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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

07.09.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Hoje em dia, quando se fala em bolachas cobertas de chocolate, a mente da maioria dos portugueses vira-se, quase de imediato, para as Oreos (chegadas a Portugal em 1995, e que aqui terão, paulatinamente, o seu espaço) ou para as não menos icónicas Belgas de chocolate; para a geração nascida e crescida nos anos 80 e inícios de 90, no entanto, a referência a este tipo de bolachas evoca um outro nome, tão icónico como saudoso – o das Belinhas.

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A única imagem das Belinhas disponível na Internet.

Fabricadas pela hoje desaparecida Aliança e vendidas num icónico pacote vermelho e prateado, as Belinhas consistiam, basicamente, de um misto entre 'wafer' e bolacha Maria recoberto de cacau, criando uma dicotomia que, como qualquer criança atestará, resulta sempre extremamente bem. Talvez por isso estas bolachas fossem das mais populares e cobiçadas nos recreios lusos dos anos 80 e inícios da década seguinte, onde a sua designação se tornou, inclusivamente, num sinónimo de 'calão' para o bom e velho 'calduço', neste caso acompanhado da expressão 'toma lá Belinhas!º

O aspecto pelo qual estas bolachas eram mais conhecidas, e se tornaram icónicas, era o facto de as bolachas das pontas gozarem, regra geral, de uma cobertura de cacau mais densa e espessa, que as tornava preferidas em relação às suas congéneres do meio do pacote, normalmente mais parcas nesse particular. Assim, qualquer criança ou jovem confrontado com um pacote de Belinhas não hesitaria a escolher uma das da ponta – até porque, se não o fizesse, alguém o faria por si...

Toda esta popularidade não foi, no entanto, suficiente para evitar que as Belinhas fossem retiradas do mercado algures na primeira metade dos anos 90, por motivos e sob circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, até por estas bolachas se contarem entre os muitos produtos da época hoje Esquecidos Pela Net. Esta saída de cena 'pela porta do cavalo' não significou, no entanto, a perda total de relevância das Belinhas entre as gerações 'X' e 'millennial' – antes pelo contrário, o desaparecimento das bolachas da Aliança das prateleiras dos supermercados apenas veio dar razão ao ditado que afirma que 'a ausência faz o amor aumentar', já que as mesmas estão entre os produtos mais saudosamente recordados por quem alguma vez as comeu. E depois de as contemporâneas 'Joaninhas', da Triunfo, terem mesmo acabado por ser relançadas no mercado (e com algum sucesso), quem sabe não serão as Belinhas as próximas a gozar de uma 'segunda vida', e a conquistar os corações de toda uma nova geração de pequenos consumidores?

17.08.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

No que toca a doces e guloseimas, as férias de Verão portuguesas - sobretudo as passadas na praia - têm, actualmente, dois grandes estandartes: por um lado, os gelados da Olá, e, por outro, as inevitáveis e indispensáveis bolas de berlim, disponibilizadas de forma itinerante por vendedores cujos pregões fazem já parte da cultura popular, a ponto de informarem cartazes e 'slogans' de publicidade. No entanto, quem foi criança ou adolescente em finais dos anos 80 e inícios da década seguinte certamente se lembrará de, pelo menos, outras duas guloseimas que se podiam comprar nos areais portugueses e que, entretanto, foram perdendo gradualmente o seu espaço, acabando mesmo por se extinguir já no decurso do Novo Milénio: as 'línguas da sogra' e a bela bolacha americana. Os mais velhos talvez juntem a esta lista os 'barquilhos', cuja quantidade era determinada ao acaso numa 'roda da sorte', mas para os 'millennials', estes são mesmo os dois doces de praia desaparecidos.

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Uma bolacha americana no seu 'habitat natural'.

Ambos formulados à base de bolacha 'wafer', a principal diferença entre os dois acepipes residia no formato - a bolacha americana (cujo nome era enganoso, já que o doce é perfeitamente desconhecido nos EUA) era um enorme disco achatado dobrado sobre si mesmo, quase como que um cone de gelado 'aberto' e em formato maior, enquanto que a 'língua da sogra' (nome hoje politicamente incorrecto) conformava um tubo em espiral. Em comum, além da bolacha utilizada, os dois doces tinham o facto de serem perfeitamente deliciosos quando comidos na areia, em tronco nu, após um belo mergulho - embora perdessem, ainda assim, para a famosa 'bola'.

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As 'línguas-da-sogra'

Talvez tenha sido por isso que foi a mesma a única sobrevivente daquela época - mesmo que fosse, ainda, possível obter uma língua da sogra (com cerca de metade do tamanho, ou talvez fosse o comprador quem tivesse duplicado) em certas praias da região de Lisboa em finais da década de 2010. Actualmente, no entanto, ambas as guloseimas parecem estar irremediavelmente extintas, tornando pertinente esta singela homenagem por parte de quem largamente as consumiu.

27.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Era uma das presenças perenes no cartaz da Olá, sempre ali, no canto inferior direito, abaixo do Super Maxi e Perna de Pau e ao lado do Epá, pronto a servir como 'solução de compromisso' para crianças e jovens cujo dinheiro não dava para mais, ou pais que não quisessem que os filhos comessem quantidades excessivas de gelado; chamava-se Mini Milk, surgiu há exactos trinta e cinco anos, e é omissão de vulto no cartaz da companhia para 2023, após ter sido descontinuado. Neste 'post', recordamos aquele que, sem ter sido o gelado favorito de ninguém, não deixou de ser um dos mais nostálgicos para a maioria dos jovens noventistas.

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Introduzido pela primeira vez no Verão de 1988, o Mini Milk consistia, tão simplesmente, de um pequeno cilindro de leite gelado (daí o nome, apesar de mais tarde terem surgido também variantes de morango e chocolate) vendido a um preço condicente com o seu tamanho, e que – ao contrário da maioria dos produtos que o rodeavam no cartaz - 'cabia' no bolso de qualquer 'puto' armado de parte da mesada. Simultaneamente, a ausência de chocolate, baunilha ou qualquer outro dos ingredientes presentes nos restantes gelados, aliado ao tamanho mais pequeno do que a média e à predominância do leite como ingrediente, faziam com que parecesse uma opção mais saudável – uma impressão que era reforçada pela imagética de prados verdejantes com calmas vacas a pastar, por oposição às mascotes mais típicas dos outros gelados especificamente dirigidos ao público infanto-juvenil da época. Esta combinação de factores tornou, por sua vez, o Mini Milk num dos produtos Olá mais frequentemente consumidos pela referida demografia, tornando-o, assim, nostálgico por definição, e denotante de despreocupados dias de praia ou piscina ou períodos de férias.

Será, portanto, sobretudo essa faixa etária a sentir a falta do icónico gelado, uma daquelas presenças reconfortantemente familiares que faziam crer que, por muito que o Mundo mudasse, certas coisas se manteriam para sempre inalteradas – uma ideia que a Olá acaba de desmentir, fazendo desaparecer, poucos meses após ter feito regressar o Rol e um par de anos após a volta do Super Maxi, uma parte da infância 'millennial' tão importante como qualquer delas. Até sempre, Mini Milk.

06.07.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

A abertura da época balnear nas praias portuguesas dos anos 90 e 2000 trazia consigo uma 'tradição' oficiosa, mas altamente antecipada pelas crianças e jovens da época: o aparecimento do novo cartaz de gelados da Olá, sempre com as icónicas jovens em fato de banho na parte superior (tendência, aliás, também seguida pela rival Camy, hoje Nestlé), e invariavelmente apetrechado com pelo menos uma mão-cheia de novidades a juntar aos perenes e clássicos Super Maxi, Epá, Cornetto, Calippo, Mini Milk, Feast e (o entretanto desaparecido e temporariamente 'ressuscitado') Rol.

E, apesar da sua curta permanência no catálogo da companhia, a verdade é que muitos destes gelados – a maioria dos quais era especificamente dirigida, precisamente, ao público infanto-juvenil – se tornaram, durante o seu breve tempo de vida, êxitos ainda hoje causadores de nostalgia entre a demografia em causa, bastando mencionar nomes como o Dedo ou o Super Mário (este disponível durante quase toda a primeira metade dos anos 90) para despoletar memórias de infância e adolescência em toda uma geração. Até mesmo os tradicionais 'gelados de gelo' (conhecidos simplesmente como 'Laranja' e 'Limão') teriam, decerto, admiradores que os recordam com carinho até aos dias de hoje.

Ao contrário de muitas tendências de que aqui vimos falando desde o início deste blog, a rotatividade de catálogo da Olá mantém-se até hoje, embora a diversidade de gelados disponível e a margem para 'experiências' do calibre de um Rol branco ou Epá de chocolate seja significativamente mais reduzida, traduzindo-se as 'novidades', regra geral, em gelados alusivos a filmes ou séries populares (como o gelado dos Mínimos), efemérides como a conquista do campeonato nacional de futebol por parte do Sporting, em 2021, ou regressos de 'estandartes' da época aqui em análise, como os supracitados Super Maxi e Rol. Esta é, assim, mais uma experiência que acabou por se perder na transição entre as gerações 'Millennial' e 'Z', mas que fez, em tempos, parte integrante da juventude da primeira; para esses (ou seja, para a maioria dos leitores deste blog) segue abaixo uma pequena 'viagem no tempo' pelos cartazes da década de 90, cortesia do site da Olá. Desfrutem!

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15.06.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de não tirarem o lugar aos chocolates ou a doces como o Bollycao na lista de preferências das crianças e jovens, os chupa-chupas não deixam, ainda assim, de ser apreciados pelos mesmos, como aquela guloseima consistente e confiável para que se pode sempre reverter em caso de dúvida; e se a essas mesmas características se associar uma abordagem diferenciada ou baseada numa propriedade intelectual de sucesso, melhor ainda, E ainda que, hoje em dia, o panorama esteja mais 'simplificado' nesse aspecto – com os clássicos e óptimos Chupa-Chups a monopolizarem a quase totalidade do mercado – os anos 90 foram pródigos na oferta de chupa-chupas que reuníam todas as condições acima delineadas e que, como tal, se tornaram 'clássicos' nostálgicos para toda uma geração de ex-jovens – dos Melody Pops (ainda existentes) aos geniais Push Pops, passando pelos tradicionais chupa-chupas azedos e pelo produto de que falamos esta semana, os 'chupas' com pastilha alusivos aos Power Rangers.

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Comercializados pela própria Chupa Chups, estas guloseimas já 'vieram ao Mundo' com a enorme vantagem de surgirem associadas a uma das mais populares franquias infanto-juvenis do período em causa (meados dos anos 90), que tornava qualquer controlo de qualidade quase irrelevante; no entanto, o facto de os referidos doces serem, também, genuinamente saborosos apenas ajudou a reforçar o seu estatuto de favoritos junto dos fãs da série da Saban, então 'cabeça de série' do 'Buereré' da SIC. E como se já não bastasse, cada chupa-chupa trazia também, no seu interior, uma pastilha elástica, adornada com uma imagem alusiva à série, e acessível após a habitual 'destruição' metódica da camada dura no exterior do chupa-chupa. Tal inclusão fazia deste doce uma espécie de 'dois em um', que oferecia aos seus compradores duas guloseimas pelo preço de uma – além de um cromo exclusivo alusivo à equipa representada na embalagem. Em suma, estes chupa-chupas eram o produto praticamente perfeito para agradar à enorme massa de pré-adolescentes fãs dos cinco virtuosos heróis de Angel Grove, garantindo assim o sucesso junto dos mesmos.

De facto, a adesão a estes doces foi tal que motivou a Chupa Chups a lançar novas séries, alusivas a outras propriedades intelectuais; embora as qualidades do doce em si se mantivessem, no entanto, estas 'sequelas' não conseguiram ter o mesmo sucesso que os originais vinculados aos Power Rangers, acabando estes chupa-chupas por desaparecer do mercado sem grande 'alarde'. Uma pena, pois a 'leva' original foi um dos mais icónicos doces de uma época repleta deles, e ofereceu ao seu jovem público-alvo um produto que, longe de se 'encostar à sombra' da popular licença, apostava na verdadeira qualidade, fazendo com que valesse bem a pena o (módico) investimento de quem os requisitava no café, supermercado, tabacaria ou bar da escola.

25.05.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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A embalagem noventista do popular Nestum Figos.

Qualquer português nascido ou crescido nas últimas seis décadas terá, certamente, consumido quantidades significativas de Nestum como parte dos pequenos-almoços ou lanches da sua infância – ou até, para muitos, da adolescência e idade adulta (em que há, inclusivamente, quem se fique por um prato de Nestum quando não lhe apetece cozinhar.) Desde a sua introdução em meados do século XX, a farinha láctea da Nestlé tem sido presença perene e constante nas prateleiras portuguesas, deliciando geração após geração com a sua alternativa tão saborosa como saudável aos cereais de pequeno-almoço, papas de aveia ou produtos semelhantes.

Esta perpetuidade não implica, no entanto, que a natureza do produto se tenha mantido inalterada- Isto porque, além das habituais e expectáveis mudanças de embalagem e grafismo, houve também, especialmente nas últimas décadas, alguma variação e flutuação nos sabores de Nestum disponíveis para compra; de facto, se 'clássicos' como Mel, Arroz e Chocolate se mantêm firmes quase desde o aparecimento da 'papa', outras variantes houve que, ao longo dos anos, foram discretamente desaparecendo das prateleiras dos supermercados e hipermercados portugueses, deixando como único vestígio da sua presença as memórias nostálgicas das gerações que as consumiram.

Para os 'putos' dos anos 90, os dois principais sabores que se inserem nessa categoria são o Nestum de Amêndoas e Mel, o de Alperce e o de Figo – três variantes que, talvez por serem menos consensuais que as restantes, ou menos saudáveis, deixaram mesmo de ser comercializadas entre a última década do século XX e a primeira do seguinte, deixando saudades a muitos ex-jovens da época, para quem eram presença habitual à mesa do pequeno-almoço ou lanche, ou usados como medida de conforto em períodos de doença ou convalescença. Tanto assim é que existem, não apenas uma, mas várias petições destinadas a tentar convencer a Nestlé a fazer voltar estes sabores aos escaparates – ainda que, até agora, todos e quaisquer esforços se tenham revelado em vão. Parece, pois, que as duas variantes em causa continuarão a perdurar apenas na memória colectiva das gerações acima dos vinte e cinco a trinta anos, e em locais como este mesmo blog, que se dedicam a conservar e preservar os artefactos nostálgicos da infância das mesmas...

06.05.23

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de fazer parte da cultura de países como os Estados Unidos desde há quase três-quartos de século, o conceito de 'fast food' – estabelecimentos alimentares especializados em pratos com alto teor calórico e pouco valor nutritivo, mas que podem ser adquiridos e consumidos em meros minutos – demorou várias décadas a expandir-se até ao Sul da Europa, e a Portugal em concreto; de facto, seria apenas no início dos anos 90 que a juventude lusitana teria ensejo de descobrir todo um rol de estabelecimentos que os seus contemporâneos do outro lado do Atlântico tomavam já como garantidos, e que, apesar do 'atraso' na travessia do referido oceano, rapidamente viriam também a 'cair no gosto' dos jovens ibéricos.

Como não podia deixar de ser, esta 'investida' foi liderada por aquela que talvez continue a ser a maior (e, decerto, mais conhecida) de todas as cadeias de 'fast food', que 'desbravaria' caminho para a chegada posterior de todas as suas congéneres. A primeira 'experiência' teve lugar em Cascais, nos arredores de Lisboa, naquele que era, à época, o maior 'shopping' em Portugal, o CascaiShopping; seria aí que, logo no primeiro ano da última década do século XX, o 'infame' McDonald's viria a abrir o seu primeito estabelecimento em território nacional, despertando de imediato o interesse de toda uma geração de jovens, para quem as 'casas de hambúrgeres' 'à americana' eram, até então, conceitos existentes apenas no cinema oriundo daquele continente.

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O primeiro McDonald's a abrir em Portugal surgiu na região de Cascais

O sucesso deste primeiro restaurante (pese embora a sua localização algo específica) foi suficiente para encorajar outras cadeias a seguir o exemplo da cadeia de Ronald McDonald, sendo que, ainda no mesmo ano, a zona das Picoas, no centro de Lisboa, veria 'aterrar' o primeiro estabelecimento de outra famosa companhia do ramo, a Pizza Hut – o qual, aliás, se mantém aberto, na mesma localização, até aos dias de hoje. No ano seguinte, seria a vez de o próprio McDonald's expandir a sua base de operações com um segundo restaurante, agora também na zona nevrálgica da capital – e, curiosamente, a curta distância do da concorrente Pizza Hut. Em 1992, a espanhola Telepizza 'alargar-se-ia' tambem ao país vizinho, destacando-se de imediato pelo diferencial significativo de preços em relação à Pizza Hut, e a partir daí, estava dado o mote para a entrada, durante os dez a quinze anos seguintes, de inúmeras outras cadeias internacionais, como a KFC (chegada a Portugal em 1996), bem como para o aparecimento de cadeias de 'fast-food' de origem nacional, como o a famosa Pans Co, mais conhecida por Companhia das Sandes.

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Foto contemporânea da primeira Pizza Hut a abrir em Portugal, ainda hoje situada na mesma localização.

À entrada para o século XXI, os jovens portugueses tinham, assim, já muito por onde escolher neste campo, com a maioria das grandes cadeias a marcarem presença nas principais localidades nacionais, com principal ênfase nos diversos 'shoppings' surgidos de uma assentada nos últimos anos da década de 90; a 'investida' dos 'fast-foods' estava, no entanto, longe de estar concluída, tendo as duas primeiras décadas do Novo Milénio visto chegar a Portugal companhias como a Starbucks e a Taco Bell, prontas a satisfazer não só os locais como os cada vez mais estrangeiros radicados ou de visita ao país. Mais – esta tendência não mostra sinais de abrandar, deixando a certeza de que, aconteça o que acontecer e mude o mundo como mudar, as gerações presentes e vindouras não deixarão, certamente, de poder contar com restaurantes de logotipo, menus, mesas e cadeiras coloridos, especialistas em 'dispensar' quantidades inacreditáveis de 'comida de plástico' por hora, para deleite dos seus jovens clientes...

04.05.23

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Numa edição passada desta mesma rubrica, quando abordámos os diferentes achocolatados que competiam pela atenção e preferência das crianças e jovens de finais do século XX, deixámos de fora um nome que ainda chegou a ser de alguma monta para a parcela mais velha da geração 'millennial': o Milo, a 'outra' bebida solúvel da Nestlé, originalmente presente no mercado português até 1993.

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A pouco duradoura embalagem noventista do produto.

Instantaneamente identificável pela icónica cor verde da embalagem (primeiro mais escuro e, já na fase final, algo mais berrante) o Milo era comercializado, não como uma simples solução-base para leite com chocolate, mas como um 'tónico', muito por conta da presença, na sua fórmula, de malte, cálcio, fósforo e vitaminas, que o tornavam (supostamente) mais benéfico para as crianças e jovens do que os concorrentes directos, ou mesmo do que o Nesquik, da própria Nestlé; talvez por isso a apresentação do produto se centrasse em torno dos desportos, aproximando-o mais de um Cola Cao do que de qualquer simples bebida infantil apadrinhada por cangurus e coelhos animados. Se as afirmações da Nestlé tinham base científica ou eram apenas um meio de 'apaziguar' os pais quanto à compra do produto, nunca se saberá ao certo, claro...

O que é, sim, certo, é que o Milo se tornou, ao longo das duas décadas em que 'saiu' do mercado português, suficientemente nostálgico para suscitar uma petição (por sinal, bem-sucedida) a favor do seu regresso às prateleiras nacionais, que acabaria por se dar em 2013. Ó achocolatado juntou-se, assim, à lista de produtos outrora desaparecidos do mercado luso, mas que a nostalgia de toda uma geração acabou por trazer de volta, pronto a ser descoberto e apreciado pelo público-alvo de hoje em dia; e dado o leite com chocolate ser daqueles produtos que nunca perde o apelo para a demografia infanto-juvenil, é de esperar que o Milo faça tanto sucesso com os membros da chamada 'Geração Z' quanto fez junto dos seus pais e avós...

15.03.23

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Quem foi aluno da instrução primária ou preparatória durante a última década do século XX certamente associará os seus tempos de escola a uma série de experiências e elementos que deixariam perplexa a geração dos cartões electrónicos e pautas digitais: a importância atribuída a pequenos pedaços de cartão ou plástico retirados de pacotes de batatas fritas, o 'ritual de passagem' que era ter o carimbo no cartão da escola a certificar que se podia sair sozinho, a experiência de ter de se deslocar até à própria escola para ver as notas do período (e a 'aventura' que era encontrar a pauta da nossa turma, geralmente consultada 'ombro a ombro' com pelo menos mais um colega), a responsabilidade de levar na carteira o dinheiro para o 'bolo' da tarde, ou o assunto desta Quarta de Quase Tudo, o transporte do almoço a partir de casa dentro de um cesto de vime.

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Nos anos 90, ainda mais do que hoje em dia, os alunos de qualquer escola portuguesa dividiam-se em três tipos: os que almoçavam em casa, os que comiam o almoço da cantina, e os que levavam a comida de casa dentro do icónico 'cesto', devidamente identificado com o nome e turma escritos na etiqueta plastificada providenciada para esse fim. E a verdade é que, embora estivessem disponíveis no mercado lancheiras ao estilo norte-americano, havia pouco quem as tivesse ou utilizasse, optando a esmagadora maioria das crianças (e respectivos pais) por aqueles cestos de piquenique em vime ou verga, com fecho para garantir que a comida não se espalhava pela rua ou pelo chão da escola em caso de 'sacolejo' - e a verdade é que era muito difícil resistir a balançar o cesto enquanto se carregava com o mesmo até à escola ou à cantina, pelo que esta medida terá salvo muitas refeições... E embora não seja claro como nem porque é que estes cestos ficaram de tal forma associados com as refeições escolares, os mesmos não deixam, ainda assim, de ser parte icónica da experiência de frequentar um estabelecimento do ensino básico em finais do século XX.

Tal como os demais elementos que acima elencámos, os cestos de vime para o almoço encontram-se, hoje, praticamente extintos dos recintos escolares portugueses, substituídos pela versão actual da lancheira, feita em tecido, e não em plástico como as dos anos 90; desaparecimento esse que teve, aliás, início logo nos primeiros anos do Novo Milénio, relegando o cesto de almoço para a categoria de produto que subsiste, hoje em dia, apenas na memória colectiva. Ainda assim, quem levou diariamente o 'farnel' feito pela mãe dentro de um destes icónicos objectos certamente se terá recordado 'do seu', e dos muitos e deliciosos almoços e lanches retirados de dentro do mesmo, ao lado de inúmeros colegas com outros muitos parecidos, no tempo em que os mesmos constituíam A maneira, por excelência, de acomodar uma refeição infantil para transporte...

02.03.23

NOTA: O post de hoje foi inspirado por este vídeo do Zombi TV, que nos recordou a existência destes 'snacks'. Obrigado pela partilha!

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Poucos portugueses nascidos ou criados durante a década de 90 disputarão a supremacia da Matutano no que tocava a produtos alimentícios dirigidos a crianças. Ainda mais do que a Nestlé, a Kellogg's, a Sumol, Coca-Cola ou Frisumo, ou mesmo a Panrico (que viria mais tarde a adquirir) a produtora de 'snacks' à base de batata ou milho fritos era a principal responsável por reduzir as semanadas e aumentar as cinturas das crianças daquela geração. E apesar de grande parte desse domínio se dever aos magníficos brindes oferecidos nos produtos da companhia (responsáveis por causar não apenas uma, mas VÁRIAS febres ao longo da última década do século XX e primeira do XXI) a Matutano tinha outros argumentos no tocante a conquistar o coração das crianças, entre eles a oferta de 'snacks' bem criativos e apelativos. Por ocasião do Europeu 2021, falámos aqui de um desses produtos, os Cheetos Futebolas; agora, chega a altura de falar de um 'snack' muito semelhante, mas – por alguma razão – significativamente mais Esquecido pela Net: os Drakis.

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Comercializados em Portugal em inícios da década, mas muito mais populares e ainda hoje recordados no país vizinho, os Drakis eram uma espécie de mistura entre os Cheetos – dos quais 'herdavam' a textura – os Fritos (por serem à base de milho) e os 3D's, mas 'apimentados' com sabor a 'bacon', bem condicente com a imagética de terror e vampiros apresentada no pacote. O principal atractivo destes 'snacks', no entanto, estava na sua forma, sendo que os mesmos eram moldados para se assemelhar a dentaduras de vampiro, tornando-os num daqueles produtos com os quais se pode 'brincar' antes de comer – e era praticamente obrigatório 'usar' aquela dentadura improvisada durante pelo menos alguns segundos antes de a trincar e consumir...

Apesar do conceito original e apelativo, e do sabor também bastante agradável, os Drakis acabaram, no entanto, por sair de circulação, sendo até hoje um dos poucos produtos da Matutano a sofrer esse 'fado'; mais, no que toca à nostalgia portuguesa, a presença destes 'snacks' na memória colectiva é praticamente inexistente, tendo mesmo a imagem que ilustra este 'post' sido retirada de uma página espanhola - uma situação que não deixa de se afigurar estranha, já que – como atrás referimos – os Drakis tinham tudo para agradar ao seu público-alvo, e continuaram ainda a fazê-lo por muitos mais anos na outra metade da Península Ibérica. Um daqueles casos sem explicação, mas que tornam ainda mais premente a preservação da memória do produto em causa no espaço digital, para que quem alguma vez se deliciou com estas 'batatas' poder, mesmo que apenas momentaneamente, relembrar uma última vez aquele sabor da sua infância, entretanto desaparecido...

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