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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.04.24

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

A imagem do cavalinho de baloiço em madeira sempre foi um dos mais tradicionais elementos significantes da fase mais inocente da infância. Um daqueles brinquedos verdadeiramente intemporais, presentes em quartos de criança desde há séculos, este tipo de produto não deixa de marcar presença em todo e qualquer quarto de brinquedos de criança visto num filme ou série de televisão, ou mesmo descrito nas páginas de um livro; e se, hoje em dia, o mesmo é utilizado quase exclusivamente como parte de uma estética propositalmente 'retro' e nostálgica, em finais do século XX, os cavalinhos de baloiço surgiam ainda como parte integrante da selecção de brinquedos de muitas crianças portuguesas, normalmente num modelo muito específico e extremamente popular à época, cuja fotografia ilustra este 'post'.

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O modelo cujas diversas variações deliciaram as crianças portuguesas de finais do século XX. (Crédito da foto: OLX)

Para quem cresceu na época em que nem tudo tinha, ainda, de dispôr de um ecrã com imagens e sons berrantes, o apelo de um destes brinquedos é fácil de perceber e explicar, sendo que o mesmo constituía uma espécie de versão gratuita e sem limite de tempo dos populares brinquedos 'de moeda' tão frequentemente encontrados, à época, em centros comerciais e à porta de cafés. E apesar de os cavalinhos de baloiço se tornarem desajustados a partir de uma idade muito mais precoce que os referidos brinquedos electrónicos, as crianças mais pequenas não deixavam, ainda assim, de conseguir derivar considerável diversão dos mesmos antes de 'evoluírem' para os cavalos de pau ou veículos electrónicos, e daí para as bicicletas, patins em linha, skates, 'karts' e outros meios de locomoção mais avançados.

Hoje em dia, um brinquedo deste tipo pode parecer (e é) quase picaresco na sua simplicidade, uma relíquia de uma era que, apesar de ainda não muito distante, já ficou, definitivamente, 'para trás', sendo impossível a um jovem actual vislumbrar que interesse poderiam ter grande parte dos elementos que a marcaram – sendo os cavalinhos de baloiço um exemplo perfeito disso mesmo. Para quem teve, ou teve oportunidade de usar, um dos tradicionais equídeos em madeira pintados de vermelho e branco, no entanto, o 'post' que agora se conclui terá (espera-se) ajudado a remeter a mente a um tempo mais inocente, em que alguns minutos a 'cavalgar' nos mesmos constituíam uma excelente maneira de passar um 'bom bocado'...

19.11.23

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 18 de Novembro de 2023.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de frequentemente visitados pelas crianças e jovens da época – fosse com a escola ou como Saída de Sábado com a família – os museus dos anos 90 não eram, regra geral, espaços especialmente atractivos para essa demografia. Enquanto que, hoje em dia, tudo tende a ter um cariz mais interactivo, em finais do século XX, este tipo de local caracterizava-se, ainda, por uma certa estaticidade, que – caso a área abordada não fosse de interesse directo para o visitante – os tornava, por vezes, algo aborrecidos. A década em causa viu também, no entanto, serem inaugurados pelo menos dois espaços museológicos directa e explicitamente dirigidos ao público menor de idade. De um deles, falaremos aquando do trigésimo aniversário da sua abertura; ao outro, dedicaremos algumas linhas nos parágrafos que se seguem.

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A segunda casa do Museu, no antigo quartel de bombeiros de Sintra.

Trata-se do Museu do Brinquedo, espaço inaugurado ainda em finais da década de 80, na localidade de Sintra, perto de Lisboa, e que, pela temática abordada, imediatamente captou a atenção das crianças e jovens da época. Isto porque, apesar de se tratar de um museu de moldes bastante típicos, a oportunidade de ver brinquedos de várias épocas (incluindo a então actual) era uma posta bastante mais atractiva para o público-alvo do espaço do que a oferecida pelo comum dos museus então existentes, o que aumentava o desejo de visitar o espaço. Uma vez no local, a proposta de valor ganhava, ainda, novos contornos, dado que o museu dispunha de uma sala lúdica, mais tarde transformada em espaço de exposições temporárias ou itinerantes, mas que, na altura, permitia aos mais novos passarem alguns minutos divertidos a 'descomprimir' após a visita (guiada ou não) ao acervo de brinquedos cultivado durante mais de seis décadas por um único coleccionador, João Arbués Moreira, cuja família era responsável pelo museu.

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Aspecto do interior do museu.

Esta combinação de atractividade com importância e relevância histórica ajudou a fazer do espaço em causa parte importante da 'malha' de museus da Grande Lisboa, tendo-lhe valido a entrada na rede nacional de museus, em 2004, e o estatuto de Superior Interesse Nacional, quatro anos depois, além de uma nova 'casa', no antigo quartel de bombeiros de Sintra. Tudo fazia prever mais várias décadas de deleite das novas gerações, mas a História ditaria um destino algo diferente para o Museu do Brinquedo, que – apenas seis anos após almejar o supramencionado estatuto – viria a encerrar portas em 2014, deixando uma lacuna no panorama museológico português que apenas o Museu do Brinquedo Português, fundado em 2012 em Ponte de Lima, procurou desde então colmatar.

Isto porque, embora a Geração Z pouco interesse tenha nos brinquedos clássicos de gerações passadas, a documentação e exibição dos mesmos não deixa de ser crucial, para evitar que os mesmos se percam no tempo, como vem acontecendo com tantos outros aspectos da cultura popular do século XX. Neste aspecto, a existência de um espaço como o Museu do Brinquedo afigurava-se crucial, sendo de esperar que, algures num futuro próximo, venha a surgir outra instalação semelhante que possa continuar a 'missão' iniciada pelos Arbués Moreira em 1989 e continuada pela autarquia de Ponte de Lima, e captar o interesse das novas gerações da mesma forma que sucedeu e vem sucedendo com aqueles dois espaços.

26.10.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Apesar de, como celebração, o Halloween ser uma data 'importada' já bastante depois da viragem do Milénio, alguns dos seus elementos estéticos, imagéticos e iconográficos faziam já, de uma forma ou de outra, parte do quotidiano das crianças e jovens portugueses desde há várias décadas; quem cresceu em inícios dos anos 90, por exemplo, certamente dedicou um período da sua infância a coleccionar as famosas Caveiras Luminosas oferecidas nos pacotes da Matutano, e talvez até lhes tenha dado lugar de honra na prateleira do quarto, de forma a aproveitar o efeito fluorescente e bem 'tétrico' que as mesmas davam a uma divisão às escuras. Não se ficava por aí, no entanto, a presença de elementos associados ao terror, e também estará provavelmente a mentir quem, tendo crescido no período em causa, afirme nunca ter assustado um familiar, professor, colega ou mesmo apenas a senhora da limpeza com um insecto de plástico.

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Fáceis e baratos de conseguir nas drogarias tradicionais, lojas dos trezentos ou até simplesmente como brindes nas máquinas de 'bolinhas', as réplicas de aranhas, lagartos, cobras e outros animais marcavam presença na gaveta das 'quinquilharias' de muitas crianças, prontas a serem 'desenterradas' assim se apresentasse a menor oportunidade. E se a qualidade variava consideravelmente dependendo da proveniência (as tiradas em 'bolinhas', por exemplo, tendiam a ser microscópicas, em plástico duro e praticamente isentas de detalhes) também é verdade que alguns destes brinquedos almejavam um grau de realismo suficiente para, de relance ou à distância, enganarem os mais incautos – lá por casa, por exemplo, existia uma tarântula que, inclusivamente, contava com um fio acoplado, permitindo 'sustos' perfeitamente épicos. Depois, era só escolher a situação mais adequada (lá por casa, normalmente, a mesa do almoço ou jantar), a 'vítima' mais susceptível, e esperar pela inevitável reacção, que nunca falhava em causar deleite.

E porque queremos pensar que a geração Z não é totalmente desprovida de criatividade, e não deriva TODO o seu humor de vídeos do TikTok, arriscamos dizer que, nesta época de Noite das Bruxas, haverá por esse Portugal fora inúmeros pequenos cérebros a engendrar sustos centrados em torno de insectos de plástico, para ajudar ao clima desta festa que se tenta tornar tradição. A esses, fica a dica para que, se precisarem de ajuda, perguntem aos respectivos pais, dado estes terem mais experiência no assunto do que se possa, à partida, imaginar...

05.08.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Um dos temas recorrentes deste nosso blog prende-se com a relação directa entre a simplicidade de um brinquedo ou produto e o seu potencial para diversão – um paradigma que ganha a sua máxima expressão com alguns dos brinquedos de exterior que faziam as delícias das crianças noventistas. De tubos que, ao serem girados, faziam eco a simples balões de hélio, passando pelas bisnagas, pelos martelinhos de borracha, pelas rodas e outros brinquedos de empurrar ou puxar, pelos baloiços artesanais ou pelas eternas bolas, são inúmeros os exemplos de produtos que, apesar de simples, eram também capazes de render momentos bem divertidos; e, a essa lista, há ainda que juntar o brinquedo de que falamos hoje, e que qualquer jovem crescido em finais do século XX imediatamente reconhecerá e recordará da sua infância.

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Falamos dos cata-ventos, simples pedaços de plástico multi-colorido retorcidos numa configuração aerodinâmica e 'espetados' num pauzinho, também feito de plástico, pronto a absorverem qualquer aragem que lhes permitisse mostrar o seu 'truque': um efeito giratório que tirava o máximo partido das cores utilizadas, e que deixava deliciado qualquer pequeno da época – especialmente quando a referida aragem era combinada com um movimento rápido, de corrida, que fazia com que o efeito se realizasse com ainda maior velocidade, criando um padrão visualmente espectacular. A única preocupação era, pois, a possibilidade de apanhar vento em excesso, havendo, nesse caso, grandes probabilidades de o plástico ser arrancado do pauzinho e levado por uma rajada, acabando assim com o brinquedo. Mesmo esse caso era, no entanto, de somenos importância, já que os cata-ventos eram não só fáceis de encontrar, como também relativamente baratos, o que tornava simples encontrar um substituto em caso de 'desastre'.

Tal como muitos outros brinquedos e produtos de que aqui vimos falando, os cata-ventos inserem-se naquele grupo de distracções de finais do século XX que dificilmente interessarão às crianças do Novo Milénio, com a possível excepção das muito pequenas; de facto, seria mais provável ver membros da Geração Z a utilizar uma aplicação de telemóvel que simulasse um destes brinquedos do que a correr pelo jardim com um deles na mão; os seus 'antecessores' das gerações 'millennial' e X, no entanto, sabem o prazer único que dava sair à rua com um cata-vento num Sábado aos Saltos de Primavera ou Verão, e esperar que o vento fizesse a sua parte – um daqueles prazeres simples que, infelizmente, parecem cada vez mais perdidos no novo Mundo digital.

22.07.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Num dos primeiros posts 'de Verão' deste nosso blog, abordámos as pistolas Super Soaker, um dos brinquedos mais instantaneamente associáveis ao calor para as crianças dos anos 90. Apesar de popular, no entanto, as referidas pistolas de água não eram tão ubíquas quanto se possa pensar, graças a uma combinação de preços proibitivos (comuns a todos os brinquedos 'da moda' do século XX) e alguma controvérsia, graças à força que os jactos de água atingiam nos modelos mais potentes; assim, muitas das crianças e jovens portugueses da época continuavam a ver-se obrigados a recorrer a métodos mais 'tradicionais' para se refrescarem a si próprios e aos amigos em dias quentes de Verão, fossem eles os banhos de piscina, mangueira ou tanque, os sempre clássicos balões de água ou os brinquedos de que falamos este Sábado, as não menos tradicionais 'bisnagas'.

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Associados – como os balões de água – tanto ao Verão como ao Carnaval, os icónicos 'revólveres´ de plástico translúcido e colorido, com um 'pipo' na frente por onde entrava a 'munição', vulgo a água, não podiam faltar na gaveta de qualquer menor de idade de finais do século XX, onde esperavam a época certa para 'entrar em acção', e molhar tudo e todos ao seu redor; e ainda que os seus jactos 'às pinguinhas' fossem mais irritantes que eficazes, os mesmos não deixavam, ainda assim, de atingir o objectivo proposto, nomeadamente o de 'chatear' os amigos e os deixar desconfortáveis.

Tal como tantos outros produtos de que aqui falamos, no entanto, também as bisnagas de água caíram em desuso com o passar das décadas, até por terem deixado de estar, como dantes, disponíveis em qualquer drogaria, loja dos 'trezentos' ou superfície comercial de bairro, a um preço hoje equivalente a uns poucos cêntimos. Ainda assim, é de crer que o seu atractivo não se tenha desvanecido para as crianças da nova geração, e que as mesmas saberiam o que fazer com um destes brinquedos se o mesmo lhe fosse posto nas mãos; afinal, por muito que as mentalidades mudem, há instintos e comportamentos que são inatos a qualquer criança ou jovem, e estes produtos conseguem juntar dois – o de brincar com água, e o de irritar os amigos – assegurando assim que o seu apelo permanece intemportal...

18.06.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui por várias vezes referimos que muitos dos brinquedos mais populares entre as crianças dos anos 80, 90 e 2000 – e até, embora em menor grau, as de hoje em dia – tinham por base conceitos extremamente simples, sem por isso serem simplistas. Das Ondamanias aos tubos e microfones de eco, e dos balões 'esmurráveis' aos 'puzzles' de deslizar, são inúmeras as provas de que não era necessário 'inventar' muito para entreter o público infanto-juvenil da era pré-digital; bastava ter uma boa ideia e saber comercializá-la de modo a que se tornasse atractiva.

O produto de que falamos este Domingo é outro exemplo 'acabado' dessa teoria; afinal, trata-se, pura e simplesmente, de um cubo de plástico, feito de segmentos rotativos de diferentes cores. E, no entanto, o mesmo constituiu um dos mais desafiantes e populares brinquedos entre as crianças de finais do século XX. Trata-se do icónico 'Cubo Mágico' ('Rubik's Cube', no original) surgido em finais dos anos 70 na Grã-Bretanha e EUA, e que, durante as décadas seguinte, 'tomou de assalto' uma série de outros países, entre os quais Portugal, onde chegaria já na década de 90.

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Pode parecer fácil de resolver, mas confundiu toda uma geração.

O conceito do Cubo Mágico ficava a meio caminho entre jogo e quebra-cabeças. O objectivo era alinhar todos os segmentos da mesma cor em todos os lados do sólido, de modo a que cada um dos lados ficasse inteiramente composto de quadrados de uma só cor. Este era, claro, um objectivo mais fácil de descrever do que de realizar, sendo a dificuldade de resolução do Cubo Mágico lendária entre a geração que aceitou o desafio: muita gente conseguia fazer 'linhas' da mesma cor, ao estilo Tetris, mas poucos eram os que genuinamente decifravam o Cubo na sua totalidade. De 'truques' como o de trocar os autocolantes de modo a que o cubo ficasse resolvido sem grande esforço, até ao raro caso em que o quebra-cabeças era legitimamente resolvido, são muitas as histórias partilhadas até hoje pelos 'Millennials' de todo o Mundo, e centradas em torno daquele pequeno objecto multi-colorido.

Curiosamente, apesar de ter 'saído de moda', o Cubo Mágico viria a influenciar, ainda que indirectamente, muitas futuras 'febres' entre os fãs de quebra-cabeças, como o Sudoku e, claro, o Tetris; prova mais que suficiente (se ainda fosse necessário) da influência que um conceito tão simples pode ter sobre os padrões culturais da sociedade ocidental.

15.04.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O facto de as crianças dos anos 80 e 90 extraírem horas de repetida diversão dos brinquedos ou ideias mais simples já se vem tornando uma espécie de temática deste nosso blog, com publicações anteriores a darem atenção a conceitos tão complexos, sofisticados e elaborados como os berlindes, as bolas saltitonas, os brinquedos de puxar e empurrar, os 'discos voadores', os microfones de eco ou até os tubos giratórios que criavam eco, já para não falar na miríade de jogos (de rua ou de casa) que os 'putos' inventavam ou aprendiam durante as brincadeiras na rua. O objecto sobre o qual nos debruçamos hoje não é excepção a esta regra, podendo tranquilamente ser adicionado a esta lista de diversões simples mas irresistíveis daqueles anos imediatamente pré- e pós-Milénio; de facto, àparte o facto de requerer algum trabalho 'manual' para ser criado, o mesmo pode, até, ser considerado um dos conceitos mais simples da mesma.

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Um baloiço de pneu de formato clássico...

Falamos dos baloiços de pneu, a grande alternativa 'feita em casa' para quem não tinha um parque infantil próximo de casa - e recordemos que, na primeira metade dos anos 90, este era ainda o caso em muitas povoações portuguesas, como nos lembrava Vítor de Sousa num lendário anúncio do Tide Máquina. Assim, muitos dos jovens da referida geração crescidos neste tipo de ambiente mais rural ou suburbano terão, provavelmente, passado significativamente mais tempo a balançar-se num pneu pendurado de uma árvore (quer horizontalmente, quer verticalmente) do que nos baloiços de um parque infantil 'a sério', sendo os mesmos parte integrante da sua memória nostálgica.

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...e a variante mais 'industrial' surgida em muitos parques infantis de meados dos anos 90

Mais surpreendente é o facto de aquilo que era inicialmente uma solução 'de recurso' para colmatar a falta de infra-estruturas ter, eventualmente, sido incorporado a essas mesmas infra-estruturas, sendo que, por alturas de meados da década de 90, muitos parques infantis urbanos começavam, eles próprios, a incluir baloiços de pneu, por vezes lado a lado com os de metal, madeira ou pano, ou por vezes até em lugar dos mesmos; nada que incomodasse muito as crianças urbanas, no entanto, já que as mesmas rapidamente descobriam neste brinquedo rústico, mas extremamente eficaz o mesmo encanto que as suas congéneres mais 'campestres' já sabiam que este possuía – e o qual lhe vale, agora, um bem merecido lugar na galeria de brincadeiras de exterior nostálgicas recordadas nestas nossas páginas...

22.01.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

No nosso último post, abordámos o tradicional jogo do pião, o qual, apesar de se encontrar em ocaso de popularidade em finais do século XX, divertia ainda muitas crianças de Norte a Sul do País. Nesse post, referimos ainda a existência de um outro tipo de pião, de características, uso e finalidade ligeiramente diferentes; é, precisamente, esse o brinquedo que nos ocupará a atenção neste Domingo Divertido.

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Quase certamente parte integrante da infância dos portugueses nascidos nos últimos anos da década de 80 e primeiros da seguinte (altura na qual deixaram de ser tão prevalentes ou populares) estes brinquedos eram um clássico da era pré-hipermercados, sendo frequentemente comercializados nas lojas de brinquedos tradicionais, de bairro, e sendo uma excelente opção para um 'presente improvisado' numa Saída de Sábado ou visita dos avós ao fim-de-semana, mais ou menos ao mesmo nível dos conjuntos mais básicos da LEGO, Playmobil ou Pinypon. Talvez fosse essa a razão pela qual este produto marcasse presença nos quartos de tantas crianças abaixo de uma certa idade durante o referido período da História – ou talvez esse fenómeno se prendesse com o facto de estes instrumentos conseguirem, efectivamente, proporcionar largos momentos de diversão durante uma tarde 'preguiçosa' em casa.

O modo de operar estes piões musicais (à falta de melhor nome) era tão simples e intuitivo quanto apelativo e viciante: bastava empurrar para baixo a manivela localizada no topo do brinquedo, e logo o mesmo começava a girar, criando uma espécie de 'animação' rudimentar com os motivos que o decoravam, ao mesmo tempo que emitia uma melodia ao estilo 'caixa de música'. Uma combinação que, ligada ao elemento táctil de fazer 'arrancar' o brinquedo, o tornava por demais apelativo para a sua demografia alvo de crianças abaixo dos cinco ou seis anos, sendo capaz de prender a sua atenção durante largos minutos.

Tal como tantos outros dos brinquedos de que aqui falamos, no entanto (entre eles o 'outro' tipo de piões) também estas caixinhas de música giratórias acabaram por perder o interesse com a chegada de novas e excitantes possibilidades tecnológicas; de facto, hoje em dia, numa era em que até as crianças mais pequenas têm 'tablets' nas mãos enquanto passeiam de carrinho, um brinquedo como este fica algures entre o caricato e o pitoresco. Quem cresceu na era pré-digital, no entanto, certamente saberá o nível de diversão que algo tão simples conseguia proporcionar, e terá talvez até ficado com vontade de ir procurar o seu próprio exemplar 'vintage', da infância, para dar aos filhos...

21.01.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Como já aqui anteriormente mencionámos, nos anos 90, eram ainda comuns no nosso País brincadeiras clássicas, trazidas de outras décadas e já em fase de 'ocaso', mas ainda populares entre as crianças e jovens. Dos berlindes ou jogo da malha aos tradicionais jogos 'de rua', como a macaca, ou de 'palminhas', eram muitas as diversões que a geração 'noventista' já não conseguiu passar à sua sucessora, sendo uma das principais aquela de que falaremos nas linhas abaixo: o jogo do pião.

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A não confundir com aquilo que nos anos 80 e 90 se entendia como 'pião' (um brinquedo musico-visual 'de chão' que se activava por meio de uma manivela situada no topo, e que atempadamente aqui terá o seu 'momento'), o instrumento de que hoje falamos é mesmo o tradicional 'bojo' de madeira com ponta em bico, vagamente em forma de pêra ou de gota de água, ao qual se atava uma corda que, depois, se soltava, fazendo com que o objecto em causa rodasse sobre si mesmo e se movimentasse numa trajectória errática. O objectivo da brincadeira era, tão simplesmente, conseguir que o pião permanecesse a rodar o máximo de tempo possível, ganhando quem almejasse esse fim. Um jogo por demais simples. mas que exigia muita coordenação e perícia, exigindo um aperfeiçoar técnico constante que era parte do desafio, e que fez as delícias de gerações de crianças nos tempos em que a tecnologia não era tão prevalente, chegando mesmo a inspirar uma popular e conhecida canção infantil.

Convenhamos que não é qualquer brinquedo que inspira uma música inteira...

Foi, aliás, precisamente esse um dos motivos por detrás da 'morte' do pião como entretenimento juvenil após o Novo Milénio: com as novas tecnologias cada vez mais acessíveis, e o surgimento de divertimentos na mesma linha, mas mais elaborados (como o Diabolo) o simples e modesto pião acabou por perder o espaço de que disfrutara durante décadas, sendo hoje em dia praticamente impossível encontrar um destes brinquedos em 'estado selvagem' – apesar de ter ainda chegado a haver, durante a década a que este blog diz respeito, versões electrónicas do brinquedo, equipadas com efeitos de som e luz. Ainda assim, o apetrecho em causa continua a ser um dos principais símbolos de codificação da infância, gozando (merecidamente) do estatuto de brinquedo 'clássico' junto de várias gerações de portugueses, e, como tal, bem merecedor de algumas linhas em sua memória.

 

27.11.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O modelismo e a construção são áreas do agrado de muitas crianças ou jovens, embora a sua complexidade obrigue, muitas vezes, a que os mesmos tenham ajuda de um adulto, ou sejam forçados a esperar até terem mais idade, antes de poderem almejar a construir os aviões e carros admirados na montra das lojas especializadas. Tal não significa, no entanto, que não seja possível encontrar soluções adaptadas a faixas etárias mais baixas, das quais, em Portugal, sempre se destacaram duas: LEGO Technic e Meccano. E se a primeira propunha, pura e simplesmente, a construção de veículos totalmente funcionais com recurso a peças de LEGO e alguns conectores especiais, a segunda era suficientemente distinta de tudo o que de mais existia no mercado infanto-juvenil da época para merecer destaque próprio.

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Dois dos modelos disponíveis no mercado português em finais do século XX (crédito das fotos: OLX)

Concebido e lançado em França, e à época já quase centenária (o seu aparecimento data da viragem do século XIX para o XX) o Meccano era, e continua a ser, uma aproximação extremamente fiel a um verdadeiro sistema de engenharia em ponto reduzido – tanto assim que os seus fundamentos permitem a sua aplicação em verdadeiros projectos de construção e protótipos. E ainda que essa complexidade reduzisse o seu público-alvo a crianças que não se importavam de passar um período considerável a apertar porcas e parafusos (fossem de plástico ou metal) com recurso aos instrumentos fornecidos, para essas, não havia maneira melhor de gastar um Domingo Divertido de Inverno em casa. Melhor – os resultados eram tão realistas quanto qualquer modelo de avião, carro ou locomotiva 'para gente grande', e bastante mais do que os mais estilizados veículos da gama LEGO Technic, tornando-os ainda mais atractivos para os adeptos desse tipo de brinquedo.

Tal como a própria LEGO e a sua gama Technic, a Meccano faz parte do lote de produtos de finais do século XX que continuam disponíveis em larga escala nos dias de hoje, tendo entretanto passado por várias mãos, incluindo as da Nikko, fabricante dos famosos carros telecomandados da mesma época. E ainda que a sua presença já não tenha o mesmo volume de que gozava naqueles últimos anos do Segundo Milénio, quem tenha filhos em idade apropriada, com gosto pelo modelismo, engenharia e construção, e lhes queira mostrar o que 'dava a volta à cabeça' dos seus pais na mesma idade, só tem de dirigir-se à loja de brinquedos, supermercado ou grande superfície mais próxima...

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