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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

05.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 5 de Outubro de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas edições desta rubrica, temos vindo a falar de séries para adolescentes americanas dos anos 90 que, por alguma razão, tiveram igual repercussão por terras lusitanas; e depois de termos falado das principais representantes da vertente mais séria e mais cómica do estilo, chega hoje a vez de falarmos do terceiro concorrente nesta competição pelo interesse dos espectadores mais jovens, o qual não chegou a conseguir o mesmo nível de sucesso das suas congéneres, mas deixou ainda assim a sua marca entre o público infanto-juvenil da época.

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Falamos de ‘Parker Lewis’ (ou ‘Parker Lewis Can’t Lose’, como era conhecido no seu país de origem), uma ‘sitcom’ da Fox que pegava em alguns dos elementos utilizados pela série rival, ‘Já Tocou!’, os aumentava a um nível quase caricatural, e os misturava com uma boa dose de inspiração retirada do filme ‘O Rei dos Gazeteiros’, que muitos dos nossos leitores mais provavelmente conhecerão pelo seu título original, ‘Ferris Bueller’s Day Off’.

Tal como o filme de 1982, ‘Parker Lewis’ segue as aventuras do gazeteiro e ‘gozão’ do mesmo nome (interpretado por Corin Nemec, que não viria a ter quaisquer outros papéis de nota), um sucedâneo (ou sucessor) de Ferris Bueller que frequenta  uma escola secundária californiana e que, com a ajuda dos seus dois melhores amigos e alguns outros colegas menos chegados, faz a vida negra à directora da escola, enquanto tenta evitar os ‘ataques’ estilo partida de Carnaval da sua maléfica irmã mais nova.

Uma premissa bastante comum, e até algo gasta, para uma série deste tipo, mas que, neste caso específico, era apimentada com uma dose considerável de referências à cultura ‘pop’da época e daquilo a que se convencionou chamar ‘fourth wall breaking’ – aquele fenómeno em que os personagens sabem estar dentro de uma ficção, e utilizam alguns dos elementos da mesma a seu favor. Embora não totalmente original – Zack Morris, de ‘Já Tocou!’, também era conhecido por se dirigir directamente aos espectadores, por exemplo – esta abordagem granjeava algum interesse a ‘Parker Lewis’, e ajudava a série a cimentar um lugar no concorrido mercado de ‘sitcoms’ para adolescentes, tanto nos EUA como em Portugal.

parker-lewis-cant-lose-the-complete-first-season-2O personagem principal em modo 'fourth wall break'

Ainda assim, o sucesso das aventuras de Parker e seus amigos não foi tão pronunciado que levasse à exibição em Portugal das três séries criadas pela Fox entre 1990 e 1993; a série passou em terras lusas durante apenas um ano, substituindo precisamente ‘Já Tocou!’ na grelha da TVI. Nesta batalha em particular, no entanto (e apesar dos ‘gadgets’ de que Parker e os seus comparsas dispunham na sua base secreta por baixo do ginásio) pode dizer-se que o liceu de Bayside saiu claramente a ganhar do confronto com o liceu de Santo Domingo - e que Parker Lewis, que segundo o próprio título da série, 'não pode perder'...perdeu. Ainda assim, os planos de Parker foram suficientemente bem sucedidos para lhe granjear algumas linhas – bem como a honra de concluir a retrospectiva sobre séries para adolescentes dos anos 90 - aqui neste nosso blog…

20.09.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O início dos anos 90 viu chegar a Portugal a febre das séries de adolescentes norte-americanas, a qual teve tal impacto entre a demografia-alvo que levou, inclusivamente, a que um dos quatro canais portugueses tentasse produzir um equivalente ‘tuga’, do qual paulatinamente falaremos; e depois de na última Segunda de Séries termos abordado o principal expoente desta febre, chega hoje a vez de examinarmos uma das duas alternativas mais cómicas à suposta seriedade de 90210. Agarrem, portanto, nas vossas roupas e acessórios mais berrantes e espalhafatosamente ‘90s’, pois está na hora de viajar até ao liceu de Bayside, na Califórnia, onde…Já Tocou!

Sim, ‘Já Tocou’, mais conhecido hoje em dia pelo seu nome original, ‘Saved By The Bell’, e que se perfilava como a resposta em formato ‘sitcom’ à ‘soap opera’ de ‘Beverly Hills 90210’. Tal como naquela série, o foco principal eram as desventuras de um grupo de jovens – estes verdadeiramente adolescentes, e como tal bem mais realistas do que os ‘vintões’ ebonecados vide Beverly Hills – durante o seu dia-a-dia numa típica escola secundária americana. Entre namoricos e confrontos com o desafortunado director Mr. Belding, a pandilha liderada pelo ‘loirinho’ de farripas Zack Morris (Mark-Paul Gosselaar) lá ia resolvendo um problema por semana, não podendo também faltar os habituais episódios especiais sobre problemáticas tão 90s como o consumo de drogas - no caso, comprimidos de cafeína, naquele que é o episódio mais memético e recordado da série.

Um dos melhores momentos de comédia involuntária da história da televisão moderna...

Tal como em outras séries deste tipo, no entanto, os enredos eram o que menos interessava; o que fazia a série resultar (e resultava) eram os diálogos cheios de ‘one-liners’ e a química entre os personagens, com destaque para o impagável Screech, o ‘totó’ do grupo, interpretado pelo malogrado Dustin Diamond, à época ainda verdadeiramente adolescente (Diamond tinha apenas 11 anos quando a série estreou nos EUA, o que torna as suas prestações simultaneamente mais naturalistas e mais impressionantes que as dos seus coadjuvantes mais velhos.) Dos restantes, destaque para Mario Lopez, o musculado Slater, e para a paixoneta de todos os jovens da altura, Tiffani-Amber Thiessen – ou antes, Kelly Kapowski, o vértice feminino do habitual triângulo amoroso, aqui com os ‘frenemies’ Zack e Slater como pretendentes.

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Os protagonistas principais da série

No fundo, pois, uma típica série de comédia juvenil norte-americana, mas que resultava muito bem, e que conseguiu o seu público em Portugal (como, aliás, aconteceu também nos seus Estados Unidos natais) aquando da sua transmissão pela TVI, em 1993-94. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer das sequelas, das quais apenas ‘Já Tocou…Na Faculdade’ passou em Portugal, tendo um impacto e sucesso consideravelmente menores relativamente ao original, talvez porque as premissas nas quais a série se baseava não resultassem tão bem fora do contexto do secundário, ou talvez porque o público tivesse simplesmente ‘partido para outra’…

Seja como for, no entanto, é inegável que ‘Já Tocou’ – o original – foi uma série marcante para muitos jovens portugueses da primeira metade dos anos 90 (entre eles este que vos escreve) que não tinham grande ‘pachorra’ para o dramalhão de ‘90210’, e só queriam dar umas gargalhadas antes do jantar - e só isso já é´suficiente para a fazer merecer um espaço nesta série de artigos sobre séries adolescentes do ‘nosso’ tempo.

06.09.21

Nota: Este post é respeitante a Domingo, 5 de Setembro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E depois de na primeira edição desta rubrica termos recordado ‘Aquela’ Equipa do Benfica de Souness, chega hoje a vez de nos debruçarmos sobre outro onze (ou antes, onzes) clássico(s) da década de 90: ‘Aquela(s)’ Equipa(s) de ‘sarrafeiros’ por que o Futebol Clube do Porto ficou conhecido no início da década.

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A primeira equipa do Porto da década, uma verdadeira 'colecção' de partidores de pernas alheias

Sim, antes de ser a ‘potência’ europeia do novo milénio, e mesmo antes de ter ido descobrir ao Brasil um homem-golo que viria a bater recordes de tentos na Liga Portuguesa, a principal equipa do Norte do país primava por um futebol…digamos, ‘físico’ e ‘de combate’, perpetrado por nomes como Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, João Pinto ou o ‘rei’ da ‘traulitada’, o eterno Paulinho Santos. Entre si, estes homens deixaram um impressionante ‘trilho’ de membros lesionados e ossos ‘amassados’ em campos ‘da bola’ de Norte a Sul do País, sendo esta a única característica pela qual o futebol do Porto da altura é lembrado hoje em dia.

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Paulinho Santos a fazer o que fazia melhor. Reparem onde está a bola...

Tal situação é, no entanto, algo injusta, ainda que não excessivamente; porque a verdade é que aquele Porto dos inícios de 90 contava, para além da sua ‘hit squad’ de ‘carniceiros’, com alguns excelentes jogadores, capazes de adicionar uma nota artística ao futebol ‘de guerrilha’ do emblema nortenho; nomes como Kostadinov, Madjer, Rui Jorge (a excepção à regra dos defesas portistas dos 90s, com os seus pés esclarecidos e elegantes) ou o goleador Domingos Paciência (sem esquecer o eterno guardião e lenda viva dos ‘Dragões’ chamado Vítor Baía) eram genuinamente ‘de outro campeonato’, e responsáveis os (poucos) motivos de interesse em jogos do Porto naquela época.

No entanto, não há como contornar os factos – o Porto das épocas entre finais dos 80s e o dealbar da ‘era Mário Jardel’ era conhecido, principalmente e acima de tudo, por distribuir ‘porrada’ a partir da sua defesa – tanto assim, aliás, que existem compilações de YouTube apenas dedicadas a esse tema!

Não só não foi feita por nós, como é um dos primeiros resultados da pesquisa por 'Porto Anos 90' no Google...

Assim, e por muita valia que o seu meio-campo e ataque possam ter tido, era mesmo pela defesa que os ‘Dragões’ da altura se destacavam; aliás, o Porto desta altura poderia ser visto como um bom exemplo da máxima de que ‘boas defesas ganham campeonatos’ – não fosse o facto de, como hoje bem se sabe, a hegemonia dos azuis e brancos durante este período se ter devido, em grande medida, a outros factores… Ainda assim, os diferentes onzes apresentados pelo clube na primeira metade dos anos 90 são, todos e cada um deles, candidatos mais que meritórios ao título de ‘Aquela’ Equipa – e como tal, plenamente justificados para inclusão nesta secção…

16.08.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Sim, depois de um fim-de-semana de férias, estamos de volta – e logo para falar de um dos temas favoritos aqui no blog: música.

E se na última edição desta rubrica, dedicámos algumas linhas a falar dos Sitiados, um dos dois grandes responsáveis pela existência de um movimento folk-rock português nos anos 90, hoje, falaremos aqui do outro, nascido quase ao mesmo tempo que o grupo de Cascais, mas um pouco mais para o interior, nomeadamente no distrito de Tomar.

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Falamos dos Quinta do Bill, grupo que derivou o seu nome do espaço onde deu os primeiros passos, cujo proprietário se chamava, precisamente, Guilherme (que em inglês fica William, cujo diminutivo é Bill.) Foi aí que, em 1987, o líder incontestado Carlos Moisés se juntou pela primeira vez a Paulo Bizarro e Rui Dias para criar um som enraizado na tradição popular portuguesa, mas que, até então, quase não havia sido explorado na cena nacional. Misturando instrumentos como a flauta, o acordeão, a rabeca ou o banjo com as tradicionais guitarras e bateria e uma atitude ‘tudo a saltar’, o grupo perfilava-se como a resposta ‘tuga’ ao que grupos como Flogging Molly, Dropkick Murphys ou The Pogues vinham apresentando do outro lado do oceano.

A originalidade do som da banda (pelo menos por terras lusas) não tardou a granjear-lhes destaque, rendendo-lhes participações nos maiores concursos e ‘expositores musicais’ nacionais da época, como a edição de 1988 do histórico Rock Rendez-Vous, ou o Aqui D’El-Rock da RTP, já no virar da década – concurso este que o grupo viria, aliás, a vencer, obtendo assim a verba necessária para a gravação do álbum de estreia.

Editado em 1992, ‘Sem Rumo’ passou ainda, no entanto, relativamente despercebido na cena musical portuguesa, tendo o grupo de esperar ainda mais um ano (e um album) para viver na pele a sensação de ser uma estrela pop ‘mainstream’; quando tal ocorreu, no entanto, ocorreu em grande, tendo a música em causa sido um dos maiores ‘hits’ daquele ano de 1993, e conseguido manter a sua relevância cultural no nosso país até aos dias de hoje.

Falamos, claro, de ‘Os Filhos da Nação’, mais conhecida hoje em dia como ‘meme’ de claque futebolística (sob a forma de ‘Os Filhos do Dragão’, hino quase-oficial dos Super Dragões, grupo de apoio do FC Porto) mas que, na sua forma original, era uma ‘malha’ de puro folk-punk-rock, com direito a letra de intervenção – a qual era, no entanto, ofuscada por aquele monstruoso refrão, que decerto alguém desse lado estará já a cantarolar.

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Os atractivos de ‘Os Filhos da Nação’, o disco, não se ficavam, no entanto, por aí; pelo contrário, quase todos os seus doze temas eram ‘malhas’, com destaque para ‘Senhora Maria do Olival’ – o muito aguardado ‘crossover’ entre Sitiados e Quinta do Bill, cantado que é por João Aguardela – e para a versão de ‘Menino’, nos mesmos moldes do que os lendários Xutos & Pontapés haviam feito anos antes com ‘A Minha Casinha’. No cômputo geral, um grande álbum de folk-rock, apadrinhado por nomes tão ilustres como Jorge Palma, que participa com voz e piano em uma faixa.

Infelizmente, tal como aconteceria com os Sitiados, os Quinta do Bill não mais conseguiriam replicar o sucesso daquele segundo álbum, e do seu mega-sucesso radiofónico. O grupo de Carlos Moisés prosseguiria actividades – encontrando-se, inclusivamente, ainda no activo! – mas com muito menos exposição mediática e quase sem ‘airplay’ radiofónico, limitando a sua base de fãs à meia-dúzia de ‘convertidos’ do costume; haverá, decerto, por aí quem saiba os nomes de todas as músicas da banda, e advogue convictamente os méritos do seu quinto álbum, mas para o português comum, os Quinta do Bill são, apenas e só, aquela banda que escreveu a música da claque do FC Porto – o que, convenhamos, não deixa de ser algo triste para uma banda de inegável valor e apostada em criar um som verdadeiramente original no panorama português da época.

Ainda assim, para quem goste de folk-rock com muita energia e uma pitada de atitude ‘punk’, os Quinta do Bill constituem uma proposta tão válida como a sua ‘banda gémea’, os Sitiados, com a ressalva de serem uma proposta de toada muito mais séria do que a (literalmente) folclórica banda de João Aguardela. Para os restantes, sobra ‘aquela’ música, cujo refrão é daqueles que, quando gritado a plenos pulmões em conjunto com uns passinhos de dança, tem o condão de fazer o ouvinte regressar no tempo, aos anos dourados da sua juventude…

Tínhamos que acabar assim, não concordam...?

 

20.07.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui falámos, em edições passadas desta rubrica, de programas infantis de enorme sucesso, como o Buereré ou o Batatoon; hoje, chega a vez de recordarmos um seu antecessor que, embora não tão lembrado hoje em dia, chegou a fazer considerável sucesso à época da sua estreia, na primeira metade dos anos 90.

Falamos de ‘A Casa do Tio Carlos’, o pioneiro da programação infantil da então recém-criada TVI – na altura ainda conhecida por muitos apenas como ‘4’.

Na época em que ainda era mais conhecida como 'o canal da Igreja Católica’ do que como a máquina de telenovelas e ‘reality shows’ que se viria a tornar anos mais tarde, o canal de Queluz fazia desta hora infantil bem à sua imagem um dos seus baluartes na luta de audiências contra a (à época) mais populista SIC; e se a aposta não foi totalmente ganha, por uma série de factores que em tempo abordaremos, também não se pode que a experiência tenha sido um falhanço – longe disso.

O programa ganhava pontos, desde logo, pelo seu carismático apresentador– o cantor e compositor Carlos Alberto Moniz, o titular ‘Tio Carlos’, uma espécie de versão portuguesa do americano Mr. Rogers, e igualmente bem conhecido e apreciado pelo público-alvo pelo seu trabalho como ‘Avô Cantigas’, na década anterior. A sua forma de apresentar – calma, serena e baseada em interacções genuínas e naturais com as crianças que tinham a sorte de poder assistir ao vivo – contrastava com a jovialidade forçada da maioria dos outros apresentadores infantis, e contribuía para a atmosfera pacata e ‘segura’ do programa, a qual se coadunava perfeitamente com as bolachas, o leite com chocolate e a vontade de ‘descansar’ que as crianças sentiam depois de um dia inteiro de escola.

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O apresentador do programa, no seu ambiente natural

No entanto, até o melhor programa infantil está fadado ao insucesso se não tiver desenhos animados à altura do formato – e era aqui, sobretudo, que ‘Tio Carlos’ ficava aquém das expectativas. Apesar da aposta - sempre bem-vinda - nas curtas clássicas dos Looney Tunes ou Tom e Jerry, bem como em conteúdos ‘made in Portugal’ e até segmentos de ‘acção real’, a restante oferta da TVI ficava, ainda, a ‘milhas’ do que o que a SIC apresentava na mesma época, e mesmo daquilo que a própria TVI viria a exibir poucos anos depois – como, aliás, se pode comprovar no programa da fase inicial que deixamos, na sua íntegra, no fim deste post. Mesmo numa época em que 'Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’ ainda estavam a alguns anos de distância, eram precisos mais do que alguns desenhos animados ‘giros’ com quarenta ou cinquenta anos para captar a atenção e fidelizar o público jovem – e nesse aspecto, Carlos Alberto Moniz bem se pode sentir injustiçado. Numa fase mais tardia, o programa viria efetivamente a ganhar alguns trunfos, nomeadamente 'Heathcliff', que equilibravam um pouco a contenda, mas nem esta adição (literalmente) de peso chegou para evitar que o programa fosse cancelado, em 1994.

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'Heathcliff', a mais conhecida das séries do programa

Uma pena, pois, tirando os ‘bonecos’, ‘Tio Carlos’ tinha tudo o que se pedia a um programa infantil da época: jogos, passatempos, números musicais, convidados, momentos educativos sobre temas genuinamente interessantes para crianças, um apresentador de carisma e tarimba confirmadas, e até um genérico de abertura memorável e cantarolável, como se pedia na altura. Talvez, com um acervo de séries um pouco mais forte, o programa tivesse conseguido permanecer no ar mais do que o ano e pouco que durou, e tornar-se num verdadeiro 'contender' da programação infantil dos anos 90, em vez do 'dark horse' que efetivamente foi.

Ainda assim, para um programa da fase ‘tubo de ensaio’ de um novo canal, em que cada novo dia era mutável e incerto, passar mais de um ano no ar ininterruptamente não deixa de ser uma proeza, especialmente numa época em que a oferta da televisão pública neste campo primava pela força, e em que a SIC também já ia alinhavando uma estratégia que viria a render frutos a muito curto prazo. Certo é que quem ‘esteve lá’ certamente continua a recordar com carinho este programa, significativamente diferente do que mais se ia fazendo no campo da programação infantil na época, mas nem por isso pior; de facto, não fora a falta de êxitos imediatos e a aposta num pendor algo mais educativo, podia ser que se falasse hoje de ‘A Casa do Tio Carlos’ da mesma maneira que se fala dos seus principais rivais…

 

03.07.21

NOTA: Este post é relativo a Quinta-feira, 1 de Julho de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

No início dos anos 90, existia no mercado português um ‘gap’ de revistas de variedades especificamente dirigida a um público infanto-juvenil. A Bravo era importada da Alemanha (e, como tal, servia para muito pouco a não ser para tirar posters) e a Super Pop portuguesa e a 100% Jovem ainda estavam a alguns anos de distância; para o segmento em idade escolar, aparte os quadradinhos, a oferta resumia-se à cristã ‘Nosso Amiguinho’ (distribuída nas escolas, e apenas disponíveis por assinatura) e (muito) pouco mais.

Esta situação viria a mudar em 1993, quando uma revista arriscou preencher esta lacuna de mercado, e assumir-se como referência informativa para o público infantil e adolescente, fornecendo-lhes informação sobre temas do seu interesse, das omnipresentes ‘celebridades’ aos jogos de vídeo, música, filmes, BD, ou simplesmente curiosidades sobre o que se passava no Mundo.

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Tratava-se da revista Super Jovem, talvez não tão lembrada hoje em dia como as ‘colecções de gatos’ chamadas Super Pop ou Bravo, mas que ainda conseguiu impacto considerável junto do público-alvo durante os seus mais de seis anos nas bancas, da estreia em 1993 (com um ‘número 0’ distribuído gratuitamente, e tendo na capa um Macaulay Culkin no auge da fama) até ao cancelamento mesmo no final da década.

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Capa do número 0 , distribuído gratuitamente

Tal devia-se, em parte, à referida variedade da revista, que, mesmo com as diversas mudanças de formato a que foi obrigada, nunca se ‘vendeu’ às vontades das raparigas adolescentes, e sempre tentou oferecer um pouco de tudo, de peças sobre os ídolos do momento a críticas de jogos, filmes e livros, ou simplesmente histórias de banda desenhada, neste caso da Disney (a Super Jovem era mais um dos muitos títulos lançados pela ‘rainha’ das publicações portuguesas da altura, a Editora Abril, que também publicava as revistas Disney.) Esta estratégia variada assegurava que a revista captava um público-alvo extremamente vasto, pois mesmo quem não tinha interesse no ‘galã’ de capa, encontraria sempre outro artigo ou uma história aos quadradinhos que o mantivesse interessado.

Outra táctica interessante, e até inovadora, praticada pela Super Jovem era a oportunidade que fornecia aos jovens de se tornarem, eles próprios, repórteres por algumas horas. Na secção recorrente ‘O Repórter Sou Eu', a entrevista era escolhida, e conduzida, por um(a) leitor(a) da revista, resultando em interacções um pouco diferentes do habitual, tanto para os entrevistados como para os leitores. Mais tarde, esta secção viria a perder preponderância, mas enquanto durou, foi uma experiência interessante, e que se pode dizer ter resultado.

Infelizmente, as referidas mudanças de formato – primeiro para um formato com menos páginas, mas ainda A5, e depois para uma tipologia A4 – resultariam na extinção desta e outras secções; no entanto, a ‘essência’ da Super Jovem continuou presente até ao final da vida da revista, a qual, mesmo já nos seus últimos números, continuava reconhecível como (mais ou menos) a mesma revista que chegara timidamente às bancas seis anos antes.

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A revista após a primeira mudança de formato, em meados da década

Além disso, a publicação soubera mudar com os tempos, mantendo-se sempre a par das personalidade, assuntos e ‘modas’ que mais interessavam aos jovens, sem discriminar – a título de exemplo, a revista começou com capas com Macaulay Culkin, Guns’n’Roses e Nirvana, acabou com Britney Spears e Dragon Ball Z, e chegou a ter artigos sobre eventos e movimentos menos óbvios, como o festival ‘metaleiro’ Monsters of Rock (!) (Se pensaram que nunca iam ver os Slayer e Machine Head numa revista ‘mainstream’ para ‘teenagers’, pensem novamente…)

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A popularidade, essa, também nunca decresceu muito, sendo que, no seu auge, a Super Jovem tinha expressividade suficiente para arriscar experimentar com novos formatos e iniciativas, como brindes – a colecção de CD-Singles marcou época - números especiais alusivos a filmes, colecções de posters ao estilo Bravo, e até produtos periféricos, como uma agenda.

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Capa da 'Agenda 1996' da Super Jovem

Enfim, no cômputo geral, uma revista bem mais merecedora da lembrança nostálgica dos jovens dessa época do que as Bravos desta vida, mas que – talvez por não ser constituída em 95% por fotos de ‘gajos giros’ – fica hoje um pouco atrás destas. Ainda assim, vale bem a pena recordar esta pioneira dos periódicos para jovens nacionais, que mostrou que havia mercado para uma revista juvenil que fosse mais do que um simples aglomerado de fotos e posters…

15.06.21

NOTA: Este post é relativo a segunda-feira, 14 de Junho de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A imagem é icónica – um jovem adolescente, de cabelo pontiagudo, conduz a bola por um campo interminável afora, aproximando-se de uma baliza que vai, gradualmente, aparecendo no horizonte. Uma vez as redes à vista, o mesmo desfere um potente remate; o guarda-redes adversário estica-se, mas em vão – a bola ultrapassa-o, em arco, e anicha-se literalmente nas redes, por vezes chegando mesmo a furá-las, tal a violência do tiro.

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Podem começar já a festejar...este já lá mora

A cena é, claro, retirada de ‘Captain Tsubasa’, quiçá a mais famosa série animada sobre futebol de todos os tempos, e uma velha conhecida das crianças portuguesas de finais do século XX e inícios do XXI. Isto porque, ainda antes da memorável transmissão, no canal Panda, da dobragem espanhola de ‘Captain Tsubasa J', e das subsequentes (e múltiplas) transmissões da série original e de ‘Road to 2002’ com dobragem portuguesa, sob o título ‘Oliver e Benji - Super Campeões’, a primeira encarnação da série já havia passado nas RTPs, no início da década de 90, com o título ‘Capitão Hawk’ - uma ‘mais ou menos tradução’ do título original da série – e na sua versão original em japonês. Ou antes, os primeiros 50 e poucos episódios passaram em japonês (na RTP1); a partir do episòdio 54, a série passa para a RTP2, e é, inexplicavelmente, transmitida na dobragem italiana!

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Cena-título do genérico da série original de 'Captain Tsubasa', transmitida na RTP em 1993

Ainda assim, este foi, para muitas crianças, o primeiro contacto com uma das mais míticas séries da primeira vaga de anime – contacto que se viria, posteriormente, a restabelecer aquando da transmissão da série no Panda (a ‘reprise’ na SIC e TVI já foi mais relevante para a geração seguinte do que propriamente para a que seguira a série em 93-94.)

O que muitos dos jovens fãs de Tsubasa talvez não soubessem (ou que entretanto podem ter esquecido) é que houve, durante os anos a que este blog diz respeito, várias outras séries sobre futebol a passar na televisão portuguesa – nenhuma, obviamente, com o nível de sucesso de Oliver, Benji e seus companheiros, caso contrário seriam recordadas até hoje. Ainda assim, em tempo de Europeu, vale a pena recordar estes desenhos animados, ainda que nenhum deles fizesse referência a esta competição ou fosse sequer feito neste continente.

E já que iniciámos este post com uma referência a Oliver e Benji, nada melhor do que continuar com uma breve alusão a uma série que pouco ou nada tinha a ver com esta. Senão veja-se – ‘O Ponta de Lança’ (no original ‘Ganbare, Kickers!’ trata de uma equipa de futebol de um colégio, que tenta a todo o custo não ser o ‘bombo da festa’ dos torneios inter-escolas, até se ver reforçada com um estudante de intercâmbio com algum jeito para a coisa, e que revoluciona o estilo de jogar do colectivo, bem como as suas ‘performances’ em campo. Ah, e o capitão e líder desta equipa é o guarda-redes, o único outro elemento com algum talento. E o dito guarda-redes usa boné. E o titular ponta-de-lança tem cabelo preto espetado. E o equipamento da equipa é branco. NADA a ver com ‘Tsubasa’, portanto…

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Qualquer semelhança é pura coincidência...

Sarcasmos à parte, ‘O Ponta-de-Lança’ é TÃO parecido com ‘Super Campeões’ que um espectador mais distraido corre mesmo o risco de confundir as duas séries. Previsivelmente, esta táctica declaradamente ‘copycat’ (‘Tsubasa’ foi criado em 1981 e transformado em anime em 1983; ‘Kickers’ é de 1985, e a versão anime, do ano seguinte) não se traduziu em sucesso, tendo a série tido apenas uma temporada, de 26 episódios, e passado quase despercebida pela RTP1, sensivelmente um ano depois de ‘Tsubasa’ ter sido transmitido na mesma emissora (até aqui o padrão se manteve!), sem no entanto conseguir suprir a lacuna deixada pela partida de Oliver e Benji.

E já que falamos em animes de futebol, uma breve nota para recordar ‘I Ragazzi del Mundial’, ou ‘Soccer Fever’ (o título português era algo como 'A Febre do Mundial de Futebol'), uma co-produção entre o Japão e a Itália alusiva ao Mundial de 1994, e a única das séries aqui abordadas a ter ligação directa a uma prova real do mundo do futebol, ainda que não ao Campeonato Europeu.

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As personagens principais de Soccer Fever, de 1994

Nela, um jornalista reformado aproveita o entusiasmo do jovem neto pela prova em causa para recordar as peripécias que vivera mais de 60 anos antes, durante a cobertura do Mundial de 1930. Estas histórias serviam, então de pretexto para dar lições de ‘história ficcionada’ sobre a prova do início do século, numa espécie de ‘Horrible Histories’ futebolístico. Uma série bem escrita, bem animada e com um grande tema de abertura, mas que por qualquer razão passou despercebida aquando da sua transmissão no Canal Panda, em finais da década de 90 – e escusado será dizer que pelo menos essa transmissão portuguesa se insere na cada vez mais vasta categoria de Esquecidos Pela Internet…

Uma série com ESTE tema de abertura não merece cair no esquecimento...

O mesmo, aliás, se pode dizer da última série abordada neste post. Transmitida no Batatoon com o genérico título de ‘Histórias do Futebol’, afirmava-se como a verdadeira trasladação do conceito de ‘Horrible Histories’ para um contexto futebolístico, apresentando as viagens através do tempo de um locutor de futebol escocês (de boina e kilt – afinal, estávamos nos anos 90…) e do seu microfone, que tinha vida própria. Em cada episódio, este duo visitava uma época diferente da História (daí a parecença com Horrible Histories) para assistir a uma partida de futebol entre equipas convenientemente ‘adaptadas’ ao período em causa, durante os quais havia ensejo de realçar e explicar uma das regras oficiais do jogo (daí a tradução inglesa do título como ‘Official Rules of Football’.)

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Esta era, também, uma série bastante boa, sem ser nada de extraordinário; no entanto, nos dias que correm, a mesma parece ter sido quase totalmente esquecida pelos internautas, a ponto de haver exactamente UM tópico em toda a Internet lusófona que a recorda – e episódios, só em Inglês, naturalmente...

Como tema de abertura, este também não é nada mau...

Mesmo esquecidas como hoje em dia são (com a óbvia excepção de ‘Tsubasa’ que, qual fénix, regressa de tempos a tempos para cativar mais uma geração de jovens adeptos) vale a pena fazer menção a estas séries, que procuravam unir duas das principais paixões das crianças, sejam de que época forem. É de lamentar, pois, que apenas uma o tenha conseguido – se bem que, no fim das contas, uma seja melhor do que nada…

17.05.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

E se a última edição desta rubrica foi dedicada a um dos desenhos animados mais emblemáticos da ‘nossa’ década – as Tartarugas Ninja – hoje falamos de uma série que não só explora um conceito muito próximo, mas é também das mais mencionadas entre os entusiastas deste nosso blog: os Moto-Ratos de Marte.

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À primeira vista, o conceito-base desta série pode parecer uma cópia mais ou menos descarada dos referidos Heróis de Meia-Casca; estas críticas são, no entanto, infundadas, pois a série pouco tem a ver com aquele mega-sucesso de ‘merchandising’. Senão vejamos – ESTA série trata de ratos (e NÃO tartarugas) antropomórficos (de origem, logo, sem mutação nenhuma) oriundos de outro planeta (e portanto, sem nada a ver com lojas de animais em Nova Iorque) e que gostam de andar de mota (por oposição a comer pizza) e cujos adversários são outra raça extraterrestre (ou seja, de outro PLANETA, e não de outra DIMENSÃO.) Nada a ver, portanto. O facto de os referidos personagens serem jovens, se expressarem em calão radical dos anos 90 e terem uma amiga e aliada humana é, claro, mera coincidência – quem diz o contrário, é porque é má-língua.

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Nada a ver uns com os outros, realmente... 

Fora de brincadeiras, a verdade é que esta criação de Rick Ungar deriva forte inspiração da congénere de Eastman e Laird (tal como, aliás, acontecia com várias outras ‘cópias’ mais ou menos descaradas da época, como Street Sharks.) A data de criação do conceito (em 1993, no auge da Tarta-Mania) não deixa, aliás, quaisquer dúvidas quanto à intenção de ‘Biker Mice From Mars’ – isto, claro está, se o próprio conceito do ‘cartoon’ e os ‘designs’ dos personagens não as tivessem já dissipado. ‘Moto-Ratos’ queria mesmo ser o novo ‘Tartarugas Ninja’ – e embora nunca o tivesse conseguido (como, aliás, nenhum destes ‘clones’ conseguiu), foi mesmo a que chegou mais perto, tendo conseguido conquistar o público infantil em vários países, entre eles Portugal, e até vender algum ‘merchandise (por aqui, por exemplo, há uma vaga memória de um boneco do personagem cinzento ‘habitar’ lá por casa.) Este sucesso talvez se devesse ao facto de, para esse mesmo público-alvo, as semelhanças com as Tartarugas Ninja serem uma vantagem, e não um defeito; isto, claro, para além do puro ‘cool factor’ de três ratos espaciais gigantes de 'jeans' e armadura, montados em Harley-Davidsons, a desviarem-se de tiros de 'laser' disparados por extraterrestres - um conceito que fica muito perto do ideal de acção de qualquer miúdo pré-adolescente.

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Aos dez anos de idade, esta é uma daquelas coisas que grita 'FIXE' em maiúsculas

Como já devem ter percebido – aqueles que nunca viram a série, pelo menos – a premissa-base deste ‘cartoon’ era ainda mais pateta do que a da maioria das séries deste tipo – o que, por si só, já é um feito. No entanto, enquanto o espectador adulto pondera exactamente PORQUE é que o ‘hobby’ destes ratos de MARTE era guiar um modelo específico de veículo produzido e encontrado NA TERRA, para o público-alvo, isso pouco interessava – ‘Moto-Ratos’ tinha acção, tiros, piadolas radicais, e personagens com um visual ‘cyberpunk’ estilo ‘Mad Max’ que estava também ainda muito em voga à época. Ou seja, a receita perfeita para ser um sucesso de audiências e vender muito ‘merchandising’ licenciado – objectivos que ‘Biker Mice’ conseguiu atingir, ainda que nunca chegasse ao limiar de ser uma ‘febre’, como a série que procurava emular. Este era, ‘apenas’, um desenho animado ‘fixe’ – o que, feitas as contas, nem é uma coisa má de se ser…

E vocês? Viam os Moto-Ratos? Que recordações guardam desta série? Partilhem nos comentários! E para vos avivar a memória, aqui fica o genérico inicial, tal como era transmitido na SIC nos idos de 1994...

 

16.04.21

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

E hoje falamos daquele que é, senão o mais marcante, pelo menos um dos mais marcantes filmes dos anos 90 para todos aqueles que tinham idade suficiente para o ver: o glorioso e inesquecível ‘Parque Jurássico’.

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Lançado em 1993, mas chegado a Portugal com alguns meses de atraso, este filme trazia a chancela, por um lado, de Steven Spielberg – O realizador por excelência de filmes ‘de família’ nos anos 80 e 90 – e, por outro, da Industrial Light and Magic, a lendária companhia de efeitos especiais de George Lucas, que se encarregava dos efeitos e criaturas do filme.

A junção destes dois gigantes da indústria de ‘blockbusters’ para todas as idades só podia mesmo resultar num clássico do género, e foi sem dúvida nisso que ‘Parque Jurássico’ se tornou, cativando crianças e adolescentes um pouco por todo o Mundo, e lançando – ou relançando – o interesse das mesmas nesses seres misteriosos e majestosos chamados dinossauros.

Portugal não foi, é claro, excepção, e naquele ano de 1994 era difícil encontrar uma criança, especialmente do sexo masculino, que não tivesse pelo menos um dinossauro de borracha no quarto. A maioria, além dos brinquedos, tinha também livros explicando a vida destes seres – em maior ou menor detalhe – além de outros objetos alusivos ou à pré-história, ou pelo menos ao filme de Spielberg. O sucesso da temática pré-histórica entre as crianças portuguesas já não era novidade à época – o Museu Nacional de História Natural já tivera enorme sucesso com a sua exposição sobre dinossauros no início da década – mas ‘Parque Jurássico’ veio contribuir para que mesmo quem não tinha qualquer interesse nesse tipo de assunto tentasse descobrir o máximo possível sobre a verdadeira existência das criaturas retratadas no filme.

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Quem era da idade certa e não tinha pelo menos um destes em 1994, que se acuse...

A razão de tal sucesso é fácil de compreender; o filme combina um argumento inteligente ‘para todas as idades’ (cheio de ação e aventura mas com o cuidado de criar personagens memoráveis para alicerçar os momentos mais excitantes) com efeitos especiais que continuam a ser impressionantes quase trinta anos depois, criando uma fórmula vencedora e única que tanto a ‘concorrência’ como os próprios Spielberg e Lucas nunca mais conseguiriam repetir. Certos momentos do filme (como o primeiro contato da equipa de cientistas com um dos dinossauros recriados, a famosa cena com o T-Rex, na floresta, ou a igualmente célebre cena com as duas crianças na cozinha) eram extremamente eficazes em evocar as emoções corretas por parte do público-alvo, fossem elas de fascínio ou de medo – sendo este, aliás, um dos pontos mais fortes de Spielberg como realizador. Os seus filmes tendem a colocar o espectador ‘ali mesmo’, com os personagens, a sentir o que eles sentem – e, nesse aspeto, ‘Parque Jurássico’ não é, definitivamente, exceção. Em suma, o filme merece não só o sucesso de que gozou à época, mas também o estatuto de clássico que adquiriu desde então, continuando a constituir uma excelente escolha para uma tarde de cinema em família.

Com todo o burburinho que causou, e lucro de bilheteira que obteve, não foi de todo de admirar que ‘Parque Jurássico’ fosse alvo de uma sequela ainda na mesma década.

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Lançado nos cinemas quatro anos depois do original, em 1997, ‘O Mundo Perdido’ baseava-se, tal como o original, num romance de Michael Crichton, ele próprio uma sequela do livro em que o primeiro filme se baseara. Infelizmente, tanto o livro como o filme ficaram muito aquém dos seus antecessores, não tendo conseguido causar a mesma sensação do original – talvez por a fórmula já estar gasta, ou talvez por o público que aderira em massa ao filme de 1993-94 ser agora alguns anos mais velho, e ter já ultrapassado a ‘fase’ dos dinossauros.

Apesar deste revés, o ‘franchise’ teria ainda ‘pernas’ suficientes para se esticar a uma segunda (e discretíssima) sequela, já no novo milénio - o estúpido-mas-divertido ‘Parque Jurássico 3’, lançado em 2001, já muito longe do orçamento de produção e ‘glamour’ mediático do primeiro filme da série.

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Ainda assim, o terceiro episódio vale a pena para os fãs do original, já que introduz um novo dinossauro, o estupidamente ‘cool’ Spinosaurus – isto para além de não ser, de todo, um mau filme de aventuras para toda a família, tendo herdado pelo menos essa característica do seu antecessor.

Apesar deste último esforço, no entanto, o ‘franchise’ ‘Parque Jurássico’ ficar-se-ia mesmo por aí…pelo menos até 2015, ano em que – em plena febre dos ‘reboots’ – também esta série seria alvo de um ‘novo início’, com Tom Hardy no papel principal que, em tempos, fora de Sam Neill.

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Agora com o título de ‘Mundo Jurássico’ – porque um ‘remake’ tem sempre de ser maior e mais ambicioso – o filme centrava-se no parque zoológico do mesmo nome, construído no local do parque original, e que também não conseguia evitar alguns dos problemas que assolaram o mesmo – nomeadamente a tendência que criaturas de vários metros de altura e dentes aguçados têm para perseguir visitantes indefesos… Divertido ‘sem mais’, o filme foi no entanto um êxito de bilheteira, dando azo (até agora) a pelo menos uma sequela, que - como já havia sido o caso com ‘O Mundo Perdido’ – foi bastante menos bem recebida que o original.

Nenhum destes filmes, no entanto, consegue superar o original, que continua a afirmar-se como o expoente máximo da franquia, vinte e sete anos após o seu lançamento em Portugal ter tornado toda uma geração de ‘putos’ em maníacos dos dinossauros. E vocês? Contavam-se entre eles? Que pensavam do filme? Deste lado, éramos definitivamente fãs, daqueles que tinham um cesto cheio de replicas de borracha das diferentes espécies, e ‘devoravam’ tudo quanto fossem livros sobre o assunto. Também era o caso convosco? Partilhem as vossas opiniões nos comentários! Entretanto, fiquem com o tema clássico de John Williams, para vos ajudar a reavivar as memórias...

DO-DO-DOOO-DOO-DOO! DO-DO-DOOO-DO-DOO! DO-DO-DOO-DOO!

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