Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

13.10.21

NOTA: Este post corresponde a Terça-feira, 12 de Outubro de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O aparecimento da SIC, em 1992, representava uma revolução no mercado televisivo português. Enquanto primeira estação privada do país, a emissora de Carnaxide quis, desde logo, deixar evidentes as vantagens de não se encontrar limitada aos ‘guidelines’ e registos a que os canais nacionais se encontravam restritos, apresentando uma grelha programática mais vasta, abrangente e virada ao entretenimento do que aquela por que as RTPs se pautavam.

Um dos esteios iniciais deste manifesto foi, também ele, um programa pioneiro em Portugal, e cuja fórmula não mais viria a ser repetida nos vinte anos após a sua última emissão. Quer tal se devesse a uma mudança nos interesses dos jovens, à cada vez maior expressão da nova ferramenta chamada Internet, ou simplesmente ao facto de qualquer repetição do formato correr o risco de ser inferior, a verdade é que este programa continua – à semelhança de outros, como o Top +, por exemplo – a ser caso único na História da televisão portuguesa, e ainda hoje recordado com carinho por aqueles que o acompanharam.

download.jpg

Falamos do Portugal Radical, programa que estreou ao mesmo tempo que a emissora onde era transmitido, e que se afirmou como pioneiro na divulgação dos chamados ‘desportos radicais’ junto da população jovem portuguesa. E a verdade é que o ‘timing’ de tal empreitada não podia ter sido melhor, já que o início dos anos 90 marca, precisamente, o primeiro grande ‘boom’ de interesse em modalidades como o skate, os patins em linha, o surf ou a BMX, que viriam a dominar o resto da época. Transmitido entre 1992 e 2002, o ‘Portugal Radical’ conseguiu acompanhar toda a evolução das ditas modalidades, desde os seus primeiros passos como fenómeno ‘mainstream’ até ao momento em que o fascínio com as mesmas começava a arrefecer um pouco, garantindo assim uma audiência constante durante a sua década de existência.

download (1).jpg

A apresentadora Raquel Prates

Apresentado, durante a esmagadora maioria desse período, por Raquel Prates, com trabalho jornalístico de Rita Seguro, também do já referido ‘Top +’ (Rita Mendes, do ‘Templo dos Jogos’, tomaria as rédeas da apresentação já no último ano de vida do programa) o ‘PR’, como também era muitas vezes conhecido, era um conceito criado por Henrique Balsemão, a partir da rubrica com o mesmo nome na revista ‘Surf Portugal’, tendo sido exibido pela primeira vez no ‘Caderno Diário’ da RTP, ainda antes do nascimento da SIC. Foi, no entanto, a passagem para o canal de Carnaxide que ajudou a transformar um modesto conceito baseado numa coluna jornalística num verdadeiro fenómeno, com direito a ‘merchandising’ próprio, incluindo a inevitável caderneta de cromos, e ainda um CD com ‘malhas’ de grupos bem ‘anos 90’, como Oasis, Radiohead, The Cult, Smashing Pumpkins, Spin Doctors ou Manic Street Preachers.

R-3082800-1323986796.jpeg.jpg

Capa do CD de 'banda sonora' do programa

Mais significativamente, no entanto, o programa terá tido uma influência mais ou menos directa no interesse que a maioria dos jovens portugueses desenvolveu por desportos radicais ao longo da década seguinte, o que, só por si, já lhe justifica um lugar no panteão de programas memoráveis da televisão portuguesa – bem como nesta nossa rubrica dedicada a recordar os mesmos. Uma aposta arrojada por parte da SIC, talvez, mas mais um dos muitos casos em que a atitude ‘nada a perder’ da estação de Francisco Pinto Balsemão viria, inequivocamente, a render dividendos...

 

11.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Embora os portugueses nascidos nos anos 70, 80 e 90 tenham experienciado um sem-número de filmes marcantes durante a sua infância e adolescência, poucos destes foram feitos dentro de portas. O cinema português tem, desde há muito, a reputação de ser ‘chato’ e algo pretensioso, características que nunca agradaram ao público mais jovem, pelo que não se afigura de todo surpreendente que o português médio que tenha vivido a infância durante aqueles anos não consiga nomear sequer um filme nacional que tenham visto durante esse período.

Mesmo entre aqueles que se lembram, a escolha será, por força, limitada – tirando aqueles filmes ‘importantes’ que éramos mais ou menos obrigados a ver, fosse na escola ou em casa, talvez o único título verdadeiramente memorável seja aquele de que se fala no post de hoje, até por ser explicitamente dirigido a um público juvenil.

MV5BZWMxOTlhZWUtZWY5OS00MzM1LTlhOGUtODkxY2RhNGFkZT

Trata-se de ‘Zona J’, um telefilme de 1998 produzido pela SIC, e que viria a arrecadar dois Globos de Ouro na cerimónia promovida pela estação de Carnaxide no ano seguinte - e, interesses à parte, pode dizer-se que esses prémios até foram bem merecidos. De facto, com o seu argumento socialmente engajado, centrado sobre um bairro problemático (no caso, a Zona homónima de Lisboa) e os adolescentes que nele procuram, bem ou mal, sobreviver, o filme afirma-se como um precursor português de ‘Cidade de Deus’, a mega-popular película de 2002 ambientada nas favelas brasileiras – ou, se preferirmos, como um sucessor do também popular ‘La Haine’, de 1995, que tratava da mesma temática, mas em relação aos bairros de banlieue franceses. Junte-se a essa temática de interesse directo para os jovens o facto de o filme ter passado na SIC – à época, talvez a mais popular das estações de televisão portuguesas – e não é de admirar que, se houver um filme de que os jovens portugueses da altura verdadeiramente se lembrem, seja este.

Mais – a longevidade do filme não se ficou por aquele período de sensivelmente um ano entre a estreia e a premiação nos Globos de Ouro; isto porque o mesmo seria incluído, já no século e milénio seguintes, na também icónica ‘Série Y’, a colecção de filmes mais ou menos ‘artsy’ lançada pelo jornal Público e que apresentou a muitos jovens filmes de culto, que de outra forma talvez não vissem. Um desses filmes foi, precisamente, ‘Zona J’, que voltou assim a ganhar exposição, salvando-se do esquecimento a que a maioria dos filmes portugueses, e particularmente os telefilmes, costumam ficar votados.

Zona_J(1998_film)_boxart.jpg

Capa do lançamento em DVD do filme promovido pelo jornal 'Público'

Se merece ou não essa distinção, quase um quarto de século após o seu lançamento, fica ao critério de cada um – aliás, vejam o filme completo abaixo e tirem as vossas próprias conclusões. Independentemente das opiniões, no entanto, a verdade é que o filme de Leonel Vieira conseguiu conquistar o seu espaço no panteão do cinema português, e, por se tratar um produto nacional de inegável relevância e pertinência para os jovens portugueses daquele tempo, merece bem a chamada nas páginas deste blog…

 

 

24.08.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 23 de Agosto de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Ainda que, hoje em dia, seja acima de tudo um ‘meme’ ambulante (obrigado, Internet) nos anos 90, Chuck Norris era ainda levado (muito) a sério como herói de acção da ‘velha guarda’, à semelhança do seu homónimo Bronson – estatuto esse que permitia à ‘máquina’ de Hollywood construir toda uma série alicerçada, tão-somente, na sua aura de ‘durão’, e fazer dessa série um dos mais memoráveis sucessos da televisão da década.

250px-WalkerTitle.jpg

Falamos, é claro, de ‘Walker, Ranger do Texas’, o quase-western cruzado de aventura série B – ou não fosse uma produção da Cannon, famosa por esse estilo de cinema - que, durante anos a fio, marcou as tardes de fim-de-semana das crianças e jovens portugueses, sobretudo as que acompanhavam a programação da SIC, onde a série era transmitida. De 1993 a 2001, foram oito temporadas (embora nem todas tenham passado em Portugal) coroadas por um filme longa-metragem de 2005, que pôs cobro às aventuras de Cordell Walker e Jimmy Trivette, a dupla de xerifes texanos peritos em combate mano-a-mano (ou não fosse um deles interpretado por Chuck Norris) que perseguem criminosos procurados e protegem inocentes famílias do vilão da semana, ao melhor estilo ‘Esquadrão Classe A’ - sempre bem aconselhados pelo veterano ‘ranger’ C. D. Parker e pela advogada Alex Cahill.

walker13_318.jpg

O pequeno mas carismático elenco da série

A fórmula pouco ou nada mudou em quase dez anos (!) de transmissão, mas também nunca deixou de ter sucesso, justificando mesmo a criação de uma série ‘remake’, agora produzida pela The CW e com Jared Padalecki (o Sam de ‘Sobrenatural’) no papel imortalizado por Norris; e embora o sucesso não tenha sido, nem de longe, semelhante, a verdade é que também esta nova série já foi renovada para uma segunda temporada…

Não haja dúvida, no entanto, que no caso de ‘Walker’, se aplica a famosa máxima da Kellogg’s relativa aos seus Corn Flakes – ‘o original é sempre o melhor’. Por muito ‘azeiteira’ que fosse – e era! – a série original traduzia-se numa excelente mistura de um conceito interessante – um ‘western’ moderno com toques de policial ‘grindhouse’ dos anos 80, e de filme de artes marciais dos 90 – com um herói carismático e bem do agrado do público-alvo. Sendo esta uma fórmula ‘feita’ para ter sucesso nos anos 90, não se afigura de todo surpreendente que tenha sido exactamente esse o caso; já em pleno século XXI, com as mentalidades e valores totalmente alteradas em relação à referida época e uma oferta televisiva e de séries vastamente alargada, um programa algo ‘antiquado’ e ‘de época’ como ‘Walker’ terá mais dificuldades em se impor ou se tornar memorável – ainda que a corrente apetência para a nostalgia possa fazer com que o original continue a ser visto como objecto de culto. Para já, a série de Norris vai passando na RTP Memória, dando aos mais curiosos ou saudosistas a oportunidade de ver se aquela série mítica da sua infância é das que resiste à passagem do tempo, ou se, afinal, a aura 'cool' que a parecia rodear à época não passava de um ‘sintoma’ da infância…

17.08.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquêela década.

Numa era em que bastam alguns cliques para se reencontrarem amigos de há mais de três décadas (vocês sabem quem são – olá a ambos!) pode parecer incongruente, e até algo caricato, que há pouco mais de vinte anos atrás fosse possível pessoas chegadas não se verem durante quase toda uma vida. Sim, ainda hoje há quem passe ‘entre os pingos da chuva’ (bastando para isso desaparecer das redes sociais ou plataformas de ‘chat’) mas nos tempos modernos tal constitui uma excepção, e não a regra.

Nos anos 90, no entanto, passava-se precisamente o contrário, sendo esta uma situação a tal ponto corrente que justificava a existência de todo um programa de televisão centrado em torno desse conceito; um programa cuja própria música de abertura já começava por mandar ‘um abraço’, e cujo anfitrião tinha sempre a máxima compaixão para com quem a ele recorria. Um programa chamado…Ponto de Encontro.

Tentem não ficar com isto na cabeça...vá, tentem...

Sim, chegou hoje a vez de relembrarmos um dos mais memoravelmente ‘foleiros’ programas da televisão portuguesa, que apelava declaradamente e descaradamente à lágrima fácil como táctica para conquistar audiências; e a verdade é que resultava, tendo o programa sido um sucesso de audiências à época (a dado ponto em 1995, eram cerca de 10 mil as cartas ‘por despachar’ da produção) e ainda hoje lembrado como adoravelmente ‘fatela’.

Inspirado, como tantos outros programas da época, num formato estrangeiro (neste caso francês) e adaptado para a realidade portuguesa pelo ‘génio do popularucho’ Emídio Rangel, em 1994, o conceito do ‘Ponto de Encontro’ era, conforme se disse acima, extremamente simples; os participantes escreviam para o programa, dizendo quem queriam encontrar, porquê, há quanto tempo não os viam, e outras informações do género, e a equipa técnica tratava de tornar possível um reencontro ao vivo no ar, sob o olhar benevolente do simpático ‘avôzinho’ Henrique Mendes. As reuniões (a maioria delas de cariz familiar ou sentimental) resultavam, inevitavelmente, em cenas de lágrimas e comoção – sempre bem acompanhadas pela lendária música do programa, que era literalmente tocada em violinos, numa ‘overdose’ de ‘kitsch’ a que nem os mais empedernidos ficavam indiferentes.

6e7e27525468d25c990a564e6181e4392b0124f5.jpg

O carismático apresentador do programa

Foi assim durante oito anos, de 1994 a 2002 (em pleno dealbar da era da Internet!) sem qualquer mudança de formato, ou sequer de apresentador, e sem qualquer perda de preponderância na grelha de horário nobre da estação onde passava, a inevitável SIC; no dia em que deixou de ser transmitido, o ‘Ponto de Encontro’ era exactamente o mesmo programa que estreara oito anos antes, com  o mesmo apresentador, o mesmo formato, a mesma música, e os mesmos familiares chorosos nos braços uns dos outros após décadas sem se verem – um feito de que poucos outros programas, alguns dos quais tão ou mais ‘perenes’ do que ele, se podem gabar.

Em suma, visto da perspectiva de duas décadas no futuro, o ‘Ponto de Encontro’ constitui uma verdadeira ‘cápsula do tempo’ da televisão portuguesa dos anos 90 - talvez não tanto como um ‘Big Show SIC’, mas pelo menos tanto como um ‘Agora ou Nunca’ ou ‘Templo dos Jogos’ (curiosamente, todos transmitidos pela mesma estação). ‘Foleiro’ e ‘piroso’ como era, a verdade é que este programa foi presença assídua nas noites de muitos portugueses (incluindo jovens), e terá comovido muito boa gente – ou seja, fez exactamente aquilo a que se propunha, e fê-lo bem o suficiente para ficar quase uma década no ar, e merecer a presença nas páginas deste nosso recanto nostálgico…

 

03.08.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Por muito estranho que possa parecer no mundo hiper-tecnológico de hoje em dia, houve um tempo, ainda bastante recente, em que não bastava agarrar o dispositivo mais próximo para saber informação sobre um qualquer tópico ou produto; pelo contrário, era preciso não só pesquisar como, em certos casos, esperar até que os ditos dados pudessem ser veiculados. Era uma era pré-Internet, em que as revistas, os programas de televisão e outros veículos semelhantes se revestiam de uma importância que o advento dos motores de pesquisa lhes veio retirar.

Era neste mundo, especificamente em Portugal, que, em 1995, estreava um programa destinado a tornar-se um favorito entre o seu público-alvo, precisamente por veicular alguma dessa preciosa e inatingível informação, sobre um dos temas do seu interesse; um programa que erguia um lugar de oração a uma das principais formas de entretenimento dos anos 90, e que se viria a tornar uma parte lendária da grelha programática da época, por uma variedade de razões.

templo-dos-jogos_capa.png

Falamos, claro, do ‘Templo dos Jogos’, o principal magazine de entretenimento informático e digital do Portugal dos 90s. Transmitido pela SIC no horário reservado ao público infanto-juvenil, este programa constituiu, durante muito tempo, única maneira de ver em movimento os principais jogos lançados para as consolas da época, sem estar fisicamente junto a uma delas – o que, numa época em que a única alternativa para os ‘gamers’ eram as algo dispendiosas revistas de jogos, ajudou a assegurar a popularidade do programa.

Nem só de vídeos exclusivos vivia o ‘Templo’, no entanto; havia também segmentos dedicados a truques e dicas para os jogos mais populares da época - mais uma vez, algo que hoje se consegue em matéria de segundos, mas que na altura só era acessível mediante a compra de uma revista, e mesmo assim, em número limitado a cada mês – e críticas aos principais lançamentos do mês, as quais constituíam um ‘meme’ involuntário por serem sempre, mas S-E-M-P-R-E, avassaladoramente positivas. Esta característica era de tal forma exacerbada, que jogos que eram ‘destruídos’ por toda a restante imprensa saíam do Templo com, talvez, vá, 70%, os melhores, nunca abaixo de 80-85%, e notas de 95-100% não eram, de todo, raras. Esta abordagem não era, claro, nada boa para a credibilidade, mas por outro lado, ninguém de entre o público-alvo tinha o ‘Templo’ como fonte credível de perspectiva critica; não era exactamente para isso que se via o programa.

mqdefault.jpg

Este jogo não devia ser grande 'espingarda'...

Outro factor que ajudava o ‘Templo’ a destacar-se era a apresentação, bem ao estilo anos 90, com duos de apresentadores masculino e feminina, os quais adoptavam um estilo enérgico, mas sem exageros, e simples, sem ser simplista – exactamente o que o programa e a sua audiência pediam. Assim, não é de estranhar que alguns dos nomes que pregaram no ‘Templo’ tenham tido carreiras honrosas no mundo da apresentação de televisão; neste campo, o destaque vai todo para a atraente Rita Mendes, e para o futuro pivot da TVI, João Maia Abreu.

mqdefault (1).jpg

A mais famosa apresentadora do programa

Em suma, apesar de à luz de 2021 ser um programa quase pitorescamente datado e ‘de época’, à época da sua estreia, o ‘Templo dos Jogos’ foi revolucionário. Foi, afinal, graças a este programa que muitos jovens tiveram pela primeira vez contacto com ‘Super Mario 64’ (o mais famoso 100% da história do 'Templo’), ‘Ocarina of Time’ (o segundo mais famoso) e tantos outros jogos hoje considerados históricos; apesar de, eventualmente, ter sido extinto pela Internet (como tantas outras coisas no virar do Milénio), o programa conseguiu ser marcante o suficiente para ainda hoje ser lembrado com carinho por quem, na altura, o viu. Pela sua junção de valor quando era atual com valor nostálgico, o ‘Templo dos Jogos’ sai do Anos 90 com…100%.

 

24.06.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 22 de Junho de 2021.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Hoje em dia, qualquer fã de futebol – seja de clubes ou internacional – tem uma variedade de meios à escolha se pretender acompanhar o seu clube ou Selecção de eleição. Mesmo sem entrar pelos meandros da Internet, se um dos quatro canais principais não estiver a transmitir a partida pretendida, a SportTV ou o novíssimo Canal 11 certamente terão algum tipo de solução – e, em último recurso, há sempre o ecrã de plasma do café da esquina…

Tempos houve, no entanto, em que não era assim. Tempos, até, bem mais recentes do que pensa; basta, por exemplo, lembrar que na década de 90, os fãs de futebol portugueses podiam ver exactamente UM jogo por semana – normalmente, de um dos três grandes – ficando, no restante, reduzidos a relatos radiofónicos ou resumos no Domingo Desportivo. Até mesmo a Selecção Nacional se via adstrita a este regime, ainda que em menor escala – até porque, à época, as Quinas não eram ainda consideradas uma das grandes Selecções mundiais, e não participavam necessariamente em todos os torneios.

Foi, precisamente, em meados da década de 90 que a situação começou a mudar. O advento do Euro '96 – um dos Campeonatos Europeus mais mediatizados até então – e a presença da Selecção no mesmo levaram os jornalistas a redobrar esforços no respeitante à cobertura do evento, o que acabou por se traduzir numa das primeiras instâncias de cobertura desportiva como a entendemos actualmente.

A principal responsável por esta mudança de paradigma foi a SIC, então ainda em início de vida, e que decidiu marcar posição enviando uma equipa de reportagem a Inglaterra, não para seguir a Selecção, mas para avaliar o clima geral da competição. O resultado foi uma peça noticiosa histórica, de indole inédita à época, que desviava o foco dos jogadores e das partidas e o colocava, firmemente, nos adeptos. Mas não QUAISQUER adeptos – adeptos britânicos, alcoolizados, e que tinham como ídolo particular um então titular habitual da Selecção das Quinas…

Enfim, um momento ‘divisor de águas’, e que incentivou as restantes emissoras a seguir o exemplo da SIC no tocante a peças sobre desporto. Claro que a mudança não foi imediata – antes pelo contrário – mas também é certo que, em finais da mesma década, o jornalismo desportivo já se assemelhava muito mais ao que hoje conhecemos. E tudo por causa de quatro adeptos alcoolizados e um cântico de louvor a Jorge Cadete…

25.05.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

images.jpg

Uma imagem vale mais do que 200 e tal palavras

‘Ponha, ponha, ponha!!! AAAAAAIIII!!!’

Esta frase – que se tornou um ‘meme’ décadas antes de esse conceito ter sido oficialmente inventado – é, ainda hoje, a primeira coisa que vem à memória quando se fala do programa abordado neste post, a ponto de haver quem já nem se lembre do nome, mas ainda se lembre do homem careca, sentado de olhos fechados, aos gritos, enquanto lhe eram postas iguanas na calva.

x435 (1).jpg

Esse homem chamava-se João Muge, e o programa, Agora ou Nunca – um conceito que, à época, até foi bastante popular, sobretudo devido à enérgica apresentação de Jorge Gabriel, mas que hoje tem como único legado esse famoso ‘clip’ e a respectiva citação, incessantemente repetida por esse país afora naqueles idos de 1997.

Baseado, como quase todos os programas nacionais à época, num formato estrangeiro (neste caso, alemão), o programa tinha uma ideia-base simples, que consistia tão somente em ajudar os concorrentes a ultrapassar as suas maiores fobias, através do comprovado método de as expor, em directo, a uma audiência de milhões de portugueses. Uma espécie de sessão de terapia televisionada, em que a maioria das fobias oscilava entre o inusitado e o ridículo, expondo, por isso, os seus detentores ao ridículo, como foi o caso com o Sr. João Muge e as suas iguanas.

Mesmo assim, a maioria dos participantes não se parecia importar grandemente com as ‘figuras’ que ia fazer para a televisão, até porque havia uma inevitável recompensa em dinheiro à espera de quem fosse ‘valente’ o suficiente para enfrentar os seus medos – e os risos da audiência. No caso de João Muge, 225 contos foram a soma recebida em troco da exposição ao ridículo no programa e (ainda que ninguém o antevisse na altura) da entrada no imaginário humorístico popular, com a sua ‘catchphrase’ a virar dichote de recreio, e Herman José – então a atravessar um momento alto da sua carreira – a satirizar a participação de Muge no programa da SIC com uma rábula na sua ultra-popular ‘Enciclopédia’. Estava, assim, criado um 'meme' que perdurou tanto que, literalmente décadas mais tarde, o próprio Jorge Gabriel viria a recriar o momento no programa '5 Para a Meia-Noite' - desta vez, tendo ele próprio a iguana na cabeça...

naom_5a61c9ff7d37d.jpg

O Jorge também não parece gostar lá muito da situação...

Do restante programa, restam muito poucas recordações, pelo menos para quem não foi espectador fiel ou tenha uma memória acima da média (ou ambos.) Comparados com a performance digna de um Óscar de João Muge, os restantes desafios (e respectivos ‘freakouts’) não eram, nem de longe, tão memoráveis, ainda que alguns tivessem tudo para o ser (como a pobre concorrente que, para enfrentar o seu medo de montanhas-russas, se deslocou, não até à Feira Popular de Lisboa, ou na Bracalândia minhota, mas…a Inglaterra.) Assim, vão valendo os gritos de um careca com iguanas na cabeça (e um blog nostálgico de um gajo trintão) para impedir que este tesourinho deprimente caia, de vez, no esquecimento. E para que a memória perdure, aqui fica o registo desse momento lendário da televisão portuguesa...

Vá, força - digam lá 'a frase'. Vocês sabem que não vão resistir...

17.05.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

E se a última edição desta rubrica foi dedicada a um dos desenhos animados mais emblemáticos da ‘nossa’ década – as Tartarugas Ninja – hoje falamos de uma série que não só explora um conceito muito próximo, mas é também das mais mencionadas entre os entusiastas deste nosso blog: os Moto-Ratos de Marte.

images.jpg

À primeira vista, o conceito-base desta série pode parecer uma cópia mais ou menos descarada dos referidos Heróis de Meia-Casca; estas críticas são, no entanto, infundadas, pois a série pouco tem a ver com aquele mega-sucesso de ‘merchandising’. Senão vejamos – ESTA série trata de ratos (e NÃO tartarugas) antropomórficos (de origem, logo, sem mutação nenhuma) oriundos de outro planeta (e portanto, sem nada a ver com lojas de animais em Nova Iorque) e que gostam de andar de mota (por oposição a comer pizza) e cujos adversários são outra raça extraterrestre (ou seja, de outro PLANETA, e não de outra DIMENSÃO.) Nada a ver, portanto. O facto de os referidos personagens serem jovens, se expressarem em calão radical dos anos 90 e terem uma amiga e aliada humana é, claro, mera coincidência – quem diz o contrário, é porque é má-língua.

40bc8961bcfd811a729abffb86ba62f7.jpg

Nada a ver uns com os outros, realmente... 

Fora de brincadeiras, a verdade é que esta criação de Rick Ungar deriva forte inspiração da congénere de Eastman e Laird (tal como, aliás, acontecia com várias outras ‘cópias’ mais ou menos descaradas da época, como Street Sharks.) A data de criação do conceito (em 1993, no auge da Tarta-Mania) não deixa, aliás, quaisquer dúvidas quanto à intenção de ‘Biker Mice From Mars’ – isto, claro está, se o próprio conceito do ‘cartoon’ e os ‘designs’ dos personagens não as tivessem já dissipado. ‘Moto-Ratos’ queria mesmo ser o novo ‘Tartarugas Ninja’ – e embora nunca o tivesse conseguido (como, aliás, nenhum destes ‘clones’ conseguiu), foi mesmo a que chegou mais perto, tendo conseguido conquistar o público infantil em vários países, entre eles Portugal, e até vender algum ‘merchandise (por aqui, por exemplo, há uma vaga memória de um boneco do personagem cinzento ‘habitar’ lá por casa.) Este sucesso talvez se devesse ao facto de, para esse mesmo público-alvo, as semelhanças com as Tartarugas Ninja serem uma vantagem, e não um defeito; isto, claro, para além do puro ‘cool factor’ de três ratos espaciais gigantes de 'jeans' e armadura, montados em Harley-Davidsons, a desviarem-se de tiros de 'laser' disparados por extraterrestres - um conceito que fica muito perto do ideal de acção de qualquer miúdo pré-adolescente.

fed145fecb8f4c01d24c175327f9c9cd.jpg

Aos dez anos de idade, esta é uma daquelas coisas que grita 'FIXE' em maiúsculas

Como já devem ter percebido – aqueles que nunca viram a série, pelo menos – a premissa-base deste ‘cartoon’ era ainda mais pateta do que a da maioria das séries deste tipo – o que, por si só, já é um feito. No entanto, enquanto o espectador adulto pondera exactamente PORQUE é que o ‘hobby’ destes ratos de MARTE era guiar um modelo específico de veículo produzido e encontrado NA TERRA, para o público-alvo, isso pouco interessava – ‘Moto-Ratos’ tinha acção, tiros, piadolas radicais, e personagens com um visual ‘cyberpunk’ estilo ‘Mad Max’ que estava também ainda muito em voga à época. Ou seja, a receita perfeita para ser um sucesso de audiências e vender muito ‘merchandising’ licenciado – objectivos que ‘Biker Mice’ conseguiu atingir, ainda que nunca chegasse ao limiar de ser uma ‘febre’, como a série que procurava emular. Este era, ‘apenas’, um desenho animado ‘fixe’ – o que, feitas as contas, nem é uma coisa má de se ser…

E vocês? Viam os Moto-Ratos? Que recordações guardam desta série? Partilhem nos comentários! E para vos avivar a memória, aqui fica o genérico inicial, tal como era transmitido na SIC nos idos de 1994...

 

27.04.21

NOTA: Este post corresponde a Segunda-feira, 27 de Abril de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

'Teenage Mutant Hero Turtles, Teenage Mutant Hero Turtles, TEENAGE MUTANT HERO TURTLES...'

Tinha de começar assim, com o ultra-memorável genérico de abertura, um post sobre uma das séries animadas mais populares em Portugal (e no Mundo) na década de 90: os Quatro Jovens Tarta-Heróis, ou, como são mais frequentemente conhecidos, as Tartarugas Ninja.

28_ninja-turtles-logo.png

A adaptação televisiva (e bastante ‘infantilizada’) da banda desenhada criada em meados da década de 80 por Kevin Eastman e Peter Laird (a qual era, aliás, bastante ‘dark’, sarcástica e com laivos de ‘BD de autor’, muito pouco adequada a um publico infantil!)  chegou às televisões portuguesas em 1991, quatro anos depois da sua data original de estreia nos Estados Unidos, e quando já havia inclusivamente sido produzido um filme de ‘acção real’ baseado nas aventuras dos répteis mascarados praticantes de artes marciais, do seu ‘sensei’ ratazana, e dos capangas igualmente antropomórficos do grande vilão Shredder, o Destruidor. Os mais atentos, no entanto, já teriam visto, em alguma loja de brinquedos ou de roupa, ‘merchandising’ oficial dos personagens, o qual, tal como acontecera com os Simpsons, chegara às nossas costas antes do material em que era baseado! O habitual (à época) atraso na chegada de produtos mediáticos estrangeiros ao nosso país fez, no entanto, com que muitas crianças só tomassem contacto com os Tarta-Heróis aquando do seu aparecimento na RTP, e subsequente estreia do segundo filme ‘live-action’, subtitulado ‘O Segredo da Lama Verde’ (no original, ‘Secret of The Ooze’.)

(De referir que, em Portugal, a série era transmitida com o título 'Teenage Mutant Hero Turtles' em vez do original 'Ninja', tendo esta medida sido adoptada aquando da exportação da série, a fim de evitar potenciais censuras em certos países mais sensíveis. Só quando a 'pop culture' norte-americana se começou a confundir com a mundial é que toda uma geração de jovens conheceria o nome original da série de que tanto haviam gostado na sua infância.)

la-locandina-di-tartarughe-ninja-ii-il-segreto-di-

'Poster' original de 'Tartarugas Ninja 2: O Segredo da Lama Verde' (1991)

Apesar do atraso, no entanto, o sucesso foi instantâneo, tendo a ‘Tartamania’ invadido quase de imediato os recreios das escolas de Norte a Sul do país. Toda a gente tinha a sua tartaruga favorita, toda a gente sabia o genérico (mais ou menos) de cor (mesmo quem ainda não sabia inglês conseguia reproduzir aproximadamente os sons das palavras) e ninguém perdia sequer um episódio dessa série original – a qual, ressalve-se, era transmitida com legendas, facto que, mesmo assim, não intimidou os ‘putos’ da época, que devoravam a série e tentavam rodear-se do máximo de ‘merchandising’ possível.

E havia muito por onde escolher, desde os bonecos (oficiais e ‘piratas’, como não podia deixar de ser) passando por roupa, lençóis, porta-chaves de espuma, carteiras, dispensadores de drageias Pez, revistas de BD baseadas na série (e já com pouco a ver com a obra original de Eastman e Laird) ou a inevitável caderneta de cromos da Panini, até aos habituais items com pouco a ver com as Tartarugas, aos quais era adicionado um autocolante ou funcionalidade para justificar a licença – como pistolas espaciais (sim, a sério!) e máquinas fotográficas. Curiosamente, o único produto passível de agradar às crianças que nunca foi comercializado com a cara das Tartarugas foi o seu alimento favorito, as ‘pizzas’! Uma oportunidade de ‘marketing’ perdida, sem qualquer dúvida…

1[1].jpg

c4020d17788f64e407b47b24b9c5d1ac.jpg

Capas do número 1 da adaptação em BD da série e da caderneta de cromos da Panini, respectivamente

De entre os produtos licenciados disponíveis, os mais populares (até por terem preços acessíveis) eram, sem dúvida, os porta-chaves, as t-shirts, e os cromos – quer os da Panini, quer os que saíam na mesma altura nas bolachas Triunfo, que revelaram excelente ‘timing’ na aquisição da licença. No entanto, com as Tartarugas Ninja, era mesmo caso para dizer que ‘tudo o que viesse à rede era peixe’ (ou réptil…) A ‘Tartamania’ vigente em Portugal à época era tal, que se alguém se lembrasse de lançar uma linha de bases de copos ou portadores de guardanapos com as caras dos personagens, a mesma seria um êxito junto do público jovem (aqui por casa, por exemplo, havia um individual de mesa dos Tarta-Heróis, em plástico, o qual era tão utilizado quanto estimado, e ainda um protector de atacadores com a forma da cabeça de uma das Tartarugas.) Uma verdadeira ‘febre’, apenas comparável à que se deu, alguns anos mais tarde, aquando da chegada de ‘Dragon Ball Z’ a Portugal.

img_137704503_1291802458_abig.jpg

Um dos populares porta-chaves da época (crédito da foto: Enciclopédia de Cromos)

Inevitavelmente, no entanto, esta ‘mania’ viria também a passar, e o interesse das crianças pela série a esmorecer gradualmente, à medida que outros interesses lhes ocupavam os tempos livres. Um terceiro filme muito, muito fraquinho – produzido em 1993 e exibido em Portugal pouco depois – também não ajudou em nada a ‘causa’, e quando, em meados da década, a SIC voltou a transmitir as aventuras de Leonardo, Rafael, Donatello e Miguel Ângelo – agora dobradas em português – a recepção foi bem mais tépida, não se tendo repetido a ‘febre’ vivida alguns anos antes.

Ainda assim, lá por fora, ‘TMNT’ continuou a gozar de suficiente popularide para justificar não só a produção de várias séries-clone (das quais falaremos paulatinamente aqui no blog), mas também de uma série de acção real - ainda pior que o último filme, mas importante por introduzir uma Tartaruga feminina, Venus de Milo - um especial de Natal, um espectáculo de teatro musical (!) com CD a acompanhar (!!) e vários ‘reboots’ oficiais, incluindo um filme em CGI (em 2007), dois de acção real – a controversa adaptação de Michael Bay e o divertidíssimo ‘Fora das Sombras’, o melhor filme do grupo desde ‘O Segredo da Lama’ - e duas séries, uma em animação tradicional (em 2003) e a outra em CGI (em 2012). É certo que a maioria destes produtos (sobretudo os lançados nos anos 90) nunca chegaram a Portugal, mas também é verdade que, ainda este ano, se voltou a falar num novo ‘reboot’ para o 'franchise' Ninja Turtles, o que prova que os ‘heróis de meia-casca’ estão para ficar na actual, e altamente revivalista, cultura ‘pop’ mundial!

EAcW16fWsAEU16c.jpg

As séries modernas das Tartarugas Ninja

Se a série original valia todo este ‘culto’…é discutível. Apesar de altamente apelativa para as crianças da época, sofria dos habituais erros de animação e dobragem - frequentes em produções animadas daquele tempo – e muitas das histórias eram pouco convincentes. No entanto, no seu melhor, a série rivalizava com qualquer outra daquela época, sendo a maioria das memórias da ‘nossa’ geração totalmente justificadas.

E vocês? Eram fãs? Deste lado, a resposta é um inequívoco ‘SIM!’, estando esta série, nas nossas memórias, ao nível das posteriores ‘Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’. De bonecos (um oficial e outro pirata) a uma carteira (onde orgulhosamente guardámos o dinheiro para o bolinho da manhã no primeiro ano da escola primária), passando por t-shirts, o inevitável porta-chaves ou o referido individual, até à não menos inevitável colecção de cromos ou à tal pistola espacial, havia de tudo um pouco lá por casa – e o mesmo se passava com os nossos colegas, que inclusivamente se chegavam a mascarar de Tartaruga pelo Carnaval. Também têm destas memórias? Partilhem nos comentários! Até lá, porque nunca é demais, fiquem novamente com AQUELA música…

'...heroes in a half-shell...TURTLE POWER!'

20.04.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

E se nos dois posts anteriores falámos dos mais célebres programas ‘de auditório’ para crianças, na publicação de hoje vamos falar daquele que foi talvez o mais célebre representante ‘para adultos’ do género durante os anos 90.

Sim, esse mesmo, o Big Show SIC -  uma espécie de versão ‘para gente grande’ do Buereré, concebido pelo mesmo criador do programa de Ana Malhoa, Ediberto Lima. Neste, não havia desenhos animados (o que faz sentido, dado o programa não ser dirigido a um público infanto-juvenil) mas havia concursos, rábulas e atuações dos mais variados artistas de música popular portuguesa – a chamada música ‘pimba’, da qual já falamos noutro post deste blog – os quais eram frequentemente ignorados pelas estações de televisão devido à sua conotação com o ‘popularucho’. Ao resolver remediar esta situação e dar a estes artistas um palco para brilhar, Ediberto acabou por criar um dos mais bem-sucedidos programas de variedades da década, e o programa-estandarte da estação de Carnaxide durante os próximos seis anos.

O formato do Big Show SIC recriava diretamente o de produções análogas da terra-natal de Ediberto Lima, como o Domingão do Faustão ou o Caldeirão do Huck – ou seja, misturava performances musicais com passatempos e segmentos de humor, tudo apresentado por um mestre de cerimónias carismático e capaz de apelar a um vasto segmento da população. No caso português, o papel de Fausto Silva, Gugu Liberato ou Luciano Huck coube a João Baião, um (até então) ator de variedades que abraçou a nova carreira com gosto, tornando-se presença marcante das tardes portuguesas com o seu estilo de apresentação frenético e energético, ao mais puro estilo ‘coelhinho da Duracell depois de dez abatanados’. As suas frases feitas, dichotes e piadas, bem como as suas características ‘corridinhas’ pelo cenário, conferiam uma dose extra de charme e personalidade, tornando memorável aquilo que, de outro modo, seria apenas mais um programa de variedades mediano.

A 'corda' de João Baião era tanta, que às vezes até caía...

Para ajudar a ‘animar as hostes’, Baião contava com o apoio do DJ Pantaleão – autor da famosa frase ‘AI! EU TÔ MALUCOOOOO!’ – Alfredo Martins, o ‘Gaio’, e o Macaco Hadrianno, um homem num fato de gorila cuja função era transportar os participantes menos talentosos de um segmento musical para fora do estúdio…às suas costas. Este último viria, mais tarde, a renovar a sua fama entre a miudagem, ao ser ‘emprestado’ ao Buereré de Ana Malhoa que, famosamente, lhe dedicaria uma canção no primeiro disco de músicas retiradas do programa infantil.

Na fase de declínio do Big Show SIC – já na década de 2000 – este pequeno mas marcante lote de coadjuvantes ver-se-ia acrescido de mais um nome – o ratinho Topo Gigio, uma criação da TV italiana já com várias décadas de vida (e algum ‘merchandising’ à venda em Portugal) e que faria assim o seu regresso à televisão portuguesa, vinte anos após o programa que o celebrizou, apresentado por António Semedo.

Vídeo promocional alusivo à estreia de Topo Gigio no Big Show SIC

A sua adição não foi, ainda assim, suficiente para salvar o programa, que ainda conseguiria segurar-se por mais de um ano no novo milénio, antes de se despedir do público das tardes portuguesas, em Março de 2001. Por esta altura, o programa já não contava com a apresentação de João Baião, tendo como apresentadores, primeiro, Jorge Gabriel e, mais tarde, José Figueiras – nomes carismáticos, mas que não faziam esquecer aquele que se havia tornado um verdadeiro símbolo do programa (Baião revelou recentemente, em entrevista ao Canal Q, que ainda hoje é abordado na rua por fãs do Big Show SIC, que lhe perguntam sobre um possível regresso do programa.)

O Big Show SIC pós-Baião, nas variantes Jorge Gabriel e José Figueiras, respetivamente

Em suma, durante os seus seis anos de vida, o Big Show SIC logrou tornar-se um clássico da televisão portuguesa, e ficar na memória de milhões de telespectadores de Norte a Sul do País – entre os quais muitas crianças e jovens. Embora não fosse diretamente dirigido ao público mais novo, o horário do programa permitia a grande parte deste segmento assistir ao mesmo à chegada da escola, cimentando assim a sua popularidade entre os grupos etários mais baixos. A receita baseada em humor simples e popular, excitantes concursos e atuações de artistas de variedades também ajudava a tornar o programa atrativo para os mais novos, que só sentiam mesmo a falta dos desenhos animados que caracterizavam o programa-irmão do Big Show que lhes era, esse sim, dirigido - o Buereré.

E vocês? Viam o Big Show? Que memórias têm dele? Por aqui, confessamos ser este o primeiro post do blog cujo foco não faz, diretamente, parte das nossas memórias infantis – cá por casa, era programa que não se via. Ainda assim, muitos colegas na escola não perdiam uma emissão, e o Big Show era frequentemente motivo de conversa no recreio. Também era assim convosco? Partilhem as vossas memórias nos comentários!

E pronto, agora já podem ir fazer o chichizinho e tomar um cafezinho! Até à próxima!

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub