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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.02.24

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

No passado Domingo, abordámos neste espaço os Micro Machines, uma de duas linhas de carros em extra-miniatura a conquistar o coração das crianças e jovens da geração 'millennial' (a outra terá aqui, paulatinamente, os seus quinze minutos). Nessa ocasião, não deixámos de salientar o facto de a referida linha ter dado azo a uma série de videojogos que, além do esperado sucesso imediato, conseguiram a 'façanha' de transcender a sua licença e perdurar, até hoje, nas memórias (e consolas antigas) dos 'gamers' daquela altura. Nada melhor, pois, do que dedicarmos esta Terça Tecnológica a relembrar os vários títulos que permitiram à gama da Galoob/Concentra (e, mais tarde, Hasbro) sobreviver para lá do seu tempo nas prateleiras do supermercado, hipermercado ou loja de brinquedos mais próxima.

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O primeiro destes, que levava o mesmo nome da própria licença, saía logo em 1991, para a Nintendo original, mas será mais lembrado pelas gerações 'X' e 'millennial' pelas suas versões em 16-bits (no PC, Super Nintendo e Mega Drive) e pela conversão monocromática para Game Boy, lançadas entre 1993 e 1995.

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Exemplo da jogabilidade da versão para Mega Drive.

Em qualquer destas variantes, a premissa era a mesma, que viria a orientar todos os restantes títulos da franquia: um jogo de corridas visto de cima, à maneira de um 'RC Pro Am' ou 'Ivan Ironman Stewart's Super Off-Road, mas com uma dose extra de personalidade, reflectida tanto no conceito das pistas (ambientadas em diferentes partes da casa, como a mesa de jantar ou o balcão da cozinha) como na criação de personagens para conduzirem as miniaturas, cada uma com um 'visual' bem distinto e a condizer com o seu carro. O sucesso foi imediato, e em qualquer dos sistemas 'Micro Machines' gozou de volumes de vendas bastante saudáveis, sendo a versão para a Nintendo original ainda hoje considerada clássica.

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Não é, pois, de espantar que, logo em 1994, surgisse no mercado uma sequela, 'Micro Machines 2: Turbo Tournament'. E o mínimo que se pode dizer é que os programadores da Codemasters seguiram à risca a regra de qualquer boa sequela, oferecendo 'mais do mesmo', mas em versão alargada e melhorada: o leque de veículos estende-se agora, também, a aeronaves e barcos - cada um dos quais com pistas próprias e adequadas à sua utilização – e o 'naipe' de personagens do original volta a marcar presença, agora acrescido de uma 'caricatura' da jornalista e crítica de videojogos, Violet Berlin.

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'Micro Machines 2' na Mega Drive.

Como se não bastasse, no entanto, a companhia fez questão de oferecer ainda alguns atractivos adicionais, com a versão para Mega Drive a ser lançada com um adaptador especial para jogos em conjunto, e a de PC a contar com um editor integrado, que permitia aos jogadores criarem novos veículos ou pistas – uma opção tão popular que foi integrada em 'Turbo Tournament '96', uma espécie de 'actualização' lançada para a Mega Drive no ano em questão. O sucesso, esse, voltou a ser considerável, com as novas adições a 'caírem no gosto' dos jogadores, pesassem embora as semelhanças com o original.

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'Turbo Tournament '96' era lançado em exclusivo para Mega Drive.

Ainda antes do fim do ciclo de vida das consolas 16-bit, é lançado 'Micro Machines Military', um exclusivo para Mega Drive que, como o nome indica, adaptava o conceito do jogo a um ambiente militar, com tanques e pistas no deserto; os adeptos de outras consolas teriam, no entanto, de esperar até ao ano seguinte, já na era 32-bits, para voltarem a conduzir as populares miniaturas, agora num contexto poligonal, ainda que não exactamente tri-dimensional.

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'Micro Machines V3' saía em 1997 para a PlayStation original, e nos três anos seguintes para PC, Nintendo 64 (onde se chamou 'Micro Machines 64 Turbo') e Game Boy Color, respectivamente. Em qualquer dos casos, a proposta era a mesma de sempre, mas em ambientes 3D – excepto, claro, no Game Boy Color, onde se aproximava mais da dos dois primeiros jogos.

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A mesma jogabilidade, agora em pseudo-3D.

E se esses haviam feito sucesso no seu tempo, 'V3' mostrou-se ainda mais bem-sucedido e influente, atingindo rapidamente o prestigiado estatuto de platina na PlayStation, vendendo bem apesar de críticas menos unânimes do que as dos seus antecessores, e sendo ainda hoje considerado como a versão 'definitiva' dos jogos da franquia.

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Tendo em conta este sucesso, é nada menos que surpreendente que o jogo seguinte, 'Micro Maniacs' – lançado já nos primeiros meses do Novo Milénio - troque os carrinhos em miniatura por corridas a pé. Ainda que significativa, no entanto, esta mudança não foi, ainda assim, suficientes para fazer os 'gamers' da época virar as costas àquilo que era, essencialmente, uma variação (ou semi-sequela) de 'V3', a qual, apesar de menos lembrada do que os seus antecessores, é, ainda assim, um dos jogos mais bem-cotados da fase final da vida da PlayStation original.

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Em 'Micro Maniacs', os participantes percorrem as pistas a pé, mas a fórmula mantém-se, no restante, inalterada.

O mesmo, no entanto, não se pode dizer do título seguinte, uma tentativa falhada de 'reboot' para a era 128-bit que passou despercebida no mercado da altura. Assim, caberia ao título seguinte, lançado em 2006 e sugestivamente intitulado 'Micro Machines V4', recuperar a reputação da franquia, uma missão que viria a completar com sucesso, relembrando os adeptos de videojogos da razão para o sucesso da mesma, e mantendo-os ocupados com as suas vinte e cinco pistas e mais de sete centenas e meia de veículos – um número inimaginável aquando do lançamento original de 1991, com os seus oito ou dez carros seleccionáveis!

Após 'V4', no entanto, a série entraria no mesmo hiato da própria gama Micro Machines, e passar-se-ia mais de uma década até que aparecesse novo jogo – até hoje o último da franquia - intitulado 'Micro Machines World Series' e lançado no Verão de 2017 para os PCs e consolas da época. E se o sucesso de vendas, e relativo sucesso crítico, deste título servir de indicação, será seguro afirmar que o legado dos mini-carros no mundo virtual está assegurado, e que também a Geração Z terá a oportunidade de descobrir o que fez os seus pais apaixonar-se pela representação destas miniaturas em formato digital e interactivo, quando tinham a mesma idade...

24.01.24

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Na última Quarta de Quase Tudo, recordámos a colecção de livros do Jovem Indiana Jones publicada pela Europa-América algures nos anos 90. A associação da editora ao herói criado por Steven Spielberg e George Lucas não se ficou, no entanto, apenas por essa colecção, antes pelo contrário; além da série de histórias com 'Indy' como aventureiro, o catálogo da Europa-América incluía também uma trilogia de livros em que o protagonista aparecia já adulto, tal como os fãs o conheciam da 'outra' trilogia que ancorava, a cinematográfica. Nada mais justo, portanto, do que utilizarmos a rubrica desta semana para nos debruçarmos sobre esse trio de tomos, e concluirmos assim a nossa exploração da bibliografia de Indiana Jones em Portugal.

Presença assídua nas prateleiras de livros das lojas dos 'trezentos', tal como a sua série-irmã – ou não fosse a editora de ambos sinónima com o abastecimento literário de tais estabelecimentos – a referida trilogia de aventuras, assinada por Rob MacGregor e editada em Portugal entre 1989 e 1992, tem, desde logo, a particularidade de não coincidir com a sua congénere cinematográfica. Isto porque, apesar de os dois primeiros tomos serem novelizações dos dois primeiros filmes da saga, o terceiro desvia-se desse padrão, apresentando uma aventura original, 'Indiana Jones e os Perigos em Delfos', no lugar do que deveria ter sido a adaptação em livro de 'Indiana Jones e o Templo Perdido'.

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O terceiro volume da série apresentava uma aventura original, ambientada em Delfos, na Grécia.

As razões para esta escolha são, infelizmente, muito pouco claras, sendo ainda hoje incerto se a referida novelização alguma vez existiu, não tendo simplesmente sido traduzida para Português, ou se existem outras aventuras inéditas nas mesmas condições – até mesmo o 'site' da Livraria Bertrand lista só e apenas estes três volumes como parte da colecção. Assim, iremos tomar a liberdade de considerar esta colecção uma trilogia, com uma inexplicável mudança de rumo no último volume.

Em termos do conteúdo em si, qualquer dos três volumes assinados por MacGregor oferece precisamente aquilo que se poderia esperar de uma publicação da Europa-América deste período: literatura fácil, destinada a um público jovem, e tornada mais difícil e morosa de absorver pelo tipo de tradução quase propositadamente complexa que pautava os títulos de ficção científica e aventura da editora na época em causa. Quem conseguir ultrapassar esse factor, e tiver os dois filmes adaptados como parte da colecção, irá, certamente, apreciar a forma como os seus enredos e cenas-chave foram transpostos para a página, e ainda mais a existência de uma aventura original na qual se embrenhar; no entanto, esta pecha – comum à maioria dos títulos 'menores' da editora – poderá mesmo ser difícil de ultrapassar para leitores cujo grau de exigência é mais alto, mesmo para com títulos 'fáceis' como estes.

Ainda assim, e apesar desta 'pecha' em comum com tantos outros títulos da editora, é de crer que os três livros de Indiana Jones da Europa-América terão chegado a um número suficiente de crianças e jovens portugueses de finais do século XX e inícios do seguinte para justificarem um lugar nas memórias nostálgicas preservadas por este blog, e das quais o aventureiro de Spielberg e Lucas já faz, definitivamente, parte integrante...

04.12.23

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Os 'animes' baseados em obras clássicas da literatura mundial eram, nos anos 80 e 90, um filão bastante rico e rentável para as companhias de animação japonesas, sobretudo por servirem de 'porta de entrada' do estilo num mercado ocidental muito mais disposto a receber e acolher algo familiar e 'conhecido' do que uma qualquer 'bizarrice' com superpoderes, mundos futuristas, armas 'laser' e naves espaciais.

Assim, não foi de surpreender que, num espaço de menos de vinte anos, a televisão portuguesa tenha exibido duas mãos-cheias de programas deste tipo (normalmente com as versões francesa ou italiana como base) entre os clássicos 'Heidi', 'Marco', 'Nils Holgersson' e 'Tom Sawyer', ainda na década de 80, e a segunda leva de exemplos na década seguinte, de alguns dos quais já aqui falámos. Ainda antes de a trilogia da TVI ('Zorro', 'Cinderela' e 'Robin dos Bosques') ter reavivado o interesse neste tipo de sub-produto da animação japonesa, no entanto, já a SIC tinha deixado, ela própria, a sua marca dentro do estilo, com a exibição, logo nos seu primeiros meses de vida, do 'anime' baseado n''O Livro da Selva', de Rudyard Kipling.

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Originalmente produzido três anos antes, no habitual esquema de co-produção com cadeias italianas que também daria vida às séries acima citadas, 'Jungle Book: Shonen Mowgli' segue uma estrutura narrativa algures entre a duologia de livros original e a versão altamente simplificada produzida pelos estúdios Disney nos anos 60, com natural ênfase nesta última. Trata-se, pois, da bem conhecida história do menino indiano criado por lobos, instruído por um urso e uma pantera-negra, e activamente caçado por um vingativo tigre, do qual os animais seus amigos o devem proteger – uma narrativa que joga, precisamente, com o factor de familiaridade que quase garantia o sucesso de uma animação junto do público ocidental. Sim Mowgli, Bagheera, Baloo, Shere Khan e Akela surgem, aqui, com os traços dinâmicos e 'olhos grandes' típicos da animação japonesa, mas no restante, a série oferece precisamente o esperado, tornando-a aposta segura para quem apenas quer passar meia hora diária na companhia de personagens familiares e bem amados.

Ainda assim, aquando da sua exibição em Portugal – em versão dobrada, algures em 1992 – a série passou algo despercebida, o que não deixa de ser estranho, considerando o sucesso de que os referidos 'Heidi', 'Marco' e 'Tom Sawyer' haviam gozado meia década antes, e que os 'animes' da TVI viriam também a almejar, meia década depois. Entre estas duas 'levas' de adaptações animadas de clássicos da literatura, este 'Livro da Selva' em 'versão japonesa' acabou por se encontrar algo isolado, o que - em conjunção com o facto de a SIC ser, ainda, uma emissora embrionária, com pouca expressão e ainda em busca da sua audiência quando transmitiu a série - poderá ter contribuído para que não seja, hoje em dia, tão lembrado quanto os seus congéneres. Ainda assim, e tendo já abordado a maioria dos ditos-cujos, não poderíamos deixar passar em branco as aventuras de Mowgli, o menino-lobo, que não deixarão, decerto, de ter marcado as manhãs ou tardes livres de muitas crianças portuguesas da época – ainda que, deste lado, não tenha sido o caso...

29.10.23

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Já aqui por várias vezes abordámos os jogos de tabuleiro, uma das melhores maneiras de passar uma tarde de fim-de-semana em família, ou com amigos; e embora a grande maioria dos mesmos apresentasse parâmetros e mecânicas muito semelhantes, um grupo mais restrito tentava inovar, e ampliar o seu conceito para lá dos habituais dados, peças multi-coloridas e 'casas' para atravessar até ao objectivo final. Estes esforços de diferenciação assumiam várias formas, desde obstáculos mecanizados até alterações no próprio formato do tabuleiro de jogo ou nas mecânicas subjacentes à vitória, passando por uma abordagem híbrida, que juntava à premissa básica das casas, dados e peças elementos complementares, que ajudavam a diversificar a experiência de jogo. Destes, talvez os mais famosos tenham sido o Pictionary, Monopólio e Trivial Pursuit, mas, em 1992, a MB apresentava um forte (e, à época, mais do que relevante) candidato à inclusão nesta lista.

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Falamos do jogo de tabuleiro da Euro Disneyland (não confundir com 'Disneylândia', a imitação de Monopólio com personagens Disney lançado na década anterior), uma preciosidade hoje surpreendentemente esquecida, especialmente dada a sua proposta absolutamente irrecusável para qualquer criança da época: atravessar a hoje chamada Disneyland Paris, recolhendo lembranças (que 'serviam' às peças de jogo, cada uma das quais representava uma família de visita ao parque) e competindo numa série de provas de habilidade baseadas nas suas principais atracções.

Para este fim, o jogo inclui, além do tabuleiro e peças, uma série de estruturas representativas de cada uma das áreas do parque, do inevitável castelo encantado ao foguetão da área espacial, a mina de Big Thunder Mountain ou o labirinto do País das Maravilhas – aqui com três Alices, de diferentes tamanhos. Era, até, possível fazer o percurso de comboio, havendo mesmo um 'trilho' especial no tabuleiro para esse efeito, percorrido por um modelo à escala da verdadeira locomotiva, e que permitia dar a 'volta' ao tabuleiro em metade do tempo, dado cada 'passo' do comboio equivaler a dois das famílias a pé! Um nível de detalhe verdadeiramente alucinante, e capaz de deixar qualquer jovem da época 'de olhos em bico', e com vontade de juntar o jogo em causa ao seu lote de 'tesouros' – até porque, mesmo quando não estava a ser utilizado, o tabuleiro 'fazia um vistão' simplesmente montado numa qualquer mesa, cómoda ou outra superfície.

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O tabuleiro montado, em toda a sua glória.

Como é evidente, um produto deste tipo está altamente dependente do factor temporal, tornando-se algo menos atractivo e cobiçado depois de o interesse no evento ou local que representa começar a esmorecer; no caso do jogo da Eurodisney, no entanto, o conceito era suficientemente cuidado e variado para oferecer razões para tirar a caixa da prateleira muito depois de passada a 'excitação' inicial sobre o novo parque. De facto, mesmo nos dias de hoje (mais de três décadas após o seu lançamento) o produto em causa continua a ser suficientemente chamativo para juntar em volta da mesa quem o jogou em criança e quem tem agora essa mesma idade, e quer perceber a razão para a abertura de um parque em França ter causado uma 'vaga' de entusiasmo um pouco por toda a Europa – bastando, para tal, pousar os olhos sobre o tabuleiro desta relíquia injustamente Esquecida Pela Net.

25.10.23

NOTA: Este post foi sugerido pelo leitor Pedro Serra, a quem também devemos as fotos que acompanham o texto. Obrigado, Pedro!

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já é situação recorrente nesta rubrica falar da hegemonia que a Abril Jovem (mais tarde Abril/Controljornal) detinha sobre o mercado de 'livros aos quadradinhos' nacional, e a oportunidade que essa posição lhe oferecia para levar a cabo 'experiências' sem grandes consequências em caso de 'falhanço', já que até as piores de entre as suas revistas da Disney, DC e Marvel tinham volume de vendas garantido. Ainda assim, e apesar dessa total falta de necessidade de apostar em estratégias de 'marketing' e publicidade, a editora não se mostrava, de todo, aversa a esse tipo de medida, como bem o comprova a série de livros que examinamos nesta Quarta aos Quadradinhos.

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Três dos quatro livros da colecção, parte do acervo pessoal do Pedro Serra.

Lançada algures durante o ano de 1992, esta série de quatro edições especiais da colecção 'As Melhores Histórias Disney' trazia como principal diferencial o facto de as referidas melhores histórias serem (alegadamente) escolhidas a dedo por celebridades de 'primeira linha' na vivência infanto-juvenil da altura, com José Jorge Duarte (por essa altura já no auge da sua fase como apresentador de concursos infantis, mas ainda apresentado sob o nome da personagem com a qual se celebrizara, 'Lecas') à cabeça. Além do 'ídolo' infantil, marcavam presença nas capas destes livros Herman José e Maria Vieira (também em alta após o sucesso de 'Hermanias', no fim-de-ano anterior, além da sempre popular 'Roda da Sorte') e ainda Marco Paulo, que muitas crianças conheciam (e ouviam) por intermédio dos pais. Cada livro vinha, mesmo, acompanhado de um frontispício supostamente escrito (e definitivamente assinado) pela própria personalidade, e que exaltava o contributo da mesma para o seu conteúdo – o qual, de outra forma, pouco se distinguia de um número perfeitamente 'normal' da colecção.

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O frontispício de uma das edições.

E a verdade é que, apesar de, aos olhos dos adultos que entretanto nos tornámos, esta jogada de 'marketing' ser transparente ao ponto de parecer um pouco desesperada, a mesma resultou em cheio junto das crianças que então éramos – lá por casa, por exemplo, existia com cem por cento de certeza o número do 'Lecas' – rendendo à Abril ainda mais um triunfo a juntar à sua já invejável lista naqueles inícios da década de 90. Prova de que, mesmo não sendo necessária, uma boa estratégia de 'marketing' e publicidade nunca cai mal, e rende sempre pelo menos alguns dividendos; aliás, se a mesma estratégia fosse repetida, hoje em dia, com Cristiano Ronaldo ou algum influenciador do Instagram no lugar das celebridades noventistas, talvez se verificasse um renascer (ainda que temporário) do interesse dos jovens por este tipo de banda desenhada...

16.10.23

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Todas as cenas musicais as têm: aquelas bandas que ficam juntas durante pouco tempo, lançam talvez um ou dois álbuns, sem nunca almejar grande sucesso, mas adquirem um estatuto de culto que as faz permanecer relevantes entre os círculos de melómanos mais 'curiosos' durante várias décadas. O movimento pop-rock português não é excepção nesse aspecto, como bem demonstra o grupo que abordamos nesta Segunda de Sucessos, cujo único álbum continua a ser uma das grandes 'curiosidades' do estilo, tal como era praticado em Portugal na primeira metade dos anos 90.

Formados em Chaves no final da década anterior, o projecto conhecido como Adamastor começou por apostar numa sonoridade mais pesada, com letras em Inglês, que chegou a render uma 'demo' com dois originais e uma versão de Thin Lizzy; no entanto, a entrada do vocalista e compositor Artur Órfão mudou o idioma para Português e o som para um registo mais voltado para o pop-rock radiofónico, já com muito pouco a ver com o hard rock tradicional e conservador da maqueta.

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Capa e contracapa do único álbum da banda.

De facto, o que se ouve no primeiro e único longa-duração da banda, editado em 1992 pela incongruente Espacial, rainha dos discos de 'pimba' de tabacaria ou estação de serviço (ao lado dos quais este disco muita vezes figura) está mais próximo de uns GNR do que das referências 'metálicas' nortenhas da época, como Xeque-Mate ou Tarantula, com músicas conduzidas, sobretudo, pela guitarra semi-acústica dedilhada - raramente se ouve um 'riff' electrificado na dúzia de temas que compõem o disco - pela percussão simples e compassada, tipicamente pop-rock, e pela voz dramática e meio declamada de Órfão, que traz muitos ecos de Rui Reininho, bem como uma pitada de Xico Soares (dos referidos Xeque-Mate), ainda que com mais talento e técnica do que este último. Uma fórmula que até poderia resultar, não fora a péssima produção (praticamente só se ouvem os três instrumentos atrás citados) e a desinspiração das composições de Órfão, que parece só saber escrever um único tipo de música, mudando apenas a letra e os arranjos. Aliado à dificuldade em ouvir as 'nuances' de cada tema, derivada da pobre produção, este factor faz com que o disco soe como um 'bolo' uniforme de música, sem que haja um único refrão memorável ou arranjo diferenciado que ajude qualquer das composições a destacar-se, o que torna a audição do disco algo penosa e retira a apetência para dar a habitual segunda ou terceira oportunidade a estes doze temas.

Assim, e dado o relativo insucesso do álbum, não é de surpreender que os Adamastor pouco mais tenham durado após a gravação do mesmo; com material mal produzido, aborrecido e parcamente promovido por uma editora totalmente errada, a banda estava condenada ao falhanço, e o principal contributo da mesma para a cena musical nacional continua, até aos dias de hoje, a ser a revelação do baterista Rui Danin, que viria posteriormente a fundar os Web – estes sim, uma banda de metal – e a colaborar com grupos tanto estabelecidos como emergentes da cena, como os supramencionados Tarantula (ídolos do metal nortenho), os Pitch Black, os Hyubris ou os ThanatoSchizo. Quanto ao único registo da sua primeira banda, certamente será encarado, hoje em dia, como um 'desvario' de juventude, cujo estatuto de culto se deve apenas ao seu relativo desconhecimento e raridade, e à presença de Danin entre os músicos participantes – uma situação que, face ao material apresentado, acaba até por ser algo lisonjeira...

A banda chegou a reunir-se em 2018, para tocar num evento local.

20.07.23

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O advento da Internet veio ajudar a preservar para sempre, em formato digital, informação sobre a esmagadora maioria dos tópicos alguma vez existentes, desde pessoas e acontecimentos a espécies de flora e fauna e, claro, produtos ou criações mediáticas. Mesmo com o avassalador volume de factos compilados por essa Internet fora, no entanto, o registo não é cem por cento perfeito, e, por vezes, sucede haver um qualquer tópico relativamente ao qual não existe na 'rede' qualquer tipo de informação; normalmente, trata-se de algo de índole mais obscura, mas há também registos, neste mesmo blog, de tal fenómeno ter ocorrido com algo tão inócuo como sumos infantis, iogurtes líquidos, pastas de dentes ou mesmo revistas de banda desenhada, que parecem ter sido sumariamente Esquecidos Pela Net, não sendo possível encontrar mais do que uma ou outra imagem, normalmente oriunda de listagens de vendas em sites como o OLX.

O tópico desta visita ao Quiosque insere-se nesse mesmo grupo, vindo a única prova da sua existência de dois 'listings' do OLX diferentes, os quais partilham, inclusivamente, um número em comum. Trata-se da revista 'Basquetebol', uma publicação especializada aparentemente disponível em inícios dos anos 90 (os números retratados datam de 1992) e que, pelas fotos e 'chamadas' de capa disponiveis, parecia abordar tanto a sempre popular NBA quanto a histórica liga profissional portuguesa, à época impulsionada por nomes como Carlos Lisboa.

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Os quatro únicos números conhecidos da revista (fonte da imagem: OLX.)

De facto, os poucos números que sobreviveram ao teste do tempo dedicam igual espaço de capa a destaques sobre os Jogos Olímpicos daquele ano (onde brilhava, fulgurante, a melhor equipa de basket de todos os tempos, 'movida' pelo génio de um jovem Michael Jordan, ainda longe de contracenar com Bugs Bunny) e à fase de qualificação realizada pela selecção de cadetes portuguesa, ou ainda a equipas como o Estrelas da Avenida, Benfica, Illiabum ou Santarém, apelando assim tanto a fãs das equipas mais conhecidas como aos verdadeiros aficionados e seguidores da 'cena' nacional.

Como curiosidade, o facto de os desportistas retratados nas fotos de capa serem, ainda, jogadores mais 'antigos', como Wilt Chamberlain ou 'Magic' Johnson – algo que pode parecer estranho a um 'puto' de finais dos 90, mais habituado a ver as caras de Jordan, Pippen, Rodman, Shaq ou Charles Barkley nesse tipo de contexto, mas que faz todo o sentido, tendo em conta que esta revista foi publicada quase meia década antes do 'período áureo' desses nomes. Chamberlain, Johnson ou James Worthy (capa do número 3) eram as grandes estrelas da altura, e a sua presença nestas capas (bem como, suspeita-se, nos 'posters' oferecidos no interior de cada edição) terá, certamente, surtido tanto efeito quanto a imagem de Jordan numa publicação semelhante meia dúzia de anos depois.

A falta de mais registos impede, no entanto, quaisquer ilações factuais quanto ao volume de vendas ou sucesso da revista em causa, ou ainda em relação às razões para o seu término, que parece ter-se dado, no máximo, no ano seguinte, 1993. Se, no entanto, tiver havido entre a nossa 'base' de leitores algum assinante ou comprador assíduo da revista, quaisquer informações adicionais serão extremamente bem vindas; até lá, aqui fica a informação possível sobre mais um produto noventista a arquivar na 'gaveta' dos 'Esquecidos Pela Net'...

10.07.23

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Todo e qualquer período temporal contemporâneo é definido – entre outros factores – por um número mais ou menos restrito de composições musicais, cuja audição é, a qualquer momento, suficiente para transportar o ouvinte para determinada altura da História, seja da sua pessoal, seja da mais vasta e global; e, para grande parte das gerações 'X' e 'Millennial' portuguesas, uma dessas músicas envolve uma vocalista de voz rouca a perguntar repetidamente o que se passa.

Sim, essa mesmo – 'What's Up?', das 4 Non Blondes, um grupo de três 'senhoras' e um 'cavalheiro' (nenhum dos quais, como o nome indicava, de cabelo sequer remotamente loiro) praticante de pop-rock 'com guitarras' e levemente alternativo, e que, na transição do ano de 1992 para 1993, produziria uma das músicas mais icónicas, reconhecíveis e bem-sucedidas de toda a década, que ajudaria a catapultar as vendas do seu único álbum, lançado na Primavera anterior. E ainda que rotular a banda de 'one-hit wonder' seja algo injusto – o outro 'single' do álbum, 'Spaceman', conheceu também, à época, algum sucesso – é inegável que a balada em causa constitui mesmo o principal legado de um colectivo que, em termos discográficos, não resistiria à passagem para a segunda metade da década de 90.

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A formação clássica do grupo.

Ainda assim, nos dois anos em que brilhou intensamente nos 'tops' mundiais, a banda comandada pela carismática Linda Perry – e que contava ainda com Christa Hillhouse, Shaunna Hall, e com o baterista luso-descendente Roger Rocha, único representante masculino no grupo, que substituiu Dawn Richardson já depois de terminadas as gravações – conseguiu conquistar o apoio do público LGBT, passar mais de um ano ininterrupto no mais famoso 'top' musical do Mundo (a tabela da Billboard norte-americana) e vender mais de um milhão e meio de cópias do seu único álbum de estúdio.

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O único álbum do grupo, de onde saíram os sucessos 'What's Up?' e 'Spaceman'.

À entrada para o ano de 1994, tudo parecia correr de feição ao grupo californiano, que lançava um álbum ao vivo, gravado em Itália, e contribuía com faixas para bandas-sonoras de filmes de grande orçamento (a segunda parte de 'Quanto Mais Idiota Melhor' e o muito semelhante 'Cabeças de Vento', com Adam Sandler, Brendan Fraser e Steve Buscemi) e para tributos aos Carpenters e aos Led Zeppelin – dois grupos que ilustravam bem a panóplia de influências da banda.

Mas como tudo o que é bom chega, inevitavelmente, ao fim, ainda nesse mesmo ano, dá-se o choque: Linda Perry deixa o grupo de que se tornara imagem de marca. Sem qualquer desejo (nem hipótese) de substituir tão carismática figura, e tão inimitável voz, resta apenas ao grupo separar-se, pondo final a uma trajectória que nem chegaria a durar meia década, mas que deixaria pelo menos um marco incontornável na História do pop-rock radiofónico de finais do século XX – isto, claro, como grupo, já que Perry contribuiria, na qualidade de co-autora e produtora, para colocar muitas mais faixas históricas e memoráveis nos 'tops' mundiais, interpretadas por nomes como Pink, Christina Aguilera, Alicia Keys, Gwen Stefani, Courtney Love ou Kelly Osbourne.

Ao contrário do que sucede com tantas outras bandas, as 4 Non Blondes não se voltariam a reunir, excepção feita a um concerto de beneficência em prol do centro de acolhimento para jovens LGBT, em Maio de 2014, e à participação de Hillhouse e Hall na 'tournée' a solo de Linda Perry. Assim, o quarteto de 'não-loiros' acaba, voluntariamente, por se afirmar como um grupo 'do seu tempo', e que provavelmente teria tido menos espaço e impacto após o 'boom' do pop-rock alternativo e melancólico, na segunda metade dos anos 90. Ainda assim, para um colectivo com tão curto tempo de vida, as 4 Non Blondes conseguiram assegurar que o seu nome fosse lembrado por pelo menos duas gerações de melómanos ao redor do Mundo, Portugal incluído – e fizeram-no através de uma frase tão simples quanto 'I said hey, what's going on?'

02.07.23

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 01 de Julho de 2023.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

Qualquer português que se tenha inserido numa determinada faixa demográfica em inícios dos anos 90 se recorda da 'Dinomania', termo que designa a súbita apetência por todo e qualquer produto relacionado a dinossauros motivada pela estreia do filme 'Parque Jurássico', em finais de 1993. No entanto, seria erróneo declarar o filme de Spielberg como único catalizador desta 'febre', já que, à altura da estreia do mesmo por terras lusitanas, os dinossauros eram já parte integrante do imaginário infantil; aliás, parte do sucesso inicial de 'Parque Jurássico' deve-se, precisamente, ao facto de os gigantes pré-históricos figurarem já na lista de interesses de um número considerável de crianças e jovens.

Parte desse interesse havia, pelo menos para quem residia na região de Lisboa, sido despoletado por uma exposição temática instalada no Museu de História Natural, na zona do Rato, entre os anos de 1992 e 1993. De facto, mais do que 'Parque Jurássico', seria este o verdadeiro primeiro contacto de muitos jovens lisboetas com os mais famosos animais pré-históricos, e logo de forma mais do que impactante para o público-alvo: através de réplicas robotizadas e cientificamente correctas (pelo menos pelos padrões da época) de alguns dos mais populares sáurios, da 'boa mãe' Maiasaura aos 'cabeçudos' Pachycephalosaurus, passando, como não podia deixar de ser, pelos 'famosos' Triceratops, Brontossauro, Estegossauro, Velociraptor e, claro, a 'estrela da companhia', o imponente Tiranossauro - tudo nomes que o 'puto' médio português da época sabia pronunciar correctamente e sem titubear. Todo e cada um destes répteis tinha direito ao seu próprio espaço, quase como se de um jardim zoológico se tratasse, e todos se erguiam vários metros acima do comum dos jovens portugueses, meneando-se e rugindo de forma suficientemente realista para suscitar reacções de assombro entre o público-alvo, Como se tal não fosse suficiente, a exposição apresentav,a, também, um modelo 'despido' do esqueleto robótico utilizado para dar 'vida' aos dinossauros que dela faziam parte, o qual se afirmava como quase tão fascinante como as próprias réplicas em que era inserido.

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O tiranossauro da exposição de 1993.

Escusado será dizer que esta exposição foi um sucesso, tendo sido visitada por escolas oriundas de todo o País, bem como por crianças e jovens em Saídas ao Sábado com a família – por aqui, por exemplo, visitou-se a mesma duas vezes, uma com a escola e outra a título particular, e o mesmo terá sido verdade para muitos outros membros da demografia-alvo. Também previsivelmente, a boa recepção desta primeira tentativa levaria, no ano seguinte, à inauguração de outra exposição temporária dedicada ao mesmo tema, e em tudo semelhante, no Jardim Zoológico de Lisboa. Novamente alicerçada em réplicas robóticas dos principais dinossauros, e incluída no bilhete diário para o Zoo, esta exposição poderia facilmente ser vista como oferecendo apenas 'mais do mesmo' – não fosse o facto de 'mais do mesmo' ser exactamente o que a demografia em causa, sedenta de informações sobre dinossauros, procurava. Junte-se a isso o 'timing' de abertura (ainda no auge da 'febre' com 'Parque Jurássico') e o resultado foi outro enorme sucesso, que motivaria mesmo o Zoo a acolher uma segunda exposição, logo em seguida, esta dedicada aos animais que sucederam aos dinossauros na linha temporal evolutiva.

A exposição do Zoo em destaque na RTP, à época da inauguração.

Seria de esperar que o declínio da 'Dinomania' viesse pôr fim a este tipo de exposições especificamente centradas sobre os dinossauros; no entanto, a verdade é que as mesmas continuam, periodicamente, a ter lugar, cotinuando os dinossauros a fazer, em grande medida, parte do imaginário infanto-juvenil - um dos poucos aspectos, aliás, que se mantém consistente ao longo de diferentes gerações. Mesmo em plena era de YouTube, TikTok, e conteúdos imediatos e descartáveis, há algo intangível e intemporal nos 'gigantes' pré-históricos que continua a apelar à imaginação das crianças e jovens actuais, tal como, há trinta anos, sucedeu com a geração dos seus pais....

16.06.23

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Na última edição desta rubrica, falámos de 'Eu, Tina', o filme biográfico sobre a diva da pop e soul noventista Tina Turner; nada mais adequado, portanto, do que dar, agora, atenção ao filme protagonizado pela sua principal rival (ou aprendiz, se preferirmos) e que se tornou um dos maiores sucessos dos anos de 1992 e 1993 um pouco por todo o Mundo, incluindo em Portugal.

Falamos de 'O Guarda-Costas', o drama romântico que colocava lado a lado Kevin Costner e Whitney Houston, e cuja banda-sonora, composta exclusivamente por músicas interpretadas por esta última, incluindo o mega-êxito 'I Will Always Love You', foi o disco mais vendido em Portugal há exactos trinta anos. E a verdade é que a oportunidade de ver e ouvir Whitney cantar alguns dos seus grandes 'hits' talvez tenha sido uma das razões para o sucesso de um filme que, de outro modo, se limita a seguir (ainda que competentemente) um dos guiões-padrão do estilo: aquele em que duas pessoas forçadas a colaborar num contexto profissional acabam por se apaixonar.

Neste caso, o par romântico é formado pela cantora de Houston, a típica diva mandona e de mau-humor, e pelo seu guarda-costas, interpretado por Kevin Costner, então numa 'mó de cima' que seria abruptamente terminada pelo fracasso de 'Waterworld', menos de dois anos depois. Apesar de nunca ter sido grande actor, Costner era (é) dotado de um carisma e de uma aura de 'pessoa normal' que o tornavam perfeito para filmes deste tipo, em que o objectivo era fazer com que o público simpatizasse com os personagens; e, a julgar pela receita de bilheteira deste mega-sucesso, a fórmula resultou em pleno nesta instância.

Outro ponto a favor de 'O Guarda-Costas', aos olhos do público da altura, talvez tenha sido o próprio género em que se inseria; os anos 90 foram uma época cinematograficamente propensa a romances de índole clássica (como bem o comprova o maior sucesso de bilheteira de toda a década, e um dos maiores de sempre, 'Titanic') e este filme constitui um exemplo acima da média dessa sub-categoria, pelo que não terá deixado de atrair a sua quota-parte de adolescentes românticas, casalinhos apaixonados, e espectadores mais velhos em busca de uma história em moldes clássicos – no fundo, a mesma audiência de outro clássico do início da década, 'Pretty Woman - Um Sonho de Mulher' (do qual também aqui, paulatinamente, falaremos).

Fossem quais fossem os motivos por detrás do seu sucesso, no entanto, a verdade é que 'O Guarda-Costas' se saldou mesmo como um dos filmes mais lucrativos de 1993, ajudando a projectar ainda mais a fama já considerável de Whitney Houston. Curiosamente, no entanto, esta primeira experiência não levou a mais papéis por parte da cantora, que se dedicaria sobretudo à música durante a sua restante carreira (do 'destino' de Costner, já falámos neste mesmo texto). Ainda assim, uma primeira 'aventura' com este grau de sucesso terá sido mais do que suficiente para satisfazer Whitney, já que ajudou a reforçar o facto de o seu nome ter suficiente poder de atracção para levar, por si só, milhões de espectadores ao cinema um pouco por todo o Mundo, incluindo em Portugal, e tornar o seu filme um dos maiores sucessos do período em que foi lançado. Nada mau, para um romance perfeitamente formulaico...

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