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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

18.03.21

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Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

E mais uma vez, o ponto de partida para este tema é óbvio – existe um brinde que é, quase de imediato, citado por qualquer ‘90s kid’ a quem se fale do tema. Um brinde que era também um jogo, e que virou ‘febre’ nos recreios portugueses. ESTE brinde:

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Se esta imagem não vos transportar ao recreio do 5º ano e fizer sentir o gosto a Matutano Ruffles na boca, estão no blog errado.

Sim, os Tazos – aqueles círculos de papelão que se tornaram o principal motivo para comer batatas fritas ali em meados dos anos 90, e que também permitiram a muitas crianças descobrir até onde estavam dispostas a ir na ânsia de aumentar a sua colecção.

O princípio dos Tazos – conhecidos além-mar como ‘pogs’ – era simples. Punha-se os tais discos num montinho – cada jogador apostava os que quisesse – e lançava-se um outro disco, maior, de plástico sólido (uma espécie de versão Tazo do berlinde abafador) contra eles. Aqueles que se virassem tornavam-se pertença do jogador que tivesse feito o lançamento. Ou antes, estas eram as regras OFICIAIS do jogo – no recreio, claro, inventavam-se outras, sendo permitido, por exemplo, usar Tazos normais como lançadores (e quem nunca alinhou a borda do Tazo lançador com a do primeiro Tazo da pilha e fez pressão para o virar, ao estilo pizza/panqueca, que lance a primeira pedra…) Oficialmente, havia também um sistema de pontos dependendo do tipo de Tazo, mas a maioria das partidas disputadas nos recreios por esse Portugal fora resumiam-se a isto: ganhar mais Tazos do que o adversário, não importando quantos pontos os mesmos valiam. Um jogo simples (e ainda mais simplificado pelas tipicamente básicas regras infantis) e viciante o suficiente para virar fenómeno nos recreios portugueses durante pelo menos um ano.

Inicialmente disponíveis apenas nas batatas fritas da Matutano - daí o nome oficial de Matutazos - e com motivos da Warner Bros. e Barbie (sim, desta ‘moda’ as meninas também gostavam), os Tazos fizeram tal furor que rapidamente começaram a ser disponibilizadas séries alusivas a outras propriedades, como O Rei Leão - à época ainda recente o suficiente para ter interesse para a meninada - e Power Rangers, outro dos grandes fenómenos daquele tempo. No entanto, a esmagadora maioria destas outras séries (tanto disponíveis em ‘snacks’ concorrentes da Matutano como compráveis em ‘packs’, semelhantes aos dos cromos e cartas coleccionáveis) eram consideradas ‘falsas’, e nem todos os adversários ou parceiros de troca os aceitavam, ao contrário do que acontecia com os da Matutano – o que era uma pena, porque alguns tinham motivos tão ou mais interessantes do que estes, como a série Mad Caps, que trazia desenhos mais abstractos e radicais, ao estilo dos usados para decorar os ‘skates’ da altura, mas que por não vir nas batatas fritas, foi ignorada por 99.9% da juventude lusitana.

Claro que, para além do seu estatuto ‘não-oficial’, estas outras colecções tinham outra desvantagem em relação à da Matutano – nomeadamente, o facto de não disporem de uma caderneta/dossier ‘à maneira’ para serem guardadas.

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Se antes já não estavam outra vez no 5º ano, agora estão de certeza...

Tal como todos os fenómenos de recreio, os Tazos tiveram uma vida relativamente curta. Ao contrário de outros países, onde o fenómeno continuou, com série após série, os ‘putos’ portugueses perderam o interesse quando a Matutano deixou de oferecer os pequenos discos nos seus pacotes. A verdade, no entanto, é que a própria marca também nunca conseguiu repetir o sucesso deste brinde, apesar de várias tentativas, algumas bem meritórias, de o fazer (e sim, atempadamente, falaremos aqui de todas elas.) Quanto aos Tazos, apesar de terem passado de moda relativamente rapidamente, tornaram-se uma das mais vívidas memórias de infância para toda uma geração de crianças hoje a caminho das quatro décadas de vida. E pelo que uma pesquisa rápida no Google revela, uma segunda volta desta promoção encontraria, ainda, uma faixa substancial de público interessado – fica a dica, Matutano…

Entretanto, enquanto os ‘bigshots’ das batatas não me confirmam a ‘call’ no Zoom para falar disto, digam vocês de vossa justiça – que memórias têm dos Tazos? Qual era o vosso preferido? Por aqui, era o da Elmyra, e o abafador verde, que era muito mais ‘fixe’ que o azul… Concordam? Discordam? Como sempre, ‘let me know’!

 

 

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