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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.03.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

E se no primeiro post desta série falámos de revistas de super-heróis, nada mais justo do que, neste segundo capítulo, falarmos de uma das principais alternativas disponíveis nas bancas para quem não gostava desse tipo de banda desenhada.

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Referimo-nos, especificamente, às revistas Disney, publicações quase sinónimas com os ‘quadradinhos’ em Portugal, contando-se entre as mais antigas do género disponíveis no nosso país. Importados pela primeira vez do Brasil no início dos anos 50, títulos como Mickey e Pato Donald continuam a ser editados, de uma forma ou de outra, até aos dias de hoje, celebrando já uns espantosos setenta anos nas bancas portuguesas – mesmo contando com o interregno de sete anos entre 2006 e 2013. Uma marca honrosa, e que nem mesmo a Marvel ou a Turma da Mônica – as outras séries de quadradinhos ‘perenes’ entre a miudagem portuguesa - conseguiram ainda alcançar.

No entanto, e apesar da sua rápida implementação e boa aceitação entre os leitores nacionais, demoraria ainda algumas décadas até que uma editora portuguesa arriscasse edições cem por cento nacionais das revistas Disney. A pioneira, tal como havia acontecido com a Marvel e a DC, foi a Abril Jovem. mais tarde Abril Controljornal, que, em 1980 – numa altura em que celebravam os 30 anos da introdução das BDs Disney no mercado nacional – lançou quatro títulos inteiramente adaptados ao português ‘de Portugal’. Mickey, Pateta, Pato Donald e Tio Patinhas passaram assim a ter revistas produzidas e editadas pelo ramo luso da editora, as quais eram facilmente identificáveis graças às duas tiras com as cores da bandeira nacional presentes no canto superior esquerdo da capa.

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Exemplar nacional da revista Pato Donald publicado nos anos 90, com as duas tiras identificativas no canto superior esquerdo.

Durante a década seguinte foi esse o paradigma – quatro revistas (mais os respetivos Almanaques) totalmente em português europeu, que confraternizavam nas bancas com outras suas congéneres ainda importadas do Brasil, como Zé Carioca e Urtigão (cujos personagens, por vezes, faziam a transição para histórias incluídas nas revistas portuguesas, com o resultado, algo estranho, de vermos um estereótipo brasileiro como Zé Carioca, ou o ‘caipira’ Urtigão, usarem calão nortenho ou saloio, em vez do seu brasileiro natal!) Mais tarde, esta seleção seria aumentada com a localização para o ‘nosso’ português de almanaques temáticos, como o Almanaque Disney, Disney Aventura ou Disney Especial, e de certos títulos mais ‘chiques’ (e caros) como o Disney Especialíssimo, o Hiper Disney ou o ainda mais especial Hiper Hiper Disney, de capa dura, encadernada e com 'manga' exterior plastificada, que continha dois números do Hiper Disney num só volume, e era daqueles que se compravam uma ou duas vezes por ano e se faziam ‘render’…

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Duas das muitas publicações temáticas ou especiais da Disney editadas em Portugal durante os anos 90

Foram estas publicações, muitas com um português ainda meio ‘abrasileirado’ e outras com traduções algo bizarras e forçadas para expressões idiomáticas, que as crianças portuguesas da década de 90 se habituaram a ver nas bancas uma vez por mês, e a levar para casa para ler. De ressalvar que algumas destas histórias saíam, também, em suplementos de jornais como o Correio da Manhã ou o Expresso, ou até revistas como a TV Guia, constituindo uma grata surpresa para qualquer criança que se deparasse com elas ao folhear o jornal diário ou a revista de ‘fofocas’ lá de casa. Existem mesmo registos de histórias da Disney aparecerem, na íntegra, em manuais escolares do ensino primário, um facto que diz muito sobre a importância e a influência destas revistas no imaginário popular daqueles anos 90.

Infelizmente, esta é uma história que – pelo menos para a geração de leitores deste blog – não tem um final feliz. Isto porque, a partir de meados da década a que este blog diz respeito, as revistas Disney disponíveis em Portugal sofreram um novo ‘revamp’, com os icónicos grafismos a serem alterados e alguns títulos a regressarem ao número 1. O que não teria nada de mal, não fosse o facto de o material incluído nestes novos volumes – que se mantiveram nas bancas por mais uma década após o seu lançamento – ser retirado, quase exclusivamente, das horríveis produções italianas, cujos desenhos eram excelentes, mas os argumentos deixavam muito a desejar. As histórias italianas e francesas eram, além disso, muito maiores, pelo que apesar do aumento do número de páginas, muitas destas revistas passaram a apresentar apenas uma história por número.

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Exemplar da revista Pato Donald com o grafismo de capa mais moderno.

Escusado será dizer que, após esta mudança, as revistas Disney sofreram um decréscimo de vendas, embora se mantivessem muito populares entre o segmento mais jovem do público-alvo. Ainda assim, o novo milénio revelar-se-ia conturbado para as BDs Disney em Portugal, por contraste com a estabilidade de que as mesmas tinham gozado nas duas últimas décadas do século XX.

Isso, no entanto, já fica fora do âmbito do nosso blog – pelo que, como sempre, nos resta passar-vos a palavra. Liam as revistas Disney? Qual era a vossa favorita? Deste lado, havia clara predileção pelas edições brasileiras, com especial destaque para Urtigão e Zé Carioca; já as portuguesas, nunca chamaram tanto a atenção… E vocês? Qual a vossa experiência? Partilhem nos comentários!

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