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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

27.03.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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Algures em 1996, um miúdo está a babar-se à frente desta imagem...

E que melhor forma de começar do que com aquele que foi, durante a maior parte da década, um dos principais desejos de qualquer criança – os patins em linha? Perdendo apenas para os computadores e as omnipresentes consolas no que toca a popularidade generalizada, estes aparelhos desportivos ocupavam, na mente de uma criança ou jovem da época, o mesmo espaço dos skates, das bicicletas, das pranchas de body-board e de alguns aparelhos electrónicos ‘menores’, como os Walkman - ou seja, entravam normalmente em segundo ou terceiro lugar nas referidas listas, as quais eram geralmente encabeçadas pela mais recente máquina da Sega, Nintendo ou Sony. Previsivelmente, este tipo de equipamento era, também, presença frequente entre os prémios de sorteios dirigidos ao público jovem, lado a lado com a maioria dos outros aparelhos anteriormente referidos.

O fascínio por estes equipamentos – bem como os outros referidos no parágrafo anterior – não era difícil de explicar, especialmente se se tiver em conta que a década de 90 ficou marcada pela massificação e popularização dos desportos radicais, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. O skate, o surf, a BMX e (claro) a patinagem em linha passaram, pois, a ser vistos como passatempos ‘fixes’, praticados por pessoas com ‘pinta’ – e, por isso mesmo, desejáveis. Qualquer criança que visse uma destas atividades, fosse num filme, numa série ou mesmo num programa desportivo, passava assim, naturalmente, a querer experimentá-las, justificando a presença dos respetivos equipamentos nas ‘wishlists’ para ocasiões especiais. Os patins em linha não eram exceção, e mesmo quem não gostava muito de desporto nem de atividades de exterior queria ter um par, quanto mais não fosse para mostrar aos amigos na escola ou no jardim.

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Como a maioria dos jovens pensava que passaria a ser se tivesse um par de patins em linha.

O mais curioso é que, apesar de só se terem popularizado mundialmente nas últimas décadas do século XX, os patins em linha já existiam há mais de 250 anos antes de caírem no gusto das crianças e jovens da sociedade moderna! Estes equipamentos foram inventados em 1743, e patenteados três quartos de século depois, em 1819, por um francês chamado Petibled. No entanto, por razões que a História desconhece, os mesmos acabariam por cair no esquecimento, sendo largamente ultrapassados pelos patins 'normais’, e gerando o mito de que a sua criação seria posterior à destes. A criação até pode não ter sido, mas a entrada na sociedade moderna, definitivamente, foi – os patins em linha apenas voltaram a gozar de alguma popularidade nos anos 80, altura em que os patins ‘vulgares’ já faziam parte da cultura ‘pop’ ocidental há mais de 30 anos.

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Os patins 'normais' no imaginário 'pop'

Ainda assim, quando estes equipamentos voltaram a fazer parte do imaginário ocidental, não tardaram a afirmar-se como a nova coqueluche de toda uma geração de crianças e jovens, sendo que Portugal não foi exceção. Apesar da dificuldade em aprender, do sentido de equilíbrio necessário e dos muitos ‘tombos’ que se previam vir a acontecer, esta ‘febre’ afetava a quase totalidade das crianças e jovens do nosso país, independentemente do sexo ou idade. E quem conseguia aprender a andar sem cair – especialmente se conseguisse andar rápido – tendia a ser muito admirado e invejado pelos seus colegas e amigos.

Com o passar dos anos, e ao contrário do que aconteceu com as perenes bicicletas e os não menos eternos ‘skates’, os patins em linha voltaram a esmorecer um pouco na consciência das camadas mais jovens. Hoje em dia, a prática desta atividade voltou a ter expressão muito limitada, não só entre os mais novos como de uma forma geral, não sendo já muito comum ver pessoas (de qualquer idade) a andar de patins em linha, pelo menos fora dos recintos próprios para o efeito, como pistas de skate e BMX. Ainda assim, para toda uma geração que cresceu no final do século XX, este foi, e provavelmente sempre será, um dos melhores presentes ou prémios que se podiam conseguir a dada altura das suas vidas.

E vocês? Tinham patins em linha? Sabiam andar? Deste lado, havia um par, ganho num sorteio e efusivamente celebrado, mas que acabou por ter muito pouco uso, por motivos de falta de jeito… Identificam-se? Ou tiveram uma experiência diferente? Façam-se ouvir nos comentários!

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