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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.12.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Eram presença assídua em frigoríficos, quadros brancos, candeeiros de secretária e outras superfícies aderentes ou metalizadas; por vezes, em simples formatos geométricos (normalmente círculos ou rectângulos) com o padrão impresso, outras cortados para se assemelharem a objectos ou mesmo formas humanas, e por vezes a segurar mensagens, notas ou panfletos, outras apenas como enfeite, já que 'ficavam bem' nos locais em causa. Falamos, claro, dos ímanes de frigorífico, os quais, apesar de ainda existentes, viveram sem dúvida o seu último período áureo na primeira década do século XXI.

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Variantes oferecidas nos cereais Kellogg's

De facto, a crescente digitalização de recursos veio tornar semi-obsoletos estes outrora super-populares objectos, hoje reduzidos a peças de colecção, recordações turísticas ou (muito ocasionalmente) suportes para o panfleto da pizzaria, até o mesmo ser utilizado ou deitado fora. É, pois, difícil a quem não viveu aqueles tempos mais simples perceber o quão entusiasmante era adicionar mais um ímane à colecção – fosse ele um brinde dos cereais, uma oferta no âmbito de uma qualquer campanha, ou apenas uma 'quinquilharia' comprada em férias ou na 'loja dos trezentos'. Quem era da idade certa durante o período em causa, no entanto, certamente se lembra de 'encher' o frigorífico de pequenas formas coloridas, algumas das quais serviam mesmo como brinquedos quando o tédio se ameaçava instalar, ou como objectos de coleccionismo; é a eles que dedicamos este 'post' tão simples quanto os próprios objectos a que se refere.

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de camafatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.

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(Crédito da foto: TodoColección)

Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.

Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

28.10.25

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Na última quinta-feira, falámos da linha de iogurtes Uaga, lançada pela Danone em inícios do século XXI, e acompanhada de uma campanha de 'marketing' que incluía a criação de todo um conceito ficcional, centrado num grupo de extraterrestres do cremoso planeta Gute (os Uaganos) cujos poderes especiais eram activados por uma proteína, coincidentalmente, encontrada nos iogurtes da gama em causa. Um 'truque' publicitário bem típico da época, e que, apesar de não ter rendido os resultados esperados, deu ainda assim azo a pelo menos dois tipos de artefactos licenciados – por um lado, os bonecos de vinil das personagens, oferecidos em conjunto com os próprios iogurtes (e que mencionámos no referido artigo) e, por outro, dois CD-ROM que procuravam aprofundar a mitologia ligada a Gute e aos seus habitantes. Ambos conseguem, ainda, ser encontrados em recantos nostálgicos da Internet, permitindo a quem os teve recordar as sensações da juventude, e a quem nunca o conheceu descobrir o que continham.

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Um dos dois CDs oferecidos pela gama.

Infelizmente, como sucede por vezes com propriedades e produtos de décadas transactas, o resultado desse processo é, à luz actual, desapontante. Isto porque, pelo menos no caso de 'Uaga – Viagem ao Centro de Gute', a 'atracção principal' pouco passa do nível de qualidade de um qualquer jogo 'Flash' encontrado num site promocional da altura. Este facto torna-se ainda mais desapontante se se tiver em conta que o grande público já tinha, por esta altura, sido habituado a jogos e programas de qualidade como oferta de produtos alimentícios, pelo que um jogo de plataformas de ecrã único e com controlos, no mínimo, duvidosos dificilmente conseguiria provocar a mesma reacção, por exemplo, dos jogos de corridas licenciados da Kellogg's ou dos títulos alusivos à gama LEGO Bionicle oferecidos pela Nestlé.

Junte-se a isto um desenvolvimento de personagens por demais desinteressante (todos os quatro protagonistas e respectivas mascotes são 'clichés' dos típicos heróis 'radicais' da época, e os nomes e trocadilhos utilizados para nomear o planeta, os seus elementos e os próprios iogurtes oscilam entre o ridiculamente básico e o basicamente ridículo) e um vídeo em ecrã minúsculo (aceitável para a época, mas hoje quase caricato) e o que resta é um CD-ROM pouco mais que adequado até mesmo para a altura em que saiu, e a que só os jovens mais 'desesperados' por materiais interactivos inéditos dariam mais que cinco minutos de atenção (ainda que o disco conte, ainda, com materiais de algum interesse para os mais jovens, como fundos e protectores de ecrã com os personagens). Prova acabada de que 'nostalgia' nem sempre é sinónimo de 'qualidade', que demonstra que a atenção dada à campanha Uaga talvez tenha sido menos aprofundada do que parecia à primeira vista – o que pode explicar o porquê de estes iogurtes terem desaparecido rapidamente das prateleiras portuguesas. Ou isso, ou foi o próprio Uaga quem os 'extraviou' todos do camião em que se logra infiltrar no final do anúncio contido neste CD...

24.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 23 de Outubro de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui referimos, ao falar dos brindes dos ovos Kinder, de como uma figura em vinil ou borracha era um dos melhores tipos de brinde que se podiam adquirir, fosse nos referidos ovos, nos cereais, ou em qualquer outro tipo de produto alimentar. A francesa Danone – cuja presença e influência sobre a juventude dos anos 90 era tão grande ou maior do que a que detém sobre a mesma demografia nos dias de hoje – estava, aparentemente, bem ciente deste facto, pelo menos a julgar pelos brindes que incluiu em alguns dos seus produtos nos primeiros meses do novo século e Milénio, como forma de promover a sua nova linha de iogurtes líquidos dirigidos aos mais novos.

l.kdf3 009.jpgA linha completa.

Sob o estranho mas divertido nome de Uaga, a produtora de iogurtes propunha uma colecção de sete figuras, distribuídas por um total de quatro personagens distintos – no caso, um grupo de alienígenas de pele azul e visual 'radical', tão típico do período como as 'pranchas de surf' (ou, mais concretamente, 'skimboard') em que metade dos elementos do grupo surgiam 'empoleirados'. Curiosamente, um dos personagens, Uto (o 'brutamontes' de alivio cómico, de fisionomia e musculatura menos juvenil), surgia apenas numa 'pose para a fotografia', não dispondo da variante 'radical' a que os outros tinham direito; ainda mais curioso é o facto de não se tratar do vilão, Ruffo, que tinha as duas variantes 'da praxe'.

Por oposição à maioria das linhas de brindes do mesmo tipo (a começar pelas dos próprios Kinder Surpresa) os 'aliens' da 'família' Uaga (o herói homónimo, a 'namorada' Uaganni, e os supracitados Uto e Ruffo) dispunham de toda uma mitologia, criada – tal como os próprios personagens – pela filial portuguesa da agência de 'marketing' Young & Rubicam. No caso, os três heróis eram descritos como tendo super-poderes (entre eles a capacidade de falar com os animais ou atravessar objectos) derivados do consumo de uma 'protamina cósmica' nativa do seu planeta, Gute – e que, claro, eram motivo de inveja de Ruffo,o rival de Uaga, justificando assim o conflito entre as duas partes.

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O vilão da linha, aqui 'montado' na sua prancha de 'surf aéreo'.

Este enredo, que era apresentado nos primeiros anúncios relativos à gama de iogurtes, desdobrava-se, ainda, num jogo de computador (um brinde cada vez mais comum à época) o qual aqui terá direito a análise na próxima Terça Tecnológica. Para já, ficamo-nos pela apresentação das figuras e do próprio iogurte em si, naquele que, quase sem querer, acabou por se transformar num 'post' de Quinta-feira de vertente dupla, abrangendo tanto esta imaginativa mas esquecida linha de figuras como o produto alimentar que foram criadas para representar.

03.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 02 de Outubro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer 'nativo' dos anos 90 nacionais que se encontrasse, à época, em idade pré-adolescente não hesitará em apontar os brindes alimentares – das batatas fritas, cereais, Bollycaos, ovos de chocolate, bolachas ou iogurtes – como um dos grandes elementos nostálgicos da vida de então. Discretamente desaparecidos algures em inícios do Novo Milénio, aqueles objectos inseridos na própria embalagem do alimento em causa – e que se 'pescavam' de dentro do mesmo assim este era aberto, arriscando muitas vezes a higiene dos dedos – marcaram a infância de muitas crianças e jovens de finais do século XX, que ainda hoje os recordam com afecto e saudade. E se, para os 'millennials', estas recordações envolvem, sobretudo, os Tazos, Matutolas, Caveiras Luminosas e Pega-Monstros, os membros mais novos da Geração X têm também o seu próprio 'lote' de brindes saudososamente memoráveis, dos 'Tous' e 'Janelas Mágicas' do Bollycao às duas colecções de autocolantes que focamos neste 'post'.


Oferecida nas batatas fritas da Matutano logo em inícios da década de 90, a colecção de autocolantes luminosos de fantasmas constitui o epítoma do brinde mais 'simplista' da era pré-Matutazos, quando a criança média portuguesa era menos exigente neste aspecto, e apreciava apenas a oportunidade de ganhar uma pequena quinquilharia para colar ao caderno ou à mobília do quarto e ver brilhar sempre que as condições luminosas diminuíam. Porque era este o conceito dos Fantasmas Luminosos – nem mais, nem menos. Ao contrário da maioria dos seus sucessores, a colecção não trazia associado qualquer elemento competitivo, focando-se unicamente no instinto coleccionista da maioria dos jovens, na estética ao mesmo tempo 'fofinha' e apelativa dos trinta fantasmas que a compunham, e no elemento diferenciador da luminosidade.

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E a verdade é que a aposta foi ganha com distinção, figurando estes autocolantes entre os brindes favoritos de muitos portugueses hoje na casa dos quarenta a cinquenta anos, junto dos quais fez retumbante sucesso à época do lançamento. Tanto assim que a Matutano se viu motivada a lançar, dois anos depois, uma segunda série, agora com temática alusiva à vida selvagem, mas com o mesmo conceito-base. E se leões, águias, bisontes ou rinocerontes não encaixavam tão organicamente na mecânica do brilho no escuro como fantasmas, nem por isso a promoção Feras Luminosas deixou de ser apelativa ou de fazer sucesso junto do público-alvo, agora acrescido de crianças demasiado novas para recordar os fantasmas originais, e para quem esta era a primeira experiência de encontrar autocolantes luminosos nos pacotes de batatas.

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Duas colecções, em suma, que apesar de simples, retinham aquele apelo intemporal que só algo como os autocolantes consegue gerar junto do público infantil, a ponto de quase se poder dizer que, se lançados hoje, fariam exactamente o mesmo sucesso junto das gerações Z e Alfa que fizeram no tempo dos seus pais. Infelizmente, os brindes alimentares já de há muito desapareceram do quotidiano infantil português, tendo sido discretamente 'retirados de cena' algures na década de 2010, pelo que este cenário terá, forçosamente, de ficar remetido ao campo da conjectura. Certo é que, trinta e cinco anos após o seu aparecimento nos pacotes da Matutano, os Fantasmas Luminosos ocupam, ainda, lugar de destaque na memória nostálgica da parcela mais velha da geração 'millennial' portuguesa, e da metade mais nova da geração 'X', para quem continuam a ser um dos melhores brindes alimentares alguma vez veiculados no nosso País.

03.08.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 31 de Julho de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Embora as promoções e brindes fossem um dos grandes 'pilares' do comércio alimentício dirigido às crianças e jovens, a Olá tendia a demarcar-se das congéneres Matutano, Panrico, Cuétara, Nestlé, Kellogg's, Danone ou Longa Vida pelo facto de fazer pouco ou nenhum uso deste recurso. De facto, não há, mesmo até hoje, memória de um concurso promovido pela marca de gelados, e a única verdadeira instância de 'brindes' a acompanhar os seus gelados deu-se há exactos vinte e cinco anos, no primeiro Verão do Novo Milénio (ou último do anterior, dependendo da perspectiva.) É a essa iniciativa que dedicaremos mais este post duplo no Anos 90.

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Cartaz da Olá do ano 2000, com referência à promoção em causa.

À primeira vista, os Clikits nem pareciam ter grande interesse, sendo apenas uma variante do tradicional 'pauzinho' de madeira feita de plástico colorido e segmentado. Era apenas quando se ficava ciente das possibilidades destes paus que o génio da promoção se revelava. Isto porque os Clikits (disponíveis em dois dos gelados mais expressamente dirigidos a crianças, o Super Maxi e o Perna de Pau, bem como no tradicional gelado de laranja 'sem nome') podiam ser interligados para construir formas e padrões simples, mas ainda assim suficientes para divertirem qualquer jovem e incentivarem ao coleccionismo – além, claro, do maior consumo de gelados, por forma a conseguir mais pauzinhos para as suas construções. Uma estratégia inteligente, e que terá certamente visto aumentar os volumes de vendas dos gelados em causa ao longo daquele Verão.

Fica, pois, a dúvida sobre porque razão a Olá não voltou a tentar uma iniciativa deste tipo, preferindo regressar à sua estratégia clássica, com base no reconhecimento da marca e da respectiva qualidade. O facto de os Clikits não fazerem parte da memória nostálgica das gerações 'millennial' e 'Z' (os 'X' eram já um pouco 'crescidos') pode, no entanto, servir de indicação quanto à razão para tal tentativa não se ter repetido. Ainda assim, e apesar da curta duração, a promoção Clikits teve, sem dúvida, o seu valor, provando que – apesar de largos passos atrás das 'rivais' – a Olá era, também, capaz de levar a cabo algo deste tipo de forma relativamente bem-sucedida, e justificando esta breve recordação, no Verão em que se completa um quarto de século sobre a sua efémera presença no mercado nacional.

17.05.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 15 de Maio e Sexta-feira, 16 de Maio de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

De entre os muitos elementos que definiram a década de 90 em Portugal, a série de 'anime' japonesa Dragon Ball Z e as t-shirts estampadas com motivos alusivos a desenhos animados ou banda desenhada (sendo muitos destes respeitantes ao próprio Dragon Ball Z) são certamente dois dos que mais perduram na memória dos 'millennials' lusitanos. Não é, pois, de surpreender que a Pescanova tenha tentado capitalizar sobre ambas estas vertentes com uma promoção, sendo o único motivo de alguma estranheza o próprio 'timing' da oferta.

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Isto porque as estampas 'a calor' relativas à série e oferecidas nas igualmente populares caixas de douradinhos da companhia surgiam no mercado já nos primeiros meses do Novo Milénio, mais de quatro anos após o início da 'febre' Dragon Ball Z, e quando até mesmo a terceira parte, Dragon Ball GT, se encontrava já no 'retrovisor' juvenil português, estando ainda a cerca de um ano de se voltar a tornar relevante, através da repetição na 'recém-nascida' SIC Radical. Assim, não é de estranhar que a referida oferta tenha passado despercebida, e sido algo menos bem-sucedida do que outras iniciativas semelhantes lançadas no auge da popularidade da série – o que não deixa de ser lamentável, dado estas estampas, apesar de pequenas, serem bem-conseguidas, recorrendo a imagens dinâmicas e apelativas que qualquer jovem de meados dos anos 90 se orgulharia de colocar numa 't-shirt'. Pena, pois, que não se pudesse dizer o mesmo quanto aos pré-adolescentes de 2000, para quem os 'animes' de Akira Toriyama eram já coisa do passado semi-remoto...

Ainda assim, e apesar de menos 'badaladas' do que outras promoções semelhantes de que já aqui falámos, estas estampas não deixam de constituir uma belíssima ideia da parte da Pescanova, a qual teria, certamente, rendido frutos caso tivesse sido lançada um par de anos antes, e posto a juventude de Norte a Sul de Portugal a 'coleccionar' estampas, na esperança de encontrar a ultra-rara variante gigante, e fazer inveja aos colegas e amigos. Tal como foi, no entanto, esta promoção não passa de uma curiosidade esquecida da cultura popular juvenil portuguesa da viragem do Milénio...

21.11.24

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Os anos 90 foram palco de uma espécie de 'renovação' no sector das bolachas em Portugal, com alguns nomes clássicos dos anos 80 a serem progressivamente descontinuados, e a darem lugar a novas propostas de cariz mais internacional, como as famosas Oreo. Ainda assim, o país vizinho continuava a ser o principal fornecedor estrangeiro de bolachas, sobretudo através da sua mais famosa produtora, a Cuétara, que se posicionava como principal rival da portuguesa Triunfo no mercado nacional do sector – uma posição que seria reforçada nos últimos anos do século XX, com o surgimento em Portugal de uma variedade de bolacha que se provaria duradoura o suficiente para permanecer à venda três décadas depois: a hoje clássica Tosta Rica.

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Embalagem 'de época' da bolacha em causa, no caso alusiva ao popularíssimo 'anime' de Pokémon

À primeira vista apenas uma típica bolacha recheada (embora absolutamente deliciosa, ao nível das melhores alguma vez comercializadas no nosso País), o segredo da Tosta Rica revelava-se ao analisar mais atentamente as suas 'mini-sanduíches', cada uma das quais trazia nos dois lados um desenho, traçado a castanho acima do logotipo da marca. E se, numa primeira fase, estes desenhos eram apenas ilustrações genéricas, pouco tardou até a Tosta Rica principiar a obter algumas das mais atractivas licenças infanto-juvenis disponíveis à época, e a substituir os desenhos iniciais por personagens ou motivos alusivos a cada uma delas. Esta segunda fase ficou, também, marcada pela oferta, em cada caixa de bolachas, de um pequeno brinde simbólico, um gesto tão ao gosto do público-alvo da época e que ajudou a que as bolachas em causa se destacassem em meio a um mercado variado e com muitos atractivos. Tanto assim que, trinta anos volvidos, a marca continua presente nos supermercados e hipermercados nacionais, talvez já sem a força que outrora teve, mas ainda assim pronta a fazer as delícias de toda uma geração de crianças, tal como sucedeu com os seus pais...

06.09.24

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 05 de Setembro de 2024.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui por várias vezes foi mencionado o estatuto da série de 'anime' Dragon Ball Z como maior 'febre de recreio' de sempre em Portugal, tendo o lendário desenho animado sido, inclusivamente, tema do primeiro post mais 'a sério' neste nosso 'blog'. E porque, no Verão que acaba de findar, Son Goku e os seus amigos parecem estar novamente 'em alta' entre a juventude portuguesa e não só (com artigos de 'merchandising' alusivos à série disponíveis em várias lojas e grandes superfícies) nada melhor do que viajar, mais uma vez, até ao tempo em que a série 'invadia' pela primeira vez os ecrãs de televisão da juventude noventista lusitana, e criava um 'monstro' de 'merchandising' desde então raramente repetido. Absolutamente tudo o que tivesse sequer a mais ténue ligação a 'Dragon Ball Z' se tornava um sucesso imediato – de t-shirts piratas a figuras de acção ou até discos de 'europop' manhosa– pelo que não é de espantar que, em plena era dos 'brindes das batatas fritas e do Bollycao', as 'suspeitas do costume' – Matutano, Panrico e Cuétara – tivessem centrado várias das suas icónicas promoções em torno dos personagens de Akira Toriyama. De alguns desses brindes, já aqui falámos em outras ocasiões; chega, agora, a altura de juntar mais um produto a essa crescente lista, no caso as 'Mission Cards' da Cuétara.

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Lançadas, presumivelmente, no auge da 'febre' (ou seja, entre os anos de 1996 e 1998) estas cartas mais não eram do que falsos cartões de identidade, algures entre o cartão da escola e aqueles que, por vezes, eram oferecidos promocionalmente por companhias com foco infanto-juvenil, mas com uma temática de 'missão', que as inseria também um pouco no Mundo do 'role-play'. Cada carta trazia, na frente, um personagem da série, e a respectiva missão, dividida em causa e objectivo, enquanto as costas apresentavam uma 'ficha de identidade' para preencher, quer com os dados da própria criança ou jovem, quer com aqueles que se supunham serem o do herói retratado. Era, assim, possível 'inventar' uma comida ou grupo musical favoritos para Son Goku, Vegeta e restantes heróis, num aspecto que, apesar de totalmente irrelevante, não deixava ainda assim de apelar à fértil imaginação dos 'millennials' portugueses, ainda não totalmente extinta pela chegada da era digital.

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Frentes e versos de uma colecção completa.

Um brinde que, apesar de à primeira vista nada ter de especial, tinha na licença um enormíssimo trunfo, o qual não impediu, no entanto, que o mesmo seja menos lembrado do que outros congéneres e contemporâneos, como as figuras tridimensionais ou as cartas Energy Attack, ambas da Panrico. Ainda assim, à época de lançamento, estes brindes terão, sem dúvida, 'enchido as medidas' ao público-alvo – o que, bem vistas as coisas, acaba por ser a única coisa que se exige a uma colecção deste tipo...

05.07.24

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 4 de Julho de 2024.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Desde a sua massificação em inícios do século XX, o futebol tem sido o desporto mais consensual e com maior base de fãs a nível mundial; Portugal não é, de todo, excepção a esta regra, como se pode facilmente verificar pela existência de nada menos do que três jornais diários dedicados apenas e tão-somente a notícias de cariz desportivo, com natural primazia para o futebol. Não é, pois, de estranhar que cada nova competição internacional, particularmente as disputadas entre selecções de jogadores de cada país, façam 'parar' grande parte do Mundo, e motivem um sem-número de companhias a efectuar promoções alusivas ao certame em causa.

O Euro '96, levado a cabo em Inglaterra, não foi, de forma alguma, excepção a esta regra, tendo vários produtos, companhias e entidades adoptado temporariamente as cores da bandeira do país em que eram comercializados, e oferecido brindes centrados nas equipas presentes no torneio. Em Portugal, uma dessas entidades era o jornal 'A Bola', que, não querendo deixar créditos por mãos alheias no que toca à sua área de especialização, veiculava esse Verão, em conjunto com o seu jornal, figuras em borracha dos jogadores da Selecção Portuguesa da altura.

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Algumas das figuras da colecção, e respectivos cartões de 'identidade'.

Inteligentemente chamados de Figuras da Bola (num trocadilho com o nome do jornal) estes bonecos constituíam, basicamente, caricaturas tridimensionais dos jogadores, cada um dos quais surgia com as feições exageradas daquele estilo de arte, e com cabeças muito maiores do que o 'esquelético' corpo em que assentavam. Ainda assim, e apesar da abordagem 'cartunesca', a maioria dos 'craques' da Geração de Ouro era, ainda, perfeitamente reconhecível, de Fernando Couto e Paulo Sousa com as suas 'melenas' à não menos farta cabeleira loira de Jorge Cadete, o enorme queixo de Sá Pinto ou a cabeça achatada de Luís Figo, entre outras características propositalmente ampliadas para máximo efeito cómico. Juntamente com cada uma das figuras vinha, ainda, um cartão, com uma caricatura do jogador em causa e alguns dados vitais do mesmo – um pormenor cujo valor era apenas aparente, já que o que verdadeiramente interessava era a figura, ideal para colocar na estante, mesa de cabeceira ou secretária (não confundir com Secretário, que também faz parte da colecção...!) e mostrar assim o apoio à Selecção.

Curiosamente, apesar da natureza obviamente atractiva desta promoção (mais próxima de um brinde dos ovos Kinder ou do Happy Meal do McDonald's do que algo oferecido por um jornal), não tornou a haver, em certames subsequentes, qualquer outra promoção deste tipo, deixando a 'Selecção' de Figuras da Bola como uma iniciativa única no panorama promocional português, quer do século XX quer do actual, e bem merecedora de lembrança nas páginas deste nosso blog.

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