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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.11.23

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 4 de Novembro de 2023.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Hoje em dia, uma criança citadina que queira experienciar um pouco da vida campestre – nomeadamente no tocante aos animais vulgarmente encontrados em ambientes rurais – tem toda uma série de instalações onde o pode fazer, espalhadas de Norte a Sul do País; a maioria destas, no entanto, tem menos de duas décadas de existência, sendo que, em finais do século passado, apenas uma instalação oferecia tal possibilidade – a Quinta Pedagógica dos Olivais, em Lisboa.

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Vista aérea do espaço.

Visitado pelo menos uma vez por qualquer turma do ensino básico de uma escola lisboeta da segunda metade dos anos 90, este espaço de dois hectares gerido pela Câmara Municipal de Lisboa – situado em pleno coração urbano da cidade, mas que conseguia fazer parecer o contrário – abriu portas pela primeira vez há vinte e sete anos, concretamente a 16 de Abril de 1996, com a proposta de permitir às crianças urbanas ficar a conhecer e tomar contacto com animais com que os seus congéneres campestres conviviam diariamente, como cabras, ovelhas, galinhas, perus, cavalos ou vacas, entre outros. Ao visitar o espaço, as crianças eram, assim, encorajadas a interagir com cada um destes animais, o que ajudava, entre outras coisas, a minimizar quaisquer medos ou fobias relacionados com os mesmos. Além desta vertente principal, a Quintinha organizava também uma série de ateliers e actividades, ligados tanto aos trabalhos manuais quanto à horticultura ou culinária, o que fazia do espaço um excelente auxiliar pedagógico para diversas vertentes, que não apenas o Estudo do Meio ou a ecologia.

Escusado será dizer que a instalação era um sucesso entre o público-alvo, suscitando o aparecimento, em anos e décadas subsequentes, de um sem-número de espaços semelhantes, dos quais os primeiros se situaram no Jardim Zoológico de Lisboa e na zona dos Prazeres, na ilha da Madeira. Deve-se, portanto, àquele primeiro espaço em Lisboa o surgimento do paradigma actual, o que torna a instalação em causa mais do que merecedora de um lugar nesta nossa rubrica dedicada a espaços interessantes para uma Saída de Sábado nos anos 90.

14.10.23

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Apesar de a maioria dos tópicos abordados nesta secção serem referentes a actividades em conjunto, as crianças dos anos 80, 90 e 2000 também sabiam brincar sozinhas, mesmo no exterior; e. nessa conjuntura, uma das mais frequentes actividades prendia-se com algo que hoje sabemos ser crueldade animal, mas que, à época, pretendia apenas saciar a curiosidade natural dessa fase do desenvolvimento humano.

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Quem nunca?

Falamos das inúmeras 'brincadeiras' e 'experiências' que tinham como vítima os insectos e outros animais de porte microscópico, como os girinos e peixes bebés; e ainda que algumas destas fossem relativamente inocentes (como apanhar peixinhos, girinos ou 'alfaiates' no balde, na praia, ou num copo ou recipiente, no rio) outros cruzavam, efectivamente, o limiar da crueldade, como o arrancar das asas às moscas, impedindo-as de voar, o agarrar em borboletas pelas asas, o desenrolar forçado de bichos de conta, o desenterrar de minhocas da terra, o esborrachamento de formigas com os dedos ou a inserção de paus ou agulhas de caruma nas cascas dos caracóis para os fazer sair. Não deixa de ser estranho que, entre uma demografia que condenava intrinsecamente outros actos (como queimar formigas com lupas, por exemplo) este tipo de acções fosse tomado como perfeitamente normal, mas era precisamente isso que se passava, não havendo certamente um único membro das gerações 'X' e 'millennial' que não seja culpado de ter feito pelo menos uma destas coisas, pelo menos uma vez - por aqui, por exemplo, esborracharam-se ou desviaram-se do rumo muitas formigas em momentos de maior aborrecimento, e também se perturbaram muitos caracóis para os ver 'correr'...

Felizmente, a sociedade evoluiu desde esse tempo, e actos como os anteriormente referidos são, hoje, activamente denunciados, inclusivamente pela demografia equivalente à acima mencionada – apesar de a existência ainda hoje, no Google, de um jogo para telemóvel intitulado 'Ant Smash', já na terceira edição, indicar que talvez nem tanto tenha mudado desde aqueles anos...

07.10.23

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Na última edição desta rubrica, falámos do Oceanário, uma das mais memoráveis Saídas de Sábado para as crianças e jovens de finais dos anos 90, sobretudo as residentes na região de Lisboa. Para essas, no entanto, a nova atracção criada como parte da infra-estrutura da Expo '98 não era o único local onde se podiam ver, ao vivo e a cores, peixes e outros elementos da fauna aquática; nada mais justo, portanto, do que dedicarmos esta semana algumas linhas ao seu principal 'concorrente'.

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A fachada do edifício permanece praticamente inalterada desde a época em causa.

Falamos do 'velhinho' mas icónico Aquário Vasco da Gama, já à época centenário, mas ainda capaz de fazer as delícias dos entusiastas da vida aquática, com a sua vasta gama de peixes e algumas 'atracções especiais', que faziam com que uma Saída de Sábado ao dito estabelecimento valesse bem a pena – mesmo tendo em conta as relativas dificuldades em chegar à zona limítrofe de Algés e Dafundo, onde o mesmo se situava. Isto porque, se o Oceanário aliciava os visitantes com a possibilidade de ver lontras-marinhas, o Aquário contava, à época, com uma instalação dedicada aos leões-marinhos, onde os visitantes podiam admirar alguns exemplares da dita espécie; mais tarde, este mesmo recinto, localizado no extremo mais distante do edifício, passou a albergar pinguins, uma alternativa apenas marginalmente menos interessante e entusiasmante.

Além desta 'atracção principal', o Aquário Vasco da Gama dos anos 90 contava, ainda, com outro aliciante óbvio – no caso, um fóssil de lula gigante, com lugar de honra perto da entrada, e que não deixava de causar espanto e admiração nos jovens visitantes. Em conjunto com outros pequenos 'toques' interactivos (como a caixa que permitia ouvir os 'choques' emitidos pelas enguias eléctricas do outro lado do vidro) e com as instalações já de si atractivas e bem decoradas, estes elementos contribuíam para fazer do Aquário uma alternativa mais clássica e antiquada, mas não menos interessante ou apelativa, ao Oceanário, dando às crianças e jovens de Lisboa e arredores a possibilidade de escolha no tocante à observação de animais aquáticos – razão mais que suficiente para lhe dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada a locais memoráveis para uma saída de fim-de-semana.

06.10.23

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

O género cinematográfico dos 'animais falantes' teve, nos anos imediatamente antes e depois da viragem do Milénio, a sua época áurea. Ao passo que os filmes centrados em animais do período mais clássico – entre os anos 50 e 70 – preferiam que fossem as acções dos protagonistas a construir e conduzir a narrativa, os seus congéneres de finais do século XX e inícios do seguinte não deixavam qualquer informação importante ao acaso, fazendo questão de transmiti-la na voz de uma qualquer celebridade, super-imposta aos movimentos labiais (acidentais ou gerados por computador) de um qualquer 'bicho'. E a verdade é que, no que toca a animais para 'fazer' falar, os papagaios estão inegavelmente entre as escolhas mais naturais, dada a sua habilidade intrínseca para aprender e reproduzir sons.

Está, assim, explicada a linha de pensamento por detrás de 'Paulie – O Papagaio Que Falava Demais', um filme cuja premissa é, literalmente, o reconto, por parte de um papagaio falante, das suas aventuras depois de ser separado da sua família adoptiva, e que procurava, claramente, almejar o mesmo nível de sucesso dos dois 'Regresso a Casa' ou da então incipiente franquia 'Doutor Doolittle'. E apesar de não ser, hoje em dia, lembrado com a mesma nostalgia de qualquer dessas duas propriedades, a verdade é que a película não deixa de constituir uma boa alternativa para uma tarde de fim-de-semana em família, até por não se dar aos excessos pseudo-cómicos de qualquer dos seus 'concorrentes'.

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Capa do DVD nacional do filme (crédito da foto: OLX).

De facto, no cômputo geral dos filmes de animais da década de 90, 'Paulie' é um filme menos frenético e hiperactivo do que 'Doutor Doolittle' ou 'Beethoven', colocando maior ênfase na aventura e nas relações interpessoais do que nas piadas constantes, sem no entanto perder o humor trazido pela interpretação de Jay Mohr como o personagem principal – sendo que, neste aspecto, o mesmo se aproxima sobremaneira do supramencionado 'Regresso a Casa' e respectiva sequela, ou ainda dos dois capítulos da saga 'Babe', o segundo dos quais produzido no mesmo ano. Efectivamente, apesar de as peripécias de Paulie se prestarem a vários momentos cómicos, sempre pontuados pelos 'dichotes' do papagaio, e dos diversos e caricatos humanos com quem se cruza, o cerne do filme reside, sobretudo, na carga emocional de ver o 'bicharoco' perder a família e acabar como cobaia num laboratório, sem que tal destino lhe retire a esperança e o optimismo, apesar do adivinhado fim trágico que se avizinha – um desfecho que, podendo ser algo 'forte' para a geração actual, não era totalmente incomum em filmes infantis mais clássicos, em que nem sempre tudo acabava bem.

Em suma, apesar de estar longe de ser um clássico ao nível dos restantes filmes mencionados neste 'post', 'Paulie' não deixa de constituir uma forma agradável de 'matar' uma hora e meia, capaz de manter as crianças interessadas sem aborrecer (muito) os adultos; perfeito, portanto, para um qualquer fim-de-tarde deste 'Verão de S. Martinho' antecipado que se vive actualmente em território português.

09.09.23

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui falámos, por alturas do vigésimo-quinto aniversário da EXPO '98, de alguns dos edifícios com que a mesma contribuiu, à guisa de legado, para a malha urbana lisboeta. De uma gare centralizada (a Estação do Oriente) a uma nova ponte sobre o Tejo (a Vasco da Gama), passando por uma sala de concertos - que adquire nova designação a cada poucos anos, mas que será para sempre conhecida, informalmente, como o 'Pavilhão Atlântico' – o segundo maior 'shopping' lisboeta (também designado Vasco da Gama) e até a área circundante a todas estas infra-estruturas, o chamado Parque das Nações, local privilegiado para uma Saída de Sábado em dia de sol. E caso o tempo decida não 'colaborar' – como vem sendo o caso neste mês de Setembro de 2023 – o Parque oferece uma excelente alternativa a uma tarde passada no hipermercado, dentro de uma sala de cinema ou 'enfiado' por entre as lojas do centro comercial: uma singela estrutura conhecida como Oceanário de Lisboa.

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O espaço na actualidade.

Originalmente denominada Pavilhão dos Oceanos, durante a própria exposição, o espaço hoje conhecido como Oceanário destacou-se, desde logo, pela sua traça arquitectónica, semelhante à de uma aeronave projectada sobre uma baía artificial no Rio Tejo, e que não tardaria a conquistar os corações dos especialistas do ramo, tendo, ainda nesse ano de 1998, obtido uma menção honrosa para o Prémio Valbom de Arquitectura. O apelo do segundo maior aquário ibérico ia, no entanto, muito além do seu 'design', tendo o mesmo ano de 1998 visto o espaço granjear dois prémios relativos aos seus méritos científicos, o primeiro atribuído pela prestigiada revista Time, e o segundo obtido na cidade de Nápoles, em Itália – ambos, aliás,bem merecidos, já que o Oceanário proporcionava uma experiência muito além das oferecidas por infra-estruturas semelhantes, não só em Portugal, mas em toda a Europa.

De facto, a experiência de visitar este espaço era, para qualquer 'puto' português noventista, habituado ao 'velhinho' Aquário Vasco da Gama, absolutamente estonteante, já que permitia passear entre, e por baixo, dos peixes do aquário central, dando a sensação de estar, verdadeiramente, no fundo do oceano, com tubarões e raias a passarem a poucos centímetros dos visitantes. Também de enorme interesse para qualquer jovem da época eram as duas lontras-marinhas residentes no espaço, já que este era um animal, à época, pouco frequente em cativeiro, e que possuía as doses exactas de charme e comportamentos únicos para cativar qualquer pequeno entusiasta de animais. Talvez por isso, aquando da morte das lontras originais, Eusébio e Amália, o Oceanário tenha 'repescado' as duas crias das mesmas, denominadas Micas e Maré (ambas entretanto também já falecidas), do Jardim Zoológico de Roterdão, para que as mesmas dessem continuidade ao legado iniciado pelos seus progenitores.

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As lontras eram, à época, a principal atracção do Oceanário.

E se estas duas atracções – juntamente com três outros aquários adjacentes, tematizados a diferentes regiões do Mundo, e cerca de duas dezenas e meia de aquários mais pequenos – constituíam a 'espinha dorsal' do Oceanário original, uma visita ao espaço nos dias que correm oferece ainda muito mais que ver, já que o mesmo foi expandido já na segunda década do Novo Milénio, tendo sido construído um novo edifício, denominado 'Edifício do Mar'; pouco depois, em 2015, o Oceanário foi concessionado por trinta anos a uma subsidiária do Grupo Jerónimo Martins, que ainda chegou a tempo de recolher os dividendos das duas nomeações consecutivas como 'Melhor Aquário da Europa' por parte do site de viagens TripAdvisor, em 2015 e 2016. Desde então, o Oceanário tem seguido de vento em popa e, sob os auspícios da mascote oficial 'Vasco' (substituto do Gil) continuado a afirmar-se como um dos melhores espaços da sua índole na Europa, justificando tanto (ou mais) a visita hoje como há pouco mais de um quarto de século, quando constituía um dos destaques da excepcional Exposição Mundial de Lisboa.

05.09.23

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Ao falar de um concurso de cultura geral dirigido a um público infanto-juvenil, com dupla de apresentadores masculina e feminina e canções sobre animais posteriormente lançadas em disco, a resposta de dez em cada dez 'X' e 'Millennials' lusitanos será, certamente, apenas uma: 'Arca de Noé', o lendário concurso que tornou Fialho Gouveia, Carlos Alberto Moniz e Ana do Carmo nomes conhecidos e acarinhados entre as demografias mais jovens. No entanto, a verdade é que, sensivelmente na mesma altura, ia também ao ar na RTP um outro concurso de cultura geral dirigido a um público infanto-juvenil, com dupla de apresentadores masculina e feminina e canções sobre animais posteriormente lançadas em disco, e com a participação directa de um cantautor chamado Carlos e conhecido pelas suas composições especificamente dirigidas às crianças e jovens.

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Podem parecer demasiadas coincidências, mas a verdade é que se deram mesmo, sendo que, durante um breve período em inícios dos anos 90, o Tio Carlos e o Avô Cantigas fizeram concorrência um ao outro pelos corações das crianças portuguesas, com dois programas muito semelhantes. De facto, 'Vitaminas' quase pode ser considerado uma versão de 'Arca de Noé' produzida sob o efeito de drogas psicotrópicas, com os cenários sóbrios a darem lugar a um mundo de banda desenhada psicadélico, onde cabiam tanto a faceta de concurso como números musicais e até 'sketches' humorísticos, como aqueles em que um personagem totalmente 'sem noção' (no caso Félix Fracasso, interpretado por António Cordeiro) invadia o auditório e atrapalhava o andamento do programa, tão populares nos concursos 'para graúdos' da altura, e aqui adaptados ao contexto infantil.

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A dupla de apresentadores do programa.

Particularmente dignos de nota eram os segmentos em que Carlos Alberto Vidal 'entrevistava' animais (ou antes, pessoas dentro de fatos de animais, como é óbvio) como forma de transmitir alguns factos sobre os mesmos – uma preocupação partilhada com o 'concorrente' directo. Cada um dos 'animais' assim entrevistado virava, depois, tema do número musical do episódio, tendo estes, mais tarde, formado a base do LP alusivo ao programa, lançado na mesma época e interpretado por Carlos Alberto Vidal. Também notáveis, pela sua bizarria, era a rubrica 'Patati Patata', em que os dois apresentadores, Vidal e Sofia Sá da Bandeira, vestiam a pele dos personagens titulares e habitavam um espaço perpetuamente acelerado, alucinado e abstracto, que pouco ou nada parecia ter a ver com a porção competitiva do programa.

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O LP com as músicas do programa.

Era, precisamente, esta fusão única de humor, 'performance' artística e concurso competitivo que tornava 'Vitaminas' mais do que apenas um 'aproveitador' da fama de 'Arca de Noé', fazendo com que valesse a pena sintonizar a RTP1 aos Sábados de manhã para ver que bizarrias guardava o episódio daquela semana. E ainda que, hoje em dia, o programa pouco mais seja do que uma distante memória psicadélica na mente do então público-alvo, a verdade é que, à época, constituiu um conceito inovador – talvez até em demasia, já que o seu 'tempo de antena' foi de apenas cerca de um ano, vindo a concluir-se algures em 1992. Ainda assim, quem viveu aquelas transmissões em 'primeira mão' certamente estará, neste momento, a ver 'desenterram-se' dos cantos mais recônditos do seu cérebro imagens, frases e refrões de cantigas sobre animais julgadas há muito esquecidas – por aqui, é certamente esse o caso...

Peça alusiva ao programa na rubrica 'Retroescavadora', da RTP Memória, onde se podem ver alguns trechos do mesmo.

16.08.23

NOTA: O post de hoje é respeitante a Terça-feira, 15 de Agosto de 2023.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
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Na era anterior à massificação e expansão da Internet para o chamado 2.0, o CD-ROM era o grande veículo para armazenamento e consulta de informação em formato digital - a ponto de muitos vaticinarem que, a curto prazo, o mesmo substituiria o livro como principal recurso disponível em bibliotecas e arquivos por esse Mundo fora. E ainda que essa profecia não se tenha chegado a realizar (muito por culpa da referida Internet 2.0) a verdade é que o CD-ROM deixou na sua esteira um legado de muitos e bons títulos de cariz informativo e educativo; já aqui anteriormente falámos da Encarta e, esta semana, falaremos de um título muito semelhante, ainda que mais especializado, lançado na mesma altura, e também pela Microsoft. Trata-se de Microsoft Dangerous Creatures, um CD-ROM lançado há exactos vinte e nove anos e que pode ser descrito, de forma sucinta, como uma Encarta especializada em animais - especificamente, nos 'animais perigosos' do título, como o urso e o leopardo que surgem na arte de capa do CD.

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O 'interface' dava, tal como o da Encarta, acesso a textos, imagens e vídeos, divididos por secções como 'habitat', região do Mundo onde vivem, 'armas' de ataque ou simplesmente guias sobre animais semelhantes. Grande parte deste conteúdo é retirado de livros especializados ou da programação de canais como a BBC e National Geographic, e narrado por Robert Zink, Cindy Shrieve e Annette Romano, criando algo novo e, na altura, impressionante do ponto de vista tecnológico.  E ainda que, hoje em dia, o tipo de conteúdo oferecido por 'Dangerous Creatures' seja por demais corriqueiro, existiu (e existe) toda uma geração de entusiastas de animais para quem o programa foi um 'divisor de águas', e um dos primeiros exemplos do que o então novo formato em CD possibilitava.

30.07.23

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 29 de Julho de 2023.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Para qualquer criança ou jovem português, tanto dos anos 90 como de hoje em dia, o Verão é sinónimo de uma coisa: férias grandes. E, para a grande maioria dessa demografia, as férias grandes eram (são), por sua vez, sinónimo de uma região: o Algarve. De facto, antes da globalização e normalização das viagens para destinos no estrangeiro, o Sul de Portugal era o grande 'pólo aglutinador' de veraneantes (tanto locais como oriundos de outras partes do País ou do Mundo) devido à sua irresistível combinação de clima ameno, mar calmo, e uma infraestrutura turística suficientemente vasta para ninguém se aborrecer – infraestrutura essa que, a partir da década de 90, passou a contar com mais um ponto de interesse, em particular para o público infanto-juvenil: o Zoomarine.

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De facto, o parque zoológico inaugurado em 1989 na Guia, nos arredores de Albufeira, apresentava uma proposta de valor absolutamente irresistível, permitindo aos visitantes não só desfrutar de todas as atracções típicas de um parque temático do seu tipo como também ver de perto uma grande variedade de animais marinhos – à semelhança do que fazia o Aquário Vasco da Gama, em Lisboa, e do que mais tarde faria o Oceanário da Expo '98 – observá-los 'em acção' no espectáculo de acrobacias (característica partilhada com o Jardim Zoológico de Lisboa) e, sobretudo, interagir com eles, dentro da própria piscina.

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A oportunidade de nadar com golfinhos continua a ser a grande atracção do Zoomarine.

Escusado será dizer que foi esta última vertente – que, em Lisboa, ficava restrita a umas quantas crianças 'sortudas' por espectáculo – que cimentou a reputação do Zoomarine, e o tornou um destino quase tão cobiçado como uma Eurodisney pelas crianças e jovens portugueses, que desejavam ferventemente nadar com golfinhos e ver de perto as orcas, animal que não existia em mais nenhum parque zoológico ou aquático na Península Ibérica. Já no Novo Milénio, o sucesso e a natureza icónica do parque entre a referida demografia fizeram, mesmo, dele um dos locais de filmagem para a lendária telenovela juvenil 'Morangos com Açúcar', onde foi rebaptizado como 'Zoomarinho' – um nome, aliás, que muitos visitantes já pensavam ser o seu...

Naturalmente, a própria natureza do Zoomarine não o deixou imune a controvérsias; antes pelo contrário, as mesmas continuam a suceder-se com bastante regularidade até aos dias de hoje, sobretudo por parte de associações e grupos de defesa dos animais, que consideram o tratamento dos animais do parque abusivo, devido ao reduzido tamanho das instalações de descanso e até das próprias piscinas, já para não falar das referidas interacções com o público, um tópico eternamente controverso. Simultaneamente, no entanto, a atracção é respeitada do ponto de vista da conservação, âmbito no qual desenvolve vários programas, bem como na vertente turística, ganhando anualmente uma série de prémios e figurando no Top 10 de parques de fauna aquática na Europa promovido pelo 'site' TripAdvisor, onde ocupa o sétimo lugar.

Assim, é muito pouco provável que o Zoomarine venha a fechar num futuro próximo – embora tenha sido esse, precisamente, o caso com o 'congénere' americano SeaWorld. Até lá, a atracção algarvia continuará, certamente, a atrair milhares de visitantes todos os Verões, e a afirmar-se como fonte de cobiça e inveja para quem – como foi o caso do autor deste blog durante a época áurea de promoção do parque – nunca teve ensejo de lá ir...

 

19.07.23

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

A natureza, e todos os seus mistérios, exercem tradicionalmente um considerável fascínio junto do público jovem, em Portugal e não só; assim, não é de surpreender que muitas escolas primárias por esse Mundo fora optassem (e continuem a optar) por introduzir um elemento de sensibilização natural nos seus programas lectivos, normalmente por meio de uma 'horta' (ou simplesmente alguns vasos na parte traseira da sala) ou da interacção com um qualquer animal. E ainda que os métodos e pontos de vista em relação a estas práticas se tenham alterado consideravelmente nos últimos anos, em Portugal, em finais do século XX, um projecto deste tipo era quase sempre sinónimo com a criação de bichos da seda.

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As origens desta quase-tradição das escolas básicas portuguesas de então é pouco clara, mas serão poucos os jovens daquela época que afirmem nunca ter tentado manter vivos aqueles bicharocos dentro de uma caixa de sapatos forrada com algodão. Fosse como projecto de turma ou para 'levar para casa', a criação de larvas de 'Bombyx mori' era quase tão comum como a germinação de sementes num frasco (curiosamente, também com recurso a algodão) ou do que aqueles bonecos de estopa com 'cabelo de relva' tão populares na altura (e que também aqui terão, paulatinamente, o seu momento.) E embora a experiência raramente durasse mais do que uns dias (ou, quando muito, alguma semanas)

Tendo em conta a mudança de mentalidades referida no início deste post, não é de estranhar que esta prática tenha caído em desuso; afinal, o espectro de atenção das crianças é notoriamente curto, e muitos terão, certamente, sido os pobres 'bicharocos' sacrificados em prol destas experiências pedagógicas, fosse como resultado de negligência, fosse pela falta dos recursos e ambiente necessários à sua sobrevivência. Assim, tal como sucedeu com a adopção de animais de estimação exóticos, este é um costume cujo abandono acaba por ser positivo – o que não obsta a que o mesmo tenha feito parte integrante do processo formativo e pedagógico de toda uma geração de jovens portugueses...

19.03.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui referimos anteriormente que a revolução tecnológica dos anos 80 e 90 nem sempre se fez sentir apenas a um nível 'macro'; pelo contrário, as décadas em causa trouxeram igualmente uma série de novas possibilidades quase imperceptíveis, mas que viriam mudar para sempre o panorama social ocidental, nos mais diversos campos e das mais diversas formas. Como um dos principais beneficiados pelas novas tecnologias emergentes, o sector dos brinquedos não poderia, evidentemente, ficar imune a estas tendências, e os últimos vinte anos do século XX ficaram marcados por uma evolução gradual mas inegável dos brinquedos 'auto-suficientes', que, pouco a pouco, iam deixando para trás os mecanismos de corda como principal sistema propulsor, e adoptando um novo interface baseado em motores a pilhas.

De facto, da década de 80 em diante, começou a notar-se entre os fabricantes de brinquedos uma notória tendência para adicionar funcionalidades electrónicas em tantos produtos quantos possível, a fim de poder apregoar mais um atractivo aliciante à venda. Das bonecas subitamente falantes aos carros ou pistas com telecomando ou auto-suficientes, macacos tocadores de pratos, flores 'dançarinas', jogos de mesa ou armas com luz e som, foram inúmeros os tipos de brinquedo que se viram 'incrementados' com funcionalidades electrónicas durante essa década e a seguinte, tendo a globalização das pilhas e o decréscimo do custo das partes tecnológicas ajudado a acelerar a produção em massa destes tipos de produtos, invariavelmente produzidos praticamente sem custos em países como a China.

Este fenómeno, por sua vez, ajudou a que os referidos brinquedos chegassem a retalhistas que, alguns anos antes, dificilmente teriam conseguido arcar com os custos de importação, passando a ser vistos menos frequentemente em lojas de brinquedos 'finas' e cada vez mais em drogarias de bairro, lojas dos 'trezentos', máquinas de brindes, ou até a serem vendidos por comerciantes de legalidade duvidosa em plena rua.

Neste último caso em particular, havia um brinquedo que se destacava por sobre todos os outros, e que qualquer jovem dos anos 80 ou 90 terá certamente tido a dado ponto da sua infância: os cãezinhos (e gatinhos) de peluche que andavam e emitiam sons.

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Extremamente fáceis de encontrar numa qualquer 'lojeca' de bairro ou até sobre uma lona na rua, estes animais a pilhas faziam parte daquele lote de brinquedos suficientemente barato para poder constituir uma prenda 'casual' durante um passeio ao centro da cidade (à semelhança dos balões ou das bolas de sabão) e, ao mesmo tempo, divertido e resistente quanto bastasse para entreter uma criança não só no próprio dia, mas durante um período mais alargado.

Normalmente produzidos para se assemelharem a 'cocker spaniels' ou caniches (embora também fosse comum ver gatos ou 'huskies') estes brinquedos tinham uma funcionalidade simples, mas capaz de produzir largos momentos de diversão, sendo capazes tanto de andar como de se sentar, altura em que emitiam uma série de ladridos (ou miados), antes de retomarem a sua marcha; um processo fascinante para qualquer criança, e que tinha o atractivo adicional de servir para confundir e assustar os congéneres 'de carne e osso' dos pequenos animais – e quem nunca tenha activado um destes brinquedos em proximidade ao seu cão ou gato, e gozado a reacção dos mesmos, que atire a primeira pedra.

Tal como tantos outros brinquedos de que falamos nesta rubrica, também estes animais electrónicos acabaram por, ao longo dos anos, se afirmar como demasiado simplistas para agradar à 'geração iPad', acabando por perder preponderância e praticamente se extinguir do imaginário infantil de inícios do século XXI; hoje em dia, os brinquedos vendidos na rua são outros (com destaque para os famosos 'fidget spinners') e, apesar de estes simpáticos peluches 'animados' continuarem disponíveis nos habituais retalhistas grossistas (além de lojas como a Amazon e o eBay) dificilmente serão suficientes para 'encher as medidas' às crianças actuais. Quem ainda tiver o seu (ou UM dos seus, dado que a criança média portuguesa tendia a ter vários ao longo da sua vida) pode, no entanto, tentar 'apresentá-lo' aos seus filhos ou familiares mais novos; quem sabe os mesmos os apreciem o suficiente para fazer estes brinquedos – como tantos outros desta mesma época – voltar a estar na 'moda'...

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