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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

08.10.21

Nota: Este post é relativo a Quimta-feira, 7 de Outubro de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer criança ou jovem que se aproximasse de uma daquelas máquinas de bolas com brindes (aquelas em que se rodava o manípulo para fazer cair pela ranhura, directamente para a nossa mão, um dos ‘ovos’ contidos no interior) esperava que lhe saísse um dos prémios ‘bons’ que se podiam vislumbrar através do vidro. E apesar de todos sabermos que a colocação dos receptáculos no interior da máquina não era aleatória, e que o mais provável era que nos saísse um puzzle de cartão rasca em que as peças não encaixavam, essa esperança mantinha-se de toda e qualquer vez que utilizávamos estas máquinas, das quais paulatinamente falaremos neste nosso blog.

À falta de melhor, no entanto, a maioria das crianças contentava-se com um prémio que se inserisse no ‘meio termo’ entre o referido puzzle, ou a aranha de plástico duro sem um mínimo de realismo, e aquele iô-iô que espreitava pelo vidro, como que troçando da nossa ingenuidade; e um dos melhores prémios a que se podia aspirar nesta categoria intermédia eram as bolas saltitonas.

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Um exemplo acabado de produto auto-descritivo, as bolas saltitonas (que também se podiam comprar nas tabacarias e lojas de brindes, em diferentes tamanhos) eram precisamente isso: bolas de borracha, normalmente entre o tamanho de um berlinde ‘abafador’ (com os quais, aliás, tinham algumas semelhanças estéticas) e o de uma bola de golfe, às quais era dado um tratamento especial para que tivessem uma reacção de ricochete acima da média. Na prática, isto traduzia-se em brinquedos que, ao mínimo contacto directo com uma superfície, disparavam em vôo picado e errático, o qual só parava quando a bola deixava de encontrar superfícies das quais ressaltar, ou quando era travada em pleno vôo por uma mão certeira; ou seja, uma receita perfeita para deliciar as crianças, mas também para criar ódio entre os adultos, especialmente aqueles que tivessem amor ao mobiliário ou objectos que os rodeavam.

De facto, de uma perspectiva adulta, não é difícil perceber porque é que as bolas saltitonas eram tão frequentemente confiscadas nas escolas daquele Portugal dos 90s, e porque é que quem com elas jogava em casa era inevitavelmente repreendido pelos pais – tratavam-se de brinquedos com alta propensão para causar acidentes, especialmente dada a tendência da criança comum da época para não refrear o seu entusiasmo, e atirar as referidas bolas contra a superfície mais próxima com quanta força conseguisse. Do ponto de vista das crianças, no entanto, esta aversão dos adultos a um brinquedo tão ‘fixe’ e caótico não era mais do que ‘caretice’ da parte deles, e incentivo adicional para se continuar a brincar com o mesmo - pelo menos enquanto o plástico não começasse a lascar em sulcos por embater tantas vezes no chão. Talvez fosse por isso (ou talvez pela facilidade em obter este tipo de brinde) que não havia, nos anos 90, criança que não tivesse pelo menos duas ou três destas bolinhas de conceito extremadamente simples, mas suficientemente bem logrado para causar uma ‘febre’ em Portugal (e não só) durante mais de uma década.

Hoje em dia, continuam a existir bolinhas saltitonas, embora já não com a expressão que outrora tiveram; tal como tantas outros de que já falamos (e falaremos)  aqui no blog, no entanto, esta é daquelas brincadeiras em que é difícil ver a geração Alfa, criada na era da Internet e viciada em Fortnite e Candy Crush, a ter qualquer tipo de interesse. No entanto, trata-se também de um daqueles brinquedos que é verdadeiramente preciso ‘ver para crer’ – e só quem lá esteve naquela época sabe o grau de diversão e ‘vício’ que uma simples bolinha de borracha podia, verdadeiramente, proporcionar…

26.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Sim, estamos finalmente de volta – e mesmo a tempo de termos um Domingo bem Divertido!

E porque, desde que esta rubrica foi inaugurada, temos mantido uma dinâmica de alternância entre assuntos ‘para rapazes’ e ‘para meninas’, hoje continuaremos a seguir essa lógica, e, depois de no último Domingo Divertido termos abordado os carrinhos, brinquedo favorito de muitos rapazes, falaremos hoje daquilo que se pode considerar o seu equivalente feminino – os brinquedos que imitavam acessórios de cozinha ou serviços de chá.

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Lá por casa, havia este.

Tal como não havia rapaz dos anos 90 que não tivesse um balde cheio de carrinhos, também não havia decerto menina que não tivesse umas panelinhas, ou chávenas de chá, ou acessórios para bebé, ou algo semelhante. Este tipo de brinquedo era inescapável, até porque muitas vezes era vendido em conjunção com os próprios brinquedos, à laia de complemento (e sim, os rapazes também tinham uma versão disto, no caso as armas que vinham com toda e qualquer figura de acção da época, e que inevitavelmente se perdiam 0.4 segundos depois de a mesma ser retirada do cartão.)

E tal como os carrinhos tinham versões mais e menos bem conseguidas, o mesmo se passava com estes acessórios em escala reduzida, indo os padrões de qualidade desde serviços de chá em porcelana verdadeira (o equivalente feminino a carrinhos com suspensões ‘a sério’) até pedaços de plástico unicolor vagamente em formato de pratos ou canecas, e desde algo que se podia atirar ou deixar cair sem partir até outros artigos que se danificavam apenas com uso corrente. Escusado será dizer que a preferência ia sempre para os brinquedos de qualidade mais elevada, ainda que os orçamentos de muitas crianças (e pais) apenas permitisse os de pequena e baixa gama…ainda assim, e tal como se passava com muitos outros brinquedos, quem tinha ‘do bom’ era muito invejado pelos seus pares.

Enfim, um tipo de brinquedo que, apesar de não haver muito que dizer sobre ele, não deixou (nem deixa) de povoar as infâncias das crianças do sexo feminino (ou que têm irmãs), tendo sem dúvida proporcionado a este mesmo grupo demográfico, tanto à época como nos dias que correm, muitos momentos de diversão pseudo-realista, semelhante à que os rapazes criavam com os seus carrinhos – e merecendo, por isso, estas breves linhas neste nosso blog nostálgico.

 

18.07.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Numa das primeiras edições desta nova rubrica, falámos do mais famoso ‘brinquedo para meninas’ dos anos 90, a boneca Barbie, e do namorado da mesma, Ken; hoje, falaremos do que aconteceria se Ken se alistasse numa unidade de Forças Especiais de um qualquer exército futurista.

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Sim, o tema de hoje é nada mais, nada menos do que o Action Man, o mais próximo que a maioria das crianças do sexo masculino da época chegaria de ‘brincar com Barbies’; isto porque o herói de acção da Hasbro tinha, sensivelmente, as mesmas dimensões da boneca supermodelo, fazendo dele o maior boneco de acção da década.

Mas ‘maior’ nem sempre significa ‘melhor’, e a verdade é que o Action Man enfrentava a dura concorrência de várias outras linhas de ‘bonecos’ mais pequenos, dos Power Rangers ao Batman, passando pelas Tartarugas Ninja, Dragon Ball Z e GI Joe (a quem, aliás, o nome ‘Action Man’ se refere no Reino Unido, causando alguma confusão a quem teve acesso às duas linhas, e sabe como as duas eram diferentes).

Assim, a Hasbro precisava de assegurar que o ‘seu’ boneco tinha algo de especial – além do tamanho – que o destacasse da concorrência; e o mínimo que se pode dizer é que, nessa missão em particular, Action Man saiu-se magnificamente. Mais do que por qualquer característica física do próprio boneco, a linha para rapazes da Hasbro tornou-se conhecida pela quantidade, qualidade e atractividade dos seus veículos, que iam desde os habituais carros e motas a caiaques, motos de neve e helicópteros – ou seja, tudo o que um rapaz pré-adolescente poderia desejar da sua linha de brinquedos. Os Action Man eram tão ‘fixes’ para ter na prateleira e mostrar aos amigos como para brincar – senão mesmo mais – pelo que não é de admirar que o quarto médio de rapaz português da altura incluísse mais do que um boneco ou acessório desta linha - à semelhança, aliás, do que acontecia com a Barbie nos quartos de rapariga.

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Um dos muitos e excelentes veículos da linha

Esta não era, no entanto, a única estratégia declarada por parte da Hasbro para chegar ao coração do seu público-alvo; para além de brinquedos ‘fixes’, Action Man tinha também a sua própria série animada (que passou em Portugal na SIC, em 1996, e foi também lançada separadamente em VHS e DVD), bem como uma série de jogos de vídeo para diferentes plataformas, desde a PlayStation ao Game Boy Advance, já no novo milénio (o título para este último, ‘Action Man: Robotattak’, é, aliás, um excelente jogo de acção e plataformas, vivamente recomendado pelo autor deste blog.)

Abertura da série animada exibida na SIC

Em suma, uma estratégia de marketing integrado que só podia dar certo – e deu. O Action Man continua, ainda hoje, a ser dos brinquedos mais lembrados pelo seu então público-alvo, e embora a sua popularidade tenha esmorecido nesta era de Fortnite e TikTok, é ainda uma propriedade intelectual reconhecível o suficiente para justificar um post num blog explicitamente dedicado à nostalgia.

 

17.07.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E num fim-de-semana em que o calor bate intenso, as temperaturas sobem, e o que apetece mesmo é estar na praia ou na piscina, nada melhor do que recordar uma das principais ‘soluções de compromisso’ para quem não podia usufruir desses recursos – as Super Soaker, ‘metralhadoras de água’ de maior ou menor potência popularizadas durante os anos 90, e que ajudaram muitas crianças (portuguesas e não só) a refrescarem-se em dias quentes de Verão.

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Criadas pela norte-americana Nerf, conhecida pelas suas versões ‘seguras’ – normalmente de espuma – de populares jogos e brinquedos, a Super Soaker fugia um pouco dos moldes da companhia, tendo mesmo chegado a criar controvérsia devido à força e pressão com os jactos de água eram emanados quando se pressionava o gatilho; e se no modelo básico, a Super Soaker 50, esse já era um problema de relevo, imagine-se com os modelos mais poderosos! Esta característica fazia com que muitos pais, com receio de acidentes graves, não deixassem os filhos ter destas pistolas, acelerando assim a retirada das mesmas do mercado.

Ainda assim, enquanto existiram, as Super Soaker – que eram distribuídas em Portugal pela omnipresente Concentra – eram, passe a expressão, o ‘sonho molhado’ de qualquer criança, especialmente das que tinham um jardim e vários amigos com os quais recriar as cenas mostradas nos anúncios ao produto; afinal, o que havia para não gostar na ideia de molhar os amigos com uma pistola que parecia a arma do Rambo - e que, em pelo menos uma instância, aparecia nas mãos DO PRÓPRIO RAMBO?!

Nem o Rambo resiste ao encanto da Super Soaker...

E, claro, como qualquer produto popular entre a massa jovem, a Super Soaker teve a sua quota-parte de imitações ‘marca branca’, as quais, paradoxalmente, acabavam por ser mais seguras, devido à menor pressão de água que atingiam relativamente à arma ‘oficial’, a qual as tornava menos conducente a acidentes.

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Um exemplo de 'Super Faker' - ou 'Faker Soaker', se preferirem...

Infelizmente, os referidos receios relativos à pressão dos jactos de água faziam com que apenas alguns ‘sortudos’ pudessem desfrutar das sensações e experiências acima referidas, ficando a maioria dos seus amigos relegados a imaginar como seria encenar essas ‘guerras’. Curiosamente, esses medos não foram suficientes para deixar a Super Soaker ‘fora de combate’ de forma permanente, sendo que a Nerf lançou, recentemente, um modelo atualizado da famosa pistola de água, com um visual totalmente redesenhado e, presumivelmente, jactos de água menos potentes, até devido à maior preocupação com os padrões de segurança de brinquedos e outros produtos dirigidos a um público infanto-juvenil. É, pois, perfeitamente possível que as crianças do novo milénio continuem a ter ‘guerras’ de Super Soakers com os amigos, semelhante às que aconteciam na ‘nossa’ época; e, num dia como hoje, quase que dá vontade de ter novamente 10 ou 12 anos, e podermos, nós próprios, reviver essa experiência…

04.07.21

NOTA: Este post é relativo a Sábado, 3 de Julho de 2021

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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O post de hoje podia ficar-se pela imagem acima, e decerto já muitos dos nossos leitores sentiriam uma intense dose de nostalgia. Mas como neste blog gostamos sempre de dar um pouco mais a quem nos segue, vamos lá dedicar algumas linhas a falar desse inesquecível companheiro de brincadeiras do nosso tempo, o Diabolo.

Oriundo do mundo das artes circenses e de rua, onde é, desde há muito, um acessório-padrão, o Diabolo explodiu em popularidade entre o público infanto-juvenil em meados da década de 90, num fenómeno repentino e algo inexplicável, até porque estes instrumentos não estavam, inicialmente, disponíveis nas lojas de brinquedos. Quando primeiro se ouviu falar deles, os Diabolos só estavam disponíveis em determinadas lojas, muitas delas mais voltadas para o ‘outdoor’ e desporto-aventura do que propriamente para as brincadeiras infantis. Tendo em conta que estes instrumentos também não eram nada baratos – pelo menos os de qualidade…já lá vamos – não deixa de ser surpreendente que a ‘nossa’ faixa etária não só tenha ouvido falar deles, como os tenha tornado acessório obrigatório na mochila da escola.

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O cá de casa era assim, mas com paus em madeira.

Foi, no entanto, precisamente isso que aconteceu, com o Diabolo a tornar-se fiel companheiro da criança média portuguesa, que muitas vezes dedicava grande parte do seu tempo de recreio a ‘exibir’ os truques incansavelmente treinados em casa na noite anterior (os Diabolos ‘oficiais’ vinham com um livreto explicativo dos vários truques e de como executá-los, mas a maioria dos mais conhecidos pareciam passar de criança em criança através de um processo algures entre o boca-a-boca e a osmose).

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O livreto de truques que vinha com os 'Diabolos' oficiais

Da ‘Volta ao Mundo’ ao não menos admirado ‘Passear o Cão’, passando por truques ‘inventados’ no decurso das brincadeiras, como o ‘Kamehameha’ (simples ou duplo) ou a façanha, sem nome oficial, que consistia em fazer o Diabolo ‘passear’ num dos paus, eram muitos os movimentos que se podiam executar dando a velocidade e o impulso certos àquela espécie de ‘laço’ de borracha na ponta da corda – e muitas crianças portuguesas terão, certamente, melhorado bastante a coordenação motora tentando atingir essa combinação perfeita. Só era preciso ter cuidado para não enrodilhar os fios, pois isso implicava largos minutos de pausa para libertar o Diabolo da ‘teia’ onde o tínhamos inadvertidamente aprisionado…

Claro que todos os truques acima descritos se tornavam (ligeiramente) mais fáceis se o Diabolo fosse dos ‘oficiais’; que eram feitos de borracha dura com centro de metal. O preço proibitivo a que estes eram comercializados levava, no entanto, a que muitas crianças fossem forçadas a optar pela alternativa que entretanto se havia popularizado – Diabolos hiper-leves, de plástico frágil, e vendidos sem qualquer acessório à parte os paus e a linha necessária a fazê-los mexer (e por vezes, nem isso). Significativamente mais acessíveis, em termos de preço, do que os Diabolos ‘oficiais’, estas variações baratas eram fáceis de encontrar nos sítios do costume e, tal como os Tamagotchis falsos de que falámos há alguns posts atrás, acabaram por ter uma ‘vida’ significativamente mais longa do que os seus congéneres de melhor qualidade, sendo ainda muitas vezes avistados dez ou mesmo quinze anos depois de a ‘febre’ ter passado.

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Exemplos dos modelos mais baratos de Diabolo, feitos em plástico em vez de borracha.

E, como todas, a febre acabou mesmo por passar – e de forma mais abrupta do que outras de que já aqui falámos, ou viremos a falar. Tão repentinamente quanto tinham aparecido, os Diabolos desapareceram dos recreios – embora não da memória ou do coração daqueles que com eles haviam brincado; pelo contrário – este misto de brinquedo, desporto e acessório de malabarismo continua a ser uma das primeiras coisas que os ‘90s kids’ recordam ao ‘viajar’ até àquela época. Prova de que, apesar do seu ciclo de vida relativamente curto – até mais do que o de outras ‘febres de recreio’ – o Diabolo deixou mesmo a sua marca entre a juventude da década de 90…

 

03.07.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 29 de Junho de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

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Tamagotchi. Só o nome já traz memórias de andar na escola primária ou preparatória e ter – ou querer ter – um desses bichinhos virtuais que moravam em pequenos aparelhos digitais em forma de ovo. Parece que foi ontem…e, no entanto, já se passaram 25 anos!

Pois é, a mascote digital alienígena oriunda do Japão completa este ano um exacto quarto de século de existência, cuja celebração vai ficar marcada pelo lançamento de um novo modelo, desta vez em formato ‘wearable’, ou seja, embutido em relógios ou pulseiras bem ao estilo Apple, por oposição ao tradicional formato ‘handheld’ com que todos crescemos.

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O Tamagotchi, versão 2021

Descaracterização, dirão alguns, evolução, dirão outros, mas o certo é que, em termos de mecânica e até apresentação, muito pouco parece ter mudado; o conceito continua a centrar-se numa pequena mascote aprisionada num ecrã LCD, a qual requer tratamento constante para chegar à idade adulta, de preferência sem ser um mimado mal-agradecido. Pelo meio ficam jogos, sessões de alimentação, e muitas, muitas sessões de limpeza de necessidades fisiológica - talvez a característica mais marcante e memorável dos Tamagotchi originais.

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O ecrã que ninguém gostava de ver...

A verdade é que, mesmo com fezes à mistura (ou talvez *por causa* das fezes) o animal virtual electrónico que a Bandai imaginou em 1996 encantou toda uma geração de crianças, muitas das quais não podiam ter animais de estimação. Mesmo as que podiam, no entanto, eram seduzidas pela lógica de ‘previsibilidade imprevisível’ do brinquedo, segundo a qual, apesar de as actividades de manutenção em si serem repetitivas e sempre iguais, nunca se sabia como é que o nosso monstrinho ia crescer, ou sequer SE ia crescer; aliado ao facto de os Tamagotchis poderem precisar de ajuda a QUALQUER altura, isto fazia com que as crian;as andassem constantemente de olhos postos no pequeno ecrã onde o animal vivia, tornando o Tamagotchi numa espécie de antecessor dos actuais ‘smartphones’.

Como é óbvio, um produto com o nível de sucesso do Tamagotchi não podia deixar de ter os seus ‘imitadores’ - neste caso, brinquedos com nomes genéricos como ‘Virtual Pet’ ou ‘Computer Pet’, que, à parte ligeiras diferenças no ‘design e gráficos’, eram em tudo idênticos ao animal virtual da Bandai, mas sem o ‘branding’ e selo de qualidade da marca, e, por isso, vendidos por um terço do preço.

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Um exemplo típico de 'Fakegotchi' 

Curioso é notar que estes ‘Fakegotchis’ tiveram, em Portugal, uma longevidade muito maior que o original, podendo ainda hoje, por vezes, ser avistados no seu ‘habitat’ natural, na secção de jogos e brinquedos de qualquer grande drogaria ou loja de eletrónica ‘de bairro’. A popularidade, essa, é que já não é a mesma, até porque o ultimo quarto de século viu surgir (ainda) mais alternativas no mundo dos brinquedos eletrónicos – entre eles jogos de animais virtuais para consolas portáteis, como o popular ‘Nintendogs’ - que fazem com que estes bichinhos LCD pareçam cada vez mais obsoletos e redundantes.

Dessa perspectiva, não deixará de ser curioso avaliar como o ‘novo’ Tamagotchi se sairá no mundo digital da actualidade. Numa era em que os telemóveis eram, ainda, raros (e caros) e os jogos portáteis relativamente primitivos, este era um brinquedo impressionante do ponto de vista conceptual e tecnológico; num mundo em que todas as semanas surgem ‘gadgets’ novos e mais avançados, no entanto, é bem possível que o animal virtual da Bandai se torne ‘só mais’ uma relíquia saudosista-revivalista. O tempo o dirá. Até lá, nós, os da geração original, teremos sempre as memórias de como foi ver, e brincar, pela primeira vez com um destes estranhos mas cativantes aparelhos. Parabéns, Tamagotchi!

20.06.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

E já que temos, ao longo desta semana, vindo a assinalar a realização do Campeonato Europeu de Futebol 2020 com a exploração de temas relacionados ao futebol, nada melhor do que nos debruçarmos, hoje, sobre o jogo que permitia às crianças daquela época realizarem o seu próprio Europeu, no chão do quarto de sua casa.

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Sim, o Subbuteo – um jogo de que qualquer criança que tenha entrado numa drogaria, papelaria ou loja de brinquedos da época certamente se recordará. Isto porque, na década de 90, não havia estabelecimento deste tipo que não tivesse, pelo menos, uma daquelas caixinhas ‘de equipa’, com onze jogadores trajados a rigor, prontos a serem ‘piparoteados’ na direcção da baliza.

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Quem nunca viu uma destas pendurada na drogaria do bairro?

Isto porque era, precisamente, assim, que o Subutteo funcionava – literalmente à base de ‘piparotes’. A ideia era que os jogadores utilizassem este método para impulsionarem os jogadores, os quais se encontravam colocados sobre bases oscilantes ao estilo ‘sempre-em-pé’, que tornavam impossível prever a distância ou até a direcção da sua deslocação. Esta característica tinha como fim adicionar um factor ‘surpresa’ às partidas, o qual, no entanto, era por vezes descartado em favor da previsibilidade e eficiência – isto é, havia quem simplesmente agarasse o jogador pela cabeça e o balançasse na direcção da bola, a fim de a fazer ir para onde se queria…

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Era suposto ser assim, mas...

Como quer que se jogasse, no entanto, o Subutteo era sempre garantia de emoções fortes – sobretudo se o jogo encenado fosse um ‘derby’. Se cada jogador fosse adepto da equipa que controlava, um Sporting-Benfica em Subutteo era tão emocionante quanto um real ou disputado num jogo de computador ou consola; caso contrário, um dos intervenientes tinha sempre, a contra-gosto, de ficar com a equipa adversária – normalmente com a promessa de, no jogo seguinte, as posições se trocarem.

É claro que o referido jogo implicava mais do que apenas duas equipas – mas não MUITO mais. Havia um campo oficial do Subbuteo à venda (com balizas a sério, que se colocavam nos respectivos lugares nas bordas do – literal – tapete verde) mas mesmo quem não tinha acesso a este luxo facilmente organizava um jogo, nem que fosse no próprio chão do quarto ou da sala.

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O campo oficial do Subbuteo, com os jogadores já a postos para uma partida (crédito da imagem: CustoJusto)

Quem não tinha dinheiro para comprar os jogadores ou pais dispostos a comprá-los - ou quem queria jogar na escola, mas não queria andar sempre a ter de contar e verificar se tinha os jogadores todos para não arriscar perdê-los – podia, ainda, recorrer a uma solução ainda mais caseira, e também muito popular entre as crianças da altura – as equipas feitas de caricas de garrafas de refrigerante, daquelas de vidro, em cada uma das quais era escrito o respectivo nome e número de jogador. Assim que estivessem reunidos ‘futebolistas’ suficientes, era só aplicar o princípio do ‘piparote’ – e, à falta de bola, era considerado golo sempre que uma carica entrava na baliza.

Enfim, fosse com homenzinhos de madeira pintada ou com caricas, com campo ou sem campo, a verdade é que o Subbuteo marcou a geração de 80 e 90 – como tinha, aliás, marcado várias outras ao longo das suas (então) quatro décadas no mercado. E embora o jogo ainda exista hoje em dia, este é mais um daqueles brinquedos que quase faz pena a geração mais nova já não ir conhecer em pleno – porque a verdade é que um bom jogo de Subutteo conseguia ser tão ou mais emocionante que um de FIFA, com a vantagem de ser bastante menos previsível…

03.06.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O que vos vem à mente ao ver ou ouvir a palavra 'iô-iô'? Provavelmente, memórias felizes de conseguir que aquela 'rodinha' de plástico duro presa por um fio ficasse lá em baixo mais do que um ou dois segundos, ou de conseguirem fazer a 'volta ao Mundo', ou simplesmente de 'matar' alguns minutos de ócio com uma actividade tão repetitiva quanto divertida e intemporal. E há grandes probabilidades de a maioria dessas memórias incluir um iô-iô da Coca-Cola.

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O modelo clássico e 'básico' dos iô-iôs de bebidas da Russell

Embora não tenham sido, nem de longe, os pioneiros do género em Portugal - na época a que este blog concerne, os iô-iôs já apareciam como prémio de feira popular ou máquina de 'bolinhas' de brinde - os iô-iôs alusivos a bebidas gaseificadas foram, sem dúvida, os mais populares entre a miudagem do nosso país, pelo menos até ao aparecimento dos iô-iôs luminosos.

Já muito comuns no seu país de origem (os EUA) desde há várias décadas, esta variante de iô-iô, da marca Russell, chegou a Portugal nos anos 80, na altura apenas como brinde da própria Coca-Cola. Já nos anos 90, estes produtos constaram também da lista de prémios de uma popular promoção da mesma marca - aquela dos beepers - antes de, a partir de meados da década, se afirmarem definitivamente como um produto adquirível separadamente, em papelarias e outros estabelecimentos do género. Foi nessa altura que a 'moda' verdadeiramente pegou entre a criançada, e havia muito poucas pessoas de uma determinada idade e geração que, ali por volta de 1996-97, não tivessem pelo menos um destes items na sua colecção (deste lado havia dois, o clássico da Coca-Cola e um lindo da Pepsi.)

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Exemplo de um dos modelos mais 'avançados', comuns em meados dos anos 90.

O atrativo destes iô-iôs em particular não residia, no entanto, na simples ligação a uma marca popular e apreciada pelo público-alvo; os mesmos teriam tido, senão o mesmo sucesso, pelo menos um sucesso considerável mesmo sem qualquer inscrição nas faces laterais. Não, o segredo destes produtos residia no facto de serem extremamente bem construídos, sólidos, e de alta performance - características extremamente desejáveis no contexto de um brinquedo que, muitas vezes, 'voava' da mão para o chão alguns metros mais adiante e que, tantas outras vezes, era feito de plástico do mais barato e tinha quase de ser 'coagido' a funcionar correctamente, à força de golpes de punho. Os iô-iôs da Russell anteviam e preveniam ambos estes problemas, sendo dos melhores de sempre no que toca a manuseamento, performance . fazer 'truques' era fácil e agradável, sem os habituais 'embaraços' do cordel ou trajectórias tortas de iô-iôs mais baratos - e resistência ao choque, tudo isto a um preço que, embora mais alto do que a média, era perfeitamente justo (e justificado) para a qualidade apresentada.

Não admira, portanto, que estes singelos produtos tenham sido um êxito entre a juventude da época, que ainda hoje os recorda com afeição como os melhores - ou pelo menos DOS melhores - iô-iôs que alguma vez tiveram. Um daqueles produtos, em suma, cujo abandono e desinteresse por parte da geração mais nova é algo frustrante - porque a verdade é que, se os 'putos' de hoje em dia conhecessem os iô-iôs Russell da Coca-Cola, talvez não demorasse mais do que algumas semanas até a 'febre' ser revivida, e o TikTok passar a ser a 'central dos truques marados'...

23.05.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

E começamos, desde logo, por recordar aquele que foi, talvez, o tipo de brinquedo mais emblemático da década de 90 (e também das duas anteriores): as figuras de acção, ou como eram conhecidas na altura, os ‘bonecos’.

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Antes dos Funko Pops e outras ‘febres’ do género, eram estes os bocados de plástico licenciados avidamente coleccionados pelas crianças, e que faziam as suas delícias em muitas tardes em que os trabalhos de casa já estavam feitos, e não havia desenhos animados. Alusivos a qualquer propriedade intelectual que estivesse ‘na moda’ entre o público-alvo na altura do lançamento, estas figuras – tradicionalmente com cerca de 20cm de altura, embora houvesse maiores – vinham normalmente equipadas com uma característica especial, fosse ela um acessório para colocar no braço da figura ou um qualquer tipo de ‘truque’ accionável através de um gesto ou botão.

De indicadores luminosos a frases pré-gravadas e de pontapés de karaté a armas maiores do que a própria figura, estes bonecos vinham invariavelmente equipados com algum tipo de chamariz destinado a atrair a atenção do público-alvo - e escusado será dizer que o mesmo, quase sempre, resultava. Os ‘bonecos’ estavam entre os brinquedos mais pedidos pelas crianças daquela geração, até por serem mais baratos do que as bicicletas, consolas e outros presentes ‘maiores’ invariavelmente reservados para os anos e Natal, o que significava que podiam, com sorte, ser adquiridos mais frequentemente (numa visita ao hipermercado ou à loja de brinquedos, por exemplo), e em maior número.

De facto, embora no nosso país não se chegasse aos exageros de volume de outros países (com os EUA à cabeça), a criança média portuguesa dos anos 90 tinha, provavelmente, um acervo considerável de ‘bonecos’, das mais diferentes colecções, sendo os mais populares os das Tartarugas Ninja, Power Rangers e Dragon Ball; já as armas e acessórios dos mesmos estavam, invariavelmente, condenadas ao esquecimento (ou desaparecimento) atrás de um sofá ou cama, de onde acabavam por ser ‘desenterrados’ tempos depois pelo aspirador, animal de companhia, ou irmão mais novo. A perda destes ‘acrescentos’ não constituía, no entanto, qualquer entrave para o dono ou dona do brinquedo, que simplesmente passava a encenar lutas a punhos ou pontapés, em vez de com armas, como anteriormente.

Escusado será dizer que nem todos os ‘bonecos’ na colecção de uma criança da época eram oficiais – de facto, havia fortes probabilidades de a maioria (ou pelo menos uma proporção significativa) ter sido adquirida em locais como barraquinhas de feira, mercados e pequenas lojas de bairro, ficando estas a dever algo à autenticidade, quer em termos de embalagem quer de qualidade da propria figura.

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Humm...qual será o produto oficial...?

Mais uma vez, no entanto, este factor não constituía qualquer entrave para a maioria das crianças; pelo contrário, algumas das colecções de figuras ‘piratas’ aparecidas durante o período áureo deste tipo de brinquedos eram tão populares que ainda hoje são recordadas por quem com elas cresceu. De Tartarugas Ninja ligeiramente deformadas a figuras do Dragon Ball Z em embalagens com o grafismo correcto, mas sem qualquer tipo de letreiro, passando por Power Rangers sem articulação nem pintura nas costas, muitas foram as séries de figuras completamente ilegítimas que passaram pelos quartos das crianças daquela época, com mais ou menos discriminação relativamente às autênticas e oficiais - havia quem torcesse o nariz às figuras ‘falsas’ ou ‘de imitação’, como também havia quem as usasse à mistura com as ‘verdadeiras’. (Por aqui, havia uma mistura entre o fascínio pelas figuras falsas e a consciência de que elas eram muito piores do que as outras, e que como tal não valia a pena comprá-las.)

Enfim, fosse qual fosse a abordagem da criança ao coleccionismo de ‘bonecos’, a verdade é que estes estavam sempre presentes na prateleira ou caixa de brinquedos, e acabavam por protagonizar muitos dos melhores momentos passados em brincadeiras em casa. Fosse trabalhando em equipa ou lutando entre si pela supremacia do ‘bando’ (com pouco ou nenhum respeito por quem era ‘bom’ ou ‘mau’), estes pedaços de plástico articulados e moldados à imagem e semelhança dos nossos heróis favoritos terão, sem dúvida, sido parte inseparável da infância de qualquer leitor deste blog – um daqueles produtos que caíram em desuso em décadas subsequentes (substituídos por estátuas e outras figuras de ‘enfeitar’, para ter na estante e não mexer) e que quase nos faz ter pena que as gerações actuais e futuras não tenham podido vivenciá-lo. O brinquedo perfeito, portanto, com o qual iniciar esta nova rubrica no Anos 90.

E por aí? Qual era o boneco preferido? Deste lado, era declaradamente o Tommy, dos Power Rangers, que se sobrepunha ao Batman, ao GI Joe, às duas Tartarugas Ninja (uma oficial, outra falsa) e até ao Son Goku, liderando a equipa dos bonecos de 20cm contra a ameaça do Godzilla de borracha ou do Power Ranger vermelho gigante que dava pontapés de karaté…

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(Um sósia do) melhor boneco de todos os tempos.

Também tinham destas brincadeiras? Partilhem nos comentários!

21.03.21

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(NOTA: Este post é referente a Sábado, 20 de Março de 2021.)

Aos Sábados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais excitantes locais para se visitar naquela época.

E nada melhor para começar esta rubrica do que falar num conceito que – pelo menos em Portugal – teve início em meados dos anos 80, e que revolucionou para muitas famílias o conceito de ‘ir às compras’: os hipermercados, um conceito já existente em muitos países estrangeiros, mas que apenas se popularizou no nosso país em finais do século passado, com o Continente na linha da frente, tanto no Norte (o Continente de Matosinhos, inaugurado em 1985, foi o pioneiro deste conceito no nosso país) como mais a Sul, onde o Continente da Amadora, aberto em 1987, se afirmou como o primeiro espaço deste tipo na capital.

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O Continente de Matosinhos, o primeiro hipermercado em Portugal, inaugurado em 1985.

Hoje em dia, este tipo de superfície é comum ao ponto de constituir só mais uma parte da vida quotidiana dos portugueses; nos anos 90, no entanto, não era assim. À época, os supermercados (a grande maioria de pequena dimensão, e localizados nos próprios bairros residenciais) eram lojas como quaisquer outras - sítios até algo aborrecidos, uma espécie de mercearia da esquina em ponto grande, onde a melhor perspetiva que uma criança tinha era a de ir para casa com uma caixa dos seus cereais favoritos, ou quanto muito, uma BD ou um chupa-chupa comprados na caixa.

Os hipermercados vieram mudar tudo isso, oferecendo não só um local para fazer as compras, como toda uma experiência, que passou a atrair milhares de famílias todos os fins-de-semana, criando uma nova espécie de ‘ritual’ para os Sábados e Domingos. Tanto assim é que, aquando da sua abertura, o Continente de Matosinhos chegou a dar azo a excursões organizadas, apenas para conhecer o espaço!

Escusado será dizer que, se os adultos não ficavam incólumes aos encantos destas superfícies, as crianças ainda menos lhes resistiam. Ir ao hipermercado, sobretudo na altura do Natal ou dos anos, correspondia a ter todo um mundo de possibilidades ao alcance da mão (e do dinheiro dos pais), desde t-shirts ou ténis a discos, vídeos, livros, brinquedos, aparelhos eletrónicos e até bicicletas – tudo isto num espaço suficientemente grande para tornar até a compra do tal pacote de cereais numa experiência memorável e excitante, e que obrigava a atenção redobrada para nunca perder de vista a família.

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Aproximação mais ou menos fiel da experiência de uma criança dos anos 90 ao entrar num hipermercado.

Como se isto não bastasse, os hipermercados de maior dimensão tinham, à sua volta, uma espécie de mini-centro-comercial, o que – numa época em que os ‘shoppings’ propriamente ditos eram também eles locais quase mitológicos – tornava ainda mais atrativa aquela ‘romaria’ às compras, e dava às crianças ainda mais que ver e antecipar. No entanto, mesmo que estas lojas extra não existissem, a experiência de visitar um hipermercado não seria, para um ‘puto’ dos 90s, muito menos excitante; pelo contrário, o simples ato de subir a escada rolante já causava um ‘frisson’ de antecipação para aquilo que aí vinha, justificando plenamente a inclusão destes espaços como primeira Saída de Sábado deste blog.

E vocês? Que memórias têm de ir ao hipermercado naquela época? Deste lado, fica a memória de ter visto, pela primeira vez, uma Sega Saturn (e respetivo jogo Virtua Fighter) na ‘praceta’ do Carrefour de Telheiras, ali em meados da década, e de ficar ‘especado’ a babar nos gráficos 3D, rudimentares pelos padrões de hoje em dia mas, à época, revolucionários. Têm alguma experiência semelhante, ou igualmente marcante? Partilhem-na nos comentários!

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