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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.05.21

NOTA: Este post é relativo a sexta-feira, 28 de Maio de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E porque hoje está sol, e se aproxima o Verão, nada melhor do que relembrar uma peça essencial da ‘fardamenta’ das crianças dos anos 90: o boné.

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Embora este continue a ser um acessório muito popular entre jovens de todas as idades, existem diferenças fundamentais ao nível do ‘design’ que separam os bonés dos ‘putos’ modernos daqueles que os seus pais ou familiares usavam na mesma idade – a começar, desde logo no formato da pala. Enquanto que hoje em dia, os miúdos se orgulham de usar bonés com a pala impecavelmente e rigorosamente direita, que pode depois ser levantada para trás (os chamados ‘snapbacks’), as crianças dos anos 90 queriam precisamente o oposto. Em finais do século XX, uma pala a direito era para ‘totós’, e a mesma só era usada virada para cima quando se queria ‘gozar’, ou momentaneamente para limpar o suor da testa; antes pelo contrário, a primeira coisa a fazer ao receber um boné novo era dobrar a pala para dentro o máximo que se conseguisse, de forma a esta formar uma cúpula sobre os olhos. Só depois da pala dobrada a ‘preceito’ é que o boné era considerado apto a ser usado (pelo menos virado para a frente; se fosse para usar para trás, ao estilo ‘radical’, as regras eram menos definidas.)

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Ângulo mínimo para uma pala nos anos 90

Outra diferença entre os bonés modernos e os daquela época é a própria forma. Os bonés de hoje em dia tendem a ser altos e largos, dando a quem os usa a chamada ‘cabeça de capacete’; ora, nos anos 90, essa mesma ‘cabeça’ era, também, algo a evitar – o boné ideal ficaria ‘enterrado’ na cabeça, e apertado atrás o máximo possível sem se tornar desconfortável. O formato dos bonés produzidos naquela época traduz essa mesma preferência, sendo, regra geral, mais baixos e estreitos do que os modernos (com uma excepção, de que falaremos já a seguir.)

Estabelecidas que estão as diferenças estéticas entre os chapéus de pala do novo milénio e os do fim do anterior, resta fazer uma rápida retrospectiva dos mais populares tipos de boné encontrados em Portugal nos anos 90. E logo para começar, há que falar de um, incontornável, e que hoje em dia parece estar a retomar a popularidade de que então gozava – seja sinceramente, ou de forma irónica. Falamos, é claro, do boné de rede, esse mítico artefacto da nossa infância que todos tivemos, e que nunca ninguém conseguiu que lhe ficasse verdadeiramente bem.

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Os píncaros do estilo infanto-juvenil no início dos anos 90. Só que não...

Conhecidos nos Estados Unidos como ‘trucker hats’, por serem tradicionalmente utilizados pelos camionistas, estes bonés ganhavam o seu nome português devido ao material de que eram maioritariamente feitos. De facto, à excepção da pala e da zona frontal, o resto destes chapéus era feito de uma fina malha de rede, que tinha como objectivo deixar respirar a cabeça, para contrabalançar o efeito criado pela parte da frente, invariavelmente feita de espuma e, portanto, muito quente. O efeito geral é difícil de descrever sem se ter ‘estado lá’ – não que seja preciso; todos estivemos, certo? – mas tal como os fatos de treino daquele tempo, não é exactamente algo que recordemos como altamente estiloso. Para piorar (ou, na perspectiva infantil da época, MELHORAR) a maioria destes bonés tendiam a ser de índole promocional ou publicitária, sendo a parte da frente normalmente adornada com o simbolo ou logotipo de uma qualquer companhia (o nosso era das Edições Alfa); numa época em que era considerado ‘fixe’ ter vestuário ou acessórios alusivos a marcas de outros quadrantes, no entanto, isto não era o problema, e a ‘morte’ dos bonés de rede só se deu quando a geração em causa cresceu um pouco, olhou para aquela ‘coisa’ que usava na cabeça anos antes, se riu, e a pôs no fundo do armário. E em boa hora o fizemos…

O segundo tipo de boné comum à época era o alusivo a equipas desportivas ‘da moda’, normalmente de um qualquer desporto americano. Estes bonés tendiam a ter palas de duas cores (uma na parte superior, e a segunda na parte inferior) e a parte principal em pano de uma cor escura, normalmente preto ou azul-escuro. Tal como no caso dos bonés de rede, este tipo de chapéu tendia a estar adornado com um logotipo na parte da frente, mas ao contrário dos seus antecessores, o mesmo era bordado directamente no pano, criando um efeito muito mais uniforme. Dos tipos de boné abordados neste artigo, este era considerado o mais ‘fixe’, e qualquer miúdo de meados da década tinha pelo menos um (deste lado, o favorito foi, durante anos, um dos grandes Chicago Bulls.)

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Aquele momento em que se encontra um boné EXACTAMENTE IGUAL ao nosso dos 11 anos numa pesquisa da Google...

O mesmo, embora em menor escala, se pode dizer dos sucessores directos dos bonés de rede – os bonés promocionais de pano. Mistura exacta entre os dois tipos de chapéu anteriormente mencionados, estes bonés eram, normalmente, de uma só cor, com o logotipo bordado ou estampado acima da pala, mas de forma muito mais discreta do que no caso dos bonés de rede, criando um efeito mais sóbrio, e que ficava do ‘lado certo’ da linha invisível que separava o ‘fixe’ do ‘fatela’. Por essa mesma razão, e pela facilidade em adquirir um destes bonés – eram, à época, tão comuns como as suas companheiras espirituais, as t-shirts promocionais - a maioria das crianças tendia a ter vários por onde escolher no seu armário.

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Não encontrámos a dizer 'TMN' nem 'PT'

O único azar – pelo menos no que tocava à popularidade – era se um ou mais desses bonés fossem de elástico, em ver de ajustáveis através dos tradicionais ‘furinhos’; por alguma razão, nem mesmo bonés de elástico de marca ou de clubes se safavam do estigma de não serem ‘fixes’, pelo menos a partir de uma certa idade. Assim, só os mais ‘valentes’ – ou aqueles cujos pais ou colegas de escola menos se importavam com esse tipo de estigma – usavam este tipo de chapéu, optando os restantes por uma das opções mais ‘seguras’ descritas acimas.

‘Fixe’ ou não, de rede ou de pano, com mais ou menos costuras na pala, a verdade é que não havia criança nos anos 90, independentemente do sexo ou idade, que não tivesse e usasse pelo menos um boné – o que tornou ainda mais surpreendente o decréscimo acentuado no ‘cool factor’ deste tipo de acessórios na década seguinte. De facto, os bonés só voltariam a entrar em voga já na segunda década do novo milénio – e mesmo assim, em moldes significativamente diferentes dos seus antecessores de final do século XX. Desde então, no entanto, a popularidade desta peça tem-se mantido em alta, o que faz crer que a ‘moda’ dos bonés está mesmo de volta para ficar – com um pouco de sorte, desta vez, com menos modelos publicitários de ‘redinhas’…

 

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