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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.05.22

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Como já aqui referimos numa edição passada desta rubrica, os anos 90 viram nascer e florescer o movimento rap e hip-hop português, que viria verdadeiramente a atingir o auge na década seguinte. Nessa segunda fase, os principais desenvolvimentos dar-se-iam a Norte do País, sobretudo no eixo Porto-Braga; no entanto, a primeira leva de artistas do estilo a verdadeiramente atingir fama nacional era oriunda,quase exclusivamente, da zona de Lisboa, de cujos subúrbios emergiam, à época, artistas como Boss AC, os pioneiros Black Company, e o nome de maior sucesso no género em Portugal, os incontornáveis Da Weasel.

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A formação clássica da banda

Formados na zona de Almada em 1993, e centrados em torno do MCs Pacman (hoje conhecido como Carlão), as 'doninhas' rapidamente se notabilizaram e destacaram dentro do movimento hip-hop nacional por, ao contrário da maioria dos seus pares, recorrerem a instrumentos reais, ao invés das habituais batidas programadas e 'samples'; de facto, apesar de contarem no seu alinhamento com um DJ de serviço, o grupo almadense incluía também um guitarrista, baixista e baterista, que ajudavam a criar um som bem distinto, mais próximo de bandas híbridas de rap e rock, como Cypress Hill, Public Enemy ou Body Count, do que do hip-hop tradicional. Aliado às letras realistas e socialmente engajadas de Pacman, este estilo único e diferenciado permitiu ao colectivo atingir um sucesso comercial quase imediato, com o primeiro álbum, 'Dou-lhe Com a Alma', de 1995, a conseguir uma boa recepção junto de um público particularmente receptivo ao rap e hip-hop, na sequência do êxito da pioneira compilação 'Rapública'. E não era caso para menos, visto tratar-se de um excelente registo, apoiado em temas tão fortes como a faixa-título ou a muito 'Public Enemy à portuguesa' 'Adivinha Quem Voltou'.

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O bem-sucedido álbum de estreia do grupo

Por muito auspiciosa que essa estreia tenha sido, no entanto, nada fazia prever o volume de vendas atingido pelo seu sucessor, '3º Capítulo', lançado dois anos depois (tendo o 'primeiro capítulo', nesta instância, sido o EP 'More Than 30 Motherf***ers', primeiro registo do grupo, lançado em 1994, e o único a contar com letras em inglês.)

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O segundo e mais conhecido álbum do grupo, lançado em 1997

O disco de 1997 via sair do grupo a vocalista de apoio Yen Sung, cujo lugar era preenchido por um segundo MC, Virgul – uma mudança que se viria a provar extremamente frutífera, vindo esse alinhamento a cimentar-se como a formação clássica da banda. O som, esse, aprimorava, refinava e aperfeiçoava a mistura entre as letras realistas e críticas de Pac e o som funk-jazz-rock criado pelos instrumentistas. Os singles 'Duia' – uma balada funk-jazz feita 'à medida' para a rádio – e 'Todagente' (uma faixa mais tipicamente Da Weasel) serviam de desculpa para a primeira digressão de sempre por parte do grupo, e ajudavam a impulsionar as vendas do álbum, que estabelecia definitivamente os Da Weasel como nome maior do hip-hop 'mainstream' português – estatuto, aliás, que o grupo manteria mesmo depois da chegada dos 'concorrentes' nortenhos, já em finais da década. Um álbum acústico gravado para a emissora Antena 3 e a participação de Pacman na compilação de Natal Espanta-Espíritos (cuja colaboração com Sérgio Godinho resultaria num dos temas mais 'fortes' do álbum, em todos os sentidos) apenas contribuiria para transformar as 'doninhas', ainda mais, na banda 'hip-hop' para as 'massas', num processo que alguns poderiam apelidar de 'sell-out'

Com o seu 'stock' ainda em alta tanto junto dos fãs de 'hip-hop' como do público 'radiofónico' (uma raridade em qualquer estilo musical) os Da Weasel lançavam, ainda antes do fim do milénio, o seu terceiro longa-duração, 'Iniciação a Uma Vida Banal – O Manual', um registo menos bem-sucedido comercialmente que o seu antecessor, mas ainda assim constituído por uma forte colecção de 'malhas', no estilo típico do grupo.

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O último álbum da fase 'imperial' do grupo saiu em 1999

A década seguinte trouxe ainda mais sucesso, mesmo depois da saída do membro-chave Armando Teixeira, em 2001; de facto, o álbum 'Re-Definições', de 2004 (primeiro sem o instrumentista e produtor) via a Doninha atingir o seu maior grau de sucesso e reconhecimento desde os tempos áureos de '3º Capítulo'. O anúncio de um hiato (em 2010, já depois do lançamento de um último álbum, em 2007) foi, por isso, surpreendente, podendo ter por base os conhecidos problemas de Pacman/Carlão com o abuso de substâncias.

Apesar de findo, no entanto, o grupo não foi, de todo, esquecido, como o comprovou a entusiástica reacção causada pelo anúncio de um concerto de reunião exclusivo, para o festival NOS Alive de 2020. O concerto, planeado para 11 de Julho daquele ano, acabou por ter que ser adiado devido à pandemia de COVID, mas a forte adesão ao mesmo por parte do público luso ajudou, pelo menos, a provar uma coisa – que quando, mais uma vez, a doninha decidir arrancar, pronta a estourar em 2025, com muita pinta e muito afinco, os seus velhos fãs de há duas décadas atrás lá estarão para os acolher de volta...

07.03.22

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A ideia de apropriar uma obra musical a uma determinada demografia não é, de todo, nova, sendo incontáveis os 'hits' pop que, através dos tempos, foram alvo de versões em outros estilos ou até outras línguas, de forma a penetrarem num mercado até então inacessível.

No Portugal dos anos 90, esta tendência adquiriu, ainda, outra variante, nomeadamente, a adaptação desses mesmos 'hits' pop a um contexto infanto-juvenil, transmitido por artistas pertencentes à mesma faixa etária e demográfica do seu público-alvo. Sim, uma década antes de os americanos terem a ideia para a série 'Kidz Bop', já o nosso cantinho à beira-mar plantado via surgirem e entrarem em competição directa nos escaparates infanto-juvenis, não um, mas DOIS conjuntos de cantores em idade escolar, ambos com o mesmo conceito-base de adaptar músicas populares entre os adultos para permitir às crianças perceber e identificarem-se com o que estavam a ouvir (caso ainda não se tenham apercebido, os anos 90 foram uma MUITO boa época para se ser criança.)

Escusado será dizer que, mal conseguiram estabelecer-se no mercado fonográfico português (o que não deixa, só por si, de ser uma façanha) estes dois grupos iniciaram, de imediato, carreiras em tudo paralelas, estabelecendo uma rivalidade que, durante um período de cerca de dez anos, os veria avançar sempre 'taco-a-taco', tanto em termos de produção como de popularidade. O resultado, quase inevitável, saldou-se numa tal proximidade entre estes dois grupos na mente do seu público-alvo que, quando hoje se recorda o movimento de infantilização de 'hits' pop dos anos 90, é impossível mencionar o nome de um destes dois grupos sem, imediatamente a seguir, nomear o segundo - quem se lembra dos Onda Choc também se lembra dos Ministars, e vice-versa (já dos Starkids, Arte 9, Babyrock, Popeline ou Ultimatum, já não se pode dizer o mesmo...)

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Destes dois grupos, o primeiro a ser concebido foram mesmo os Onda Choc, uma criação de Ana Faria e Heduíno Gomes, um casal de produtores e compositores que já haviam conseguido um sucesso considerável ao gravar músicas na companhia dos seus filhos, sob a denominação Queijinhos Frescos. Nestes, Ana Faria ainda tomava conta das vozes: já nos Onda Choc, essa tarefa era deixada totalmente à responsabilidade dos jovens vocalistas, entre os quais se contavam os três ex-Queijinhos Frescos, filhos do casal. A experiência durou mesmo quase até ao final do milénio, e rendeu vários discos de enorme sucesso, e ainda hoje saudosamente recordados por toda uma geração.

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Já os rivais Ministars nasciam no seio do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras (conhecidos por 'A Todos Um Bom Natal', A canção de Natal portuguesa por excelência) pela mão do maestro César Batalha, autor de outra música inescapável no contexto infantil da época, o 'Eu Vi Um Sapo' de Maria Armanda. Formados em 1986, o grupo passaria, tal como os rivais, por diversas permutações de alinhamento à medida que diferentes membros iam envelhecendo. Em 1994, após terem visto vários dos seus discos ser sucessos de vendas - tendo o de estreia atingido a marca da platina – mudaram de nome para Starkids e, sem as facilidades de divulgação existentes na sociedade actual, os jovens fãs perderam-lhes rapidamente o rasto, tendo o grupo desaparecido de cena pouco depois.

Os 'hits', esses, foram mais que muitos para ambos os grupos, alguns ainda hoje recordados por quem os ouviu à época – caso de 'Ele É O Rei', (versão da então mega-popular 'What's Up?', das 4 Non Blondes, outro grupo que paulatinamente surgirá nestas páginas) 'Ela Só Quer, Só Pensa em Namorar' ou o mítico 'Biquini Pequenino às Bolinhas Amarelas', que muitos dos que cresceram naquela geração potencialmente não saberão tratar-se de uma música real, lançada nos anos 60! O conceito dos dois grupos provou ser extremamente apelativo entre o público mais jovem, e o sucesso de que ambos gozaram permitiu a alguns dos seus mais talentosos elementos evoluir para carreiras na música 'adulta', em estilos tão díspares quanto o pop-rock (uma das integrantes dos Onda Choc liderou mais tarde os Amor Electro, enquanto que outra, Suzy, representou Portugal no Festival Eurovisão de 2014) ou a música 'pimba' (outra das meninas vocalistas do grupo de Faria e Gomes era uma tal de Micaela...)

Tal foi o sucesso destes grupos que, inevitavelmente, vários outros tentaram surgir na sua senda, por vezes provenientes, precisamente, dos mesmos criadores, como os Popeline - uma espécie de 'equipa de reservas' dos Onda Choc - ou os Ultimatum, que adaptavam músicas mais 'roqueiras' e com instrumentos reais. Algumas destas bandas propunham uma variação sobre o conceito-base de adaptação de músicas (os Arte 9, por exemplo, faziam 'covers' directas, sem quaisquer alterações, apenas cantadas por crianças) e houve mesmo quem chegasse a ver o seu disco produzido por um nome sonante da música popular portuguesa, como foi o caso dos Babyrock com Emanuel; no entanto, apesar do potencial que exibiam, todas estas ideias acabaram por 'cair em saco roto', parecendo o público infantil contentar-se com apenas dois grupos dedicados a este conceito.

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Os Starkids, uma continuação falhada dos Ministars

O próximo caso de sucesso para um grupo composto exclusivamente por jovens em idade escolar pertenceria, portanto, aos Milénio, já no fim do dito-cujo, e numa vertente e cena musical significativamente diferentes; quanto aos Onda Choc e Ministars, o seu legado viveria para sempre nas memórias de toda uma geração, para quem as capas dos discos dos dois grupos são indissociáveis de uma certa janela temporal na sua infância, em que a vida em geral parecia muito mais feliz e fácil, e em que muitas vezes apetecia cantar versões em português, e com letras adaptadas, das músicas famosas que passavam na rádio...

 

13.09.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

‘Sou camionista, sou o maioooor…’ Se esta linha, retirada de uma das músicas mais populares de 1996, vos fez avivar a memória, vão com certeza gostar do post de hoje, em que abordamos a banda responsável pela sua criação e gravação – os Mercurioucromos.

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Formados em 1995 a partir da junção de duas outras bandas, o quinteto assumiu, desde logo, a sua vontade de fazer pop-rock com fortes laivos de comédia – não terá, decerto, sido à toa que o líder desta ‘pandilha’ musical, Carlos Carneiro, se viria mais tarde a afirmar como actor; os seus maneirismos, tanto vocais como de palco, faziam, aliás, lembrar um outro nome de referência do rock-comédia em Portugal: Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000.

A música dos ‘Cromos era, no entanto, algo mais voltada ao pop do que o rock ‘apunkalhado’ dos EP2000, como bem demonstra o seu grande hit, acima citado. No entanto, faixas como ‘Lobo Mau’ mostram que a banda também sabe ser mais agressiva e atmosférica quando necessário, demonstrando que os Mercurioucromos talvez fossem mais do que aparentavam. Fosse ou não esse o caso, a verdade é que a banda conseguiu mesmo ‘explodir’ logo com o primeiro álbum e respectivo ‘single’, que o ajudou a catapultar para vendas de 60 mil unidades, muito graças à rotação constante de que gozava nas rádios nacionais.

Infelizmente, tal como acontece com tantas outras bandas, tanto em Portugal como no estrangeiro, também o quinteto saído de ‘uma garagem lá para os lados de Benfica’ nunca conseguiu replicar o sucesso meteórico dessa estreia, figurando hoje como um dos grandes ‘one hit wonders’ da história da música moderna portuguesa. Chegaria ainda a haver um segundo álbum, lançado apenas um ano depois do ‘pico’ do sucesso, mas já demasiado tarde para evitar cair em ‘orelhas moucas’; sem nada tão forte como ‘Camionista Cantor’ para manter os ‘Cromos relevantes entre o seu público-alvo, o álbum teve vendas modestas, deixando para o CD-single exclusivo produzido para a revista Super Jovem a honra de ser o segundo lançamento mais conhecido da banda.

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A segunda coisa mais famosa que os Mercurioucromos lançaram...

Ainda assim, os Mercurioucromos tiveram o seu momento na História do pop-rock português, por muito fugaz que o mesmo tenha sido, e conquistaram o seu lugar na lista de bandas nostálgicas para uma determinada geração, que acompanhou e viveu o mesmo. Por isso, e por terem tido uma música que qualquer jovem em idade escolar sabia cantarolar naquele ano de 1996, o quinteto de Lisboa merece bem esta referência aqui nas páginas do Anos 90…

02.08.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

NOTA: Este post é dedicado à Maria Ana, de quem esta é uma das bandas favoritas.

Num país de enorme tradição folclórica, como é Portugal, só seria surpreendente se NÃO surgissem bandas e artistas apostados em explorar as sonoridades mais tradicionais, e em misturá-las com géneros de música mais internacionais e contemporâneos. Nos anos 90, esta vontade era expressa não por uma, mas por duas bandas, quase exactamente contemporâneas, e com trajectórias muito parecidas. De uma delas, falaremos na próxima Segunda de Sucessos, ficando a de hoje reservada a um breve resumo da carreira da outra.

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Surgidos em 1987 pela mão de três ex-elementos dos Meteoros, os Sitiados teriam, no entanto, de esperar até à década seguinte para disfrutar dos seus quinze minutos de fama; seria apenas em 1992, já depois de várias mudanças de formação e com uma atraente loira no lugar do acordeonista original, que o grupo da Linha de Cascais conseguiria deixar a sua marca no universo pop-rock português. No entanto, quem conhece o grupo, e o seu legado, certamente concordará que a espera valeu a pena; porque a verdade é que, quando os Sitiados ‘explodiram’, o país inteiro abanou com o impacto.

O veículo desse impacto, e talvez a maior canção do Verão de 1992, chamava-se ‘Vida de Marinheiro’, e quem lá esteve em ‘tempo real’ certamente já estará a cantarolar o seu marcante refrão composto por vocalizações ‘nonsense’; mas que ao mesmo tempo fazem todo o sentido. Uma ‘malha’ de folk rock guiada pelo acordeão de Sandra Baptista e, sobretudo, pela inconfundível voz do líder João Aguardela,, que não ficaria mal na discografia de uns Pogues (inspiração declarada do grupo da Grande Lisboa), Dropkick Murphys ou Flogging Molly, e cujo estrondoso sucesso convenceu de uma vez por todas o grupo de que sim, valia a pena investir ‘naquilo’.

Assim, não demorou muito até o grupo entrar novamente em estúdio, com vista a compor o seu segundo registo. Saído pouco mais de um ano após o seu antecessor, ‘E Agora…?!’ cumpriu com louvor a sua missão de manter os Sitiados na ribalta da música popular portuguesa, muito graças a mais um ‘single’ bem ‘catchy’ e de grande exposição nas rádios nacionais, no caso ‘O Circo’ (ou, como é muitas vezes erroneamente chamada, ‘Vamos ao Circo’).

A receita era exactamente a mesma de ‘Vida de Marinheiro’ – folk-rock com mais do primeiro do que do segundo, com atmosfera de festa, e letra baseada no humor acérbico típico de Aguardela – e o furor ficou apenas ligeiramente atrás do causado pelo primeiro ‘single’ do grupo, sendo este tema presença tão constante nos recreios portugueses como havia sido o seu antecessor, embora desta vez não houvesse qualquer cantilena marcante para cantarolar.

Infelizmente, a partir desse momento, a trajectória dos Sitiados iniciaria uma pronunciada curva descendente, da qual não mais se recomporia. Apesar de participações honrosas em tributos a Zeca Afonso e António Variações, e de actuações que continuavam a cativar pela sua energia contagiante, ‘O Triunfo dos Electrodomèsticos’, lançado em 1995 (e segundo algumas opiniões cá de casa, o melhor disco da carreira do grupo) ficou aquém do sucesso estratosférico dos dois primeiros álbuns, e para os dois registos seguintes, a situação ainda se viria a agravar mais – ao ponto de duvidarmos bastante que alguém sequer soubesse que os Sitiados tinham lançado cinco álbuns, ou que tinham perdurado até ao virar do milénio! Nem mesmo a participação no disco de tributo aos Xutos & Pontapés, em 1999 (mesmo ano do último álbum, ‘Mata-me Depois’) ajudou a restituir visibilidade ao grupo, que se retirou discretamente de cena apenas um ano depois, para não mais ressurgir.

Dos membros originais, só Aguardela permaneceria (mais ou menos) na consciência colectiva nacional, graças a projectos como A Naifa e Megafone, embora nenhum deles tenha atingido sequer uma fracção do sucesso vivido pelos Sitiados no seu auge; a morte do líder absoluto em 2009 – vítima de um cancro, e com apenas 39 anos – poria um ponto final no legado daquela que foi uma das bandas mais conhecidas do início dos anos 90, mas que sofreu com o gosto volátil e efémero do público consumidor de música popular. Em suma - a Vida de Marinheiro pode não ter dado cabo deles, mas as modas deram.

Ainda assim, o grupo conseguiu gozar uma fama breve, mas mais merecida que a de muitos, e será para sempre lembrado nos anais da música portuguesa por duas grandes canções de folk-rock, que puseram o país inteiro a cantar nos primeiros anos da década…

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