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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

27.04.21

NOTA: Este post corresponde a Segunda-feira, 27 de Abril de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

'Teenage Mutant Hero Turtles, Teenage Mutant Hero Turtles, TEENAGE MUTANT HERO TURTLES...'

Tinha de começar assim, com o ultra-memorável genérico de abertura, um post sobre uma das séries animadas mais populares em Portugal (e no Mundo) na década de 90: os Quatro Jovens Tarta-Heróis, ou, como são mais frequentemente conhecidos, as Tartarugas Ninja.

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A adaptação televisiva (e bastante ‘infantilizada’) da banda desenhada criada em meados da década de 80 por Kevin Eastman e Peter Laird (a qual era, aliás, bastante ‘dark’, sarcástica e com laivos de ‘BD de autor’, muito pouco adequada a um publico infantil!)  chegou às televisões portuguesas em 1991, quatro anos depois da sua data original de estreia nos Estados Unidos, e quando já havia inclusivamente sido produzido um filme de ‘acção real’ baseado nas aventuras dos répteis mascarados praticantes de artes marciais, do seu ‘sensei’ ratazana, e dos capangas igualmente antropomórficos do grande vilão Shredder, o Destruidor. Os mais atentos, no entanto, já teriam visto, em alguma loja de brinquedos ou de roupa, ‘merchandising’ oficial dos personagens, o qual, tal como acontecera com os Simpsons, chegara às nossas costas antes do material em que era baseado! O habitual (à época) atraso na chegada de produtos mediáticos estrangeiros ao nosso país fez, no entanto, com que muitas crianças só tomassem contacto com os Tarta-Heróis aquando do seu aparecimento na RTP, e subsequente estreia do segundo filme ‘live-action’, subtitulado ‘O Segredo da Lama Verde’ (no original, ‘Secret of The Ooze’.)

(De referir que, em Portugal, a série era transmitida com o título 'Teenage Mutant Hero Turtles' em vez do original 'Ninja', tendo esta medida sido adoptada aquando da exportação da série, a fim de evitar potenciais censuras em certos países mais sensíveis. Só quando a 'pop culture' norte-americana se começou a confundir com a mundial é que toda uma geração de jovens conheceria o nome original da série de que tanto haviam gostado na sua infância.)

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'Poster' original de 'Tartarugas Ninja 2: O Segredo da Lama Verde' (1991)

Apesar do atraso, no entanto, o sucesso foi instantâneo, tendo a ‘Tartamania’ invadido quase de imediato os recreios das escolas de Norte a Sul do país. Toda a gente tinha a sua tartaruga favorita, toda a gente sabia o genérico (mais ou menos) de cor (mesmo quem ainda não sabia inglês conseguia reproduzir aproximadamente os sons das palavras) e ninguém perdia sequer um episódio dessa série original – a qual, ressalve-se, era transmitida com legendas, facto que, mesmo assim, não intimidou os ‘putos’ da época, que devoravam a série e tentavam rodear-se do máximo de ‘merchandising’ possível.

E havia muito por onde escolher, desde os bonecos (oficiais e ‘piratas’, como não podia deixar de ser) passando por roupa, lençóis, porta-chaves de espuma, carteiras, dispensadores de drageias Pez, revistas de BD baseadas na série (e já com pouco a ver com a obra original de Eastman e Laird) ou a inevitável caderneta de cromos da Panini, até aos habituais items com pouco a ver com as Tartarugas, aos quais era adicionado um autocolante ou funcionalidade para justificar a licença – como pistolas espaciais (sim, a sério!) e máquinas fotográficas. Curiosamente, o único produto passível de agradar às crianças que nunca foi comercializado com a cara das Tartarugas foi o seu alimento favorito, as ‘pizzas’! Uma oportunidade de ‘marketing’ perdida, sem qualquer dúvida…

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Capas do número 1 da adaptação em BD da série e da caderneta de cromos da Panini, respectivamente

De entre os produtos licenciados disponíveis, os mais populares (até por terem preços acessíveis) eram, sem dúvida, os porta-chaves, as t-shirts, e os cromos – quer os da Panini, quer os que saíam na mesma altura nas bolachas Triunfo, que revelaram excelente ‘timing’ na aquisição da licença. No entanto, com as Tartarugas Ninja, era mesmo caso para dizer que ‘tudo o que viesse à rede era peixe’ (ou réptil…) A ‘Tartamania’ vigente em Portugal à época era tal, que se alguém se lembrasse de lançar uma linha de bases de copos ou portadores de guardanapos com as caras dos personagens, a mesma seria um êxito junto do público jovem (aqui por casa, por exemplo, havia um individual de mesa dos Tarta-Heróis, em plástico, o qual era tão utilizado quanto estimado, e ainda um protector de atacadores com a forma da cabeça de uma das Tartarugas.) Uma verdadeira ‘febre’, apenas comparável à que se deu, alguns anos mais tarde, aquando da chegada de ‘Dragon Ball Z’ a Portugal.

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Um dos populares porta-chaves da época (crédito da foto: Enciclopédia de Cromos)

Inevitavelmente, no entanto, esta ‘mania’ viria também a passar, e o interesse das crianças pela série a esmorecer gradualmente, à medida que outros interesses lhes ocupavam os tempos livres. Um terceiro filme muito, muito fraquinho – produzido em 1993 e exibido em Portugal pouco depois – também não ajudou em nada a ‘causa’, e quando, em meados da década, a SIC voltou a transmitir as aventuras de Leonardo, Rafael, Donatello e Miguel Ângelo – agora dobradas em português – a recepção foi bem mais tépida, não se tendo repetido a ‘febre’ vivida alguns anos antes.

Ainda assim, lá por fora, ‘TMNT’ continuou a gozar de suficiente popularide para justificar não só a produção de várias séries-clone (das quais falaremos paulatinamente aqui no blog), mas também de uma série de acção real - ainda pior que o último filme, mas importante por introduzir uma Tartaruga feminina, Venus de Milo - um especial de Natal, um espectáculo de teatro musical (!) com CD a acompanhar (!!) e vários ‘reboots’ oficiais, incluindo um filme em CGI (em 2007), dois de acção real – a controversa adaptação de Michael Bay e o divertidíssimo ‘Fora das Sombras’, o melhor filme do grupo desde ‘O Segredo da Lama’ - e duas séries, uma em animação tradicional (em 2003) e a outra em CGI (em 2012). É certo que a maioria destes produtos (sobretudo os lançados nos anos 90) nunca chegaram a Portugal, mas também é verdade que, ainda este ano, se voltou a falar num novo ‘reboot’ para o 'franchise' Ninja Turtles, o que prova que os ‘heróis de meia-casca’ estão para ficar na actual, e altamente revivalista, cultura ‘pop’ mundial!

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As séries modernas das Tartarugas Ninja

Se a série original valia todo este ‘culto’…é discutível. Apesar de altamente apelativa para as crianças da época, sofria dos habituais erros de animação e dobragem - frequentes em produções animadas daquele tempo – e muitas das histórias eram pouco convincentes. No entanto, no seu melhor, a série rivalizava com qualquer outra daquela época, sendo a maioria das memórias da ‘nossa’ geração totalmente justificadas.

E vocês? Eram fãs? Deste lado, a resposta é um inequívoco ‘SIM!’, estando esta série, nas nossas memórias, ao nível das posteriores ‘Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’. De bonecos (um oficial e outro pirata) a uma carteira (onde orgulhosamente guardámos o dinheiro para o bolinho da manhã no primeiro ano da escola primária), passando por t-shirts, o inevitável porta-chaves ou o referido individual, até à não menos inevitável colecção de cromos ou à tal pistola espacial, havia de tudo um pouco lá por casa – e o mesmo se passava com os nossos colegas, que inclusivamente se chegavam a mascarar de Tartaruga pelo Carnaval. Também têm destas memórias? Partilhem nos comentários! Até lá, porque nunca é demais, fiquem novamente com AQUELA música…

'...heroes in a half-shell...TURTLE POWER!'

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