. Esta variedade de contextos e locais era, assim, responsável por garantir que cada criança portuguesa da época tinha, pelo menos, um destes jogos em casa, oriundo não se sabe bem de onde, e normalmente encontrado dentro de uma gaveta ou caixa de arrumação, ao lado dos 'puzzles' de deslizar e outras Quinquilharias semelhantes.

Mais surpreendente é constatar que chegou a haver versões licenciadas (e oficiais!) de um produto que, para muitos portugueses de finais do século XX, praticamente definia a expressão 'brinde barato', e que nunca seria sequer remotamente associado pelo mesmos a qualquer tipo de licença – as motas, carros, cãezinhos e gatinhos perfeitamente genéricos que serviam de cenário ao jogo eram parte tão indissociável dos mesmos quanto o próprio mecanismo, ou as circunstâncias de obtenção do produto. De igual modo, e à semelhança do que acontece com os jogos de pesca magnéticos, apesar de ter havido versões maiores do jogo (aproximadamente do tamanho de um livro) é com a versão 'de bolso' que o mesmo é mais frequentemente conotado, por ter constituído uma das muitas Quinquilharias nos bolsos e gavetas dos jovens portugueses da altura.

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...e um bizarro exemplo licenciado de época, no caso alusivo à série 'Os Simpsons'

Apesar de estes jogos continuarem a ser fabricados, no entanto, é de duvidar que os mesmos consigam posição semelhante junto da Geração Z, habituada a actividades bem mais complexas e retidas em ecrãs digitais bem mais pequenos, e que não tardaria a denunciar (algo justificadamente) um produto como este como sendo excessivamente básico; assim, os jogos de 'pinball' de bolso permanecerão como produtos do seu tempo, nostálgicos para as gerações nascidas e crescidas no século XX, mas perfeitamente obsoletos na actual sociedade digital – ainda mais do que já o eram em finais do Segundo Milénio. Ainda assim, não é de duvidar que, em alguma máquina de brindes algures em Portugal, um ou mais destes jogos esperem, potencialmente há décadas, ser escolhidos como contrapartida para o investimento de uma moeda, restando apenas saber como o recipiente do prémio reagirá a tão simples brinde...

26.10.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Apesar de, como celebração, o Halloween ser uma data 'importada' já bastante depois da viragem do Milénio, alguns dos seus elementos estéticos, imagéticos e iconográficos faziam já, de uma forma ou de outra, parte do quotidiano das crianças e jovens portugueses desde há várias décadas; quem cresceu em inícios dos anos 90, por exemplo, certamente dedicou um período da sua infância a coleccionar as famosas Caveiras Luminosas oferecidas nos pacotes da Matutano, e talvez até lhes tenha dado lugar de honra na prateleira do quarto, de forma a aproveitar o efeito fluorescente e bem 'tétrico' que as mesmas davam a uma divisão às escuras. Não se ficava por aí, no entanto, a presença de elementos associados ao terror, e também estará provavelmente a mentir quem, tendo crescido no período em causa, afirme nunca ter assustado um familiar, professor, colega ou mesmo apenas a senhora da limpeza com um insecto de plástico.

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Fáceis e baratos de conseguir nas drogarias tradicionais, lojas dos trezentos ou até simplesmente como brindes nas máquinas de 'bolinhas', as réplicas de aranhas, lagartos, cobras e outros animais marcavam presença na gaveta das 'quinquilharias' de muitas crianças, prontas a serem 'desenterradas' assim se apresentasse a menor oportunidade. E se a qualidade variava consideravelmente dependendo da proveniência (as tiradas em 'bolinhas', por exemplo, tendiam a ser microscópicas, em plástico duro e praticamente isentas de detalhes) também é verdade que alguns destes brinquedos almejavam um grau de realismo suficiente para, de relance ou à distância, enganarem os mais incautos – lá por casa, por exemplo, existia uma tarântula que, inclusivamente, contava com um fio acoplado, permitindo 'sustos' perfeitamente épicos. Depois, era só escolher a situação mais adequada (lá por casa, normalmente, a mesa do almoço ou jantar), a 'vítima' mais susceptível, e esperar pela inevitável reacção, que nunca falhava em causar deleite.

E porque queremos pensar que a geração Z não é totalmente desprovida de criatividade, e não deriva TODO o seu humor de vídeos do TikTok, arriscamos dizer que, nesta época de Noite das Bruxas, haverá por esse Portugal fora inúmeros pequenos cérebros a engendrar sustos centrados em torno de insectos de plástico, para ajudar ao clima desta festa que se tenta tornar tradição. A esses, fica a dica para que, se precisarem de ajuda, perguntem aos respectivos pais, dado estes terem mais experiência no assunto do que se possa, à partida, imaginar...

08.10.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Na última edição desta rubrica, abordámos os super-heróis da 'loja dos trezentos' – aquelas figuras inertes, inexpressivas e maioritariamente imóveis moldadas e pintadas para parecerem Power Rangers ou VR Troopers, sem no entanto terem as dimensões ou proporções correctas para alinharam ao lado destes nas diversas aventuras a que a criança média portuguesa da época submetia os seus 'bonecos', e demasiado rígidos para entrarem nas missões dos Action Man. Muitos dos que formavam parte do referido grupo demográfico certamente se lembrarão, no entanto, que estas estavam longe de ser as únicas 'contrafacções' feitas para simular os heróis das propriedades intelectuais mais populares da época; de facto, existia também, ao mesmo tempo, uma variante 'feminina' deste tipo de figura, que muitas meninas de finais do século XX certamente terão tido entre a sua vasta colecção de bonecas ao estilo Barbie.

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Exemplo bem típico das bonecas em causa, aqui numa fusão das navegantes da Lua e de Mercúrio.

Falamos, claro, dos 'sucedâneos' de Sailor Moon, disponíveis nas mesmíssimas lojas dos 'trezentos' – e, mais tarde, chinesas – muitas vezes imediatamente ao lado daqueles que estavam, inevitavelmente, fadados a tornar-se seus namorados em casas com crianças de ambos os sexos, por muitos que fossem os protestos da(s) parcela(s) masculina(s) dessa equação. Em tudo semelhantes às pseudo-'Barbies' vestidas de gala ou de sereia que as rodeavam, o único factor distintivo destas bonecas era, precisamente, a roupa, que emulava a de Serena, líder e personagem principal das icónicas 'Navegantes da Lua', um dos mais populares desenhos animados entre o público feminino da época. Quem tivesse menos apetência para passagens de modelos ou aventuras encantadas podia, assim, organizar um 'esquadrão' de estudantes com super-poderes, prontas a defender o quarto de todos os perigos com a ajuda das suas tiaras mágicas – e tudo isto sem ter de gastar o dinheiro correspondente à compra de uma figura oficial (algo que, aliás, não existia ainda em Portugal no período em análise.)

A contrapartida a esta atractiva proposta prendia-se, claro está, com a qualidade de fabrico, que era tão fraca quanto a de qualquer outra boneca dos 'trezentos', com corpo e membros ocos, que se amolgavam ao mínimo toque e pareciam sempre em riscos de se partir ou desconjuntar; no entanto, e ao contrário do que muitas vezes se pensa, quem comprava este tipo de brinquedo na altura sabia, na maioria das vezes, 'ao que ia', e não tinha qualquer problema em aceitar esta inevitabilidade face à possibilidade de contar com uma réplica relativamente aproximada de uma das suas heroínas televisivas favoritas.

Tal como sucede com os seus congéneres masculinos, estas bonecas marcam, até hoje, presença nas lojas em causa, prontas a aliciar a Geração Z da mesma forma que fizeram com a sua antecessora; e, sendo 'Navegantes da Lua' ainda hoje uma propriedade popular entre as crianças e jovens, resta saber se os pequenos 'Z' estarão dispostos a aceitar os defeitos inerentes a estas figuras como o fizeram as suas mães e irmãs mais velhas. Sendo esse o caso, é de crer que estas bonecas gozem, ainda, de muitos e bons anos como 'alternativa' pseudo-licenciada a Barbie, Sindy e restantes congéneres...

10.09.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

As primeiras edições desta rubrica abordaram, entre outros temas, as bonecas Barbie (e respectivas 'imitadoras' e as figuras de acção, vulgo 'bonecos', dois dos tipos de brinquedo mais populares dos anos 90 entre, respectivamente, os públicos masculino e feminino. E dado ter sido, também, nessa década (bem como na anterior) que se verificou a expansão e globalização dos produtos baratos fabricados nos mercados asiáticos, não é de espantar que algum empresário mais ambicioso tenha tido a ideia de combinar estas duas categorias de produto numa só, e de as vender, a um preço irrisório, no mesmo tipo de estabelecimento que já albergava inúmeras 'cópias' de qualidade mais que duvidosa de Barbie, Sindy, Batman ou Power Rangers.

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Um exemplo típico deste tipo de figura, claramente baseado nos Power Rangers.

Nasce, assim, a selecta mas ainda assim icónica categoria dos super-heróis de imitação, não de 20cm, mas do tamanho normalmente associado a bonecas para raparigas. Normalmente estilizados a partir dos Power Rangers ou VR Troopers (embora com suficientes diferenças para constituírem uma personagem 'única', por oposição a uma cópia descarada) estes bonecos tendiam a notabilizar-se pela falta de articulação e movimento. campo em que eram diametralmente opostos às figuras mais pequenas, que, na altura, se revezavam para ver quem conseguia ter MAIS pontos de encaixe de membros. Esta falta de flexibilidade, aliada ao tamanho da própria figura, tendia a tornar impossível a sua convivência com os 'bonecos' mais pequenos, tornando-a, na melhor das hipóteses, candidata a 'monstro da semana' e, na pior, um bocado de plástico duro fadado a ser usado como 'noivo' de uma qualquer boneca pela irmã mais nova.

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Outro exemplo fabuloso, este com comparação de escala.

Ainda assim, por comparação a outras figuras piratas da altura – como as inenarráveis bonecas Sailor Moon, que ameaçavam partir-se a qualquer toque mais forte – este tipo de super-herói até gozava de uma qualidade de construção bastante razoável, sendo mais pesado e 'cheio' do que os bonecos e bonecas invariavelmente ocos e ultra-leves que o rodeavam nas prateleiras das lojas 'dos trezentos' e estabelecimentos semelhantes. E, sem terem sido o brinquedo preferido de ninguém, a verdade é que estes bonecos terão tocado, em algum momento, a infância de quase todos os jovens portugueses da época – sobretudo do sexo masculino – o que os torna, de certo modo, um produto icónico e de referência para a geração nascida e crescida de cada um dos 'lados' do Novo Milénio.

19.08.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O Verão em Portugal é, em larga medida, sinónimo de idas à praia, piscina ou parque aquático - e estas, por sua vez, trazem associada toda uma série de brinquedos e produtos específicos. Já há algum tempo aqui falámos de um deles - os colchões insufláveis - e chega, agora, a altura de falarmos de outro, nomeadamente as pranchas de 'bodyboard' concebidas especialmente para crianças.

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Exemplo moderno dos produtos em causa.

Ainda hoje disponíveis em muitas lojas de praia - embora bastante menos comuns no areal em si do que em tempos já foram - estas pranchas constituíram, para muitas crianças dos anos 90, o primeiro contacto com os desportos aquáticos que tanto fascinavam a juventude da época; e ainda que não fossem, nem de longe, resistentes o suficiente para enfrentarem mesmo as ondas mais pequenas, estavam mais do que à altura da tarefa de emular, na orla da água, os 'verdadeiros' surfistas e 'bodyboarders' que explanavam os seus truques alguns metros mais à frente. Com algum jeito, era até possível fazer estas pranchas deslizar pela areia molhada, ao estilo 'skimboard', algo que não deixava de deliciar a demografia-alvo.

Assim, não é de admirar que estas pranchas se tornassem rapidamente, para quem as tinha, apetrecho indispensável de cada ida à praia - tão impossível de ser esquecido como o balde, as forminhas ou as raquetes - e, para quem não tinha, objecto de cobiça, que fazia sonhar com o momento em que também esses pudessem revoltear sobre a rebentação baixa à beira-mar, a 'treinar' para quando, anos mais tarde, pudessem verdadeiramente tornar-se desportistas radicais marítimos - um objectivo que as escolas de surf tornam, hoje, mais fácil, tornando as pranchas de brincar algo obsoletas. Ainda assim, para quem viveu no tempo em que nem tudo estava, ainda, largamente disponível, estes brinquedos terão, sem dúvida, marcado época, e contribuído para muitos Sábados aos Saltos durante as férias de Verão na praia...

05.08.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Um dos temas recorrentes deste nosso blog prende-se com a relação directa entre a simplicidade de um brinquedo ou produto e o seu potencial para diversão – um paradigma que ganha a sua máxima expressão com alguns dos brinquedos de exterior que faziam as delícias das crianças noventistas. De tubos que, ao serem girados, faziam eco a simples balões de hélio, passando pelas bisnagas, pelos martelinhos de borracha, pelas rodas e outros brinquedos de empurrar ou puxar, pelos baloiços artesanais ou pelas eternas bolas, são inúmeros os exemplos de produtos que, apesar de simples, eram também capazes de render momentos bem divertidos; e, a essa lista, há ainda que juntar o brinquedo de que falamos hoje, e que qualquer jovem crescido em finais do século XX imediatamente reconhecerá e recordará da sua infância.

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Falamos dos cata-ventos, simples pedaços de plástico multi-colorido retorcidos numa configuração aerodinâmica e 'espetados' num pauzinho, também feito de plástico, pronto a absorverem qualquer aragem que lhes permitisse mostrar o seu 'truque': um efeito giratório que tirava o máximo partido das cores utilizadas, e que deixava deliciado qualquer pequeno da época – especialmente quando a referida aragem era combinada com um movimento rápido, de corrida, que fazia com que o efeito se realizasse com ainda maior velocidade, criando um padrão visualmente espectacular. A única preocupação era, pois, a possibilidade de apanhar vento em excesso, havendo, nesse caso, grandes probabilidades de o plástico ser arrancado do pauzinho e levado por uma rajada, acabando assim com o brinquedo. Mesmo esse caso era, no entanto, de somenos importância, já que os cata-ventos eram não só fáceis de encontrar, como também relativamente baratos, o que tornava simples encontrar um substituto em caso de 'desastre'.

Tal como muitos outros brinquedos e produtos de que aqui vimos falando, os cata-ventos inserem-se naquele grupo de distracções de finais do século XX que dificilmente interessarão às crianças do Novo Milénio, com a possível excepção das muito pequenas; de facto, seria mais provável ver membros da Geração Z a utilizar uma aplicação de telemóvel que simulasse um destes brinquedos do que a correr pelo jardim com um deles na mão; os seus 'antecessores' das gerações 'millennial' e X, no entanto, sabem o prazer único que dava sair à rua com um cata-vento num Sábado aos Saltos de Primavera ou Verão, e esperar que o vento fizesse a sua parte – um daqueles prazeres simples que, infelizmente, parecem cada vez mais perdidos no novo Mundo digital.

22.07.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Num dos primeiros posts 'de Verão' deste nosso blog, abordámos as pistolas Super Soaker, um dos brinquedos mais instantaneamente associáveis ao calor para as crianças dos anos 90. Apesar de popular, no entanto, as referidas pistolas de água não eram tão ubíquas quanto se possa pensar, graças a uma combinação de preços proibitivos (comuns a todos os brinquedos 'da moda' do século XX) e alguma controvérsia, graças à força que os jactos de água atingiam nos modelos mais potentes; assim, muitas das crianças e jovens portugueses da época continuavam a ver-se obrigados a recorrer a métodos mais 'tradicionais' para se refrescarem a si próprios e aos amigos em dias quentes de Verão, fossem eles os banhos de piscina, mangueira ou tanque, os sempre clássicos balões de água ou os brinquedos de que falamos este Sábado, as não menos tradicionais 'bisnagas'.

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Associados – como os balões de água – tanto ao Verão como ao Carnaval, os icónicos 'revólveres´ de plástico translúcido e colorido, com um 'pipo' na frente por onde entrava a 'munição', vulgo a água, não podiam faltar na gaveta de qualquer menor de idade de finais do século XX, onde esperavam a época certa para 'entrar em acção', e molhar tudo e todos ao seu redor; e ainda que os seus jactos 'às pinguinhas' fossem mais irritantes que eficazes, os mesmos não deixavam, ainda assim, de atingir o objectivo proposto, nomeadamente o de 'chatear' os amigos e os deixar desconfortáveis.

Tal como tantos outros produtos de que aqui falamos, no entanto, também as bisnagas de água caíram em desuso com o passar das décadas, até por terem deixado de estar, como dantes, disponíveis em qualquer drogaria, loja dos 'trezentos' ou superfície comercial de bairro, a um preço hoje equivalente a uns poucos cêntimos. Ainda assim, é de crer que o seu atractivo não se tenha desvanecido para as crianças da nova geração, e que as mesmas saberiam o que fazer com um destes brinquedos se o mesmo lhe fosse posto nas mãos; afinal, por muito que as mentalidades mudem, há instintos e comportamentos que são inatos a qualquer criança ou jovem, e estes produtos conseguem juntar dois – o de brincar com água, e o de irritar os amigos – assegurando assim que o seu apelo permanece intemportal...

02.07.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui anteriormente falámos dos diversos tipos de bonecas e bonecos para todas as idades disponíveis em finais do século XX e que, além do próprio conceito de emularem uma figura (mais ou menos) humana, partilhavam ainda uma outra característica: o facto de serem frágeis, e poucas vezes resistirem ao manuseamento tipicamente 'bruto' a que eram sujeitos pelo seu público-alvo, a ponto de Barbies ou Action Man sem cabelo, braços ou pernas serem comuns o suficiente para se tornarem um estereótipo, presente inclusivamente em filmes como 'Toy Story'. Assim, não foi de estranhar que, durante a década de 70, uma companhia americana procurasse criar um boneco que evitasse esse tipo de problema – uma figura que acabaria por se chamar Stretch Armstrong e que, nas décadas seguintes, chegaria a todo o tipo de mercados ao redor do Mundo, entre eles Portugal, onde 'aterraria' precisamente nos anos 90.

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As duas versões do boneco, ambas comercializadas em Portugal nos anos 90, e a primeira relançada em 2016.

Distribuído em terras lusas pela Famosa – conhecida sobretudo como a companhia comercializadora dos Nenucos – Stretch Armstrong trazia como principal atractivo o facto de poder ser puxado, esticado e 'maltratado' das mais diversas formas sem se partir nem danificar. Isto porque o corpo do boneco, à excepção da cabeça, era feito de borracha e recheado com um gel especial, que permitia que a figura se mantivesse 'esticada' durante alguns momentos antes de, quase como por magia, regressar à sua forma original – uma proposta irresistível para a grande maioria das crianças daquele fim de século, que podiam, assim, 'abusar' do boneco sem sofrer as normalmente inevitáveis consequências.

De referir que a versão mais conhecida em Portugal do boneco é a segunda, de feições exageradas e roupa de ginásio preta, originalmente lançada nos EUA entre 1993 e 1994 juntamente com uma série de outras figuras, como o cão Fetch Armstrong e o irmão malvado de Stretch, Wretch Armstrong, todos capazes de 'esticar' quase até ao infinito; já a versão original não tinha família nem mascote, e apresentava a aparência típica de um lutador de luta-livre dos anos 70 e 80, com cabelo loiro, tronco nu e uma 'tanga' azul. Ambos estiveram disponíveis no nosso País à época, tendo o segundo sido mesmo relançado já nos anos 2010, podendo ainda ser adquirido.

No fundo, apesar de não ser dos brinquedos mais conhecidos ou falados daquele final de século XX, Stretch Armstrong veio colmatar uma das principais lacunas das bonecas e figuras de acção, e dar às crianças da época algo que elas activamente procuravam num brinquedo desse tipo, merecendo por isso esta pequena homenagem nas páginas deste nosso blog.

18.06.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui por várias vezes referimos que muitos dos brinquedos mais populares entre as crianças dos anos 80, 90 e 2000 – e até, embora em menor grau, as de hoje em dia – tinham por base conceitos extremamente simples, sem por isso serem simplistas. Das Ondamanias aos tubos e microfones de eco, e dos balões 'esmurráveis' aos 'puzzles' de deslizar, são inúmeras as provas de que não era necessário 'inventar' muito para entreter o público infanto-juvenil da era pré-digital; bastava ter uma boa ideia e saber comercializá-la de modo a que se tornasse atractiva.

O produto de que falamos este Domingo é outro exemplo 'acabado' dessa teoria; afinal, trata-se, pura e simplesmente, de um cubo de plástico, feito de segmentos rotativos de diferentes cores. E, no entanto, o mesmo constituiu um dos mais desafiantes e populares brinquedos entre as crianças de finais do século XX. Trata-se do icónico 'Cubo Mágico' ('Rubik's Cube', no original) surgido em finais dos anos 70 na Grã-Bretanha e EUA, e que, durante as décadas seguinte, 'tomou de assalto' uma série de outros países, entre os quais Portugal, onde chegaria já na década de 90.

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Pode parecer fácil de resolver, mas confundiu toda uma geração.

O conceito do Cubo Mágico ficava a meio caminho entre jogo e quebra-cabeças. O objectivo era alinhar todos os segmentos da mesma cor em todos os lados do sólido, de modo a que cada um dos lados ficasse inteiramente composto de quadrados de uma só cor. Este era, claro, um objectivo mais fácil de descrever do que de realizar, sendo a dificuldade de resolução do Cubo Mágico lendária entre a geração que aceitou o desafio: muita gente conseguia fazer 'linhas' da mesma cor, ao estilo Tetris, mas poucos eram os que genuinamente decifravam o Cubo na sua totalidade. De 'truques' como o de trocar os autocolantes de modo a que o cubo ficasse resolvido sem grande esforço, até ao raro caso em que o quebra-cabeças era legitimamente resolvido, são muitas as histórias partilhadas até hoje pelos 'Millennials' de todo o Mundo, e centradas em torno daquele pequeno objecto multi-colorido.

Curiosamente, apesar de ter 'saído de moda', o Cubo Mágico viria a influenciar, ainda que indirectamente, muitas futuras 'febres' entre os fãs de quebra-cabeças, como o Sudoku e, claro, o Tetris; prova mais que suficiente (se ainda fosse necessário) da influência que um conceito tão simples pode ter sobre os padrões culturais da sociedade ocidental.

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