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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

12.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 10 e Domingo, 11 de Janeiro de 2026.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O dealbar da era tecnológica, e correspondente globalização do mercado de peças, fez dos anos 80 e 90 a era de ouro para a inserção de funcionalidades 'digitais' em brinquedos de outro modo tradicionais, dando azo a produtos tão icónicos e característicos da época como os carros telecomandados, bonecos e bonecas falantes, papagaios repetidores, flores dançarinas, pistolas espaciais ou veículos com luz e som, entre inúmeros outros. Deste grupo fazia, também, parte a categoria de produto abordada neste 'post', e que, como a maioria das supramencionadas, podia ser utilizada tanto dentro de casa, para um Domingo Divertido, como no decurso de um Sábado aos Saltos – embora, neste caso, fosse necessário ter cuidado para evitar acidentes ou danos ao brinquedo, sendo preferível escolher uma área segura, como o quintal de casa.

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(Crédito da foto: OLX)

Falamos dos robôs electrónicos, a maioria dos quais contava com movimento, efeitos de luz e até, em certos casos, voz sintetizada – características que, naquele dealbar da era digital, em que tudo era novo e excitante, os tornavam instantaneamente em brinquedos desejáveis e dignos de cobiça. Até mesmo os robôs mais simples e simplistas – como o representado no filme 'Toy Story' eram adições honrosas a qualquer quarto de criança (portuguesa ou não só) e motivo de interesse certo aquando da visita de amigos, ou durante um Sábado aos Saltos de sol, sozinho ou na companhia dos mesmos.

Tal como muitos outros produtos abordados nestas páginas, também os robôs de brincar viram, eventualmente, passar o seu 'momento', à medida que os interesses das crianças e jovens se viravam cada vez mais para o mundo digital e interactivo. Ainda assim, os mesmos permanecem, hoje em dia, símbolo de uma era mais simples, em que um brinquedo com movimento e alguns efeitos sonoros embutidos era suficiente para não só manter entretida uma criança durante largos períodos, mas ter lugar de destaque entre todas as suas posses.

27.12.25

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Os anos 90 foram pródigos em produtos e brinquedos que 'toda a gente queria', e que, se encontrados debaixo da árvore de Natal, eram motivo para reacções alucinantes. Nas linhas abaixo, recordamos apenas cinco dos mais icónicos, sem nenhuma ordem em particular.

- Consolas

TkZghvN25z7dxCK4YyM5dY-1200-80.jpgDo Game Boy (a 'preto e branco' ou a cores) à Mega Drive, Sega Saturn, Nintendo 64 ou DreamCast, passando pelas duas PlayStations ou apenas pela icónica 'família' de consolas piratas conhecidas como 'Family Game' era raro o Natal em que pelo menos uma consola não marcasse presença na lista de prendas desejadas - normalmente, a que mais recentemente chegara ao mercado, ou aquela para a qual eram lançados os jogos mais 'badalados'. E, como se pode constatar pela lista acima reproduzida, os anos 90 representaram um dos períodos áureos para o desenvolvimento de tecnologias interactivas caseiras, com muitos e bons sistemas a 'dividirem' a lealdade dos entusiastas de videojogos, tanto na época natalícia como em ocasiões como os anos.

- Tamagotchi

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Foi uma das 'febres de recreio' por excelência no período pós-Tazos e 'diabolos', e interrompeu inúmeras aulas da primária à faculdade com os inconfundíveis sinais sonoros de que o bichinho virtual se encontrava mal-disposto, ou de que era preciso limpar a área onde 'vivia'. Foi, também, substituto 'virtual' para um animal de estimação de 'carne e osso' para muitas crianças, portuguesas e não só - pelo menos até se acabarem as pilhas, ou até deixar de ser item obrigatório no recreio da escola. E apesar de, em Portugal, a 'febre' ter passado quase de um dia para o outro, o Tamagotchi e respectivos 'imitadores piratas' mantiveram-se como parte da cultura popular de outros países até aos dias que correm, tendo a franquia celebrado recentemente os seus vinte e cinco anos de existência.

- Furby

download (3).jpgA 'evolução natural' da 'febre' Tamagotchi, os Furbies não só serviam como animais de estimação 'virtuais' como também de peluches físicos - isto para além de falarem e se mexerem. Uma espécie de cruzamento entre um peluche 'normal', um Tamagotchi e um papagaio repetidor (outro brinquedo muito popular na mesma época) estes 'bicharocos' alienígenas apenas tinham contra si o facto de algumas crianças os acharem levemente perturbadores, ainda que estas se contassem apenas por minoria. Tal como os Tamagotchis, no entanto, o 'momento' dos Furbies passou de forma mais do que repentina, e, poucos anos após o seu 'auge', os mesmos eram já recordados apenas como uma 'tolice' nostálgica dos anos de infância dos 'millennials' portugueses e não só.

- Brinquedos 'Grandes'

438228047.jpgDa casa da Barbie até aos castelos do He-Man ou da LEGO, aos veículos de Action Man e GI Joe ou ao exemplo mais famoso - o icónico barco pirata da Playmobil - os acessórios e cenários de grandes dimensões ligados a franquias conhecidas eram, inevitavelmente, alvo de cobiça, embora os preços normalmente proibitivos os remetessem inevitavelmente para a categoria de desejos de Natal (ou anos). Ainda assim, para quem tivesse a sorte de receber um destes exemplares, estava garantida não só a diversão como também a capacidade de se 'gabar' e 'exibir' o novo brinquedo junto dos colegas da escola - uma oportunidade que nenhuma criança deixaria passar em branco, fosse à época ou nos dias que correm.

- Bicicletas, 'Skates', Trotinetes e Patins

images (2).jpgForam, durante décadas, o epítoma de presentes 'caros' e desejáveis, um paradigma que ainda se mantinha em finais do século XX, quando uma bicicleta BMX ou um par de patins em linha se encontrariam provavelmente perto do topo de uma lista de presentes de Natal. A natureza intemporal destes presentes, e o facto de se manterem relevantes durante múltiplos anos (pelo menos até deixarem de servir ao 'dono') tornava-os também investimentos inteligentes a longo prazo, fazendo com que fossem, se possível, ainda mais apetecíveis para a criança ou jovem médio, tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo.

Estes são, claro, apenas alguns dos muitos presentes icónicos cobiçados pelos jovens lusitanos das gerações 'X' e 'millennial', nascidos e crescidos naquela que talvez tenha sido uma das melhores épocas da História moderna para ser criança, dado o volume de produtos entusiasmantes para essa faixa etária disponíveis no mercado de então, prontos para figurar como 'figura de proa' de qualquer carta ao Pai Natal.

02.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Novembro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui em ocasiões passadas falámos dos 'bonecos' (ou figuras de acção, para lhes dar a denominação moderna), das variantes maiores dos mesmos (como os Action Man) e das tradicionalíssimas e ainda hoje comercializadas bonecas Barbie (e respectivas 'imitadoras'). E apesar de termos também devotado algum espaço a 'castelos' e outros cenários para os mesmos, ficou por abordar uma outra vertente bastante frequente e popular em linhas deste tipo, e que tanto podia proporcionar aos donos um Sábado aos Saltos como um Domingo Divertido – os veículos.

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O jipe do Action Man era um dos melhores exemplos deste paradigma.

Isto porque, apesar de muitos brinquedos deste tipo serem meramente 'decorativos', não tendo qualquer função especial, outros havia que podiam ser utilizados fora do contexto das brincadeiras; os veículos com rodas, em particular (como o famoso carro da Barbie ou o jipe do Action Man) tendiam a ser grandes o suficiente para poderem também ser utilizados no exterior, quer puxados por um fio, quer simplesmente empurrados com a mão por sobre um muro ou parapeito, tal como seriam no chão do quarto. Assim, quem possuísse estes brinquedos podia, facilmente, incorporá-los nas brincadeiras de rua de um fim-de-semana de sol, ou levá-los de 'passeio' até à mercearia ou supermercado – embora, neste caso, fosse necessário ter cuidado para evitar danos causados por terrenos mais acidentados. Não admira, pois, que este tipo de brinquedo estivesse entre os mais cobiçados no tradicional catálogo de Natal, como presente de anos, ou simplesmente numa visita 'de circunstância' ao hipermercado; afinal, apesar de consideravelmente caros, os mesmos serviam uma função 'dois-em-um' a cujas potencialidades que nenhuma criança (da época ou mesmo dos dias de hoje) era capaz de ficar indiferente...

 

05.10.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 04 de Outubro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Eram brinquedo muito cobiçado pelas crianças do sexo feminino da época pré-digital, em que qualquer funcionalidade ou mecânica dentro de um boneco (ou, neste caso, boneca) era ainda capaz de espantar e impressionar. E a destas bonecas, em particular, era sem dúvida impressionante, o que – a juntar ao facto de serem literalmente da mesma altura dos membros da faixa etária que visavam – faziam delas um dos presentes mais vistosos de qualquer conjunto de prendas de anos ou Natal.

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Falamos, claro, das bonecas que andavam, bastando para isso colocá-las na vertical e dar-lhes a mão. E a verdade é que ainda hoje não é certo qual o mecanismo que fazia mexer as pernas daquelas 'andarilhas', embora seja fácil de conjecturar que o movimento das mesmas teria algo a ver com o das próprias crianças. Através dos inocentes olhos infantis, no entanto, tal locomoção deveria parecer algo como magia, ajudando a catapultar estas bonecas para a 'elite' dos brinquedos de qualquer quarto de menina noventista.

Como sucede com tantos outros brinquedos, no entanto, também o tempo das 'andarilhas' passou, tendo as crianças do Novo Milénio voltado a atenção para outro tipo de brinquedos, e interesses em geral; as suas mães e tias, no entanto, recordarão sem dúvida aquela 'espantosa' boneca da infância, que tanto se podia levar a passear em casa durante um Domingo Divertido, como ao jardim, parque infantil ou supermercado durante um Sábado aos Saltos.

28.12.24

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Uma das muitas tradições do Natal infantil- e que teve especial ênfase nas últimas décadas do século XX - passava pela presença, debaixo da árvore de Natal, de um brinquedo de exterior de grande porte, quase sempre um meio de locomoção, como um bicicleta, um 'skate', um 'kart', una patins em linha, uma trotinete ou outro veículo a pedal ou eléctrico. No entanto, nem todos os presentes orientados para um Sábado aos Saltos faziam parte desta categoria, e sendo a época festiva um dos períodos do ano em que mais se justificavam gastos avultados, a mesma constituía o pretexto ideal para se colocar na 'carta ao Pai Natal' um dos grandes 'presentes de sonho' de muitas crianças e jovens dos anos 80 e 90 - um 'kit' de modelismo.

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De facto, embora fossem explícita e manifestamente dirigidos a um público adulto, estas espécies de 'fusões' entre os Meccano e Lego Technic e os veículos telecomandados não deixavam de captar a atenção - e imaginação - das crianças que as viam nas montras das então ainda prolíficas lojas especializadas em aeromodelismo. E não obstante os vários entraves - da necessidade de precisão na construção aos preços nada menos que proibitivos - não faltava quem sonhasse em passar um Sábado aos Saltos a 'largar' um veículo daqueles, construído por si próprio, quiçá no decurso do Domingo Divertido anterior, e fazer assim inveja a todos os transeuntes. E embora fossem poucos os que, de facto, realizavam esse objectivo, tal não impedia os vários milhares de outros 'sonhadores' de 'pedirem ao Pai Natal' um daqueles carros ou aviões, e ficarem na esperança de o ver surgir debaixo da árvore no 'dia das prendas'.

Tal como muitos outros aspectos da cultura e quotidiano infanto-juvenis daquela época, tambem o modelismo perdeu muito do seu 'élan', tendo regressado ao seu 'nicho' especializado e continuado a ser, sobretudo, um passatempo de um público mais maduro - curiosamente, constituído hoje em dia por muitos dos que sonhavam em ter e construir um modelo naqueles anos finais do século XX. E mesmo quem, hoje em dia, não é especialmente dado a tal passatempo, certamente terá um laivo de nostalgia ao passar por uma montra e ver nela um avião caça de combate ou carro de rally ou Fórmula 1 semelhante àqueles com que tanto desejava passar um Sábado aos Saltos naquela infância cada vez mais remota...

19.08.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O Verão em Portugal é, em larga medida, sinónimo de idas à praia, piscina ou parque aquático - e estas, por sua vez, trazem associada toda uma série de brinquedos e produtos específicos. Já há algum tempo aqui falámos de um deles - os colchões insufláveis - e chega, agora, a altura de falarmos de outro, nomeadamente as pranchas de 'bodyboard' concebidas especialmente para crianças.

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Exemplo moderno dos produtos em causa.

Ainda hoje disponíveis em muitas lojas de praia - embora bastante menos comuns no areal em si do que em tempos já foram - estas pranchas constituíram, para muitas crianças dos anos 90, o primeiro contacto com os desportos aquáticos que tanto fascinavam a juventude da época; e ainda que não fossem, nem de longe, resistentes o suficiente para enfrentarem mesmo as ondas mais pequenas, estavam mais do que à altura da tarefa de emular, na orla da água, os 'verdadeiros' surfistas e 'bodyboarders' que explanavam os seus truques alguns metros mais à frente. Com algum jeito, era até possível fazer estas pranchas deslizar pela areia molhada, ao estilo 'skimboard', algo que não deixava de deliciar a demografia-alvo.

Assim, não é de admirar que estas pranchas se tornassem rapidamente, para quem as tinha, apetrecho indispensável de cada ida à praia - tão impossível de ser esquecido como o balde, as forminhas ou as raquetes - e, para quem não tinha, objecto de cobiça, que fazia sonhar com o momento em que também esses pudessem revoltear sobre a rebentação baixa à beira-mar, a 'treinar' para quando, anos mais tarde, pudessem verdadeiramente tornar-se desportistas radicais marítimos - um objectivo que as escolas de surf tornam, hoje, mais fácil, tornando as pranchas de brincar algo obsoletas. Ainda assim, para quem viveu no tempo em que nem tudo estava, ainda, largamente disponível, estes brinquedos terão, sem dúvida, marcado época, e contribuído para muitos Sábados aos Saltos durante as férias de Verão na praia...

04.04.23

NOTA: Este 'post' é correspondente a Domingo, 02 de Abril de 2023.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Os avanços tecnológicos de finais do século XX permitiram que as crianças dos anos 80 e 90 disfrutassem de uma série de brinquedos que, sem serem aberta ou explicitamente tecnológicos, faziam uso das capacidades existentes para criarem funcionalidades apelativas que pudessem servir como argumentos de vendas junto do público-alvo. Dos mais complexos, como os 'Furbies', aos mais simples, como as flores dançarinas ou os animais a pilhas, foram inúmeros os exemplos deste tipo de produto disponibilzados ao longo dos últimos vinte anos do Segundo Milénio; no entanto, para as crianças portuguesas em particular, poucos simbolizam esse período da História comercial tão bem quanto os famosos 'papagaios repetidores'.

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Surgidos praticamente 'do nada' para se tornarem êxitos de vendas das lojas de brinquedos mais pequenas (e daquelas lojas 'vende-tudo' semi-duvidosas, a meio caminho entre as drogarias e as lojas dos 'trezentos', tão populares e frequentes no Portugal da época) estes papagaios movidos a pilhas tinham como proposta única a repetição - numa voz robótica e esganiçada - de parte ou da totalidade de qualquer frase dita por quem se encontrasse nas suas proximidades, normalmente acompanhado de um bater de asas mecanizado. Tal era, claro, possível graças aos componentes electrónicos localizados no seu interior, que certamente pareceriam simplistas e obsoletos do ponto de vista actual, mas que, à época, eram suficientemente impressionantes para tornar estes papagaios numa 'febre' entre as crianças e jovens de uma certa idade aquando da sua chegada a Portugal, em inícios dos anos 90.

De facto, por mais difícil que seja imaginá-lo nesta era de Tamagotchis com funcionalidades Bluetooth e brinquedos controlados por Wi-Fi, numa era não muito distante da História, ter no quarto um papagaio que repetia o que se dizia à sua frente era não só motivo de inveja e 'gabarolice', mas também de largos momentos de diversão, quer sozinho, que na companhia dos amigos - um marco (mais um) de tempos mais simples, em que as crianças e jovens eram bem menos exigentes no que tocava às funcionalidades dos seus brinquedos e divertimentos. De facto, apesar de estes papagaios se encontrarem ainda disponíveis hoje em dia, em sites como o AliExpress, é difícil imaginar que um brinquedo deste tipo suscite numa criança do século XXI o mesmo tipo de interesse que criou junto da geração anterior, ou que seja elevado ao estatuto de 'peça central' do quarto como o foi para os jovens de finais de 90; quem viveu o curto mas marcante auge de popularidade destes brinquedos, no entanto, certamente se lembrará da sensação que o mesmo causava junto de qualquer grupo de amigos de uma determinada idade...

05.03.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Qualquer adulto que recorde os seus tempos de criança ou adolescente – independentemente de quando os mesmos tenham tido lugar - dará por si, certamente, a ponderar a razão de ser exacta de algumas das modas e 'febres' em que participou durante esse período da sua vida. Os anos 90 não foram, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário: das meias brancas de raquetes aos Tamagotchis, são inúmeros os exemplos de produtos que, tendo feito furor na 'sua' altura, causam hoje alguma perplexidade quanto à razão do seu sucesso.

A esta lista, há ainda que juntar o tema do Domingo Divertido desta semana – aquelas flores dançarinas a pilhas que, a dada altura em meados da última década do século XX, se tornaram 'O' produto a ter no quarto para a esmagadoria maioria das crianças portuguesas.

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Baseadas num conceito tão simples quanto apelativo – quando ligadas, reagiam à presença de qualquer som próximo, 'dançando' sobre a sua base e movendo os estames para simular o canto – estes brinquedos fizeram, aquando da sua chegada a Portugal, as delícias da geração 'millennial', rapidamente se tornando um daqueles produtos cobiçados que acabavam sempre por ser incluídos nas listas de presentes de anos ou Natal desejados, como complemento aos brinquedos e jogos 'maiores'.

A verdade, no entanto, é que estes produtos acabavam por constituir uma 'faca de dois gumes', já que, apesar de inicialmente incitarem à produção de barulho o mais frequentemente possível (fosse através de música ou apenas algo como palmas) rapidamente se revelavam DEMASIADO sensiveis, reagindo ao mais ínfimo barulho 'acidental' – como voz ou pancadas – ao ponto de se tornarem vagamente irritantes, e acabarem desligadas ao fim de algum tempo.

Ainda assim, mesmo desligadas ou sem pilhas, estas flores constituíam ainda assim um artigo decorativo perfeitamente válido para um quarto infanto-juvenil, e deixavam sempre a possibilidade de voltarem a ser ligadas para impressionar um amigo que estivesse de visita, ou qnando a vontade de as ver 'gingar' ao som de música voltasse a 'bater'. E apesar de hoje parecerem perfeitamente pitorescas junto das bonecas e carrinhos com conectividade Bluetooth e jogos na app, a verdade é que estes brinquedos tiveram a sua época, e conseguiram sucesso considerável no contexto da mesma, deixando boas memórias àqueles que com elas contactaram – no fundo, o objectivo básico para que qualquer produto ou serviço possa ser considerado bem-sucedido...

17.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 16 de Agosto de 2022.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A década de 90 viu muitas crianças solitárias, impedidas por qualquer motivo de ter animais de estimação, virarem-se para as mascotes virtuais como alternativa 'de compromisso'; e após o estatuto de 'febre' mundial conseguido pelos Tamagotchis, em meados da década, era de esperar que fosse apenas uma questão de tempo até alguém desenvolver uma versão mais sofisticada e avançada dos 'bichinhos' LCD aprisionados num ovo.

Esse alguém acabou por ser a Hasbro, que, no Natal de 1998, apresentava o novo 'presente topo de lista' para toda uma demografia um pouco por todo o Mundo: o Furby, uma espécie de versão 'física' do Tamagotchi, que além de poder ser tocado, agarrado e acariciado, como qualquer bom peluche, se encontrava ainda dotado de um (à época) impressionante vocabulário, que lhe permitia manter 'conversas', ainda que básicas, com os seus 'donos' - algo corriqueiro na era da inteligência artificial, mas que, em finais do século XX, era suficiente para elevar este brinquedo acima da maioria das alternativas disponíveis no mercado.

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Assim, não foi de todo de admirar que os Furbys se tivessem posicionado entre os produtos mais cobiçado dos catálogos de Natal daquele ano, e 'voado' das prateleiras de supermercados e hipermercados naquele mês de Dezembro, tanto em Portugal (onde o brinquedo era distribuído pela inevitável Concentra) como um pouco por todo o Mundo - isto apesar da aparência, movimentos e voz algo inquietantes do boneco, que quase chegava a parecer uma versão menos benévola de um Mogwai, a adorável criatura que dá origem aos titulares diabretes no clássico dos anos 80, 'Gremlins'. Nada, no entanto, que dissuadisse o público-alvo, que fez da obtenção de um Furby a sua principal missão naquele Inverno de finais do milénio.

Com toda essa procura e sucesso, tão-pouco surpreendeu o lançamento, menos de um ano depois, de uma versão mais pequena, mas ainda mais evoluída do brinquedo - no caso, os intitulados 'Furby Babies', que além das frases do seu 'irmão mais velho', traziam também maneiras alternativas de interacção com as crianças, como 'segredos' e jogos interactivos. Apesar da recepção menos entusiasta do que a dos originais - até pela perda do 'factor novidade' - esta segunda vaga de Furbies foi, ainda assim, suficientemente bem sucedida para justificar a continuidade da linha, que veria serem lançadas novas versões do bicharoco em 2001 (os 'Furby Friends', que transformavam o mesmo em figuras da cultura 'pop', como Yoda, E.T. ou o próprio Gizmo), e por diversas outras vezes ao longo das duas décadas seguintes - cada uma das quais adicionando novas funcionalidades às originais, como pernas que se moviam, permitindo ao brinquedo dançar, olhos LCD ou compatibilidade com 'apps' para telemóvel.

Tal como sucedera com o Tamagotchi, no entanto, nenhuma destas versões tornou a chegar sequer perto do estatuto almejado pelos originais, que continuam a afirmar-se como uma das mais peculiares, mas também mais memoráveis 'invenções' dos fabricantes de brinquedos de finais do século XX - bem como um daqueles brinquedos (como o 'antecessor' Tamagotchi) de que quem tinha se gabava, e que quem não tinha, queria por força ter...

Nuno Markl recorda o Furby numa das edições de aniversário da sua rubrica na Rádio Comercial.

07.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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A década de 90 ajudou, entre outras coisas, a cimentar definitivamente o gosto dos jovens portugueses pelo basquetebol. A ascensão de equipas como os Los Angeles Lakers e os Chicago Bulls, transmitida aos lares portugueses pelo excelente programa NBA Action, filmes como Space Jam e, dentro de portas, um Carlos Lisboa em auge de carreira, fez com que muitas crianças descobrissem esta fascinante e excitante modalidade, e desenvolvessem por ela uma paixão a merecer ser explorada.

Um dos principais meios de demonstrar (e extravasar) esse gosto pela modalidade passava pela aquisição de uma réplica de uma tabela de basket, uma visão extremamente comum nos quintais e garagens da época. Com um cesto de tamanho oficial, embora o painel fosse mais pequeno, estes equipamentos - facilmente adquiríveis nos então emergentes hipermercados, ou nas lojas de desporto dos também embrionários 'shoppings' - estavam, invariavelmente, entre os mais cobiçados (sobretudo) pelos rapazes da época, e quem tivesse o espaço e/ou dinheiro para adquirir uma não deixava de ser motivo de inveja dos colegas menos afortunados – sobretudo se a tabela tivesse pé, não necessitando portanto do 'ritual' de a pregar à parede, e podendo ser levada para qualquer lugar onde um jogo se pudesse desenrolar.

Quem não tinha a sorte de ter um espaço exterior onde instalar a tabela, no entanto, não ficava impedido de demonstrar o seu gosto (e jeito, ou falta dele) pelo basket; isto porque qualquer loja de bairro ou loja de brinquedos tradicional da época veiculava uma alternativa (mais ou menos) válida às tabelas em 'tamanho real' – nomeadamente, mini-tabelas em tamanho reduzido, com uma bola de plástico e muito leve, que tornava possível a sua instalação e uso em qualquer quarto de cama. Não era a mesma coisa (longe disso) e dificilmente suscitaria a cobiça e inveja dos amigos e colegas de turma, mas para quem não tinha mais do que um apartamento, era mais do que suficiente para extravasar o Michael Jordan dentro de si.

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Exemplo actual de uma mini-tabela

Fosse qual fosse o modelo, no entanto, uma coisa é certa – as tabelas de basket fizeram mesmo furor entre os jovens dos anos 90. E ainda que, actualmente, seja cada vez mais raro encontrar um destes equipamentos numa casa particular (até porque quem quer jogar tem agora muitos espaços exteriores onde o fazer) temos a certeza de que, algures por esse país fora, existem ainda vários LeBron James em potência que, em Sábados de sol como este, resolvem dar uns Saltos (literalmente) no quintal das traseiras, e tentar 'meter' uns cestos na tabela pregada por cima da porta da garagem – tal como o faziam os seus pais, três décadas antes...

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