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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

01.12.25

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.

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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.

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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.

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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.

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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

13.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 11 de Novembro de 2025.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Ao pensar em jogos interactivos de corridas, a imagem que vem à mente é a do típico simulador, com voltas a uma pista e ultrapassagens a adversários, o ainda mais típico jogo de 'karts' de visual 'animado' ou, quanto muito, uma prova de 'rally' em que o objectivo é estabelecer o melhor tempo possível. Há exactos trinta anos, no entanto, um dos primeiros grandes títulos da era dos 32-bit logrou subverter com sucesso essa percepção, criando um jogo, à época, único, e cuja apurada realização técnica o tornou título-estandarte da PlayStation original, onde se tornou um dos primeiros de entre os muitos mega-sucessos da consola da Sony.

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Lançado na Europa há pouco mais de trinta anos (a 20 de Outubro de 1995) e na América do Norte três semanas depois (completando-se este fim-de-semana três décadas sobre a sua chegada aos escaparates americanos, a 16 de Novembro daquele ano) e baseado nos chamados 'demolition derbies' (algo como 'despiques demolidores') norte-americanos, 'Destruction Derby' ignorava por completo toda e qualquer tradição dos jogos de corridas, apostando, ao invés, num formato 'todos contra todos', em que o jogador e vários adversários se batiam frente-a-frente (literalmente) com vista à destruição mútua. Os aspectos técnicos, mecânicos ou estratégicos eram, pois, de somenos importância, tendendo a ganhar as provas quem era mais 'bruto' e tinha menos amor às peças do seu carro. Algo que, na vida real, é um daqueles 'desportos' de que só um certo nicho consegue gostar, mas que, em formato interactivo, ajudou a fomentar na juventude 'millennial' a 'sede' de violência automóvel, mais tarde 'alimentada' por jogos como 'Carmageddon' ou 'Grand Theft Auto' – com os quais, aliás, partilhou a velha polémica sobre violência excessiva nos videojogos, então no seu ponto máximo. A par desta 'atracção principal', havia ainda modos mais 'normais' (alguns sem qualquer elemento destrutivo), mas, ao lado da original premissa do modo principal do jogo, estes acabavam por parecer acrescentos supérfluos, criados apenas sob a percepção de que jogos com carros TÊM de ter provas tradicionais.

O modo 'Destruction Derby' por si mesmo já garantia, no entanto, que o jogo seria um retumbante sucesso de vendas, com mais de um milhão de cópias vendidas aquando das suas duas conversões de Agosto de 1996, e que se viria a tornar num dos primeiros títulos a fazer parte da iconica série 'Platinum' da Sony. E porque tudo o que é bem sucedido tem, inevitavelmente, direito a uma sequela, eis que, pouco mais de um ano após o original (e já depois do lançamento de versões para Sega Saturn e PC, ambas em Agosto de 1996), era lançado 'Destruction Derby 2', de novo para PC e PlayStation (tendo a Saturn, por esta altura, terminado já o seu lendariamente curto ciclo de vida).

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E porque 'em fórmula que ganha, não se mexe', este segundo jogo inseria-se declaradamente no campo das sequelas 'mais do mesmo, melhorado', com gráficos e sonoridade mais apurada, um tema mais próximo ao NASCAR norte-americano e a adição de 'boxes' e obstáculos nas pistas mas, de resto, exactamente o mesmo conceito, premissa e até modos de jogo. Curiosamente, a recepção a este jogo seria mais dividida do que ao original: enquanto que a versão para PlayStation seria tão bem ou melhor recebida do que a sua antecessora, a conversão para PC seria alvo de algumas críticas por parte da imprensa especializada – as quais, no entanto, não a impediram de ser um sucesso também naquele sistema, batendo, como o seu antecessor, a marca do milhão de cópias.

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Numa repetição do ciclo entre os dois primeiros jogos, o próximo lançamento da série seria uma conversão do título original para Nintendo 64, em 1999 (que levava o criativo título de 'Destruction Derby 64'), sendo que só depois, já no Novo Milénio, surgiria o terceiro jogo da série, 'Destruction Derby Raw', lançado a 30 de Junho de 2000 na Europa, e cinco meses depois (em finais de Novembro, mesmo a tempo de ser um dos grandes 'desejos de Natal' dos jovens da época) na América do Norte.

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A premissa, essa, continuava a mesma – embora, agora, fosse também possível 'combater' em ambientes urbanos, e mesmo no topo de arranha-céus, dos quais se podiam atirar os adversários, garantindo a sua destruição vários andares mais abaixo. A recepção crítica e do público, no entanto, ficava abaixo da dos dois primeiros titulos – talvez por o conceito estar a perder a originalidade, após outros jogos terem expandido a premissa de 'combate automóvel em arena', ou talvez por o terceiro título apresentar alguns problemas – e, como tal, 'Raw' é significativamente menos lembrado que os primeiros dois jogos da série, tendo sido o único até então a não atingir os volumes de vendas necessários à sua inclusão na série 'Platinum'.

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Não obstante, a Psygnosis faria mais uma tentativa de continuar a franquia numa nova geração de consolas, lançando, em 2004, 'Destruction Derby Arenas', o único título da série a extravasar a era dos 32 e 64-bits, surgindo na então lider de mercado PlayStation 2. No entanto, nova recepção 'mista' e um nível de interesse público bastante diminuído após quase uma década ditaram, mesmo, que seria esse o fim de uma franquia em tempos auspiciosa e plena de potencial, mas cuja premissa perdera entretanto toda a sua originalidade e apelo. Ainda assim, o sucesso dos dois primeiros jogos mais do que justifica a sua inclusão nesta rubrica, poucas semanas após o título original ter atingido a marca de trinta anos sobre o seu lançamento.

07.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 05 de Novembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

O espectro político no Portugal pós-25 de Abril de 1974 é famosamente bipartido, com o Partido Socialista e o Partido Social Democrata a 'revezarem-se' mais ou menos assiduamente no comando do País. Ainda assim, este padrão deixa espaço para algumas anomalias, com certos Primeiros-Ministros a lograrem revalidar o seu termo e mesmo a atingirem maiorias absolutas. O caso mais recente, e fresco na memória dos Portugueses, será o do 'destronado' António Costa, mas as gerações mais velhas recordam outro período, ainda mais longo e não menos célebre, em que o País viveu sob a égide dos mesmos Chefes de Estado durante mais de uma década – o famoso 'Cavaquismo', que viu a dupla de Mário Soares e Cavaco Silva fomentar o crescimento económico do território e conseguir duas maiorias absolutas.

Infelizmente, tal como sucederia com Costa um quarto de século depois, este paradigma ultra-vitorioso levaria a algum excesso de confiança por parte da dupla, o qual se traduziria em alguns 'exageros' no terceiro e último mandato de Cavaco, cuja contestação, aliada a uma crise económica 'importada' da Europa, resultou, inevitavelmente, no fim do seu 'reinado', e numa pronunciada 'guinada à esquerda' por parte dos votantes, que, nas eleições de Outubro de 1995, elegeriam como Primeiro-Ministro o Socialista António Guterres, 'quebrando' a hegemonia cavaquista e retomando o ciclo de 'alternâncias' parlamentares, o qual só voltaria a ser quebrado por António Costa.

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Tal como sucedera nos primeiros mandatos do anterior executivo, o XIII Governo Constitucional da República Portuguesa (sobre cuja tomada de posse se celebraram na semana passada exactos trinta anos) pôs grande parte do seu foco no crescimento e estabilidade económica do País, procurando mitigar os efeitos da recente crise económica e colocar a nação, uma vez mais, dentro dos critérios de convergência cambial da União Europeia. No entanto, os seus legados mais duradouros talvez sejam a introdução do Rendimento Mínimo Garantido, o aumento dos apoios sociais, o investimento na educação e a inserção de mais mulheres na força laboral e profissional, reduzindo as disparidades de género que ainda se faziam sentir à época, tendo o executivo tirado proveito de um período relativamente calmo (tanto a nível interno como externo) para corrigir alguns dos problemas que ameaçavam o futuro económico do País, tendo o seu termo ficado, ainda, marcado pela realização, com distinção, da EXPO '98 - ainda hoje um dos maiores e mais reconhecidos marcos culturais da História do Portugal contemporâneo - e pela cedência de Macau à China, nas últimas horas do Segundo Milénio.

Apesar deste saudável clima económico, no entanto, Guterres não passaria totalmente incólume a controvérsias (sobretudo ligados a alguns comentários menos 'palatáveis' sobre a homossexualidade, ou ao famoso desastre de Entre-os-Rios, em 2001) e, embora o seu executivo tão-pouco havia sido marcado por factores excessivamente negativos, como sucederia mais tarde com os de, Pedro Santana Lopes, ou do infame José Sócrates, o Partido Socialista viria a sofrer, em Dezembro de 2001, uma derrota de tal forma retumbante que Guterres colocaria o lugar à disposição, levando à dissolução do Parlamento pelo sucessor de Mário Soares, o também socialista Jorge Sampaio. Nas eleições, o novo líder socialista, Ferro Rodrigues, viria a ser derrotado pelo rival social-democrata, Durão Barroso, perpetuando a tendência 'bipolar' e bipartidária da Democracia portuguesa. Ainda assim, como grande responsável pelo fim do Cavaquismo (e um de apenas dois executivos portugueses a iniciar e terminar mandatos completos na década de 90), o XIII Governo Constitucional não deixa de merecer esta nota por alturas do trigésimo aniversário da sua subida ao poder, um dos maiores marcos da política portuguesa na década em causa,

01.11.25

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de não ter, historicamente, tradição em qualquer outro país que não os Estados Unidos, o 'Halloween' é, já, parte integrante do calendário festivo de vários países (Portugal incluído) servindo de pretexto para as crianças se disfarçarem, comerem doces e brincarem na rua, e para os mais graúdos se 'aninharem' no sofá com um bom filme de terror temático. E porque este 'post' deveria ter sido publicado na própria noite (e surge no rescaldo da mesma) nada melhor do que nos debruçarmos sobre um filme que faz, sem dúvida, parte das escolhas para uma Sessão de Sexta em família, e que comemorou recentemente as três décadas da sua estreia em Portugal.

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Adaptação em acção real de um desenho animado e banda desenhada já pouco ou nada relevante (mas ainda conhecido dos jovens portugueses, graças à ocasional exibição televisiva dos episódios em domínio público e à inevitável continuação da banda desenhada por parte de estúdios brasileiros), 'Casper' (ou 'Gasparzinho', como era conhecido no mundo lusófono) chegava às salas de cinema nacionais não no Dia das Bruxas, ou mesmo na estação fria que evoca, mas em pleno Verão, a 21 de Julho de 1995 – uma altura em que a maioria das crianças portuguesas se encontraria, mais que provavelmente, em férias, e sem vontade de ver um filme que evoca ambientes mais lúgubres e invernais.

Isto porque, apesar de ser um mais do que declarado filme infantil, 'Casper' não 'poupa' na atmosfera 'fantasmagórica', bem a condizer com os personagens e o ambiente onde vivem. Junte-se a esta equação a presença de Christina Ricci (por esta altura já bem versada em papéis mais góticos, após a estreia como Wednesday na franquia 'A Família Addams') e o que resulta é um filme bastante bem-sucedido na criação do seu mundo e do respectivo ambiente, mas que estreava na altura totalmente errada do ano, pelo menos num país do Sul da Europa, com temperaturas elevadas nos meses de Verão e com não um, mas dois mares a banhar o seu território!

Não admira, pois, que a passagem de 'Casper' por Portugal tenha sido discreta, pese embora uma campanha de divulgação de monta, com a habitual caderneta de cromos, adaptação do filme em banda desenhada e outros 'artefactos' promocionais. Nada, infelizmente, que pudesse mudar o destino do filme, que nem sequer se logrou tornar um 'clássico' do VHS, tendo desaparecido relativamente rápido e sem deixar rasto – uma situação oposta à que viveu no mercado norte-americano, onde, apesar de ter estreado em Maio, logrou facturar quase trezentos milhões de dólares, contra um orçamento de pouco mais de cinquenta, um lucro correspondente a seis vezes o investimento, e que justificou a realização, nos dez anos seguintes, de mais quatro (!) filmes e uma série animada, nenhum dos quais com qualquer presença em Portugal.

Ainda assim, e apesar do sucesso, a opinião crítica em relação ao original era (e permanece) mista, com o filme a posicionar-se como o típico 'seis em dez' quer junto da crítica especializada, quer do próprio público. Nada melhor, pois, do que procurar o filme na Net, organizar uma Sessão de Sexta com amigos, familiares ou filhos, e tirar conclusões próprias quanto ao mesmo, como forma de celebrar (ainda que com atraso) não só o Dia das Bruxas, como o trigésimo aniversário do mesmo.

07.10.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década

Os programas de humor estavam entre os mais populares e bem-sucedidos das décadas de 80, 90 e 2000 – e, destes, grande parte tinha como formato uma sucessão de 'sketches' não relacionados entre si, normalmente vividos por uma série de personagens recorrentes. E se, no Novo Milénio, o grande exemplo deste tipo de emissão seria o ainda hoje histórico 'Gato Fedorento', na década de 90, a honra de líder de audiências dividiu-se entre dois programas concorrentes: a 'Herman Enciclopédia', da RTP, e o programa que abordamos neste 'post', cerca de um mês após se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia.

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Era a 1 de Setembro de 1995 que a SIC transmitia, pela primeira vez, um episódio daquele que se viria a tornar, durante a década subsequente, um dos seus programas-estandartes, e pôr tanto crianças como adultos de Norte a Sul do País a repetir dichotes e imitar personagens por si veiculadas, e criadas por um veterano da comédia nacional, Guilherme Leite, cuja carreira o havia ajudado a perceber exactamente o que agradava ao público nacional. 'Malucos do Riso' apostava, assim, num estilo de humor popular e brejeiro, mais próximo do anedotário popular ou teatro de revista do que das piadas mais subtis e baseadas na personalidade de cada figurino propostas pela 'Enciclopédia' de Herman José. O resultado não podia ser outro que não a adesão quase total de certos segmentos da sociedade portuguesa, com destaque para as crianças e membros da classe trabalhadora, a quem o humor simples, quotidiano e ligeiramente 'maroto' nunca deixava de agradar.

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Alguns dos muitos personagens memoráveis do programa.

Não é, assim, de admirar que 'Malucos do Riso' se tenha, eventualmente, afirmado como um dos programas de entretenimento mais longevos da SIC, completando uma década no ar com a fórmula praticamente inalterada. Seria apenas já em meados da primeira década do Novo Milénio, que este bastião da estação de Carnaxide viria a sair do ar – embora durante pouco tempo, já que não passariam mais de quatro anos até 'Novos Malucos do Riso' procurar continuar o legado deixado pelo original. E apesar de esta segunda tentativa ter ficado longe do sucesso da original – num panorama televisivo já algo diferente em termos de sensibilidades e interesses do público-alvo – os 'Malucos' originais continuam, até hoje, a afirmar-se como um dos clássicos mais absolutos e indeléveis das mais de três décadas de História da SIC, merecendo bem esta homenagem (ainda que um pouco atrasada) por altura do seu trigésimo aniversário. E para quem quiser recordar, fica abaixo um compêndio completo da série, com quase NOVE HORAS de duração - embora, claro, não se recomende a visualização toda de uma vez...

26.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Até bem recentemente, com o casamento de Kate Middleton com o Príncipe William de Inglaterra, o termo 'casamento real' era quase sinónimo com o anterior matrimónio no seio da Família Real inglesa – o casamento de Carlos e Diana, levado a cabo com pompa e circunstância na histórica Abadia de Westminster, em Londres, em 1984. E porque Portugal não leva a bem ficar atrás de qualquer outro país da União Europeia, a década seguinte veria o nosso País tentar realizar a sua própria versão ´à portuguesa' do evento, com o habitual atraso de vários anos, uma fracção do orçamento e da atenção, nenhumas implicações políticas e de governação (à entrada para o evento, poucos eram os que sabiam que Portugal sequer tinha um rei), e os Jerónimos a 'fazer' de Westminster. O resultado, previsivelmente, foi bem menos memorável que a versão original, pese embora persista ainda na memória dos portugueses nascidos até finais da década de 80.

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Isto porque, brincadeiras à parte, o casamento de D. Duarte Pio, Duque de Bragança, com Isabel de Herédia foi suficientemente grandioso para justificar o acompanhamento televisivo, e o significativo 'share' de audiência que o mesmo conseguiu – afinal de contas, é muto difícil à maioria dos seres humanos (e decididamente aos portugueses) conseguirem resistir a uma boa cerimónia. Assim, terão sido inúmeros os jovens lusitanos que acompanharam em directo o acontecimento, através da RTP, certamente sintonizada por um qualquer familiar mais velho. E embora quase nenhum deles soubesse, até àquele momento, quem era ou que título tinha D. Duarte Pio (um rei nunca oficialmente empossado, e cujo nome não figura, subsequentemente, nos livros de História) o ar bonacheirão e radiante do mesmo ao lado da nova esposa (fazendo lembrar um tio-avô simpático e brincalhão) ajudou a que muitos simpatizassem de imediato com o monarca, e passassem a acompanhar o seu 'trajecto' rumo a um final feliz ao lado da nova Duquesa.

E a verdade é que tal se veio mesmo a verificar, com o casal a permanecer junto até aos dias de hoje, trinta anos depois, e a dar à luz três filhos, cujos nomes intermináveis, com quatro nomes próprios e outros tantos apelidos, chegou a ser 'meme' corrente no Portugal da época: os infantes Afonso e Dinis e a infanta Maria Francisca, ela própria recentemente casada. Apesar de ser muito pouco provável, senão impossível, que Portugal volte a ser uma monarquia, caso isso aconteça, a sucessão está, assim, bem assegurada, como resultado de um processo que se começou a delinear numa tarde de fim-de-semana de Primavera, há já mais de trinta anos, e cujo primeiro passo colou grande parte do País ao ecrã de televisão, para presenciar uma efeméride então inédita no seu tempo de vida, e cujos efeitos perduram até aos dias de hoje.

11.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 9 de Julho de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

No tocante a autores de vulto da literatura portuguesa contemporânea, o nome de José Saramago é incontornável. Embora pouco consensual, o malogrado escritor continua a ser um dos primeiros em quem se pensa quando o assunto são obras literárias criadas em Portugal, e mesmo quem não é apreciador é obrigado a reconhecer não só o talento como a importância de Saramago para o desenvolvimento da ficção em 'Português europeu'. E um dos principais livros de que imediatamente se fala ao trazer à baila o autor – que teve, inclusivamente, direito a adaptação cinematográfica 'Hollywoodesca', com Julianne Moore – é a obra que completa, este ano, trinta anos de existência: 'Ensaio Sobre A Cegueira'.

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Capa da edição original da obra.

Tão sinónimo com o escritor português como o histórico 'Memorial do Convento', 'Ensaio Sobre A Cegueira' prova que a evolução da prosa de ficção, e dos gostos de quem a lê, pouco ou nenhum efeito tiveram sobre Saramago, que aplica nesta obra de 1995 o mesmo exacto estilo estabelecido nas suas primeiras criações, mais de três décadas antes, e que se tornou algo 'memético' entre os leitores portugueses; estão aqui as longas frases com excesso de vírgulas, as interpelações em discurso directo violadoras das leis gramaticais, e todos os restantes recursos estilísticos que se tornaram quase indistinguíveis da escrita do autor.

É, pois, necessário ultrapassar esta primeira 'barreira' para que se consiga, verdadeiramente, apreciar a trama da obra, uma variação sobre o tema da epidemia pós-apocalíptica (que hoje seria, talvez, chamada de pandemia) neste caso com efeito sobre a visão humana, conforme explicitado no título da obra. Pretexto para Saramago explorar as formas como as suas diversas personagens – todas identificadas, não por nome, mas por características distintivas ou posição social – lidam com a recém-adquirida deficiência, e como esta os afecta psicologicamente. Um conceito bastante interessante, e que se prestou muito bem à filmagem por Fernando Meirelles (de 'Cidade de Deus'), que permitiu que a história se sobrepusesse à linguagem escrita de Saramago.

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Cartaz do filme de 2008.

Foi, pois, com justiça que 'Ensaio Sobre A Cegueira' adquiriu, quase desde logo, estatuto de 'clássico moderno' da literatura portuguesa, não só por virtude de quem assinava a obra, mas também pela qualidade da trama e da escrita da mesma. Não podíamos, pois, deixar de lhe dedicar algumas linhas neste nosso 'blog', no ano em que se celebra o seu trigésimo aniversário.

10.06.25

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Os anos 90 representaram, na televisão portuguesa, a era por excelência dos programas de variedades para crianças. Já parte integrante da cultura infantil em outros países, foi apenas nos últimos anos do século XX que este tipo de programas verdadeiramente penetrou na consciência colectiva juvenil do nosso País, muito graças a uma série de icónicos e ainda hoje saudosos representantes, com os 'rivais' da SIC e TVI – 'Buereré' e 'Batatoon' – à cabeça, mas também 'A Casa do Tio Carlos', 'Mix Max', 'A Hora do Lecas', 'Clube Disney', 'Oh! Hanna-Barbera', 'Um-Dó-Li-Tá' ou as diversas permutações de 'Brinca Brincando' a conseguirem captar a atenção do público-alvo.

Com tanta e tão ilustre concorrência, não é, no entanto, de admirar que alguns programas deste tipo tenham acabado por 'perder a corrida' pelos corações dos jovens lusitanos, e ficado um pouco mais 'esquecidos' na memória nostálgica dos 'millennials' nacionais. É, precisamente, sobre um desses programas, estreado há pouco mais de três décadas na RTP1, que versam as próximas linhas.

Emitido pela primeira vez a 5 de Junho de 1995, 'Sempre A Abrir' tinha tudo para agradar à sua demografia, do título 'radical' (ou não estivéssemos em meados da década 'bué da fixe' por excelência) a um apresentador carismático, no caso Victor Emanuel, e uma selecção apelativa de desenhos animados, com destaque para a insólita adaptação em 'anime' de 'Música No Coração', à qual já aqui dedicámos espaço. O horário das tardes era, também, conducente ao sucesso, sendo ideal para quem chegava da escola e procurava desenhos animados para acompanharem o seu pão com Tulicreme e copo de leite com chocolate.

É, pois, difícil de perceber a razão pela qual 'Sempre A Abrir' falhou enquanto espaço infantil na era pré-hegemonia de Ana Malhoa e Batatinha. O programa tinha tudo para 'dar certo', e, no entanto, é hoje muito menos lembrado pela demografia que então constituía o seu público do que qualquer dos exemplos acima elencados – isto apesar de se ter logrado manter no ar durante três anos, uma eternidade no contexto em causa, e ocupado tanto a faixa das tardes de semana quanto o não menos apetecível bloco dos Sábados de manhã. A verdade, no entanto, é que, seja por que razão fôr, este bloco infantil se encontra, hoje, praticamente Esquecido Pela Net, sendo difícil conseguir informações ou material relativo ao mesmo, ou mesmo uma imagem ou vídeo para complementar este 'post'; de facto, passe o trocadilho, quase parece que o programa foi 'Sempre A Abrir' rumo ao esquecimento total. Nada que invalide que, na medida do possível, lhe procuremos dedicar algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada à televisão nacional noventista.

12.04.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 11 de Abril de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Nenhum membro da primeira metade da geração 'millennial' (aquela nascida, maioritariamente, durante a década de 80) e oriundo de um país ocidental necessita de quaisquer explicações quanto ao nível ou à razão da fama de Macaulay Culkin. Dois mega-sucessos de Natal em anos consecutivos – o filme de estreia 'Sozinho em Casa' e a sua primeira sequela – colocaram aquele 'puto' loirinho de sorriso maroto nas 'bocas do Mundo' e projectaram-no para um sucesso que talvez ainda fosse muito novo para gerir, transformando-o naquilo a que a revista Super Jovem chamava, no seu 'número zero', uma 'mini super-star' (e só o facto de uma revista emergente para jovens utilizar 'Mac' como chamariz já diz tudo o que é preciso saber sobre a influência do rapazinho na cultura popular juvenil da altura).

Não é, pois, de surpreender que, após o sucesso dos dois primeiros 'Sozinho em Casa', os produtores de Hollywood procurassem integrar o jovem nos seus projectos, nem tão-pouco que o próprio Culkin quisesse diversificar o seu repertório, fazendo alguns 'desvios' do seu nicho de comédia infantil, o principal dos quais foi o papel dramático e até sádico em 'O Bom Filho', ao lado de outra jovem revelação, Elijah Wood, ele próprio a menos de uma década do mega-estrelato. Mais curioso é perceber que dois desses filmes chegaram às salas de cinema portuguesas lado a lado, exactamente no mesmo dia - há quase exactos trinta anos, a 7 de Abril de 1995  - criando assim uma espécie de 'dose dupla' de 'Mac', que não terá deixado de fazer as delícias dos seus pequenos fãs.

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O primeiro, e mais ambicioso, destes filmes foi 'A Grande Viagem' (título bem mais genérico que o original 'The Pagemaster') que propunha uma arrojada combinação de acção real com animação, ao estilo do que a Disney havia feito, com excelentes resultados, durante os anos 60. À cabeça de um elenco 'de luxo' que inclui Christopher Lloyd, Whoopi Goldberg e dois dos mais emblemáticos tripulantes da nave 'Enterprise' (Patrick Stewart, que à época ainda não se sentara na cadeira de capitão, e Leonard Nimoy, maior ícone d''O Caminho das Estrelas' original) 'Mac' embarca numa viagem através de várias cenas típicas da literatura infanto-juvenil, apresentadas no estilo de animação típico da altura.

Uma abordagem que tinha tudo para agradar ao público jovem...mas, por uma razão ou outra, não agradou. Antes pelo contrário – o falhanço deste filme, juntamente com o de 'Gatos Não Sabem Dançar', de 1997, viria a colocar entraves no departamento de animação da Turner, adiando ou cancelando vários projectos. E se as razões para tal desprezo por parte do público são incertas, a verdade é que o filme pouco faz para se destacar de qualquer outro filme infantil da época, tendo sido largamente ignorado pela 'onda' nostálgica que entretanto tomou conta das redes sociais.

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E se 'A Grande Viagem' é apenas descartável, já o outro filme de Culkin estreado na mesma altura é notável apenas e só por ser a obra que veria Culkin, então com catorze anos, 'reformar-se' como actor infantil, entrando num hiato que viria a durar toda uma década, e que ficou marcado por uma 'espiral' de problemas pessoais por parte do jovem. Falamos de 'Riquinho', adaptação em acção real do desenho animado e banda desenhada do mesmo nome (ambas da Harvey) que vê 'Mac' interpretar o impossivelmente rico personagem principal, em mais uma comédia infantil sem nada de particularmente errado ou entusiasmante, sem grandes estrelas no elenco, e que só é mesmo lembrada por ter sido a 'despedida' de Culkin dos écrãs até à idade adulta, e por trazer o irmão mais novo da mini-estrela, Rory, como a versão de menos idade do personagem principal.

Dois filmes, portanto, que, sem serem obras-primas do cinema infanto-juvenil, ofereciam ainda assim ao seu público o suficiente para manter elevado o interesse na 'jovem estrela' do momento, e terão constituído uma excelente Sessão de Sexta dupla para os fãs do pequeno actor...

24.02.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A ficção científica era, sem dúvida, um dos géneros mais em alta no tocante a conteúdos televisivos norte-americanos, com séries como 'Ficheiros Secretos', 'Stargate SG-1', 'Star Trek Deep Space Nine' e a reimaginada 'Battlestar Galactica' a fazerem as delícias dos aficionados do histórico género. A estas, havia ainda que juntar uma quinta, estreada há quase exactos trinta e dois anos nos seus EUA de origem, e chegada a Portugal dois anos depois (contados praticamente ao dia), o que faz com que celebre, por estes dias, as três décadas sobre a sua estreia nacional.

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Falamos de 'Babylon 5', a inovadora 'obra literária televisionada' saída da imaginação de J. Michael Straczynski, que mais tarde utilizaria o sucesso desta série como impulsionador de uma carreira que inclui, até à data, guiões para filmes e enredos para a Marvel Comics, entre outras conquistas. Tudo começou, no entanto, na estação espacial homónima deste programa, onde se desenrolou, durante cinco temporadas (mais uma longa-metragem final), a história previamente imaginada por Straczynski, que desafiou todas as convenções televisivas ao iniciar a série já com um ponto final definido, limitando-se depois a fazer 'mover' a acção em direcção a essa conclusão. Esta abordagem, diametralmente oposta ao habitual 'enredo da semana' e ao formato de 'pontas soltas' da maioria das séries, permitiu ao autor e à sua equipa engendrar histórias multi-facetadas para cada personagem, as quais podiam durar vários episódios, ou até transitar de uma temporada para outra, afectando não só a personagem em foco, mas também aqueles que a rodeavam e até o universo mais alargado da série.

E se, hoje em dia, tal estrutura constitui a norma, à época, Straczynski e 'Babylon 5' fizeram História, produzindo uma série diferente de qualquer outra vista até então, e que não podia deixar de granjear uma considerável base de fãs. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo o programa sido muito bem recebido aquando da sua chegada à TVI, onde fez parte da grelha de Domingo à tarde na fase em que a estação era, ainda, conhecida como 'a Quatro', acompanhando-a na transição para o canal que hoje conhecemos. E apesar de o planeado 'regresso', em 2021, nunca se ter concretizado, a série tem, ainda assim, História e credenciais suficientes (em Portugal e não só) para merecer que lhe dediquemos estas breves linhas, no mês em que completa trinta e dois anos de vida, e trinta sobre a sua estreia no nosso País

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