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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

22.07.21

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

E se para inaugurar esta secção escolhemos uma revista que caiu um pouco na obscuridade desde que ‘saiu de cena’, com o tema seleccionado para hoje, essa questão não se coloca. Isto porque, hoje, é altura de falarmos das duas ‘grandes’ revistas para jovens disponíveis em Portugal nos anos 90, aquelas de que quase toda a gente se recorda – e das quais, ironicamente, nenhuma era, inicialmente, publicada em Portugal.

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Falamos, é claro, da ‘Bravo’ e da ‘Super Pop’, duas publicações distintas, de editoras diferentes, mas que tendem a ser mencionadas em conjunto, pelo seu cariz extremamente semelhante; este blog não vai fugir à regra nesse respeito, até porque não há assim tanto a dizer de qualquer das duas a nível individual. Os conceitos das duas eram semelhantes ao ponto de se confundirem – focando precisamente o mesmo público-alvo, com precisamente a mesma estratégia – e a única grande diferença (além de, na primeira fase, a origem) era mesmo o título na parte superior da capa.

Na verdade, ambas as revistas apostavam no formato ‘revista cor-de-rosa’, ao estilo de uma ‘Caras’, ‘Hola’ ou mesmo ‘TV7Dias’, mas adaptado a um público jovem. Isto traduzia-se, essencialmente, em ainda menos texto do que nas revistas deste tipo ‘para adultos’, e ainda mais espaço dado a imagens de ‘pop stars’, atores e desportistas, a grande maioria dos quais do sexo masculino. De facto, cada uma das duas revistas era cerca de 80% composta por imagens – o que ajuda a explicar como é que duas publicações estrangeiras, escritas em línguas que o adolescente médio pouco ou nada conhecia (o espanhol da Super Pop ainda era mais ou menos decifrável para um jovem com o português como língua materna, mas no caso do alemão da Bravo, esta percentagem diminuía significativamente) conseguiram ser sucessos de vendas a nível nacional.

De facto, para as raparigas adolescentes a quem ambas as revistas eram dirigidas, não interessava tanto o que estava ou deixava de estar escrito – aliás, quanto menos se tivesse de ler, mais tempo sobrava para admirar apaixonadamente os ‘posters’ de rapazes atraentes (os ‘bonzões’, como eram conhecidos na altura) que constituíam a verdadeira razão do investimento nestas publicações. É claro que as revistas tinham outros atrativos – como os brindes – mas nem a mais cândida das leitoras de qualquer uma delas dará qualquer motivo que não os ‘posters’ e as fotos como principal incentivo para a compra.

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O principal motivo para adquirir estas revistas

É claro que, com todo este sucesso – o qual foi transversal não só aos anos 90, como também á anterior e ás seguintes – não tardou até as editoras portuguesas investirem em edições nacionais destas revistas; assim, foi sem surpresa que as jovens portuguesas viram surgir, em finais da década de 90, exemplares das suas publicações favoritas escritas em português – o que significava que, além de admirar os ‘bonzões’, agora era também possível ler as curiosidades sobre eles que inevitavelmente perfaziam a maioria do conteúdo escrito de ambas. Apenas mais uma razão para dar os 200 escudos necessários para trazer uma destas revistas para casa ali por volta do fim do segundo milénio…

O que ninguém imaginava era que o ciclo de vida deste tipo de revistas estivesse com os dias contados: de facto, o advento e expansão da Internet tornou possível, no espaço de apenas alguns anos, admirar ‘bonzões’ na Internet de graça, e imprimir fotos para pendurar na parede à laia de ‘posters’ tornando revistas como estas progressivamente mais obsoletas. Ainda assim, é impressionante constatar que a Bravo portuguesa conseguiu resistir até 2017 (!!), em plena era do Instagram, e que pode até estar de volta às bancas nos tempos que correm (!!!).

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Um exemplar bem contemporâneo da revista 'Bravo'

Só isto chega para ilustrar o poder que estas publicações tinham – e, aparentemente, continuam a ter – junto do seu publico-alvo; o que, no fundo, até é explicável – afinal, admirar pessoas famosas e bonitas enquanto se lêem ‘fofocas’ sobre elas é um passatempo que nunca passa de moda, especialmente entre os jovens, não importa em que época da História estejamos…

03.07.21

NOTA: Este post é relativo a Quinta-feira, 1 de Julho de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

No início dos anos 90, existia no mercado português um ‘gap’ de revistas de variedades especificamente dirigida a um público infanto-juvenil. A Bravo era importada da Alemanha (e, como tal, servia para muito pouco a não ser para tirar posters) e a Super Pop portuguesa e a 100% Jovem ainda estavam a alguns anos de distância; para o segmento em idade escolar, aparte os quadradinhos, a oferta resumia-se à cristã ‘Nosso Amiguinho’ (distribuída nas escolas, e apenas disponíveis por assinatura) e (muito) pouco mais.

Esta situação viria a mudar em 1993, quando uma revista arriscou preencher esta lacuna de mercado, e assumir-se como referência informativa para o público infantil e adolescente, fornecendo-lhes informação sobre temas do seu interesse, das omnipresentes ‘celebridades’ aos jogos de vídeo, música, filmes, BD, ou simplesmente curiosidades sobre o que se passava no Mundo.

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Tratava-se da revista Super Jovem, talvez não tão lembrada hoje em dia como as ‘colecções de gatos’ chamadas Super Pop ou Bravo, mas que ainda conseguiu impacto considerável junto do público-alvo durante os seus mais de seis anos nas bancas, da estreia em 1993 (com um ‘número 0’ distribuído gratuitamente, e tendo na capa um Macaulay Culkin no auge da fama) até ao cancelamento mesmo no final da década.

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Capa do número 0 , distribuído gratuitamente

Tal devia-se, em parte, à referida variedade da revista, que, mesmo com as diversas mudanças de formato a que foi obrigada, nunca se ‘vendeu’ às vontades das raparigas adolescentes, e sempre tentou oferecer um pouco de tudo, de peças sobre os ídolos do momento a críticas de jogos, filmes e livros, ou simplesmente histórias de banda desenhada, neste caso da Disney (a Super Jovem era mais um dos muitos títulos lançados pela ‘rainha’ das publicações portuguesas da altura, a Editora Abril, que também publicava as revistas Disney.) Esta estratégia variada assegurava que a revista captava um público-alvo extremamente vasto, pois mesmo quem não tinha interesse no ‘galã’ de capa, encontraria sempre outro artigo ou uma história aos quadradinhos que o mantivesse interessado.

Outra táctica interessante, e até inovadora, praticada pela Super Jovem era a oportunidade que fornecia aos jovens de se tornarem, eles próprios, repórteres por algumas horas. Na secção recorrente ‘O Repórter Sou Eu', a entrevista era escolhida, e conduzida, por um(a) leitor(a) da revista, resultando em interacções um pouco diferentes do habitual, tanto para os entrevistados como para os leitores. Mais tarde, esta secção viria a perder preponderância, mas enquanto durou, foi uma experiência interessante, e que se pode dizer ter resultado.

Infelizmente, as referidas mudanças de formato – primeiro para um formato com menos páginas, mas ainda A5, e depois para uma tipologia A4 – resultariam na extinção desta e outras secções; no entanto, a ‘essência’ da Super Jovem continuou presente até ao final da vida da revista, a qual, mesmo já nos seus últimos números, continuava reconhecível como (mais ou menos) a mesma revista que chegara timidamente às bancas seis anos antes.

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A revista após a primeira mudança de formato, em meados da década

Além disso, a publicação soubera mudar com os tempos, mantendo-se sempre a par das personalidade, assuntos e ‘modas’ que mais interessavam aos jovens, sem discriminar – a título de exemplo, a revista começou com capas com Macaulay Culkin, Guns’n’Roses e Nirvana, acabou com Britney Spears e Dragon Ball Z, e chegou a ter artigos sobre eventos e movimentos menos óbvios, como o festival ‘metaleiro’ Monsters of Rock (!) (Se pensaram que nunca iam ver os Slayer e Machine Head numa revista ‘mainstream’ para ‘teenagers’, pensem novamente…)

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A popularidade, essa, também nunca decresceu muito, sendo que, no seu auge, a Super Jovem tinha expressividade suficiente para arriscar experimentar com novos formatos e iniciativas, como brindes – a colecção de CD-Singles marcou época - números especiais alusivos a filmes, colecções de posters ao estilo Bravo, e até produtos periféricos, como uma agenda.

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Capa da 'Agenda 1996' da Super Jovem

Enfim, no cômputo geral, uma revista bem mais merecedora da lembrança nostálgica dos jovens dessa época do que as Bravos desta vida, mas que – talvez por não ser constituída em 95% por fotos de ‘gajos giros’ – fica hoje um pouco atrás destas. Ainda assim, vale bem a pena recordar esta pioneira dos periódicos para jovens nacionais, que mostrou que havia mercado para uma revista juvenil que fosse mais do que um simples aglomerado de fotos e posters…

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