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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.10.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A música bem-humorada e de índole cómica teve no Portugal das décadas entre 80 e 2000 um mercado que, embora talvez não particularmente significativo em termos numéricos, se apresentava ainda assim receptivo, sobretudo no que toca ao produto local. O caminho desbravado pelos pioneiros Ena Pá 2000 e Mata-Ratos, ainda nos 80s, viria a ser repetidamente trilhado ao longo das duas décadas seguintes, por nomes como Mercurioucromos, Fúria do Açúcar, Irmãos Catita (do mesmo mentor dos Ena Pá 2000) ou Adiafa, entre outros.

Em meio a toda esta produção ‘Made in Portugal’, cinco jovens brasileiros tentaram – e conseguiram – ter uma palavra a dizer, procurando replicar em Portugal o sucesso astronómico e meteórico que haviam conseguido entre o público jovem do seu país natal. E a verdade é que, não fora a intervenção completamente inesperada do destino, Dinho, Júlio Rasec, Bento Hiroshi e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli teriam muito provavelmente conseguido mesmo cumprir esse objectivo.

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Colectivamente conhecidos como Mamonas Assassinas, os cinco músicos conseguiram, entre o Verão de 1995 e o abrupto desfecho da sua história, pouco mais de um ano depois, pôr a juventude portuguesa a cantar com deleite e a plenos pulmões letras que mal compreendiam, com temas tão edificantes como as orgias sexuais frustradas (no ‘single’ e sucesso máximo ‘Vira-Vira’, uma sátira à música ‘pimba’ e de baile apreciada pelos emigrantes portugueses no Brasil) e o bom tratamento dos pelos genitais (na genial ‘Sabão Crá-Crá’, trinta segundos de canto ‘a capella’ com esquema rimático infantil, que talvez tivesse mesmo como intuito cativar e confundir, em partes iguais, a criançada.) Pelo meio, o quinteto ainda arranjava tempo para roubar instrumentais inteiros aos Clash (‘Chópis Centis’ mais não é do que o hino ‘Should I Stay Or Should I Go’, do grupo britânico, com letra diferente) e mostrar o seu lado mais sentimental, na balada ‘Pelados em Santos’. Em suma, um conjunto de músicas que mais se assemelhava a uma lista de sucessos, e que – para desprazer da maioria dos pais - não deixou de cativar o público infanto-juvenil português, como aliás já acontecera com o brasileiro.

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Uma das capas de álbum mais famosas e icónicas da década de 90 em Portugal

As razões para este sucesso são evidentes: do visual multi-colorido e extravagante à voz anasalada e caricatural de Dinho, passando pelas letras que vagamente se compreendiam ser ‘marotas’, os Mamonas pareciam feitos à medida para agradar a uma certa demografia. Não é, pois, de surpreender que tenha sido precisamente esse o caso, com o disco homónimo de estreia a ‘explodir’ no nosso país como já acontecera no Brasil, e os vários ‘singles’ do quinteto a dominarem as ondas de rádio durante todo um Verão. E, dado todo este sucesso, também não foi nenhum choque – antes pelo contrário – ver o grupo anunciar que a sua próxima digressão de promoção ao álbum os traria ao nosso país, em Março de 1996. O destino, no entanto, tinha outros planos…

A história é, já, por demais conhecida – os Mamonas viajavam para Portugal, a 2 de Março (precisamente para cumprir as datas acima mencionadas) quando problemas com o avião em que se encontravam o fizeram despenhar-se contra uma cordilheira de montanhas, matando instantaneamente todos quantos se encontravam a bordo da aeronave. Uma tragédia que abalou os dois países em que o grupo se havia estabelecido, resultando na perda de vidas jovens, talentosas, e ainda com muito para dar ao mundo da música, por muito (intencionalmente) parvas que essas contribuições pudessem ser…

A realidade dos factos, no entanto, faz com que o legado dos Mamonas (tanto em Portugal como no Brasil) se traduza tão-sómente num punhado de canções ainda hoje lembradas com carinho por quem as ouviu na idade certa, e na lembrança viva de um pico de sucesso tão intenso como curto. Mais uma prova (como se ainda fossem precisas mais) de que muitas vezes, o estilo de vida ‘rock’n’roll’ pode ser muito, mas mesmo muito ingrato…

 

13.09.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

‘Sou camionista, sou o maioooor…’ Se esta linha, retirada de uma das músicas mais populares de 1996, vos fez avivar a memória, vão com certeza gostar do post de hoje, em que abordamos a banda responsável pela sua criação e gravação – os Mercurioucromos.

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Formados em 1995 a partir da junção de duas outras bandas, o quinteto assumiu, desde logo, a sua vontade de fazer pop-rock com fortes laivos de comédia – não terá, decerto, sido à toa que o líder desta ‘pandilha’ musical, Carlos Carneiro, se viria mais tarde a afirmar como actor; os seus maneirismos, tanto vocais como de palco, faziam, aliás, lembrar um outro nome de referência do rock-comédia em Portugal: Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000.

A música dos ‘Cromos era, no entanto, algo mais voltada ao pop do que o rock ‘apunkalhado’ dos EP2000, como bem demonstra o seu grande hit, acima citado. No entanto, faixas como ‘Lobo Mau’ mostram que a banda também sabe ser mais agressiva e atmosférica quando necessário, demonstrando que os Mercurioucromos talvez fossem mais do que aparentavam. Fosse ou não esse o caso, a verdade é que a banda conseguiu mesmo ‘explodir’ logo com o primeiro álbum e respectivo ‘single’, que o ajudou a catapultar para vendas de 60 mil unidades, muito graças à rotação constante de que gozava nas rádios nacionais.

Infelizmente, tal como acontece com tantas outras bandas, tanto em Portugal como no estrangeiro, também o quinteto saído de ‘uma garagem lá para os lados de Benfica’ nunca conseguiu replicar o sucesso meteórico dessa estreia, figurando hoje como um dos grandes ‘one hit wonders’ da história da música moderna portuguesa. Chegaria ainda a haver um segundo álbum, lançado apenas um ano depois do ‘pico’ do sucesso, mas já demasiado tarde para evitar cair em ‘orelhas moucas’; sem nada tão forte como ‘Camionista Cantor’ para manter os ‘Cromos relevantes entre o seu público-alvo, o álbum teve vendas modestas, deixando para o CD-single exclusivo produzido para a revista Super Jovem a honra de ser o segundo lançamento mais conhecido da banda.

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A segunda coisa mais famosa que os Mercurioucromos lançaram...

Ainda assim, os Mercurioucromos tiveram o seu momento na História do pop-rock português, por muito fugaz que o mesmo tenha sido, e conquistaram o seu lugar na lista de bandas nostálgicas para uma determinada geração, que acompanhou e viveu o mesmo. Por isso, e por terem tido uma música que qualquer jovem em idade escolar sabia cantarolar naquele ano de 1996, o quinteto de Lisboa merece bem esta referência aqui nas páginas do Anos 90…

08.08.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque acaba de se iniciar mais uma época do nosso ‘querido’ campeonato português (força Sporting! De três em três, sempre a somar!), nada melhor do que recordar as provas que completam, este ano, precisamente 30 e 25 anos de vida, respectivamente.

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Não que as épocas de 91/92 e 96/97 tenham tido, de todo, algo de especial; pelo contrário, qualquer das duas serviria como exemplo perfeito do paradigma do futebol português dos anos 90, o qual ficou, acima de tudo, marcado pela hegemonia do Futebol Clube do Porto, a qual se faz sentir em ambos estes campeonatos (o de 91/92 marca, inclusivamente, o início dessa hegemonia, sendo que na época imediatamente transacta – a primeira dos anos 90 – o campeão havia sido o Benfica).

A Oeste nada de novo, portanto – o que não significa que os dois campeonatos escolhidos não tenham, mesmo assim, tido os seus motivos de interesse; de facto, uma consulta rápida aos plantéis dos ‘três grandes’ em cada um dos anos revela um sem-fim de nomes bem conhecidos e memoráveis para qualquer jovem adepto. Na época de 91/92, por exemplo, militavam em Portugal nomes como Vítor Paneira, Paulo Madeira, Tahar El-Khalej, El Hadrioui, Figo, Balakov, Cadete, Iordanov, Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Timofte, Kostadinov ou Domingos, enquanto a época de 96/97 seria palco para o despontar de jovens promessas nacionais como Hugo Leal, Simão Sabrosa, ou um jovem ponta-de-lança brasileiro de 22 anos chegado a Portugal nesse mesmo ano para representar um Futebol Clube do Porto em transição da fase ‘trauliteira’ do início dos 90 para o futebol mais artístico que marcaria a década seguinte – um tal de Mário Jardel…

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O genial Balakov em acção contra o FC Porto

Mesmo fora dos ‘grandes’, havia nomes memoráveis a reter, como o de Jimmy Floyd Hasselbaink, que seguiria do Boavista onde ainda militava em 1996 para (muito) mais altos vôos em anos seguintes.

Em termos futebolísticos, no entanto, o cenário era o mesmo que se verificaria em quase todos os anos dessa década, e muitos dos da seguinte – o Porto a ganhar campeonatos de forma conclusiva, deixando Benfica, Sporting, e por vezes Boavista a digladiar-se pelo 2º e 3º lugares. Anos subsequentes revelariam a verdadeira razão dessa hegemonia, mas naqueles tempos mais inocentes, os adeptos pouco podiam fazer senão encolher os ombros e admitir que sim, CLARO que o Porto ganhava mais um…era apenas parte do ‘status quo’ futebolístico da altura, especialmente depois de os do Norte se tornarem ‘movidos’ a Jardel…

images.jpgAté ele parece confuso sobre como marcava tantos golos...

Vinte anos depois, muita coisa mudou - o futebol português assistiu, entre outras efemérides, a um Porto campeão europeu, a um novo período hegemónico mais a sul, no caso do Benfica, e até a um Sporting capaz de surpreender e deixar a sua posição de eterno derrotado na corrida aos títulos. Perante este paradigma, aqueles tempos mais inocentes, em que o campeonato se chamava Primeira Divisão, se disputava entre equipas de homens feios e brutos em lodaçais disfarçados de campos da bola, e onde se jogavam 90 minutos e no fim o Porto ganhava pode até parecer nunca ter existido, um pouco à semelhança do que acontece com o campeonato inglês pré-Premiership.

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Antes dos patrocínios e do futebol-espetáculo, era assim...fi

No entanto, quem esteve lá sabe que tal cenário não só foi absolutamente verdadeiro, como extremamente empolgante para quem a ele assistia, com as emoções à flor da pele próprias da infância; será, talvez, essa a razão para termos acabado de dedicar uma página inteira a duas épocas pouco ou nada marcantes daquele tempo – e para os nossos leitores terem dedicado algum do seu tempo a lê-la…

25.07.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E numa altura em que tem início mais uma edição dos Jogos Olímpicos – embora, tal como o Europeu de Futebol, com um ano de atraso – nada melhor do que recordar um outro evento deste tipo, sobre o qual se celebram agora exactos 25 anos, e que celebrava ele próprio o centenário dos Jogos Olímpicos como hoje os conhecemos.

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Essa prova – a de 1996, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia, EUA - não foi especialmente memorável para o publico jovem – especialmente se comparada à de quatro anos antes, realizada em Espanha, cuja mascote teve até direito a uma série animada propria (o que, convenhamos, não é comum para um representante de um evento não especificamente dirigido a crianças.) Para o público jovem português, no entanto, talvez a situação tenha sido um pouco diferente, já que uma das atletas representantes do nosso país conseguiria ganhar a medalha máxima na sua modalidade, afirmando-se como a digna sucessora de uma outra olimpiana, do mesmo desporto, cuja carreira atingia o ocaso.

Falamos, claro, de Fernanda Ribeiro, a segunda maior velocista portuguesa, logo a seguir à mulher de quem recebeu o testemunho – Rosa Mota, claro. Em Atlanta, Fernanda foi porta-bandeira por Portugal na abertura, e não defraudou as expectativas nela colocadas, regressando dos EUA com a medalha de ouro nos 10.000 metros femininos; já Carla Sacramento, a outra esperança no campo do atletismo, foi porta-bandeira no encerramento, mas não conseguiu qualquer meta assinalável na competição em si.

A prova em que Fernanda participava, e que viria a vencer, teve transmissão em directo na RTP

Infelizmente, como Sacramento, a restante comitiva não teve, nem de perto nem de longe, um desempenho tão honroso. Dos 107 atletas, além de Fernanda, apenas o duo da vela masculina saiu de Atlanta medalhado – no caso, o Bronze na classe 470. Dois outros atletas, Luís Cunha e António Abrantes, conseguiram bons tempos nos 100 e 800m, respectivamente, mas os mesmos não foram suficientes para progredir e atingir o pódio.

No restante, umas Olimpíadas desapontantes para o comité português, em transição entre a fase Rosa Mota e Carlos Lopes e o futuro com Patrícia Mamona, Telma Rodrigues e Obikwelu. A Selecção de futebol somava resultados como 5-0 (contra…) e a maioria dos miúdos estaria certamente mais interessada na prova de basquetebol, onde uma equipa americana movida a Michael Jordan, Magic Johnson e outros que tais davam (previsivelmente) cartas, chegando com facilidade à medalha de ouro. Ainda assim, vale a pena assinalar o aniversário de quarto de século da prova – e esperar que a comitiva portuguesa (desfalcada pela primeira vez de Rosa Mota como acompanhante de honra, devido ao COVID-19, faça uma prova um pouco melhor do que então…

 

17.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 16 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

 

E porque esta semana marca a estreia da sequela de Space Jam - com LeBron James no lugar do seu homólogo dos anos 90, Michael Jordan – nada melhor do que dedicar algumas linhas a recordar o original, estreado há quase exactamente vinte e cinco anos (em Novembro de 1996) e que conseguiu a proeza de se manter popular e relevante desde essa altura, justificando o investimento numa sequela, mesmo tantos anos depois.

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Essa popularidade continuada é – pelo menos para a geração que era da idade certa aquando da estreia do filme – bastante fácil de explicar; afinal, só quem viveu aquele momento da História consegue perceber o quão atrativa era a ideia de ter Michael Jordan e Bugs Bunny a contracenar no mesmo filme. Aquela que foi a primeira ‘mega-estrela’ do basquetebol norte-americano estava em plena alta de popularidade, graças às suas inacreditáveis exibições ao comando da ‘Dream Team’ dos Bulls e da Selecção Nacional norte-americana, enquanto o líder dos Looney Tunes é daquelas figuras perpetuamente populares entre os fãs de desenhos animados, muito graças às frequentes repetições das suas clássicas ‘curtas’ em canais de televisão por esse Mundo fora; assim, juntar os dois numa mesma produção tinha tudo para dar certo. E deu.

A história de Space Jam é, objectivamente, algo parva; uma raça de ‘aliens’ pretende raptar os Looney Tunes para os usar como atracção principal no seu parque de diversões espacial, e a ‘troupe’ animada decide confundi-los, apostando a sua liberdade num jogo de basquete, um conceito perfeitamente desconhecido para os pequenos seres espaciais (os quais não primam pela proeza física, assemelhando-se, mais do que nada, a pequenas lagartas de olhos grandes.) Um plano que teria tudo para dar certo – não fora o facto de os extraterrestres conseguirem roubar os talentos de alguns dos principais jogadores da NBA, com os quais se transformam em literais ‘monstros de esteròides’, bem maiores e mais poderosos do que os Tunes. A última esperança para Bugs Bunny e companhia – aqui aumentada com a adição da recém-chegada ‘craque’ e futura namorada de Bugs, Lola Bunny - reside, pois, numa ex-super-estrela do desporto, a qual se havia retirado do basquete para se dedicar ao beisebol – Michael Jordan, claro. Um rapto bem 'animado’ mais tarde, o prodígio dos Chicago Bulls vê-se convertido em capitão da auto-intitulada TuneSquad, e envolvido num desafio em que, por uma vez na sua carreira, não é favorito…

Uma premissa algo tola, portanto, e que serve, mais que nada, de pretexto para juntar as duas ‘estrelas’ do filme – bem como vários dos mais conhecidos jogadores da NBA à época, de Muggsy Bogues a Charles Barkley, Patrick Ewing, Shawn Bradley e Larry Johnson, os quais alinham numa bem-humorada sátira ao seu próprio estatuto, fingindo ter perdido as suas habilidades e ‘desaprendido’ a jogar basquetebol. ‘Space Jam’ conta, ainda, com Bill Murray, Theresa Randle e Wayne Knight em papéis de apoio, dando ao filme um elenco de luxo, bem acima do que seria expectável para uma produção deste tipo.

A intenção de criar algo que respeitasse o público-alvo não se fica, no entanto, pelo elenco e interpretações; apesar do argumento algo tonto, o filme conta com uma excelente banda sonora (a começar pelo tema-título, e passando pelo entretanto infame ‘I Believe I Can Fly’, de R. Kelly) e tem o cuidado de retratar os Looney Tunes exactamente como os conhecemos, sem quaisquer concessões ao politicamente correcto – tirando, talvez, o facto de Bugs Bunny nunca se vestir de mulher. De resto, e apesar do novo ‘look’ assistido por CGI, a turma animada aparece igual a si própria, com muitas ‘gags’ absurdas (incluindo uma no famoso lance final do jogo decisivo) e literalmente explosivas, assegurando que – ao contrário do infame filme de Tom e Jerry, lançado alguns anos antes – quem conhecesse os Looney Tunes não sairia defraudado do cinema.

As cenas de jogo contêm muitas das melhores 'gags' do filme

O resultado foi, previsivelmente, um sucesso de bilheteira, que reavivou o interesse nos Looney Tunes, e justificou o lançamento de vários novos produtos alusivos a Bugs e companhia, agora, previsivelmente, com o seu novo ‘look’ e equipados à basquetebol; entre os mais memoráveis encontravam-se um jogo para PlayStation (basicamente um 'NBA Jam', mas com os Looney Tunes no lugar dos jogadores cabeçudos) e o relançamento, em formato VHS, de vários episódios clássicos de cada um dos principais personagens, com uma nova dobragem em português, sob a denominação ‘Estrelas do Space Jam’.

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Um volume da colecção 'Estrelas do Space Jam', focada no personagem de Marvin, o Marciano

Nada de muito surpreendente – não fosse o facto de o ‘merchandise’ alusivo ao filme ter continuado a vender (e bem) durante as duas décadas seguintes (ainda em 2018-2019, o Primark lançava uma t-shirt alusiva ao filme, destinada a um público-alvo que mal era nascido quando o filme estreou!) Um caso de popularidade apenas explicável pelo facto de este filme aparentemente menor ter sido passado de irmãos para irmãos e de pais para filhos, beneficiando da nostalgia prevalente pela década de 1990 para se manter ‘nas bocas do povo’.

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T-shirt alusiva ao filme, lançada pela Primark mais de uma década após a estreia do mesmo

Seja qual for o motivo por detrás da intemporalidade de um filme que, teoricamente, só funcionaria no contexto específico em que foi lançado, a verdade é que ‘Space Jam’ a merece – por muito que a Internet queira fazer dele ‘bombo de festa’, a verdade é que se continua a tratar de uma excelente obra para toda a família, com muita diversão, momentos memoráveis, uma boa mensagem, e aquele tipo de violência animada que nunca sai de moda, por muito politicamente correcto que o Mundo se torne. Seria uma pena, portanto, se a recém-estreada sequela destruísse o consenso que o original ainda hoje consegue reunir – embora, a julgar pelas primeiras críticas, seja exactamente isso que se vá passar. Resta o consolo de, pelo menos, ainda termos o original para nos relembrar de que, na verdade, esta fórmula pode ser executada, mais do que correctamente, com louvor e distinção. ‘COME ON AND SLAM! AND WELCOME TO THE JAM!’

 

04.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E porque se celebra, este fim-de-semana, o famoso Dia da Independência norte-americano, nada melhor do que recordar o filme que colocou essa data (ainda mais) nas bocas do resto do Mundo – Portugal incluído – e que foi lançado há quase exactamente 25 anos, a 3 de Julho de 1996.

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Falamos de ‘O Dia da Independência’, o filme-evento realizado por Roland Emmerich que transformou Will Smith de actor de ‘sitcom’ em herói de acção, com resultados surpreendentemente convincentes.

Não que Smith fosse a única ‘estrela da companhia’ – longe disso. Além do eterno ‘Príncipe de Bel-Air’, o elenco reunido por Emmerich contava ainda com Jeff Goldblum, Bill Pullman, Randy Quaid ou Harvey Fierstein, entre outros – isto, claro, sem falar do verdadeiro centro das atenções: os efeitos especiais.

De facto, ‘O Dia da Independência’ é quase mais um espectáculo visual do que um filme; ainda que as prestações dos principais actores sejam fortes, a história é o típico exagero absurdo característico deste tipo de produção, e que fornece bastas oportunidades para Emmerich e companhia utilizarem efeitos de computador absurdamente avançados para a época. Sejam as naves dos extraterrestres ou as habituais explosões, há (havia) muito com o que ficar de boca aberta nas quase duas horas e meia de duração do filme (também aqui Emmerich foi visionário, afirmando-se como precursor da tendência para filmes mais longos do que a média que se verificaria alguns anos depois.)

Os efeitos visuais do filme eram nada menos do que impressionantes, e extremamente avançado para a época.

O resultado foi um sucesso absoluto de bilheteira, tendo-se ‘O Dia da Independência’ tornado o filme mais lucrativo do ano, e o segundo mais lucrativo de sempre até então, apenas atrás do outro grande filme-evento da década, o ainda mais nostálgico ‘Parque Jurássico’. E apesar de essa marca ter sido, desde então, largamente ultrapassada (basta recordar os absurdos números de bilheteira de ‘Vingadores: Endgame’), a verdade é que ‘O Dia da Independência’ conseguiu manter-se marcante e relevante o suficiente para justificar uma sequela celebratória das suas duas décadas de vida, lançada em finais de Junho de 2016; o impacto desta última esteve, no entanto, longe do conseguido pelo seu precursor, um filme-espectáculo numa época em que os mesmos ainda eram a excepção, e não a regra. Nada melhor, portanto, do que celebrar o 25º aniversário deste marco do cinema dos anos 90 relembrando o furor que o mesmo causou à época…

03.07.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 29 de Junho de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

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Tamagotchi. Só o nome já traz memórias de andar na escola primária ou preparatória e ter – ou querer ter – um desses bichinhos virtuais que moravam em pequenos aparelhos digitais em forma de ovo. Parece que foi ontem…e, no entanto, já se passaram 25 anos!

Pois é, a mascote digital alienígena oriunda do Japão completa este ano um exacto quarto de século de existência, cuja celebração vai ficar marcada pelo lançamento de um novo modelo, desta vez em formato ‘wearable’, ou seja, embutido em relógios ou pulseiras bem ao estilo Apple, por oposição ao tradicional formato ‘handheld’ com que todos crescemos.

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O Tamagotchi, versão 2021

Descaracterização, dirão alguns, evolução, dirão outros, mas o certo é que, em termos de mecânica e até apresentação, muito pouco parece ter mudado; o conceito continua a centrar-se numa pequena mascote aprisionada num ecrã LCD, a qual requer tratamento constante para chegar à idade adulta, de preferência sem ser um mimado mal-agradecido. Pelo meio ficam jogos, sessões de alimentação, e muitas, muitas sessões de limpeza de necessidades fisiológica - talvez a característica mais marcante e memorável dos Tamagotchi originais.

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O ecrã que ninguém gostava de ver...

A verdade é que, mesmo com fezes à mistura (ou talvez *por causa* das fezes) o animal virtual electrónico que a Bandai imaginou em 1996 encantou toda uma geração de crianças, muitas das quais não podiam ter animais de estimação. Mesmo as que podiam, no entanto, eram seduzidas pela lógica de ‘previsibilidade imprevisível’ do brinquedo, segundo a qual, apesar de as actividades de manutenção em si serem repetitivas e sempre iguais, nunca se sabia como é que o nosso monstrinho ia crescer, ou sequer SE ia crescer; aliado ao facto de os Tamagotchis poderem precisar de ajuda a QUALQUER altura, isto fazia com que as crian;as andassem constantemente de olhos postos no pequeno ecrã onde o animal vivia, tornando o Tamagotchi numa espécie de antecessor dos actuais ‘smartphones’.

Como é óbvio, um produto com o nível de sucesso do Tamagotchi não podia deixar de ter os seus ‘imitadores’ - neste caso, brinquedos com nomes genéricos como ‘Virtual Pet’ ou ‘Computer Pet’, que, à parte ligeiras diferenças no ‘design e gráficos’, eram em tudo idênticos ao animal virtual da Bandai, mas sem o ‘branding’ e selo de qualidade da marca, e, por isso, vendidos por um terço do preço.

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Um exemplo típico de 'Fakegotchi' 

Curioso é notar que estes ‘Fakegotchis’ tiveram, em Portugal, uma longevidade muito maior que o original, podendo ainda hoje, por vezes, ser avistados no seu ‘habitat’ natural, na secção de jogos e brinquedos de qualquer grande drogaria ou loja de eletrónica ‘de bairro’. A popularidade, essa, é que já não é a mesma, até porque o ultimo quarto de século viu surgir (ainda) mais alternativas no mundo dos brinquedos eletrónicos – entre eles jogos de animais virtuais para consolas portáteis, como o popular ‘Nintendogs’ - que fazem com que estes bichinhos LCD pareçam cada vez mais obsoletos e redundantes.

Dessa perspectiva, não deixará de ser curioso avaliar como o ‘novo’ Tamagotchi se sairá no mundo digital da actualidade. Numa era em que os telemóveis eram, ainda, raros (e caros) e os jogos portáteis relativamente primitivos, este era um brinquedo impressionante do ponto de vista conceptual e tecnológico; num mundo em que todas as semanas surgem ‘gadgets’ novos e mais avançados, no entanto, é bem possível que o animal virtual da Bandai se torne ‘só mais’ uma relíquia saudosista-revivalista. O tempo o dirá. Até lá, nós, os da geração original, teremos sempre as memórias de como foi ver, e brincar, pela primeira vez com um destes estranhos mas cativantes aparelhos. Parabéns, Tamagotchi!

18.06.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 17 de Junho de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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Numa das primeiras edições desta rubrica, falámos das colecções de cromos, um dos mais populares passatempos entre as crianças dos anos 90; e como qualquer pessoa que tenha ‘estado lá’ prontamente admitirá, as colecções mais conhecidas e ferventemente ‘negociadas’ e completadas eram as de futebol.

Destas, havia dois grandes tipos, ambos popularizados pela Panini, e ambos com sensivelmente o mesmo formato: as anuais, relativas às formações dos clubes da Liga Portuguesa da respectiva época, e as alusivas às competições internacionais. Ambas ofereciam aos ‘putos’ da época (quase todos do sexo masculino) a oportunidade de colar as caras dos seus jogadores nacionais e internacionais favoritos nas sempre atractivas cadernetas, e de ‘gabarolar’ junto dos amigos quando completavam as mesmas antes deles.

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...o quê, vão dizer que em 96 não sonhavam ter a cara do Secretário colada em qualquer lado?

A caderneta alusiva ao Euro ’96 não constituía excepção a qualquer destas regras, ficando apenas na memória por ser uma das primeiras a incluir a Selecção Nacional portuguesa - o que a terá, sem dúvida, tornado ainda mais popular junto do público-alvo. De resto, a caderneta era igual a todas as suas congéneres, tanto em formato – além dos jogadores, cada página dedicava um lugar à foto de equipa e outro ao símbolo de cada Selecção – como em aspecto, com as tradicionais ‘molduras’ à volta da imagem de cada jogador, e o não menos característico papel brilhante, que realçava o colorido dos fundos de página alusivos a cada país, ou à competição em geral.

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Uma das páginas da caderneta

Cabe realçar, no entanto, que apesar de os conteúdos serem os mesmos em todos os países onde a caderneta era comercializada, o mesmo não se passava com as capas; Portugal recebeu apenas a variante ‘standard’, mostrada no início deste post, mas a Alemanha, por exemplo, tinha a mesma imagem em fundo vermelho-escuro, enquanto que outra variante encontrada na Internet se destaca por não ter absolutamente NADA a ver com qualquer das outras.

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Capas ‘estranhas’ à parte, no entanto, não há muito mais a dizer sobre os cromos do Euro ’96; tratava-se de uma colecção de futebol perfeitamente vulgar pelos padrões da sempre fiável Panini, que seguia à risca a receita futebolística de ‘em equipa que ganha, não se mexe’ – a qual já havia dado resultado no passado, daria resultado aqui, e voltaria a dar resultado aquando da próxima competição internacional, que renderia à editora uma das suas mais bem-sucedidas cadernetas da década. Quanto a ‘Europa ‘96’, a mesma também se pode inserir nesse leque, como bem atesta a caderneta que por estas bandas se preencheu, e que ainda há pouco tempo ‘morava’ algures na Área Metropolitana de Lisboa…

 

15.06.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A expressão ‘jogos de futebol dos anos 90’ traz à memória muitos e bons jogos, de FIFA e Actua Soccer a Goal, Sensible Soccer ou International Superstar Soccer, entre outros. No entanto, uma memória que essa expressão NÃO evoca é a de jogos alusivos aos Campeonatos Europeus de Futebol. Mundiais, sim (a começar pelo excelente World Cup 98, da sempre fiável EA Sports), mas Euros…nem por isso.

Esta tendência é fácil de explicar, se pensarmos que a maioria dos jogos desta geração (incluindo os títulos de futebol) eram produzidos no Japão e Estados Unidos, e vendidos não só para a Europa, mas para todo um mercado mundial consumidor de títulos deste tipo, que incluía nomeadamente a América Latina. Para além disso, na era pré-FIFA (ou seja, a primeira metade dos anos 90) a maioria dos jogos não tinha qualquer vínculo oficial, pelo que as companhias eram livres de inventar as suas próprias competições, sendo estas postas ao serviço do jogo, e não o oposto.

Esta situação só viria a mudar com o advento do Euro 96, quando a ‘febre’ do retorno do futebol à sua casa-berço – Inglaterra – deu à criadora de software Gremlin a ideia de fazer um jogo só e especificamente baseado naquela competição, em exclusivo para o mercado europeu (a bem da verdade, o único que nele poderia ter algum interesse). A sorte acabou por sorrir à companhia britânica nesta empreitada,  já que a Gremlin não só conseguiu a licença oficial do certame, como também teve a sua tarefa muito simplificada em termos de programação, visto já possuir no seu currículo um título de futebol; bastou, pois, dar uma ‘lavadela de cara’ a esse jogo, e o primeiro videojogo oficial de um Europeu estava pronto a lançar.

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Sim, tal como aconteceria alguns anos mais tarde com a EA Sports, a Gremlin limitou-se a lançar o seu título de futebol habitual (o qual até já contava com equipas internacionais), actualizando apenas os nomes dos jogadores e reduzindo as competições a uma – o próprio Euro, com as suas 16 equipas. Tirando esses pequenos detalhes, ‘Euro 96’ – o jogo – é apenas mais um título da série Actua Soccer, com a mesma jogabilidade, qualidades e defeitos dos seus antecessores, e dos que se lhe seguiriam, nomeadamente ‘Actua Soccer 3’.

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Todos os gráficos do jogo são retirados de 'Actua Soccer', mas com a devida adaptação ao ambiente do Euro.

No entanto, mesmo esta versão reduzida de um jogo já existente foi suficiente para capturer o coração dos adeptos britânicos, cuja febre ‘Eurística’ ajudou a colocar a versão do jogo lançada para Sega Saturn no topo das tabelas de vendas (curiosamente, este título nunca foi lançado para Playstation.)

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A caixa da versão para Sega Saturn

Não foi, no entanto, apenas em Inglaterra que o jogo teve repercussão; também em Portugal o título se fez notar, sobretudo por oferecer um detalhe que nenhum outro título à época oferecia – nomeadamente, comentários em Português, pela voz nem mais nem menos do que de Jorge Perestrelo. E a verdade é que o mini-adepto português médio sentia alguma excitação ao iniciar um jogo e ouvir aquele senhor da televisão utilizar o seu rol de expressões clássicas e inconfundíveis, como ‘ripa na rapaqueca’, para descrever o que ele (o jogador) estava a fazer. Este sentimento, que era bem transmitido pelo próprio anúncio do jogo, terá ajudado a vender mais uns largos milhares de unidades de ‘Euro 96’ – um título que, à época, representava o ‘state of the art’ em termos gráficos, sonoros e de jogabilidade (recordamos que, por esta altura, ‘FIFA’ ainda era apenas um jogo, e não uma dinastia, tendo ‘FIFA 96’, o segundo título de sempre da perene série da EA, acabado de chegar aos escaparates.)

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Em 1995, isto era o cúmulo do realismo...

Visto à luz de hoje em dia, ‘Euro 96’ é um jogo básico, e muito datado, mesmo por comparação com títulos da mesma altura ou lançados um ano ou dois depois, e o facto de ser apenas um ‘Actua Soccer’ simplificado também não abona nada a seu favor; na sua época, no entanto, este foi um jogo único, revolucionário, e que colmatava uma falha no mercado, tendo, por isso mesmo, sido muitíssimo bem recebido pelos ‘gamers’ de 1995-96.

O próximo jogo alusivo a um Campeonato Europeu de Futebol seria, no entanto, já muito mais próximo daquilo que os adeptos esperavam de um título deste tipo, e com uma chancela muito mais fiável; no entanto, o mesmo só chegaria às prateleiras já alguns meses depois do novo milénio, deixando ‘Euro 96’ como o único representante de jogos deste tipo na década de 90; e, nessa perspectiva, até que este título não fez má figura…

13.06.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque precisamente este fim-de-semana se celebra uma ocasião única no seio do futebol internacional – um Campeonato Europeu disputado no Verão de 2021, mas anacronisticamente chamado Euro…2020 – nada melhor do que recordar aquele que foi, para as crianças da ‘nossa’ década, um dos primeiros e mais marcantes contactos com o futebol ‘de selecções’, e que, devido ao referido anacronismo, acaba mesmo por ver o seu 25º aniversário ser celebrado com a realização de outro certame do mesmo género.

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Falamos, é claro, do Euro 96, disputado em Inglaterra entre 8 e 30 de Junho desse ano, e que marcaria o regresso das grandes competições internacionais ao ‘berço’ do futebol, após exactas três décadas – daí o slogan da prova, ‘football’s coming home’.

Nostalgias à parte, no entanto, a maior influência deste campeonato para o futebol moderno foi mesmo o facto de ter sido utilizado como prova-modelo para a implementação definitiva do modelo competitivo pelo qual os Campeonatos Europeus modernos ainda hoje se regem, com 16 equipas (o dobro de campeonatos anteriores) divididas em grupos de apuramento de quatro equipas cada, das quais duas são eliminadas e outras duas seguem para as fases eliminatórias da prova.

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A nova configuração das fases de grupos introduzida pelo Euro 96

Embora alguns dos nossos leitores mais velhos possam ainda recordar o Euro 92, o Mundial de 90 ou até de algum ou outro campeonato da década anterior, para a maioria das crianças nascidas na década de 80, o binómio Mundial 94 – Euro 96 representa a primeira memória relacionada ao futebol internacional, e a primeira vez que o futebol não-clubístico foi seguido com verdadeiro interesse. E se no caso do Mundial o principal motivo de interesse se prendia com o exoticismo de o certame ser realizado num país com pouca ou nenhuma tradição futebolística, no caso do Euro 96, havia um ‘gancho’ adicional, nomeadamente a participação de uma selecção portuguesa em ascensão, conduzida, pela primeira de muitas vezes, pelos elementos da equipa bicampeã do Mundo de sub-20 – a chamada ‘Geração de Ouro’.

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A Selecção portuguesa de 1996

De facto, o Euro 96 marcava o início da ‘era de ouro’ da Selecção Nacional portuguesa, cujo percurso durante os próximos dez anos se daria em claro ascendente, culminando na quase-vitória em pleno solo ‘caseiro’, durante o Europeu de 2004. Em 1996, no entanto, esta equipa-maravilha apresentava-se ainda em fase embrionária, já com todos os elementos no sítio, mas sem a química quase maquinal que os seus elementos viriam a adquirir com o passar dos anos.

Ainda assim, a prestação de Portugal no Campeonato Europeu de meados da década de 90 seria valorosa e meritória – ainda que, em muitos aspectos, frustrantemente típica. Exemplo disto mesmo foi a fase de grupos de ‘serviços mínimos’, que se iniciaria com um empate frente à Dinamarca dos irmãos Laudrup, e prosseguiria com um ‘meio a zero’ frente à poderosa Turquia; quando já estava tudo a fazer ‘contas à vida’ no entanto, a Selecção Portuguesa fez aquilo a que, durante os próximos anos, habituaria os adeptos, ‘esmagando’ por 3-0 a Croácia de Suker e companhia, e usurpando à mesma, por apenas um ponto, o primeiro lugar do grupo.

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Classificação final do grupo D

No entanto, no jogo dos quartos-de-final da prova, a equipa nacional voltaria a estar ‘igual a si mesma’ (ou, pelo menos, àquilo que viria a ser) sendo eliminada pela República Checa, na sua primeira participação enquanto país independente, com um golo solitário de Karel Poborsky, uma das estrelas reveladas nesta competição. Uma saída agri-doce, até porque o jogo foi bem disputado e renhido, mas ao mesmo tempo um ensaio de preparação para a sensação que os adeptos portugueses se viriam a habituar a sentir  muitas e muitas mais vezes ao longo dos anos seguintes – a sensação do ‘foi quase’. Porque, sim, foi quase – mas…

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Os onzes iniciais do jogo dos quartos-de-final entre Portugal e a República Checa

Fica a consolação de, pelo menos, a equipa que eliminou as Quinas ter sido uma das eventuais finalistas, constituindo talvez a surpresa da prova ao ‘dar luta’ à Alemanha de Lothar Matthaus, acabando por sucumbir por honrosos 2-1. Mais uma vez, esta viria a ser a primeira instância de uma ocorrência recorrente para Portugal em provas internacionais – a de ser eliminado por uma equipa finalista da prova.

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O homem do jogo dos quartos-de-final, Karel Poborsky, em disputa com o central português Fernando Couto

Enfim, em muitos aspectos, o Euro 96 foi uma espécie de primeiro ensaio para aquilo que viria a ser o futebol internacional português durante as duas décadas seguintes – um futebol bonito, esforçado, com lampejos de génio, mas que acabava sempre por se ficar pelo ‘quase’. A situação viria a mudar, é claro, exactos 20 anos após o certame em causa, quando muitos dos mini-adeptos que com ele vibraram eram já, eles próprios, pais de mini-adeptos que vibraram com a turma de Ronaldo e companhia.

Os mais velhos, no entanto, não poderão, ainda hoje, deixar de recordar o ponto de partida dessa gloriosa odisseia, que pode ter continuidade já daqui a poucas semanas – aquele Verão de 96 em que uma equipa de vermelho e verde, oriunda de um pequeno país mediterrânico, tentava replicar o sucesso atingido pelas suas camadas jovens alguns anos antes, e afirmar-se como potência a ter em conta no panorama do futebol internacional. Objectivo que, aliás, viriam a cumprir, ainda que para tal tivessem que esperar até à década, século e milénio seguintes…

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