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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

25.08.22

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Hoje em dia - quando quase todas as páginas de Internet ligadas ao comércio possuem uma funcionalidade que permite deixar críticas sobre os serviços ou produtos adquiridos - saber o que pensam os especialistas ou consumidores sobre seja o que for é tão fácil, que é já tomado como adquirido até (sobretudo) pelas gerações mais velhas. No tempo em que essas mesmas gerações viveram, no entanto, o panorama era significativamente diferente, sendo necessário esperar pela opinião publicada ou publicamente veiculada de um especialista - a qual, além de constituir apenas uma opinião de um único utilizador, era também, necessariamente, subjectiva, e sujeita a todo o tipo de deturpações.

Nos últimos anos da década de 70, num esforço para equipar a sociedade portuguesa da era pré-Internet com um leque de opiniões mais variado, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (vulgarmente conhecida como DECO, mas que não deve ser confundida com o ex-futebolista do mesmo nome) lançava a Pro-Teste, uma revista dedicada, precisamente, ao teste de bens de consumo de distribuição em massa, independentemente do seu raio de acção, podendo um mesmo número apresentar testes a gamas de produtos tão variadas como ovos, micro-ondas, detergentes da loiça ou antivírus para computador.

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O denominador comum entre todas estas análises era o facto de serem testadas, não por um único especialista, mas por todo um painel, e mediante uma série de critérios pré-definidos, invariavelmente publicados numa tabela juntamente com os próprios resultados dos testes. As notas obtidas nas diferentes categorias (devidamente fundamentadas no texto do artigo em si) eram, então, sujeitas a um cálculo de média, que ditava a classificação final de cada produto; o produto com melhor média final e aquele que apresentasse melhor relação qualidade-preço tinham as honras de receber a recomendação Pro-Teste, a qual, naquele tempo, equivalia praticamente a um selo de qualidade.

Esta fórmula, bem conhecida dos portugueses até uma determinada geração, manteve-se praticamente incólume até aos dias de hoje (sim, a Pro-Teste continua a ser publicada, embora o seu âmbito e influência tenham diminuído consideravelmente) e atingiu, quiçá, o seu auge nos anos finais do século XX, em que a revista tinha praticamente o estatuto de Bíblia para os consumidores nacionais, que invariavelmente lhe recorriam na hora de escolher ou comprar um determinado tipo de produto; o sucesso era tanto, aliás, que, no novo milénio, o catálogo da Edideco - a editora fundada pela DECO para o lançamento de publicações próprias - se expandiu para uma série de outros títulos, dedicados aos conselhos de saúde, financeiros e de investimento, além de publicar uma série de guias sobre os mais variados temas ligados à defesa do consumidor.

Apesar de direccionados, sobretudo, a adultos, todos estes títulos - e, em especial, a Pro-Teste original - apresentavam um fascínio especial para as crianças de então, talvez por apresentarem uma vertente de comparação e 'competição' entre diferentes modelos, que tende a despertar o interesse inato de qualquer jovem; e ainda que as gerações mais novas vão buscar os seus conselhos, opiniões e críticas a outros locais, para os seus pais (e até avós) há uma fonte cujas análises se continuam a sobrepôr a todas as outras, nem que seja por virtude de, em tempos, terem sido o único órgão a disponibilizá-las...

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