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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

25.09.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já por várias vezes aqui abordámos a dicotomia noventista entre enormes avanços tecnológicos e brinquedos 'físicos' baseados em conceitos extremamente simples, mas que, de algum modo, conseguiam entreter extensamente as crianças e jovens da época; pois bem, o assunto de que trataremos nas linhas abaixo insere-se, precisamente, neste último grupo, sendo talvez, a par dos LEGOs, um dos seus exemplos mais icónicos.

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As duas cores de exército mais comuns neste tipo de brinquedo.

Falamos dos batalhões de soldadinhos de plástico vendidos dentro de enormes baldes, cada um com dois 'exércitos' e (com sorte) alguns acessórios que permitiam montar um cenário de guerra, como tanques, cães, barris, caixas de munições ou pedaços de parede (o existente lá por casa incluía, além dos muros e tanques, uma bandeira e respectivo poste, uma tenda de socorros médicos e um desdobrável de plástico que podia ser usado como cenário ou chão – um exemplo 'de luxo', portanto). O resto ficava por conta da criatividade de cada criança, sendo as únicas 'ajudas' as diferentes poses dos soldados dos dois exércitos, alguns dos quais eram moldados em pé, outros agachados, em posição de corrida ou até deitados, dependendo da arma que empunhavam.

Talvez fosse, precisamente, esta limitação que tornava este tipo de brinquedo tão popular entre as gerações mais jovens da época, já que o facto de o mesmo não vir com a 'papinha toda feita' estimulava a imaginação, ajudando a transportar quem com ele brincava para aquele 'mundo' em que todas as crianças entram quando se envolvem neste tipo de actividade, em que tudo o que lhes passa na cabeça parece real; ou talvez o atractivo se prendesse com a vertente económica do produto, cujo preço tendia a ser relativamente acessível para a quantidade de material incluída.

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Os soldados de plástico ficaram imortalizados no filme 'Toy Story', entre outros produtos mediáticos da época.

Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que estes soldadinhos foram tão populares nas últimas décadas do século XX (e, em menor escala, no início do seguinte) que se viram imortalizados em propriedades mediáticas tão bem sucedidas como os jogos da série 'Army Men' (que saíram no PC, Playstation, Game Boy, Nintendo 64 e várias outras consolas da época) e, claro, o filme 'Toy Story', em que os membros do exército desempenham um papel fulcral no início da trama; e ainda que, hoje em dia, a sua popularidade se encontre significativamente diminuída, a verdade é que continua a ser possível comprar um 'balde' de soldados verdes e cinzentos ou castanhos, com os quais encenar um cenário bélico no chão do quarto – prova de que os mesmos constituem um tipo de brinquedo verdadeiramente intemporal, e que dificilmente se extinguirá totalmente no futuro mais próximo.

24.09.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O conceito de que não é preciso conceitos muito sofisticados para entreter uma criança ou jovem (sobretudo de menor idade) foi, por várias vezes, abordada aqui no Anos 90 – e, desta feita, chega a vez de adicionar mais um 'item' a essa lista em rápido crescimento. E se também já aqui anteriormente falámos de bolas (no caso, de futebol), neste post iremos abordar uma variante desse mesmo brinquedo, muito popular na época estival que ora finda.

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O modelo mais comum deste tipo de brinquedo.

Falamos das bolas de praia insufláveis, em tempos parte integrante e obrigatória da 'bagagem' de qualquer ida à praia ou piscina de ar livre com crianças. Invariavelmente maiores do que os próprios utilizadores, e normalmente decoradas com riscas verticais coloridas alternadas com branco, ou bonecos de um qualquer 'franchise' infantil da moda, estas bolas tinham, logo aí, dois importantes atractivos para crianças abaixo de uma certa idade, nomeadamente as ainda demasiado novas para se importarem com o facto de que qualquer jogo com as mesmas era, em virtude do seu tamanho e leveza, necessariamente muito menos preciso do que uma partida de 'raquetes' ou até um jogo de 'disco voador'; um jogo de futebol, por exemplo, era praticamente impossível, e mesmo a habitual troca de bola ao estilo 'futevólei' acabava, muitas vezes, com algum dos jogadores (ou um adulto) em perseguição rápida da bola, a fim de impedir que a mesma fosse levada pela maré.

Nada, no entanto, que desencorajasse as crianças 'noventistas' de continuarem a adquirir (e a divertir-se à grande com) este tipo de brinquedo, o qual continuou a ser quase indispensável entre os brinquedos de praia ou piscina até já depois da viragem do milénio, sendo mesmo uma opção popular de brinde em promoções de Verão – as da Nivea, por exemplo, foram quase tão icónicas como as suas congéneres famosamente 'plantadas' em postes de praias por esse Portugal fora na mesma época.. Desde então, no entanto (e apesar de ainda se encontrar largamente disponível em lojas de bairro, de praia, ou até em certas grandes superfícies) este tipo de diversão tem, gradualmente, vindo a perder preponderância nas praias portuguesas, substituída por outras, mais modernas e quiçá mais apelativas para as gerações correntes; quem cresceu nas últimas décadas do século XX, no entanto, não esquecerá os momentos de pura diversão que aquelas simples bolas coloridas, 'de encher', e quase maiores do que eles lhes proporcionou nos Verões da sua infância...

11.09.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

No que toca a divertimentos universalmente aceites e gozados por diferentes faixas etárias, os dardos assumem (ou, pelo menos chegaram a assumir) um papel de destaque na lista. De facto, a dada altura de finais do século passado e inícios do actual, grande parte da população jovem portuguesa tinha adicionado, ou pretendia adicionar, um jogo de tiro ao alvo à decoração do seu quarto ou espaço pessoal; e se os 'mais crescidos' optavam pela versão de 'gente grande' do jogo, com dardos a sério e, muitas vezes, efeitos LED em torno do alvo em si, os mais pequenos não deixavam de poder desfrutar da sua própria variante desta popular mistura entre desporto e diversão, a qual substituía as setas de metal por consideravelmente mais inofensivas bolinhas de velcro, sem que tal afectasse a emoção e competitividade do jogo.

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Pelo contrário – esta variante infantil do tiro ao alvo requeria perícia e força de braços proporcionais à do jogo 'verdadeiro', já que as bolas que faziam as vezes de dardos eram mais leves do que o artigo genuíno, e, como tal, menos aerodinâmicas; como tal, enquanto uma seta lançada com menos força teria, ainda assim, uma hipótese de acabar 'pregada' ao alvo, um lançamento mais fraco de uma das esferas de velcro resultava, apenas e só, num vôo picado para o chão, que obrigava o lançador a começar de novo – ou a perder a vez, caso os adversários não se compadecessem com a situação. Assim, mesmo sendo jogada de uma distância consideravelmente mais próxima do que a empregue no jogo para adultos (como concessão à idade e força física mais reduzida dos intervenientes), esta versão do tiro ao alvo era tão ou mais difícil do que aquela, e permitia despiques tão competitivos quanto esta – especialmente quando duas bolas se colavam uma à outra no alvo e havia que decidir se os pontos contavam ou não...

Tal como muitos outros divertimentos de Domingo de que aqui temos vindo a falar, também os jogos de tiro ao alvo com velcro continuam a marcar presença na prateleira de lojas mais generalistas e de bairro, deixando as prateleiras de supermercados, hipermercados e grandes superfícies desportivas para os seus 'primos' mais velhos; ainda assim, e apesar de ainda haver certamente quem se divirta 'à grande' com este tipo de produto, não há como negar que o mesmo é, já, mais sinónimo com uma época passada do que com a presente – um daqueles brinquedos que, para muitos 'putos' actuais, já pertence à geração 'dos pais'. Já os referidos pais reterão, certamente, boas memórias de brincar com este tipo de alvo em pequenos – pelo menos até o velcro, inevitavelmente, se sujar, e as bolas deixarem de colar ao alvo...

10.09.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

por várias vezes aqui mencionámos que, por vezes, os conceitos mais simples são mais do que suficientes para entreter uma criança ou jovem – e o item de que falaremos neste 'post' é prova disso mesmo. Isto porque, apesar de não ser o brinquedo MAIS básico de sempre, o tema deste Sábado aos Saltos não deixa de ser pouco mais do que um pedaço de plástico ou borracha moldado numa forma arredondada – o que não o impede de ser um dos divertimentos mais populares um pouco por todo o Mundo desde, pelo menos, de finais do século XX.

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Dois 'primos' diferentes, mas de propósitos muito semelhantes.

Falamos, claro, dos clássicos 'discos voadores' (conhecidos internacionalmente como 'frisbees'), e dos seus 'irmãos mais novos', os ringues de borracha – dois tipos de produto que, em Portugal, constituíam mesmo a principal alternativa às raquetes e à tradicional bola (insuflável ou de futebol ou vólei) como o jogo de Verão por excelência. Embora tivessem, em relação aos mesmos, um 'handicap' considerável – nomeadamente, o facto de estarem sujeitos aos caprichos do vento, o que resultava em lançamentos muito pouco precisos que obrigavam, a maioria das vezes, a que um dos jogadores fosse buscar o brinquedo a uma distância considerável – estes dois 'primos direitos' colmatavam essa pecha com o facto de serem, como as raquetes, universalmente aceites por jovens e adultos de todas as idades, constituindo portanto um excelente divertimento familiar.

Também à semelhança das raquetes, os 'discos voadores' em plástico continuam a ser vendidos em larga escala hoje em dia, ainda que a sua presença nas praias e jardins portugueses seja, agora, muito menor, e o seu uso esteja maioritariamente confinado aos donos de cães de companhia – o que, aliás, acontece também com os ringues de borracha; quem cresceu em finais do século passado, no entanto, certamente terá memórias associadas a 'correrias' pela areia atrás de um disco que, de tão alta e rapidamente que voava, parecia em riscos de ir parar à praia seguinte...

17.08.22

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 16 de Agosto de 2022.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A década de 90 viu muitas crianças solitárias, impedidas por qualquer motivo de ter animais de estimação, virarem-se para as mascotes virtuais como alternativa 'de compromisso'; e após o estatuto de 'febre' mundial conseguido pelos Tamagotchis, em meados da década, era de esperar que fosse apenas uma questão de tempo até alguém desenvolver uma versão mais sofisticada e avançada dos 'bichinhos' LCD aprisionados num ovo.

Esse alguém acabou por ser a Hasbro, que, no Natal de 1998, apresentava o novo 'presente topo de lista' para toda uma demografia um pouco por todo o Mundo: o Furby, uma espécie de versão 'física' do Tamagotchi, que além de poder ser tocado, agarrado e acariciado, como qualquer bom peluche, se encontrava ainda dotado de um (à época) impressionante vocabulário, que lhe permitia manter 'conversas', ainda que básicas, com os seus 'donos' - algo corriqueiro na era da inteligência artificial, mas que, em finais do século XX, era suficiente para elevar este brinquedo acima da maioria das alternativas disponíveis no mercado.

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Assim, não foi de todo de admirar que os Furbys se tivessem posicionado entre os produtos mais cobiçado dos catálogos de Natal daquele ano, e 'voado' das prateleiras de supermercados e hipermercados naquele mês de Dezembro, tanto em Portugal (onde o brinquedo era distribuído pela inevitável Concentra) como um pouco por todo o Mundo - isto apesar da aparência, movimentos e voz algo inquietantes do boneco, que quase chegava a parecer uma versão menos benévola de um Mogwai, a adorável criatura que dá origem aos titulares diabretes no clássico dos anos 80, 'Gremlins'. Nada, no entanto, que dissuadisse o público-alvo, que fez da obtenção de um Furby a sua principal missão naquele Inverno de finais do milénio.

Com toda essa procura e sucesso, tão-pouco surpreendeu o lançamento, menos de um ano depois, de uma versão mais pequena, mas ainda mais evoluída do brinquedo - no caso, os intitulados 'Furby Babies', que além das frases do seu 'irmão mais velho', traziam também maneiras alternativas de interacção com as crianças, como 'segredos' e jogos interactivos. Apesar da recepção menos entusiasta do que a dos originais - até pela perda do 'factor novidade' - esta segunda vaga de Furbies foi, ainda assim, suficientemente bem sucedida para justificar a continuidade da linha, que veria serem lançadas novas versões do bicharoco em 2001 (os 'Furby Friends', que transformavam o mesmo em figuras da cultura 'pop', como Yoda, E.T. ou o próprio Gizmo), e por diversas outras vezes ao longo das duas décadas seguintes - cada uma das quais adicionando novas funcionalidades às originais, como pernas que se moviam, permitindo ao brinquedo dançar, olhos LCD ou compatibilidade com 'apps' para telemóvel.

Tal como sucedera com o Tamagotchi, no entanto, nenhuma destas versões tornou a chegar sequer perto do estatuto almejado pelos originais, que continuam a afirmar-se como uma das mais peculiares, mas também mais memoráveis 'invenções' dos fabricantes de brinquedos de finais do século XX - bem como um daqueles brinquedos (como o 'antecessor' Tamagotchi) de que quem tinha se gabava, e que quem não tinha, queria por força ter...

Nuno Markl recorda o Furby numa das edições de aniversário da sua rubrica na Rádio Comercial.

31.07.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Uma criança que, por uma razão ou outra, não pudesse (ou quisesse) sair de casa num fim-de-semana à tarde tinha, nos anos 90, quase tantas opções para se entreter como nos dias de hoje. Isto porque, apesar de a presença dos computadores e da Internet ser, à época, ainda muito reduzida ou até inexistente, havia ainda assim uma vasta panóplia de diversões disponíveis para este tipo de situações, que ia desde os jogos criados à mão com papel e caneta até aos de tabuleiro, passando pelas pistas de carros eléctricas, pelos carrinhos, pelos puzzles e jogos de cubos, pelas sempre populares consolas de jogos e jogos LCD portáteis, pelas figuras de acção, soldadinhos, bonecas, peluches e bonecos de borracha, pelos intemporais LEGOs e pelos conjuntos de 'bonecos' da Pinypon, Playmobil ou Polly Pocket, entre muitas outras. Fora de todos estes grupos, no entanto – de todos, estaria talvez mais próximo dos jogos de tabuleiro, sobretudo dos que incluíam elementos mecânicos – havia um brinquedo que qualquer criança dos anos 90 recorda com afeição como tendo proporcionado muitos e bons momentos de diversão em circunstâncias deste género: o jogo da 'pesca'.

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Uma imagem que causa nostalgia imediata a toda uma geração.

Disponível tanto em tamanho 'de mesa' (adquirível em qualquer boa loja de brinquedos ou secção correspondente de uma loja generalista, supermercado ou hipermercado) como em versão portátil, esta quase elegível como Quinquilharia de bolso, este jogo tinha um daqueles conceitos tão simples, quanto infalíveis: o mecanismo central consistia de uma placa giratória com uma série de buracos embutidos, dentro de cada um dos quais se encontrava um rechonchudo peixe com um íman na boca, pronto a ser 'pescado' com recurso às canas de pesca magnéticas que cada jogador empunhava. Quem acabasse o jogo com mais peixes, ganhava – uma missão que, apesar de parecer fácil, era significativamente dificultada não só pelo movimento constante da placa central (conseguido com recurso a pilhas na versão de tamanho completo, ou simplesmente 'dando corda' à portátil) como também ao facto de que os peixes fechavam periodicamente a boca, escondendo assim o seu íman interior, e obrigando os jogadores a esperar pelo momento certo para os voltarem a alvejar com a cana. O resultado era, simultaneamente, semi-frustrante e extremamente divertido, podendo facilmente ocupar uma ou duas horas durante uma tarde de 'descanso' em casa.

Ao contrário de muitos outros produtos que abordamos nesta e noutras secções do blog, estes jogos ainda continuam a ser produzidos, com muito poucas diferenças em relação aos dos anos 80 e 90, tornando-os um daqueles produtos que permitem às novas gerações descobrir, em primeira mão, exactamente porque é que os seus pais o achavam tão divertido. O mais provável, no entanto, é que os referidos jovens de hoje em dia prefiram simplesmente 'sacar' uma versão virtual com controlos 'touch', perdendo assim o elemento de diversão familiar do jogo original; resta, pois, esperar que não seja esse o caso, e que os 'pequenotes' do novo milénio saibam apreciar a diversão simples que este tipo de brinquedo proporciona, e desfrutem de muitas tardes em família ou com amigos passadas em redor do mesmo...

03.07.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Nos dias que correm, a maioria dos recursos disponíveis para entreter as crianças e jovens 'dentro de portas' têm uma componente digital; ainda que os tradicionais puzzles e jogos de tabuleiro não tenham desaparecido por completo, prevalecem neste aspecto as consolas, computadores, 'tablets' e outros recursos inteiramente electrónicos, sendo que até mesmo jogos e brinquedos que não precisariam necessariamente desta componente a passaram a incluir, à laia de bónus.

No mundo pré-Internet dos anos 80 e 90, no entanto – em que os computadores eram primitivos e as consolas dispendiosas – passava-se precisamente o contrário: a maioria dos brinquedos e jogos convidavam ao manuseamento físico, tanto a sós como em grupo. Além dos já referidos jogos de tabuleiro e puzzles, era também este o caso com diversões tão populares quanto os baldes de soldadinhos de plástico, os LEGOs, ou o tema deste Domingo Divertido, os cubos.

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Quem foi criança abaixo de uma certa idade durante as referidas décadas certamente terá tido um 'flashback' nostálgico à mera menção daqueles sólidos de madeira ou plástico, decorados com motivos que cabia ao próprio jogador juntar de modo a que fizessem sentido, numa mecânica semelhante (mas não exactamente igual) à de um puzzle. De facto, este tipo de jogo era (foi) um dos grandes 'clássicos' das prateleiras de quarto infantis - até por estar disponível a preços relativamente razoáveis em qualquer loja de brinquedos de bairro - tendo certamente havido pouco quem não tenha tido pelo menos um conjunto dos mesmos.

Como sucedia com tantos outros jogos que aqui vamos abordando, a grande maioria dos conjuntos de cubos era comercializada pela Majora, a 'rainha' dos jogos infantis daquela época, cujo catálogo para este tipo de produto compreendia desde padrões mais genéricos como os retratados no início deste post, até aos mais populares e cobiçados motivos retirados de filmes e bandas desenhadas da Disney.

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Exemplo de conjunto de cubos da Disney (crédito da foto: CustoJusto.pt)

Fosse qual fosse o padrão, no entanto, estes conjuntos proporcionavam, invariavelmente, largos momentos de diversão, ao mesmo tempo que ajudavam a demografia-alvo a desenvolver as suas faculdades ao nível da motricidade e raciocínio lógico, capacidades essenciais durante os primeiros anos de vida. Talvez por isso a nostalgia de uma determinada geração em relação a este tipo de jogo seja tão forte, e tão perene...

Infelizmente, como tantos outros brinquedos e jogos de que aqui falamos, é muito pouco provável que os cubos voltem a aliciar as gerações actualmente em idade de brincar com eles, como sucedeu com as dos seus pais; isto porque, para crianças que praticamente nascem com o nariz colado a um ecrã, um conjunto de sólidos de madeira não apresentará grande interesse. Resta, pois, a quem com eles passou momentos felizes no chão do quarto ou da sala explicar (ou, quem sabe, mesmo demonstrar) às crianças de hoje em dia exactamente porque é que este tipo de jogo foi tão popular a determinada altura da História...

15.05.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Em edições passadas desta rubrica, falámos aqui de algumas das mais emblemáticas linhas de 'bonecos' dos anos 90, dos LEGOs aos Pinypons, passando pelos Playmobil e, já um pouco 'fora' desse espectro, os bonecos de borracha para bebés e as figuras de acção articuladas; no entanto, havia à época um outro tipo de figurino que, embora ocasionalmente abordado em outros 'posts' nas nossas páginas, ainda não tinha sido devidamente explorado – situação que, hoje, aqui corrigimos.

Falamos dos bonecos em vinil, um brinquedo extremamente popular e fácil de adquirir nos anos 90, mas que – como aconteceu com tantos outros produtos já abordados nestas páginas – foi perdendo relevância com o passar das décadas; hoje em dia, embora ainda se vão encontrando (sobretudo nos chamados 'mystery bags' ou 'blind bags') este tipo de figuras já não tem a relevância que outrora teve, tendo o seu título sido transferido para os a dada altura mega-populares Funko Pops, as estátuas 'cabeçudas' e de olhos inexpressivos que, hoje em dia, se encontram também eles em declínio.

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Boneco em vinil do Luzinha, mascote de uma campanha da EDP nos anos 90, e um bom exemplo-padrão deste tipo de brinquedo

O conceito das figuras de vinil dos anos 90 era, aliás, precisamente oposto ao dos Funkos: onde estes consistem de um modelo homogéneo, de proporções exageradas, e que é customizado e adaptado consoante quem se deseje representar, os bonecos dos anos 90 procuravam ser o mais fiéis possível à personagem que procuravam representar, de modo a ser imediatamente possível discernir de quem se tratava.

De igual modo, enquanto os Funkos ficam mais próximos do tamanho de estatuetas, os bonecos dos anos 90 eram feitos para serem seguros na palma da mão e transportados no bolso, não passando normalmente de um tamanho equivalente ao de um Pinypon, por exemplo. Isto permitia que, não obstante a sua postura estática e falta de articulação, estes bonecos fossem incluídos em brincadeiras ao lado de qualquer dos tipos de figura mencionados no início deste texto, sem que parecessem fora do lugar ou descabidos no contexto da mesma, como aconteceria com um Funko na mesma situação.

Não nos equivoquemos, no entanto – a principal função destas figuras, tal como dos seus 'primos' actuais, era decorativa; pura e simplesmente, os bonecos 'ficavam bem' numa prateleira, e era mesmo nesse tipo de ambiente que passavam a maior parte do seu tempo. Ainda assim, quando tocava a integrá-los numa brincadeira, eram poucas as crianças (independentemente do sexo) que hesitavam em os ir buscar à referida prateleira, para ajudar em fosse qual fosse a guerra, missão ou aventura em que os outros brinquedos estavam prestes a embarcar; no fundo, apesar das suas limitações, estes brinquedos eram tratados como quaisquer outros, o que não se pode dizer em relação aos Funko Pops.

Pode considerar-se que talvez o conceito destes pequenos figurinos seja demasiado 'básico' para as crianças de hoje, com a possível excepção das mais pequenas; no entanto, se o sucesso dos referidos 'saquinhos mistério' fôr indicação, é de prever que este tipo de brinquedo continue, em maior ou menor grau, a existir na esfera social infantil durante ainda algumas décadas...

08.05.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui por diversas vezes referimos que o período de vinte anos que mediou entre o início da década de 80 e o novo milénio foi, sem qualquer sombra de dúvida, um dos mais frutíferos e entusiasmante da História da humanidade; no entanto, apesar de a maioria desses avanços se terem dado nos campos da electrónica e informática, esses não foram os únicos campos em que se verificaram evoluções ao longo do referido período – pelo contrário, as mesmas eram visíveis até mesmo em algo tão aparentemente insignificante como um quadro de desenho.

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Falamos, claro, do famosíssimo Etch-a-Sketch, o instrumento com que até mesmo as crianças com pouco jeito para as artes visuais se podiam sentir artistas – até por a mecânica do dito cujo brinquedo nivelar artistas e 'toscos' mais ou menos pela mesma bitola.

Isto porque as duas alavancas utilizadas para desenhar no quadro LCD – das quais uma controlava as linhas horizontais, e a outra as verticais – não permitiam um grau de precisão por aí além; apesar das magníficas obras de arte prometidas pelo anúncio do produto, a maioria das tentativas de produzir um desenho no instrumento pouco melhores eram do que aqueles 'rabiscos' que a maioria das crianças faz antes de aprender a desenhar. Aqui e ali, podia ser que se conseguisse elaborar algo vagamente parecido com um pássaro ou uma casa, mas o processo para lá chegar era precisamente o oposto das linhas que o produto produzia – ou seja, tudo menos recto. E nem a caneta magnética ajudava...

Nada disto, no entanto, impediu o Etch-a-Sketch de ser um sucesso mundial junto de uma determinada geração - houve, até, edições de viagem, ou licenciadas, como uma em que o quadro surgia entre as mãos do Rato Mickey - talvez pelo factor 'os-outros-não-conseguiram-mas-eu-vou-conseguir' que motiva tantas das iniciativas de crianças nessa fase de desenvolvimento. Todos achávamos ir ser os próximos artistas-revelação do Etch-a-Sketch – e mesmo quando esse sonho caía por terra, continuavam-se a fazer tentativas para o tornar realidade...

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A versão Mickey do 'Quadro Mágico'

Dado o grau de sucesso atingido pelo produto original, não foi, de todo, surpreendente ver surgir um 'concorrente' melhorado durante o mesmo período. Tratava-se do Magna Doodle, um instrumento que prometia um maior grau de precisão e maiores possibilidades do que o Etch original, e que muitas ex-crianças portuguesas da época recordarão, sobretudo, pelo contagiante estribilho do anúncio nacional.

Produzido pela Fisher-Price, 'rainha' dos brinquedos pré-escolares e infantis, este concorrente do Etch-a-Sketch tinha muitos dos mesmos problemas daquele, mas cumpria, pelo menos, na questão das possibilidades, visto que permitia gradientes de até seis tonalidades – todas elas de cinzento ou preto (ou seja, mais sombras que verdadeiras tonalidades) mas ainda assim, um passo acima dos desenhos totalmente planos do Etch-A-Sketch.

O problema continuava, infelizmente, a residir na questão da precisão, sendo que a experiência de tentat desenhar num Magna Doodle era apenas marginalmente mais satisfatória do que num Etch-A-Sketch, não conseguindo por isso satisfazer as necessidades dos mini-artistas; ainda assim, pela maior gama de criações que possibilitava, este produto afirmava-se como uma alternativa válida ao seu concorrente mais estabelecido no mercado – embora, previsivelmente, tenha sido este a perdurar a longo prazo, dada a sua longevidade de, à época, mais de 30 anos no mercado (ser incluído como personagem num sucesso como 'Toy Story' também não terá deixado de ajudar...)

Fosse como fosse, ambos estes produtos tiveram o seu momento na ribalta, sensivelmente no mesmo período da História; e embora os aspirantes a artistas mais sérios cedo tenham 'emigrado' para recursos mais confiáveis e versáteis, nenhum dos dois deixa de ser uma das muitas memórias de infância para ex-jovens ao redor do Mundo, não sendo Portugal excepção neste particular.

03.04.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

No Sábado aos Saltos desta semana, falámos dos tubos giratórios que, ao serem abanados, cortam o ar, produzindo um som ululante que faz as delícias de qualquer criança. No entanto, esses estavam longe de ser os únicos brinquedos a fazer uso desta 'tecnologia' que tanto êxito surtia, e como tal, vamos hoje falar de outra aplicação de enorme sucesso dada a este método durante os anos 90: os microfones de brincar.

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Não, não falamos daqueles que, normalmente, acompanhavam os gravadores ou leitores de cassettes para crianças (outro produto, já agora, do qual teremos a seu tempo de aqui falar); referimo-nos, antes, à variante oca, de plástico, e que tinha na criação de ecos de qualquer som feito para dentro deles o principal motivo de interesse.

De facto, o eco é um daqueles fenómenos que desperta um fascínio inexplicável sobre os seres humanos em idade formativa, mesmo quando é aplicado a uma escala bastante reduzida, como era o caso com estes brinquedos. O simples facto de este artefacto 'responder' ao que quer que lhe fosse dito era já, por si só, suficiente para fazer as delícias da maioria das crianças; o facto de as fazer, também, sentir como verdadeiras estrelas da 'pop' era apenas um bónus, que tornava o referido brinquedo ainda mais atractivo do que já era por si só.

Em suma, apesar de não ser daqueles produtos 'de parar recreios', nem de incitar febres à escala nacional, os microfones de eco eram (ou melhor, continuam a ser) apenas mais uma prova - como se ainda fosse necessário – de que não eram precisos conceitos mirabolantes para proporcionar bons momentos e criar um potencial 'brinquedo favorito' para as crianças dos anos 90 – muitas vezes, bastava mesmo um pedaço de plástico oco equipado com a revolucionária tecnologia da reverberação de ar...

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