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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.03.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos o fascínio que a juventude da década de 90 nutria pelos desportos radicais – perfeitamente ilustrada pelo sucesso não só de meios de locomoção como o skate, os patins em linha ou a BMX, mas também pelo sucesso do primeiro programa nacional inteiramente dedicado a este tipo de modalidade, o lendário Portugal Radical, que teve inclusivamente direito a uma versão em revista e a CD's de banda sonora lançados pelas principais editoras discográficas portuguesas.

Os desportos praticados na água não ficavam, de todo, de fora deste leque – antes pelo contrário, o 'surf', o 'bodyboard' e os seus 'parentes' menos famosos eram tão ou mais aliciantes para os jovens portugueses de finais do século XX e inícios do seguinte como qualquer dos desportos 'terrestres', como o demonstra a popularidade de toda e qualquer  marca de vestuário alusiva a esse tipo de modalidade. Mais - ao passo que estes se tinham de contentar com 'clipes' no Portugal Radical e um ou outro jogo para PlayStation ou Nintendo 64 como forma de se 'mostrarem' ao público-alvo nacional, os desportos aquáticos gozavam, cada um, de várias publicações especializadas, exclusivamente dedicadas a noticiar os mais recentes desenvolvimentos e eventos no seio de cada modalidade.

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No caso do 'surf', essa tarefa cabia, durante os anos 90, à Surf Magazine, uma daquelas publicações cujo conteúdo ficava bem explícito logo a partir do título: eram páginas atrás de páginas dedicadas à divulgação de novas pranchas, cobertura de eventos especializados, apresentação do perfil de alguns dos principais nomes da modalidade, e, claro, os inevitáveis concursos, ainda e sempre parte integrante de qualquer publicação comercial. Com um grafismo estranhamente sóbrio para uma publicação dedicada ao 'surf' e lançada em inícios de 90 – quando imperavam, na sociedade em geral, os padrões chamativos e cheios de contrastes entre cores pastel e 'neon' de fazer doer os olhos – a Surf afirmava-se, desde logo, como uma publicação sóbria, que tratava tanto os praticantes como os adeptos deste desporto de forma séria, e que não descurava a cobertura de outros elementos culturais populares entre a sua demografia-alvo, como a música; talvez por isso a publicação tenha conseguido ultrapassar a marca da década e meia de vida nas bancas, do seu lançamento em 1987 até à eventual extinção em 2003.

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Edição de 1992 da Surf Portugal, ainda com o grafismo mais vibrante

Por muito impressionante que essa marca fosse, no entanto – e era – outra ainda mais admirável foi estabelecida pela principal 'concorrente' da Surf Magazine nas bancas noventistas, a Surf Portugal. De conteúdo muito semelhante à da 'rival' (não é, afinal de contas, possível expandir muito sobre o conceito de uma única modalidade desportiva) esta publicação terá, presumivelmente, encetado com a Surf Magazine uma relação semelhante à que, no final da década, se verificaria no mundo da imprensa de jogos de vídeo, com as famosas Mega Score e BGamer – sendo que a 'Surf Portugal' tinha o atractivo extra de, nos primeiros anos, ter lançado calendários anuais, que os fãs da modalidade certamente apreciariam poder ter na parede.

De destacar, ainda, o grafismo mais 'radical' dos primeiros anos desta revista – mais na linha do que se esperaria, tendo em conta o tema e o público-alvo – o qual rapidamente se transmutaria em algo bem mais sóbrio e adulto, presumivelmente como forma de ser levada mais 'a sério', ou apenas de competir com a rival. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que esta abordagem claramente resultou, levando a quase três décadas de publicação ininterrupta – uma marca impensável para a maioria das revistas especializadas, e ainda mais para as que versam sobre interesses 'de nicho'.

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Número de 1993, já com o grafismo mais sóbrio

No final desta análise, fica a sensação de que, entre elas, as duas revistas de surf portuguesas terão feito as delícias dos adeptos da modalidade, que certamente apreciariam a possibilidade de escolher entre duas fontes de informação sobre o seu desporto favorito.

Não era apenas o 'surf' que tinha direito a representação nos quiosques e tabacarias nacionais, no entanto; o 'irmão pequeno' desta modalidade, o 'bodyboard', também contava com mais do que uma publicação disponível durante a época a que este texto respeita.

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Exemplo dos diversos grafismos da Vert magazine ao longo das décadas

Destas, a mais famosa era a ainda resistente Vert Magazine, a auto-proclamada 'Bíblia do bodyboard nacional', que continua até hoje a servir como elo de ligação entre os membros da 'triBBo' e a sua modalidade de eleição, apresentando toda a gama de artigos acima discutidos aquando da análise às publicações de 'surf' e – como estas – assentando num grafismo sóbrio e abordagem séria à modalidade, que qualquer entusiasta certamente apreciará – um facto, aliás, corroborado pela longevidade da revista, cujo ciclo de publicação caminha também já a passos largos para as três décadas.

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Como acontecia no caso do 'surf', também a referência do 'bodyboard' nacional tinha, na década em causa, concorrência à altura, sob a forma da explicitamente intitulada Body Board Portugal. De conteúdo bastante semelhante ao da rival – como também acontecia com as duas publicações dedicadas ao 'surf' - esta revista destaca-se, no entanto, por ser a única a aderir (ainda que apenas ocasionalmente) aos 'clichés' visuais normalmente associados aos desportos radicais da época – como o comprova a caveira demoníaca e puramente 'heavy metal' que se afadiga a tentar engolir o logotipo da capa do número da revista que abaixo reproduzimos... Ainda assim, tais ocorrências pautavam-se por excepções, sendo o grafismo, no cômputo geral, tão discreto como o de qualquer das outras revistas de que aqui falámos nos parágrafos anteriores.

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Em suma, os adeptos de 'surf' e 'bodyboard' dos anos 80, 90 e 2000 tinham, no que toca a publicações especializadas, tantas e tão boas opções como os entusiastas de carros ou motociclos – e mais do que os da maioria dos outros 'hobbies', como por exemplo a música. Uma situação, aliás, que se manteve no novo milénio, com o aparecimento de ainda mais publicações alusivas a estas duas modalidades – algumas, aliás, ainda existentes - embora nenhuma tão longeva quanto as analisadas neste post; ainda assim, mais uma prova de que a referida era foi mesmo a época de ouro dos desportos radicais...

21.08.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E numa altura em que se avança a passos rápidos para o fim do Verão, nada melhor do que aproveitar o calor que ainda se faz sentir com umas idas até à praia, ao bom estilo ‘puto dos anos 90’. Ou seja: com as forminhas, as raquetes, as belas das sanduíches, e dinheiro no bolso para uma bola de Berlim ou língua-da-sogra. O ponto de encontro é debaixo da Bola Nivea da Praia dos Pescadores, OK?

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Uma praia da Costa da Caparica, Lisboa, nos anos 90, com a tradicional 'bola Nivea' ao centro.

Agora a sério, a experiência de ir à praia enquanto criança não mudou assim tanto nos últimos trinta anos; continua a envolver areia – areia nos pés, nas toalhas, nos calções, no cabelo – água (para tomar umas belas ‘banhocas’ e dar uns ainda melhores mergulhos) bolos e sanduíches à sombra do guarda-sol, brincadeiras com os amigos (ou conversa até anoitecer, no caso dos mais velhos) e aquela sensação de cansaço bom, na volta, que faz adormecer ainda no carro ou na camioneta. Ou seja, todas as peças fundamentais do ‘bolo’ estão lá – o que muda são apenas os enfeites.

Isto porque algumas das principais diversões infantis dos anos 90 caíram um pouco no esquecimento – ou antes, no desuso – nas últimas décadas. Enquanto os jogos de bola ou a construção de castelos de areia ou ‘fossos’ mesmo junto ao mar (que rapidamente se enchem, claro) continuam a ser focos de interesse para os banhistas mais novos, alguns dos apetrechos mais comuns nas praias portuguesas dos anos 90 - as pranchas de bodyboard de tamanho e grafismo infantil, por exemplo, ou os colchões flutuadores, ou ainda as barbatanas e óculos de mergulho para ver debaixo das ondas – desapareceram quase por completo da beira-mar, vivendo, hoje em dia, apenas na memória dos pais e mães das crianças que hoje correm, de peito mais ou menos feito, para a água. Até mesmo as famosas raquetes parecem, hoje em dia, ter significativamente menos praticantes…

Ainda assim, como o regresso da Bola Nivea às praias da Costa da Caparica, em Lisboa parece indicar, existe ainda grande nostalgia por aqueles tempos inesquecíveis, em que cada ida à praia era uma experiência inesquecível, que ajudava a ‘fazer’ o Verão…

Um dia típico numa praia portuguesa dos anos 90, com os cumprimentos do YouTube.

 

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