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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.09.21

Nota: Este post é respeitante a Domingo, 5 de Setembro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E depois de na primeira edição desta rubrica termos recordado ‘Aquela’ Equipa do Benfica de Souness, chega hoje a vez de nos debruçarmos sobre outro onze (ou antes, onzes) clássico(s) da década de 90: ‘Aquela(s)’ Equipa(s) de ‘sarrafeiros’ por que o Futebol Clube do Porto ficou conhecido no início da década.

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A primeira equipa do Porto da década, uma verdadeira 'colecção' de partidores de pernas alheias

Sim, antes de ser a ‘potência’ europeia do novo milénio, e mesmo antes de ter ido descobrir ao Brasil um homem-golo que viria a bater recordes de tentos na Liga Portuguesa, a principal equipa do Norte do país primava por um futebol…digamos, ‘físico’ e ‘de combate’, perpetrado por nomes como Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, João Pinto ou o ‘rei’ da ‘traulitada’, o eterno Paulinho Santos. Entre si, estes homens deixaram um impressionante ‘trilho’ de membros lesionados e ossos ‘amassados’ em campos ‘da bola’ de Norte a Sul do País, sendo esta a única característica pela qual o futebol do Porto da altura é lembrado hoje em dia.

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Paulinho Santos a fazer o que fazia melhor. Reparem onde está a bola...

Tal situação é, no entanto, algo injusta, ainda que não excessivamente; porque a verdade é que aquele Porto dos inícios de 90 contava, para além da sua ‘hit squad’ de ‘carniceiros’, com alguns excelentes jogadores, capazes de adicionar uma nota artística ao futebol ‘de guerrilha’ do emblema nortenho; nomes como Kostadinov, Madjer, Rui Jorge (a excepção à regra dos defesas portistas dos 90s, com os seus pés esclarecidos e elegantes) ou o goleador Domingos Paciência (sem esquecer o eterno guardião e lenda viva dos ‘Dragões’ chamado Vítor Baía) eram genuinamente ‘de outro campeonato’, e responsáveis os (poucos) motivos de interesse em jogos do Porto naquela época.

No entanto, não há como contornar os factos – o Porto das épocas entre finais dos 80s e o dealbar da ‘era Mário Jardel’ era conhecido, principalmente e acima de tudo, por distribuir ‘porrada’ a partir da sua defesa – tanto assim, aliás, que existem compilações de YouTube apenas dedicadas a esse tema!

Não só não foi feita por nós, como é um dos primeiros resultados da pesquisa por 'Porto Anos 90' no Google...

Assim, e por muita valia que o seu meio-campo e ataque possam ter tido, era mesmo pela defesa que os ‘Dragões’ da altura se destacavam; aliás, o Porto desta altura poderia ser visto como um bom exemplo da máxima de que ‘boas defesas ganham campeonatos’ – não fosse o facto de, como hoje bem se sabe, a hegemonia dos azuis e brancos durante este período se ter devido, em grande medida, a outros factores… Ainda assim, os diferentes onzes apresentados pelo clube na primeira metade dos anos 90 são, todos e cada um deles, candidatos mais que meritórios ao título de ‘Aquela’ Equipa – e como tal, plenamente justificados para inclusão nesta secção…

31.08.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquêela década.

Os anos 90 serviram de berço a muita e boa música, tanto a nível internacional como especificamente em Portugal – bastando, aliás, passar os olhos pela nossa secção quinzenal dedicada aos artistas musicais mais influentes da década no nosso país para perceber isso mesmo. No entanto, numa era pré-Internet (e todas as facilidades a ela inerentes) nem sempre era fácil ao jovem português comum manter-se a par do que de novo se ia fazendo no espectro do seu estilo preferido, fosse ele o pop-rock, o hip-hop, a dance music, o alternativo, ou até a música pimba.

Felizmente para os aficionados musicais da época, a RTP tinha a resposta para este dilema, sob a forma de um programa exclusiva e especificamente dedicado a passar em revista os ‘tops’ de vendas musicais, segundo as tabelas da Associação Fonográfica Portuguesa.

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Tratava-se do mítico ‘Top +’, um programa tão marcante para a juventude portuguesa como o ‘Templo dos Jogos’ ou o ‘Domingo Desportivo’, e que se inseria no mesmo segmento de emissões especializadas numa determinada área sócio-cultural (neste caso, a música, nos outros, os videojogos ou o desporto), e dirigida a um público-alvo com interesse específico na mesma. E, tal como aconteceu com os outros dois programas mencionados, a fórmula rendeu frutos quase imediatos, sendo o ‘Top +’ tão saudosamente lembrado como qualquer dos seus congéneres.

Transmitido com periodicidade semanal (sempre aos Sábados à tarde, pelas 14h00), dirigido pelo então intocável Carlos Cruz, e apresentado por Francisco Mendes e uma Isabel Figueira ainda longe da fama e das revistas cor-de-rosa, o ‘Top +’ não derivava por aí além do que se vinha fazendo no mesmo campo a nível internacional – aliás, antes da chegada da TV Cabo ao nosso país, aquela hora a seguir ao ‘Jornal da Tarde’ era o que um jovem ‘tuga’ tinha de mais aproximado a uma emissão da mítica MTV. Tal como nos programas exibidos naquele canal, os apresentadores do ‘Top +’ serviam, sobretudo, como elo de ligação entre os diversos segmentos daquilo que verdadeiramente interessava – a música, aqui (como na MTV) traduzida na emissão de ‘videoclips’ dos principais ‘campeões’ de vendas em território nacional.

Um conceito simples, mas de sucesso quase garantido, não tendo o ‘Top +’ sido excepção - no total foram uns impressionantes VINTE E DOIS ANOS no ar, desde o período analógico até ao dealbar da era do 4G, vinte e um dos quais com o mesmo formato (a partir de 2011, passaram também a ser mencionadas no programa as tabelas de vendas digitais, à medida que esta forma de aquisição de música ia ganhando força e presença no mercado.) Quando o programa foi descontinuado, em 2012, tinha o mesmo formato, a mesma duração, os mesmos apresentadores e até o mesmo horário de quando havia começado, em 1990, um feito nada menos do que histórico para qualquer emissão num meio tão volátil como o televisivo (ainda mais em Portugal) e uma prova cabal da relutância dos fãs de música em abandonar um formato que funciona – mesmo quando, como neste exemplo, este já se encontra mais que obsoleto…

A última emissão do Top +, de 2012, em tudo semelhante à primeira, exibida VINTE E DOIS anos antes

 

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