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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

28.11.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Numa altura da História em que as gerações mais novas já nasceram rodeadas de todas as inovações que os seus pais viram surgir quando eram da mesma idade, as empresas vêem-se obrigadas a empregar esforços mais árduos do que nunca para impressionar o seu público-alvo. Hoje em dia, tudo é mais colorido, mais rápido, mais barulhento e com mais 'truques na manga' do que tudo o resto, na esperança de conseguir capturar a imaginação da hiper-tecnológica e hiperactiva 'Geração Alfa'.

Antes do 'boom' tecnológico de inícios do século XXI ter para sempre mudado o paradigma da publicidade e 'marketing', no entanto, era bem mais fácil a uma companhia tornar o seu produto num sucesso entre o público mais jovem; bastava, para tal, ter uma ideia verdadeiramente inovadora ou apelativa para a referida demografia – por mais simples que a mesma fosse – e desenhar em torno dela uma campanha de 'marketing' que a tornasse irresistível. Esta estratégia, liberalmente empregue ao longo de toda a segunda metade do século XX, tornou um sem-número de conceitos relativamente simples e modestos em mega-sucessos de vendas, e os anos 90 assistiram a um exemplo perfeito desse mesmo fenómeno, sob a forma da chamada Ondamania.

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Já conhecida no estrangeiro desde os anos 40 – com destaque para os Estados Unidos, onde foi criada e onde era conhecida como 'Slinky' – mas chegada a Portugal em meados da década em causa, a Ondamania mais não era do que uma mola em formato de concertina, em plástico de cores berrantes, e que tinha na sua resistência e maleabilidade o seu principal argumento. As Ondamanias podiam ser esticadas, dobradas, atiradas, usadas como iô-iô improvisado (ou não fossem molas) ou à laia de pulseira, sem que com isso se danificassem grandemente (os 'dentes' da mola abriam um pouco, mas a funcionalidade essencial não se alterava.) Só isto já seria suficiente para tornar o brinquedo num favorito entre a criançada, mas a Ondamania escondia ainda mais um truque na manga - ou antes, O truque: a Ondamania sabia descer escadas.

Sim, por muitos usos que a Mola Maluca (como também era conhecida) tivesse, a mesma não teria tido o sucesso que teve não fosse a habilidade que lhe havia sido atribuída de descer um lanço de escadas completo sem se desfazer ou enrodilhar; e a verdade é que ver aquele brinquedo de plástico inanimado menear-se pelos degraus abaixo, qual lagarta (a de cá de casa era verde, o que ainda acentuava mais a semelhança) era algo de estranhamente fascinante para a criança média da era pré-Internet.

O resultado foi o inevitável: aquele brinquedo criado por um engenheiro americano nos anos 40, para divertir crianças pobres, celebrava o seu 50º aniversário tornando-se 'febre' absoluta entre as crianças de classe média de um país a dois oceanos de distância. E 'febre' é mesmo a palavra para descrever o impacto da Ondamania – talvez não ao nível de uns Tazos (mas convenhamos, poucos fenómenos atingem esse nível), mas certamente mais popular do que um brinquedo do seu grau de simplicidade poderia alguma vez almejar a ser.

Como todas as febres, no entanto, também esta chegou ao fim; de um momento para o outro, as Ondamanias deixaram de ser presença constante nos quartos de cama infantis e pátios de recreio por esse Portugal fora, tornando-se apenas mais um brinquedo obsoleto, esquecido em favor da 'moda' que se seguia (que, no caso, viriam a ser os Diabolos.) E como seria de prever, um brinquedo de tal modo simples não teve grandes hipóteses de recuperar a sua popularidade, acabando (pelo menos em Portugal) por cair no esquecimento – pelo menos até, quase trinta anos depois do seu auge, um blog nostálgico resolver dedicar um artigo inteiro a recordá-lo...

31.10.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

O fim dos anos 89 e início da década seguinte viu despontar no mercado infanto-juvenil uma tendência, algo insólita, para figuras moldadas em borracha monocromática e de dimensões extremamente reduzidas. A primeira linha deste tipo a obter sucesso (ainda que nem tanto em Portugal) foram os lutadores de M.U.S.C.L.E., os quais – com os seus modelos baseados em minotauros ou em forma de mão – acabaram por abrir caminho à linha de que falamos hoje: Monsters in My Pocket.

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Algumas das figuras da linha

Lançada pela Matchbox – sim, a dos carrinhos – mesmo no dealbar da década de 90, esta linha de figuras seguia exactamente o mesmo princípio de M.U.S.C.L.E., mas substituindo o tema inspirado na luta-livre daquela série por outro baseado nos monstros clássicos, tanto da mitologia como do cinema. Frankenstein e Drácula conviviam, assim, lado a lado com figuras baseadas na mitologia grega, como a Hidra ou a Medusa, para além de alguns monstros mais 'genéricos' e sem qualquer filiação especial, mas ainda assim muito bem desenhados e moldados, fazendo jus à reputação da Matchbox como fabricante de brinquedos de qualidade.

Também a mecânica de jogo – sim, estas figuras eram criadas para servir como instrumentos de jogo – era semelhante à de M.U.S.C.L.E., com cada figura a ter impresso nas costas um número, correspondente ao seu 'poder'; a vertente competitiva consistia em pôr frente a frente duas figuras e comparar os respectivos números, ganhando – previsivelmente – o jogador que tivesse o número maior. Um processo tão simples que mal contava como 'jogo', mas que era ainda assim suficiente para cativar o público-alvo de rapazes pré-adolescentes, sempre dispostos a 'medir forças' seja sob que pretexto fôr.

Como seria de esperar para qualquer linha infanto-juvenil de sucesso nos anos 90, Monsters in My Pocket (que, estranhamente, nunca viu o seu nome traduzido para português) teve direito a uma série de itens de 'merchandise', dos mais bizarros (um jogo para a Nintendo original, ou NES) aos mais previsíveis, como a obrigatória caderneta de cromos da Panini.

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A inevitável caderneta da Panini

Apesar de tudo, no entanto, a 'febre' das figuras em miniatura em Portugal foi algo menor do que noutros países (incluindo a vizinha Espanha) tendo esta linha, como as suas congéneres, sido algo ofuscada por outras ofertas da altura, como os Pega-Monstro; ainda assim, a mesma afirmou-se como suficientemente memorável para merecer uma menção nas páginas deste nosso blog, ainda que sómente no contexto de um Especial Halloween...

25.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 25 de Outubro de 2021.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Cavalos, castelos, arco-íris, flores, guloseimas, cores pastel e poderes mágicos benignos – estas são algumas das preferências mais declaradas da maioria das raparigas de uma certa idade, e alguns dos principais elementos a explorar por alguém que deseje dirigir o seu produto a esta faixa etária. Mas e se essa pessoa (ou companhia) desse o passo seguinte, e misturasse TODAS essas coisas num só conceito?

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Foi precisamente isso que a fabricante de brinquedos norte-americana Hasbro decidiu fazer, no início dos anos 80, aquando do lançamento da linha conhecida como My Little Pony (em português, O Meu Pequeno Pónei.) E o resultado, como em seguida veremos, não poderia ter sido melhor, tendo a linha sido um sucesso de vendas tanto no imediato como ao longo dos quarenta (!) anos seguintes.

Nascida a partir de um único brinquedo – um pónei com feições interactivas chamado My Pretty Pony e criado por uma ilustradora e um escultor – a linha Meu Pequeno Pónei teve o seu início oficial em 1982, e começou de imediato a cativar a imaginação de milhares de rapariguinhas, primeiro nos Estados Unidos e depois no resto do Mundo. Com os seus esquemas de cores pastel, olhos grandes, crinas longas e extremamente 'penteáveis' e imagética centrada em temas como flores, doces e arco-íris, estes produtos não poderiam ser uma intersecção mais perfeita dos interesses do seu público-alvo, o que ajuda obviamente a explicar o sucesso de que gozaram logo após o seu lançamento no mercado.

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Um exemplar bastante típico da linha original 

 

Daí até à criação de todo um mundo e mitologia em torno destes cavalinhos 'fofos' foi um pequeno passo, e apenas dois anos após a sua criação, os Pequenos Póneis surgiam nos cinemas, sob a forma de um filme animado. Estava lançado um império que, entre altos e baixos, se conseguiria no entanto manter relevante até aos dias que correm.

Portugal não ficou, como é óbvio, imune a este fenómeno, tendo a linha original de póneis chegado aos escaparates ainda na década de lançamento, e gozado o seu período de maior sucesso entre finais dos anos 80 e meados da década seguinte, altura em que chegou a passar na televisão nacional a série animada nela baseada. À medida que as bonecas se iam sofisticando, e que outros brinquedos iam aparecendo e captando a atenção do público-alvo dos póneis de cores pastel, a linha foi gradualmente decrescendo em popularidade, ainda que nunca tivesse desaparecido totalmente do imaginário infantil feminino.

De facto, a linha provou ser tão popular que conseguiu inclusivamente sobreviver à inevitável transição de gerações, adaptando as suas linhas às preferências das crianças modernas (um pouco à semelhança do que já havia acontecido com as bonecas Barbie, ainda que em menor escala) e conseguindo recuperar uma posição dianteira nas preferências das mesmas, através de uma nova série animada que rapidamente se afirmou como a mais bem sucedida de sempre, com oito temporadas produzidas entre 2010 e 2020, e uma sequela já produzida e inaugurada por intermédio de um filme CGI, já este ano. Há, portanto, que juntar a adaptabilidade e resiliência à lista de características da linha Meu Pequeno Pónei – e com base no que verificou na última década, é de crer que estas qualidades permitam aos cavalinhos da Hasbro manterem-se 'vivos' e relevantes durante pelo menos mais uma década, e conquistar os corações de ainda mais uma geração de crianças, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.

10.10.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Qualquer criança dos anos 90 – sobretudo do sexo masculino – terá vivas recordações daquele período de um ou dois anos, durante a sua infância, em que cultivou uma verdadeira obsessão por dinossauros. Já de si ‘feitos à medida’ para agradar à demografia em causa, estes misteriosos monstros pré-históricos foram, em meados dos anos 90, alvo de renovado interesse por parte do público infanto-juvenil ocidental, como conseguência da estreia do filme ‘Parque Jurássico’, um dos maiores sucessos de bilheteira da década e ainda hoje visto como um clássico dos filmes de aventura para toda a família. Como seria de esperar, Portugal também não escapou a esta ‘febre’, e era raro o jovem do sexo masculino abaixo dos 13-14 anos que , durante os dois anos posteriores à estreia do filme em Portugal, não tivesse entre a sua colecção de ‘bonecos’ pelo menos uma réplica em borracha de uma qualquer espécie de dinossauro, fosse ele um dos muito desejáveis predadores mostrados no filme de Spielberg, ou uma mais pacata (mas não menos fascinante) espécie herbívora.

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Exemplos típicos e comuns deste tipo de brinquedo

À semelhança da maioria dos produtos de que aqui falamos, também estes dinossauros em miniatura tinham padrões de qualidade manifestamente distintos, indo desde nacos de plástico vagamente em forma de dinossauro até àquilo que, à época, se criam ser réplicas anatomicamente correctas das principais espécies pré-históricas (e que hoje se sabe estarem tão erradas como os modelos genéricos com os quais na altura competiam.) Como seria de esperar, estes últimos eram bastante mais desejados e pretendidos do que os seus congéneres menos cuidados, mas a verdade é que a ‘febre’ era tal que qualquer brinquedo (ou antes, produto) vagamente alusivo e ligado à temática dos dinossauros encontraria quase garantidamente o seu público.

Hoje em dia, com a saga ‘Parque Jurássico’ renascida como ‘Mundo Jurássico’ e novos avanços científicos a pintarem os dinossauros como pássaros gigantes (por oposição à natureza reptiliana que se lhes atribuía nos anos 90) é de crer que estes monstros pré-históricos continuem a capturar a imaginação das crianças de uma certa idade. Infelizmente, no entanto, as réplicas em miniatura deixaram praticamente de existir no ‘mundo real’, sendo que a maioria dos brinquedos ‘dinossáuricos’ de hoje apresentam características mecânicas, ao estilo ‘Transformer’; os ‘bonecos’ de dinossauros recriados em minucioso detalhe e com pretensões a realismo, com que todos brincámos, praticamente desapareceram, deixando como único rasto a memória daqueles que viveram e participaram da sua época áurea. Um daqueles casos em que vale a pena pedir que quem tenha filhos lhes mostre esses brinquedos da nossa infância, a fim de evitar que os mesmos se percam para sempre…

26.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Sim, estamos finalmente de volta – e mesmo a tempo de termos um Domingo bem Divertido!

E porque, desde que esta rubrica foi inaugurada, temos mantido uma dinâmica de alternância entre assuntos ‘para rapazes’ e ‘para meninas’, hoje continuaremos a seguir essa lógica, e, depois de no último Domingo Divertido termos abordado os carrinhos, brinquedo favorito de muitos rapazes, falaremos hoje daquilo que se pode considerar o seu equivalente feminino – os brinquedos que imitavam acessórios de cozinha ou serviços de chá.

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Lá por casa, havia este.

Tal como não havia rapaz dos anos 90 que não tivesse um balde cheio de carrinhos, também não havia decerto menina que não tivesse umas panelinhas, ou chávenas de chá, ou acessórios para bebé, ou algo semelhante. Este tipo de brinquedo era inescapável, até porque muitas vezes era vendido em conjunção com os próprios brinquedos, à laia de complemento (e sim, os rapazes também tinham uma versão disto, no caso as armas que vinham com toda e qualquer figura de acção da época, e que inevitavelmente se perdiam 0.4 segundos depois de a mesma ser retirada do cartão.)

E tal como os carrinhos tinham versões mais e menos bem conseguidas, o mesmo se passava com estes acessórios em escala reduzida, indo os padrões de qualidade desde serviços de chá em porcelana verdadeira (o equivalente feminino a carrinhos com suspensões ‘a sério’) até pedaços de plástico unicolor vagamente em formato de pratos ou canecas, e desde algo que se podia atirar ou deixar cair sem partir até outros artigos que se danificavam apenas com uso corrente. Escusado será dizer que a preferência ia sempre para os brinquedos de qualidade mais elevada, ainda que os orçamentos de muitas crianças (e pais) apenas permitisse os de pequena e baixa gama…ainda assim, e tal como se passava com muitos outros brinquedos, quem tinha ‘do bom’ era muito invejado pelos seus pares.

Enfim, um tipo de brinquedo que, apesar de não haver muito que dizer sobre ele, não deixou (nem deixa) de povoar as infâncias das crianças do sexo feminino (ou que têm irmãs), tendo sem dúvida proporcionado a este mesmo grupo demográfico, tanto à época como nos dias que correm, muitos momentos de diversão pseudo-realista, semelhante à que os rapazes criavam com os seus carrinhos – e merecendo, por isso, estas breves linhas neste nosso blog nostálgico.

 

12.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

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Este é daqueles posts que se podia ficar por uma imagem. Porque, a sério, basta mostrar algo como o retratado acima para a mente de uma criança dos anos 90 (principalmente do sexo masculine) imediatamente se encher de memórias de tardes passadas de volta dos seus ‘carrinhos’, a fazê-los correr e rodar por superfícies tão distintas como o sofá de casa (onde raramente rodavam) e o chão do quarto (onde provavelmente rolariam bem.)

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Quem nunca?

Fossem simples ou de fricção (o chamado ‘pull-back’), com ou sem suspensão realisticamente ‘saltitona’, feitos de ferro à prova de tudo ou de plástico mal-amanhado com rodas que mal rodavam, os carrinhos da Matchbox e suas marcas concorrentes marcaram, sem qualquer dúvida, época em Portugal, e poucos eram os rapazes que, à época, não tinham pelo menos um exemplar deste tipo de brinquedo no quarto – mesmo que fosse um daqueles bem ‘janosos’ saídos nas máquinas de bolinhas. Quem tivesse dos ‘bons’, com suspensão e tudo – ou, melhor ainda, uma garagem onde os colocar – podia considerar ter-lhe saído a ‘sorte grande’, pois uma configuração deste tipo era garantia de muitas e boas brincadeiras, quer sozinho, quer com amigos.

Enfim, a verdade é que, com perdão pelo post algo curto, pouco mais há a dizer sobre os carrinhos dos anos 90. Este tipo de brinquedo era tão simples e, ao mesmo tempo, tão omnipresente – podendo ser adquirido, individualmente ou em multipacks, em sítios tão variados quanto drogarias, lojas de brinquedos, barracas de feira, as supramencionadas máquinas de ‘bolinhas’, ou até como prémio do McDonald’s – que poucos serão os leitores deste blog que nunca tenham tido uma interacção directa com um, quanto mais não fosse por intermédio dos irmãos ou amigos. Palavras para quê? São carrinhos de brincar dos anos 90. Não é preciso dizer mais nada…

01.08.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Poucas ex-crianças portuguesas dos anos 90 conseguirão negar que as bonecas eram o principal brinquedo ‘para meninas’ daquela década. Bastava visitar a ala ‘feminina’ de uma qualquer loja de brinquedos ou hipermercado (particularmente na altura do Natal) para nos vermos subitamente rodeados por um verdadeiro 'mundo’ de cor-de-rosa, cor obrigatória nas caixas quer da mega-popular Barbie, quer de alternativas mais originais como as Polly Pocket, quer daquele que foi, e é, o mais famoso representante do conceito de ‘boneco bebé’ - o Nenuco.

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O formato mais tradicional do boneco

Criado em Espanha pela Famosa – à época também sinónima de brinquedos para raparigas no nosso país – o Nenuco teve a sua génese, como tantos outros brinquedos da ‘nossa’ época, na década anterior, tendo o boneco original da famosa série sido lançado no início dos anos 80. No entanto, embora tenha atingido um sucesso considerável durante esse período, foi mesmo na década seguinte que o nome do boneco bebé penetrou definitivamente no léxico infanto-juvenil português, tendo-se tornado quase de imediato sinónimo com este tipo de brinquedo na mente do seu público-alvo, para quem qualquer boneco deste tipo era invariavelmente conhecido como ‘um Nenuco’.

E houve muitos, mas mesmo muitos bonecos deste tipo, desde os mais simples, que traziam uma roupinha e talvez alguns acessórios, até aos famosos modelos com funções especiais, como simulação de choro, de períodos de sono, ou até de funções escatológicas. Qualquer que fosse a variante no entanto, era quase certo que encontraria enorme aceitação entre o público feminino de uma certa idade, que invariavelmente contava mais do que um destes bonecos na prateleira do quarto ou caixa de brinquedos.

Para além do conceito em si – o qual é, inegavelmente, apelativo para o seu público-alvo - grande parte deste sucesso devia-se aos lendários anúncios para os diferentes bonecos da linha, que eram presença constante nos intervalos de programas infantis (bem como na programação generalista por alturas do Natal) com as suas melodias ‘açucaradas’ e imagética típica. Tal como acontecia com os anúncios de carros telecomandados ou figuras de acção entre os rapazes, estes ‘spots’ tinham um apelo quase irresistível para as meninas da época, que se já queriam um Nenuco, o passavam a querer ainda mais!

Um anúncio típico da linha, neste caso já do final da década 

Não que o Nenuco precisasse deste ‘auxiliar de popularidade’; de facto, nem mesmo o fim da era dos anúncios para crianças – ou, mais tarde, o progressivo desinteresse das crianças por brinquedos convencionais – conseguiram fazer esmorecer a presença cultural deste boneco, que recentemente celebrou umas honrosas quatro décadas no mercado com uma edição especial comemorativa do seu tradicional formato ‘boneca e acessórios’.

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A edição comemorativa dos quarenta anos da linha no mercado

E ainda que se possa facilmente prever o fim eventual deste ‘período de graça’ (afinal, nada dura para sempre, e ainda menos quando se trata de um produto infantil) a verdade é que o Nenuco já excedeu, em muito, a sua esperança média de vida no século da tecnologia digital – o que, sem dúvida, deixará altamente satisfeitas as suas adoptantes originais, hoje mães de bebés de carne e osso, mas para sempre nostálgicas quanto aos seus primeiros ‘filhos’…

18.07.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Numa das primeiras edições desta nova rubrica, falámos do mais famoso ‘brinquedo para meninas’ dos anos 90, a boneca Barbie, e do namorado da mesma, Ken; hoje, falaremos do que aconteceria se Ken se alistasse numa unidade de Forças Especiais de um qualquer exército futurista.

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Sim, o tema de hoje é nada mais, nada menos do que o Action Man, o mais próximo que a maioria das crianças do sexo masculino da época chegaria de ‘brincar com Barbies’; isto porque o herói de acção da Hasbro tinha, sensivelmente, as mesmas dimensões da boneca supermodelo, fazendo dele o maior boneco de acção da década.

Mas ‘maior’ nem sempre significa ‘melhor’, e a verdade é que o Action Man enfrentava a dura concorrência de várias outras linhas de ‘bonecos’ mais pequenos, dos Power Rangers ao Batman, passando pelas Tartarugas Ninja, Dragon Ball Z e GI Joe (a quem, aliás, o nome ‘Action Man’ se refere no Reino Unido, causando alguma confusão a quem teve acesso às duas linhas, e sabe como as duas eram diferentes).

Assim, a Hasbro precisava de assegurar que o ‘seu’ boneco tinha algo de especial – além do tamanho – que o destacasse da concorrência; e o mínimo que se pode dizer é que, nessa missão em particular, Action Man saiu-se magnificamente. Mais do que por qualquer característica física do próprio boneco, a linha para rapazes da Hasbro tornou-se conhecida pela quantidade, qualidade e atractividade dos seus veículos, que iam desde os habituais carros e motas a caiaques, motos de neve e helicópteros – ou seja, tudo o que um rapaz pré-adolescente poderia desejar da sua linha de brinquedos. Os Action Man eram tão ‘fixes’ para ter na prateleira e mostrar aos amigos como para brincar – senão mesmo mais – pelo que não é de admirar que o quarto médio de rapaz português da altura incluísse mais do que um boneco ou acessório desta linha - à semelhança, aliás, do que acontecia com a Barbie nos quartos de rapariga.

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Um dos muitos e excelentes veículos da linha

Esta não era, no entanto, a única estratégia declarada por parte da Hasbro para chegar ao coração do seu público-alvo; para além de brinquedos ‘fixes’, Action Man tinha também a sua própria série animada (que passou em Portugal na SIC, em 1996, e foi também lançada separadamente em VHS e DVD), bem como uma série de jogos de vídeo para diferentes plataformas, desde a PlayStation ao Game Boy Advance, já no novo milénio (o título para este último, ‘Action Man: Robotattak’, é, aliás, um excelente jogo de acção e plataformas, vivamente recomendado pelo autor deste blog.)

Abertura da série animada exibida na SIC

Em suma, uma estratégia de marketing integrado que só podia dar certo – e deu. O Action Man continua, ainda hoje, a ser dos brinquedos mais lembrados pelo seu então público-alvo, e embora a sua popularidade tenha esmorecido nesta era de Fortnite e TikTok, é ainda uma propriedade intelectual reconhecível o suficiente para justificar um post num blog explicitamente dedicado à nostalgia.

 

05.07.21

NOTA: Este post é correspondente a Domingo, 4 de Julho de 2021.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

(NOTA 2: Este post é dedicado à Maria Ana, que sugeriu o tema logo no início da vida deste blog.)

A Barbie foi, de longe, o brinquedo ‘de menina’ mais popular da década de 90 (e da maioria das outras décadas); esse facto é difícil de contestar ou negar. No entanto, tal como também aconteceu nas referidas outras décadas, houve, no ‘nosso tempo’, algumas linhas que procuraram usurpar o trono da loira platinada – e quase conseguiram.

Uma das principais ameaças à boneca da Mattel durante este período, pelo menos em Portugal, veio, curiosamente, da própria casa-mãe  - tratavam-se das ‘casinhas’ em miniatura da colecção Polly Pocket, uma linha de brinquedos que cai precisamente a meio caminho entre esta secção e as Quintas de Quinquilharia, por motivos que passaremos a explicar.

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Um dos conjuntos maiores da linha

Lançada em 1989 pela Mattel em parceria com a britânica Bluebird Toys, e distribuída em Portugal pela Concentra, a linha Polly Pocket tinha um conceito tão simples quanto atraente, apresentando pequenas casinhas de bonecas em forma de cofre ou estojo, habitadas por figuras absolutamente microscópicas, e que as crianças poderiam carregar consigo no bolso ou na mochila da escola (daí a intersecção com a secção de Quinquilharias). E embora o risco de perder uma das bonecas fosse elevado, era precisamente isso que muitas jovens faziam, aproveitando o conceito e dimensões do brinquedo para o levarem consigo para a escola, em passeios, ou de férias, algo que nem sempre era possível com as mais volumosas Barbies, ou com o outro grande ‘companheiro’ das raparigas daquela época, o Nenuco (de que, aliás, também falaremos dentro em breve). A Polly Pocket afirmava-se, assim, como um sucesso de vendas, simplesmente por aproveitar e preencher um ‘gap’ de mercado que muitos talvez nem soubessem que existia até ao aparecimento desta linha.

O sucesso de Polly Pocket (que se manteve mesmo depois de a linha ter sido repensada em maiores dimensões, em 1998) não se limitou ao conceito original; como muitas outras propriedades do agrado das crianças ao longo das décadas, a mini-boneca da Mattel rapidamente viu surgir ‘merchandising’ com o seu nome que pouco tinha a ver com o intuito dos brinquedos e acessórios existentes. E embora muitos destes produtos só viessem a ser lançados na década seguinte (na qual Polly surgiria também, pela primeira vez, em versão animada), os anos 90 viram ainda surgir um – um jogo LCD (!), lançado pela inevitável Tiger em 1994, e simplesmente intitulado ‘Electronic Polly Pocket’.

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O jogo electrónico da boneca, lançado em 1994

Surpreendentemente, a popularidade da linha Polly Pocket manteve-se em alta até aos dias de hoje, mesmo tendo sofrido uma quebra em finais da década de 2000, devido a medos por parte de muitos pais relativos ao tamanho das peças e acessórios da linha. Ainda assim, a boneca conseguiu recuperar admiravelmente, e – com a ajuda de uma série animada ao mais puro estilo ‘Bratz’ ou ‘Winx Club’ – manter-se relevante junto do público-alvo numa era em que brinquedos tradicionais como este competem com inúmeras distracções digitais, à partida, bem mais atraentes.

Abertura da série animada dos anos 2010

Tal como a propria Barbie, no entanto, Polly Pocket e companhia parecem ‘estar aí para as curvas’; resta saber se essa tendência se manterá nesta nova década que se inicia. Certo, por agora, é que, para quem foi criança nos anos 90, a memória de brincar com esta linha de bonecas única ainda perdura - e, decerto, as músicas estupidamente 'catchy' dos anúncios da época também...

30 anos depois, ainda nos lembrávamos da letra na íntegra...

20.06.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

E já que temos, ao longo desta semana, vindo a assinalar a realização do Campeonato Europeu de Futebol 2020 com a exploração de temas relacionados ao futebol, nada melhor do que nos debruçarmos, hoje, sobre o jogo que permitia às crianças daquela época realizarem o seu próprio Europeu, no chão do quarto de sua casa.

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Sim, o Subbuteo – um jogo de que qualquer criança que tenha entrado numa drogaria, papelaria ou loja de brinquedos da época certamente se recordará. Isto porque, na década de 90, não havia estabelecimento deste tipo que não tivesse, pelo menos, uma daquelas caixinhas ‘de equipa’, com onze jogadores trajados a rigor, prontos a serem ‘piparoteados’ na direcção da baliza.

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Quem nunca viu uma destas pendurada na drogaria do bairro?

Isto porque era, precisamente, assim, que o Subutteo funcionava – literalmente à base de ‘piparotes’. A ideia era que os jogadores utilizassem este método para impulsionarem os jogadores, os quais se encontravam colocados sobre bases oscilantes ao estilo ‘sempre-em-pé’, que tornavam impossível prever a distância ou até a direcção da sua deslocação. Esta característica tinha como fim adicionar um factor ‘surpresa’ às partidas, o qual, no entanto, era por vezes descartado em favor da previsibilidade e eficiência – isto é, havia quem simplesmente agarasse o jogador pela cabeça e o balançasse na direcção da bola, a fim de a fazer ir para onde se queria…

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Era suposto ser assim, mas...

Como quer que se jogasse, no entanto, o Subutteo era sempre garantia de emoções fortes – sobretudo se o jogo encenado fosse um ‘derby’. Se cada jogador fosse adepto da equipa que controlava, um Sporting-Benfica em Subutteo era tão emocionante quanto um real ou disputado num jogo de computador ou consola; caso contrário, um dos intervenientes tinha sempre, a contra-gosto, de ficar com a equipa adversária – normalmente com a promessa de, no jogo seguinte, as posições se trocarem.

É claro que o referido jogo implicava mais do que apenas duas equipas – mas não MUITO mais. Havia um campo oficial do Subbuteo à venda (com balizas a sério, que se colocavam nos respectivos lugares nas bordas do – literal – tapete verde) mas mesmo quem não tinha acesso a este luxo facilmente organizava um jogo, nem que fosse no próprio chão do quarto ou da sala.

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O campo oficial do Subbuteo, com os jogadores já a postos para uma partida (crédito da imagem: CustoJusto)

Quem não tinha dinheiro para comprar os jogadores ou pais dispostos a comprá-los - ou quem queria jogar na escola, mas não queria andar sempre a ter de contar e verificar se tinha os jogadores todos para não arriscar perdê-los – podia, ainda, recorrer a uma solução ainda mais caseira, e também muito popular entre as crianças da altura – as equipas feitas de caricas de garrafas de refrigerante, daquelas de vidro, em cada uma das quais era escrito o respectivo nome e número de jogador. Assim que estivessem reunidos ‘futebolistas’ suficientes, era só aplicar o princípio do ‘piparote’ – e, à falta de bola, era considerado golo sempre que uma carica entrava na baliza.

Enfim, fosse com homenzinhos de madeira pintada ou com caricas, com campo ou sem campo, a verdade é que o Subbuteo marcou a geração de 80 e 90 – como tinha, aliás, marcado várias outras ao longo das suas (então) quatro décadas no mercado. E embora o jogo ainda exista hoje em dia, este é mais um daqueles brinquedos que quase faz pena a geração mais nova já não ir conhecer em pleno – porque a verdade é que um bom jogo de Subutteo conseguia ser tão ou mais emocionante que um de FIFA, com a vantagem de ser bastante menos previsível…

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