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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.05.24

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Enquanto ícone cultural absoluto da última vaga de 'X' e primeira de 'millennials' portugueses, é com naturalidade que a 'Rua Sésamo' tem vindo a servir de tema dos mais diversos 'posts' neste nosso 'blog' nostálgico. Agora, após termos falado do programa em si, da revista que o complementava e – mais recentemente – das diversas colecções de livros que inspirou, chega o momento de falar do último artefacto cultural que o lendário programa da RTP deixou para a posteridade: os discos de canções retiradas dos episódios lançados pela Vidisco em inícios da década de 90, durante o auge da popularidade da série.

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Capa dos três álbuns da série.

Lançados ao ritmo de um disco a cada dezasseis meses (só 1991 não teve direito a uma edição da série) por razões de relevância temporal, os três álbuns de 'Canções da Rua Sésamo' seguiam uma fórmula semelhante, e já sobejamente testada nos meandros da música infantil. Cada volume reunía um número considerável de músicas retiradas de alguns dos segmentos e cenas mais memoráveis do programa, um pouco à semelhança do que sucedia, no mesmo período, com os álbuns da também mega-popular 'Arca de Noé'; a diferença, neste caso, é que os discos da Rua Sésamo contavam, ainda, com rendições de algumas das mais populares cantigas de roda e de recreio, que ajudavam a avolumar ainda mais o número de músicas de cada álbum, fazendo com que valessem o investimento por parte dos pais dos pequenos fãs do Poupas, Ferrão e restantes personagens da emissão da RTP.

Em comum, estas duas vertentes tinham a qualidade da interpretação, que, aliada à não menos excelente composição dos temas originais, contribuía para a excelente relação preço-qualidade de cada um dos três álbuns, colocando-os entre os melhores discos infantis editados em Portugal na época. E apesar de a popularidade da 'Rua Sésamo' se ter, inevitavelmente, esvaído, especialmente após o fim da emissão, não haverá, decerto, português nascido e crescido entre meados da década de 80 e os primeiros anos da seguinte que não recorde, até hoje, a letra e melodia de clássicos como 'Lixo no Lixo', 'Comigo Ninguém Faz Farinha', 'Sopa', 'O Telefone', '7 Notas Só', e tantas outras músicas que emprestavam ainda mais cor a um dos melhores programas de sempre da televisão portuguesa, e que tornavam esta série de álbuns presença obrigatória junto do gira-discos ou leitor de cassettes de qualquer criança nacional daquela época.

19.03.24

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 18 de Março de 2024.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O final dos anos 80 e inícios dos 90 representaram uma 'era dourada' para a produção de comédias televisivas - as chamadas 'sitcoms' - em solo norte-americano, tendo este período sido responsável pela criação de inúmeras boas recordações de infância para cidadãos não só norte-americanos, como de vários outros países aos quais as séries chegavam, com mais ou menos atraso. Um desses países era, precisamente, Portugal, que ao longo da última década do século XX recebia 'tesouros' como 'Já Tocou!', 'Parker Lewis', 'Quem Sai Aos Seus' ou a série de que falamos hoje, 'The Nanny', traduzida em português primeiro como 'Feita À Medida' e, mais tarde, como 'Competente e Descarada'.

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Idealizada em 1993 pela humorista Fran Drescher, que reservava para si mesma o papel principal, a série foi uma das muitas apostas da TVI para as suas primeiras grelhas de programação, no caso ocupando uma das 'vagas' dos Domingos à tarde, posição que lhe garantia a atenção indivisa de uma grande fatia do público infanto-juvenil nacional. Não é, pois, de admirar que, embora declaradamente dirigido a adultos - com diálogos, premissas e situações assentes nos habituais trocadilhos brejeiros - o programa faça parte das memórias nostálgicas da geração 'millennial' portuguesa, à época ainda menor de idade, e que tinha no genérico animado e de melodia contagiante e na igualmente contagiante e icónica gargalhada de Fran os principais pontos de atracção e interesse na série.

A série contava com um daqueles temas de abertura absolutamente icónicos.

Apesar deste sucesso inicial, no entanto, 'Competente e Descarada' não conseguiu, em Portugal, o mesmo sucesso de que gozara nos seus EUA natais, onde as aventuras da ex-vendedora de cosméticos em casa da família milionária renderam seis temporadas, ficando no ar até quase à viragem do Milénio; em terras lusitanas, a série ficou no ar não mais do que um par de anos na primeira metade da década de 90, sendo que, em 1999, o panorama televisivo nacional já dificilmente encontraria espaço para 'encaixar' uma produção antiquada deste tipo. Ainda assim, quem, em pequeno, se divertiu com os 'dichotes' da desbocada Fran e com as lutas verbais entre o mordomo e a secretária da família (que acabam juntos, claro) certamente terá, após ler estas linhas, tido vontade de ir ao YouTube e procurar um par de episódios da série para 'matar saudades' e reavivar memórias...

14.03.24

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 12 de Março de 2023.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

A produção televisiva portuguesa pautou-se, durante os anos 90, pelo seu carácter experimental – não no sentido artístico ou 'avant-garde', mas simplesmente da perspectiva de tentativa e erro levada a cabo com vários tipos de programação, e que acabaria por revelar alguns formatos de sucesso imediato e ainda hoje vigentes, como 'talk shows' e 'reality shows'. Era, precisamente, esse o tipo de mentalidade por detrás do programa criado e lançado pela SIC há cerca de trinta anos, e que acabaria por se manter três anos no ar, bem como por encetar um inesperado regresso quase três décadas depois.

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Falamos de 'A Noite da Má Língua', o programa de literal crítica social exibido em directo às quintas-feiras, conduzido por Júlia Pinheiro (à época a porta-estandarte da apresentadora televisiva 'desbocada', a par de Teresa Guilherme) e que contava com um painel rotativo por onde passaram nomes como Miguel Esteves Cardoso, Helena Sanches Osório, Constança Cunha e Sá, Rita Blanco, Manuel Serrão ou Rui Zink que, todas as semanas, atribuíam o 'Prémio da Má Língua' a uma personalidade diferente - o que ocasionou mesmo um momento insólito, quando o cantor José Cid surgiu no programa para receber o seu prémio e quase causou uma altercação com os apresentadores. Um formato que, sem dúvida, será familiar a quem hoje assiste a programas como 'Irritações' ou '5 Para a Meia-Noite', mas que, à época, era relativamente inovador no contexto da televisão portuguesa, tendo mesmo ganho notoriedade suficiente para suscitar mesmo uma sátira por parte de Herman José (ele próprio, a dado ponto, convidado do programa) no seu 'Herman Zap', um dos muitos projectos em que o humorista embarcou nos anos pré-'Enciclopédia'.

Ao contrário de muitos outros programas abordados nestas páginas, 'A Noite da Má Língua' faz parte do 'radar' cultural da Geração Z, embora não no seu formato original. Isto porque, desde 2021, o referido programa vem sendo transmitido em formato de 'podcast', com os mesmos apresentadores da sua última encarnação televisiva – – Júlia, Rita Blanco, Manuel Serrão e Rui Zink. Um caso raro de 'regresso' que se soube adequar ao panorama actual e, como consequência, recuperar a relevância de que gozava aquando da exibição original, e captar o interesse de toda uma nova geração – a marca de um programa verdadeiramente 'à frente' do seu tempo...

13.03.24

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 11 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Em inícios dos anos 90, o movimento 'metálico' que timidamente despontara em Portugal em finais da década anterior começava, finalmente, a conseguir ultrapassar a 'décalage' cultural que afectou o nosso País até ao último par de anos do século XX, potenciando não só a formação de mais grupos, mas também o surgimento de 'versões nacionais' do que ia fazendo sucesso 'lá por fora' – em particular, do 'hard rock' melódico que fizera as delícias de toda uma geração de jovens americanos na década anterior, sob as denominações 'hard FM', 'hard rock melódico' ou, mais comummente, 'glam metal' ou 'hair metal'. Não tardou, pois, para que se começassem a destacar na cena nacional alguns grupos deste estilo, com dois em particular a conseguirem algum sucesso naquele início de década: os Joker, a quem já aqui dedicámos algumas linhas, e a banda que focamos no post de hoje, os Hot Stuff.

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A formação que gravou o primeiro álbum.

Formados no início da década por um grupo de brasileiros radicados na zona de Lisboa, o grupo tinha como principal ponto de destaque a presença do baterista Rodrigo Leal, filho de Roberto Leal – esse mesmo, o 'crooner' romântico-pimba que, à época, marcava presença assídua nos rádios e leitores de 'cassettes' de muitas donas de casa portuguesas. Ao lado de Rodrigo na empreitada estavam, inicialmente, o vocalista Marcelo Lários, o exoticamente denominado Solly Hazan na guitarra, e o baixista português Mário Peniche, mais tarde substituído por Márcio Zaganin, naquela que se tornava assim uma formação cem por cento brasileira. Foi este o alinhamento responsável pelo primeiro disco, 'Kind of Crime', lançado em 1993, mas que o ouvinte mais incauto poderia acreditar ser oriundo dos Estados Unidos e editado três a cinco anos antes.

Isto porque o grupo investia numa sonoridade tipicamente 'glam metal', na vertente mais melódica e 'melosa' (ao estilo Bon Jovi) ao qual acrescentavam um 'funk-rock' a fazer lembrar Extreme, numa mistura que estava ainda a alguns meses de decair totalmente de popularidade. Prova disso é que o grupo conseguiu não só assinar contrato com a ubíqua Vidisco, talvez a maior editora de música popular em Portugal durante esse período, mas também rodar não um, mas dois vídeos no 'Top +' (o tema homónimo da banda e ainda a versão 'rockalhada' para 'Informer', único hit do 'Vanilla Ice canadiano' Snow), um marco com que muitas bandas nacionais da altura apenas sonhavam.

Os dois 'clips' da banda em destaque no 'Top +'

Encorajados por esse bom começo, o grupo partia para a gravação do sempre difícil segundo disco logo no ano seguinte, agora com Mauro Coelho a cargo das vozes, mas com o quarteto 'musical' e cerne da banda ainda intacto. E dado o ano de lançamento, e o 'estado' da cena hard rock melódica nesse período, não é de surpreender que 'Things Like That' traga ainda mais acentuado o lado funk-rock do grupo, que deixava de lado as 'poses' à Bon Jovi para investir descaradamente na sonoridade que, à época, ia ainda garantindo algum sucesso a grupos como Extreme ou Aerosmith, estes últimos em plena 'segunda vida' após o sucesso de 'Pump' alguns anos antes.

Os resultados, esses, foram bem menos encorajadores que os do álbum de estreia, o que também não é de todo surpreendente, se considerarmos que o álbum em causa foi lançado já depois da ascensão e ocaso de Kurt Cobain e da restante cena 'grunge', normalmente tida como responsável pela 'morte' comercial deste tipo de rock e ascensão do rock alternativo que dominaria os 'tops' na segunda metade da década. Para os Hot Stuff, era sem dúvida o fim da linha, tendo-se o grupo dissolvido poucos meses após o lançamento do segundo registo.

Mas porque, no Mundo do rock, nada é definitivo, eis que os Hot Stuff surgiam de novo na cena 'rock' nacional em finais dos anos 2010, agora bastante menos 'estilosos' e mais grisalhos, para uma série de concertos em eventos como o Cascais RockFest e a tradicional Concentração Motard de Faro. Já no início da presente década, por alturas da comemoração do quarto de século de actividade da banda, eram lançados um registo ao vivo e uma compilação 'Best Of', que reunía dezassete temas retirados dos dois LP's do grupo, ajudando assim a apresentá-los a um público demasiado novo para ter presenciado ou tido interesse activo no grupo durante o seu breve tempo em actividade.

Actualmente, no entanto, os Hot Stuff parecem ter voltado para o 'buraco' de onde haviam saído há dez anos atrás, sendo o últimos registo de actividade do grupo, precisamente, o concerto no Cascais RockFest a 24 de Janeiro de 2020, quase exactamente dois meses antes de ser declarada a pandemia de COVID-19. Antes de ditar a 'sentença de morte' do colectivo luso-brasileiro, no entanto, há que recordar a década e meia decorrida entre a sua formação e o seu regresso; por outras palavras, quem sabe, talvez, num ano em que se assinalam três décadas sobre o lançamento de 'Things Like That' e subsequente extinção do grupo, e quando o 'rock' melódico de cariz nostálgico ganha novamente força comercial, surja, sem se 'dar por ela', um novo registo de Hot Stuff nos escaparates nacionais, pronto a conquistar toda uma nova geração de 'rockers' com gosto por sons de décadas passadas, e a fazer voltar 'material quente' aos 'tops' musicais nacionais...

08.03.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

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Há quase exactos trinta anos, no fim-de-semana de 18, 19 e 20 de Fevereiro de 1994, dois filmes completamente distintos dividiam as atenções do público cinéfilo português; e se os mais velhos ou eruditos gravitavam naturalmente para 'Filadélfia', drama que versava sobre assuntos relevantes e importantes, bem veiculados por excelentes interpretações de Tom Hanks e Denzel Washington, para os mais novos ou 'descompromissados' a atracção principal era mesmo a terceira parte de uma das muitas franquias de acção e ficção científica 'herdadas' dos anos 80, que marcava o regresso aos écrãs nacionais de um dos ciborgues mais famosos da História do cinema – e, dada a boa recepção de que os dois primeiros filmes alusivos ao mesmo tinham sido alvo aquando da sua estreia, era natural que esta nova película fosse, também, aguardada com enorme entusiasmo.

De facto, o 'RoboCop' original, de 1987, ainda hoje goza do estatuto (merecido) de clássico da ficção científica oitentista, louvado por conseguir 'disfarçar' uma mensagem sobre a condição humana e a substituição de mão-de-obra por maquinaria de filme de 'acção científica', cheio de tiros e frases de efeito, como era apanágio da época, e 'fazer milagres' com um orçamento relativamente baixo. O sucesso imediato e considerável não podia, evidentemente, deixar de dar azo a uma sequela (lançada já nos primeiros meses da nova década, e estreada em Portugal em Novembro de 1990) de orçamento e pretensões filosóficas significativamente reduzidas (a ênfase era agora posta nos tiros e cenas de acção) mas que constituía, ainda assim, uma divertida proposta dentro do seu campo, perfeita para uma ida ao cinema ou 'sessão da tarde' de fim-de-semana descontraída e despretensiosa. 'RoboCop 3 – Fora da Lei' apenas precisava, portanto, de oferecer 'mais do mesmo', e o sucesso de bilheteira estaria quase garantido, tal era a força do nome da franquia no mercado cinematográfico.

E se é verdade que o terceiro filme consegue atingir esse objectivo, também não deixa de ser justo dizer que o mesmo fica alguns furos abaixo dos seus dois sucessores, como reflecte a opinião da crítica especializada, tanto da altura como dos dias de hoje. Comparativamente ao inflexível original e mesmo à algo mais simplista segunda parte, 'RoboCop 3' afirmava-se como um filme consideravelmente mais sanitizado e, simultaneamente, menos inteligente – uma combinação ainda piorada pela ausência de Peter Weller (icónico no papel do humano por baixo da armadura), substituído pelo desconhecido Robert Burke. Para agravar ainda mais a situação, o orçamento para filmagens foi ainda mais reduzido que o de 'RoboCop 2', tendo o projecto sido realizado meramente como tentativa de evitar a falência da produtora e distribuidora Orion Pictures – missão na qual falhou redondamente, tendo sido um falhanço de bilheteira não só nos EUA como um pouco por todo o Mundo, e contando hoje em dia com uma classificação média de apenas 9% (sim, NOVE POR CENTO!) no 'site' agregador de críticas especializadas Rotten Tomatoes.

Ainda assim, e de alguma forma, a franquia 'RoboCop' conseguiu sobreviver a esta verdadeira 'bomba' durante tempo suficiente para dar azo a não uma, mas duas séries televisivas (em 1994 e 2001), ambas as quais vêem o polícia-ciborgue lutar não só contra outros robôs futuristas, mas também contra as restrições de orçamento e argumento típicas de produções televisivas. Apesar de praticamente irrelevantes, ambas estas séries (mais tarde lançadas em alguns países como 'filmes', contidos num único DVD estilo '4 em 1') conseguiram ainda assim manter RoboCop suficientemente relevante no seio da cultura popular para que se justificasse um 'reinício' da franquia, com um inevitável 'remake' dirigido por Fernando Meirelles em 2014. O generalizado insucesso dessa tentativa de regresso (em contraste absoluto com o 'renascimento', no mesmo período, de outro polícia futurista, o Juiz Dredd) deverá, no entanto, ter ditado o fim de RoboCop como personagem cinematográfica relevante, relegando-o à condição de 'relíquia' de décadas passadas e deixando-o longe dos tempos em que, num fim-de-semana de Fevereiro de 1994, tinha feito toda uma geração de crianças e jovens portugueses antecipar o que previam vir a ser uma experiência inesquecível numa sala de cinema, a acompanhar as peripécias do polícia-robô...

04.03.24

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Aquando do trigésimo aniversário do nascimento da TVI, referimos aqui que, nessa fase inicial, a 'Quatro' chamou, em parte, a atenção pela sua aposta em séries e filmes de qualidade. De facto, a adesão a parâmetros religiosos (que impediam a divulgação de material mais violento ou polémico, mas que certamente traria audiências) não impediu a estação de Queluz de montar um arquivo de ficção televisiva importada de enorme qualidade, dividido entre produções mais modernas (como a emblemática 'Marés Vivas') e 'clássicos' de décadas passadas, 'repescados' e apresentados a toda uma nova geração. Era neste último grupo que se inseria a Série sobre o qual versaremos esta Segunda – a adaptação televisiva da colecção de livros semi-autobiográficos de Laura Ingalls Wilder, 'Uma Casa Na Pradaria'.

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A família Ingalls, sobre a qual se centra a série.

Criada ainda nos anos 70 e produzida até 1983, num total de sete temporadas, a série em causa não era, de todo, desconhecida do público nacional mais velho, que já a acompanhara aquando da sua primeira exibição na emissora estatal, em inícios da década de 80, 'suspirando' pelo galã Michael Landon, da também mega-popular produção 'western' 'Bonanza'. Não era a essa demografia, no entanto, que esta reposição da TVI se dirigia; o 'repescar' da série como parte da grelha televisiva inicial da estação de Queluz tinha como fito captar a atenção de toda uma nova geração do público-alvo da produção – as crianças e jovens.

Nesse aspecto, no entanto, 'Uma Casa Na Pradaria' almejou resultados por demais modestos; por oposição à 'febre' que a sua transmissão inicial causara, a reposição dos anos 90 pouca ou nenhuma tracção conseguiu entre os telespectadores mais novos, à época mais 'ocupados' com material mais voltado à acção e aventura, ou com desenhos animados como 'Tiny Toon Adventures'. De facto, no pátio de recreio comum, havia pouco quem visse (ou, pelo menos, admitisse ver) a série da TVI, e mesmo na 'era da nostalgia', o discurso saudosista sobre a mesma pauta por escasso – mesmo no contexto de uma geração que recorda e sente a falta de anúncios de telemóveis, cartões telefónicos ou mesmo dinheiro em nota!

Ainda assim, 'Uma Casa...' terá gerado suficientes audiências para ser 'ressuscitada' ainda uma terceira vez por um canal, no caso a RTP Memória, que exibia a série em 2009, uma década e meia após a aposta da TVI - um intervalo suficientemente alargado para suscitar quaisquer sentimentos de nostalgia que essa segunda transmissão pudesse ter causado, ao mesmo tempo que apresentava o programa aos novos jovens da 'era digital'. Esse parecia ter mesmo sido o 'último suspiro' da família Wilder nos televisores portugueses, mas eis que, volvidos mais quinze anos, voltamos a ver este ano Charles, Caroline e as filhas Mary, Laura e Carrie na grelha de programação do principal canal saudosista da TV Cabo - um verdadeiro testamento à longevidade de uma série que, sem ser especialmente lembrada, se recusa terminantemente a ser esquecida.

13.02.24

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

A ideia de aprender factos, seja sobre que assunto for, raramente é apelativa para a comum das crianças, viva ela em que era viver. Isso não impede, no entanto, que a faixa adulta da sociedade procure, ainda assim, transmitir conhecimentos relativos às mais variadas áreas, seja por meios tradicionais, seja de forma menos ortodoxa – sendo que, nesta última vertente, um dos métodos mais eficazes de captar o interesse dos mais jovens é através do chamado 'edutenimento', uma categoria de programa que incorpora o aspecto didáctico numa apresentação mais puramente lúdica, com o fito de fazer o público-alvo aprender sem 'dar por isso'. São vários os exemplos mais ou menos bem-sucedidos deste tipo de programa ao longo da História, sendo que Portugal não é excepção nesse particular, bastando recordar as históricas 'Rua Sésamo' e 'Arca de Noé', ou o posterior 'Jardim da Celeste', para perceber que havia, em Portugal, engenho e arte suficientes para criar 'edutenimento' de tanta ou mais qualidade do que o que se vinha fazendo no estrangeiro.

A esta ilustre lista há, ainda, que juntar um programa transmitido pelo segundo canal da emissora estatal há cerca de trinta anos, e que, apesar de não ser explicitamente dirigido a um público jovem, terá sem dúvida contribuído para lhe dar a conhecer uma série de figuras históricas, tanto portuguesas como internacionais, de forma divertida e cativante, e pela 'mão' daquela que era, à época, uma das figuras mais afáveis e simpáticas da programação nacional: o 'Senhor Televisão' em pessoa, Carlos Cruz, ainda a alguns anos de quase ver a sua reputação destruída no processo Casa Pia.

Falamos de 'Ideias com História', o programa da RTP2 cujo conceito e apresentação se assemelhavam ao de qualquer outro espaço de entrevistas da época, com a particularidade de, neste caso, os convidados serem figuras dos mais variados períodos da História, interpretados com requinte por uma série de nomes consagrados da televisão e teatro portugueses. De personagens-chave da História de Portugal, como o Padre António Vieira, Fernão Mendes Pinto ou Bocage, a 'gigantes' internacionais como Átila, o Huno, o Imperador romano Nero, Napoleão ou a Rainha Vitória, muitos e variados foram os nomes a passar pela 'cadeira' de Carlos Cruz ao longo do tempo de vida do programa, todos dispostos a revelar (mais ou menos) factos sobre a sua vida ao simpático apresentador.

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Carlos Cruz ao comando de uma emissão do programa.

Um conceito original, bem concretizado por uma equipa e elenco talentosos, e capaz, por isso, de captar o interesse das mais variadas demografias, e de, com sorte, conseguir transmitir informações sobre as figuras em causa que perdurassem para além dos cinquenta minutos de um episódio. Razões mais que suficientes para, apesar do relativo esquecimento a que foi votado pelos Internautas nostálgicos portugueses, recordarmos aqui (ainda que brevemente) esta emissão veiculada pela 'Dois' há coisa de trinta anos, e da qual resta ainda um episódio no YouTube, com o 'convidado dos convidados', que pode ser visto (ou revisto) abaixo.

06.02.24

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

No passado Domingo, abordámos neste espaço os Micro Machines, uma de duas linhas de carros em extra-miniatura a conquistar o coração das crianças e jovens da geração 'millennial' (a outra terá aqui, paulatinamente, os seus quinze minutos). Nessa ocasião, não deixámos de salientar o facto de a referida linha ter dado azo a uma série de videojogos que, além do esperado sucesso imediato, conseguiram a 'façanha' de transcender a sua licença e perdurar, até hoje, nas memórias (e consolas antigas) dos 'gamers' daquela altura. Nada melhor, pois, do que dedicarmos esta Terça Tecnológica a relembrar os vários títulos que permitiram à gama da Galoob/Concentra (e, mais tarde, Hasbro) sobreviver para lá do seu tempo nas prateleiras do supermercado, hipermercado ou loja de brinquedos mais próxima.

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O primeiro destes, que levava o mesmo nome da própria licença, saía logo em 1991, para a Nintendo original, mas será mais lembrado pelas gerações 'X' e 'millennial' pelas suas versões em 16-bits (no PC, Super Nintendo e Mega Drive) e pela conversão monocromática para Game Boy, lançadas entre 1993 e 1995.

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Exemplo da jogabilidade da versão para Mega Drive.

Em qualquer destas variantes, a premissa era a mesma, que viria a orientar todos os restantes títulos da franquia: um jogo de corridas visto de cima, à maneira de um 'RC Pro Am' ou 'Ivan Ironman Stewart's Super Off-Road, mas com uma dose extra de personalidade, reflectida tanto no conceito das pistas (ambientadas em diferentes partes da casa, como a mesa de jantar ou o balcão da cozinha) como na criação de personagens para conduzirem as miniaturas, cada uma com um 'visual' bem distinto e a condizer com o seu carro. O sucesso foi imediato, e em qualquer dos sistemas 'Micro Machines' gozou de volumes de vendas bastante saudáveis, sendo a versão para a Nintendo original ainda hoje considerada clássica.

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Não é, pois, de espantar que, logo em 1994, surgisse no mercado uma sequela, 'Micro Machines 2: Turbo Tournament'. E o mínimo que se pode dizer é que os programadores da Codemasters seguiram à risca a regra de qualquer boa sequela, oferecendo 'mais do mesmo', mas em versão alargada e melhorada: o leque de veículos estende-se agora, também, a aeronaves e barcos - cada um dos quais com pistas próprias e adequadas à sua utilização – e o 'naipe' de personagens do original volta a marcar presença, agora acrescido de uma 'caricatura' da jornalista e crítica de videojogos, Violet Berlin.

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'Micro Machines 2' na Mega Drive.

Como se não bastasse, no entanto, a companhia fez questão de oferecer ainda alguns atractivos adicionais, com a versão para Mega Drive a ser lançada com um adaptador especial para jogos em conjunto, e a de PC a contar com um editor integrado, que permitia aos jogadores criarem novos veículos ou pistas – uma opção tão popular que foi integrada em 'Turbo Tournament '96', uma espécie de 'actualização' lançada para a Mega Drive no ano em questão. O sucesso, esse, voltou a ser considerável, com as novas adições a 'caírem no gosto' dos jogadores, pesassem embora as semelhanças com o original.

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'Turbo Tournament '96' era lançado em exclusivo para Mega Drive.

Ainda antes do fim do ciclo de vida das consolas 16-bit, é lançado 'Micro Machines Military', um exclusivo para Mega Drive que, como o nome indica, adaptava o conceito do jogo a um ambiente militar, com tanques e pistas no deserto; os adeptos de outras consolas teriam, no entanto, de esperar até ao ano seguinte, já na era 32-bits, para voltarem a conduzir as populares miniaturas, agora num contexto poligonal, ainda que não exactamente tri-dimensional.

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'Micro Machines V3' saía em 1997 para a PlayStation original, e nos três anos seguintes para PC, Nintendo 64 (onde se chamou 'Micro Machines 64 Turbo') e Game Boy Color, respectivamente. Em qualquer dos casos, a proposta era a mesma de sempre, mas em ambientes 3D – excepto, claro, no Game Boy Color, onde se aproximava mais da dos dois primeiros jogos.

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A mesma jogabilidade, agora em pseudo-3D.

E se esses haviam feito sucesso no seu tempo, 'V3' mostrou-se ainda mais bem-sucedido e influente, atingindo rapidamente o prestigiado estatuto de platina na PlayStation, vendendo bem apesar de críticas menos unânimes do que as dos seus antecessores, e sendo ainda hoje considerado como a versão 'definitiva' dos jogos da franquia.

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Tendo em conta este sucesso, é nada menos que surpreendente que o jogo seguinte, 'Micro Maniacs' – lançado já nos primeiros meses do Novo Milénio - troque os carrinhos em miniatura por corridas a pé. Ainda que significativa, no entanto, esta mudança não foi, ainda assim, suficientes para fazer os 'gamers' da época virar as costas àquilo que era, essencialmente, uma variação (ou semi-sequela) de 'V3', a qual, apesar de menos lembrada do que os seus antecessores, é, ainda assim, um dos jogos mais bem-cotados da fase final da vida da PlayStation original.

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Em 'Micro Maniacs', os participantes percorrem as pistas a pé, mas a fórmula mantém-se, no restante, inalterada.

O mesmo, no entanto, não se pode dizer do título seguinte, uma tentativa falhada de 'reboot' para a era 128-bit que passou despercebida no mercado da altura. Assim, caberia ao título seguinte, lançado em 2006 e sugestivamente intitulado 'Micro Machines V4', recuperar a reputação da franquia, uma missão que viria a completar com sucesso, relembrando os adeptos de videojogos da razão para o sucesso da mesma, e mantendo-os ocupados com as suas vinte e cinco pistas e mais de sete centenas e meia de veículos – um número inimaginável aquando do lançamento original de 1991, com os seus oito ou dez carros seleccionáveis!

Após 'V4', no entanto, a série entraria no mesmo hiato da própria gama Micro Machines, e passar-se-ia mais de uma década até que aparecesse novo jogo – até hoje o último da franquia - intitulado 'Micro Machines World Series' e lançado no Verão de 2017 para os PCs e consolas da época. E se o sucesso de vendas, e relativo sucesso crítico, deste título servir de indicação, será seguro afirmar que o legado dos mini-carros no mundo virtual está assegurado, e que também a Geração Z terá a oportunidade de descobrir o que fez os seus pais apaixonar-se pela representação destas miniaturas em formato digital e interactivo, quando tinham a mesma idade...

26.01.24

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os anos 80 e 90 foram décadas de excelência para o cinema de acção, responsáveis por uma série quase infindável de 'blockbusters' capitaneados por 'heróis' tão conhecidos como Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme ou Sylvester Stallone. Este último, em particular, há muito que deixara os contornos independentes da sua estreia com 'Rocky' (que também realizara) ou com o primeiro filme da série 'Rambo', e se acomodara à figura de herói musculado, carrancudo e de poucas palavras a que a sua caracterização deste último personagem o associara. Em inícios da década de 90, este era já, praticamente, o único tipo de papel para o qual Stallone era escalado – excepção feita à ocasional comédia de acção, à semelhança do congénere Schwarzenegger – o que não invalidava que o actor e realizador tentasse, ainda assim, injectar alguma variedade à sua filmografia, nomeadamente através de incursões por outros géneros.

Destes, era a ficção científica a que mais frequentemente captava a atenção do astro, que, só no ano de 1993, participaria em duas super-produções do género – primeiro a pouco unânime adaptação da banda desenhada 'Juiz Dredd', em 'O Juiz', e depois 'Homem Demolidor', um filme de estética e enredo muito semelhantes e que, em conjunto com o seu antecessor, ajudou a que o nome de Stallone fosse, durante alguns meses, sinónimo com o género da acção futurista.

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E se, em 'O Juiz', o carrancudo herói de acção surgia acompanhado de Rob Schneider, no papel de coadjuvante com veia cómica, aqui a co-estrela é bem mais inesperada, e bem menos irritante: trata-se, nada mais nada menos, do que de Wesley Snipes, o futuro 'Blade', aqui no papel de antagonista do polícia futurista de Stallone. O trio de personagens centrais do filme completa-se com Sandra Bullock, mais tarde reconhecida por filmes como 'Speed – Perigo a Alta Velocidade' ou 'Miss Detective', e que aqui interpreta a parceira de Stallone no caso que este investiga.

O resultado são duas horas acima da média no tocante a ficção científica noventista (uma fasquia que apenas seria elevada no final da época) que foram, à época, consideradas um 'regresso à forma' para Stallone, após uma série de filmes menos conseguidos, e que tiveram mesmo honras de adaptação oficial em livro, publicada em Portugal pela inevitável Europa-América, magnata deste género de publicação no nosso País.

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Capa nacional da novelização da trama, lançada pela inevitável Europa-América.

Grande parte deste sucesso, e do apelo do filme, ter-se-à devido à veia satírica do enredo, que ajudava a destacá-lo dos outros filmes 'de explosões' futuristas que povoavam os cinemas e videoclubes da época. Quase exactos trinta anos após a sua estreia nacional (a 21 de Janeiro de 1994, dois meses e meio após 'abrir' nos Estados Unidos) 'Homem Demolidor' é, decididamente, um produto do seu tempo, mas ainda apresenta qualidade suficiente para poder ser considerado um dos melhores exemplos do género de ficção científica pré-'Matrix', e para entreter qualquer fã do género disposto a contextualizá-lo correctamente.

24.01.24

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 23 de Janeiro de 2024.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de a prática de confiar diferentes versões de um mesmo título interactivo a companhias diferentes não ser inédita, quer no Mundo das consolas, quer no dos PC's, não é, de todo, habitual ver os jogos subsequentes serem tratados como duas entidades completamente distintas; de facto, tal fenómeno tende a ocorrer apenas quando as referidas versões têm diferenças significativas e aparentes, seja a nível de género ou de jogabilidade (como sucedeu, por exemplo, com os primeiros jogos de Harry Potter em inícios dos anos 2000). No entanto, há quase exactamente trinta anos, verificava-se o caso mais famoso e mediático deste género de ocorrência, quando as rivais de 16-bits, Super Nintendo e Mega Drive, recebiam dois jogos subordinados à mesma licença que, apesar de à primeira vista idênticos, eram de facto substancialmente diferentes uma vez iniciada a experiência de jogo.

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Comparação gráfica entre os jogos de Super Nintendo (esquerda) e Mega Drive (direita)

Tratavam-se dos jogos alusivos ao filme 'Aladdin', um dos vários mega-sucessos de que a Walt Disney gozou durante a sua chamada 'renascença' em finais do século XX, e o segundo a ter honras de adaptação a videojogo, após 'A Pequena Sereia', em inícios da década. Lançados no Inverno de 1993/94 (em Novembro de 1993 no caso do título da Sega, e em finais de Janeiro de 94 no caso do da Nintendo), ambos se inseriam no género de acção e plataformas que era quase sinónimo com jogos licenciados da época; no entanto, a jogabilidade de ambos apresentava diferenças consideráveis, resultantes da abordagem escolhida por cada um dos dois estúdios responsáveis – a Virgin Interactive, que assinava o jogo de Mega Drive e que viria também, mais tarde, a ser responsável pelo excelente jogo d''O Rei Leão', e a Capcom, que já na altura dispensava apresentações como criadora de jogos de acção com vertente 'arcade'. O resultado eram dois jogos tão diferentes quanto excelentes, que fomentam ainda hoje debates sobre qual dos dois será o melhor.

Algumas das principais diferenças entre os dois títulos prendem-se com a utilização de uma espada por parte de Aladdin (que não consta da versão para Super Nintendo), a existência de níveis diferentes e exclusivos em cada versão, e sistemas de pontuação, saúde e 'vidas' diferentes, que tornam cada um dos dois jogos numa experiência distinta. A decisão sobre qual deles é superior torna-se, assim, numa questão de simples preferência, já que do ponto técnico são igualmente excelentes, com a ressalva de a versão para Mega Drive ter sido o primeiro jogo interactivo desenhado à mão, com a colaboração de uma equipa de artistas da própria Disney - o que revela o cuidado posto em cada faceta desse merecido clássico.

Ainda assim, e apesar de grande parte dos jogadores que tiveram contacto com o título da Super Nintendo o defender acerrimamente, foi mesmo a versão para Mega Drive que perdurou no imaginário dos ex-jovens da época, por ter servido de base à maioria das outras versões do jogo lançadas tanto na mesma época (para PC e Game Boy, por exemplo) como em anos subsequentes (para consolas como o Game Boy Color). A excepção é a versão para Game Boy Advance, lançada em 2004, e que tem por base o título da Capcom.

Seja qual for a preferência, no entanto, qualquer das duas versões continua, mesmo nos dias de hoje, a assegurar uma experiência de jogo desafiante e divertida, como era sinónimo dos jogos da Disney à época; prova disso mesmo, aliás, é que versões tanto destes jogos como dos d''O Rei Leão' continuam, até hoje, a ser lançadas para cada nova geração de consolas, e a conquistar fãs entre os 'gamers' da 'geração Z', tal como o fizeram durante o seu 'ciclo de vida' original. Motivo mais que suficiente para lhes darmos destaque (a ambos!) nestas páginas, quando se celebram três décadas sobre o seu lançamento inicial nas 'rivais' de 16-bits.

 

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