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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

27.02.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Quarta será aos Quadradinhos, e a próxima de Quase Tudo.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de ter alguama tradição em Portugal, a banda desenhada criada em território nacional tende a focar-se, sobretudo, no aspecto mais histórico ou, alternativamente, em tiras de humor publicadas em suplementos de jornais, não sendo de todo habitual ver surgir no País uma série que não só remete às produções franco-belgas de décadas anteriores, mas logra emular a sua qualidade. E, no entanto, foi precisamente isso que Luís Louro e Tozé Simões lograram fazer com 'Jim Del Monaco', uma colecção que abrangeu três décadas e apresentou ao Mundo bedéfilo o titular 'Indiana Jones à Portuguesa'.

Inicialmente criada há cerca de quarenta anos, a colecção em causa permaneceria em publicação constante até inícios da década seguinte, sempre pelas Edições Asa, com uma primeira série entre 1985 e 1989 (composta por quatro títulos) e uma segunda, mais extensa, entre 1991 e 1993 (com dois álbuns por ano e três em 1992, num total de sete volumes). Apesar desta prolífica produção, no entanto, o nível geral das histórias e aventuras de Jim nunca chegou a decair, apresentando a mesma qualidade ao longo de ambas as séries e tornando a colecção num triunfo para o panorama bedéfilo português, que ajudava também a lançar a carreira dos seus dois autores, e sobretudo de Louro, que gozaria de enorme sucesso como criador 'a solo'.

Não é, pois, de admirar que, mais de duas décadas após o hiato subsequente a 'Baja Áfrika', de 1993, Jim tenha regressado com mais duas aventuras, publicadas em 2015 e 2017, naquele que era o verdadeiro 'último suspiro' do grande aventureiro dos 'quadradinhos' nacionais. O seu legado, no entanto, continua bem presente e vigente na mais de uma dúzia de volumes que continuam a marcar presença assídua nas prateleiras das livrarias nacionais, tornando oportuna e merecida esta pequena homenagem ao herói e aos seus autores, no ano em que se assinalam os quarenta anos da sua primeira aventura, e os trinta e cinco do início da segunda série de álbuns da colecção.

04.02.26

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de apenas ter penetrado 'oficialmente' o mercado no ano anterior, a Abril-Controljornal era já, em 1996, presença monopolista e inescapável no panorama dos 'quadradinhos' de super-heróis editados em Portugal. Com posse dos direitos quer da Marvel, quer da DC, a editora 'inundava' as bancas e quiosques nacionais com títulos para todos os gostos, de ambas as editoras, e garantia também, com naturalidade, a exclusividade de lançamento de especiais, adaptações de filmes e séries, e histórias com dimensão de 'evento', as quais recebiam, via de regra, um tratamento algo mais distinto e luxuoso do que as comuns edições mensais. E se, do lado da DC, aquela segunda metade da década de 90 via serem lançadas sagas como 'Zero Hora' e 'A Morte do Super-Homem', da parte da Marvel, um evento dominava as atenções dos bedéfilos lusitanos: o casamento do Homem-Aranha, o qual tinha honras de edição dupla (com lombada) apesar de longe do cuidado dado aos eventos da DC.

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Ainda assim, o lançamento em causa tinha, para os fãs do aracnídeo, significado suficiente para justificar a 'romaria' às bancas em busca deste volume que tanto mudava – sem que muitos dos mesmos soubessem tratar-se de uma história já com quase uma década de existência, originalmente publicada nos EUA em 1987, e que, como tal, destoava da linha cronológica das edições mensais da Abril, cujas histórias datavam, à época, de inícios dos anos 90. Nada que incomodasse os totalmente 'alheios' fãs de Peter Parker, cujo único interesse era celebrar, finalmente, a união do seu herói com Mary Jane Watson – embora, claro, o evento não fosse totalmente livre de complicações, ou não fosse esta uma história de super-heróis.

O cariz especial desta edição ficava ainda mais patente no facto de, após o seu lançamento, a Abril ter retomado a cronologia que vinha seguindo até então, fazendo deste volume um 'caso à parte' – um daqueles lançamentos especiais que ocupavam o seu próprio nicho no catálogo da editora, e em que o ramo Disney da Abril portuguesa era pródigo à época. Uma característica que apenas ajudava a tornar esta edição ainda mais digna de nota, e indubitavelmente merecedora destas linhas, no ano em que se completam três décadas sobre a sua edição no mercado nacional.

21.01.26

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A hegemonia da Abril/Controljornal no tocante à edição de banda desenhada 'de quiosque' em Portugal – com o controlo total sobre lançamentos da Disney, Hanna-Barbera, Looney TunesMarvel e DC no mercado nacional, entre outras propriedades populares – já foi aqui sobejamente abordada em várias ocasiões, bem como a capacidade que a mesma outorgava à editora para correr riscos e 'testar as águas' com lançamentos únicos e séries limitadas, das quais tantas eram bem-sucedidas quantas falhavam redondamente ou ficavam a 'meio caminho'. É nesta última categoria que se insere a publicação de que falamos neste 'post', uma ideia perfeitamente válida e cheia de boas intenções, mas que acabou por não granjear em Portugal o sucesso que tivera além-mar.image.webpimage (2).webpCapa das duas únicas edições da série lançadas em Portugal. (Crédito das fotos: OLX)

De facto, enquanto que no Brasil 'Origens dos Super-Heróis Marvel' se traduziu em toda uma série de revistas, em Portugal, a publicação parece ter-se ficado pelos dois números (o segundo nem sequer chegou lá a casa na época, crendo o autor deste 'post' que se tratava de uma edição singular) lançados entre 1996 e 1997. E apesar de as razões por detrás desta interrupção prematura não serem claros, a verdade é que é difícil compreender como uma revista com uma premissa tão 'à prova de bala' não consegue singrar junto do seu público-alvo.

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Uma das histórias incluídas no primeiro volume. (Crédito das fotos: OLX)

Como o próprio nome sugere, os dois números de 'Origens' consistem, pura e simplesmente, de compêndios de histórias clássicas da Marvel, muitas delas inéditas em Portugal. Do regresso do Capitão América após décadas em criogenia à origem do Homem-Aranha ou ao casamento do Senhor Fantástico com a Mulher Invisível, são várias as BD's marcantes constantes de cada um dos volumes, um conceito que deveria ter feito as delícias dos fãs destes e de outros super-heróis – algo que, conforme já referimos, acabou por não suceder, por razões que se perdem nas 'brumas' do tempo. Quiçá a natureza algo 'palavrosa' das tramas clássicas não tivesse apelado ao público nacional, quiçá fosse uma questão de preço (o primeiro volume custava pouco mais de trezentos escudos, e o segundo quase quatrocentos, valores consideráveis para a permanentemente 'falida' juventude 'millennial') ou talvez se tratassem apenas de problemas editoriais; fosse qual fosse a razão, a verdade é que os dois volumes de 'Origens dos Super-Heróis Marvel' nunca chegaram a ter continuidade como sucedeu no Brasil (onde há registo de pelo menos seis volumes da série), sendo ambos hoje considerados relativamente raros.

Para quem os leu na altura, no entanto, ambos terão constituído uma 'novidade' relativamente excitante, oferecendo algo diferente das revistas mensais com histórias contemporâneas, e permitindo um então raro vislumbre dos 'primórdios' dos heróis que as protagonizavam – razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica devota à banda desenhada publicada em Portugal em finais do século XX.

09.01.26

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-Feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Janeiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das tirinhas de BD norte-americanas, presentes na vida de muitos jovens portugueses de fins dos anos 90 principalmente através de múltiplos álbuns publicados pelas mais diversas editoras, mas também, memoravelmente, nas páginas de muitos jornais e periódicos publicados em território nacional à época.

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O 'Público' albergou, durante anos, a mais famosa e icónica tirinha de BD de jornal em território nacional.

De facto, serão poucos os 'trintões' e 'quarentões' portugueses que não se lembrem de ler, nas páginas traseiras ou suplementos infantis do 'Público' ou dos dois 'Notícias', tirinhas de séries tão populares como 'Calvin & Hobbes' ou 'Zits', sem esquecer 'Cathy', presente semanalmente no suplemento de Sábado do 'Correio da Manhã'. Mais – a escolha de 'tirinhas' não se ficava pelos Estados Unidos, tendo muitos autores portugueses encontrado também o seu espaço nas páginas de jornais e revistas de finais do século XX; o exemplo mais famoso deste paradigma continua, aliás, a marcar presença diariamente no canto superior direito da página traseira do jornal 'A Bola', onde o eterno barbeiro ironiza sobre o assunto desportivo do dia com o seu sempre conivente cliente enquanto lhe faz a 'Barba e Cabelo'.

Apesar deste exemplo perene, e de outros surgidos durante os primeiros anos do século XXI – como os trabalhos do brasileiro Angeli na revista musical 'Rock Sound' – a presença de tiras de BD nos periódicos portugueses diminuiu abruptamente, e a pique, nas décadas subsequentes, sendo hoje praticamente nula. Quem viveu aqueles tempos há trinta anos atrás, no entanto, não pode evitar sentir alguma nostalgia pela presença dos 'amigos' Calvin & Hobbes, Jeremy ou Cathy na página do costume, oferecendo-lhes um 'cantinho' onde se 'resguardar' das temáticas adultas do resto do jornal...

24.12.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui em ocasiões anteriores falámos da série brasileira 'Natal Disney de Ouro', uma das muitas a chegarem do 'país irmão' graças à ligação da editora Abril ('magnata' dos quadradinhos Disney em Portugal) à ex-colónia lusitana. O que poucos saberão - a menos que tenham a referida revista ou a tenham descoberto, como nós, no indispensável 'website' I.N.D.U.C.K.S. - é que chegou também a existir uma 'versão portuguesa' desse mesmo conceito, intitulada 'Disney Natal', mas que não foi além de um único número, lançado em Novembro de 1994. E porque, no ano transacto, deixámos passar a oportunidade de assinalar o trigésimo aniversário da sua publicação, nada melhor do que rectificar agora esse erro - ainda que com mais de doze meses de atraso - e incluir a referida revista na nossa série de 'posts' natalícios para 2025.

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Não que o 'Disney Natal' português (lançado nas bancas, estranhamente, a 16 de Novembro) difira grandemente do seu congénere 'De Ouro' de além-mar; antes pelo contrário, já que a premissa é exactamente a mesma, passando por reunir algumas das principais histórias alusivas à época natalícia produzidas ao longo dos tempos - embora, sem surpresas, com particular incidência no período então contemporâneo, ou seja, o início da 'hegemonia' italiana que brevemente 'tomaria conta' das publicações Disney, em solo nacional e não só. Apesar de haver já algumas produções dessa leva, no entanto, a proposta é, aqui, ainda algo mais variada, com as mesmas a dividirem espaço, nas duzentas e sessenta páginas do volume, com muitas histórias clássicas criadas nos estúdios norte-americanos, numa proporção praticamente idêntica, e ainda algumas (menos) de outras proveniências. No total, eram quase uma dezena e meia de aventuras, com os mais diversos personagens (embora, claro, com destaque para os 'pesos-pesados', como Mickey, Pateta ou a família Pato) que faziam por justificar o 'avolumado' preço de quase setecentos escudos - quase o triplo do preço de uma revista comum da altura, e uma autêntica 'fortuna' para a grande maioria do público-alvo, para quem este livro quase representaria um 'presente de Natal adiantado'!

Ainda assim, para quem era fã dos personagens ou das publicações Disney da Abril, havia aqui material suficiente para passar uma bela noite de Consoada no sofá, embrenhado nas peripécias natalícias dos seus heróis favoritos, o que, por sua vez, levanta a questão do porquê de nunca ter havido uma segunda edição tematizada em torno do Natal (a menos que se conte a semelhante-mas-não-igual 'Disney Natal Especial', lançada três anos depois). Seja qual for o motivo, no entanto, a verdade é que este 'número único' adquire assim, ainda que involuntariamente, o estatuto de 'edição de coleccionador', merecendo assim uma menção na exacta época do ano em torno da qual se tematiza.

26.11.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui em ocasiões anteriores falámos da obra de José Ruy, talvez o mais solicitado ilustrador português das décadas de 80 e 90, sendo invariavelmente o escolhido para dar vida aos personagens de álbuns de banda desenhada ligados à História de Portugal, biografias, relatos de época ou representações visuais de contos e lendas tradicionais, nos quais a sua bibliografia é fértil. Em 1986, no entanto, Ruy embarcaria num projecto diferente do seu habitual – a passagem de várias das histórias dos dois 'Livros da Selva', de Rudyard Kipling, para um formato de banda desenhada. O resultado foi 'Como Apareceu o Medo', editado quatro anos depois (em Abril de 1990) pela Editorial Notícias, e sobre o qual nos debruçamos esta Quarta-feira.

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Com trinta e duas páginas originalmente contidas num volume de capa mole (mais tarde, seria reeditado com capa dura) 'Como Apareceu o Medo' é exactamente aquilo que a capa apregoa – uma colectânea de várias das muitas histórias de animais escritas por Kipling, com o 'famoso' conto-título à cabeça, com desenhos e ilustrações da autoria de José Ruy a acompanhar a prosa original do autor indo-britânico, que recebe um crédito como co-autor. Infelizmente, embora a capa e os detalhes da publicação sejam fáceis de encontrar com um bom motor de pesquisa, das páginas interiores não restam quaisquer vestígios digitalizados, tornando impossível mostrar o estilo gráfico do livro, para lá da visualmente impactante capa; é de crer, no entanto, que os desenhos seguissem o estilo habitual de Ruy, que fica desde logo bem patente na magnífica ilustração de Shere Khan, o famoso tigre assassino d''O Livro da Selva', que domina o referido frontispício.

Em suma, e apesar de se tratar de uma proposta arriscada (tanto pelo número de admiradores do texto original como por ser difícil interessar crianças em textos clássicos) a adaptação em BD de 'Como Apareceu o Medo' parece ter tido algum grau de sucesso, senão em termos de vendas, pelo menos de execução. Pena é, portanto, que seja impossível encontrar exemplos da arte deste livro na Internet actual – embora os interessados tenham bom remédio, já que o livro ainda hoje continua a ser reeditado, e se encontra disponível nas boas livrarias, pronto a dar azo a mais uma geração de fãs do 'imortal' José Ruy...

14.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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Os três primeiros volumes publicados pela Planeta DeAgostini, no ano 2000.

À entrada para o Terceiro Milénio, a 'marca' 'Guerra das Estrelas' encontrava-se revitalizada, graças à estreia, no ano anterior, do primeiro filme original da série em mais de uma década e meia. De facto, apesar de 'Episódio I – A Ameaça Fantasma' ter dividido opiniões, a nova aventura da Ordem dos Jedi serviu, ainda assim, para apresentar 'Star Wars' a toda uma nova geração, e serviu como 'desculpa perfeita' para relançar a trilogia original de filmes em VHS e DVD, bem como para a criação de toda uma nova linha de 'merchandising', brindes e promoções alusiva à 'ópera espacial' de George Lucas, destinada não só ao comércio puro e duro, como também à expansão do 'universo alargado' da saga, um dos mais tradicionais aspectos ligados à mitologia da mesma.

Assim, foi sem surpresa que os mercados internacionais – incluindo o português – viram surgir um sem-número de novos produtos com a licença 'Guerra das Estrelas', e tão-pouco foi de espantar que, entre eles, se contasse uma grande variedade de livros e álbuns de banda desenhada. E se os romances, muito apreciados nos Estados Unidos, nunca chegariam a ser traduzidos (ao contrário do que se passara com outra grande propriedade intelectual de Lucas) as diversas histórias de banda desenhada da saga começariam a ser publicadas na Península Ibérica logo a partir desse ano de 2000, não pela então ainda ubíqua 'rainha dos quadradinhos' Abril-Controljornal (que publicara a primeira BD da franquia a surgir em Portugal, três anos antes), mas pela editora conhecida, sobretudo, pelas suas colecções em fascículos – a Planeta DeAgostini.

De facto, era a companhia espanhola quem se encarregava de colocar nas bancas ibéricas as 'novelas gráficas' do universo alargado de 'Star Wars', tendo, logo nesse ano, editado duas 'duplas' de livros, relativos às histórias 'O Fim do Infinito e 'Conselho Jedi', e uma aventura em volume único, 'Qui-Gon e Obi-Wan', todas as quais surgiam num formato que, então, apenas principiava a surgir em Portugal - em tamanho A4 e com capa plastificada e lombada, algures entre o 'livro aos quadradinhos' normal e os mais luxuosos álbuns a que tinha direito, por exemplo, a BD franco-belga. Esta dicotomia entre a edição 'popular' e algo mais sofisticado estendia-se, aliás, também ao interior, onde o papel e trabalho de impressão de grande qualidade eram algo 'prejudicados' por traduções ainda mais dúbias que as da Abril, por vezes quase como que adaptações directas do diálogo em Espanhol, com direito à pontuação característica daquela língua em certos balões!

Este aspecto menos cuidado contribuía, infelizmente, para prejudicar a qualidade global do produto, diminuindo o impacto daquelas que eram excelentes histórias de banda desenhada, sobretudo a nível do grafismo, e capazes de interessar e cativar não só os fãs existentes da saga, como também aqueles que começavam a dar os primeiros passos na descoberta da mesma. Nada, no entanto, que fizesse a Agostini mudar a sua estratégia, já que todos os álbuns subsequentemente publicados (e foram muitos!) apresentariam esse mesmo problema de tradução, ainda que o mesmo se tenha atenuado ao longo dos anos. Ainda assim, e apesar desse claro defeito, qualquer destas histórias de 'Star Wars' lançadas pela editora espanhola vale bem a descoberta, sobretudo no ano em que se completa um quarto de século desde o seu lançamento no mercado nacional. Fica a dica, tanto para os fãs de 'Star Wars' em específico, como de boa BD em geral.

29.10.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

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Hoje em dia, o acto de comprar banda desenhada importada encontra-se, como tantos outros, trivializado, bastando encomendar os volumes desejados pela Internet, numa loja especializada ou até mesmo numa boa livraria – isto, claro está, para quem não queira partir 'à aventura' no quiosque de alfarrabista mais próximo. Tal facilidade e conforto pode, no entanto, fazer esquecer que, há um mero quarto de século, quem quisesse ler 'comics' americanos (ou, horror dos horrores, 'manga') estava à mercê do que conseguisse encontrar no quiosque ou tabacaria local, ou, quando muito, de uma tradução em francês, espanhol ou brasileiro de um qualquer volume japonês, tipicamente a preços exorbitantes.

De facto, apesar de álbuns de BD franco-belga serem relativamente fácil de adquirir em Portugal nas suas versões originais desde pelo menos os anos 70, para as bandas desenhadas americanas e japonesas de carácter serializado, esse processo apenas se deu já nos anos de viragem do Milénio, com a abertura das primeiras lojas especializadas e dedicadas à venda de BD em Portugal. Antes disso, era necessário possuir nas redondezas uma tabacaria com excelentes contactos entre os importadores, e mesmo essa apenas possuiria uma mão-cheia de titulos da Marvel, DC ou, com alguma sorte, da Image ou Archie Comics.

Os bedéfilos lusitanos que devoravam mensalmente a 'Wizard' brasileira (ou a 'sucedânea' nacional 'Heróis') ficavam, assim, em larga medida restritos à sua imaginação no que tocava aos potenciais conteúdos dos volumes ali abordados - até porque mesmo os poucos números que logravam transpôr o oceano o faziam a preços acima da média para a 'carteira' de um jovem português médio. Um paradigma que, partindo de algo específico e quase insignificante, serve como reflexo da enorme progressão vivida pela sociedade portuguesa no primeiro quarto do século XXI, não apenas a nível de periódicos ou lojas especializadas, mas da própria abertura ao restante Mundo ocidental e respectiva cultura – a qual, por vezes, pode ser transmitida por meio de algo tão singelo como um simples 'livro aos quadradinhos'.

02.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 1 de Outubro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui anteriormente falámos das adaptações em banda desenhada (ou novelas gráficas) de propriedades cinematográficas e televisivas norte-americanas, como 'Parque Jurássico', 'Jovem Indiana Jones' ou 'Batman Para Sempre'. E apesar de esta não ser uma prática corrente fora daquele continente e mercado, em meados dos anos 90, a Editorial Notícias arriscou lançar uma versão 'à portuguesa' do referido conceito, adaptando para 'quadradinhos' um filme que poucos esperariam ser alvo deste tratamento: 'Passagem Por Lisboa', a trama de espionagem 'de época' levada ao grande ecrã por Eduardo Geada, em 1994, e cujo público-alvo não se interceptava, exactamente, com o que lia revistas ou álbuns de banda desenhada. E porque, ao falarmos do filme, descurámos focar esta adaptação, nada melhor do que dedicar-lhe agora algumas linhas.

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A capa do álbum utilizava o cartaz do filme.

Infelizmente, há muito pouco a dizer sobre a BD de 'Passagem Por Lisboa', que as gerações 'X' e 'Millennial' votaram, praticamente, ao esquecimento (um pouco como o próprio filme). De facto, para lá da capa (copiada do cartaz do filme), do mês e ano de lançamento (Abril de 1994) e do nome dos autores (curiosamente, ambos chamados Paulo, no caso Paulo Pereira, responsável pelo argumento, e Paulo Silva, o ilustrador) é impossível encontrar qualquer informação ou fotografia respeitante a este álbum, tornando impossível elaborar sobre o estilo de desenhos que apresenta, ou sobre as técnicas empregues para adaptar à BD as técnicas narrativas cinematográficas do filme. Pedimos, pois, a qualquer leitor que possua informações sobre este livro (alô, Pedro Serra!) que nos ajude a 'completar' um pouco este 'post', o qual, para já, terá de ficar por aqui.

20.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 18 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer membro da geração 'millennial' tem bem presente que os filmes baseados em bandas desenhadas apenas começaram a ser sucessos garantidos a partir do dealbar do Novo Milénio, quando os 'X-Men' de Bryan Singer revolucionaram o paradigma em termos de qualidade, e 'abriram a porta' àquele que, hoje em dia, talvez seja o género cinematográfico mais lucrativo e bem-sucedido. Para que se chegasse a esse ponto, no entanto, foi necessário passar por consideráveis 'dores de crescimento', sendo que, durante décadas, os fãs de 'comics' americanos nunca podiam saber o que esperar de cada nova adaptação cinematográfica, já que para cada mega-sucesso como o 'Batman' de Tim Burton havia outros quatro filmes que passavam despercebidamente para o mercado do vídeo, incapazes de concorrer com as mega-produções Hollywoodescas. O filme sobre o qual nos debruçamos nesta Sessão de Sexta (poucos dias após se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, a 14 de Setembro de 1990) fica a meio-caminho entre estas duas vertentes, tendo logrado ser um sucesso à época do seu lançamento, mas tendo caído no esquecimento quase generalizado nas três décadas e meia subsequentes.

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Falamos de 'Dick Tracy', adaptação da banda desenhada do mesmo nome, presença assídua nas páginas de BD dos jornais americanos, e que narra as desventuras do detective homónimo, reconhecível pela icónica gabardine amarela, na sua luta contra os mafiosos que regem a típica cidade dos anos 30 ou 40 onde vive. Um conceito mais na linha dos velhos livros de ficção barata do que propriamente dos super-heróis da Marvel e DC, mas que, ainda assim, apresenta semelhanças com séries como 'Batman', 'Sin City' ou 'Spirit', cujos filmes empregariam elementos estéticos a fazer lembrar os do filme em causa - o qual, no entanto, ficaria bastante aquém de qualquer deles em termos de impacto duradouro no Mundo cinematográfico.

Para os jovens cinéfilos daquele ano de 1990, no entanto, o filme trazia bastantes atractivos, da gama de cores da roupa dos personagens (a remeter intencionalmente aos tons vivos do Technicolor) até à presença de Madonna, então em alta, como interesse romântico do Tracy vivido pelo também realizador Warren Beatty, a participação de nomes como Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan ou Dick Van Dyke, ou mesmo apenas o apelo estético do icónico logotipo do personagem, que gerou alguma procura a nível de 'merchandise' alusivo ao filme imediatamente após a sua estreia.

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O elenco recheado de estrelas do filme.

Infelizmente, ao contrário de outros exemplos de que já aqui falámos, e apesar da 'parada de estrelas' que constituía o seu elenco a adaptação em 'carne e osso' de 'Dick Tracy' não logrou suster esse nível de interesse a longo-prazo, tendo-se rapidamente tornado 'apenas' mais um filme, mesmo enquanto a BD original continuasse de 'pedra e cal' nas páginas dos jornais. Ainda assim, numa altura em que se assinala um 'aniversário' marcante para o filme de Beatty, é justo homenageá-lo com estas singelas linhas, as quais (quem sabe?) talvez motivem quem ainda não conhece o filme – ou mesmo quem já o tenha visto – a procurar forma de o (re)ver nos tempos modernos...

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