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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.11.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Quando se pensa em bonecas dos anos 90, o primeiro pensamento da maioria das ex-crianças daquele tempo irá, por esta ordem, para as Barbies (e suas respectivas derivadas), os Nenucos ou as Polly Pockets; no entanto, existiu à época uma outra linha de bonecas, não menos famosa enquanto esteve disponível, mas que hoje se encontra um pouco esquecida (pelo menos em Portugal) por comparação com as suas contemporâneas: as Barriguitas.

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Facilmente reconhecíveis, mesmo fora da embalagem, por serem consideravelmente mais pequenas do que as outras bonecas bebés – até os Nenucos mais pequenos tinham o dobro do tamanho – as Barriguitas destacaram-se, aquando da sua criação e distribuição inicial, por serem uma das primeiras linhas a incluir acessórios que não apenas o biberom (como roupas e chapéus, entre outros), e a primeira de sempre a apresentar bonecas de outras etnias que não apenas caucasianas – duas características que, aliadas ao tamanho invulgarmente reduzido, ajudaram a que a linha da Famosa se destacasse das restantes competidoras, encontrasse o seu nicho bem definido de mercado, e servisse de inspiração a mil-e-uma bonecas bebés da 'loja dos 300', e mais tarde chinesas.

No entanto, e apesar do sucesso de que gozaram durante as duas últimas décadas do século XX, também as Barriguitas acabaram por sucumbir ao mesmo fado de tantas outras linhas de que aqui falamos, com a redução gradual do interesse da geração seguinte de crianças a levar a sucessivas mudanças estéticas e de abordagem, até a linha se tornar virtualmente irreconhecível por comparação àquela que havia deliciado as meninas dos anos 90.

Ao contrário de muitos outros brinquedos abordados nestas páginas, no entanto, as bonecas da Famosa nunca chegaram a desaparecer completamente, sendo inclusivamente alvo de uma das famosas colecções em fascículos da Planeta deAgostini (!!) na qual surgiam vestidas a rigor, com trajes tradicionais de diferentes partes do Mundo. Mais recentemente, já nos últimos dois anos, a linha foi mais uma vez reimaginada, voltando as bonecas da mesma a assumir o seu aspecto original, com o qual haviam feito sucesso entre as crianças dos anos 80 e 90; resta, pois (e como sempre) saber se a presente geração de rapariguinhas terá interesse suficiente pelos bebés da Famosa para permitir o renascimento dos mesmos enquanto potência de mercado...

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Uma das novas Barriguitas para 2021

09.10.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Numa era da História em que predominam os brinquedos e produtos para crianças multi-funcionais e integrados com a toda-poderosa Internet, pode parecer pitoresco dizer que, até décadas bem recentes, um simples pedaço de corda com dois manípulos consistia veículo para horas de diversão numa tarde de fim-de-semana de sol, quer sózinho, quer (bem) acompanhado por amigos.

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O facto, no entanto, é que as cordas de saltar só há bem pouco tempo deixaram de ser um dos esteios das brincadeiras ao ar livre de uma certa demografia, a mesma que via num pedaço de banda elástica potencial suficiente para ocupar uma semana de recreios. Fosse a tentar bater o próprio recorde de saltos sem tropeçar, fosse a avaliar o momento certo para entrar no círculo infindável da corda girada por dois amigos - e lá se manter mais tempo do qualquer outra pessoa – as crianças do final do século XX e inícios do novo milénio continuavam, apesar de toda a tecnologia que os rodeava, a extrair muitos e bons momentos de brincadeira daquele brinquedo tão simples, singelo e até algo antiquado, que já havia feito as delícias dos seus pais, e até avós…

Como é habitual com a maioria dos brinquedos, também as cordas de saltar vinham em vários modelos e padrões de qualidade, das simples e literais cordas (daquelas grossas, para amarrar objectos pesados) passando por tipos especiais para ginástica e desporto, até outras já mais com aspecto de ‘brinquedo’ propriamente dito (normalmente em plástico colorido e com manípulos duros e bem delineados) adquiríveis nas lojas de brindes e brinquedos. Fosse qual fosse o tipo, no entanto, a diversão era a mesma…

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Exemplo do tipo de corda mais trabalhado e abertamente comercial.

Hoje em dia, é extremamente raro encontrar uma corda de saltar fora do contexto de uma aula de Educação Física ou ginásio de ‘fitness’, embora as mesmas ainda existam, e muitas vezes como produtos licenciados (existem, por exemplo, cordas alusivas ao filme Frozen e à linha de bonecas LOL Surprise); no entanto, é impossível não ter a sensação que, se fosse veiculado aos Alfas contacto com essa tão simples mas tão viciante brincadeira, o legado da corda de saltar não deixaria de se estender a mais uma geração…

08.10.21

Nota: Este post é relativo a Quimta-feira, 7 de Outubro de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer criança ou jovem que se aproximasse de uma daquelas máquinas de bolas com brindes (aquelas em que se rodava o manípulo para fazer cair pela ranhura, directamente para a nossa mão, um dos ‘ovos’ contidos no interior) esperava que lhe saísse um dos prémios ‘bons’ que se podiam vislumbrar através do vidro. E apesar de todos sabermos que a colocação dos receptáculos no interior da máquina não era aleatória, e que o mais provável era que nos saísse um puzzle de cartão rasca em que as peças não encaixavam, essa esperança mantinha-se de toda e qualquer vez que utilizávamos estas máquinas, das quais paulatinamente falaremos neste nosso blog.

À falta de melhor, no entanto, a maioria das crianças contentava-se com um prémio que se inserisse no ‘meio termo’ entre o referido puzzle, ou a aranha de plástico duro sem um mínimo de realismo, e aquele iô-iô que espreitava pelo vidro, como que troçando da nossa ingenuidade; e um dos melhores prémios a que se podia aspirar nesta categoria intermédia eram as bolas saltitonas.

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Um exemplo acabado de produto auto-descritivo, as bolas saltitonas (que também se podiam comprar nas tabacarias e lojas de brindes, em diferentes tamanhos) eram precisamente isso: bolas de borracha, normalmente entre o tamanho de um berlinde ‘abafador’ (com os quais, aliás, tinham algumas semelhanças estéticas) e o de uma bola de golfe, às quais era dado um tratamento especial para que tivessem uma reacção de ricochete acima da média. Na prática, isto traduzia-se em brinquedos que, ao mínimo contacto directo com uma superfície, disparavam em vôo picado e errático, o qual só parava quando a bola deixava de encontrar superfícies das quais ressaltar, ou quando era travada em pleno vôo por uma mão certeira; ou seja, uma receita perfeita para deliciar as crianças, mas também para criar ódio entre os adultos, especialmente aqueles que tivessem amor ao mobiliário ou objectos que os rodeavam.

De facto, de uma perspectiva adulta, não é difícil perceber porque é que as bolas saltitonas eram tão frequentemente confiscadas nas escolas daquele Portugal dos 90s, e porque é que quem com elas jogava em casa era inevitavelmente repreendido pelos pais – tratavam-se de brinquedos com alta propensão para causar acidentes, especialmente dada a tendência da criança comum da época para não refrear o seu entusiasmo, e atirar as referidas bolas contra a superfície mais próxima com quanta força conseguisse. Do ponto de vista das crianças, no entanto, esta aversão dos adultos a um brinquedo tão ‘fixe’ e caótico não era mais do que ‘caretice’ da parte deles, e incentivo adicional para se continuar a brincar com o mesmo - pelo menos enquanto o plástico não começasse a lascar em sulcos por embater tantas vezes no chão. Talvez fosse por isso (ou talvez pela facilidade em obter este tipo de brinde) que não havia, nos anos 90, criança que não tivesse pelo menos duas ou três destas bolinhas de conceito extremadamente simples, mas suficientemente bem logrado para causar uma ‘febre’ em Portugal (e não só) durante mais de uma década.

Hoje em dia, continuam a existir bolinhas saltitonas, embora já não com a expressão que outrora tiveram; tal como tantas outros de que já falamos (e falaremos)  aqui no blog, no entanto, esta é daquelas brincadeiras em que é difícil ver a geração Alfa, criada na era da Internet e viciada em Fortnite e Candy Crush, a ter qualquer tipo de interesse. No entanto, trata-se também de um daqueles brinquedos que é verdadeiramente preciso ‘ver para crer’ – e só quem lá esteve naquela época sabe o grau de diversão e ‘vício’ que uma simples bolinha de borracha podia, verdadeiramente, proporcionar…

26.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Sim, estamos finalmente de volta – e mesmo a tempo de termos um Domingo bem Divertido!

E porque, desde que esta rubrica foi inaugurada, temos mantido uma dinâmica de alternância entre assuntos ‘para rapazes’ e ‘para meninas’, hoje continuaremos a seguir essa lógica, e, depois de no último Domingo Divertido termos abordado os carrinhos, brinquedo favorito de muitos rapazes, falaremos hoje daquilo que se pode considerar o seu equivalente feminino – os brinquedos que imitavam acessórios de cozinha ou serviços de chá.

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Lá por casa, havia este.

Tal como não havia rapaz dos anos 90 que não tivesse um balde cheio de carrinhos, também não havia decerto menina que não tivesse umas panelinhas, ou chávenas de chá, ou acessórios para bebé, ou algo semelhante. Este tipo de brinquedo era inescapável, até porque muitas vezes era vendido em conjunção com os próprios brinquedos, à laia de complemento (e sim, os rapazes também tinham uma versão disto, no caso as armas que vinham com toda e qualquer figura de acção da época, e que inevitavelmente se perdiam 0.4 segundos depois de a mesma ser retirada do cartão.)

E tal como os carrinhos tinham versões mais e menos bem conseguidas, o mesmo se passava com estes acessórios em escala reduzida, indo os padrões de qualidade desde serviços de chá em porcelana verdadeira (o equivalente feminino a carrinhos com suspensões ‘a sério’) até pedaços de plástico unicolor vagamente em formato de pratos ou canecas, e desde algo que se podia atirar ou deixar cair sem partir até outros artigos que se danificavam apenas com uso corrente. Escusado será dizer que a preferência ia sempre para os brinquedos de qualidade mais elevada, ainda que os orçamentos de muitas crianças (e pais) apenas permitisse os de pequena e baixa gama…ainda assim, e tal como se passava com muitos outros brinquedos, quem tinha ‘do bom’ era muito invejado pelos seus pares.

Enfim, um tipo de brinquedo que, apesar de não haver muito que dizer sobre ele, não deixou (nem deixa) de povoar as infâncias das crianças do sexo feminino (ou que têm irmãs), tendo sem dúvida proporcionado a este mesmo grupo demográfico, tanto à época como nos dias que correm, muitos momentos de diversão pseudo-realista, semelhante à que os rapazes criavam com os seus carrinhos – e merecendo, por isso, estas breves linhas neste nosso blog nostálgico.

 

12.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

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Este é daqueles posts que se podia ficar por uma imagem. Porque, a sério, basta mostrar algo como o retratado acima para a mente de uma criança dos anos 90 (principalmente do sexo masculine) imediatamente se encher de memórias de tardes passadas de volta dos seus ‘carrinhos’, a fazê-los correr e rodar por superfícies tão distintas como o sofá de casa (onde raramente rodavam) e o chão do quarto (onde provavelmente rolariam bem.)

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Quem nunca?

Fossem simples ou de fricção (o chamado ‘pull-back’), com ou sem suspensão realisticamente ‘saltitona’, feitos de ferro à prova de tudo ou de plástico mal-amanhado com rodas que mal rodavam, os carrinhos da Matchbox e suas marcas concorrentes marcaram, sem qualquer dúvida, época em Portugal, e poucos eram os rapazes que, à época, não tinham pelo menos um exemplar deste tipo de brinquedo no quarto – mesmo que fosse um daqueles bem ‘janosos’ saídos nas máquinas de bolinhas. Quem tivesse dos ‘bons’, com suspensão e tudo – ou, melhor ainda, uma garagem onde os colocar – podia considerar ter-lhe saído a ‘sorte grande’, pois uma configuração deste tipo era garantia de muitas e boas brincadeiras, quer sozinho, quer com amigos.

Enfim, a verdade é que, com perdão pelo post algo curto, pouco mais há a dizer sobre os carrinhos dos anos 90. Este tipo de brinquedo era tão simples e, ao mesmo tempo, tão omnipresente – podendo ser adquirido, individualmente ou em multipacks, em sítios tão variados quanto drogarias, lojas de brinquedos, barracas de feira, as supramencionadas máquinas de ‘bolinhas’, ou até como prémio do McDonald’s – que poucos serão os leitores deste blog que nunca tenham tido uma interacção directa com um, quanto mais não fosse por intermédio dos irmãos ou amigos. Palavras para quê? São carrinhos de brincar dos anos 90. Não é preciso dizer mais nada…

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