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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.10.21

NOTA: Este post corresponde a Terça-feira, 12 de Outubro de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O aparecimento da SIC, em 1992, representava uma revolução no mercado televisivo português. Enquanto primeira estação privada do país, a emissora de Carnaxide quis, desde logo, deixar evidentes as vantagens de não se encontrar limitada aos ‘guidelines’ e registos a que os canais nacionais se encontravam restritos, apresentando uma grelha programática mais vasta, abrangente e virada ao entretenimento do que aquela por que as RTPs se pautavam.

Um dos esteios iniciais deste manifesto foi, também ele, um programa pioneiro em Portugal, e cuja fórmula não mais viria a ser repetida nos vinte anos após a sua última emissão. Quer tal se devesse a uma mudança nos interesses dos jovens, à cada vez maior expressão da nova ferramenta chamada Internet, ou simplesmente ao facto de qualquer repetição do formato correr o risco de ser inferior, a verdade é que este programa continua – à semelhança de outros, como o Top +, por exemplo – a ser caso único na História da televisão portuguesa, e ainda hoje recordado com carinho por aqueles que o acompanharam.

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Falamos do Portugal Radical, programa que estreou ao mesmo tempo que a emissora onde era transmitido, e que se afirmou como pioneiro na divulgação dos chamados ‘desportos radicais’ junto da população jovem portuguesa. E a verdade é que o ‘timing’ de tal empreitada não podia ter sido melhor, já que o início dos anos 90 marca, precisamente, o primeiro grande ‘boom’ de interesse em modalidades como o skate, os patins em linha, o surf ou a BMX, que viriam a dominar o resto da época. Transmitido entre 1992 e 2002, o ‘Portugal Radical’ conseguiu acompanhar toda a evolução das ditas modalidades, desde os seus primeiros passos como fenómeno ‘mainstream’ até ao momento em que o fascínio com as mesmas começava a arrefecer um pouco, garantindo assim uma audiência constante durante a sua década de existência.

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A apresentadora Raquel Prates

Apresentado, durante a esmagadora maioria desse período, por Raquel Prates, com trabalho jornalístico de Rita Seguro, também do já referido ‘Top +’ (Rita Mendes, do ‘Templo dos Jogos’, tomaria as rédeas da apresentação já no último ano de vida do programa) o ‘PR’, como também era muitas vezes conhecido, era um conceito criado por Henrique Balsemão, a partir da rubrica com o mesmo nome na revista ‘Surf Portugal’, tendo sido exibido pela primeira vez no ‘Caderno Diário’ da RTP, ainda antes do nascimento da SIC. Foi, no entanto, a passagem para o canal de Carnaxide que ajudou a transformar um modesto conceito baseado numa coluna jornalística num verdadeiro fenómeno, com direito a ‘merchandising’ próprio, incluindo a inevitável caderneta de cromos, e ainda um CD com ‘malhas’ de grupos bem ‘anos 90’, como Oasis, Radiohead, The Cult, Smashing Pumpkins, Spin Doctors ou Manic Street Preachers.

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Capa do CD de 'banda sonora' do programa

Mais significativamente, no entanto, o programa terá tido uma influência mais ou menos directa no interesse que a maioria dos jovens portugueses desenvolveu por desportos radicais ao longo da década seguinte, o que, só por si, já lhe justifica um lugar no panteão de programas memoráveis da televisão portuguesa – bem como nesta nossa rubrica dedicada a recordar os mesmos. Uma aposta arrojada por parte da SIC, talvez, mas mais um dos muitos casos em que a atitude ‘nada a perder’ da estação de Francisco Pinto Balsemão viria, inequivocamente, a render dividendos...

 

04.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.

Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.

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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.

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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca

Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…

 

19.04.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E hoje vamos falar de um estilo que, apesar de mais popular entre os jovens, ainda se insere dentro dos parâmetros deste blog – o chamado ‘alternativo’.

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O movimento alternativo dos anos 90 teve expressão, em Portugal, em dois momentos distintos, divididos quase exactamente entre as duas metades da década. O primeiro destes bebia clara inspiração no som e visual ‘grunge’ de bandas como Nirvana e Pearl Jam, e traduziu-se no aparecimento de bandas como SG’s, Turbojunkie, Blind Zero e Lulu Blind, cujo som era claramente influenciado por estes e outros grupos (como os Soul Asylum) mas com sotaque ‘à portuguesa’ – ou, no caso dos Lulu Blind, letras declaradamente em português.

Dos nomes anteriormente referidos, destaque para os Blind Zero, o único dos grupos dessa primeira ‘vaga’ de rock alternativo português a sobreviver até aos dias de hoje, bem como a primeira banda de rock portuguesa a conseguir um Disco de Ouro, e ainda o artista vencedor do prémio de Melhor Banda Portuguesa nos prémios MTV Europe de 2003, já muito depois do pico do seu sucesso. Dos outros, ficam os discos, e as memórias de um som muito ‘de época’, mas ainda assim bem feito, e ainda apelativo nos dias de hoje.

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Blind Zero

Já a segunda vaga de música alternativa em Portugal teve lugar já nos últimos anos da década – sensivelmente a partir de 1997 ou 98 – e ficou caracterizada pela sua muito maior abrangência em relação à primeira fase do movimento. As bandas ‘aceitáveis’ por quem se identificava com este movimento iam, desta feita, do indie pop-rock de uns Wheatus, Weezer ou The New Radicals ao pós-grunge de Hole, Bush, Smashing Pumpkins, Skunk Anansie ou Radiohead (fase pré-hipster), o industrial gótico de Marylin Manson, o pop-punk de Green Day, Blink-182 e Offpsring, o alt/nu-metal de uns Red Hot Chili Peppers, Incubus, Korn e Limp Bizkit, ou mesmo a electrónica de uns The Prodigy. Desde que fosse barulhento, rebelde e pouco comercial q.b. para captar a imaginação dos à época denominados ‘freaks’, era aceite como parte do movimento.

Uma banda, no entanto, sobressai acima de todas as outras, e afirma-se como incontornável ao falar desta segunda fase do movimento em Portugal: Guano Apes. A banda alemã foi, pura e simplesmente, o grupo favorito de um determinado segmento da população portuguesa nos anos que mediaram entre o seu registo de estreia (‘Proud Like a God’, de 1997) e o seu igualmente bem-sucedido sucessor, ‘Don’t Give Me Names’, de 2000. Nesse período de três anos, o colectivo liderado pela giraça Sandra Nasic terá sido, possivelmente, mais popular em Portugal do que na sua própria pátria, sendo as visitas ao nosso país, a certa altura, tão frequentes, que parecia não passarem seis meses sem os Guano Apes cá estarem mais uma vez, a encher mais uma sala de concertos ou duas. Chegaram mesmo a tocar na televisão - e não, não foi num programa de música num canal marado da então jovem TV Cabo. Foi na RTP1, em horário nobre, no programa do Herman José!

Talvez o 'booking' mais marado desde que os RAMP apareceram no Buereré...

Infelizmente (para eles), o interesse do público português na banda esmoreceu bastante depois de ‘Don’t Give Me Names’, tornando a banda em mais uma vítima do fenómeno ‘eu-ouvia-isso-quando-era-puto’. O que, neste caso, até é uma pena, sendo que pelo menos o terceiro disco da banda – ‘Walking on A Thin Line’, de 2003 – ainda se afirma como uma proposta sólida no campo do rock barulhento mas comercialmente viável.

De realçar que, ao contrário da primeira vaga, este segundo fôlego do movimento alternativo não gerou quaisquer bandas portuguesas dignas de nota – à excepção, talvez, e se formos generosos, de uns Anger. A cena musical portuguesa à época estava mais virada para o indie pop-rock, e os novos grupos que surgiram a tentar emular este estilo acabaram por passar despercebidos, ao contrário do que acontecera com os ‘grungers’ ‘tugas alguns anos antes.

Mesmo sem este aspeto, no entanto, esta segunda vaga do ‘alt-rock’ em Portugal – que, aliás, se esticou até ao fim da primeira metade da década seguinte – ficou na memória de muitos jovens, que tinham, na altura, a idade certa para serem influenciados pelos grupos que dela faziam parte. Quem era puto em finais dos ‘90 e nunca usou (ou quis usar…) calças, t-shirts ou pullovers um tamanho acima, correntes e bonequinhos pendurados da mochila, um boné vermelho (para trás, claro), ténis Airwalk ou Vans, ou um daqueles chapeuzinhos tipo panamá com flores havaianas, que se acuse…

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Vocês sabem que se vestiram (ou queriam vestir) assim aos 14 anos. Não mintam.

Falando nisso, chegou aquela hora – a hora de serem vocês a partilhar as vossas memórias do(s) movimento(s) alternativo(s) dos ‘90s e princípios de 2000. Faziam parte? Que bandas ouviam? Deste lado, foi a época de formação e ‘afirmação’ de uma identidade musical como ‘rocker’, a qual começou nos Beatles e passou por grupos como Nirvana, Green Day, Offspring, Limp Bizkit, terminando na ‘chapada na cara’ que foi o primeiro álbum dos Slipknot. E vocês? Tiveram trajetos semelhantes? Partilhem nos comentários. E para se inspirarem, aqui fica um ‘shot’ de nostalgia directo ‘na veia’…

 

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