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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.02.22

Nota: Este post é respeitante a Sábado, 12 de Fevereiro de 2022.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

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Das muitas experiências típicas da adolescência, namorar é uma das mais características. Há quem comece mais cedo, outros mais tarde; há relações que duram mais, e outras (nessa etapa da vida, a maioria) menos; mas há muito poucos jovens que não tenham, a uma ou outra altura do seu desenvolvimento, sentido e explorado sentimentos românticos por outrem.

Na época a que este blog concerne (e, queremos acreditar, ainda hoje em dia) uma das formas mais tradicionais de demonstrar esses mesmos sentimentos era com uma saída (mais ou menos) romântica – os hoje chamados, graças à influência anglófila, 'dates'. E uma das alturas mais apropriadas para combinar uma saída com a cara-metade, pela simbologia a ele associada, era precisamente a 14 de Fevereiro, no chamado Dia dos Namorados.

É claro que, para jovens ainda em idade dependente, os gestos românticos ligados a este dia ficavam muito longe das extravagâncias vistas nos filmes ou na televisão, sendo as camas de pétalas de rosa, caixas de chocolates em forma de coração, jóias e saídas a restaurantes finos típicos desses meios substituídas por lembranças mais simbólicas (de ursinhos de peluche a cassettes ou CDs feitos em casa, as famosas 'mixtapes') e idas a locais como o cinema, o bowling, o 'shopping', um dos inúmeros restaurantes de 'fast food' que se começavam à época a espalhar pelo país, ou simplesmente o jardim ao pé da escola ou de casa.

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O ideal romântico da cultura popular estava fora do alcance da esmagadora maioria dos jovens

Qualquer que fosse o destino, o que interessava era passar tempo com a cara-metade, arriscar uns 'namoricos' em público, e quiçá comprar um ou outro presente para simbolizar a ocasião – nem que fosse apenas uma daquelas flores de plástico ou chupetas luminosas entusiasticamente propostas por vendedores ambulantes.

Foram assim os Dias dos Namorados de muitos adolescentes dos anos 80, 90 e 2000 – aqueles que tinham namorado ou namorada, bem entendido; os outros afirmavam, sarcasticamente, ligarem pouco ou nada à data; portanto, esta Segunda-feira, porque não recordar aqueles tempos com uma ida ao Mac, à Pull and Bear e ver um filme 'de gaja', acompanhados do vosso 'gajo' ou 'garina'?

Façam o que fizerem, feliz Dia dos Namorados!

25.08.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 24 de Agosto de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Hoje em dia, existem tantas e tão imediatas formas de contactar tudo e todos através da Internet, que parece quase caricato pensar que, há pouco mais de vinte anos atrás, a comunicação por este meio era extremamente limitada, e restrita a meia-dúzia de canais na ainda incipiente plataforma global. Na era pré-MSN Messenger (ao qual, paulatinamente, chegaremos) o contacto em tempo real entre utilizadores geográfica e temporalmente deslocados requeria o acesso a um dos arcaicos programas de ‘chat’ do fim do segundo milénio – de entre os quais, pelo menos em Portugal, se destacava um em particular.

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O mIRC (sigla para Internet Relay Chat, sendo que nunca ninguém teve a certeza do que significava o ‘m’) não era o único programa de ‘chat’ online disponível naqueles anos – nem sequer o único a dar acesso aos servidores de IRC – mas, por alguma razão, foi aquele que ‘pegou’, tendo, para muitos jovens da época, sido sinónimo com ambos os tipos de tecnologia. Milhares de jovens portugueses aderiram, em finais dos anos 90, a este novo ‘vício’, que capturou, inclusivamente, a significativa porção da demografia que não estaria, normalmente, interessada neste tipo de serviço. ‘Totós’, ‘betinhos’, góticos (já a praticar para os anos vindouros de abuso do MSN) ou ‘freaks’, todos se renderam à magia daquelas pequenas janelinhas azuis e cinzentas, com letras verdes, vermelhas e pretas, dentro das quais se escondiam potenciais novas amizades (sempre iniciadas pelo característico e memorável 'oi, ddtc?'), ou simplesmente experiências ‘maradas’, como é apanágio da Internet.

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É incrível como algo com ESTE aspecto suscitava um 'vício' tão forte...

Fosse para conhecer raparigas ou rapazes de outras turmas da escola, os quais se seria de outro modo demasiado tímido para abordar, ou simplesmente para trocar piadas ‘foleiras’ com os amigos em canal privado, a maioria dos jovens portugueses da época arranjava maneira de fazer a cara do criador do programa, Khaled Mardam-Bey, aparecer num qualquer ecrã de computador público de forma quase diária (o uso em casa dependia de uma série de variáveis, a começar pela existência de um computador com Internet, o que à época não era um dado adquirido.) E embora, visto do futuro, o serviço pareça quase pitoresco – graficamente, parece uma espécie de Elifoot 2 em versão programa de ‘chat’ – a verdade é que, na altura, o mesmo representava o auge da tecnologia de conversação online disponível, e fez a felicidade da primeira geração de portugueses a ter contacto mais directo com a Internet nos seus anos formativos.

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A cara deste senhor foi, a dada altura de finais dos anos 90, mais vista e conhecida que a de muitas celebridades...

Hoje em dia, o mIRC continua vivo (e com novas versões do mesmo velho software a serem periodicamente lançadas), embora seja uma mera sombra do que era naqueles idos da viragem do milénio. A PTNet (a rede em que todos crescemos a conversar) retém pouquíssimos usuários, quase todos da ‘velha guarda’, e os restantes servidores ficam sobretudo circunscritos aos Estados Unidos e a alguns países asiáticos. Ainda assim, é bom ver um programa – não importa quão obsoleto – ‘aguentar-se’ através das diferentes eras da Internet, recusando-se a morrer por completo, apesar de todas as contingências. A dúvida que fica ao ver o mIRC ainda vivo, no entanto, é só uma: seré que, em todo este tempo, já alguém alguma vez pagou para registar o programa?

 

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