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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

15.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de camafatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.

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(Crédito da foto: TodoColección)

Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.

Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

03.10.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 02 de Outubro de 2025.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer 'nativo' dos anos 90 nacionais que se encontrasse, à época, em idade pré-adolescente não hesitará em apontar os brindes alimentares – das batatas fritas, cereais, Bollycaos, ovos de chocolate, bolachas ou iogurtes – como um dos grandes elementos nostálgicos da vida de então. Discretamente desaparecidos algures em inícios do Novo Milénio, aqueles objectos inseridos na própria embalagem do alimento em causa – e que se 'pescavam' de dentro do mesmo assim este era aberto, arriscando muitas vezes a higiene dos dedos – marcaram a infância de muitas crianças e jovens de finais do século XX, que ainda hoje os recordam com afecto e saudade. E se, para os 'millennials', estas recordações envolvem, sobretudo, os Tazos, Matutolas, Caveiras Luminosas e Pega-Monstros, os membros mais novos da Geração X têm também o seu próprio 'lote' de brindes saudososamente memoráveis, dos 'Tous' e 'Janelas Mágicas' do Bollycao às duas colecções de autocolantes que focamos neste 'post'.


Oferecida nas batatas fritas da Matutano logo em inícios da década de 90, a colecção de autocolantes luminosos de fantasmas constitui o epítoma do brinde mais 'simplista' da era pré-Matutazos, quando a criança média portuguesa era menos exigente neste aspecto, e apreciava apenas a oportunidade de ganhar uma pequena quinquilharia para colar ao caderno ou à mobília do quarto e ver brilhar sempre que as condições luminosas diminuíam. Porque era este o conceito dos Fantasmas Luminosos – nem mais, nem menos. Ao contrário da maioria dos seus sucessores, a colecção não trazia associado qualquer elemento competitivo, focando-se unicamente no instinto coleccionista da maioria dos jovens, na estética ao mesmo tempo 'fofinha' e apelativa dos trinta fantasmas que a compunham, e no elemento diferenciador da luminosidade.

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E a verdade é que a aposta foi ganha com distinção, figurando estes autocolantes entre os brindes favoritos de muitos portugueses hoje na casa dos quarenta a cinquenta anos, junto dos quais fez retumbante sucesso à época do lançamento. Tanto assim que a Matutano se viu motivada a lançar, dois anos depois, uma segunda série, agora com temática alusiva à vida selvagem, mas com o mesmo conceito-base. E se leões, águias, bisontes ou rinocerontes não encaixavam tão organicamente na mecânica do brilho no escuro como fantasmas, nem por isso a promoção Feras Luminosas deixou de ser apelativa ou de fazer sucesso junto do público-alvo, agora acrescido de crianças demasiado novas para recordar os fantasmas originais, e para quem esta era a primeira experiência de encontrar autocolantes luminosos nos pacotes de batatas.

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Duas colecções, em suma, que apesar de simples, retinham aquele apelo intemporal que só algo como os autocolantes consegue gerar junto do público infantil, a ponto de quase se poder dizer que, se lançados hoje, fariam exactamente o mesmo sucesso junto das gerações Z e Alfa que fizeram no tempo dos seus pais. Infelizmente, os brindes alimentares já de há muito desapareceram do quotidiano infantil português, tendo sido discretamente 'retirados de cena' algures na década de 2010, pelo que este cenário terá, forçosamente, de ficar remetido ao campo da conjectura. Certo é que, trinta e cinco anos após o seu aparecimento nos pacotes da Matutano, os Fantasmas Luminosos ocupam, ainda, lugar de destaque na memória nostálgica da parcela mais velha da geração 'millennial' portuguesa, e da metade mais nova da geração 'X', para quem continuam a ser um dos melhores brindes alimentares alguma vez veiculados no nosso País.

21.02.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 19 e Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Podiam vir da livraria ou da tabacaria ou quiosque, e ser mais focados em conteúdos educacionais ou oferecer um pouco mais de diversão pura e dura; em qualquer dos casos, constituíam um ponto alto no dia de qualquer criança, sendo capazes de proporcionar várias horas divertidas após um dia de escola, ou mesmo durante um fim-de-semana. Falamos, claro está, dos livros com autocolantes, uma daquelas diversões intemporais e transversais a, pelo menos, as últimas três gerações, da qual falaremos em mais um 'post' duplo no Anos 90.

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Exemplo moderno do conceito em causa.

Diferentes das tradicionais cadernetas de cromos por não fomentarem o aspecto social ou coleccionista (sendo, na maioria dos casos, auto-contidos) estes livros funcionavam, no entanto, num contexto algo semelhante, oferecendo aos jovens leitores cenários e temas sobre os quais aplicar os autocolantes fornecidos em conjunto com o livro, os quais diziam, por sua vez, respeito a esse tema. Assim, um livro sobre animais teria provavelmente como fundo de página um cenário natural ou um jardim zoológico sobre os quais colar os autocolantes de 'bicharada', outro sobre viagens poderia ter estradas, portos ou aeroportos nos quais colocar carros, barcos ou aviões, ou focar-se em destinos como a praia ou o campo, cada qual com o seu grupo de autocolantes decorativos. As crianças eram, assim, incentivadas a relacionar elementos entre si de modo a que fizessem sentido, dando à experiência um aspecto didáctico que complementava a diversão inerente a um destes tomos – afinal, qual é a criança que não gosta de aplicar autocolantes aos mais diversos sítios?

Talvez por este misto de simplicidade, didatismo e apelo directo aos gostos do público-alvo, os livros com autocolantes mantêm-se 'em alta' entre as camadas mais jovens da população até aos dias de hoje, sendo ainda relativamente fáceis de encontrar nos mesmos meios que os vendiam algures há três décadas – um paradigma que, ao contrário da maioria dos que aqui vimos relembrando, não se prevê que mude num futuro próximo. Afinal, por muito avançado que seja no momento presente, o meio digital não é, ainda, capaz de reproduzir a sensação única de destacar um autocolante da respectiva folha e, com ele, 'embelezar' o cenário proposto na página, e que já há vários minutos vem 'puxando' pela imaginação...

03.08.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Na última edição desta rubrica, falámos dos 'Tous', a colecção de autocolantes do Bollycao que constituiu um dos primeiros casos de brindes grátis em produtos alimentares em Portugal, uma faceta pela qual a própria Panrico, a par da Matutano, Kellogg's e Nestlé, se viria a tornar conhecida durante as três décadas seguinte. Agora, chega a vez de falarmos de outra popular promoção da panificadora, lançada alguns anos depois da pioneira colecção e das suas 'sucessoras', as Janelas Mágicas: a colecção de cromos da Sega.

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Algumas das reproduções de capas constantes da colecção.

Como a própria descrição indica, tratava-se de uma série de autocolantes alusivos a uma das duas principais companhias produtoras de consolas e videojogos da época, sendo a maior parte dedicada a reproduções das capas de alguns dos mais populares títulos para as suas, então, três consolas, e a restante parcela reservada para uma série de desenhos originais e inéditos com a mascote da empresa, o popularíssimo Sonic, como protagonista, e que se dividiam entre situações quotidianas e imagens do famoso porco-espinho a segurar ou interagir com letras do alfabeto árabe.

Assim, além de reproduções fiéis das capas de alguns dos vários cartuchos disponíveis para Master System, Game Gear e Mega Drive (numa época em que as capas da maioria das caixas de videojogos eram, em si mesmas, uma forma de arte), os consumidores de Bollycao (e, conforme já referimos no artigo sobre o produto em si, essa demografia englobava a esmagadora maioria dos jovens portugueses) podiam também, com alguma sorte, contar com algumas ilustrações ´à maneira' para colar nos móveis do quarto ou nas capas dos 'dossiers' e cadernos, ou até para soletrarem o próprio nome – vertente que, quando aliada ao atractivo inerente à própria marca, ajudava a assegurar um sucesso fácil para a promoção.

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Os dois tipos de cromos com Sonic como protagonista.

E a verdade é que, apesar de menos recordada hoje em dia do que a colecção dos 'Tous' (já para não falar de outras promoções equivalentes, sobretudo as lançadas pela Matutano) a colecção de autocolantes da Sega contou, à época, com bastante sucesso e aderência por parte do público infanto-juvenil português, que se começava rapidamente a habituar à ideia de obter um brinde atractivo na compra das suas 'comidas de plástico' favoritas – razão suficiente para, mais de trinta anos após o seu aparecimento nas embalagens dos famosos pães com chocolate da Panrico, lhe dedicarmos algumas linhas neste nosso blog nostálgico.

13.07.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Comprar certos produtos alimentícios (como cereais, batatas fritas, produtos à base de pão ou ovos de chocolate) era, para a juventude dos anos 90, sinónimo de ganhar uma qualquer 'quinquilharia' de brinde com o pacote; e se a Matutano era a 'rainha' deste tipo de oferta, com quase todas as suas promoções a entrarem na 'História' nostálgica portuguesa, o Bollycao da Panrico pouco lhe ficava atrás, tendo sido responsável por várias outras das ofertas mais memoráveis daqueles anos mágicos de finais do século XX. E, dessas, talvez a mais saudosamente recordada tenha mesmo sido a original – a dos cromos conhecidos como 'Tous'.

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Introduzida no país vizinho ainda nos anos 80, a emblemática colecção 'aterrava' em Portugal logo no início da década seguinte, tornando-se a primeira de muitas promoções de que as crianças e jovens nacionais desfrutariam ao longo dos vinte anos seguintes; e se o conceito era relativamente simples (tratavam-se, apenas, de autocolantes, sem qualquer 'especialidade' ou 'truque') o grafismo irreverente e a personagem ao estilo desenho animado ou 'graffitti' aliaram-se ao 'factor novidade' para garantir que esta colecção ficava indelevelmente gravada na memória colectiva da geração 'millennial'.

O sucesso dos 'Tous' foi, aliás, tal que a colecção gozou, à época, de uma segunda série e, três décadas mais tarde, de um 'reboot', pela mão da Paniniem que a carismática personagem verde se via envolvida em acções mais actualizadas - como participação nas redes sociais, entre outras – como forma de aliciar a nova geração digital. No entanto, para os seus antecessores, foram mesmo aquelas duas séries de inícios dos 'noventa' – num total de cento e quinze cromos, cinquenta da primeira série e sessenta e cinco da segunda – que deixaram 'marca', a um nível a que, poucos anos mais tarde, apenas promoções bem mais elaboradas e publicitadas (como os Tazos ou os Pega-Monstro) conseguiriam almejar, tendo mesmo sido recordada por Nuno Markl num episódio da sua 'Caderneta de Cromos'. Como reza o adágio dos Corn Flakes da Kellogg's, 'o original é sempre o melhor' – e, no caso dos 'Tous', tal afirmação só se pode considerar verdadeira.

16.06.22

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer jovem interessado no coleccionismo de cartas, cromos ou autocolantes sabe o valor – efectivo ou atribuído – de um exemplar metalizado; mesmo em instâncias em que estas não são as peças mais difíceis de conseguir da colecção, há algo na aparência, brilho e 'efeito especial' de uma imagem deste tipo que a distingue, para melhor, de todas as outras, tornando-a inevitavelmente numa das mais cobiçadas de qualquer conjunto.

Em meados dos anos 90, a omnipresente editora Abril/Controljornal percebeu o valor deste fenómeno e resolveu capitalizar sobre o mesmo, através da criação de uma colecção constituída INTEIRAMENTE por autocolantes metalizados, e 'reforçados' com um efeito holográfico, para garantir que se tornavam apelativos junto do público-alvo.

Nasciam assim as Holoucuras, oferecidas como brinde com as revistas aos quadradinhos da Abril – quer da Marvel e DC, quer da Disney – durante um determinado período, por volta de 1996/97, e cujas saquetas amarelo-vivo traziam uma indicação relativa a um determinado número de pontos, que podiam ser coleccionados e trocados por prémios, ainda que a natureza dos ditos cujos se perca hoje nas brumas do tempo.


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Exemplo de uma publicação da editora com a saqueta de brinde.

A razão para esta falta de informação é, aliás, simples de explicar – fosse por que razão fosse, as Holoucuras não 'pegaram' como a Abril certamente esperava, constituindo hoje em dia apenas uma vaga lembrança remota na mente de quem, à época, lia os títulos de banda desenhada da editora; de resto, a colecção holográfica da Abril (por sinal, até bastante bem conseguida) não passa de mais uma de muitas tentativas falhadas de criar uma nova 'febre' de recreio, que se junta às suas congéneres como apenas mais uma nota de rodapé na História global da década de 90 em Portugal.

09.02.22

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

...como é o caso dos autocolantes para pôr no carro.

Aproveitando a deixa de termos, no nosso último post, falado do Vitinho – o qual, entre outras coisas, fez 'carreira' como protagonista de autocolantes 'Bebé a Bordo' – nada melhor do que dedicar todo um post à enorme variedade de autocolantes que pululavam nos vidros e partes traseiras dos carros portugueses durante as décadas de 80, 90 e 2000.

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Todos os vimos, todos nos lembramos deles, e até haverá decerto quem os tenha tido no seu próprio carro– fosse qual fosse o propósito (informativo ou meramente decorativo), estes autocolantes eram visão comum em qualquer passeio por uma rua portuguesa durante o referido período, indo os seus motivos e temas desde a publicidade a estações de rádio ou discotecas (esta última responsável pelos dois mais famosos exemplos do género, a famosa silhueta da Penélope e o autocolante da algarvia Kadoc) aos referidos autocolantes destinados a informar os outros condutores da presença de crianças no veículo, passando pelo igualmente emblemático 'P' de Portugal (obrigatório para quem viajava para o estrangeiro) ou por símbolos instantanemente reconhecíveis, como o coelhinho da Playboy ou a língua dos Rolling Stones.

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Talvez o mais famoso autocolante para automóvel daquela época

Em comum, todos estes autocolantes tinham o facto de terem de ser colados no vidro do automóvel 'ao contrário' – ou seja, pelo lado de dentro e com o desenho 'de costas' para quem colava – o que, só por si, já os tornava motivo de interesse para quem estava habituado aos mais vulgares cromos ou 'stickers', colados de fora para dentro. Já para quem passava, estes dísticos atraíam inevitavelmente o olhar, tanto pela sua localização inusitada como pelos esquemas de cores vivos, quase berrantes, que normalmente empregavam.

Hoje em dia, já é muito pouco comum ver autocolantes destes em carros. O 'Bebé a Bordo' continua a existir, claro (visto não terem deixado de haver os referidos bebés a bordo), mas mesmo esse tipo de sinais é, hoje, bem mais discreto do que o era naquela época; já os restantes tipos de autocolante praticamente desapareceram de circulação, embora ainda se veja, aqui e ali, um símbolo da FPF ou coisa parecida. Uma rápida pesquisa pela net, no entanto, revela que estes autocolantes deixaram mesmo saudades, pelo que uma onda revivalista relativa aos mesmos talvez já não esteja assim tão longe...

09.12.21

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa edição anterior desta rubrica, dedicámos a nossa atenção às colecções de cromos, uma das principais categorias de 'quinquilharia' presentes no bolso ou estojo de qualquer criança dos anos 90. Os 'stickers' para a caderneta estavam, no entanto, longe de ser o único artigo deste tipo a merecer a atenção dos mais pequenos durante aquela época; pelo contrário, qualquer pedaço de papel plastificado com verso aderente era grandemente apreciado – e avidamente procurado – pela demografia em causa.

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As famosas folhas de autocolantes dos anos 90

Os autocolantes estavam longe de ser um fenómeno exclusivo dos anos 90 – na verdade, a sua época áurea tivera início na década anterior – mas não há como negar que, no final do século XX, os mesmos se encontravam ainda muito em voga entre as crianças e jovens, fossem eles adquiridos por via promocional ou adquiridos na tabacaria, naquelas famosas folhas com séries de pequenos desenhos relacionados ao mesmo tema. E havia autocolantes alusivos a tudo, desde as óbvias motas, monstros, princesas e cenas 'fofinhas' até bandas, países, desenhos animados e, claro, produtos e serviços oferecidos por companhias que procuravam estabelecer-se no mercado - isto, claro, sem esquecer os oferecidos como brinde na compra de artigos alimentares, como as famosas colecções dos 'Tou's' do Bollycao ou dos jogos da Sega, das Donetes.

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Uma das mais famosas séries de autocolantes da década

Qualquer que fosse a origem ou temática, no entanto, os autocolantes eram invariavelmente açambarcados, e tinham sensivelmente os mesmos destinos: a capa do caderno ou 'dossier' (que, se fosse lisa, era revestida de autocolantes na frente e verso para formar uma colagem ao estilo mosaico), o armário do quarto ou cabeceira da cama, a tampa da consola, o 'skate' ou bicicleta e até, para os mais imaginativos, locais como o tanque do peixinho ou tartaruga (nos anos 90, rara era a casa com crianças que não tinha, pelo menos, um autocolante num sítio insólito ou inesperado.) As crianças dos anos 90 simplesmente adoravam o efeito que aqueles pedaços de papel adesivo colorido davam a superfícies que, sem eles, pouco brilho tinham, e não é portanto de admirar que os mesmos fossem presença assídua nos bolsos dos mesmos, no meio de todas as outras 'quinquilharias' de que aqui falamos regularmente.

Como quase tudo de que aqui falamos, também os autocolantes foram praticamente 'obliterados' pelo advento da era digital – excepto, estranhamente, no mundo da música, onde continuam a ser um brinde bastante utilizado e apreciado. Ainda assim, qualquer pessoa que tenha decorado a tampa do seu portátil com um cromo ou adesivo se lembrará do tempo em que não era só um, mas muitos, espalhados um pouco por todo o quarto, nos brinquedos e nos livros da escola...

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