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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.12.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

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A época natalícia não se resumia, para um jovem dos anos 90, apenas ao dia e às festividades que o rodeavam; para as crianças daquele tempo, o Natal começava bem mais cedo – com a recepção do primeiro catálogo de brinquedos na caixa do correio – e englobava uma série de momentos absolutamente mágicos, dos quais temos vindo a falar ao longo deste mês: a última semana de aulas antes das férias de Natal, a saída para ver as iluminações e, claro, a ida ao hipermercado ou 'shopping' para ver, ao vivo e a cores, os brinquedos cobiçados e avidamente assinalados no referido catálogo.

Já aqui falámos, numa ocasião anterior, do 'frisson' que era ir ao hipermercado, numa altura em que os mesmos estavam, ainda, nas primeiras etapas da sua penetração em Portugal, e confinados sobretudo às duas maiores cidades; no entanto, qualquer ex-criança que tenha visitado um destes espaços na altura do Natal certamente se recordará da dimensão extra que tal visita acarretava, e concordará que a mesma merece o seu próprio post separado.

O elemento que tornava esta experiência ainda mais mágica no mês de Dezembro é fácil de identificar, e ainda mais fácil de explicar – a visão daqueles múltiplos corredores repletos apenas e só de brinquedos era suficiente para fazer subir os níveis de adrenalina de qualquer criança, e dar asas a sonhos de ter todos e cada um daqueles produtos debaixo da árvore no dia 25. Para alguém cuja visão do Mundo era ainda 'à escala', as prateleiras de bonecas, figuras de acção, carros telecomandados, peluches, jogos, consolas ou artigos electrónicos – as quais ocupavam, cada uma, todo um corredor da loja – pareciam esticar-se até ao tecto, oferecendo uma variedade assoberbadora de escolhas que tornava ainda mais difícil escolher apenas um ou dois presentes para receber do Pai Natal; e para além dos brinquedos propriamente ditos, havia ainda as bicicletas, os skates, os patins, as motas e carros eléctricos, as bolas, os vídeos de desenhos animados, e toda uma imensidão de outros artigos de particular interesse para a demografia infanto-juvenil, que dificultavam ainda mais a tarefa, e faziam com que esta fosse uma visita que se queria o mais prolongada possível, para ter tempo de ver e vivenciar tudo o que o espaço tinha para oferecer – incluindo, com sorte, uma visita à 'Gruta do Pai Natal', para falar com o velhote em pessoa (ou com um dos seus assistentes, dependendo do que os pais nos diziam.)

Hoje em dia, a experiência de ir ao hipermercado tornou-se algo mais corriqueira, o que, aliado ao facto de os brinquedos serem cada vez mais electrónicos, e de coisas como os jogos de tabuleiro terem caído em desuso, torna a visita por altura do Natal algo menos mágica do que o era nos 'nossos' anos 90; que o diga quem lá esteve, e se imaginou perdido entre aquelas prateleiras infinitas de brinquedos, e com acesso ilimitado a todos eles...

24.11.21

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Encontramo-nos, novamente, na altura do ano em que se aproxima a passos largos a época natalícia. Por todo o lado, começam a acender-se iluminações e a aparecerem Pais Natais nas montras do comércio local – e, como tal, nada melhor do que recordar uma tradição que nunca deixava de entusiasmar a criança média portuguesa criada em finais do século XX e inícios do Terceiro Milénio: a chegada às caixas de correio dos catálogos de Natal.

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Exemplo moderno de um clássico catálogo de Natal, ao estilo dos que recebíamos em casa nos anos 90

Inevitavelmente distribuídos por esta altura do ano a lares de Norte a Sul do País, da parte de todas as principais grandes superfícies, e quase tão inescapáveis e representativos da época natalícia como a transmissão de 'Mary Poppins' ou 'Sozinho em Casa', estes catálogos eram, para as crianças daquele tempo, o equivalente do que um super-saldo 'Black Friday' numa loja 'online' é hoje em dia para um adulto: um repositório de sonhos, de possibilidades infinitas ali mesmo ao alcance da mão – ou melhor, de uma visita ao supermercado ou hipermercado mais próximo. De brinquedos para recém-nascidos a bonecas (fossem Barbies ou Nenucos), figuras de acção e respectivas 'moradias', carros telecomandados, jogos de tabuleiro e computador, consolas, peluches, bicicletas, artigos de desporto e mil e um outros produtos de interesse directo para a faixa etária em causa, estes folhetos punham diante dos seus destinatários tudo aquilo que eles alguma vez pudessem desejar – e até alguns artigos que os mesmos não sabiam que queriam até os verem nas páginas do catálogo, o que no fundo era o objectivo declarado de todas e cada uma destas publicações.

Ainda assim, e apesar da vertente abertamente comercial, estes catálogos estavam sempre entre os folhetos mais cuidados e criativos do ano, com a competição entre os diferentes retalhistas a motivar a criação de verdadeiras obras de arte da publicidade física, dos quais o exemplo máximo talvez fossem os invariavelmente magníficos catálogos da Toys'R'Us, capazes de fazer qualquer 'puto' sonhar, e de quase o colocar ali, em meio a todos aqueles brinquedos, a partilhar alegres brincadeiras com aquelas crianças felizes que lhe sorriam da página...

Em suma, o prazer de folhear um catálogo de Natal e assinalar os presentes desejados, na esperança que um deles nos aparecesse debaixo da árvore, é só mais uma das muitas experiências que dá pena não poder recriar para a nova geração, para que também eles possam sentir o que nós sentíamos, naqueles idos anos 90, sempre que se aproximava o mês de Dezembro e a caixa do correio se enchia de folhetos de múltiplas páginas exclusivamente dedicados a brinquedos...

10.04.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E se no primeiro episódio desta rubrica falámos dos patins em linha, hoje vamos falar de outro equipamento, não menos popular entre as crianças da época: a bicicleta BMX.

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Os anos 90 – não só em Portugal como em outros países, como o Brasil – foram uma época estranha para estas bicicletas de rodas pequenas e guiador alto. Isto porque, enquanto que em outras décadas este tipo de veículo ficava mais ou menos restrito ao mundo dos desportos radicais, durante os anos 90, o mesmo tornou-se quase o padrão de bicicleta para crianças de uma certa idade – nomeadamente, aquelas que já eram muito grandes para bicicletas infantis, e não eram ainda grandes o suficiente para ‘biclas’ de montanha, as chamadas BTT. Enquanto que hoje em dia vemos crianças em idade de instrução primária ou preparatória já montadas em bicicletas quase maiores do que elas, naquele tempo, a bicicleta BMX servia como uma espécie de etapa ou degrau intermédio, que ganhava pontos extra entre a miudagem por ter uma aura desejável e ‘fixe’ - à conta da referida associação aos desportos radicais, que estavam na altura em alta entre os jovens portugueses, mas também dos seus designs atraentes e cores arrojadas. Assim, onde hoje se vêm BTTs, viam-se, na altura, muitas BMX, a maioria pilotada por crianças e adolescentes entre os 8 e os 14-15 anos.

Um facto curioso em relação a estas bicicletas, e potencial motivo de orgulho para os ‘putos’ portugueses daquele tempo, prende-se com o facto de vários dos mais populares modelos de BMX serem feitas no nosso país. As marcas Esmaltina e Orbita, duas das mais populares entre os miúdos dos 90s, eram de fabrico cem por cento nacional, tendo ambas as marcas um elevado padrão de qualidade que as colocava entre as melhores disponíveis no setor na época. O facto de estas marcas estarem disponíveis não só em lojas de bicicletas, mas também em hipermercados e grandes superfícies – sendo mesmo a presença deste tipo de produtos uma das principais e mais excitantes novidades desse tipo de espaços – também assegurava que estas bicicletas de alta qualidade mas preço mais ou menos acessível estava facilmente disponível a quase todas as crianças portuguesas, garantindo assim vendas e popularidade para ambos os fabricantes.

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Um dos modelos da Órbita da época

Conforme referido acima, com o passar dos anos, a popularidade das bicicletas tipo BMX foi decaindo, ao ponto de hoje em dia as mesmas se encontrarem, novamente, restritas ao nicho de praticantes de desportos radicais. No entanto, durante um breve período em finais do século XX e inícios do XXI, este tipo de veículos foi parte integrante da infância de muitas crianças, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, tendo mesmo chegado a inspirar o lançamento de videojogos baseados no seu uso. Justifica-se, portanto, a sua presença nas páginas deste blog, ao lado de outros ‘fads’ de exterior daquele tempo, como os referidos patins em linha ou ainda os carros elétricos, de que também falaremos aqui paulatinamente.

Para já, no entanto, a praça é vossa – venham de lá essas memórias sobre a ‘bicla’ da infância, ou sobre aquela que queriam ter e nunca tiveram. Da nossa parte, fica a memória de muitas e boas horas passadas ao selim do modelo cá de casa, uma Orbita vermelha e amarela, que ainda existe, e que por cá continua, à espera de novos ‘vôos’…

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Não era esta, mas quase... (crédito da imagem: Ciclovintage)

 

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