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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

07.12.23

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

A era pré-digital pôs, verdadeiramente, à prova a teoria, há muito vigente, de que até o mais básico dos produtos pode ser tornado emocionante se 'vendido' da forma correcta e ao público correcto; de facto, ao longo da última metade do século XX, foram muitos os produtos à primeira vista desinteressantes que se tornaram sucessos, quer fruto de uma elaborada campanha de 'marketing' e publicidade, quer simplesmente por oferecerem uma ou mais características apelativas para a demografia a que se destinavam – a qual, sem surpresas, era muitas vezes menor de idade.

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De facto, as crianças de finais do Segundo Milénio serviram como 'mesa de teste' para muitas ideias mais ou menos estapafúrdias da mente de empresários e comerciantes, algumas das quais viriam a falhar na sua busca de sucesso, ao passo que outras excederiam todas e quaisquer expectativas; entre estas últimas, encontrava-se a categoria de produtos de que falaremos esta Quinta-feira, e que conseguiu a proeza de, com apenas um pequeno ajuste, transformar um produto corriqueiro e até banal de aborrecido em apetecido.

Falamos das borrachas de cheiro, 'febre' escolar dos anos 80 que, na década seguinte, apenas tinha ainda perdido uma fracção do seu apelo e preponderância nos estojos das crianças e jovens portugueses. Como o próprio nome indica, tratavam-se, pura e simplesmente, de borrachas como quaisquer outras (embora, normalmente, em formatos apelativos, muitas vezes evocativos do cheiro que soltavam) às quais era injectado um aroma, que fazia com que, sempre que utilizadas ou simplesmente seguradas perto do nariz, as mesmas trouxessem à mente o produto que representavam; uma borracha em forma de morango, por exemplo, traria um aroma a esse fruto, o mesmo se passando com outras em forma de ananás, melancia, gelado, ou o que mais viesse à mente das companhias produtoras e distribuidoras destes objectos.

Escusado será dizer que a combinação de custos de produção e venda praticamente nulos com popularidade entre o público-alvo tornou estas borrachas numa das quinquilharias mais rentáveis do período em causa, tendo a maioria das crianças portuguesas da época tido contacto com pelo menos um exemplo das mesmas ao longo dos seus anos na escola. E ainda que a 'moda' dos produtos com cheiro não tenha tido a mesma expressão em Portugal do que em países como os EUA, estas borrachas (a par dos sabões em forma de animal da Body Shop) permaneceram na memória colectiva dos 'X' e 'millennials' portugueses até aos dias de hoje, não tendo nunca verdadeiramente desaparecido do imaginário infanto-juvenil nacional – o que, só por si, é razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica sobre 'quinquilharias' bem-amadas dos 'putos' lusitanos de finais do século passado...

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