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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

19.06.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E porque na última edição desta rubrica já falámos de bolas de futebol, hoje, vamos falar do que se costumava fazer com elas – nomeadamente, jogar!

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Quem tem Facebook já deve ter visto uma imagem que anda a circular entre os círculos saudosistas, em que são listadas as regras do futebol de rua; e se a maioria das imagens e gráficos deste tipo costuma oscilar entre o um bocadinho lamechas e o francamente manipulativo, esta acerta em cheio – à parte uma ou duas regras menos ‘universais’, trata-se de uma descrição perfeita de como o jogo de futebol costumava ser jogado nas ruas, pátios de escola, ringues e pelados ‘de bairro’ por esse Portugal fora.

De facto, para além das regras que regem, oficialmente, o jogo do futebol, parecia haver outras que, apesar de não estarem escritas em lado nenhum, pareciam ser intrinsecamente aprendidas e aplicadas por qualquer criança que tivesse tido contacto com uma bola. Coisas como ‘é golo daqui até ali’ ‘não vale altas’, ‘não vale bujas’, ‘o gordo vai à baliza’, ‘quem é tosco joga à defesa’ ou ‘quem marcar ganha’ não precisavam de ser discutidas nem acordadas antes do jogo começar - era, pura e simplesmente, assim que se jogava, e quem dissesse o contrário era olhado com estranheza por todos os presentes.

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Uma baliza perfeitamente válida.

Outras regras destes jogos incluíam o facto de o dono da bola e o melhor jogador (ou segundo melhor, caso o melhor fosse o próprio dono da bola) terem prioridade para o lugar de capitão, de todos os ‘foras’ serem disputados com um grito de ‘NOSSA!’, mesmo que claramente NÃO fosse nossa (era uma questão de princípio), de ninguém ficar no chão ao sofrer falta, a menos que se tivesse magoado a sério, e de a bola não precisar de ser de futebol, sendo que um grupo verdadeiramente empenhado jogava com qualquer coisa entre uma bola de ténis e uma de basket (sim, jogava-se futebol com bolas de basket. E vazias!!)

Enfim, o que contava mesmo era a oportunidade de jogar – e tirando alguns dissabores (erros cometidos, golos falhados, ou a vergonha suprema de ser escolhido em último e ver a equipa inteira a revirar os olhos e a planear como tirar o ‘tosco’ do jogo o mais possível) era sempre uma oportunidade que valia a pena aproveitar, e que merece bem esta singela homenagem por parte de um dos maiores ‘toscos’ com quem alguma vez alguém teve o azar de jogar. Esperemos, pois, que o futebol de rua nunca morra, e que continue a proporcionar uma forma saudável, divertida e competitiva de exercício para crianças, jovens e até alguns mais ‘crescidos’…

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