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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

21.08.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E numa altura em que se avança a passos rápidos para o fim do Verão, nada melhor do que aproveitar o calor que ainda se faz sentir com umas idas até à praia, ao bom estilo ‘puto dos anos 90’. Ou seja: com as forminhas, as raquetes, as belas das sanduíches, e dinheiro no bolso para uma bola de Berlim ou língua-da-sogra. O ponto de encontro é debaixo da Bola Nivea da Praia dos Pescadores, OK?

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Uma praia da Costa da Caparica, Lisboa, nos anos 90, com a tradicional 'bola Nivea' ao centro.

Agora a sério, a experiência de ir à praia enquanto criança não mudou assim tanto nos últimos trinta anos; continua a envolver areia – areia nos pés, nas toalhas, nos calções, no cabelo – água (para tomar umas belas ‘banhocas’ e dar uns ainda melhores mergulhos) bolos e sanduíches à sombra do guarda-sol, brincadeiras com os amigos (ou conversa até anoitecer, no caso dos mais velhos) e aquela sensação de cansaço bom, na volta, que faz adormecer ainda no carro ou na camioneta. Ou seja, todas as peças fundamentais do ‘bolo’ estão lá – o que muda são apenas os enfeites.

Isto porque algumas das principais diversões infantis dos anos 90 caíram um pouco no esquecimento – ou antes, no desuso – nas últimas décadas. Enquanto os jogos de bola ou a construção de castelos de areia ou ‘fossos’ mesmo junto ao mar (que rapidamente se enchem, claro) continuam a ser focos de interesse para os banhistas mais novos, alguns dos apetrechos mais comuns nas praias portuguesas dos anos 90 - as pranchas de bodyboard de tamanho e grafismo infantil, por exemplo, ou os colchões flutuadores, ou ainda as barbatanas e óculos de mergulho para ver debaixo das ondas – desapareceram quase por completo da beira-mar, vivendo, hoje em dia, apenas na memória dos pais e mães das crianças que hoje correm, de peito mais ou menos feito, para a água. Até mesmo as famosas raquetes parecem, hoje em dia, ter significativamente menos praticantes…

Ainda assim, como o regresso da Bola Nivea às praias da Costa da Caparica, em Lisboa parece indicar, existe ainda grande nostalgia por aqueles tempos inesquecíveis, em que cada ida à praia era uma experiência inesquecível, que ajudava a ‘fazer’ o Verão…

Um dia típico numa praia portuguesa dos anos 90, com os cumprimentos do YouTube.

 

19.08.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E numa altura em que o assunto do dia é a retirada das cafetarias das escolas de certos ‘clássicos’ (os pães com chouriço) e outros produtos que nunca nenhum bar de escola teve (se a vossa escola servia pizzas, tiveram mais sorte do que nós...) nada melhor do que prestar homenagem a esses indispensáveis espaços, tal como eles eram na ‘nossa’ década – verdadeiros repositórios de tudo o que era apetecível para as crianças em termos de comida, desde os clássicos bolos (poucos outros países rivalizam com Portugal nesse aspecto) passando por snacks tradicionais como os Bollycaos ou as batatas fritas, até guloseimas como chocolates, pastilhas elásticas ou chupa-chupas, ou ofertas um pouco mais elaboradas, como as sandes de ovo, os rissóis ou os referidos pães com chouriço) isto sem, claro, esquecer os sumos e refrigerantes).

Em suma, qualquer que fosse a opinião de um jovem sobre o que se devia ou não comer no intervalo, era (quase) certo e sabido que o encontraria no bar ou cafetaria da escola; só não havia mesmo sanduíches feitas em casa pela Mãe…

É, assim, mais que merecida esta nossa homenagem a esses espaços que alimentaram milhões de crianças durante toda uma década, fornecendo-lhes sempre aquilo de que elas mais gostavam. Por isso, o nosso obrigado, cafetarias de escola!

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30.05.21

NOTA: Este post corresponde a Sábado, 29 de Maio de 2021.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E porque o tempo já vai aquecendo e o sol pede para ser aproveitado, falaremos hoje de um dos grandes ‘rituais’ de infância, tanto nos anos 90 como ainda hoje: a ida ao café.

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Em criança, antes de o nosso sistema ser ‘treinado’ para associar esplanadas e pastelarias ao consumo de café ou cerveja, uma visita a um destes espaços – normalmente na companhia dos pais – significava uma coisa, e uma coisa apenas: um bolo. Podia haver alguns atractivos extra, fossem eles um sumo, uma pastilha elástica ou ‘chupa’, um pacote de batatas fritas ou cigarros de chocolate (quando ainda os havia), uma oportunidade de ajudar os pais com o Totoloto ou Totobola, ou simplesmente um golo do café ou um pouco de espuma da cerveja dos adultos; no entanto, para nós, estes eram apenas complementos para a verdadeira peça central, sem a qual a experiência não ficava completa. Uma criança que estivesse sentada numa esplanada e não tivesse à sua frente um pão de leite, arrufada, queque, bola de Berlim, ‘croissant’, bolo de arroz ou até mesmo um Bollycao, sentia que faltava algo naquele passeio – algo que era, de imediato, sanado, assim que um dos produtos atrás elencados, ou outro equivalente, lhes aparecesse na mesa. Prazeres simples, mas que muitos de nós continuamos a apreciar vinte ou trinta anos depois (por aqui, a perdição é por ‘croissants’ com creme, bolas de Berlim bolo xadrez ou torta de laranja, por esta ordem.)

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Confessem lá - ainda hoje a experiência de ir tomar café não fica completa antes deste momento...

Mais tarde, já adolescentes, a ida ao café tomava toda uma nova dimensão. Uma saída deste tipo era, agora, uma oportunidade de conviver com os amigos e vivenciar a mesma experiência de sempre de uma perspectiva ‘de gente grande’ (quem se esquece da primeira ‘bica’ tomada à frente dos pares?) Os ‘chupas’, batatas fritas, pastilhas, sumos e sobretudo os bolos continuavam presentes (só os cigarros já não eram de chocolate), mas deixava de ser necessário pedir autorização, ou depender da vontade dos adultos sobre quando e onde os comprar. A ida ao café, nos tempos do secundário, era um ritual de passagem à vida adulta, complementar a tantos outros que se experienciavam durante esses anos formativos – e bastante mais prazeroso do que a maioria deles.

Conforme se referiu anteriormente, este não é exactamente um ritual que tenha passado de moda, ou cujas características tenham mudado significativamente desde aquele tempo; não é por isso, no entanto, que ela deve deixar de ser recordada como parte integrante (e marcante) da infância de qualquer criança portuguesa dos anos 90 – ou de outra década qualquer. Fica aqui, assim, a nossa pequena homenagem a uma saída que – tal como a ida ao jardim ou ao parque infantil que relembrámos nas últimas edições desta rubrica – pode a princípio parecer insignificante, mas acaba por se revelar bem merecedora da nostalgia de toda uma geração.

 

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