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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

04.02.26

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de apenas ter penetrado 'oficialmente' o mercado no ano anterior, a Abril-Controljornal era já, em 1996, presença monopolista e inescapável no panorama dos 'quadradinhos' de super-heróis editados em Portugal. Com posse dos direitos quer da Marvel, quer da DC, a editora 'inundava' as bancas e quiosques nacionais com títulos para todos os gostos, de ambas as editoras, e garantia também, com naturalidade, a exclusividade de lançamento de especiais, adaptações de filmes e séries, e histórias com dimensão de 'evento', as quais recebiam, via de regra, um tratamento algo mais distinto e luxuoso do que as comuns edições mensais. E se, do lado da DC, aquela segunda metade da década de 90 via serem lançadas sagas como 'Zero Hora' e 'A Morte do Super-Homem', da parte da Marvel, um evento dominava as atenções dos bedéfilos lusitanos: o casamento do Homem-Aranha, o qual tinha honras de edição dupla (com lombada) apesar de longe do cuidado dado aos eventos da DC.

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Ainda assim, o lançamento em causa tinha, para os fãs do aracnídeo, significado suficiente para justificar a 'romaria' às bancas em busca deste volume que tanto mudava – sem que muitos dos mesmos soubessem tratar-se de uma história já com quase uma década de existência, originalmente publicada nos EUA em 1987, e que, como tal, destoava da linha cronológica das edições mensais da Abril, cujas histórias datavam, à época, de inícios dos anos 90. Nada que incomodasse os totalmente 'alheios' fãs de Peter Parker, cujo único interesse era celebrar, finalmente, a união do seu herói com Mary Jane Watson – embora, claro, o evento não fosse totalmente livre de complicações, ou não fosse esta uma história de super-heróis.

O cariz especial desta edição ficava ainda mais patente no facto de, após o seu lançamento, a Abril ter retomado a cronologia que vinha seguindo até então, fazendo deste volume um 'caso à parte' – um daqueles lançamentos especiais que ocupavam o seu próprio nicho no catálogo da editora, e em que o ramo Disney da Abril portuguesa era pródigo à época. Uma característica que apenas ajudava a tornar esta edição ainda mais digna de nota, e indubitavelmente merecedora destas linhas, no ano em que se completam três décadas sobre a sua edição no mercado nacional.

21.01.26

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A hegemonia da Abril/Controljornal no tocante à edição de banda desenhada 'de quiosque' em Portugal – com o controlo total sobre lançamentos da Disney, Hanna-Barbera, Looney TunesMarvel e DC no mercado nacional, entre outras propriedades populares – já foi aqui sobejamente abordada em várias ocasiões, bem como a capacidade que a mesma outorgava à editora para correr riscos e 'testar as águas' com lançamentos únicos e séries limitadas, das quais tantas eram bem-sucedidas quantas falhavam redondamente ou ficavam a 'meio caminho'. É nesta última categoria que se insere a publicação de que falamos neste 'post', uma ideia perfeitamente válida e cheia de boas intenções, mas que acabou por não granjear em Portugal o sucesso que tivera além-mar.image.webpimage (2).webpCapa das duas únicas edições da série lançadas em Portugal. (Crédito das fotos: OLX)

De facto, enquanto que no Brasil 'Origens dos Super-Heróis Marvel' se traduziu em toda uma série de revistas, em Portugal, a publicação parece ter-se ficado pelos dois números (o segundo nem sequer chegou lá a casa na época, crendo o autor deste 'post' que se tratava de uma edição singular) lançados entre 1996 e 1997. E apesar de as razões por detrás desta interrupção prematura não serem claros, a verdade é que é difícil compreender como uma revista com uma premissa tão 'à prova de bala' não consegue singrar junto do seu público-alvo.

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Uma das histórias incluídas no primeiro volume. (Crédito das fotos: OLX)

Como o próprio nome sugere, os dois números de 'Origens' consistem, pura e simplesmente, de compêndios de histórias clássicas da Marvel, muitas delas inéditas em Portugal. Do regresso do Capitão América após décadas em criogenia à origem do Homem-Aranha ou ao casamento do Senhor Fantástico com a Mulher Invisível, são várias as BD's marcantes constantes de cada um dos volumes, um conceito que deveria ter feito as delícias dos fãs destes e de outros super-heróis – algo que, conforme já referimos, acabou por não suceder, por razões que se perdem nas 'brumas' do tempo. Quiçá a natureza algo 'palavrosa' das tramas clássicas não tivesse apelado ao público nacional, quiçá fosse uma questão de preço (o primeiro volume custava pouco mais de trezentos escudos, e o segundo quase quatrocentos, valores consideráveis para a permanentemente 'falida' juventude 'millennial') ou talvez se tratassem apenas de problemas editoriais; fosse qual fosse a razão, a verdade é que os dois volumes de 'Origens dos Super-Heróis Marvel' nunca chegaram a ter continuidade como sucedeu no Brasil (onde há registo de pelo menos seis volumes da série), sendo ambos hoje considerados relativamente raros.

Para quem os leu na altura, no entanto, ambos terão constituído uma 'novidade' relativamente excitante, oferecendo algo diferente das revistas mensais com histórias contemporâneas, e permitindo um então raro vislumbre dos 'primórdios' dos heróis que as protagonizavam – razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica devota à banda desenhada publicada em Portugal em finais do século XX.

09.01.26

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-Feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Janeiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das tirinhas de BD norte-americanas, presentes na vida de muitos jovens portugueses de fins dos anos 90 principalmente através de múltiplos álbuns publicados pelas mais diversas editoras, mas também, memoravelmente, nas páginas de muitos jornais e periódicos publicados em território nacional à época.

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O 'Público' albergou, durante anos, a mais famosa e icónica tirinha de BD de jornal em território nacional.

De facto, serão poucos os 'trintões' e 'quarentões' portugueses que não se lembrem de ler, nas páginas traseiras ou suplementos infantis do 'Público' ou dos dois 'Notícias', tirinhas de séries tão populares como 'Calvin & Hobbes' ou 'Zits', sem esquecer 'Cathy', presente semanalmente no suplemento de Sábado do 'Correio da Manhã'. Mais – a escolha de 'tirinhas' não se ficava pelos Estados Unidos, tendo muitos autores portugueses encontrado também o seu espaço nas páginas de jornais e revistas de finais do século XX; o exemplo mais famoso deste paradigma continua, aliás, a marcar presença diariamente no canto superior direito da página traseira do jornal 'A Bola', onde o eterno barbeiro ironiza sobre o assunto desportivo do dia com o seu sempre conivente cliente enquanto lhe faz a 'Barba e Cabelo'.

Apesar deste exemplo perene, e de outros surgidos durante os primeiros anos do século XXI – como os trabalhos do brasileiro Angeli na revista musical 'Rock Sound' – a presença de tiras de BD nos periódicos portugueses diminuiu abruptamente, e a pique, nas décadas subsequentes, sendo hoje praticamente nula. Quem viveu aqueles tempos há trinta anos atrás, no entanto, não pode evitar sentir alguma nostalgia pela presença dos 'amigos' Calvin & Hobbes, Jeremy ou Cathy na página do costume, oferecendo-lhes um 'cantinho' onde se 'resguardar' das temáticas adultas do resto do jornal...

14.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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Os três primeiros volumes publicados pela Planeta DeAgostini, no ano 2000.

À entrada para o Terceiro Milénio, a 'marca' 'Guerra das Estrelas' encontrava-se revitalizada, graças à estreia, no ano anterior, do primeiro filme original da série em mais de uma década e meia. De facto, apesar de 'Episódio I – A Ameaça Fantasma' ter dividido opiniões, a nova aventura da Ordem dos Jedi serviu, ainda assim, para apresentar 'Star Wars' a toda uma nova geração, e serviu como 'desculpa perfeita' para relançar a trilogia original de filmes em VHS e DVD, bem como para a criação de toda uma nova linha de 'merchandising', brindes e promoções alusiva à 'ópera espacial' de George Lucas, destinada não só ao comércio puro e duro, como também à expansão do 'universo alargado' da saga, um dos mais tradicionais aspectos ligados à mitologia da mesma.

Assim, foi sem surpresa que os mercados internacionais – incluindo o português – viram surgir um sem-número de novos produtos com a licença 'Guerra das Estrelas', e tão-pouco foi de espantar que, entre eles, se contasse uma grande variedade de livros e álbuns de banda desenhada. E se os romances, muito apreciados nos Estados Unidos, nunca chegariam a ser traduzidos (ao contrário do que se passara com outra grande propriedade intelectual de Lucas) as diversas histórias de banda desenhada da saga começariam a ser publicadas na Península Ibérica logo a partir desse ano de 2000, não pela então ainda ubíqua 'rainha dos quadradinhos' Abril-Controljornal (que publicara a primeira BD da franquia a surgir em Portugal, três anos antes), mas pela editora conhecida, sobretudo, pelas suas colecções em fascículos – a Planeta DeAgostini.

De facto, era a companhia espanhola quem se encarregava de colocar nas bancas ibéricas as 'novelas gráficas' do universo alargado de 'Star Wars', tendo, logo nesse ano, editado duas 'duplas' de livros, relativos às histórias 'O Fim do Infinito e 'Conselho Jedi', e uma aventura em volume único, 'Qui-Gon e Obi-Wan', todas as quais surgiam num formato que, então, apenas principiava a surgir em Portugal - em tamanho A4 e com capa plastificada e lombada, algures entre o 'livro aos quadradinhos' normal e os mais luxuosos álbuns a que tinha direito, por exemplo, a BD franco-belga. Esta dicotomia entre a edição 'popular' e algo mais sofisticado estendia-se, aliás, também ao interior, onde o papel e trabalho de impressão de grande qualidade eram algo 'prejudicados' por traduções ainda mais dúbias que as da Abril, por vezes quase como que adaptações directas do diálogo em Espanhol, com direito à pontuação característica daquela língua em certos balões!

Este aspecto menos cuidado contribuía, infelizmente, para prejudicar a qualidade global do produto, diminuindo o impacto daquelas que eram excelentes histórias de banda desenhada, sobretudo a nível do grafismo, e capazes de interessar e cativar não só os fãs existentes da saga, como também aqueles que começavam a dar os primeiros passos na descoberta da mesma. Nada, no entanto, que fizesse a Agostini mudar a sua estratégia, já que todos os álbuns subsequentemente publicados (e foram muitos!) apresentariam esse mesmo problema de tradução, ainda que o mesmo se tenha atenuado ao longo dos anos. Ainda assim, e apesar desse claro defeito, qualquer destas histórias de 'Star Wars' lançadas pela editora espanhola vale bem a descoberta, sobretudo no ano em que se completa um quarto de século desde o seu lançamento no mercado nacional. Fica a dica, tanto para os fãs de 'Star Wars' em específico, como de boa BD em geral.

29.10.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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Hoje em dia, o acto de comprar banda desenhada importada encontra-se, como tantos outros, trivializado, bastando encomendar os volumes desejados pela Internet, numa loja especializada ou até mesmo numa boa livraria – isto, claro está, para quem não queira partir 'à aventura' no quiosque de alfarrabista mais próximo. Tal facilidade e conforto pode, no entanto, fazer esquecer que, há um mero quarto de século, quem quisesse ler 'comics' americanos (ou, horror dos horrores, 'manga') estava à mercê do que conseguisse encontrar no quiosque ou tabacaria local, ou, quando muito, de uma tradução em francês, espanhol ou brasileiro de um qualquer volume japonês, tipicamente a preços exorbitantes.

De facto, apesar de álbuns de BD franco-belga serem relativamente fácil de adquirir em Portugal nas suas versões originais desde pelo menos os anos 70, para as bandas desenhadas americanas e japonesas de carácter serializado, esse processo apenas se deu já nos anos de viragem do Milénio, com a abertura das primeiras lojas especializadas e dedicadas à venda de BD em Portugal. Antes disso, era necessário possuir nas redondezas uma tabacaria com excelentes contactos entre os importadores, e mesmo essa apenas possuiria uma mão-cheia de titulos da Marvel, DC ou, com alguma sorte, da Image ou Archie Comics.

Os bedéfilos lusitanos que devoravam mensalmente a 'Wizard' brasileira (ou a 'sucedânea' nacional 'Heróis') ficavam, assim, em larga medida restritos à sua imaginação no que tocava aos potenciais conteúdos dos volumes ali abordados - até porque mesmo os poucos números que logravam transpôr o oceano o faziam a preços acima da média para a 'carteira' de um jovem português médio. Um paradigma que, partindo de algo específico e quase insignificante, serve como reflexo da enorme progressão vivida pela sociedade portuguesa no primeiro quarto do século XXI, não apenas a nível de periódicos ou lojas especializadas, mas da própria abertura ao restante Mundo ocidental e respectiva cultura – a qual, por vezes, pode ser transmitida por meio de algo tão singelo como um simples 'livro aos quadradinhos'.

19.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 e Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos a natureza salutar da imprensa periódica portuguesa em finais do século XX e inícios do seguinte. Para além da enorme variedade de jornais mais ou menos eruditos em oferta, o nosso País via também surgirem com regularidade revistas especializadas referentes aos mais diversos assuntos, quer criadas e editadas em solo nacional, quer importadas do estrangeiro, sobretudo dos mercados espanhol (pela proximidade) britânico (pela difusão e reputação) e, claro, brasileiro, cujas revistas, devido à língua partilhada e facilidade de importação, tomava para si um volume considerável do mercado português, sobretudo no tocante à banda desenhada, ramo no qual alguns exemplos persistem mesmo até aos dias de hoje. Não é, pois, de surpreender que, em meados dos anos 90, os aficionados de BD portugueses tenham visto surgir nas bancas e quiosques nacionais, não mais um dos inúmeros 'gibis' que tanto sucesso faziam por estas bandas, mas uma revista especializada com foco nos 'comics' norte-americanos, e que era, ela própria, uma adaptação de um original surgido nos Estados Unidos.

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O primeiro número da edição brasileira da revista, originalmente editado em 1996.

Tratava-se da edição brasileira da lendária revista Wizard, cujo primeiro número era lançado em terras de Vera-Cruz algures em 1996, o que – observando a habitual 'décalage' na chegada das publicações brasileiras a Portugal – a terá colocado nas bancas nacionais algures no ano seguinte. Uma situação longe de ideal para um tipo de publicação dependente da relevância temporal, mas certamente melhor do que nada para os jovens 'bedéfilos' portugueses, os quais, por essa altura, já tinham visto surgir e desaparecer a tímida tentativa da Abril-Controljornal de criar uma publicação deste tipo (a hoje algo esquecida 'Heróis', que, mesmo nos seus melhores momentos, ficava a 'léguas' da apresentação e qualidade da revista que lhe servia de inspiração) e que acolhiam de braços abertos a oportunidade de se manter a par do que ia acontecendo com os seus heróis favoritos, e logo naquela linguagem 'gingada' típica das publicações brasileiras, e que tornava a leitura ainda mais prazerosa...

De facto, ainda que não se pudesse afastar muito dos moldes da publicação-mãe (ou não fosse, na prática, um 'franchise' da mesma), a 'Wizard' brasileira fazia questão, como acontecia com tantas outras revistas daquele país, de afirmar a sua 'brasilidade', o que a tornava ainda mais apelativa para o público nacional do que a original americana, mais cara, menos acessível, e repleta daquele humor típico norte-americano que nem sempre se 'traduz' bem para os contextos de outros países. Uma receita que tinha tudo para dar certo, não fosse o facto de a 'Wizard' brasileira, na sua edição original sob a alçada da bem conhecida editora Globo, não ter chegado a ficar um ano e meio nas bancas, cessando a publicação após o número 15, para apenas a retomar já no Novo Milénio, agora pela mão da editora Panini. Essa segunda série viria a tornar-se bastante mais estabelecida, durando oito anos antes de ser extinta, e a Wizard transformada em publicação apenas digital – embora não sem deixar um legado adicional, sob a forma do site Guia dos Quadrinhos, principal referencial para compra e venda de 'gibis' no Brasil até aos dias de hoje.

Quanto a Portugal, por essa altura, a banda desenhada internacional era já uma realidade bem entranhada na cultura nacional, com lojas e revistas especializadas (entre elas a 'Wizard' original), pelo que a perda da revista brasileira não fez grande mossa. Numa era em que a oferta era praticamente nula, e ainda mais a nível internacional, no entanto, a 'verrrsão brasileirrraaaa' da icónica revista de 'comics' terá certamente, durante o seu curto tempo de vida, feito as delícias de muitos fãs de banda desenhada, e levado a que 'torrassem' a semanada numa publicação que, mesmo desactualizada, se afirmava como referência num mercado de outra forma praticamente inexistente.

06.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 3 de Setembro de 2015.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na última edição desta rubrica, falámos de um dos grandes eventos da banda desenhada dos anos 90, e que viria a ter repercussões em toda a linha editorial do seu respectivo título tanto no imediato como a médio prazo; nada mais justo, portanto, do que falarmos agora de outro, com ligação directa ao mesmo – e, curiosamente, criado pela mesma editora, a qual, à época, procurava a todo o custo 'limpar' e simplificar a cronologia dos seus títulos.

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Os cinco números da mini-série. (Crédito da foto: OLX)

Falamos de 'Zero Hora – Crise No Tempo', mini-série em cinco edições cujo principal intuito era 'consertar' a cronologia do universo principal da DC, tornada bastante confusa pela não menos notável saga 'Crise Nas Infinitas Terras' ('Crisis On Infinite Earths'), publicada na década de 80. A solução encontrada para resolver os problemas criados pela introdução de um multiverso foi um evento de extinção em massa, engendrado pelo vilão Parallax (que anteriormente defendia o bem como parte dos Lanternas Verdes) após a sua cidade ter sido destruída pela luta entre Super-Homem e Apocalipse horas antes do sacrifício do primeiro para travar o monstro, relatada no especial 'A Morte do Super-Homem'. Como forma de eliminar os diversos multiversos e respectivos heróis, o ser em tempos conhecido como Hal Jordan cria uma entropia, dando origem a uma compressão temporal que envia heróis de universos alternativos para outras linhas temporais, criando uma situação caótica que cabe a um grupo restrito de heróis resolver.

Publicada em ordem descendente (ou inversa), começando no número 4 e acabando no 0, a série levou, também, a uma renumeração e recomeço das séries da maioria dos heróis envolvidos – pelo menos nos seus EUA natais, já que em Portugal, esse 'reinício' tinha sido feito aquando do final da saga da morte e renascer do Super-Homem, pouco tempo antes. Infelizmente, apesar desta oportunidade, a 'Crise No Tempo' acabou por criar ainda mais problemas, os quais só viriam a ser resolvidos literais décadas após a publicação da série, tanto nos EUA como em Portugal, onde chegou em 1996, ao mesmo tempo do que ao Brasil, e pela mão da mesma editora, a inevitável Abril.

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Exemplo dos desenhos da série. (Crédito da foto: OLX)

Caso raro para os lançamentos da referida editora, no entanto, 'Zero Hora' chegava às bancas lusas em formato americano, ou seja, A5, e com menos páginas do que uma revista normal. O 'luxo' continuava no interior, em papel ensebado e brilhante, que fazia ressaltar os excelentes desenhos, em claro contraste com o habitual 'papel higiénico de jornal' característico dos títulos 'normais' (e até, por vezes, especiais) da Abril. O resultado era uma edição apelativa e 'vistosa', que não deixou de atrair a atenção dos jovens fãs de super-heróis da época, o que terá ajudado a garantir volumes de vendas diferenciados, e apelado ao instinto 'coleccionista' dos mesmos. De facto, é bem possível que a série marque, ainda hoje, presença na colecção de alguns 'bedéfilos' nacionais, o que ainda cimenta mais o seu direito à presença nestas nossas páginas, quase três décadas após a sua publicação em Portugal.

02.08.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 30 de Julho de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

O sucesso da recém-estreada reinvenção cinematográfica do eterno Super-Homem – considerada por muitos fãs como a melhor representação do herói no grande ecrã desde os saudosos filmes de Richard Donner – parece ter revitalizado a presença mediática e cultural do homem de Krypton, constituindo uma espécie de 'ressurreição' do personagem para uma nova geração. Nada melhor, pois, do que aproveitarmos o continuado momento cultural de Clark Kent/Kal-El para recordarmos o momento, em meados dos anos 90, em que os bedéfilos portugueses presenciaram aquilo que parecia impossível e inimaginável: a morte do Super-Homem.

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Os diferentes volumes da saga.

Originalmente lançada ao longo de quase um ano, entre 1992 e 1993, a saga que relatava a mais pesada derrota do 'pai' dos super-heróis surgia nas bancas portuguesas mediante uma série de edições especiais, há cerca de trinta anos. A primeira parte da narrativa era contada num único album, em formato convencional mas de grossura dupla em relação ás revistas 'normais' da Abrile com brilho na capa, no qual era mostrada a chegada do monstro Apocalipse à Terra, a feroz batalha com ele travada pelo Homem de Aço, e o eventual sacrifício do mesmo como única forma de parar a perigosa criatura – um desfecho verdadeiramente inesperado (mesmo tendo em conta o título do volume) e muito comentado pelos leitores e fãs do herói.

A saga em causa estava, no entanto, longe de acabar e, enquanto os restantes heróis prestavam sentida homenagem ao seu colega caído com um 'Funeral Para Um Amigo' (em mais dois álbuns especiais, estes apenas de lombada grossa, semelhante à de um almanaque, e sem a capa 'especial' do primeiro volume), o homem de Krypton encontrava-se 'Além da Morte', num estado comatoso e alucinogéneo. Entretanto, na Terra, quatro novos heróis continuavam o seu legado, e procuravam consumar 'O Regresso do Super-Homem', num regresso aos álbuns em formato grosso e com capas trabalhadas (no caso três). Uma sequência absolutamente imperdível para qualquer fã de Kent/El, e que mudava a própria configuração de edições da Abril, a qual, após concluída a saga, reiniciaria a numeração das revistas do Homem de Aço a partir do número 1 e introduziria a nova publicação 'Superboy', dedicada ao mais popular dos quatro pseudo-Super Homens, um clone juvenil do próprio com o tipo de atitude 'radical' bem típica dos anos 90.

Mesmo sem esse acrescento ao já extenso acervo da magnata dos quadradinhos portugueses da época, no entanto, 'A Morte do Super-Homem' e volumes subsequentes representam um evento absolutamente histórico da BD, o qual teve, em Portugal, uma edição condigna à importância que acarretava – algo que nem sempre se podia dizer dos volumes supostamente 'especiais' lançados pela Abril. Assim, mesmo três décadas após o seu surgimento nos quiosques e tabacarias nacionais, esta série de volumes continua a justificar a leitura ou releitura, afirmando-se como um dos poucos lançamentos da Marvel ou DC da época a granjear esse estatuto, e justificando esta breve nota sobre a sua existência, numa altura em que Clark Kent e companhia estão mais longe da morte do que estiveram a qualquer ponto dos últimos trinta a quarenta anos...

18.06.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Terça-feira, 17 de Junho de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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O lendário 'Penny Arcade', ainda hoje actualizado.

Hoje em dia, a criação artística com recurso a meios digitais é comum e normalizada ao ponto de quase ser expectável, em grande parte devido aos avanços tecnológicos e subsequente aumento na variedade e acessibilidade dos produtos e materiais necessários. Em finais do século XX, no entanto, a situação era diametralmente oposta, com os equipamentos disponíveis a serem tão caros quanto rudimentares e, como tal, utilizados sobretudo por aqueles que não tinham qualquer outra forma de atingir o seu objectivo, eram 'tecnocráticos' o suficiente para saber o que fazer com eles, ou reuniam ambas as condições.

Não foi, pois, sem uma certa admiração e surpresa – misturada com prazer – que os fãs de banda desenhada com acesso à Internet em finais dos anos 90 se depararam com todo um novo leque de opções de leitura em formato digital, antes acessível apenas a quem se movimentasse em meios informáticos, fizesse parte dos velhos 'fóruns', ou soubesse utilisar serviços como a Usenet. Por comparação, estas novas criações (no bom e velho formato HTML) apenas requeriam conhecimento do endereço em que se encontravam para poderem ser apreciadas, garantindo assim, desde logo, um público muito maior e mais global - ainda que a língua inglesa exclusivamente utilizada nestas obras continuasse a constituir um entrave e a restringir a verdadeira globalização.

Quem percebia inglês a um nível satisfatório, no entanto – e tinha um sentido de humor voltado para o sarcasmo e para o humor referencial, base de muitos destes chamados 'webcomics' – não podia deixar de se deliciar com criações como 'Aaron A. Ardvark', 'Captain Jim' ou o lendário 'Penny Arcade' (precursor da tematização em torno dos videojogos, hoje tão popular) e com paródias como 'Dysfunctional Family Circus' e 'Neglected Mario Characters', entre outros. E se algumas destas obras podem, à luz dos dias de hoje, parecer algo primitivas, rudimentares e até imaturas, outras há que logram subsistir ao longo das décadas e manter-se relevantes, quais 'South Park' da banda desenhada digital, como é o caso do referido 'Penny Arcade'. Quem presenciou o início do meio, no entanto, sabe que a produção e oferta de hoje pouco tem da magia inovadora e verdadeiramente entusiasmante daquelas primeiras criações, a cujo impacto e influência vários criadores modernos devem uma carreira, e que, por isso, bem merece ver-lhe dedicado mais um 'post' duplo neste nosso 'blog' nostálgico.

27.02.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui por diversas vezes falámos da enorme latitude que a hegemonia da Abril-Controljornal sobre o mercado da banda desenhada 'de quiosque' em Portugal lhe permitia. Com a sua principal competição a vir do estrangeiro – nomeadamente do Brasil – a editora responsável pelas revistas Disney e Marvel tinha amplas oportunidades para experimentar os mais diversos conceitos sem, com isso, arriscar perder o seu espaço dentro do referido mercado. A série de que falamos hoje é apenas mais uma dessas tentativas, desta feita tematizada e coerente, mas com uma designação tão genérica quanto confusa, e abertamente baseada em OUTRA série de publicações Disney da mesma editora.

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Os três únicos vestígios da revista restantes na Internet.

De facto, a colecção de volumes conhecida como 'Especial Pateta' é totalmente separada do icónico 'Disney Especial', surgindo, em vez disso, sob a designação 'Hiper Disney', talvez pelo número avultado de páginas. No entanto, os números desta série estão longe de ser apenas variantes do normal Hiper Disney, centrando-se em vez disso em torno de um personagem específico – o eterno coadjuvante de Mickey nas páginas da Abril – o que os aproxima mais de um...Disney Especial!

Confusões à parte, no entanto, o que a (pelo menos) dúzia de títulos publicados há cerca de trinta anos oferece é, precisamente, aquilo que promete: uma selecção de alguns dos melhores momentos de Pateta enquanto personagem principal ou de relevo, divididas entre as habituais histórias mais clássicas e a vertente mais moderna, representada por tramas criadas no Brasil ou em Itália. Para além do generoso tamanho do volume – perfeito para ser lido numa viagem mais longa ou numa tranquila tarde de fim-de-semana – pouco mais há a dizer sobre aquela que é, para todos os efeitos, apenas 'mais uma' das muitas colecções lançadas pela Abril nesta época, mas que decerto não terá deixado de agradar aos fãs da personagem em foco (entre os quais se contava, na altura, o autor deste 'blog', que teria decerto apreciado esta colecção). Nada de essencial ou revolucionário, mas ainda assim uma colecção de revistas de BD bem conseguida, que, três décadas após o seu último volume, merecia ser mais lembrada pelos fãs dos 'quadradinhos' Disney em Portugal.

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