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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

02.07.21

NOTA: Este post é relativo a segunda-feira, 28 de Junho de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Hoje em dia, quando se fala em clones dos lendários Simpsons, a primeira série que vem à cabeça é ‘Pai de Família’. No entanto, esta não foi, nem por sombras, a primeira tentativa de emular a super-popular série de Matt Groening; pelo contrário, os anos 90 viram surgir inúmeras séries exactamente nos mesmos moldes de ‘Os Simpsons’, apenas com uma ligeira mudança. No fundo, uma situação semelhante à daqueles filmes descritos como ‘Assalto ao Arranha-Céus mas com…’, só que neste caso relativa a séries – uma situação, aliás, semelhante à que se verificava, na mesma altura, relativamente aos ‘clones’ de ‘Tartarugas Ninja’.

Um dos mais populares de entre esta vaga de ‘imitadores’ de ‘Os Simpsons’ era uma série produzida em início dos anos 90 pela Jim Henson Television, em parceria com a Disney, e cujo conceito se pode resumir como ‘Os Simpsons, mas na pré-história’. Falamos, claro, de ‘Os Dinossauros’, uma ‘sitcom’ criada através de uma mistura de fantoches estilo ‘Marretas’ e actores dentro de fatos de borracha, que também se poderia descrever como ‘Os Flintstones, mas com dinossauros’.

Estreada nos Estados Unidos em 1991 e em Portugal no ano seguinte, em versão dobrada e com transmissão nas tardes de fim-de-semana da RTP, ‘Os Dinossauros’ segue as peripécias diárias dos Sinclair, uma família de classe média composta pelo pai, Earl, a mãe, Fran, e três filhos: os adolescentes Robbie e Charlene, e a ‘estrela da companhia’, o descritivamente nomeado Bebé (inicialmente baptizado, devido a uma situação insólita, como Ai, Ai, Estou a Morrer Seu Idiota Sinclair). Ou seja, exactamente a mesma estrutura de uma outra família televisiva da mesma época, só que com pele verde em vez de amarela…

(Curiosamente, segundo os produtores, Jim Henson teria desenvolvido o conceito de ‘Os Dinossauros’ ainda antes da estreia de ‘Os Simpsons’; no entanto, o ‘timing’ da estreia, no auge da popularidade da série de Matt Groening, torna inevitáveis as comparações e acusações de ‘cópia’.)

A verdade, no entanto, é que ‘Os Dinossauros’ TINHA algumas diferenças em relação a ‘Os Simpsons’. Para começar, o agregado familiar dos Sinclair incluía também a mãe de Fran, Zilda (no original, Ethyl), uma típica ‘sogra do pior’, sempre a atormentar Earl do conforto da sua cadeira de rodas; depois, Earl trabalhava num estaleiro de desflorestação, por oposição a uma central nuclear, como ‘um outro’ careca, ou a uma pedreira, como o ‘quase-contemporâneo’ Fred Flintstone; por fim, o facto de os filhos do casal serem mais velhos do que os das outras famílias (quer os ainda bebés Pedrita e Bam-Bam, quer os estudantes primários Bart e Lisa) permitia alguma variedade nas histórias em relação às suas duas inspirações.

Também pode ser considerado que, ao mostrarem um casamento entre duas espécies diferentes de dinossauro, os produtores estavam inconscientemente a transmitir uma mensagem sobre tolerância inter-racial – embora nada disso explique o facto de TODOS os dinossauros da família (excepto Earl e o Bebé) serem de espécies diferentes, mesmo os que são filhos uns dos outros! Poder-se-ia, claro está, debater que essa incongruência é, em si mesma, uma piada – nomeadamente, uma alusão a Fran ter tido casos extra-conjugais que resultaram no nascimento de Robbie e Charlene – não fosse o facto de a própria Fran ser filha de uma espécie de dinossauro completamente diferente da sua! Ou havia muitos casos extra-maritais na pré-história, ou este era mesmo um daqueles absurdos em que ninguém pensou antes de encetar o processo de pré-produção…

À parte estas diferenças intencionais ou acidentais, no entanto, tudo o resto - das dinâmicas familiares, a algumas das situações, ao facto de Earl ter um grupo de amigos no trabalho, exactamente como Homer com Lenny e Carl, à sua relação com o chefe, Sr. Richfield, decalcada da de Fred Flintstone com o Sr. Slate - ‘tresanda’ às duas principais inspirações da série – o que ajuda, em parte, a explicar o enorme sucesso da série, tanto nos seus Estados Unidos natais como, mais tarde, em Portugal.

A outra parte desse sucesso deve-se àquela que, ainda hoje, continua a ser a parte mais memorável desta série, nomeadamente as ‘catchphrases’ dos diversos personagens. Quem se lembra de, ali por volta de 1992, gritar no recreio ‘Queridaaa, chegueeeei!’ ou ‘Não és a Mamã!’ (enquanto fingia agredir a outra pessoa com um golpe de caçarola na cabeça) certamente saberá do que estou a falar. No que toca ao público infantil, estes dichotes (e os constantes e hilariantes ataques do Bebé ao pai) eram, praticamente, razão suficiente para ver a série, porque mesmo quando os episódios eram de compreensão mais obscura ou adulta, havia sempre estes ‘bordões’ aos quais se agarrar para rir um bocado.

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Eh, eh, eh...ainda hoje tem piada...

Como resultado desta tendência, o Bebé, em particular, tornou-se um personagem extremamente popular - uma espécie de Bart Simpson de fraldas, com toda a irreverência e jeito para a frase-feita deste, mas de uma perspectiva algo mais inocente. Era, aliás, nele que se centrava o pouco ‘merchandise’ alusivo à série que chegou a Portugal, com particular destaque para o jogo de tabuleiro, precisamente intitulado 'Não És a Mamã!’, e cujo objetivo envolvia arranjar comida para o membro mais novo da família.

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Mas existem Funkos...porque CLARO que existem Funkos 

Enfim, apesar de não ter ficado no ar muito tempo (pelo menos em Portugal – nos EUA, teve várias temporadas) ‘Os Dinossauros’ conseguiu ser uma série bem memorável para a juventude da altura, e deixar a sua marca num dos períodos áureos da televisão infanto-juvenil em Portugal. Nada mau, para um clone de segunda linha dos Simpsons…

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