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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.04.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas (e às vezes às sextas, quando nos distraímos com a ordem do calendário), exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E se no nosso post inaugural falámos de um género que cativava quase todos os fãs mais jovens de música, hoje, falamos de outro – nomeadamente, o chamado ‘Europop’, ou ‘Eurodance’, aquele estilo feito, como o nome indica, por artistas oriundos do continente europeu, e que mistura batidas ‘techno’ com letras bem ‘cheesy’ e algum sentido de humor, para criar ‘hits’ feitos à medida para os meses de Verão.

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Alguns dos mais populares artistas do movimento Europop.

Durante os anos 90, parecia não passar uma única época estival sem que aparecesse um novo artista destes, com mais um hit pronto a ser cantado por crianças de Norte a Sul do País, e que normalmente desaparecia tão logo terminasse a referida época de férias. Havia exceções a esta regra, é claro; grupos como os lendários Aqua ou os não menos memoráveis Vengaboys conseguiram ter vários ‘hits’ seguidos retirados dos seus discos de estreia (chegando mesmo, no caso dos dois primeiros, a lançar segundos álbuns bem-sucedidos) e tornar-se parte da cultura ‘pop’ contemporânea, ainda que apenas com o estatuto de ‘meme’. No entanto, na esmagadora maioria dos casos, a tendência era mesmo para este tipo de grupos se transformar num ‘one-hit wonder’, daqueles que décadas depois suscita comentários do tipo ‘eh pá, lembras-te dos…?’

De Corona com o seu ‘Rhythm of the Night’ (de 1993) ao mítico ‘Blue (Da Ba Dee)’, lançado pelos Eiffel 65 já na reta final da década (e do século/milénio), vai quase uma década de ‘hits’ ‘eurodance’ que fizeram sucesso entre os jovens portugueses. A lista inclui ainda nomes como Whigfield (com o seu ‘Saturday Night’), Scatman John (intérprete de ‘Scatman (Ski Ba Bop Ba Dop Bop)’), Fun Factory (com a sua versão de ‘Do Wah Diddy’, original de Manfred Mann), Lou Bega (com o inesquecível 'Mambo Number 5') ou Cartoons, já para não falar dos referidos Aqua, Vengaboys e Bomfunk MCs - estes últimos autores da lendária ‘Freestyler’, hit máximo do Verão de 1998 em Portugal.

                 

Quando isto 'batia'...era a pura da loucura.

Claro que nenhuma destas músicas foi feita para se tornar um clássico; pelo contrário, o Europop era quase sinónimo com música descartável, para consumo imediato, e para vender milhões de discos no mais curto espaço de tempo possível. No entanto, um pouco por todo o Mundo (incluindo em Portugal) o efeito foi exatamente o contrário: as músicas não só se tornaram clássicos entre a geração mais jovem quando saíram, como aqueles que eram de uma certa idade na altura ainda hoje recordam com algum carinho os refrões da maioria delas (quem não deu por si a cantar pelo menos uma das músicas citadas no parágrafo anterior, que se acuse.) Mesmo quem passou a gostar de estilos mais ‘sérios’ e menos virados ao comercialismo e ‘airplay’ radiofónico retém dentro do coração um cantinho onde cabem todos esses ‘hits’ da infância e adolescência, algures entre a prateleira da música pimba e a dos Oasis, Guano Apes, Limp Bizkit ou Slipknot.

É claro que o movimento ‘Eurodance’ não se limitou aos anos 90 - a década seguinte teria também a sua quota-parte de ‘hits’ deste género, com a tão memorável quanto irritante versão de ‘Axel F’ pelo boneco Crazy Frog à cabeça. Mais tarde, artistas um pouco mais ‘sérios’, como David Guetta, seriam também inseridos neste estilo, dando-lhe assim alguma legitimidade. No entanto, não há também como negar que foi naqueles anos que a esmagadora maioria das canções mais memoráveis deste movimento foram lançadas, obtendo enorme sucesso junto de um público extremamente recetivo.

Hoje em dia, com a juventude mais virada para estilos como o ‘trap’ e o chamado ‘Soundcloud rap’, é pouco provável que artistas coloridos e inocentes como os que vimos naqueles anos voltem a singrar no meio ‘mainstream pop’ mundial; no entanto, é também verdade que os ‘hits’ lançados naquela década continuam a gozar de enorme popularidade, mesmo entre quem não é tão dado a nostalgias, justificando plenamente a sua presença neste nosso blog.

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Não, este cartaz não é de um concerto de 1998. 'Europop is not dead'.

E vocês? Que memórias têm deste tipo de músicas? Quais as vossas favoritas? Deste lado, ficamos com ‘Dr. Jones’, dos Aqua, ‘Uncle John From Jamaica’, dos Vengaboys, e claro, a imortal ‘Freestyler’. Concordam? Discordam? Façam-se ouvir nos comentários!

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