31.12.25
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

A grafia e ortografia é, ao mesmo tempo, um dos elementos divisores e aglutinadores dos chamados Países de Língua Oficial Portuguesa, bastando pensar no manifestamente diferente Português do Brasil para perceber como um mesmo idioma pode dar origem a línguas, na prática, tão diferentes. Daí a importância de haver, entre todas as nações que têm o Português como língua franca, alguma espécie de consenso, o qual é atingido, via de regra, mediante a ratificação de um acordo ortográfico. Foi, precisamente, isso que se passou há pouco mais de trinta e cinco anos, a 16 de Dezembro de 1990, quando os PALOP assinaram o documento que estabelecia, definitivamente, a grafia da língua portuguesa para as décadas seguintes; e porque, na última Quarta de Quase Tudo, deixámos passar em branco essa data, nada melhor que ratificar agora esse erro, e terminar o ano de 2025 a relembrar a carta que ditou a forma como escrevemos desde então.
Inicialmente ratificado por Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe (embora, curiosamente, não por Macau ou Timor-Leste, que se juntaria ao grupo apenas uma década e meia depois, em 2004), o acordo tinha como fim declarado acabar com a supramencionada disparidade entre as grafias do Português europeu e do Brasil - missão, à data de publicação deste 'post', apenas parcialmente conseguida. De facto, mais do que unir as grafias, o acordo contribuiu apenas para as dividir ainda mais, não tendo as suas normas sido adoptadas em nenhum dos países assinantes e continuando a suscitar controvérsia junto de quem aprendera a escrever o Português da forma anterior, a via como 'correcta' (ou, segundo o novo acordo, 'correta') e desaprovava da aproximação ao brasileiro, com o desaparecimento da letra 'c' como apoio à letra 't', por exemplo.
O resultado é que, à década de 2020, o documento continua por assinar, e as suas regras alvo de acesa discussão, sobretudo devido aos efeitos que se têm feito sentir a nível do Português 'de Portugal'. Prova de que chegar a acordo e assinar um papel não são, de todo, sinónimo de 'missão cumprida' no que toca a trâmites legais de complexidade elevade e âmbito internacional, e que (antes pelo contrário) é bem possível que os mesmos demorem três décadas ou mais a serem implementados - se o chegarem a ser...






