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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

16.06.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer jovem interessado no coleccionismo de cartas, cromos ou autocolantes sabe o valor – efectivo ou atribuído – de um exemplar metalizado; mesmo em instâncias em que estas não são as peças mais difíceis de conseguir da colecção, há algo na aparência, brilho e 'efeito especial' de uma imagem deste tipo que a distingue, para melhor, de todas as outras, tornando-a inevitavelmente numa das mais cobiçadas de qualquer conjunto.

Em meados dos anos 90, a omnipresente editora Abril/Controljornal percebeu o valor deste fenómeno e resolveu capitalizar sobre o mesmo, através da criação de uma colecção constituída INTEIRAMENTE por autocolantes metalizados, e 'reforçados' com um efeito holográfico, para garantir que se tornavam apelativos junto do público-alvo.

Nasciam assim as Holoucuras, oferecidas como brinde com as revistas aos quadradinhos da Abril – quer da Marvel e DC, quer da Disney – durante um determinado período, por volta de 1996/97, e cujas saquetas amarelo-vivo traziam uma indicação relativa a um determinado número de pontos, que podiam ser coleccionados e trocados por prémios, ainda que a natureza dos ditos cujos se perca hoje nas brumas do tempo.


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Exemplo de uma publicação da editora com a saqueta de brinde.

A razão para esta falta de informação é, aliás, simples de explicar – fosse por que razão fosse, as Holoucuras não 'pegaram' como a Abril certamente esperava, constituindo hoje em dia apenas uma vaga lembrança remota na mente de quem, à época, lia os títulos de banda desenhada da editora; de resto, a colecção holográfica da Abril (por sinal, até bastante bem conseguida) não passa de mais uma de muitas tentativas falhadas de criar uma nova 'febre' de recreio, que se junta às suas congéneres como apenas mais uma nota de rodapé na História global da década de 90 em Portugal.

09.02.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

...como é o caso dos autocolantes para pôr no carro.

Aproveitando a deixa de termos, no nosso último post, falado do Vitinho – o qual, entre outras coisas, fez 'carreira' como protagonista de autocolantes 'Bebé a Bordo' – nada melhor do que dedicar todo um post à enorme variedade de autocolantes que pululavam nos vidros e partes traseiras dos carros portugueses durante as décadas de 80, 90 e 2000.

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Todos os vimos, todos nos lembramos deles, e até haverá decerto quem os tenha tido no seu próprio carro– fosse qual fosse o propósito (informativo ou meramente decorativo), estes autocolantes eram visão comum em qualquer passeio por uma rua portuguesa durante o referido período, indo os seus motivos e temas desde a publicidade a estações de rádio ou discotecas (esta última responsável pelos dois mais famosos exemplos do género, a famosa silhueta da Penélope e o autocolante da algarvia Kadoc) aos referidos autocolantes destinados a informar os outros condutores da presença de crianças no veículo, passando pelo igualmente emblemático 'P' de Portugal (obrigatório para quem viajava para o estrangeiro) ou por símbolos instantanemente reconhecíveis, como o coelhinho da Playboy ou a língua dos Rolling Stones.

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Talvez o mais famoso autocolante para automóvel daquela época

Em comum, todos estes autocolantes tinham o facto de terem de ser colados no vidro do automóvel 'ao contrário' – ou seja, pelo lado de dentro e com o desenho 'de costas' para quem colava – o que, só por si, já os tornava motivo de interesse para quem estava habituado aos mais vulgares cromos ou 'stickers', colados de fora para dentro. Já para quem passava, estes dísticos atraíam inevitavelmente o olhar, tanto pela sua localização inusitada como pelos esquemas de cores vivos, quase berrantes, que normalmente empregavam.

Hoje em dia, já é muito pouco comum ver autocolantes destes em carros. O 'Bebé a Bordo' continua a existir, claro (visto não terem deixado de haver os referidos bebés a bordo), mas mesmo esse tipo de sinais é, hoje, bem mais discreto do que o era naquela época; já os restantes tipos de autocolante praticamente desapareceram de circulação, embora ainda se veja, aqui e ali, um símbolo da FPF ou coisa parecida. Uma rápida pesquisa pela net, no entanto, revela que estes autocolantes deixaram mesmo saudades, pelo que uma onda revivalista relativa aos mesmos talvez já não esteja assim tão longe...

09.12.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa edição anterior desta rubrica, dedicámos a nossa atenção às colecções de cromos, uma das principais categorias de 'quinquilharia' presentes no bolso ou estojo de qualquer criança dos anos 90. Os 'stickers' para a caderneta estavam, no entanto, longe de ser o único artigo deste tipo a merecer a atenção dos mais pequenos durante aquela época; pelo contrário, qualquer pedaço de papel plastificado com verso aderente era grandemente apreciado – e avidamente procurado – pela demografia em causa.

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As famosas folhas de autocolantes dos anos 90

Os autocolantes estavam longe de ser um fenómeno exclusivo dos anos 90 – na verdade, a sua época áurea tivera início na década anterior – mas não há como negar que, no final do século XX, os mesmos se encontravam ainda muito em voga entre as crianças e jovens, fossem eles adquiridos por via promocional ou adquiridos na tabacaria, naquelas famosas folhas com séries de pequenos desenhos relacionados ao mesmo tema. E havia autocolantes alusivos a tudo, desde as óbvias motas, monstros, princesas e cenas 'fofinhas' até bandas, países, desenhos animados e, claro, produtos e serviços oferecidos por companhias que procuravam estabelecer-se no mercado - isto, claro, sem esquecer os oferecidos como brinde na compra de artigos alimentares, como as famosas colecções dos 'Tou's' do Bollycao ou dos jogos da Sega, das Donetes.

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Uma das mais famosas séries de autocolantes da década

Qualquer que fosse a origem ou temática, no entanto, os autocolantes eram invariavelmente açambarcados, e tinham sensivelmente os mesmos destinos: a capa do caderno ou 'dossier' (que, se fosse lisa, era revestida de autocolantes na frente e verso para formar uma colagem ao estilo mosaico), o armário do quarto ou cabeceira da cama, a tampa da consola, o 'skate' ou bicicleta e até, para os mais imaginativos, locais como o tanque do peixinho ou tartaruga (nos anos 90, rara era a casa com crianças que não tinha, pelo menos, um autocolante num sítio insólito ou inesperado.) As crianças dos anos 90 simplesmente adoravam o efeito que aqueles pedaços de papel adesivo colorido davam a superfícies que, sem eles, pouco brilho tinham, e não é portanto de admirar que os mesmos fossem presença assídua nos bolsos dos mesmos, no meio de todas as outras 'quinquilharias' de que aqui falamos regularmente.

Como quase tudo de que aqui falamos, também os autocolantes foram praticamente 'obliterados' pelo advento da era digital – excepto, estranhamente, no mundo da música, onde continuam a ser um brinde bastante utilizado e apreciado. Ainda assim, qualquer pessoa que tenha decorado a tampa do seu portátil com um cromo ou adesivo se lembrará do tempo em que não era só um, mas muitos, espalhados um pouco por todo o quarto, nos brinquedos e nos livros da escola...

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