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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.03.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

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E neste segundo capítulo desta rubrica, vamos falar daquela que foi talvez a série mais requisitada pelas pessoas que tiveram conhecimento do blog, e que em popularidade apenas perdia para o nosso primeiro tópico, Dragon Ball Z. Falamos, é claro, de Mighty Morphin’ Power Rangers, conhecida em Portugal apenas pelas últimas duas palavras.

Historicamente reconhecida como a primeira adaptação ocidental das populares séries ‘sentai’ japonesas (sendo ‘sentai’ o termo genérico para designar aquele tipo de programas em que uma equipa de artistas marciais de uniforme enfrenta monstros do espaço dentro de um enorme robô de combate) a série original de Mighty Morphin’ Power Rangers consistia de três temporadas, exibidas nos EUA a partir de 1993. No entanto, o conhecido desfasamento sócio-cultural da altura causou o habitual atraso de 2-3 anos na exportação do programa, fazendo com que este chegasse a Portugal apenas em meados da década, em versão já dobrada e pronta a consumir por milhares de crianças.

Exibida no popular programa infantil da SIC, ‘Buereré’ - do qual era mesmo a principal atracção - a série não tardou a cativar o seu público-alvo, que rapidamente se rendeu àqueles heróis adolescentes virtuosos, mas ainda assim bem capazes de se defender contra as ameaças espaciais da bruxa Rita Repulsa. E se a primeira temporada fez sucesso, as duas seguintes apenas aumentaram o nível de popularidade dos Power Rangers entre a miudagem, cimentando a série como uma das campeãs de audiências entre os mais pequenos naquela época, e tornando o ‘merchandising’ alusivo à mesma quase tão apetecível quanto o do Dragon Ball Z.

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Um dos muitos produtos de 'merchandising' alusivos à série.

Os motivos para esta exacerbada popularidade não são, de todo, difíceis de perceber. Apesar de algo ‘tosca’, com fatos de monstro pouco credíveis e técnicas ‘copy-paste’ que para um adulto são mais que evidentes, a série mostrava-se exímia em combinar acção, artes marciais, boas lições de moral, um tema de abertura memorável (que muita gente desse lado decerto já está a trautear…) e um toque de comédia, tanto através dos vilões Rita, Lord Zedd e seus asseclas quanto da dupla de ‘bullies’ do liceu de Angel Grove, Bulk e Skull, que nunca deixavam de render alguns bons momentos de humor tipo ‘pastelão’.

A versão portuguesa tinha, ainda, o atrativo de uma dobragem, como a de Dragon Ball Z, extremamente marcante, inconfundível e irrepetível. Personagens como Lord Zedd e Rita Repulsa contavam com vozes e ‘dichotes’ marcantes, bem capturados e adaptados pela equipa de dobragem – já para não falar do inesquecível grito de 'ai-ai-ai' do robô Alpha-5, braço direito dos Rangers, ou do não menos icónico ‘Transmorfar!’, o qual servia de mote para a sequência de transformação dos personagens, de jovens normais para defensores de Angel Grove. O resultado foi uma das raras instâncias em que a versão dobrada supera a original, e se torna parte integrante da própria experiência de visionamento para todos os que com ela tomaram contacto; tanto assim é que, para muitos fãs da série, a sensação de ver os episódios em versão original não parece inteiramente correta...

                 

Se não for assim, não é a mesma coisa...

Naturalmente, uma série com a projecção e sucesso internacionais dos Power Rangers não podia deixar de gerar sequelas. No caso dos heróis Transmorfantes, a série original foi apenas a primeira de muitas, que se estenderiam ao longo das três décadas seguintes, e continuam em exibição até aos dias de hoje. A própria série original permance como parte integrante do imaginário popular, suscitando até hoje a criação de 'merchandising'  inédito, e até sendo alvo de um filme ‘remake’, com Bryan Cranston e Elizabeth Banks.

Antes de tudo isso, no entanto, existiu um outro filme, lançado em 1997 nos EUA, e que com a já referida ‘décalage’, acabou por chegar a Portugal já na ‘cauda’ da vaga original de popularidade dos Rangers – embora ainda a tempo de fazer as delícias da miudagem de Norte a Sul do País – e de dar azo a uma das mais populares séries de ‘Tazos’ não lançadas pela Matutano.

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O filme serviu, ainda, de mote – e episódio-piloto – para a série Power Rangers Zeo, a qual serve como uma espécie de desenvolvimento final para as três temporadas originais, apresentando novos fatos e poderes para a equipa de Rangers. Estes episódios foram, ainda, bastante bem-sucedidos – o suficiente para a SIC adquirir os direitos de transmissão e dobragem da série seguinte, Power Rangers Turbo, a qual também chegou a render um filme, bem como a seguinte, Power Rangers In Space. As séries Mighty Morphin' e Turbo foram, ainda, lançadas em numerosos VHS avulsos, cada um com alguns episódios e um título chamativo, como era prática na época.

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Um dos VHS de Power Rangers vendidos à época, com a dobragem portuguesa dos episódios 

No entanto, por esta altura, o público que acompanhara a série original começava a crescer, e a interessar-se por outro tipo de programa, impedindo Turbo de repetir o sucesso das temporadas anteriores. Mesmo assim, o programa ainda foi marcante, e é lembrado por toda uma geração de homens e mulheres que a acompanharam naquele tempo.

No fundo, e apesar de não ter sido a primeira tentativa de exibir séries ‘sentai’ em Portugal (‘Turbo Rangers’, uma das muitas produções japonesas do género, havia sido exibida na RTP alguns anos antes, inexplicavelmente dobrada em francês) a série Power Rangers original apresentou este peculiar género a toda uma geração, num ‘embrulho’ devidamente ‘ocidentalizado’ e com valores de produção muito mais altos que as séries originais, conseguindo assim triunfar onde outros haviam falhado. Prova disso é que, vinte e cinco anos após a transmissão dos episódios originais da SIC, ainda há um número suficiente de pessoas que se recordam da série para justificar um ‘post’ sobre ela num blog como este…

E vocês? Que memórias têm da série original dos Power Rangers? Quem era o vosso Ranger favorito? Por aqui, era o Azul – pelo menos até Tommy aparecer, na terceira temporada, e se tornar ídolo máximo…

GO, GO, POWER RANGERS!!!

                    

Força - podem cantar...

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