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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Como já ficou demonstrado em edições anteriores desta rubrica, os jogos de rua e de recreio constituíam uma das mais populares distracções para as crianças de uma certa idade durante os últimos anos do século XX e primeiros do seguinte, rivalizando com a bicicleta, o skate ou os patins em linha, e tendo sobre estes a vantagem de não requererem a compra de equipamentos caros para serem desfrutados; pelo contrário, a maioria era perfeitamente executável sem recurso a qualquer apetrecho, e mesmo os restantes não requeriam mais do que uma bola ou um pedaço de corda ou elástico.

Não eram, no entanto, apenas os equipamentos necessários que eram simples; a maioria destes jogos partia de uma premissa básica, e adicionava-lhe apenas o número suficiente de regras para que se tornasse divertido e funcional. Um dos melhores exemplos disto mesmo é um dos jogos mais populares entre os rapazes da época, que misturava a habitual demonstração de habilidade a um enorme potencial para a 'violência regrada' que tanto agrada a essa demografia.

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Falamos do vulgarmente chamado 'jogo da parede', uma competição com que qualquer grupo de jovens com uma bola podia ocupar um intervalo, ou até parte de uma tarde. As regras, conforme referido acima, eram da mais pura simplicidade: na referida parede, demarcavam-se linhas imaginárias, que constituíam uma espécie de baliza, tendo os jogadores de, à vez, pontapear a bola contra a parede de modo a que a mesma acerte dentro das linhas estabelecidas. Um jogador cujo 'tiro' saisse ao lado, ou por cima, da zona demarcada era obrigado a ir para a parede, passando ele próprio a ser o alvo dos 'chutos' dos colegas. Este processo era, naturalmente, repetido até restar apenas um jogador do lado 'de cá' da parede, o qual era declarado vencedor.

Um jogo com tudo para agradar à demografia masculina, portanto, visto apresentar uma mistura entre futebol e tiro ao alvo (ou o também muito popular 'jogo do mata') que apelava tanto à veia competitiva como à mais sádica, até porque a bola não precisava necessariamente de ser de futebol (quem não participou num jogo da parede em que era usada uma bola de basquetebol ou voleibol não sabe a sorte que teve); menos previsível era o facto de este jogo agradar também, muitas vezes, a raparigas, que se mostravam jogadoras tão ou mais letais do que os seus pares do sexo oposto!

Ao contrário de muitos dos jogos aqui abordados, é pouco provável que o jogo da parede tenha passado de moda; embora não possamos confirmar a cem por cento, é de crer que esta simples mas eficaz diversão continue a ter lugar nos recreios portugueses da década de 2020, e que ainda hoje haja que se reveja na experiência de ser enviado para a parede, e se depara com os colegas, com um brilhozinho maldoso nos olhos, a tirarem-lhe as medidas no momento de chutar...

07.05.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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A década de 90 ajudou, entre outras coisas, a cimentar definitivamente o gosto dos jovens portugueses pelo basquetebol. A ascensão de equipas como os Los Angeles Lakers e os Chicago Bulls, transmitida aos lares portugueses pelo excelente programa NBA Action, filmes como Space Jam e, dentro de portas, um Carlos Lisboa em auge de carreira, fez com que muitas crianças descobrissem esta fascinante e excitante modalidade, e desenvolvessem por ela uma paixão a merecer ser explorada.

Um dos principais meios de demonstrar (e extravasar) esse gosto pela modalidade passava pela aquisição de uma réplica de uma tabela de basket, uma visão extremamente comum nos quintais e garagens da época. Com um cesto de tamanho oficial, embora o painel fosse mais pequeno, estes equipamentos - facilmente adquiríveis nos então emergentes hipermercados, ou nas lojas de desporto dos também embrionários 'shoppings' - estavam, invariavelmente, entre os mais cobiçados (sobretudo) pelos rapazes da época, e quem tivesse o espaço e/ou dinheiro para adquirir uma não deixava de ser motivo de inveja dos colegas menos afortunados – sobretudo se a tabela tivesse pé, não necessitando portanto do 'ritual' de a pregar à parede, e podendo ser levada para qualquer lugar onde um jogo se pudesse desenrolar.

Quem não tinha a sorte de ter um espaço exterior onde instalar a tabela, no entanto, não ficava impedido de demonstrar o seu gosto (e jeito, ou falta dele) pelo basket; isto porque qualquer loja de bairro ou loja de brinquedos tradicional da época veiculava uma alternativa (mais ou menos) válida às tabelas em 'tamanho real' – nomeadamente, mini-tabelas em tamanho reduzido, com uma bola de plástico e muito leve, que tornava possível a sua instalação e uso em qualquer quarto de cama. Não era a mesma coisa (longe disso) e dificilmente suscitaria a cobiça e inveja dos amigos e colegas de turma, mas para quem não tinha mais do que um apartamento, era mais do que suficiente para extravasar o Michael Jordan dentro de si.

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Exemplo actual de uma mini-tabela

Fosse qual fosse o modelo, no entanto, uma coisa é certa – as tabelas de basket fizeram mesmo furor entre os jovens dos anos 90. E ainda que, actualmente, seja cada vez mais raro encontrar um destes equipamentos numa casa particular (até porque quem quer jogar tem agora muitos espaços exteriores onde o fazer) temos a certeza de que, algures por esse país fora, existem ainda vários LeBron James em potência que, em Sábados de sol como este, resolvem dar uns Saltos (literalmente) no quintal das traseiras, e tentar 'meter' uns cestos na tabela pregada por cima da porta da garagem – tal como o faziam os seus pais, três décadas antes...

16.04.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E numa altura em que se celebra a quadra pascal, nada melhor do que dedicar algumas breves linhas àquela que, para muitas crianças portuguesas, era uma das partes mais divertidas do fim-de-semana: a tradicional caça aos ovos.

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Embora, em outros países, actividades semelhantes a esta se desenrolem em moldes bem mais sofisticados (a ponto de poderem ser consideradas actividades organizadas, dignas de uma Saída de Sábado) em Portugal, o jogo reveste-se de moldes bem mais simples: essencialmente, as crianças apenas têm de descobrir os ovos de chocolate escondidos pelos pais (sob a guisa do clássico Coelhinho da Páscoa) na noite anterior, ficando cada ovo de posse de quem o encontrar, salvo se houver etiqueta a indicar o contrário.

É claro que existem nuances (quem mora num apartamento terá uma missão menos longa e variada do que quem tem quintal, por exemplo) mas os traços gerais pouco se alteram em relação ao anteriormente descrito; um conceito bem simples, mas capaz de ocupar a atenção das crianças portuguesas (quer as dos anos 90, quer as actuais) durante largos minutos na manhã de Domingo, especialmente por ter uma recompensa bem desejável e atractiva - e que, por isso mesmo, merece lugar de destaque aqui no blog nesta quadra pascal.

02.04.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Já aqui por diversas vezes referimos que, nos anos da infância, são, por vezes, os brinquedos mais simples aqueles que mais sucesso fazem entre o público-alvo, sobretudo no que toca a acessórios de exterior. De bolas de borracha ou vidro a pedaços de corda ou elástico ou bexigas de látex, não é preciso muito para entreter uma criança numa tarde de sol, e o assunto do 'post' de hoje é (mais uma) prova disso mesmo; afinal, o que pode ser mais simples do que um tubo de plástico oco?

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E, no entanto, esse continua a ser ainda hoje um produto viável para comercialização junto de uma determinada demografia, tendo ainda este fim-de-semana sido encontrado numa loja do Reino Unido; ao que parece, o apelo dos chamados 'tubos de ar' ou 'tubos giratórios' atravessa décadas, séculos e gerações, sendo tão atraente para a geração que já nasceu agarrada a um iPad como o foi para a que passou o primeiro terço ou metade da vida sem sequer saber o que era um computador. E porque não? Afinal de contas, o conceito deste produto continua a ser sólido, simples e atraente o suficiente para aliciar qualquer criança às compras com os pais em tarde de sol...

Semelhantes a tubos de construção, mas feitos de plástico de cores berrantes ao invés de metal pesado, estes tubos destinam-se, especificamente, a serem vigorosamente agitados no ar, de preferência em movimentos giratórios, de modo a que a sua trajectória corte o ar, produzindo um característico som ululante; sim, precisamente o mesmo conceito que, décadas depois da criação deste brinquedo, traria popularidade ao pior inimigo de qualquer futebolista internacional moderno, a vuvuzela.

A junção da mecânica quinética com o atractivo efeito produzido – sem descurar o facto de estes tubos também constituirem excelentes armas de contusão, fosse propositalmente ou apenas por acidente, a quem passasse demasiado perto – ajuda a explicar a continuada popularidade destes brinquedos, que ainda hoje propiciarão, certamente, largos momentos de simples diversão para qualquer pré-adolescente durante um Sábado aos Saltos.

Em suma, sem ser o tipo de produto que suscite brincadeiras prolongadas – sendo provável que seja posto de lado ao fim de meia dúzia de tentativas – este acessório constitui, ainda assim, um excelente complemento a uma tarde de fim-de-semana solarenga, como a época primaveril costuma propiciar; melhor, o factor nostálgico deste brinquedo faz do mesmo um excelente elo de ligação entre pais e filhos – embora se recomende precaução, não vá o pequenote, no seu entusiasmo, acertar na cara do pai ou da mãe...

 

26.02.22

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Sim, leram bem – o 'post' de hoje é uma combinação estilo '2-em-1' dos nossos dois tipos de posts de Sábado. Isto porque a festa que se celebra deste fim-de-semana até à próxima quarta-feira – o Carnaval – envolve tanto Saídas (para que o Mundo possa ver a nossa bela fatiota de máscara) e Saltos (ou não fosse esta, em anos 'normais', uma semana de férias da escola, em que o tempo parece interminável.) Falemos, pois, do modo característico como esta festa era celebrada em Portugal nos anos 90, e de tudo aquilo que, em criança, lhe tendia a estar associado.

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E começamos, precisamente, pelo factor mais comummente associado ao Carnaval – as máscaras. Enquanto que hoje estas se cingem quase exclusivamente a propriedades intelectuais populares – não se pode ser 'apenas' uma princesa, tem de se ser uma princesa DISNEY, de preferência a Elsa – nos anos 90, havia ainda uma mistura saudável entre este tipo de fatos (com destaque para as Tartarugas Ninja, Homem-Aranha, Super-Homem e Power Rangers) e os mais 'clássicos' disfarces de cowboy, princesa, palhaço, monstro, ou o que mais se conseguisse imaginar sem ter que gastar muito dinheiro.

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O disfarce de Tartaruga Ninja era um dos mais populares nos anos 90

No entanto, mesmo com esta vasta gama de disfarces à disposição, havia um que suplantava todos os outros, senão em popularidade, pelo menos em frequência: o de Zorro. Não havia, à época, praticamente nenhum Carnaval em que não se vissem pelo menos uns dois ou três Zorros, fosse na rua, na escola ou no clube desportivo. A popularidade do herói mascarado era tão indisputável quanto inexplicável, já que o mesmo estava ainda a alguns anos do seu 'renascimento' às mãos de Antonio Banderas, e era apenas vagamente conhecido da maioria das crianças; a verdade, no entanto, é que – vá-se lá saber porquê... - a sua característica roupagem era mesmo uma das escolhas mais populares no que tocava a fatos de máscara.

Os fatos completos não eram, no entanto, a única opção no tocante a disfarces de Carnaval; pelo contrário, a maioria das crianças via-se mesmo restrita às chamadas 'caraças', aquelas máscaras de cara completa, com elástico, que se podiam comprar em qualquer drogaria, loja de brinquedos ou até dos trezentos, por um preço relativamente acessível – o que ajudava, talvez, a explicar a popularidade. Curiosamente, estas máscaras eram perfeitamente bem aceites entre o normalmente hiper-crítico público infantil, e embora um fato fosse mais admirado e invejado, a criança que se disfarçava apenas com uma máscara não seria alvo da chacota dos colegas, como se poderia talvez pensar, tornando-as uma boa alternativa para quem tinha menos dinheiro.

Nem só de máscaras e disfarces, no entanto, vivia o Carnaval – e, aqui, há que falar da enorme panóplia de acessórios associados à celebração desta festa pelas crianças e jovens, que ajudava a dar vigência à expressão 'BRINCAR ao Carnaval'. À época, a gama de diversões de Carnaval ia das mais inócuas - como as serpentinas que se penduravam das grades da janela ou varanda e que acabavam invariavelmente na rua, a dar trabalho aos lixeiros – às irritantes (como os martelinhos, as pistolas de água ou os balões de água atirados de andares altos para quem passava cá em baixo) ou activamente perigosas, como os inenarráveis estalinhos ou as sempre populares pistolas de fulminantes. Alguns destes acessórios tinham uma ligação mais óbvia ao Carnaval que outros, mas a verdade é que todos eles fizeram parte da infância de qualquer português que tenha celebrado esta festa nos anos 90 – senão a título próprio, pelo menos manuseados por alguém nas proximidades.

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Alguns dos mais populares brinquedos do Carnaval português dos anos 90

No cômputo geral, todos estes elementos – as máscaras, as partidas, os brinquedos, até mesmo as férias da escola - contribuíam para moldar a experiência do Carnaval português dos anos 90; e embora, hoje, as regras mais apertadas de segurança tenham tornado esta festa significativamente diferente, quem a viveu nos anos 90 certamente nunca vai esquecer as emoções, sensações e brincadeiras daquela última semana de Fevereiro. Feliz Carnaval!

05.02.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Como o nosso post sobre os jogos tradicionais cabalmente demonstrou, nem sempre são necessários acessórios sofisticados para uma criança se conseguir divertir com os amigos numa tarde de sol; de facto, do futebol de rua ao salto à corda, passando pelo elástico que inspira o jogo do mesmo nome, são muitas vezes os brinquedos e brincadeiras mais simples que mais minutos de diversão proporcionam neste tipo de situação, explicando a sua popularidade continuada e universal entre as demografias mais jovens. O conjunto de jogos de que falamos hoje dá ainda mais validade a esta linha argumentativa; porque a verdade é que, independentemente da idade, sexo ou nacionalidade, difícil será encontrar um cidadão ocidental que não os tenha jogado pelo menos uma vez, num recreio de escola, parque ou jardim solarengo.

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Uma visão universal e intemporal

De facto, os jogos de 'palminhas' – aqueles jogados com um parceiro, e que envolvem a coordenação entre as duas partes a fim de completar uma espécie de 'coreografia' manual que acompanha uma cantilena – estão entre os poucos assuntos abordados neste blog que podem ser considerados, verdadeiramente, intemporais; enquanto que a maioria das modas acaba por rapidamente passar, e a maioria dos brinquedos por cair, eventualmente, na obsolescência, é perfeitamente possível passar por qualquer escola do país (e não só) nos dias que correm, e ver duas ou mais crianças sentadas ou ajoelhadas uma em frente à outra, com as mãos ao nível do peito e as palmas viradas para fora, prontas a iniciar a complexa série de movimentos respeitante a seja qual for a récita por que optaram – precisamente como o haviam feito os seus pais, avós e até bisavós ao longo do anos.

As próprias cantilenas que acompanham os jogos são, elas mesmas, escolhida de entre uma série praticamente imutável de opções, que qualquer ex-criança será, com certeza, capaz de enumerar; do 'Popeye' ao 'Toyota' ou 'Dominó', estas pequenas composições quase 'nonsense' acompanham os respectivos jogos de uma geração para a seguinte, num daqueles processos de transmissão oral quase por osmose de que os jogos tradicionais de recreio são, regra geral, exemplo. Ninguém precisa que lhe seja formalmente explicado como jogar ao 'Popeye' – mesmo para a mais leiga das crianças, basta uma rápida explicação da parte de quem já tenha jogado, sendo que o resto vem com a prática.

Uma característica curiosa da maioria destes jogos é o seu carácter cooperativo; ao contrário da maioria dos restantes jogos de recreio – e com excepção do também clássico jogo da 'sardinha', uma espécie de versão competitiva dos jogos de que aqui se fala – estas brincadeiras envolvem um esforço conjunto por parte de ambos os jogadores, a fim de atingirem um objectivo comum – no caso, o fim da cantilena. Só isto já os torna distintos entre o leque de diversões de exterior disponíveis para a maioria das crianças, posicionando-os ainda como uma excelente alternativa para quem não gosta de competir (ou perder...) e prefere, tão-sómente, testar as suas habilidades, e ajudando a explicar a sua intemporalidade. E apesar de poder ser considerado 'batota' falar neste blog de um jogo cujo contexto não é específico ou restrito aos anos 80, 90 ou inícios de 2000 (nem, tão-pouco, a Portugal em particular) que atire a primeira pedra quem, em pequeno, nunca jogou estes jogos e, já adulto, tentou ensiná-los aos seus filhos...

22.01.22

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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Lá por casa houve duas praticamente iguais a esta, mas em cores diferentes

Numa era em que a esmagadora maioria dos produtos disponíveis para qualquer faixa etária tem funções de conectividade, ecrãs integrados, 'apps' associadas e toda a espécie de outras inovações electrónicas, vale sempre a pena lembrar que nem sempre é necessária tecnologia topo-de-gama e funcionalidades sofisticadas para proporcionar momentos de deleite e lazer a uma criança; por vezes, basta uma roda de plástico, em cores berrantes, acoplada a um pau, e contendo no interior uma esfera que se mexe em sintonia com a roda, gerando um efeito visual e sonoro.

Ou, pelo menos, tal era verdade nos anos 90, quando estes brinquedos estavam entre os mais populares brindes 'baratos' comprados num qualquer parque ou loja de esquina durante uma Saída ao Sábado. Embora não fizessem parte do 'topo de gama' dos brinquedos de exterior – estavam muito, muito longe das bicicletas, skates, patins em linha, ou até do patamar dos aviões com fios – não deixavam, no entanto, de ser uma adição bem-vinda a uma manhã de passeio, ou simplesmente de brincadeira no jardim ou parque infantil, especialmente para as crianças mais novas, para quem o estímulo audio-visual representado pelo movimento e som da pequena roda colorida nunca deixava de causar gáudio.

Infelizmente, e como já vem sendo hábito constatar nestas páginas, este é mais um entre muitos exemplos de brinquedos que caíram completamente em desuso desde a época a que este blog diz respeito. Embora ainda continuem a ser fabricadas – e iguaizinhas às daquele tempo, como se pode ver na imagem que ilustra este post – as mesmas encontram-se praticamente 'extintas' na 'vida real', tendo-se, como tantos outros brinquedos que aqui abordamos, tornado domínio quase exclusivo dos 'sites' de venda grossista de brinquedos, onde ainda é possível encontrar absolutamente tudo. Ainda assim, quem no seu tempo teve o prazer de passar alguns minutos a empurrar uma e a ouvi-la fazer o seu característico 'estralejar', certamente não obstará à sua presença nesta secção do nosso blog...

18.11.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Na primeiríssima edição desta rubrica, falámos um pouco sobre os 'Tazos', talvez o brinde alimentício mais recordado e nostálgico dos anos 90; hoje, falamos finalmente da 'febre' que lhes sucedeu, e que atingiu níveis de sucesso quase (QUASE) semelhantes, embora se tenha afirmado como menos icónica a longo prazo.

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Falamos das Matutolas, pequenas figuras de plástico sólido ou translúcido em forma de cabeça (ou se quiserem, 'tola') que, tal como os seus antecessores, fomentavam não só a vertente coleccionista inerente a qualquer criança, mas também a veia competitiva existente dentro dela. Isto porque, como os 'Tazos', as Tolas eram, ao mesmo tempo, objectos de colecção e peças de jogo, destinadas a serem apostadas, ganhas e perdidas nos recreios e pátios por esse Portugal afora – objectivo esse que, previsivelmente, foi mais do que confortavelmente atingido.

Tão-pouco era este o único ponto em comum entre as Tolas e a colecção que lhes antecedera; as próprias regras de como jogas Matutolas eram muito semelhantes às do jogo dos 'Tazos', ainda que esta variante se desenrolasse numa perspectiva vertical, ao invés de horizontal. Como nos 'Tazos', cada jogador apostava as suas Tolas, no caso colocando-as em pé, lado a lado, sobre uma superfície plana; cada participante utilizava, então, outra Tola para tentar derrubar o maior número possível de peças em jogo, passando (ou voltando) cada peça derrubada a ser pertença desse jogador.

Um jogo, no mínimo, tão viciante como o dos 'Tazos', e que veio preencher o 'vazio' que o fim dessa colecção havia deixado no instinto coleccionador das crianças portuguesas – pelo que não é de admirar que a recepção e expansão do mesmo tenham sido tão rápidas, e praticamente tão abrangentes, como as dos seus antecessores. No ano após o fim dos 'Tazos', não havia criança portuguesa que não coleccionasse, trocasse e apostasse as pequenas cabeças grotescas da Matutano com os amigos, e que não tivesse em casa um qualquer recipiente (fosse um Portatolas oficial ou simplesmente um qualquer tubo ou 'tupperware') recheado com as suas várias aquisições, muitas delas com falhas à laia de 'cicatrizes de batalha' (as Tolas de plástico translúcido, em particular) rachavam-se com surpreendente facilidade, e haverá decerto muito poucas que tenham sobrevivido inteiras até aos dias de hoje.)

Menos popular seria a inexplicável caderneta de autocolantes (?!) que servia função dupla como livro de regras - como se um jogo de recreio necessitasse de regras oficiais escritas num livro de instruções...

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Os tubos de transporte 'Portatolas' e a inexplicável caderneta

Um último ponto em comum entre as Tolas e os 'Tazos' prendia-se com o facto de, também aqui, existirem modelos não ligados à Matutano, facilmente adquiríveis se se soubesse onde procurar, e muitas vezes mais esteticamente cuidadas que as próprias originais; no entanto, ao contrário do que acontecia com os 'Tazos', as Tolas 'falsas' eram tão bem acabadas que acabavam por ser poucos os jogadores que não as aceitassem como 'moeda de aposta' em meio às oficiais – o que, simultaneamente, facilitava sobremaneira a vida a quem não tinha por hábito (ou não era autorizado a) comer batatas fritas.

gogos-crazy-bones-nostalgia-anos-90-matutolas.jpgUm pacote de Matutolas 'não-oficiais' - ou antes, de Go Go Crazy Bones, o conceito que havia sido adaptado e renomeado como Matutolas...

Em suma, uma moda que, embora algo derivativa da que a precedera, foi ainda assim uma das três maiores da Matutano durante aquela década - juntamente com os Tazos e os Pega-Monstros, vindo as Caveiras Luminosas ainda um pouco atrás em termos de nostalgia nos tempos que correm - que marcou época tanto quanto qualquer uma delas, e que, como elas, acabou por conseguir lugar cativo no coração de muitas ex-crianças daquele tempo – embora as mesmas apenas tendam a lembrar-se dela após (e geralmente como consequência de) terem recordado os 'Tazos'...

06.11.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Em posts recentes nesta mesma rubrica, falámos das cordas de saltar e dos jogos infantis de rua; hoje, vamos falar de uma actividade que se inseria aproximadamente na intersecção destes dois 'vectores' de brincadeira, e que constituiu uma verdadeira 'febre' entre as crianças dos anos 90, sobretudo as raparigas – o jogo do elástico.

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Sim, o jogo do elástico – aquela brincadeira que consistia em fazer passar um pedaço de elástico ou tecido, de forma oval, pela parte anterior das pernas de duas crianças colocadas frente a frente, de modo a que este ficasse preso e retesado entre as mesmas, permitindo a uma terceira criança demonstrar a sua destreza e coordenação motora através da execução de verdadeiras 'coreografias' de saltos dentro, fora e por entre o referido elástico, que ia gradualmente sendo puxado cada vez mais acima das pernas dos participantes, aumentando assim o nível de dificuldade dos saltos.

Dito desta forma até parece complicado – fazendo até lembrar aqueles manuais de instruções que tornavam um processo perfeitamente simples em algo desnecessariamente rebuscado e detalhado – mas, na prática, esta era daquelas brincadeiras em que o princípio era tão simples quanto as regras, sendo estas transmitidas, sobretudo, por via oral, ou por experiência. Por outras palavras, nunca ninguém teve de ser ensinado a jogar ao elástico – embora houvesse, sim, quem precisasse de ser ensinado a melhorar a sua técnica, de modo a conseguir competir com os maiores 'craques' do recreio ou do bairro.

E a verdade é que, apesar de simples, o jogo do elástico era tudo menos fácil, sobretudo para quem não tinha grande coordenação motora (acreditem, quem vos escreve sabe do que fala), sobretudo porque requeria mais prática e maior habilidade do que o seu 'parente' mais próximo, o jogo da corda. E embora num jogo de elástico ninguém arriscasse apanhar com uma corda em tensão na cabeça, havia sempre o risco de tropeçar e ir 'de cara ao chão' – ou, pior ainda, de traseiro...

Talvez por isso este jogo atraísse sobretudo o público feminino, tradicionalmente menos preocupado com questões de orgulho ou reputação, bem como mais tolerante a erros e curvas de aprendizagem; fosse qual fosse a razão, no entanto, não há como negar que o rácio de rapazes que jogava ao elástico era extremamente reduzido, sendo este desde sempre considerado um jogo 'de meninas' - a ponto de na popular série 'Squid Game', da Netflix, ser o principal exemplo dado sempre que a utilidade de ter uma mulher na equipa é trazida à baila.

Infelizmente, este é daqueles jogos que, desde a sua época áurea em finais do segundo milénio, tem gradualmente vindo a desaparecer dos recreios, pátios e jardins do nosso país; e dizemos 'infelizmente' por se tratar de uma brincadeira não só tradicional, mas que também ajuda com o desenvolvimento da coordenação motora, destreza e reflexos. Resta esperar que uma qualquer Nintendo desta vida lance um jogo de 'elástico virtual' - talvez como parte de um pacote de 'fitness' ao estilo Wii Sports – para que a nova geração possa, pelo menos parcialmente, re-descobrir este clássico dos recreios portugueses no tempo dos seus pais...

24.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sábado, 23 de Outubro de 2021.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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Qualquer criança que interaja pelo menos uma vez com um grupo da sua faixa etária adquire conhecimentos e herda tradições que ninguém sabe muito bem de onde vieram, nem como foram perpetuados, mas que toda a gente sabe como funcionam; e nenhum exemplo ilustra melhor este fenómeno do que os jogos infantis, nomeadamente os disputados na rua, que se afirmam como verdadeiros estudos de caso no que toca à transmissão de conhecimentos adquiridos entre as crianças.

Quer o futebol de rua, nas suas diferentes permutações – 'baliza a baliza', 'toques'. 'todos contra todos', fintas, penalties – quer os jogos mais convencionais, como a 'Macaca', 'Mamã Dá Licença', 'Barra do Lenço', 'Estátuas', 'Macaquinho do Chinês', elástico, corda, futebol humano, apanhada ou escondidas, são brincadeiras que qualquer criança, de qualquer época, soube e sabe jogar, sem precisar de ser ensinada. Sim, as regras podem por vezes variar – levando a situações de algum desconforto quando se joga com um grupo diferente do habitual e as regras a que estamos habituados passam a ser consideradas 'batota' – mas a essência da brincadeira permanece a mesma, e é conhecida e compreendida sem ser necessária qualquer explicação.

No futebol, por exemplo, podem ou não valer 'bujas', mas o jogador mais fraco continua a ir à defesa, e o mais gordo à baliza; na apanhada ou escondidas, a récita a declamar à chegada ao 'coito' pode variar, mas a acção de bater com a mão no local designado antes de quem está a apanhar continua a dar ao jogador o direito de 'salvar todos', e iniciar uma nova ronda de jogo. Estas são convenções ancestrais, já observadas pelos nossos pais ou avós, e que continuarão certamente a ser observadas pelas gerações vindouras – isto, claro, se todas estas brincadeiras não se tornarem, entretanto, estritamente virtuais...

Seja qual for o futuro destes jogos, no entanto, restam algumas certezas; por um lado, que os mesmos se continuarão a afirmar como estudos de caso para a transmissão inata e oral de tradições e conhecimentos inatos, e por outro, que nada conseguirá apagar a memória de muitos bons momentos vividos em disputas renhidas de um ou vários dos mesmos, fosse durante o recreio, no bairro após a escola ou, sim, durante um Sábado aos Saltos...

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