04.02.26
A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
Apesar de apenas ter penetrado 'oficialmente' o mercado no ano anterior, a Abril-Controljornal era já, em 1996, presença monopolista e inescapável no panorama dos 'quadradinhos' de super-heróis editados em Portugal. Com posse dos direitos quer da Marvel, quer da DC, a editora 'inundava' as bancas e quiosques nacionais com títulos para todos os gostos, de ambas as editoras, e garantia também, com naturalidade, a exclusividade de lançamento de especiais, adaptações de filmes e séries, e histórias com dimensão de 'evento', as quais recebiam, via de regra, um tratamento algo mais distinto e luxuoso do que as comuns edições mensais. E se, do lado da DC, aquela segunda metade da década de 90 via serem lançadas sagas como 'Zero Hora' e 'A Morte do Super-Homem', da parte da Marvel, um evento dominava as atenções dos bedéfilos lusitanos: o casamento do Homem-Aranha, o qual tinha honras de edição dupla (com lombada) apesar de longe do cuidado dado aos eventos da DC.

Ainda assim, o lançamento em causa tinha, para os fãs do aracnídeo, significado suficiente para justificar a 'romaria' às bancas em busca deste volume que tanto mudava – sem que muitos dos mesmos soubessem tratar-se de uma história já com quase uma década de existência, originalmente publicada nos EUA em 1987, e que, como tal, destoava da linha cronológica das edições mensais da Abril, cujas histórias datavam, à época, de inícios dos anos 90. Nada que incomodasse os totalmente 'alheios' fãs de Peter Parker, cujo único interesse era celebrar, finalmente, a união do seu herói com Mary Jane Watson – embora, claro, o evento não fosse totalmente livre de complicações, ou não fosse esta uma história de super-heróis.
O cariz especial desta edição ficava ainda mais patente no facto de, após o seu lançamento, a Abril ter retomado a cronologia que vinha seguindo até então, fazendo deste volume um 'caso à parte' – um daqueles lançamentos especiais que ocupavam o seu próprio nicho no catálogo da editora, e em que o ramo Disney da Abril portuguesa era pródigo à época. Uma característica que apenas ajudava a tornar esta edição ainda mais digna de nota, e indubitavelmente merecedora destas linhas, no ano em que se completam três décadas sobre a sua edição no mercado nacional.

Capa das duas únicas edições da série lançadas em Portugal. (Crédito das fotos: 














