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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

26.11.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui anteriormente mencionámos como o futebol de rua continua a ser, potencialmente, a mais intemporal de todas as brincadeiras, transitando celeremente de uma geração para a seguinte sem que a sua forma, conteúdo ou regras se alterem grandemente. E se, em tempos de Mundial, muitas crianças (tanto dos anos 90 como da actualidade) terão tirado do armário a sua bola de futebol de bandeiras para brincar com os amigos da rua ou da escola, muitas outras terão, certamente, preferido a boa e velha bola de borracha.

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Imutável há décadas, e presumivelmente por mais algumas - a boa e velha bola de borracha vermelha.

Outro daqueles objectos que se mantém relativamente inalterado ao longo das décadas, séculos e milénios (as que têm desenhos alusivos a propriedades intelectuais são, naturalmente, alvo de actualização, mas as 'clássicas' vermelhas e verdes continuam iguais ao que sempre foram) as bolas de borracha tinham, para uma criança daquele tempo - e, presume-se, também de agora - um objectivo algo distinto das suas congéneres forradas a cabedal e de aspecto oficial, dificilmente send usadas para jogos propriamente ditos, a não ser à falta de melhor; em contrapartida, as mesmas afirmavam-se como primeira escolha para qualquer jogo que não pedisse um tipo especial de bola ou, simplesmente, para 'dar uns chutos' no jardim com os familiares ou um ou dois amigos num Sábado aos Saltos.

Isto porque as 'vermelhas e verdes' colmatavam as suas desvantagens aparentes em relação a outros tipos de bola (nomeadamente o facto de serem muito mais sensíveis a brisas e ventos, tornando cada passe pelo ar num exercício de fé) com um maior grau de versatilidade e um muito menor nível de dor em caso de 'colisão' acidental ou propositada, o que as tornava favoritas para jogos que envolviam contacto físico, como o 'mata' – afinal, era muito menos doloroso ser atingido por uma bola de borracha leve do que por uma de futebol, vólei ou basquete! O preço bastante atractivo, e o facto de estarem disponíveis em qualquer drogaria de bairro – por aqui, compraram-se muitas na loja mesmo ao lado da escola – ajudava a compôr o leque de pontos positivos deste tipo de bola, e a assegurar que as mesmas se tornavam parte integrante da infância e juventude de várias gerações de crianças portuguesas-

Conforme mencionámos no início deste texto, o tipo de bola em análise neste post ainda hoje se encontra disponível em qualquer loja de bairro, e até em alguns estabelecimentos maiores, exactamente nos mesmos moldes que tinha nos anos 90, afirmando-se como um dos cada vez menos numerosos pontos de ligação entre essa década e a actual; razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas este Sábado, e para quaisquer pais que se lembrem de jogar com elas em pequenos se dirigirem ao 'chinês' mais próximo e adquirirem uma para os seus filhos...

 

22.10.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui por diversas vezes aludimos ao 'atraso cultural' que Portugal vivia nas décadas de 80 e 90, e que fazia com que a maioria dos produtos mediáticos e sócio-culturais só 'aterrassem' nas nossas costas vários anos, ou até décadas, após terem feito sucesso no resto do Mundo. Quando a isto se juntava a característica cíclica da maioria das modas – que tende a regressar, ou pelo menos a ser lembrada, algumas décadas após a sua popularidade inicial – o resultado inevitável era a permanência de muitas das referidas tendências no nosso país, anos depois de terem sido consideradas obsoletas no restante Mundo ocidental.

Um exemplo dessa mesma tendência foram os aros ou arcos destinados a serem balançados na cintura - os chamados ´hula hoops', dado o movimento necessário para os equilibrar lembrar a dança havaiana do mesmo nome. Tão conhecidos quanto populares em países como os Estados Unidos desde as décadas de 50 ou 60, este tipo de brinquedo estava já na sua fase de 'regresso' quando, em finais dos anos 80 e inícios de 90, chegou a Portugal, ainda a tempo de cativar algum público (sobretudo feminino) e o levar a, literalmente, testar o seu 'jogo de cintura'.

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De facto, apesar de não ser tão popular nos recreios de escolas portuguesas como outras brincadeiras de que aqui vimos falando, os arcos tiveram o seu espaço entre a juventude da geração 'millennial' – e a verdade é que a habilidade para este exercício dava, pelo menos, tanto direito a 'gabarolice' como o 'jeito' para saltar à corda ou ao elástico. Isto porque, ainda mais do que para qualquer desses, esta era daquelas actividades para as quais ou se tinha jeito, ou não se tinha; era, claro, possível treinar e melhorar a técnica, mas o ponto de partida depreendia, desde logo, mais habilidade e coordenação motora do que qualquer dos seus congéneres. Não é, pois, de admirar que os arcos tenham assumido, em Portugal, outra função, quiçá algo inesperada, e com a qual ainda hoje são conotados, como parte integrante do material de muitos professores de ginástica, que os usavam não só para a sua função designada, como também como obstáculo em exercícios de corrida, ou simples marcador de lugar ' funções alternativas a que, aliás, estes acessórios se prestavam lindamente.

Em suma, ainda que não tenham gozado em Portugal da popularidade que granjearam em outros países, os arcos 'hula hoop' foram, ainda assim, parte suficiente da infância e adolescência de muitos 'produtos' das décadas de 80 e 90 para merecerem este pequeno destaque nas nossas páginas – ainda que, por aqui, se tivesse pouco ou nenhum jeito para a 'coisa'...

10.09.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

por várias vezes aqui mencionámos que, por vezes, os conceitos mais simples são mais do que suficientes para entreter uma criança ou jovem – e o item de que falaremos neste 'post' é prova disso mesmo. Isto porque, apesar de não ser o brinquedo MAIS básico de sempre, o tema deste Sábado aos Saltos não deixa de ser pouco mais do que um pedaço de plástico ou borracha moldado numa forma arredondada – o que não o impede de ser um dos divertimentos mais populares um pouco por todo o Mundo desde, pelo menos, de finais do século XX.

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Dois 'primos' diferentes, mas de propósitos muito semelhantes.

Falamos, claro, dos clássicos 'discos voadores' (conhecidos internacionalmente como 'frisbees'), e dos seus 'irmãos mais novos', os ringues de borracha – dois tipos de produto que, em Portugal, constituíam mesmo a principal alternativa às raquetes e à tradicional bola (insuflável ou de futebol ou vólei) como o jogo de Verão por excelência. Embora tivessem, em relação aos mesmos, um 'handicap' considerável – nomeadamente, o facto de estarem sujeitos aos caprichos do vento, o que resultava em lançamentos muito pouco precisos que obrigavam, a maioria das vezes, a que um dos jogadores fosse buscar o brinquedo a uma distância considerável – estes dois 'primos direitos' colmatavam essa pecha com o facto de serem, como as raquetes, universalmente aceites por jovens e adultos de todas as idades, constituindo portanto um excelente divertimento familiar.

Também à semelhança das raquetes, os 'discos voadores' em plástico continuam a ser vendidos em larga escala hoje em dia, ainda que a sua presença nas praias e jardins portugueses seja, agora, muito menor, e o seu uso esteja maioritariamente confinado aos donos de cães de companhia – o que, aliás, acontece também com os ringues de borracha; quem cresceu em finais do século passado, no entanto, certamente terá memórias associadas a 'correrias' pela areia atrás de um disco que, de tão alta e rapidamente que voava, parecia em riscos de ir parar à praia seguinte...

06.08.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

O Verão é, em Portugal, praticamente sinónimo com as idas à praia ou para parques de campismo e caravanismo – duas situações que, por sua vez, são praticamente sinónimas com os jogos de raquetes. E se, de entre estes, o 'rei' era e continua a ser o Beach Ball – que já aqui abordámos – a verdade é que os anos 90 trouxeram, pelo menos, um competidor à altura para as famosas raquetes de madeira: as luvas com velcro e bola condicentemente 'pegajosa'.

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Conhecidos no Brasil pelo nome de 'frescobol', estes híbridos de raquete, luva, e acessório de treino de artes marciais – pela maneira como eram seguros, deslizando a mão por dentro de uma pega localizada nas costas de cada raquete – foi, também, sobejamente conhecido dos 'putos' dos anos 90, tanto pelos largos momentos de diversão que proporcionava, como pela habilidade que requeria; afinal, neste jogo, não bastava atirar a bola ao ar e batê-la para o parceiro – era necessário lançá-la directamente da própria luva, à qual se encontrava colada, uma nuance que requeria tanta habilidade e 'jogo de pulso' como força por parte do lançador, sob pena de o apanhador ser obrigado a fazer uma 'acrobacia' ou ir mesmo buscar a bola ao chão. O facto de a referida bola ser aproximadamente do tamanho e peso de uma de ténis ainda tornava tudo ainda mais complicado e desafiante – e, quando corria bem, ainda mais gratificante e divertido.

Estas características, aliadas ao preço relativamente acessível e larga oferta deste tipo de jogo (à época, disponíveis em qualquer loja de praia, e mesmo em algumas lojas 'generalistas' e supermercados) fez com que o mesmo se tornasse um favorito de Verão para grande parte das crianças e jovens dessa época – uma tendência que, presumivelmente, teria continuado, não fosse o facto de este jogo (como tantos outros de que aqui falamos) ter, gradualmente, desaparecido das prateleiras, até se tornar uma daquelas anomalias nostálgicas que uma rápida pesquisa no AliExpress revela ainda existirem para compra, embora o público-alvo tenha desaparecido há pelo menos vinte anos; ainda assim, é bom saber que ainda é possível a quem teve – e adorou – este tipo de raquete apresentá-la às novas gerações, despoletando assim, potencialmente, um 'reviver' da mesma em praias e parques de campismo por esse Portugal afora, tal como se verificava no 'nosso' tempo...

 

23.07.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Com a época balnear oficialmente em curso, e as temperaturas a atingirem máximas poucas vezes vistas, poucas coisas apetecem mais do que um mergulho, seja na praia, numa piscina pública ou num dos cada vez mais raros aqua-parques ainda resistentes em certos pontos do País; isto porque, infelizmente, a outra opção disponível para as crianças e jovens dos anos 90 e 2000 já não é, pelo menos para esses mesmos ex-'putos', viável.

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Quem sabe, sabe...

Falamos das piscinas de quintal, aqueles mistos de brinquedo e instrumento utilitário que, depois de devidamente insuflados, davam a quem tinha a sorte de os possuir muitos momentos de diversão em dias de maior calor, muitas vezes até na companhia de familiares ou amigos da mesma idade.

E se é verdade que, na era do digital e da conectividade global, é difícil perceber o apelo do que era basicamente uma versão mais 'chique' de uma tina ou tanque (especialmente uma que apenas permitia um volume de água extremamente raso) a verdade é que nenhuma criança daquela época que tenha tido a sorte de ter essa experiência a trocaria por qualquer aparelho 'Bluetooth' ou 'drone', especialmente em épocas como a que actualmente se vive em Portugal, com o calor abrasador e a fazer estragos; a conveniência de apenas ter de chegar ao quintal para se refrescar (e de poder permanecer na água o tempo que se quisesse, ao contrário do que acontecia, por exemplo, com os banhos de mangueira) tinha muito mais valor do que se pudesse, à primeira vista, pensar – tanto assim que quem não tinha espaço ou dinheiro para adquirir uma destas piscinas, normalmente desejava que a situação fosse a contrária, para que também eles pudessem disfrutar da experiência que os amigos e colegas viviam naqueles Sábados em que os únicos Saltos que apetecem dar são mesmo dentro de água...

É de crer que, hoje em dia, as piscinas de quintal para crianças não tenham ainda desaparecido; afinal, a simples diversão de um banho rodeado de brinquedos (e, com sorte, amigos) é daquelas sensações verdadeiramente intemporais. A verdade, no entanto, é que estes apetrechos cada vez se vêem menos, quer em lojas, supermercados e hipermercados, quer em quintais por esse País fora, pelo que resta esperar que este não seja mais um daqueles produtos nostálgicos para toda uma geração, mas actualmente em 'vias de extinção'...

09.07.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Apesar de o futebol de rua ser, de longe, a escolha mais comum para qualquer grupo de crianças munidas de uma bola (fosse na década de 90 ou em qualquer outra altura da História) o mesmo estava longe de ser a ÚNICA opção disponível nesse aspecto; e se opções como o voleibol ou o basket eram igualmente populares, ainda que a sua prática implicasse a existência de infra-estruturas facilmente acessíveis, outros jogos havia que necessitavam, apenas, do mais básico em termos de material – uma bola, jogadores em número suficiente, e espaço para levar a cabo a actividade.

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Era o caso, por exemplo, do jogo da parede, que recentemente aqui abordámos, mas também da sempre popular 'rabia' (ou 'meiinho'), essa actividade tão popular como aquecimento para aulas de Educação Física como como brincadeira competitiva, e cujas regras eram simples: o jogador no centro do círculo tentava interceptar a bola que era casualmente passada entre os colegas, sendo substituído por quem quer que tivesse feito o passe 'transviado'.

Não havendo jogadores suficientes para uma 'rabia' ou um 'três-para-três' (o número mínimo aceitável para uma partida de futebol de rua) podia, ainda, jogar-se às 'fintas' – onde, como o nome indica, a humilhação do adversário era mais importante do que os remates ou golos – ou à sempre popular variante 'baliza-a-baliza' (também conhecida como 'baliza-balizinha') em que até quatro jogadores, divididos em equipas de dois, tentavam marcar golo de um lado ao outro do campo – ou, em certas variantes mais 'benevolentes', de qualquer ponto até à linha de meio-campo própria.

Além destes jogos 'universais' – jogados aproximadamente da mesma maneira em qualquer ponto do País – cada zona, ou até bairro ou escola, tinha as suas próprias variantes do que fazer com uma bola e um grupo de crianças ou jovens. Na nossa escola preparatória, por exemplo, vigorava em meados da década um jogo conhecido como 'Um-Dois-Mata', que consistia em dar determinado número de toques de vólei entre o grupo (normalmente dois ou três), podendo o jogador que se seguisse 'matar' um qualquer membro do círculo, mediante uma certeira 'sapatada'; no entanto, se o referido alvo almejasse agarrar a bola, em vez de ser atingido por ela, era o 'assassino' quem se teria de retirar do círculo, podendo a 'vítima' continuar em jogo.

Enfim, como terá ficado bem patente, os únicos requisitos para uma tarde de diversão com bola nos anos 90 eram um grupo de amigos e muita imaginação – um paradigma que, desconfiamos (e ao contrário de tantos outros que abordamos neste nosso blog) se manterá até aos dias que correm...

 

14.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Como já ficou demonstrado em edições anteriores desta rubrica, os jogos de rua e de recreio constituíam uma das mais populares distracções para as crianças de uma certa idade durante os últimos anos do século XX e primeiros do seguinte, rivalizando com a bicicleta, o skate ou os patins em linha, e tendo sobre estes a vantagem de não requererem a compra de equipamentos caros para serem desfrutados; pelo contrário, a maioria era perfeitamente executável sem recurso a qualquer apetrecho, e mesmo os restantes não requeriam mais do que uma bola ou um pedaço de corda ou elástico.

Não eram, no entanto, apenas os equipamentos necessários que eram simples; a maioria destes jogos partia de uma premissa básica, e adicionava-lhe apenas o número suficiente de regras para que se tornasse divertido e funcional. Um dos melhores exemplos disto mesmo é um dos jogos mais populares entre os rapazes da época, que misturava a habitual demonstração de habilidade a um enorme potencial para a 'violência regrada' que tanto agrada a essa demografia.

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Falamos do vulgarmente chamado 'jogo da parede', uma competição com que qualquer grupo de jovens com uma bola podia ocupar um intervalo, ou até parte de uma tarde. As regras, conforme referido acima, eram da mais pura simplicidade: na referida parede, demarcavam-se linhas imaginárias, que constituíam uma espécie de baliza, tendo os jogadores de, à vez, pontapear a bola contra a parede de modo a que a mesma acerte dentro das linhas estabelecidas. Um jogador cujo 'tiro' saisse ao lado, ou por cima, da zona demarcada era obrigado a ir para a parede, passando ele próprio a ser o alvo dos 'chutos' dos colegas. Este processo era, naturalmente, repetido até restar apenas um jogador do lado 'de cá' da parede, o qual era declarado vencedor.

Um jogo com tudo para agradar à demografia masculina, portanto, visto apresentar uma mistura entre futebol e tiro ao alvo (ou o também muito popular 'jogo do mata') que apelava tanto à veia competitiva como à mais sádica, até porque a bola não precisava necessariamente de ser de futebol (quem não participou num jogo da parede em que era usada uma bola de basquetebol ou voleibol não sabe a sorte que teve); menos previsível era o facto de este jogo agradar também, muitas vezes, a raparigas, que se mostravam jogadoras tão ou mais letais do que os seus pares do sexo oposto!

Ao contrário de muitos dos jogos aqui abordados, é pouco provável que o jogo da parede tenha passado de moda; embora não possamos confirmar a cem por cento, é de crer que esta simples mas eficaz diversão continue a ter lugar nos recreios portugueses da década de 2020, e que ainda hoje haja que se reveja na experiência de ser enviado para a parede, e se depara com os colegas, com um brilhozinho maldoso nos olhos, a tirarem-lhe as medidas no momento de chutar...

07.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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A década de 90 ajudou, entre outras coisas, a cimentar definitivamente o gosto dos jovens portugueses pelo basquetebol. A ascensão de equipas como os Los Angeles Lakers e os Chicago Bulls, transmitida aos lares portugueses pelo excelente programa NBA Action, filmes como Space Jam e, dentro de portas, um Carlos Lisboa em auge de carreira, fez com que muitas crianças descobrissem esta fascinante e excitante modalidade, e desenvolvessem por ela uma paixão a merecer ser explorada.

Um dos principais meios de demonstrar (e extravasar) esse gosto pela modalidade passava pela aquisição de uma réplica de uma tabela de basket, uma visão extremamente comum nos quintais e garagens da época. Com um cesto de tamanho oficial, embora o painel fosse mais pequeno, estes equipamentos - facilmente adquiríveis nos então emergentes hipermercados, ou nas lojas de desporto dos também embrionários 'shoppings' - estavam, invariavelmente, entre os mais cobiçados (sobretudo) pelos rapazes da época, e quem tivesse o espaço e/ou dinheiro para adquirir uma não deixava de ser motivo de inveja dos colegas menos afortunados – sobretudo se a tabela tivesse pé, não necessitando portanto do 'ritual' de a pregar à parede, e podendo ser levada para qualquer lugar onde um jogo se pudesse desenrolar.

Quem não tinha a sorte de ter um espaço exterior onde instalar a tabela, no entanto, não ficava impedido de demonstrar o seu gosto (e jeito, ou falta dele) pelo basket; isto porque qualquer loja de bairro ou loja de brinquedos tradicional da época veiculava uma alternativa (mais ou menos) válida às tabelas em 'tamanho real' – nomeadamente, mini-tabelas em tamanho reduzido, com uma bola de plástico e muito leve, que tornava possível a sua instalação e uso em qualquer quarto de cama. Não era a mesma coisa (longe disso) e dificilmente suscitaria a cobiça e inveja dos amigos e colegas de turma, mas para quem não tinha mais do que um apartamento, era mais do que suficiente para extravasar o Michael Jordan dentro de si.

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Exemplo actual de uma mini-tabela

Fosse qual fosse o modelo, no entanto, uma coisa é certa – as tabelas de basket fizeram mesmo furor entre os jovens dos anos 90. E ainda que, actualmente, seja cada vez mais raro encontrar um destes equipamentos numa casa particular (até porque quem quer jogar tem agora muitos espaços exteriores onde o fazer) temos a certeza de que, algures por esse país fora, existem ainda vários LeBron James em potência que, em Sábados de sol como este, resolvem dar uns Saltos (literalmente) no quintal das traseiras, e tentar 'meter' uns cestos na tabela pregada por cima da porta da garagem – tal como o faziam os seus pais, três décadas antes...

16.04.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E numa altura em que se celebra a quadra pascal, nada melhor do que dedicar algumas breves linhas àquela que, para muitas crianças portuguesas, era uma das partes mais divertidas do fim-de-semana: a tradicional caça aos ovos.

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Embora, em outros países, actividades semelhantes a esta se desenrolem em moldes bem mais sofisticados (a ponto de poderem ser consideradas actividades organizadas, dignas de uma Saída de Sábado) em Portugal, o jogo reveste-se de moldes bem mais simples: essencialmente, as crianças apenas têm de descobrir os ovos de chocolate escondidos pelos pais (sob a guisa do clássico Coelhinho da Páscoa) na noite anterior, ficando cada ovo de posse de quem o encontrar, salvo se houver etiqueta a indicar o contrário.

É claro que existem nuances (quem mora num apartamento terá uma missão menos longa e variada do que quem tem quintal, por exemplo) mas os traços gerais pouco se alteram em relação ao anteriormente descrito; um conceito bem simples, mas capaz de ocupar a atenção das crianças portuguesas (quer as dos anos 90, quer as actuais) durante largos minutos na manhã de Domingo, especialmente por ter uma recompensa bem desejável e atractiva - e que, por isso mesmo, merece lugar de destaque aqui no blog nesta quadra pascal.

02.04.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui por diversas vezes referimos que, nos anos da infância, são, por vezes, os brinquedos mais simples aqueles que mais sucesso fazem entre o público-alvo, sobretudo no que toca a acessórios de exterior. De bolas de borracha ou vidro a pedaços de corda ou elástico ou bexigas de látex, não é preciso muito para entreter uma criança numa tarde de sol, e o assunto do 'post' de hoje é (mais uma) prova disso mesmo; afinal, o que pode ser mais simples do que um tubo de plástico oco?

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E, no entanto, esse continua a ser ainda hoje um produto viável para comercialização junto de uma determinada demografia, tendo ainda este fim-de-semana sido encontrado numa loja do Reino Unido; ao que parece, o apelo dos chamados 'tubos de ar' ou 'tubos giratórios' atravessa décadas, séculos e gerações, sendo tão atraente para a geração que já nasceu agarrada a um iPad como o foi para a que passou o primeiro terço ou metade da vida sem sequer saber o que era um computador. E porque não? Afinal de contas, o conceito deste produto continua a ser sólido, simples e atraente o suficiente para aliciar qualquer criança às compras com os pais em tarde de sol...

Semelhantes a tubos de construção, mas feitos de plástico de cores berrantes ao invés de metal pesado, estes tubos destinam-se, especificamente, a serem vigorosamente agitados no ar, de preferência em movimentos giratórios, de modo a que a sua trajectória corte o ar, produzindo um característico som ululante; sim, precisamente o mesmo conceito que, décadas depois da criação deste brinquedo, traria popularidade ao pior inimigo de qualquer futebolista internacional moderno, a vuvuzela.

A junção da mecânica quinética com o atractivo efeito produzido – sem descurar o facto de estes tubos também constituirem excelentes armas de contusão, fosse propositalmente ou apenas por acidente, a quem passasse demasiado perto – ajuda a explicar a continuada popularidade destes brinquedos, que ainda hoje propiciarão, certamente, largos momentos de simples diversão para qualquer pré-adolescente durante um Sábado aos Saltos.

Em suma, sem ser o tipo de produto que suscite brincadeiras prolongadas – sendo provável que seja posto de lado ao fim de meia dúzia de tentativas – este acessório constitui, ainda assim, um excelente complemento a uma tarde de fim-de-semana solarenga, como a época primaveril costuma propiciar; melhor, o factor nostálgico deste brinquedo faz do mesmo um excelente elo de ligação entre pais e filhos – embora se recomende precaução, não vá o pequenote, no seu entusiasmo, acertar na cara do pai ou da mãe...

 

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