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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

14.05.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

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Quem se lembra delas? Sim, as lendárias meias brancas com raquetes, peça indispensável da gaveta e guarda-roupa diário de qualquer criança dos anos 90. Esta era daquelas modas que transcendia sexos, épocas e níveis de popularidade social – TODA a gente de uma certa idade as vestiu, durante TODA a década (e parte da anterior, também!), e sem as habituações preocupações sobre o aspecto com que ia ficar, ou o que os colegas iam dizer na escola. As meias de raquetes eram indiscutíveis, universalmente aceites, e o que dava verdadeiramente azo a comentários era NÃO as usar – porque essa ideia simplesmente não cabia na cabeça de ninguém.

E no entanto…esta é das modas mais inexplicáveis não só dos anos 90, mas da história do vestuário recente. Pensem bem. São meias brancas (também havia de outras cores, mas sejamos sinceros, as verdadeiras meias de raquetes eram BRANCAS), de ténis, com umas raquetes mais ou menos mal amanhadas desenhadas. São uma daquelas poucas coisas ‘retro’ que MERECEM ser gozadas, que justificam o tratamento ‘o-que-é-que-nos-deu-na-cabeça’ que a Internet reserve a quase tudo aquilo de que gostou na infância. Porque, a sério – O QUE É QUE NOS DEU NA CABEÇA para fazer disto não só um item bem aceite socialmente, mas uma moda? Quem foi a primeira pessoa que olhou para AQUELAS meias e disse ‘yep, vou vestir isto para a escola, não tem como dar errado’?

E já que falamos nisso, de onde é que estas meias vieram? Como é que surgiram? Normalmente, é relativamente fácil traçar o percurso de uma peça de roupa ou outro acessório, mas no caso das meias de raquetes, as suas origens perdem-se numa nuvem de mistério. São daqueles itens que parecem ter surgido no mercado português de um dia para o outro, e desaparecido da mesma maneira, sem deixar rasto, a não ser na mente de uma geração de miúdos, entretanto ‘crescidos’ e levemente envergonhados daquelas meias ‘fatelas’ que usavam aos dez anos. Presumivelmente, seriam uma tentativa ‘anónima’ de imitar o que marcas como a Adidas e a Umbro faziam na altura, sem cair na armadilha da imitação barata, e que acabou por resultar quase por acaso – ou não. Ou, se calhar, até foi outra coisa qualquer – quem sabe…

Enfim, qualquer que tenha sido a sua origem, o facto é que estas meias foram uma autêntica ‘febre’ por quase uma década e meia -  apesar de não terem absolutamente nada de especial. A qualidade era média, nada de extraordinário, apenas o normal para meias de ténis em algodão. A estética…enfim. Eram daquelas coisas que uma mãe ou avó compraria para uma criança, mas nunca o tipo de artigo que um miúdo activamente pediria aos pais para comprar. E, no entanto, foi exactamente isso que se passou: estas meias contrariaram as expectativas, e tornaram-se daqueles itens desejados - e orgulhosamente usados - por qualquer criança daquela geração. Aqui no blog, por exemplo, tínhamos vários pares, quase todos iguais – e mais pares tivéssemos tido, mais teríamos orgulhosamente usado para a escola todos os dias. Enfim, inexplicável.

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As nossas eram muito parecidas com estas.

E desse lado? Quantas tinham? (Não vamos perguntar SE tinham, porque CLARO que tinham.) Quando é que se aperceberam que o vosso item de roupa favorito eram umas meias brancas manhosas? Partilhem as vossas memórias nos comentários!

23.04.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E hoje vamos falar daquela que foi, durante alguns anos, talvez a mais popular marca de ‘sweatshirts’ entre a juventude portuguesa – a entretanto renascida No Fear.

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Marca americana criada em 1989 e associada ao movimento ‘skater’ (como, aliás, o eram muitas das roupas favoritas dos jovens à época) a No Fear entrou em Portugal – e na consciência colectiva de toda uma geração – cerca de meia década depois, quando as lojas de desporto nacionais começaram a comercializar material da marca. Os vistosos desenhos e bombásticas mensagens que caracterizavam a maioria dos produtos tendiam a destacar-se de entre o material mais ou menos discreto normalmente encontrado neste tipo de estabelecimentos, não sendo, como tal, surpreendente que a marca tenha captado a atenção do público infantil e juvenil. Durante dois ou três anos, ali a meio da década, parecia que não havia criança nem adolescente que não tivesse pelo menos uma destas ‘sweats’, normalmente num dos modelos retratados abaixo, embora outros também fossem aceites.

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Uma particularidade a ressalvar é que as ditas camisolas nem sempre eram exactamente iguais; uma podia, por exemplo, ter o texto e desenhos em tons de vermelho e bem gritantes, e outra ter um desenho igual, mas em tons de azul e mais esbatido ou baço. Ainda assim, este era um pormenor de somenos importância para as crianças, para quem eram mais importantes os desenhos ‘fixes’ e o factor ‘cool’ das camisolas - a que, aliás, estas imperfeições e individualidades inclusivamente ajudavam.

Não durou muito, no entanto, o estado de graça da No Fear entre os jovens portugueses; tão depressa quanto tinha surgido, a marca pareceu desaparecer dos pátios das escolas, substituída por outras, como a Quebra-Mar (que, aliás, também aparecerá nesta rubrica mais tarde ou mais cedo.) Ao mesmo tempo, as lojas também passaram a vender uma menor variedade de artigos, e a No Fear retirou-se, discretamente, de cena.

Recentemente, no entanto, a marca parece disposta a alterar o seu destino, tendo artigos da mesma surgido em certas lojas europeias, como a cadeia Sports Direct, do Reino Unido. E apesar deste regresso ter sido fugaz e primado pela discrição, não deixou de constituir uma afirmação por parte da No Fear – de que a marca não tinha morrido, e estava pronta para voltar em força, assim tivesse mercado.

Tal regresso parece, no entanto, improvável – apesar de, no actual mercado obcecado com a estética ‘retro’, a nostalgia e os produtos ‘vintage’, tudo ser possível. Até que um ressurgimento da No Fear tenha, efectivamente, lugar, no entanto, restam-nos as memórias daquelas camisolas ‘brutais’ que usávamos no quinto ano…

O que constitui uma transição perfeita para aquele parágrafo habitual, em que vos perguntamos a vossa opinião e memórias sobre esta marca. Tinham? Gostavam? Deste lado, não tínhamos, mas queríamos desesperadamente (e especificamente) o modelo acima representado com a imagem do buldogue. Nunca chegou a acontecer, infelizmente... E vocês? Têm histórias semelhantes? Façam jus à marca de que aqui se fala, e partilhem Sem Medo!

 

09.04.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E hoje vamos falar de um item que todos tivemos, e vimos os adultos à nossa volta terem naquela saudosa década – o belo do fato de treino.

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Quem não teve, que se acuse...

Pois é, antes de serem parte indispensável do estilo ‘street/urbanwear’, e mais tarde voltarem a ser conotados com a sua função original – o desporto - os fatos de treino eram uma espécie de ‘fashion statement’ das massas, algo que estava inexplicavelmente na moda e cujo uso era massificado, não só entre as crianças e jovens mas um pouco por toda a sociedade.

E dizemos ‘inexplicavelmente’ porque o típico fato de treino de inícios dos anos 90 era o chamado ‘shell-suit’, um conceito herdado da década anterior e, como tal, cheio dos principais ‘tiques’ da mesma - nomeadamente o uso simultâneo de várias cores e tons berrantes e contrastantes, que produzia coisas como esta:

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Menos, malta do design...menos.

Mais tarde, sensivelmente a meio da década, alguém com algum bom-gosto decidiu que os fatos de treino deveriam ter cores mais neutras, de preferência escuras, e deixar os brancos e cores vivas apenas para os detalhes. Este estilo marcou a segunda vaga de fatos-de-treino a invadir Portugal durante os anos 90, a maioria dos quais incluía as famosas riscas verticais nas pernas popularizadas pela Adidas, em conjunto com um padrão que unia uma cor escura de base (tipicamente o preto ou azul-escuro) com um segundo tom, normalmente usado para a parte da frente e ombros do casaco. 

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Exemplo de um fato-de-treino de meados dos anos 90.

Entretanto, em paralelo a estes dois tipos de fatos-de-treino ‘fashion’, havia outro, mais tipicamente usado pelas crianças em idade de instrução primária ou preparatória, mas também popular entre as mulheres. Este tipo de fato-de-treino era normalmente feito de algodão e com um motivo bordado na camisola, indo do elegante e clássico ao berrante e ‘over-the-top’, mas sem nunca chegarem ao nível dos pesadelos de cores que podiam ser os fatos-de-treino para adultos.

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Exemplo contemporâneo de um fato-de-treino de criança ao estilo dos anos 90.

Estes três tipos de fatos-de-treino – ou só o casaco, ou só as calças – serviam, nos anos 90, para quase tudo, desde fazer desporto ou brincar na rua (o uso mais ‘natural’ deste tipo de peça) até ir para a escola, ao café, ao jardim ou até ao hipermercado. As únicas alturas em que não eram usados eram no escritório (no caso dos adultos) em festas, em visitas a familiares e em locais como a igreja. De resto, eram fiéis companheiros de muitos portugueses e portuguesas, de todas as idades, durante aqueles anos 90.

E vocês? Quando e onde usavam o fato de treino? De que tipo eram os vossos? (Não vamos perguntar se tiveram, porque CLARO que tiveram….) Deixem as vossas memórias nos comentários!

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