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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.09.21

Nota: Este post é respeitante a Domingo, 5 de Setembro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E depois de na primeira edição desta rubrica termos recordado ‘Aquela’ Equipa do Benfica de Souness, chega hoje a vez de nos debruçarmos sobre outro onze (ou antes, onzes) clássico(s) da década de 90: ‘Aquela(s)’ Equipa(s) de ‘sarrafeiros’ por que o Futebol Clube do Porto ficou conhecido no início da década.

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A primeira equipa do Porto da década, uma verdadeira 'colecção' de partidores de pernas alheias

Sim, antes de ser a ‘potência’ europeia do novo milénio, e mesmo antes de ter ido descobrir ao Brasil um homem-golo que viria a bater recordes de tentos na Liga Portuguesa, a principal equipa do Norte do país primava por um futebol…digamos, ‘físico’ e ‘de combate’, perpetrado por nomes como Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, João Pinto ou o ‘rei’ da ‘traulitada’, o eterno Paulinho Santos. Entre si, estes homens deixaram um impressionante ‘trilho’ de membros lesionados e ossos ‘amassados’ em campos ‘da bola’ de Norte a Sul do País, sendo esta a única característica pela qual o futebol do Porto da altura é lembrado hoje em dia.

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Paulinho Santos a fazer o que fazia melhor. Reparem onde está a bola...

Tal situação é, no entanto, algo injusta, ainda que não excessivamente; porque a verdade é que aquele Porto dos inícios de 90 contava, para além da sua ‘hit squad’ de ‘carniceiros’, com alguns excelentes jogadores, capazes de adicionar uma nota artística ao futebol ‘de guerrilha’ do emblema nortenho; nomes como Kostadinov, Madjer, Rui Jorge (a excepção à regra dos defesas portistas dos 90s, com os seus pés esclarecidos e elegantes) ou o goleador Domingos Paciência (sem esquecer o eterno guardião e lenda viva dos ‘Dragões’ chamado Vítor Baía) eram genuinamente ‘de outro campeonato’, e responsáveis os (poucos) motivos de interesse em jogos do Porto naquela época.

No entanto, não há como contornar os factos – o Porto das épocas entre finais dos 80s e o dealbar da ‘era Mário Jardel’ era conhecido, principalmente e acima de tudo, por distribuir ‘porrada’ a partir da sua defesa – tanto assim, aliás, que existem compilações de YouTube apenas dedicadas a esse tema!

Não só não foi feita por nós, como é um dos primeiros resultados da pesquisa por 'Porto Anos 90' no Google...

Assim, e por muita valia que o seu meio-campo e ataque possam ter tido, era mesmo pela defesa que os ‘Dragões’ da altura se destacavam; aliás, o Porto desta altura poderia ser visto como um bom exemplo da máxima de que ‘boas defesas ganham campeonatos’ – não fosse o facto de, como hoje bem se sabe, a hegemonia dos azuis e brancos durante este período se ter devido, em grande medida, a outros factores… Ainda assim, os diferentes onzes apresentados pelo clube na primeira metade dos anos 90 são, todos e cada um deles, candidatos mais que meritórios ao título de ‘Aquela’ Equipa – e como tal, plenamente justificados para inclusão nesta secção…

20.07.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui falámos, em edições passadas desta rubrica, de programas infantis de enorme sucesso, como o Buereré ou o Batatoon; hoje, chega a vez de recordarmos um seu antecessor que, embora não tão lembrado hoje em dia, chegou a fazer considerável sucesso à época da sua estreia, na primeira metade dos anos 90.

Falamos de ‘A Casa do Tio Carlos’, o pioneiro da programação infantil da então recém-criada TVI – na altura ainda conhecida por muitos apenas como ‘4’.

Na época em que ainda era mais conhecida como 'o canal da Igreja Católica’ do que como a máquina de telenovelas e ‘reality shows’ que se viria a tornar anos mais tarde, o canal de Queluz fazia desta hora infantil bem à sua imagem um dos seus baluartes na luta de audiências contra a (à época) mais populista SIC; e se a aposta não foi totalmente ganha, por uma série de factores que em tempo abordaremos, também não se pode que a experiência tenha sido um falhanço – longe disso.

O programa ganhava pontos, desde logo, pelo seu carismático apresentador– o cantor e compositor Carlos Alberto Moniz, o titular ‘Tio Carlos’, uma espécie de versão portuguesa do americano Mr. Rogers, e igualmente bem conhecido e apreciado pelo público-alvo pelo seu trabalho como ‘Avô Cantigas’, na década anterior. A sua forma de apresentar – calma, serena e baseada em interacções genuínas e naturais com as crianças que tinham a sorte de poder assistir ao vivo – contrastava com a jovialidade forçada da maioria dos outros apresentadores infantis, e contribuía para a atmosfera pacata e ‘segura’ do programa, a qual se coadunava perfeitamente com as bolachas, o leite com chocolate e a vontade de ‘descansar’ que as crianças sentiam depois de um dia inteiro de escola.

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O apresentador do programa, no seu ambiente natural

No entanto, até o melhor programa infantil está fadado ao insucesso se não tiver desenhos animados à altura do formato – e era aqui, sobretudo, que ‘Tio Carlos’ ficava aquém das expectativas. Apesar da aposta - sempre bem-vinda - nas curtas clássicas dos Looney Tunes ou Tom e Jerry, bem como em conteúdos ‘made in Portugal’ e até segmentos de ‘acção real’, a restante oferta da TVI ficava, ainda, a ‘milhas’ do que o que a SIC apresentava na mesma época, e mesmo daquilo que a própria TVI viria a exibir poucos anos depois – como, aliás, se pode comprovar no programa da fase inicial que deixamos, na sua íntegra, no fim deste post. Mesmo numa época em que 'Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’ ainda estavam a alguns anos de distância, eram precisos mais do que alguns desenhos animados ‘giros’ com quarenta ou cinquenta anos para captar a atenção e fidelizar o público jovem – e nesse aspecto, Carlos Alberto Moniz bem se pode sentir injustiçado. Numa fase mais tardia, o programa viria efetivamente a ganhar alguns trunfos, nomeadamente 'Heathcliff', que equilibravam um pouco a contenda, mas nem esta adição (literalmente) de peso chegou para evitar que o programa fosse cancelado, em 1994.

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'Heathcliff', a mais conhecida das séries do programa

Uma pena, pois, tirando os ‘bonecos’, ‘Tio Carlos’ tinha tudo o que se pedia a um programa infantil da época: jogos, passatempos, números musicais, convidados, momentos educativos sobre temas genuinamente interessantes para crianças, um apresentador de carisma e tarimba confirmadas, e até um genérico de abertura memorável e cantarolável, como se pedia na altura. Talvez, com um acervo de séries um pouco mais forte, o programa tivesse conseguido permanecer no ar mais do que o ano e pouco que durou, e tornar-se num verdadeiro 'contender' da programação infantil dos anos 90, em vez do 'dark horse' que efetivamente foi.

Ainda assim, para um programa da fase ‘tubo de ensaio’ de um novo canal, em que cada novo dia era mutável e incerto, passar mais de um ano no ar ininterruptamente não deixa de ser uma proeza, especialmente numa época em que a oferta da televisão pública neste campo primava pela força, e em que a SIC também já ia alinhavando uma estratégia que viria a render frutos a muito curto prazo. Certo é que quem ‘esteve lá’ certamente continua a recordar com carinho este programa, significativamente diferente do que mais se ia fazendo no campo da programação infantil na época, mas nem por isso pior; de facto, não fora a falta de êxitos imediatos e a aposta num pendor algo mais educativo, podia ser que se falasse hoje de ‘A Casa do Tio Carlos’ da mesma maneira que se fala dos seus principais rivais…

 

12.07.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

 

Este é mais um daqueles posts que se podia perfeitamente ficar pelo vídeo reproduzido acima, e decerto não deixaria de ter impacto junto dos leitores deste blog; este tema, como os de Dragon Ball Z ou Power Rangers, é daqueles que é ASSIM TÃO icónico para a nossa geração, e que fará qualquer jovem dos anos 90 recordar onde e quando o ouviu pela primeira vez.

A série a que pertence (ou pertencia) não é, no entanto, menos lendária ou memorável – pelo contrário, o tema e o programa estavam bem um para o outro. Tratava-se, como é evidente, de ‘Ficheiros Secretos’, a série que apresentou ao mundo o duo de David Duchovny e Gillian Anderson, duas estrelas em potência que, infelizmente, nunca confirmaram o potencial que demonstravam como co-estrelas deste lendário programa.

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A icónica dupla de protagonistas da série

Criada em setembro de 1993 por Chris Carter – um nome, a dada altura, não menos mítico do que o da própria série – ‘Ficheiros Secretos’ demorou menos de um ano a chegar a Portugal (uma raridade à época), tendo estreado na TVI em 1994, a tempo de cativar toda uma geração de jovens com a sua mistura de enredos sobrenaturais e de terror a uma típica série policial e de mistério – uma mistura que ajudava, e muito, a tornar o programa original, e a fazê-lo destacar-se de uma concorrência que, já na altura, jogava demasiado pelo seguro. Mulder e Scully viam-se, semanalmente, a braços com estranhas ocorrências, as quais, invariavelmente, acabavam por envolver fantasmas e/ou extraterrestres – por muito que a Scully de Anderson teimasse em manter o seu cepticismo empedernido, mesmo depois de duas temporadas inteiras de fenómenos deste tipo. Já o Mulder de David Duchovny seria, hoje, inevitavelmente tachado de ‘teórico da conspiração’ – ainda que os seus palpites e o seu ‘querer acreditar’ se acabassem sempre por revelar acertados. Junte-se a esta interessante dicotomia a óbvia química exibida pelos dois actores (que chegaram mesmo a ser um casal em consequência do seu trabalho na série) e o que temos é mesmo uma grande maneira de passar uma noite de sexta-feira.

E sim, dissemos ‘noite’, pois embora ‘Ficheiros Secretos’ fosse extremamente popular entre crianças e jovens, a verdade é que era transmitido já depois da ‘hora da cama’, obrigando muito do seu público a ficar acordado – aberta ou clandestinamente – para conseguir ver cada novo episódio. Valia o facto de no dia seguinte ser fim-de-semana…

E como qualquer programa de sucesso entre a miudagem, ‘Ficheiros Secretos’ deu origem a variado ‘merchandise’, de filmes originais (lançados no cinema!) à inevitável reedição de episódios em DVD, e das habituais t-shirts a números especiais de revistas como a ‘Super Jovem’, e até – famosamente – um daqueles jogos de cartas que, não se chamando ‘Magic: The Gathering’, nunca eram coleccionados (e muito menos jogados) seja por quem fosse. Em suma, sem ser uma força da natureza como os outros programas referidos no início deste texto, ‘Ficheiros Secretos’ tinha um lugar confortável nas preferências dos jovens (fossem portugueses ou estrangeiros) tendo, inclusivamente, ajudado a lançar a ‘febre’ dos extraterrestres, e a reavivar a dos fantasmas.

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Um dos muitos livros inspirados pelo sucesso da série

Infelizmente, mais uma vez, a velha máxima de que ‘tudo o que é bom acaba’ se provou acertada em relação a esta série, a qual – a partir da quarta temporada – decidiu retirar o foco do sobrenatural para se transformar em ‘só mais uma’ série sobre traições e espionagem; e o mais irónico é que o ‘arauto’ dessa viragem foi um personagem que muitos estavam desejosos por conhecer, após a série ter criado um enorme e aliciante mistério à sua volta. Infelizmente, quando se revelou a Mulder e Scully, o ‘Cigarette Smoking Man’ acarretou consigo o início do fim daquela que houvera sido uma série excelente, precisamente, por ser original. Daí para a frente, foi sempre a decrescer em termos de interesse, até já ninguém sequer saber que ‘Ficheiros’ ainda estava no ar, e muito menos se interessar. Uma pena, visto a série ter potencial para se ter tornado ainda mais lendária entre a geração que entrava na adolescência em finais dos anos 90. Mesmo com este desaire, no entanto, não a podemos considerar menos do que histórica entre a juventude portuguesa – e, como tal, bem merecedora de um lugar na rubrica sobre séries deste blog explicitamente nostálgico…

 

15.06.21

NOTA: Este post é relativo a segunda-feira, 14 de Junho de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A imagem é icónica – um jovem adolescente, de cabelo pontiagudo, conduz a bola por um campo interminável afora, aproximando-se de uma baliza que vai, gradualmente, aparecendo no horizonte. Uma vez as redes à vista, o mesmo desfere um potente remate; o guarda-redes adversário estica-se, mas em vão – a bola ultrapassa-o, em arco, e anicha-se literalmente nas redes, por vezes chegando mesmo a furá-las, tal a violência do tiro.

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Podem começar já a festejar...este já lá mora

A cena é, claro, retirada de ‘Captain Tsubasa’, quiçá a mais famosa série animada sobre futebol de todos os tempos, e uma velha conhecida das crianças portuguesas de finais do século XX e inícios do XXI. Isto porque, ainda antes da memorável transmissão, no canal Panda, da dobragem espanhola de ‘Captain Tsubasa J', e das subsequentes (e múltiplas) transmissões da série original e de ‘Road to 2002’ com dobragem portuguesa, sob o título ‘Oliver e Benji - Super Campeões’, a primeira encarnação da série já havia passado nas RTPs, no início da década de 90, com o título ‘Capitão Hawk’ - uma ‘mais ou menos tradução’ do título original da série – e na sua versão original em japonês. Ou antes, os primeiros 50 e poucos episódios passaram em japonês (na RTP1); a partir do episòdio 54, a série passa para a RTP2, e é, inexplicavelmente, transmitida na dobragem italiana!

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Cena-título do genérico da série original de 'Captain Tsubasa', transmitida na RTP em 1993

Ainda assim, este foi, para muitas crianças, o primeiro contacto com uma das mais míticas séries da primeira vaga de anime – contacto que se viria, posteriormente, a restabelecer aquando da transmissão da série no Panda (a ‘reprise’ na SIC e TVI já foi mais relevante para a geração seguinte do que propriamente para a que seguira a série em 93-94.)

O que muitos dos jovens fãs de Tsubasa talvez não soubessem (ou que entretanto podem ter esquecido) é que houve, durante os anos a que este blog diz respeito, várias outras séries sobre futebol a passar na televisão portuguesa – nenhuma, obviamente, com o nível de sucesso de Oliver, Benji e seus companheiros, caso contrário seriam recordadas até hoje. Ainda assim, em tempo de Europeu, vale a pena recordar estes desenhos animados, ainda que nenhum deles fizesse referência a esta competição ou fosse sequer feito neste continente.

E já que iniciámos este post com uma referência a Oliver e Benji, nada melhor do que continuar com uma breve alusão a uma série que pouco ou nada tinha a ver com esta. Senão veja-se – ‘O Ponta de Lança’ (no original ‘Ganbare, Kickers!’ trata de uma equipa de futebol de um colégio, que tenta a todo o custo não ser o ‘bombo da festa’ dos torneios inter-escolas, até se ver reforçada com um estudante de intercâmbio com algum jeito para a coisa, e que revoluciona o estilo de jogar do colectivo, bem como as suas ‘performances’ em campo. Ah, e o capitão e líder desta equipa é o guarda-redes, o único outro elemento com algum talento. E o dito guarda-redes usa boné. E o titular ponta-de-lança tem cabelo preto espetado. E o equipamento da equipa é branco. NADA a ver com ‘Tsubasa’, portanto…

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Qualquer semelhança é pura coincidência...

Sarcasmos à parte, ‘O Ponta-de-Lança’ é TÃO parecido com ‘Super Campeões’ que um espectador mais distraido corre mesmo o risco de confundir as duas séries. Previsivelmente, esta táctica declaradamente ‘copycat’ (‘Tsubasa’ foi criado em 1981 e transformado em anime em 1983; ‘Kickers’ é de 1985, e a versão anime, do ano seguinte) não se traduziu em sucesso, tendo a série tido apenas uma temporada, de 26 episódios, e passado quase despercebida pela RTP1, sensivelmente um ano depois de ‘Tsubasa’ ter sido transmitido na mesma emissora (até aqui o padrão se manteve!), sem no entanto conseguir suprir a lacuna deixada pela partida de Oliver e Benji.

E já que falamos em animes de futebol, uma breve nota para recordar ‘I Ragazzi del Mundial’, ou ‘Soccer Fever’ (o título português era algo como 'A Febre do Mundial de Futebol'), uma co-produção entre o Japão e a Itália alusiva ao Mundial de 1994, e a única das séries aqui abordadas a ter ligação directa a uma prova real do mundo do futebol, ainda que não ao Campeonato Europeu.

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As personagens principais de Soccer Fever, de 1994

Nela, um jornalista reformado aproveita o entusiasmo do jovem neto pela prova em causa para recordar as peripécias que vivera mais de 60 anos antes, durante a cobertura do Mundial de 1930. Estas histórias serviam, então de pretexto para dar lições de ‘história ficcionada’ sobre a prova do início do século, numa espécie de ‘Horrible Histories’ futebolístico. Uma série bem escrita, bem animada e com um grande tema de abertura, mas que por qualquer razão passou despercebida aquando da sua transmissão no Canal Panda, em finais da década de 90 – e escusado será dizer que pelo menos essa transmissão portuguesa se insere na cada vez mais vasta categoria de Esquecidos Pela Internet…

Uma série com ESTE tema de abertura não merece cair no esquecimento...

O mesmo, aliás, se pode dizer da última série abordada neste post. Transmitida no Batatoon com o genérico título de ‘Histórias do Futebol’, afirmava-se como a verdadeira trasladação do conceito de ‘Horrible Histories’ para um contexto futebolístico, apresentando as viagens através do tempo de um locutor de futebol escocês (de boina e kilt – afinal, estávamos nos anos 90…) e do seu microfone, que tinha vida própria. Em cada episódio, este duo visitava uma época diferente da História (daí a parecença com Horrible Histories) para assistir a uma partida de futebol entre equipas convenientemente ‘adaptadas’ ao período em causa, durante os quais havia ensejo de realçar e explicar uma das regras oficiais do jogo (daí a tradução inglesa do título como ‘Official Rules of Football’.)

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Esta era, também, uma série bastante boa, sem ser nada de extraordinário; no entanto, nos dias que correm, a mesma parece ter sido quase totalmente esquecida pelos internautas, a ponto de haver exactamente UM tópico em toda a Internet lusófona que a recorda – e episódios, só em Inglês, naturalmente...

Como tema de abertura, este também não é nada mau...

Mesmo esquecidas como hoje em dia são (com a óbvia excepção de ‘Tsubasa’ que, qual fénix, regressa de tempos a tempos para cativar mais uma geração de jovens adeptos) vale a pena fazer menção a estas séries, que procuravam unir duas das principais paixões das crianças, sejam de que época forem. É de lamentar, pois, que apenas uma o tenha conseguido – se bem que, no fim das contas, uma seja melhor do que nada…

07.06.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E depois de já termos, em semanas anteriores, falado de movimentos como a música pimba, o Europop, o rock alternativo e o pop-rock, chega hoje a vez de abordarmos um género cuja génese em Portugal se deu, precisamente, nos anos 90 – o chamado ‘Hip-Hop Tuga’.

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Alguns dos principais ícones do movimento

Popularizado e expandido na década seguinte por uma série de excelentes colectivos e artistas nortenhos, o movimento rap/hip-hop português deu os seus primeiros, e tímidos, passos em meados dos anos 90, tendo tido a sua primeira expressão gravada na colectânea ‘RAPública’, lançada em 1994.

Reunindo a nata do então incipiente movimento, a compilação trazia nomes como Boss AC (ironicamente, um dos poucos artistas presents nesse disco a conseguir algum tipo de notoriedade a longo prazo), Zona Dread e Líderes da Nova Mensagem. Em meio a todo este inconformismo, no entanto, a posição de verdadeiros porta-estandartes do movimento coube, inesperadamente, a quatro jovens da Margem Sul do Tejo, cuja submissão meio ‘parva’ para a colectânea explodiu um pouco por todo o país, tornando-se um dos ‘hits’ do Verão nacional naquele ano.

De facto, o grau de popularidade atingido por ‘Nadar’ foi tal que, para além de ser rapidamente adoptado como ‘insulto’ meio a brincar nos pátios de escolas de Norte a Sul do país, o emblemático refrão da música foi referenciado por ninguém menos do que o Presidente da República de então, Mário Soares (!!!)

No entanto, o verdadeiro impacto do sucesso ‘crossover/mainstream’ desta música – com que, com certeza, nenhum dos quatro Black Company contaria à partida para a sua primeira aventura editorial – só se faria sentir a longo prazo, sendo que ‘Nadar’ acabou por abrir o mercado português a um estilo, até então, exclusivamente reservado a artistas estrangeiros. De repente, o rap e hip-hop deixavam de estar confinados a festivais ‘underground’ e passavam a aparecer na televisão e em publicações de referência no meio musical, como o então jornal (hoje revista) Blitz.

General D em modo 'freestyle' no programa Popoff, da RTP2 (1994)

Esta receptividade por parte do público e dos ‘media’ encorajou vários artistas a seguirem as pisadas dos Black Company, entre os quais se contavam o referido Boss AC, General D e um jovem colectivo lisboeta, que lançava o seu primeiro EP no mesmo ano em que saía ‘RAPùblica’, de seu nome Da Weasel. Mais a Norte, os Mind da Gap – que haviam recusado o convite para fazer parte da compilação - assinavam pela recém-criada NorteSul, e plantavam as sementes daquele que seria o principal movimento rap/hip-hop da história da música nacional.

O resto, como se costuma dizer, é História, com ‘H’ maiúsculo. Enquanto muitos dos colectivos que haviam disparado a salva inaugural não sobreviveriam ao passar dos anos (entre eles os pioneiros Black Company), outros viriam a gozar carreiras de alta relevância no panorama musical português, não só na década de 90, como no novo milénio. De entre esses, os dois nomes incontornáveis são os referidos Da Weasel – o mais próximo que o movimento Hip-Hop Tuga teve de um grupo ‘comercial’ – e os inabaláveis Mind da Gap, que influenciaram um sem-número de artistas que viriam, eles próprios, a conseguir algum sucesso, como é o caso dos Deallema. Entretanto, as Djamal asseguravam representação feminina para o movimento, enquanto o ‘import’ brasileiro Gabriel, o Pensador aproveitava a ‘carona’ para obter, também, alguma notoriedade.

Daí para a frente, foi sempre a subir, e dez anos volvidos, já a maioria dos jovens sabia nomear pelo menos dois ou três artistas de hip-hop cantado em português; e embora hoje em dia o estilo atravesse as habituais mutações inerentes a qualquer género musical longevo, a sua presença no panorama nacional continua bem vincada, fazendo prever uma evolução na continuidade para um movimento que não dá sinais de abrandar…

05.06.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Em finais de 1994 e inícios de 1995, um inusitado filme de comédia captava a curiosidade das crianças portuguesas, graças a uma premissa original e a uma campanha de marketing extremamente bem estruturada e orquestrada, toda ela centrada em torno do personagem principal, um monstrengo verde, de fato amarelo-canário, com todo um arsenal de frases-feitas e piadas prontas a disparar ao ritmo de cinco ou dez por ‘trailer’.

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Falamos, é claro, de ‘A Máscara’, filme que viria a lançar as carreiras não de um, mas de dois futuros pesos-pesados de Hollywood. O principal, claro está, seria Jim Carrey, o homem por baixo da maquilhagem verde, e capaz de recriar todas as ‘caras e bocas’ do Máscara sem recurso a quaisquer técnicas de computador – habilidade que, basicamente, lhe valeu a carreira, pelo menos até se conseguir afirmar como actor ‘sério’ com os seus papéis em ‘O Despertar da Mente’, ‘The Truman Show’ e ‘O Homem na Lua’. A seu lado, como principal interesse romântico do ‘nerd’ Stanley Ipkiss estava, no entanto, outra futura ‘megastar’, uma jovem de 21 anos de ascendência cubana que obtinha ali o seu primeiro papel de destaque. O seu nome? Cameron Diaz…

Mesmo com a bombástica loira a desviar ocasionalmente as atenções, no entanto, não restam qualquer dúvidas de que ‘A Máscara’ é o filme de Carrey. Depois de efectivada a transformação que dá azo aos restantes acontecimentos, é raro o momento em que a câmara se desvia do tresloucado ‘boneco’ que corre, pula, rodopia, canta e diz dichotes, claramente deliciado pela oportunidade de o fazer - com a apoteose a surgir na famosa cena em que o personagem interpreta um número de 'cabaret'.

 

 

 

O 'Máscara' é, para todos os efeitos, um desenho animado vivo - o tipo de personagem tresloucado, hiperactivo e 'espertalhaço' que as crianças daquela época se haviam habituado a ver nos seus desenhos animados de eleição, com claras semelhanças tanto com Beetlejuice (outro favorito das crianças cuja vida havia começado numa comédia negra para adultos) como com Freakazoid.

O conceito de um 'cartoon' de carne e osso não podia, evidentemente, deixar de agradar ao público infanto-juvenil - e foi isso mesmo que se verificou, com 'A Máscara', ironicamente planeado como comédia negra para adultos, a tornar-se o novo ‘filme-que-tem-de-se-ver’ dos recreios por esse país afora – e, verdade seja dita, um pouco por todo o Mundo também. Pouco tempo depois da estreia do filme, o seu personagem principal era já objecto de uma série animada – o sinal inequívoco de que algo ‘pegou’ entre a miudagem – e de algum merchandise, incluindo bonecos de acção, outro sinal claro de interesse infanto-juvenil. Enfim, tal como outra famosa propriedade intelectual da época , também ela baseada numa BD de humor negro para adultos, este filme e o seu protagonista foram alvo de uma acentuada ‘infantilização’ imediatamente após o seu lançamento – a qual, tal como no outro caso citado, acabou por render dividendos a longo-prazo.

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Algumas das figuras de acção alusivas ao filme e à respectiva série animada.      

De facto, ainda que tivesse ‘condenado’ Carrey a vários anos de papéis baseados em ‘caretas’ e exageros, não há dúvida de que este filme foi uma enorme bênção para a carreira do norte-americano, que, sem ele, talvez nunca tivesse atingido os níveis de sucesso que mais tarde conheceu (o mesmo se passando, aliás, com Cameron Diaz, a quem um falhanço de bilheteira poderia, literalmente, ter 'afundado' a carreira de actriz ainda antes de esta ter começado).

Independentemente do furor que causou à época da sua estreia, no entanto, a pergunta que se impõe vinte e sete anos depois de o filme ter causado sensação pelo Mundo fora, é: afinal, ‘A Máscara’ é ou não um bom filme? E a resposta é, ainda, um inequívoco ‘sim’. Seja como comédia de humor negro ou como ‘cartoon’ de acção real tresloucado, o filme continua a constituir uma excelente forma de passar uma hora e meia, a dar umas gargalhadas, admirar as pernas da Cameron Diaz (que nunca esteve tão bonita) e recordar a loucura que o filme suscitou nos tempos da nossa infância. Em suma, e como diria o próprio personagem, o filme continua ‘SSSSSSSSSmokinnnnnn’!’

 

16.04.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E hoje falamos daquele que é, senão o mais marcante, pelo menos um dos mais marcantes filmes dos anos 90 para todos aqueles que tinham idade suficiente para o ver: o glorioso e inesquecível ‘Parque Jurássico’.

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Lançado em 1993, mas chegado a Portugal com alguns meses de atraso, este filme trazia a chancela, por um lado, de Steven Spielberg – O realizador por excelência de filmes ‘de família’ nos anos 80 e 90 – e, por outro, da Industrial Light and Magic, a lendária companhia de efeitos especiais de George Lucas, que se encarregava dos efeitos e criaturas do filme.

A junção destes dois gigantes da indústria de ‘blockbusters’ para todas as idades só podia mesmo resultar num clássico do género, e foi sem dúvida nisso que ‘Parque Jurássico’ se tornou, cativando crianças e adolescentes um pouco por todo o Mundo, e lançando – ou relançando – o interesse das mesmas nesses seres misteriosos e majestosos chamados dinossauros.

Portugal não foi, é claro, excepção, e naquele ano de 1994 era difícil encontrar uma criança, especialmente do sexo masculino, que não tivesse pelo menos um dinossauro de borracha no quarto. A maioria, além dos brinquedos, tinha também livros explicando a vida destes seres – em maior ou menor detalhe – além de outros objetos alusivos ou à pré-história, ou pelo menos ao filme de Spielberg. O sucesso da temática pré-histórica entre as crianças portuguesas já não era novidade à época – o Museu Nacional de História Natural já tivera enorme sucesso com a sua exposição sobre dinossauros no início da década – mas ‘Parque Jurássico’ veio contribuir para que mesmo quem não tinha qualquer interesse nesse tipo de assunto tentasse descobrir o máximo possível sobre a verdadeira existência das criaturas retratadas no filme.

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Quem era da idade certa e não tinha pelo menos um destes em 1994, que se acuse...

A razão de tal sucesso é fácil de compreender; o filme combina um argumento inteligente ‘para todas as idades’ (cheio de ação e aventura mas com o cuidado de criar personagens memoráveis para alicerçar os momentos mais excitantes) com efeitos especiais que continuam a ser impressionantes quase trinta anos depois, criando uma fórmula vencedora e única que tanto a ‘concorrência’ como os próprios Spielberg e Lucas nunca mais conseguiriam repetir. Certos momentos do filme (como o primeiro contato da equipa de cientistas com um dos dinossauros recriados, a famosa cena com o T-Rex, na floresta, ou a igualmente célebre cena com as duas crianças na cozinha) eram extremamente eficazes em evocar as emoções corretas por parte do público-alvo, fossem elas de fascínio ou de medo – sendo este, aliás, um dos pontos mais fortes de Spielberg como realizador. Os seus filmes tendem a colocar o espectador ‘ali mesmo’, com os personagens, a sentir o que eles sentem – e, nesse aspeto, ‘Parque Jurássico’ não é, definitivamente, exceção. Em suma, o filme merece não só o sucesso de que gozou à época, mas também o estatuto de clássico que adquiriu desde então, continuando a constituir uma excelente escolha para uma tarde de cinema em família.

Com todo o burburinho que causou, e lucro de bilheteira que obteve, não foi de todo de admirar que ‘Parque Jurássico’ fosse alvo de uma sequela ainda na mesma década.

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Lançado nos cinemas quatro anos depois do original, em 1997, ‘O Mundo Perdido’ baseava-se, tal como o original, num romance de Michael Crichton, ele próprio uma sequela do livro em que o primeiro filme se baseara. Infelizmente, tanto o livro como o filme ficaram muito aquém dos seus antecessores, não tendo conseguido causar a mesma sensação do original – talvez por a fórmula já estar gasta, ou talvez por o público que aderira em massa ao filme de 1993-94 ser agora alguns anos mais velho, e ter já ultrapassado a ‘fase’ dos dinossauros.

Apesar deste revés, o ‘franchise’ teria ainda ‘pernas’ suficientes para se esticar a uma segunda (e discretíssima) sequela, já no novo milénio - o estúpido-mas-divertido ‘Parque Jurássico 3’, lançado em 2001, já muito longe do orçamento de produção e ‘glamour’ mediático do primeiro filme da série.

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Ainda assim, o terceiro episódio vale a pena para os fãs do original, já que introduz um novo dinossauro, o estupidamente ‘cool’ Spinosaurus – isto para além de não ser, de todo, um mau filme de aventuras para toda a família, tendo herdado pelo menos essa característica do seu antecessor.

Apesar deste último esforço, no entanto, o ‘franchise’ ‘Parque Jurássico’ ficar-se-ia mesmo por aí…pelo menos até 2015, ano em que – em plena febre dos ‘reboots’ – também esta série seria alvo de um ‘novo início’, com Tom Hardy no papel principal que, em tempos, fora de Sam Neill.

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Agora com o título de ‘Mundo Jurássico’ – porque um ‘remake’ tem sempre de ser maior e mais ambicioso – o filme centrava-se no parque zoológico do mesmo nome, construído no local do parque original, e que também não conseguia evitar alguns dos problemas que assolaram o mesmo – nomeadamente a tendência que criaturas de vários metros de altura e dentes aguçados têm para perseguir visitantes indefesos… Divertido ‘sem mais’, o filme foi no entanto um êxito de bilheteira, dando azo (até agora) a pelo menos uma sequela, que - como já havia sido o caso com ‘O Mundo Perdido’ – foi bastante menos bem recebida que o original.

Nenhum destes filmes, no entanto, consegue superar o original, que continua a afirmar-se como o expoente máximo da franquia, vinte e sete anos após o seu lançamento em Portugal ter tornado toda uma geração de ‘putos’ em maníacos dos dinossauros. E vocês? Contavam-se entre eles? Que pensavam do filme? Deste lado, éramos definitivamente fãs, daqueles que tinham um cesto cheio de replicas de borracha das diferentes espécies, e ‘devoravam’ tudo quanto fossem livros sobre o assunto. Também era o caso convosco? Partilhem as vossas opiniões nos comentários! Entretanto, fiquem com o tema clássico de John Williams, para vos ajudar a reavivar as memórias...

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