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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

03.07.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Nos dias que correm, a maioria dos recursos disponíveis para entreter as crianças e jovens 'dentro de portas' têm uma componente digital; ainda que os tradicionais puzzles e jogos de tabuleiro não tenham desaparecido por completo, prevalecem neste aspecto as consolas, computadores, 'tablets' e outros recursos inteiramente electrónicos, sendo que até mesmo jogos e brinquedos que não precisariam necessariamente desta componente a passaram a incluir, à laia de bónus.

No mundo pré-Internet dos anos 80 e 90, no entanto – em que os computadores eram primitivos e as consolas dispendiosas – passava-se precisamente o contrário: a maioria dos brinquedos e jogos convidavam ao manuseamento físico, tanto a sós como em grupo. Além dos já referidos jogos de tabuleiro e puzzles, era também este o caso com diversões tão populares quanto os baldes de soldadinhos de plástico, os LEGOs, ou o tema deste Domingo Divertido, os cubos.

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Quem foi criança abaixo de uma certa idade durante as referidas décadas certamente terá tido um 'flashback' nostálgico à mera menção daqueles sólidos de madeira ou plástico, decorados com motivos que cabia ao próprio jogador juntar de modo a que fizessem sentido, numa mecânica semelhante (mas não exactamente igual) à de um puzzle. De facto, este tipo de jogo era (foi) um dos grandes 'clássicos' das prateleiras de quarto infantis - até por estar disponível a preços relativamente razoáveis em qualquer loja de brinquedos de bairro - tendo certamente havido pouco quem não tenha tido pelo menos um conjunto dos mesmos.

Como sucedia com tantos outros jogos que aqui vamos abordando, a grande maioria dos conjuntos de cubos era comercializada pela Majora, a 'rainha' dos jogos infantis daquela época, cujo catálogo para este tipo de produto compreendia desde padrões mais genéricos como os retratados no início deste post, até aos mais populares e cobiçados motivos retirados de filmes e bandas desenhadas da Disney.

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Exemplo de conjunto de cubos da Disney (crédito da foto: CustoJusto.pt)

Fosse qual fosse o padrão, no entanto, estes conjuntos proporcionavam, invariavelmente, largos momentos de diversão, ao mesmo tempo que ajudavam a demografia-alvo a desenvolver as suas faculdades ao nível da motricidade e raciocínio lógico, capacidades essenciais durante os primeiros anos de vida. Talvez por isso a nostalgia de uma determinada geração em relação a este tipo de jogo seja tão forte, e tão perene...

Infelizmente, como tantos outros brinquedos e jogos de que aqui falamos, é muito pouco provável que os cubos voltem a aliciar as gerações actualmente em idade de brincar com eles, como sucedeu com as dos seus pais; isto porque, para crianças que praticamente nascem com o nariz colado a um ecrã, um conjunto de sólidos de madeira não apresentará grande interesse. Resta, pois, a quem com eles passou momentos felizes no chão do quarto ou da sala explicar (ou, quem sabe, mesmo demonstrar) às crianças de hoje em dia exactamente porque é que este tipo de jogo foi tão popular a determinada altura da História...

12.12.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

De entre as muitas prendas que as crianças dos anos 90 recebiam no Natal, uma das mais clássicas era aquele balde em plástico berrante – normalmente vermelho – cheio de peças avulsas de LEGO.

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Os tradicionais blocos de construção atravessavam, na última década do século XX, um dos seus períodos áureos, com inúmeras linhas e colecções para todas as idades, pelo que o referido balde se afirmava como uma prenda tão vistosa quanto 'segura'; afinal, a maioria dos jovens daquele tempo tinha um interesse activo em LEGO, pelo que uma caixa cheia de peças do referido jogo seria, inevitavelmente, bem recebida.

Para perceber o porquê deste facto, é necessário recuar aos LEGOs, tal como eles eram na 'nossa' época. Isto porque, hoje em dia, a marca tem conotações e motivações quase diametralmente opostas àquelas de que gozava em finais do segundo milénio; enquanto que nos dias que correm, as linhas da LEGO consistem, quase exclusivamente, de produtos de custo elevado e utilização específica, normalmente ligados a um qualquer 'franchise' cinematográfico ou televisivo, nos anos 90, a marca afirmava-se como um dos últimos bastiões para a imaginação das crianças, permitindo-lhes criar aquilo que quisessem (desde que dispusessem das peças, bem entendido) e dar largas à sua imaginação. Havia, bem entendido, conjuntos com finalidade definida, como o clássico castelo ou os veículos da linha Lego Technic, a versão da LEGO para os populares Meccano; o ênfase, no entanto, estava mesmo na criação sem limites, sendo que até mesmo os diferentes elementos destes conjuntos mais direccionados podiam ser retirados do seu ambiente natural e utilizados para quaisquer outros fins que aprouvessem à criança. Em suma, enquanto que os conjuntos LEGO de hoje em dia permitem construir uma réplica exacta de Hogwarts com os conteúdos da respectiva caixa, e nela colocar as mini-figuras de Harry Potter e seus amigos, os LEGOs dos anos 90 permitiam construir uma escola de magia completamente original, de raiz, e nela colocar como alunos os cavaleiros do castelo, a menina tenista, o polícia de trânsito, e quem mais viesse à mão – o único limite era mesmo a nossa imaginação.

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O espectacular castelo era um dos poucos conjuntos 'direccionados' comercializados pela marca à época

Com isto em mente, não é de estranhar que um balde cheio de peças avulsas e aleatórias de LEGO fosse uma surpresa tão grata para as crianças daquele tempo; embora não fosse exactamente um presente que se pusesse na lista ou marcasse no catálogo de brinquedos (afinal, uma das 'regras orais' das listas de Natal em criança era que as mesmas tinham um número finito de linhas, e tinha sempre de se deixar espaço para aquela boneca, figura de acção ou jogo de tabuleiro 'vistoso') também não era, nem de longe, uma prenda de que se desdenhasse, e acabava sempre por ter bastante uso nos meses subsequentes.

Infelizmente, numa altura em que os brinquedos e brincadeiras se vêm tornando cada vez mais restritivos, os baldes de LEGO perderam muita da sua razão de ser, não sendo de estranhar que raramente (ou nunca) se avistem nas secções de brinquedos dos supermercados e hipermercados de hoje em dia; o próprio hobby de construir com LEGOs tem-se tornado, nos últimos anos, mais exclusivo e segmentado, graças ao preço exorbitante dos conjuntos actuais, por oposição ao que acontecia nos anos 90, em que qualquer semanada de criança permitia comprar um conjunto de figura-e-carrinho na loja de brinquedos do bairro. Quem ainda tenha acesso àqueles baldes anuais da sua infância (e se lembre do gozo que dava 'mergulhar' num deles) tem, por isso, como dever apresentá-los à geração actualmente com idade para se interessar por eles, antes que o poder da imaginação se perca por completo...

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