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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.05.21

NOTA: Este post é correspondente a Domingo, 30 de Maio de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E porque atualmente se vai desenrolando uma emocionante série de cinco jogos destinada a apurar o Campeão Nacional de Basquetebol, nada melhor do que recordar o programa que apresentou este fascinante desporto a toda uma geração, em plena ‘Golden Age’ do mesmo no seu país natal, e durante uma época de ‘vacas magras’ a nível nacional.

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Falamos, claro, do NBA Action, o saudoso programa da RTP2 que terá convertido muitos ‘90s kids’ em fãs confessos da liga profissional de basquetebol norte-americana (a famosa NBA) e de jogadores como ‘Magic’ Johnson, Shaquille O’Neal, Patrick Ewing, Dennis Rodman e, sobretudo, Michael Jordan. Numa época em que os jogos de computador e consola ainda estavam longe de conseguir capturar as emoções fortes e ritmo alucinante de um jogo de verdade, um programa como este – declaradamente estruturado como uma compilação dos melhores momentos de cada jornada do referido campeonato – eram o melhor veículo para transmitir a essência do que era o basquetebol de alta competição da época.

Um exemplo típico do conteúdo do programa

E a verdade é que era difícil a qualquer criança não se entusiasmar com os lances artísticos, contra-ataques e ‘afundanços’ característicos do principal campeonato mundial da bola ao cesto – ainda mais quando estavam montados de forma tão emocionante quanto neste programa, e relatados pelas carismáticas vozes de Carlos Barroca (conhecido por se despedir desejando aos espectadores ‘a continuação de um dia faaaaaaan-tástico!’) e João Coutinho, dois apaixonados do basquetebol cujo gosto pelo desporto transparecia nos seus relatos, tornando os jogos tão emotivos para os espectadores como para os comentadores.

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Carlos Barroca, um comentador 'faaaaan-tástico!'

Com as suas rápidas sequências de jogadas mirabolantes, culminando na inesquecível lista das ’10 melhores jogadas da semana’, e comentários apaixonantes (e apaixonados) o ‘NBA Action’  constituía uma excelente maneira de passar uma hora em frente à televisão, numa tarde preguiçosa de Sábado, e um ainda melhor veículo para fomentar uma nova paixão junto dos jovens espectadores – não será por acaso que, depois da estreia do programa, houve um abrupto aumento nas vendas de ‘merchandising’ alusivo a basquetebol entre a juventude portuguesa…

Claro que, numa era em que o resumo de qualquer jogo está disponível no YouTube minutos depois do fim do mesmo, e em que a televisão portuguesa conta com múltiplos canais desportivos, um programa como o ‘Action’ já não faz grande sentido; ainda assim, esta bem-sucedida tentativa da RTP nos anos 90 serve como forma de recordar uma época menos ‘conectada’ e imediatista, em que o espectador médio dependia deste tipo de formato para saber o que se ia passando no seu desporto favorito, ou até conhecer novos desportos de eleição…

27.04.21

NOTA: Este post corresponde a Segunda-feira, 27 de Abril de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

'Teenage Mutant Hero Turtles, Teenage Mutant Hero Turtles, TEENAGE MUTANT HERO TURTLES...'

Tinha de começar assim, com o ultra-memorável genérico de abertura, um post sobre uma das séries animadas mais populares em Portugal (e no Mundo) na década de 90: os Quatro Jovens Tarta-Heróis, ou, como são mais frequentemente conhecidos, as Tartarugas Ninja.

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A adaptação televisiva (e bastante ‘infantilizada’) da banda desenhada criada em meados da década de 80 por Kevin Eastman e Peter Laird (a qual era, aliás, bastante ‘dark’, sarcástica e com laivos de ‘BD de autor’, muito pouco adequada a um publico infantil!)  chegou às televisões portuguesas em 1991, quatro anos depois da sua data original de estreia nos Estados Unidos, e quando já havia inclusivamente sido produzido um filme de ‘acção real’ baseado nas aventuras dos répteis mascarados praticantes de artes marciais, do seu ‘sensei’ ratazana, e dos capangas igualmente antropomórficos do grande vilão Shredder, o Destruidor. Os mais atentos, no entanto, já teriam visto, em alguma loja de brinquedos ou de roupa, ‘merchandising’ oficial dos personagens, o qual, tal como acontecera com os Simpsons, chegara às nossas costas antes do material em que era baseado! O habitual (à época) atraso na chegada de produtos mediáticos estrangeiros ao nosso país fez, no entanto, com que muitas crianças só tomassem contacto com os Tarta-Heróis aquando do seu aparecimento na RTP, e subsequente estreia do segundo filme ‘live-action’, subtitulado ‘O Segredo da Lama Verde’ (no original, ‘Secret of The Ooze’.)

(De referir que, em Portugal, a série era transmitida com o título 'Teenage Mutant Hero Turtles' em vez do original 'Ninja', tendo esta medida sido adoptada aquando da exportação da série, a fim de evitar potenciais censuras em certos países mais sensíveis. Só quando a 'pop culture' norte-americana se começou a confundir com a mundial é que toda uma geração de jovens conheceria o nome original da série de que tanto haviam gostado na sua infância.)

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'Poster' original de 'Tartarugas Ninja 2: O Segredo da Lama Verde' (1991)

Apesar do atraso, no entanto, o sucesso foi instantâneo, tendo a ‘Tartamania’ invadido quase de imediato os recreios das escolas de Norte a Sul do país. Toda a gente tinha a sua tartaruga favorita, toda a gente sabia o genérico (mais ou menos) de cor (mesmo quem ainda não sabia inglês conseguia reproduzir aproximadamente os sons das palavras) e ninguém perdia sequer um episódio dessa série original – a qual, ressalve-se, era transmitida com legendas, facto que, mesmo assim, não intimidou os ‘putos’ da época, que devoravam a série e tentavam rodear-se do máximo de ‘merchandising’ possível.

E havia muito por onde escolher, desde os bonecos (oficiais e ‘piratas’, como não podia deixar de ser) passando por roupa, lençóis, porta-chaves de espuma, carteiras, dispensadores de drageias Pez, revistas de BD baseadas na série (e já com pouco a ver com a obra original de Eastman e Laird) ou a inevitável caderneta de cromos da Panini, até aos habituais items com pouco a ver com as Tartarugas, aos quais era adicionado um autocolante ou funcionalidade para justificar a licença – como pistolas espaciais (sim, a sério!) e máquinas fotográficas. Curiosamente, o único produto passível de agradar às crianças que nunca foi comercializado com a cara das Tartarugas foi o seu alimento favorito, as ‘pizzas’! Uma oportunidade de ‘marketing’ perdida, sem qualquer dúvida…

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Capas do número 1 da adaptação em BD da série e da caderneta de cromos da Panini, respectivamente

De entre os produtos licenciados disponíveis, os mais populares (até por terem preços acessíveis) eram, sem dúvida, os porta-chaves, as t-shirts, e os cromos – quer os da Panini, quer os que saíam na mesma altura nas bolachas Triunfo, que revelaram excelente ‘timing’ na aquisição da licença. No entanto, com as Tartarugas Ninja, era mesmo caso para dizer que ‘tudo o que viesse à rede era peixe’ (ou réptil…) A ‘Tartamania’ vigente em Portugal à época era tal, que se alguém se lembrasse de lançar uma linha de bases de copos ou portadores de guardanapos com as caras dos personagens, a mesma seria um êxito junto do público jovem (aqui por casa, por exemplo, havia um individual de mesa dos Tarta-Heróis, em plástico, o qual era tão utilizado quanto estimado, e ainda um protector de atacadores com a forma da cabeça de uma das Tartarugas.) Uma verdadeira ‘febre’, apenas comparável à que se deu, alguns anos mais tarde, aquando da chegada de ‘Dragon Ball Z’ a Portugal.

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Um dos populares porta-chaves da época (crédito da foto: Enciclopédia de Cromos)

Inevitavelmente, no entanto, esta ‘mania’ viria também a passar, e o interesse das crianças pela série a esmorecer gradualmente, à medida que outros interesses lhes ocupavam os tempos livres. Um terceiro filme muito, muito fraquinho – produzido em 1993 e exibido em Portugal pouco depois – também não ajudou em nada a ‘causa’, e quando, em meados da década, a SIC voltou a transmitir as aventuras de Leonardo, Rafael, Donatello e Miguel Ângelo – agora dobradas em português – a recepção foi bem mais tépida, não se tendo repetido a ‘febre’ vivida alguns anos antes.

Ainda assim, lá por fora, ‘TMNT’ continuou a gozar de suficiente popularide para justificar não só a produção de várias séries-clone (das quais falaremos paulatinamente aqui no blog), mas também de uma série de acção real - ainda pior que o último filme, mas importante por introduzir uma Tartaruga feminina, Venus de Milo - um especial de Natal, um espectáculo de teatro musical (!) com CD a acompanhar (!!) e vários ‘reboots’ oficiais, incluindo um filme em CGI (em 2007), dois de acção real – a controversa adaptação de Michael Bay e o divertidíssimo ‘Fora das Sombras’, o melhor filme do grupo desde ‘O Segredo da Lama’ - e duas séries, uma em animação tradicional (em 2003) e a outra em CGI (em 2012). É certo que a maioria destes produtos (sobretudo os lançados nos anos 90) nunca chegaram a Portugal, mas também é verdade que, ainda este ano, se voltou a falar num novo ‘reboot’ para o 'franchise' Ninja Turtles, o que prova que os ‘heróis de meia-casca’ estão para ficar na actual, e altamente revivalista, cultura ‘pop’ mundial!

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As séries modernas das Tartarugas Ninja

Se a série original valia todo este ‘culto’…é discutível. Apesar de altamente apelativa para as crianças da época, sofria dos habituais erros de animação e dobragem - frequentes em produções animadas daquele tempo – e muitas das histórias eram pouco convincentes. No entanto, no seu melhor, a série rivalizava com qualquer outra daquela época, sendo a maioria das memórias da ‘nossa’ geração totalmente justificadas.

E vocês? Eram fãs? Deste lado, a resposta é um inequívoco ‘SIM!’, estando esta série, nas nossas memórias, ao nível das posteriores ‘Dragon Ball Z’ e ‘Power Rangers’. De bonecos (um oficial e outro pirata) a uma carteira (onde orgulhosamente guardámos o dinheiro para o bolinho da manhã no primeiro ano da escola primária), passando por t-shirts, o inevitável porta-chaves ou o referido individual, até à não menos inevitável colecção de cromos ou à tal pistola espacial, havia de tudo um pouco lá por casa – e o mesmo se passava com os nossos colegas, que inclusivamente se chegavam a mascarar de Tartaruga pelo Carnaval. Também têm destas memórias? Partilhem nos comentários! Até lá, porque nunca é demais, fiquem novamente com AQUELA música…

'...heroes in a half-shell...TURTLE POWER!'

13.04.21

NOTA: Este post corresponde a Segunda-feira, 12 de Abril de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

E hoje falamos de uma série que, apesar de dirigida a um público adulto, fez também grande sucesso entre os grupos etários mais novos quando foi transmitida em Portugal – primeiro pela RTP e depois, memoravelmente, pela TVI.

Sim, essa mesmo – a lendária 'Baywatch', conhecida em Portugal como ‘Marés Vivas’, e que marcou as tardes de muitas crianças e adolescentes durante aquela década.

Inicialmente concebida em 1989, como homenagem a um acontecimento real, a série sobre a equipa de banheiros salva-vidas mais atraente da história não viria, no entanto, a conhecer sucesso até ao início da década seguinte, tendo as audiências da primeira temporada sido bastante discretas por comparação com as dez seguintes. Ainda assim, após ter ganho tracção, a série tornou-se um verdadeiro fenómeno, sendo ainda hoje o programa de ficção mais visto da história da televisão.

Como não podia deixar de ser, esse sucesso acabaria, eventualmente, por ‘dar à costa’ em Portugal (sem que houvesse qualquer equipa de esculturais salva-vidas pronta a prestar socorro) alguns anos depois de ter conhecido sucesso nos EUA – como, aliás, costumava acontecer com a maioria dos produtos de ‘media’ daquele tempo. Talvez conhecedora do sucesso que o programa fazia do outro lado do Atlântico, a RTP comprou os direitos de transmissão, tornando-se a primeira estação a exibir as aventuras de Mitch Buchannon e companhia em território nacional. O proveito, no entanto, ficaria para a TVI, pois seria sob a alçada da estação de Queluz que a série viveria o seu momento de maior popularidade entre os espectadores portugueses. Ao todo, foram cinco anos, de 1992 a 1997, em que o grupo de nadadores-salvadores de Malibu se tornou companhia fiel de miúdos e graúdos, tornando a série num dos mais memoráveis êxitos da televisão portuguesa nos anos 90.

A razão para este sucesso, essa, é bem conhecida…

 

Sim, a famosa ‘corrida em câmara lenta’, a principal imagem de marca de ‘Marés Vivas’, é famosa ao ponto de se ter tornado meme na Internet...antes mesmo de existir o conceito de meme. Concebida com o fito único de realçar os atributos físicos do elenco, acontecia no mínimo uma vez por episódio, e era o momento favorito da maioria dos espectadores, até aqueles que viam a série pelas histórias. Isto porque os ‘corredores’ constituíam um verdadeiro desfilar de corpos esculturais, com destaque para Pamela Anderson Lee (dona, à época, das curvas mais conhecidas do Mundo) mas entre os quais também se contavam nomes como Carmen Electra e Yasmin Bleeth (do lado das mulheres), ou os 'três Davids' - David Chokachi, David Charvet e o próprio Hasselhoff - do lado dos homens, todos presenças assíduas nas revistas de 'teen idols' da época. No cômputo geral, havia muito que admirar, fazendo com que valesse a pena ver os episódios, até quando as histórias eram mais ‘fraquinhas’…

Que não se pense, no entanto, que as tais cenas em ‘slow-motion’ eram tudo o que Marés Vivas tinha para oferecer; pelo contrário, no auge da sua popularidade, o programa contou com ‘cross-overs’ com a companhia de luta-livre americana WCW, entre outros atrativos de peso para o público jovem. Isto sem esquecer Hobie o filho de Mitch, um personagem adolescente destinado a servir de ‘elo’ com o público, e que era relativamente bem-sucedido nessa missão. No entanto, não vale a pena tentar negar que, sem as mulheres em fato de banho e os homens em tronco nu a correr na praia, tudo isto teria sido, mais ou menos, em vão…

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Em suma, ‘Marés Vivas’ era exatamente aquilo que ambicionava ser – uma série ‘levezinha’, declaradamente ‘popcorn’, de escapismo puro (veja-se o elenco…) e que se alinhava perfeitamente com outros produtos televisivos da época que aqui abordaremos paulatinamente, como ‘Beverly Hills 90210.’ O legado e estatuto de que hoje goza devem-se, sobretudo, à paixão da Internet pela nostalgia da infância, para a qual estamos, neste preciso momento, a contribuir. Ainda assim, o seu sucesso foi suficiente para justificar não uma, mas DUAS séries ‘spin-off’, ‘Baywatch Nights’ e ‘Baywatch Hawaii’, esta com Jason Momoa com um dos membros da equipa.

É claro que nenhuma das duas sequer ameaçou atingir os níveis de sucesso do original, e o ‘franchise’ viria mesmo a desaparecer da memória colectiva da sociedade em geral…até 2017, em que a febre dos ‘remakes’ de tudo e mais alguma coisa levou a uma tentativa de ressuscitar ‘Baywatch’, sob a forma de um filme com The Rock e Zac Efron nos principais papéis, e uma toada mais declaradamente cómica.

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Poster do filme de 2016

Apesar da recepção afável de que gozou, no entanto, o filme não deixou totalmente satisfeitos nem os fãs da série – que não gostaram do tom de paródia – nem aqueles que esperavam uma abordagem mais sarcástica, para os quais o filme se afirmou demasiado sério. Assim, e até ver, a dita longa-metragem terá mesmo sido o último prego no caixão deste ‘franchise’ que marcou tantas crianças e adolescentes durante os seus anos áureos – não sendo Portugal exceção a essa regra.

E vocês? Viam? Gostavam? Qual o vosso salva-vidas-modelo favorito? Por aqui, a então jovem Carmen Electra ganhava (e ainda ganha…) à plástica Pamela… Concordam? Discordam? Façam-se ouvir nos comentários!

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