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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

06.09.21

Nota: Este post é respeitante a Domingo, 5 de Setembro de 2021.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E depois de na primeira edição desta rubrica termos recordado ‘Aquela’ Equipa do Benfica de Souness, chega hoje a vez de nos debruçarmos sobre outro onze (ou antes, onzes) clássico(s) da década de 90: ‘Aquela(s)’ Equipa(s) de ‘sarrafeiros’ por que o Futebol Clube do Porto ficou conhecido no início da década.

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A primeira equipa do Porto da década, uma verdadeira 'colecção' de partidores de pernas alheias

Sim, antes de ser a ‘potência’ europeia do novo milénio, e mesmo antes de ter ido descobrir ao Brasil um homem-golo que viria a bater recordes de tentos na Liga Portuguesa, a principal equipa do Norte do país primava por um futebol…digamos, ‘físico’ e ‘de combate’, perpetrado por nomes como Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, João Pinto ou o ‘rei’ da ‘traulitada’, o eterno Paulinho Santos. Entre si, estes homens deixaram um impressionante ‘trilho’ de membros lesionados e ossos ‘amassados’ em campos ‘da bola’ de Norte a Sul do País, sendo esta a única característica pela qual o futebol do Porto da altura é lembrado hoje em dia.

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Paulinho Santos a fazer o que fazia melhor. Reparem onde está a bola...

Tal situação é, no entanto, algo injusta, ainda que não excessivamente; porque a verdade é que aquele Porto dos inícios de 90 contava, para além da sua ‘hit squad’ de ‘carniceiros’, com alguns excelentes jogadores, capazes de adicionar uma nota artística ao futebol ‘de guerrilha’ do emblema nortenho; nomes como Kostadinov, Madjer, Rui Jorge (a excepção à regra dos defesas portistas dos 90s, com os seus pés esclarecidos e elegantes) ou o goleador Domingos Paciência (sem esquecer o eterno guardião e lenda viva dos ‘Dragões’ chamado Vítor Baía) eram genuinamente ‘de outro campeonato’, e responsáveis os (poucos) motivos de interesse em jogos do Porto naquela época.

No entanto, não há como contornar os factos – o Porto das épocas entre finais dos 80s e o dealbar da ‘era Mário Jardel’ era conhecido, principalmente e acima de tudo, por distribuir ‘porrada’ a partir da sua defesa – tanto assim, aliás, que existem compilações de YouTube apenas dedicadas a esse tema!

Não só não foi feita por nós, como é um dos primeiros resultados da pesquisa por 'Porto Anos 90' no Google...

Assim, e por muita valia que o seu meio-campo e ataque possam ter tido, era mesmo pela defesa que os ‘Dragões’ da altura se destacavam; aliás, o Porto desta altura poderia ser visto como um bom exemplo da máxima de que ‘boas defesas ganham campeonatos’ – não fosse o facto de, como hoje bem se sabe, a hegemonia dos azuis e brancos durante este período se ter devido, em grande medida, a outros factores… Ainda assim, os diferentes onzes apresentados pelo clube na primeira metade dos anos 90 são, todos e cada um deles, candidatos mais que meritórios ao título de ‘Aquela’ Equipa – e como tal, plenamente justificados para inclusão nesta secção…

06.09.21

NOTA: Este post é relativo a Sábado, 04 de Setembro de 2021.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

E naquela que talvez seja a última Saída de Sábado do Verão, nada melhor do que recordar algo que fazia – e, felizmente, continua a fazer – parte do quotidiano de muitas crianças durante esta época do ano: as colónias ou campos de férias.

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Uma cena típica de uma iniciativa deste tipo.

À época – como nos dias de hoje – estas dividiam-se, essencialmente, em dois tipos distintos. Por um lado, havia as do tipo ‘férias desportivas’, em que as crianças participavam diariamente, durante um determinado período de tempo, mas que não implicavam qualquer tipo de deslocação aparte a chegada ao local onde as mesmas se desenrolavam; por outro, havia as colónias de férias propriamente ditas, que – essas sim – representavam uma ou duas semanas longe de casa, invariavelmente num ambiente controlado e especialmente preparado para o efeito, e sob supervisão adequada. Qualquer das duas terá, sem dúvida, deixado óptimas e duradouras memórias a quem delas tenha disfrutado, bem como uma vontade de proporcionar aos próprios filhos o mesmo tipo de experiência, para que também eles se possam familiarizar com o sentimento muito próprio que tais actividades criavam entre os participantes.

Parte integrante desse mesmo sentimento eram, sem dúvida, os programas de actividades, cuidadosamente elaborados pelos responsáveis pela supervisão das crianças – os chamados animadores, ou monitores, jovens não muito mais velhos do que os próprios participantes, mas a quem cabia o papel, não tanto de pais, como de irmãos mais velhos. Num ambiente sempre descontraído e natural, estes jovens eram, além de responsáveis pelo planeamento e dinamização de jogos e actividades, também os principais responsáveis por assegurar que as coisas nunca ‘descambavam’, e que uma certa ordem era mantida entre as crianças, sem nunca se imiscuir entre elas e o ambiente divertido que uma colónia de férias idealmente proporciona. E apesar de ser preciso algum esforço da parte dos pais para confiar os seus filhos a estes (muitas vezes) ainda adolescentes, a verdade é que a maioria deles cumpria com brio o seu trabalho, ajudando a fazer daquele período de férias algo ainda mais inesquecível.

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Outra cena bem típica deste tipo de actividade.

Em suma, fosse através da escola, da Junta de Freguesia, da paróquia ou de uma entidade privada (normalmente o local de trabalho dos pais) as colónias de férias eram – e são – locais de criação de memórias por excelência, proporcionando a um jovem tudo aquilo que ele ou ela espera dos seus meses de Verão, de jogos a amizades indeléveis e até alguns ‘namoricos’, sempre muito controlados, claro… Por isso mesmo, e numa altura em que o Verão se vai encerrando, estes espaços mais do que merecem a presença neste blog, cujo fim, afinal de contas, é precisamente enaltecer e homenagear os melhores momentos da infância e adolescência…

04.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.

Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.

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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.

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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca

Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…

 

03.09.21

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 2 de Setembro de 2021.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Os anos 90 foram (em Portugal e não só) uma ‘época de ouro’ para o jornalismo especializado ou ‘de sector’. Fosse no campo dos jogos de computador e consola, desportivo ou (como veremos hoje) da música, poucos ‘hobbies’ e áreas de interesse havia que não tivessem pelo menos uma publicação a eles dedicada.

No caso da ‘cena’ musical, essa publicação era, sem qualquer margem para dúvidas, o jornal Blitz, uma espécie de ‘NME à portuguesa’ que – ali por meados da década que nos concerne – tinha popularidade suficiente para ditar opiniões no que tocava a novos lançamentos, tanto nacionais como internacionais.

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Inaugurado ainda na década de 80 – mais concretamente em 1984 – foi, no entanto, no decénio seguinte que esta publicação atingiu o auge da sua fama e popularidade, transformando-se em compra semanal (ainda mais) obrigatória para entusiastas de música de todas as idades, e espalhados um pouco por todo o país. Isto porque, para além de ser único e pioneiro na sua época, o Blitz não discriminava em termos musicais, oferecendo literalmente um pouco de tudo, desde o pop-rock ‘indie’ que fazia furor no ‘mainstream’ da altura até géneros mais de nicho, como o alternativo, o heavy metal ou a música de dança; melhor, qualquer que fosse o estilo abordado, os jornalistas da publicação mantinham-se, invariavelmente, imparciais. Ou seja, se fosse para falar bem, falava-se bem; mas se fosse para ‘bater’, ‘batia-se’ – e bem. Era esta atitude declaradamente imparcial, aliada a uma enorme qualidade jornalística em todas as frentes, que tornava o Blitz na referência que era para a juventude melómana dos anos 90.

Mais, o ‘universo’ da revista não se cingia apenas à música, estendendo-se também a áreas periféricas de interesse dos jovens, como a moda e a arte; havia, até, uma secção onde os leitores podiam dizer o que lhes ia na alma, sob a forma de ‘Pregões e Declarações’, muitas vezes de carácter alternativo ou até subversivo. Ou seja, uma publicação feita à medida do seu público, e que gozou, sem surpresas, do sucesso correspondente.

Claro que, como tudo o que faz sucesso em qualquer era da História, também o Blitz teve, durante aquela época, os seus imitadores – em particular, havia um jornal que imitava em tudo a publicação, desde o logotipo ao grafismo, mas cujo conteúdo ficava muito aquém dos altos padrões exibidos pelo Blitz. Sem qualquer surpresa, nenhum destes ‘seguidores’ atingiu alguma vez o estatuto de culto do original, e – ao contrário deste - todos foram rapidamente esquecidos pela juventude nacional.

O próprio Blitz se veria, com o passar dos anos e o evoluir da indústria, obrigado a mudar a sua abordagem editorial, primeiro através de uma relativamente inocente ‘lavagem de cara’ a nível gráfico, e depois de forma mais drástica, abandonando o formato que adoptara durante quase vinte anos e sofrendo uma ‘mudança de pronomes’ – de O Blitz, jornal, passava a A Blitz, revista.

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Exemplo do formato revista que a publicação apresentou no novo milénio

É  esta publicação (infelizmente, de cariz muito mais corriqueiro do que o seu antecessor) que se vai ainda encontrando (com cada vez menos frequência) nas bancas portuguesas, embora muito do seu actual âmbito se situe no universo digital. Para a memória fica aquela publicação física que, durante pelo menos duas décadas, moldou as opiniões sobre música de toda uma geração de amantes de música em Portugal – incluindo, suspeitamos, muitos dos leitores deste blog…

01.09.21

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso dos sais de banho para crianças.

Sim, temos plena consciência de que a popularidade deste produto específico não se resume aos anos 90; no entanto, a ‘nossa’ época teve tantos e tão bons exemplos do mesmo que a homenagem acaba por se tornar bem merecida.

Na verdade, ainda que hoje ainda seja possível encontrar embalagens de sais e espuma de banho que fazem, simultaneamente, as vezes de ‘estátuas’ do personagem em causa, a verdade é que, no cômputo geral, o esforço das companhias neste sentido é significativamente menor; a maioria dos produtos de banho licenciados limitam-se a colar uma imagem dos personagens numa garrafa de champô ou gel de banho normal, sabendo que isso chega para vender. Já nos ‘90s’, a coisa era um pouco diferente, sendo que até as garrafas de tipo tradicional se tornavam, de alguma forma, colecionáveis – normalmente por usarem, à laia de tampa, uma mini-figura ou até busto do personagem ao qual aludiam.

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A icónica linha de géis de banho dos Simpsons, bem exemplificativa do atractivo deste tipo de produto

Já as acima mencionadas embalagens-figura levavam a coisa ainda mais longe, oferecendo, essencialmente, um produto dois-em-um, que servia, ao mesmo tempo, de dispensador de produtos de higiene e de brinquedo ou enfeite de prateleira, garantindo que mais nenhum banho voltasse a ser aborrecido.

E se hoje este tipo de produto se cinge às propriedades mais famosas e populares entre os mais novos – como os Vingadores, Homem-Aranha, Bob Esponja ou Princesas Disney – nos anos que nos concernem, o céu era o limite, havendo espumas de toda e qualquer propriedade que apelasse às crianças, desde os diferentes filmes da Disney até à Barbie, Action Man, ou até propriedades menos explicitamente infantis, como Os Simpsons.

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Lá por casa havia um muito parecido com este.

Em suma, havia algo para todos os gostos, pelo que não era de surpreender que a maioria das crianças da época – em Portugal e não só – tivesse, ou já tivesse tido, pelo menos um destes produtos. Um produto bem merecedor, portanto, de algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada àquilo que não ‘cabe’ em nenhuma outra secção deste blog…

 

31.08.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquêela década.

Os anos 90 serviram de berço a muita e boa música, tanto a nível internacional como especificamente em Portugal – bastando, aliás, passar os olhos pela nossa secção quinzenal dedicada aos artistas musicais mais influentes da década no nosso país para perceber isso mesmo. No entanto, numa era pré-Internet (e todas as facilidades a ela inerentes) nem sempre era fácil ao jovem português comum manter-se a par do que de novo se ia fazendo no espectro do seu estilo preferido, fosse ele o pop-rock, o hip-hop, a dance music, o alternativo, ou até a música pimba.

Felizmente para os aficionados musicais da época, a RTP tinha a resposta para este dilema, sob a forma de um programa exclusiva e especificamente dedicado a passar em revista os ‘tops’ de vendas musicais, segundo as tabelas da Associação Fonográfica Portuguesa.

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Tratava-se do mítico ‘Top +’, um programa tão marcante para a juventude portuguesa como o ‘Templo dos Jogos’ ou o ‘Domingo Desportivo’, e que se inseria no mesmo segmento de emissões especializadas numa determinada área sócio-cultural (neste caso, a música, nos outros, os videojogos ou o desporto), e dirigida a um público-alvo com interesse específico na mesma. E, tal como aconteceu com os outros dois programas mencionados, a fórmula rendeu frutos quase imediatos, sendo o ‘Top +’ tão saudosamente lembrado como qualquer dos seus congéneres.

Transmitido com periodicidade semanal (sempre aos Sábados à tarde, pelas 14h00), dirigido pelo então intocável Carlos Cruz, e apresentado por Francisco Mendes e uma Isabel Figueira ainda longe da fama e das revistas cor-de-rosa, o ‘Top +’ não derivava por aí além do que se vinha fazendo no mesmo campo a nível internacional – aliás, antes da chegada da TV Cabo ao nosso país, aquela hora a seguir ao ‘Jornal da Tarde’ era o que um jovem ‘tuga’ tinha de mais aproximado a uma emissão da mítica MTV. Tal como nos programas exibidos naquele canal, os apresentadores do ‘Top +’ serviam, sobretudo, como elo de ligação entre os diversos segmentos daquilo que verdadeiramente interessava – a música, aqui (como na MTV) traduzida na emissão de ‘videoclips’ dos principais ‘campeões’ de vendas em território nacional.

Um conceito simples, mas de sucesso quase garantido, não tendo o ‘Top +’ sido excepção - no total foram uns impressionantes VINTE E DOIS ANOS no ar, desde o período analógico até ao dealbar da era do 4G, vinte e um dos quais com o mesmo formato (a partir de 2011, passaram também a ser mencionadas no programa as tabelas de vendas digitais, à medida que esta forma de aquisição de música ia ganhando força e presença no mercado.) Quando o programa foi descontinuado, em 2012, tinha o mesmo formato, a mesma duração, os mesmos apresentadores e até o mesmo horário de quando havia começado, em 1990, um feito nada menos do que histórico para qualquer emissão num meio tão volátil como o televisivo (ainda mais em Portugal) e uma prova cabal da relutância dos fãs de música em abandonar um formato que funciona – mesmo quando, como neste exemplo, este já se encontra mais que obsoleto…

A última emissão do Top +, de 2012, em tudo semelhante à primeira, exibida VINTE E DOIS anos antes

 

30.08.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Nos últimos posts desta mesma rubrica, temos vindo a falar de bandas que partem da tradição musical tanto portuguesa como internacional e a misturam com sons mais contemporâneos, como o rock. Hoje, damos uma espécie de ‘passo atrás’ nessa temática para falar de um grupo – ou melhor, um colectivo – de música popular portuguesa, no sentido mais estrito da palavra. Um grupo que, apesar de contar com nomes sonantes da área do pop rock feito em português, escolheu enveredar por um tipo de som bem mais tradicional, e conseguiu, ainda assim, obter considerável sucesso ‘mainstream’.

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Tratava-se do colectivo Rio Grande, um super-grupo ‘à portuguesa’ que juntava num mesmo espaço músicos do calibre de Jorge Palma, Vitorino, João Gil, Rui Veloso e Tim, este último o elo de ligação ao mundo do rock, e que decerto terá servido como ‘chamariz’ para muitos jovens em relação ao projecto.

O resto ficava por conta do grande ‘single’ de avanço ao único álbum do colectivo, e uma das músicas mais ‘cantaroladas’ nos pátios de recreio em 1996 – a mítica ‘Postal dos Correios’. (Se não estão a situar o título, é aquela que começa com ‘Querida Mãe, querido Pai, então que tal…’ )

...esta.

E o mínimo que se pode dizer é que os Rio Grande merecem todo o crédito por porem uma geração inteira a ouvir e cantar uma música que aborda temas com os quais eles próprios nunca tiveram contacto, pelo menos directo (no caso, a emigração, sobretudo dos meios rurais.)

Mas apesar de ter sido o grande sucesso do álbum – e, sejamos sinceros, também do colectivo – ‘Postal dos Correios’ não era a única música boa que os Rio Grande tinham para oferecer; pelo contrário, era mesmo das mais ‘fraquinhas’ de um disco que merece bem a escuta atenta a todos os seus temas, a começar por ‘A Fisga’ e ‘O Caçador da Adiça’ (o duo de abertura), e continuando com ‘Fui Às Sortes e Safei-Me’, ‘O Dia do Nó’, ‘O Sobescrito’, ‘Dia de Passeio’, entre outras, sempre com o elo em comum da temática popular e rural e do som baseado em guitarras acústicas, instrumentos tradicionais e harmonias vocais. Com uma personalidade bem vincada e temas, como já se referiu, de enorme qualidade e apuro musical e poético, não é, pois, de admirar que o disco tenha atingido quádrupla platina no seu ano de lançamento – uma marca invulgar a nível global, quanto mais em Portugal!

Infelizmente, o único outro sinal de vida dos Rio Grande viria na forma de um disco ao vivo, explicitamente intitulado ‘Dia de Concerto’ e lançado dois anos depois da estreia, e sem chegar sequer perto do mesmo nível de sucesso. Alguns anos depois, já no novo milénio, o grupo deixaria de contar com os préstimos de Vitorino, mudaria de nome para Cabeças no Ar, e lançaria outro excelente CD, repleto de ‘malhas’ algures entre o folclore dos Rio Grande e uma maior costela pop-rock.

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A capa do único CD dos Cabeças no Ar, grupo sucessor dos Rio Grande

Do grupo original, no entanto, restaria na memória colectiva da época (e das décadas seguintes) a imagem de Tim e companhia a tocar guitarra num autocarro em movimento, enquanto perguntavam pela saúde de diversos membros da família – o que, convenhamos, não é nem de longe a pior ‘herança’ deixada por um grupo musical português, especialmente durante os anos 90…

27.08.21

Nota: Este post é relativo a Quimta-feira, 26 de Agosto de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Hoje em dia, quando a maioria das crianças dispõe, pelo menos, de um telemóvel com que se entreter nos tempos mortos, pode parecer caricato que um pedacinho de papel dobrado, com pintas de diversas cores e algumas palavras escritas no interior, pudesse ocupar um intervalo de recreio inteiro seja de quem for. E no entanto, na ‘nossa’ década (como nas quatro ou cinco décadas anteriores), tal instrumento foi fonte de muitos e bons momentos de diversão entre colegas, amigos ou até familiares.

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Sim, o ‘quantos-queres’, uma criação de trabalhos manuais cujas origens se perdem no tempo, mas que qualquer criança (pelo menos qualquer criança de há algumas décadas atrás) parece ter nascido a saber fazer e utilizar. Mais: cada grupo de crianças tinha a sua própria maneira de preencher aquela ‘florzinha’ de papel. Alguns (sobretudo as raparigas) tinham mais cuidado na ‘decoração’, enquanto outros a mantinham mais simples; alguns utilizavam-na como modo de elogiar o colega que estivesse a cargo de escolher a cor (preenchendo as diversas dobras com elogios), outros para gozar ou insultar, e ainda outros como forma de estabelecer pequenos desafios, alguns genuínos, outros humilhantes (por exemplo, quem escolhesse a cor preta tinha de fazer determinada acção ou ultrapassar determinada prova.) Cada ‘quantos-queres’ se tonava, assim, precisamente naquilo que se pretendia que fosse – uma caixinha de surpresas (ou, como diria Forrest Gump, uma ‘caixa de chocolates’, em que nunca se sabe o que se vai obter.) Era, precisamente, esse o atractivo deste passatempo, e que fazia com que qualquer jogador inevitavelmente quisesse repetir a vez.

Em suma, este é (foi?) um daqueles passatempos cuja obsolescência se veria com alguma tristeza, visto ter entretido, de forma ‘caseira’ e mais ou menos inocente, gerações e gerações de crianças. Por isso, se ainda se lembrarem de como se faz um ‘quantos-queres’, por favor passem esse conhecimento aos vossos filhos, para que pelo menos esta ‘tradição’ de recreio do nosso tempo não se perca…

 

26.08.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 26 de Agosto de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Na última edição desta rubrica, recordámos ‘Calvin e Hobbes’, talvez o mais famoso e popular exemplo das ‘comic strips’ norte-americanas no nosso país. No entanto, apesar de ter sido o mais emblemático título deste tipo publicado no nosso país, a série sobre o menino traquinas e o seu amigo imaginário de peluche esteve longe de ser a única a cruzar o oceano até às nossas paragens – pelo contrário, o sucesso de que a série gozou em Portugal motivou a editora que a lançara, a Gradiva, a arriscar a sorte com outras propriedades intelectuais do mesmo tipo. É delas – bem como de outras publicadas por editoras concorrentes – que falaremos no post de hoje.

E começando, desde logo, pela Gradiva, podemos recordar séries como Cathy, Foxtrot e (já no novo milénio) Zits, todas presença comum nos suplementos de banda desenhada dos jornais norte-americanos da época, e todas chegadas a Portugal exactamente no mesmo formato em que haviam sido publicadas no seu país de origem – os álbuns eram precisamente os mesmos, com as mesmas capas e as mesmas tiras, tendo apenas sido traduzido e adaptado o conteúdo conforme necessário. Escusado será dizer que, apesar de nenhuma delas ter atingido o nível de sucesso generalizado de ‘Calvin e Hobbes’, todas tinham o seu público, muitas vezes conseguido acidentalmente, apenas por virtude de se tratar de banda desenhada (Cathy, por exemplo, é declaradamente dirigida a um público feminino adulto, e terá certamente deixado muitos jovens confusos quanto a como e porque é que aquilo tinha piada.) Ainda assim, qualquer destas séries fez sucesso suficiente em Portugal para justificar a continuidade da publicação e, como tal, qualquer delas merece umas linhas neste nosso blog.

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Alguns dos muitos álbuns publicados pela Gradiva

Ainda antes de a Gradiva se ter lançado na aventura dos ‘comic strips’ americanos, no entanto, já outras editoras vinham tratando de editar algumas das mais populares propriedades desse meio, traduzidas para o ‘nosso’ português. No entanto, ao contrário das propriedades anteriormente citadas, clássicos como Peanuts, Garfield ou Haggar o Horrível nunca encontraram ‘casa’ fixa no nosso país, saltando de editora em editora ao longo dos anos sem que nenhuma conseguisse ‘segurar’ a publicação. Edinter, Meribérica-Liber, Horizonte e Dom Quixote foram apenas algumas das editoras que pegaram, ou tentaram pegar, nestas séries entre finais dos anos 80 e inícios do século XXI, obtendo sempre o sucesso que já é quase inerente a estes nomes mais clássicos, mas nunca o suficiente para levar a algo mais do que uns quantos álbuns publicados. Destas, a mais bem sucedida talvez tenha sido a Dom Quixote, que, durante a década de 90, conseguiu lançar no mercado uma série relativamente longa de álbuns com as aventuras mais modernas de Garfield, que vale bem a pena procurar adquirir.

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O primeiro volume da colecção de Garfield lançada pela Dom Quixote

Não é, pois, difícil perceber que, apesar de nenhum ter chegado aos píncaros de sucesso de ‘Calvin e Hobbes’, os ‘comics’ de jornal norte-americanos tiveram uma presença discreta, mas honesta no nosso país, encontrando, na sua maioria, um público bastante receptivo ao seu humor clássico e personagens marcantes e memoráveis. Hoje em dia, tal presença encontra-se, talvez, um pouco mais esbatida, mas durante os anos que nos concernem, foi, sem dúvida, suficientemente marcante para justificar estas linhas aqui no Anos 90…

 

25.08.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 24 de Agosto de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Hoje em dia, existem tantas e tão imediatas formas de contactar tudo e todos através da Internet, que parece quase caricato pensar que, há pouco mais de vinte anos atrás, a comunicação por este meio era extremamente limitada, e restrita a meia-dúzia de canais na ainda incipiente plataforma global. Na era pré-MSN Messenger (ao qual, paulatinamente, chegaremos) o contacto em tempo real entre utilizadores geográfica e temporalmente deslocados requeria o acesso a um dos arcaicos programas de ‘chat’ do fim do segundo milénio – de entre os quais, pelo menos em Portugal, se destacava um em particular.

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O mIRC (sigla para Internet Relay Chat, sendo que nunca ninguém teve a certeza do que significava o ‘m’) não era o único programa de ‘chat’ online disponível naqueles anos – nem sequer o único a dar acesso aos servidores de IRC – mas, por alguma razão, foi aquele que ‘pegou’, tendo, para muitos jovens da época, sido sinónimo com ambos os tipos de tecnologia. Milhares de jovens portugueses aderiram, em finais dos anos 90, a este novo ‘vício’, que capturou, inclusivamente, a significativa porção da demografia que não estaria, normalmente, interessada neste tipo de serviço. ‘Totós’, ‘betinhos’, góticos (já a praticar para os anos vindouros de abuso do MSN) ou ‘freaks’, todos se renderam à magia daquelas pequenas janelinhas azuis e cinzentas, com letras verdes, vermelhas e pretas, dentro das quais se escondiam potenciais novas amizades (sempre iniciadas pelo característico e memorável 'oi, ddtc?'), ou simplesmente experiências ‘maradas’, como é apanágio da Internet.

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É incrível como algo com ESTE aspecto suscitava um 'vício' tão forte...

Fosse para conhecer raparigas ou rapazes de outras turmas da escola, os quais se seria de outro modo demasiado tímido para abordar, ou simplesmente para trocar piadas ‘foleiras’ com os amigos em canal privado, a maioria dos jovens portugueses da época arranjava maneira de fazer a cara do criador do programa, Khaled Mardam-Bey, aparecer num qualquer ecrã de computador público de forma quase diária (o uso em casa dependia de uma série de variáveis, a começar pela existência de um computador com Internet, o que à época não era um dado adquirido.) E embora, visto do futuro, o serviço pareça quase pitoresco – graficamente, parece uma espécie de Elifoot 2 em versão programa de ‘chat’ – a verdade é que, na altura, o mesmo representava o auge da tecnologia de conversação online disponível, e fez a felicidade da primeira geração de portugueses a ter contacto mais directo com a Internet nos seus anos formativos.

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A cara deste senhor foi, a dada altura de finais dos anos 90, mais vista e conhecida que a de muitas celebridades...

Hoje em dia, o mIRC continua vivo (e com novas versões do mesmo velho software a serem periodicamente lançadas), embora seja uma mera sombra do que era naqueles idos da viragem do milénio. A PTNet (a rede em que todos crescemos a conversar) retém pouquíssimos usuários, quase todos da ‘velha guarda’, e os restantes servidores ficam sobretudo circunscritos aos Estados Unidos e a alguns países asiáticos. Ainda assim, é bom ver um programa – não importa quão obsoleto – ‘aguentar-se’ através das diferentes eras da Internet, recusando-se a morrer por completo, apesar de todas as contingências. A dúvida que fica ao ver o mIRC ainda vivo, no entanto, é só uma: seré que, em todo este tempo, já alguém alguma vez pagou para registar o programa?

 

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