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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.09.21

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso dos sais de banho para crianças.

Sim, temos plena consciência de que a popularidade deste produto específico não se resume aos anos 90; no entanto, a ‘nossa’ época teve tantos e tão bons exemplos do mesmo que a homenagem acaba por se tornar bem merecida.

Na verdade, ainda que hoje ainda seja possível encontrar embalagens de sais e espuma de banho que fazem, simultaneamente, as vezes de ‘estátuas’ do personagem em causa, a verdade é que, no cômputo geral, o esforço das companhias neste sentido é significativamente menor; a maioria dos produtos de banho licenciados limitam-se a colar uma imagem dos personagens numa garrafa de champô ou gel de banho normal, sabendo que isso chega para vender. Já nos ‘90s’, a coisa era um pouco diferente, sendo que até as garrafas de tipo tradicional se tornavam, de alguma forma, colecionáveis – normalmente por usarem, à laia de tampa, uma mini-figura ou até busto do personagem ao qual aludiam.

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A icónica linha de géis de banho dos Simpsons, bem exemplificativa do atractivo deste tipo de produto

Já as acima mencionadas embalagens-figura levavam a coisa ainda mais longe, oferecendo, essencialmente, um produto dois-em-um, que servia, ao mesmo tempo, de dispensador de produtos de higiene e de brinquedo ou enfeite de prateleira, garantindo que mais nenhum banho voltasse a ser aborrecido.

E se hoje este tipo de produto se cinge às propriedades mais famosas e populares entre os mais novos – como os Vingadores, Homem-Aranha, Bob Esponja ou Princesas Disney – nos anos que nos concernem, o céu era o limite, havendo espumas de toda e qualquer propriedade que apelasse às crianças, desde os diferentes filmes da Disney até à Barbie, Action Man, ou até propriedades menos explicitamente infantis, como Os Simpsons.

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Lá por casa havia um muito parecido com este.

Em suma, havia algo para todos os gostos, pelo que não era de surpreender que a maioria das crianças da época – em Portugal e não só – tivesse, ou já tivesse tido, pelo menos um destes produtos. Um produto bem merecedor, portanto, de algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada àquilo que não ‘cabe’ em nenhuma outra secção deste blog…

 

06.06.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

E visto que na primeira edição desta nova rubrica abordámos os ‘bonecos’ de acção favorecidos pelos rapazes, não deixa de ser justo que hoje falemos das suas congéneres dedicadas ao público feminino – as bonecas Barbie e seus diversos ‘clones’ e derivados.

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Ainda que já fossem parte da infância no feminino há várias décadas – o primeiro modelo da Barbie saiu ainda nos anos 60 – as bonecas deste tipo atravessaram, entre o final da década de 80 e o início do novo milénio, um novo ‘estado de graça’; praticamente não havia criança do sexo feminino, dentro de uma certa idade, que não tivesse pelo menos um par de bonecas loiras e esbeltas em casa, fossem elas Barbies ou outra coisa qualquer.

De facto, apesar de Barbie e o seu eterno namorado Ken serem as figuras de proa e porta-estandartes deste tipo de brinquedo – a ponto de, para a maioria das crianças, TODAS as bonecas loiras e de pernas compridas serem ‘Barbies’ – os anos 90 foram palco da ascensão (e, muitas vezes, queda) de uma série de ‘concorrentes’ ao trono da princesa ‘betinha’. Estas aspirantes – ou, se preferirmos, clones – iam desde produtos oficiais, apenas produzidos por outras companhias que não a Mattel (como as linhas Sindy, da grande concorrente Hasbro, e Steffi Love, da espanhola Simba) até bonecas baratas e mal-amanhadas disponíveis nas lojas ‘dos 300’ e outros estabelecimentos semelhantes. É claro que nenhuma destas enchia as medidas às meninas da altura como uma Barbie ou um Ken, mas muitas delas pareciam não se importar muito, mesmo com os modelos de menor qualidade; parecia, por vezes, que desde que a boneca trouxesse uma roupinha gira e uma escova, era bem aceite pelo público-alvo.

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Exemplo de um dos modelos mais 'rafeiros' deste tipo de boneca

O que nos leva, inevitavelmente, a falar daquele que é, simultaneamente, o maior atractivo e o maior ponto fraco deste tipo de bonecas: o cabelo. A verdade é que, por muitos carros e cavalos que estivessem disponíveis, a maioria das crianças gostava mesmo era de pentear as suas Barbies – uma actividade, aliás, fortemente encorajada pelo longo e lustroso cabelo deste tipo de bonecas. O problema é que, com a continuação e a passagem repetida do pente, o cabelo tendia a começar a sair, ou antes, a cair – levando à famosa imagem ‘mediática’ de uma prateleira de quarto de criança cheia de bonecas carecas…

Talvez para colmatar este problema – ou talvez, apenas, para vender mais brinquedos – a Mattel começou a incluir, progressivamente, mais e mais ‘habilidades especiais’ nas suas bonecas – uma prática que a concorrência rapidamente seguiu. Já não bastava apenas lançar carros, cavalos e mansões de sonho para as bonecas – era agora necessário ter mais algum ‘selling point’ que fizesse as crianças interessarem-se por aquele modelo específico do produto. Nos Estados Unidos, isto traduziu-se em alguns valentes ‘tiros ao lado’ – a Barbie de patins que deitavam faiscas, ou a que dizia frases de ‘loira burra’ – mas Portugal foi, ‘grosso modo’, poupado à convivência com esses modelos. Ao nosso país só chegaram variantes como a Barbie sereia – grande favorita por estas bandas pelo seu cabelo extra-longo – e a Barbie ginasta, cujo corpo era feito de material mole, permitindo maior flexibilidade (o que também a tornava uma das favoritas cá de casa.)

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A boneca favorita cá de casa.

De salientar que estas ‘habilidades’ ficavam, na sua maioria, restritas à metade feminina do casal-modelo; ao pobre Ken, restava sorrir e ser ‘giro’ ao lado da namorada, enquanto esta experimentava todo o tipo de actividades e profissões. Ainda assim, o eterno namorado de Barbie teve direito a algumas ocasionais inovações, como patins em linha, ou uma habilidade que permitia à criança pôr e tirar uma barba ao boneco, com a lâmina incluída (efeito esse que era conseguido através da aplicação de uma qualquer substância ao plástico da cara, obviamente activada pela passagem do dito acessório.) Pouco por comparação com a namorada, mas suficiente para manter o interesse do público-alvo na parte masculina da dupla.

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Pior era quando a tecnologia parava de funcionar, e o coitado ficava com meia barba feita, e meia por fazer... 

Escusado será dizer que, ainda que nunca atingissem o mesmo nível de inovação, as bonecas concorrentes tinham, também, alguns ‘truques na manga’. Steffi Love, por exemplo, dispunha de um conjunto família – com Steffi, o namorado ‘clone’ de Ken e…um bebé no carrinho – e de outro onde andava de bicicleta; já Sindy, para além de ter uma irmã pequena com quem a criança se poderia identificar, surgia em versão princesa, fada, estrela pop – todas escolhas seguras tendo em conta o público-alvo – ou ainda como ‘rocker’, de cabelo preto, camisa de flanela e guitarra eléctrica ao peito! Até mesmo as bonecas ‘dos 300’ se batiam bem, surgindo muitas vezes como versões não-licenciadas de personagens populares, como as Navegantes da Lua.

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Pensavam que era treta, aquilo da Sindy roqueira, não pensavam...?

No entanto, e apesar de cada uma destas linhas ter os seus próprios méritos e atractivos, não restam quaisquer dúvidas de que foi (é?) mesmo Barbie a rainha das bonecas-modelo dos anos 90. Talvez por ter sido criada primeiro, a boneca da Mattel tinha uma marca mais reconhecível, e a marca não poupou esforços para a tornar parte do dia-a-dia de mais uma geração; durante a década de 90 e inícios da seguinte, Barbie surgiu em diversas versões licenciadas (das princesas Disney a Marés Vivas) teve a sua própria revista de banda desenhada, gravou discos de música pop, teve a sua própria colecção de filmes CGI, e chegou mesmo a ser representada por actrizes de carne e osso em paradas nos Estados Unidos.

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A revista aos quadradinhos da Barbie, que chegou a estar disponível em Portugal

E embora muitos desses produtos nunca tenham atravessado o oceano – à excepção da banda desenhada, que já anteriormente abordámos neste blog – a verdade é que, também em Portugal, Barbie se afirmou como parte indispensável do quarto de qualquer rapariga em idade pré-adolescente, chegando ao novo milénio em alta - tendo até uma revista própria editada em Portugal, uma espécie de Cosmopolitan-meets-Bravo - enquanto as suas concorrentes acabavam por desaparecer. Nada mais justo, pois, do que dedicar-lhe o primeiro post inteiramente virado a brinquedos ‘de menina’ deste blog, e o primeiro Domingo Divertido a seguir ao dos bonecos dos rapazes. Ficam, pois, aqui os nossos votos de que a princesa das bonecas continue a criar expectativas irrealistas no seu público-alvo por muitos e bons anos…

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