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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

20.03.22

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Na última edição desta rubrica, falámos dos peluches, um dos principais tipos de brinquedo para bebé dos anos 90 (e, diga-se de passagem, ainda dos dias que correm); hoje, chega a vez de falarmos de outra categoria de produto para recém-nascidos e crianças muito jovens, não menos popular naquele tempo, embora essa popularidade tenha entretanto diminuído – os brinquedos de borracha 'de piar'.

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Sim, apesar de hoje em dia este tipo de boneco em borracha com um mecanismo de expulsão de ar que provoca um som ao apertar seja mais comummente associado aos animais de estimação, tempos houve em que não havia bebé humano que não tivesse pilhas e pilhas de brinquedos deste tipo, sendo os mesmos quase tão omnipresentes nos quartos de recém-nascido como os próprios peluches. Tematizados ou genéricos, nas mais variadas formas (embora grande parte das vezes representassem animais ou personagens licenciados), estes bonecos faziam as delícias de quem tinha idade para pouco mais do que processar a relação causa-efeito entre o toque no boneco e a emissão do característico 'suspiro' em tons agudos resultante da expulsão de ar – até porque constituíam, além de uma experiência sensorial divertida, também excelentes armas de arremesso...

Infelizmente, tal como também acontecia com os peluches, nem todos os bonecos 'de piar' obedeciam aos mesmos padrões de qualidade, sendo que alguns representavam um perigo activo de ingestão e asfixia, tanto graças a 'pipos' mal afixados ao respectivo brinquedo (e que pareciam ameaçar saltar sempre que o mesmo era apertado) quanto a tintas passíveis de serem sugadas e, subsequentemente, ingeridas – o que, para uma demografia que tem por hábito levar qualquer tipo de objecto à boca, não é, de todo, ideal...

Talvez resida aí a principal razão para o declinio de popularidade deste tipo de brinquedos – ou talvez os tempos tenham, simplesmente, mudado. Seja qual for o caso, a verdade é que, ao contrário dos congéneres de peluche – e à parte os tradicionais 'patinhos' para usar na banheira, que tiraram proveito do estranho fenómeno da nostalgia 'nerd' e 'hipster' para se tornarem novamente relevantes – já é muito raro ver brinquedos deste tipo nos dias de hoje, quer nas lojas (que apostam, sobretudo, no plástico e madeira) quer nas mãos de bebés propriamente ditos. Quem quiser recriar a sua experiência de infância terá, pois, de 'roubar' temporariamente o brinquedo a um cão ou gato, o que não deixa de ser um estranho mas apto reflexo de como as mudanças na sociedade ocidental nos últimos 30 anos afectaram até as mais ínfimas partes da mesma...

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