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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

28.02.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

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Hoje em dia, os refrigerantes TriNa contam-se entre os mais populares em Portugal, a par dos 'eternos' Sumol, Frisumo, Compal, Fanta ou Coca-Cola, sendo a sua marca tão reconhecível quanto qualquer das supracitadas; quem é mais velho, no entanto, saberá que esta não era a designação oficial da bebida em causa, e recordará mesmo (ainda que vagamente) o momento em que se efectuou a transição.

Efectivamente, quem tem idade suficiente para ainda ter vivido parte dos anos 80 lembrar-se-à que, à época, o refrigerante de laranja sem gás (eterna opção ligeiramente mais saudável às gasosas e afins) levava a designação de TriNaranjus, nome com que fora 'importada' do mercado do país vizinho, de onde era oriunda, em inícios da década anterior, e sob a qual seria comercializada durante exactos vinte anos, até à aquisição da fabricante pela multi-nacional Schweppes, nos primeiros meses dos 'anos 90'.

Seria apenas a partir dessa altura que a designação passaria a ser simplesmente TriNa, um nome mais curto e memorável e que se encontra vigente até aos dias de hoje, mais de três décadas e meia após uma mudança aparentemente desnecessária, mas que acabou por se revelar mais do que acertada do ponto de vista comercial. Para quem recorda a designação anterior, no entanto, 'não há hipótese' – aquela bebida da infância será, provavelmente, para sempre conhecida como Trinaranjus...

27.02.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026.

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Quarta será aos Quadradinhos, e a próxima de Quase Tudo.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de ter alguama tradição em Portugal, a banda desenhada criada em território nacional tende a focar-se, sobretudo, no aspecto mais histórico ou, alternativamente, em tiras de humor publicadas em suplementos de jornais, não sendo de todo habitual ver surgir no País uma série que não só remete às produções franco-belgas de décadas anteriores, mas logra emular a sua qualidade. E, no entanto, foi precisamente isso que Luís Louro e Tozé Simões lograram fazer com 'Jim Del Monaco', uma colecção que abrangeu três décadas e apresentou ao Mundo bedéfilo o titular 'Indiana Jones à Portuguesa'.

Inicialmente criada há cerca de quarenta anos, a colecção em causa permaneceria em publicação constante até inícios da década seguinte, sempre pelas Edições Asa, com uma primeira série entre 1985 e 1989 (composta por quatro títulos) e uma segunda, mais extensa, entre 1991 e 1993 (com dois álbuns por ano e três em 1992, num total de sete volumes). Apesar desta prolífica produção, no entanto, o nível geral das histórias e aventuras de Jim nunca chegou a decair, apresentando a mesma qualidade ao longo de ambas as séries e tornando a colecção num triunfo para o panorama bedéfilo português, que ajudava também a lançar a carreira dos seus dois autores, e sobretudo de Louro, que gozaria de enorme sucesso como criador 'a solo'.

Não é, pois, de admirar que, mais de duas décadas após o hiato subsequente a 'Baja Áfrika', de 1993, Jim tenha regressado com mais duas aventuras, publicadas em 2015 e 2017, naquele que era o verdadeiro 'último suspiro' do grande aventureiro dos 'quadradinhos' nacionais. O seu legado, no entanto, continua bem presente e vigente na mais de uma dúzia de volumes que continuam a marcar presença assídua nas prateleiras das livrarias nacionais, tornando oportuna e merecida esta pequena homenagem ao herói e aos seus autores, no ano em que se assinalam os quarenta anos da sua primeira aventura, e os trinta e cinco do início da segunda série de álbuns da colecção.

24.02.26

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

O início dos anos 2000, e respectiva chegada da geração 'millennial' ao fim da adolescência, representou o primeiro momento em que, na História do Portugal pós-ditatorial, toda uma demografia teve acesso facilitado ao ensino superior, dependendo apenas de si mesma para, por mérito académico, assegurar um dos lugares de entrada no seu curso de eleição. De facto, apenas em inícios da década anterior, era ainda muito difícil à maioria da população atingir, ou mesmo almejar atingir, este nível de educação, resultando numa tapeçaria profissional menos qualificada e, por consequência, pior paga. Era, por isso, totalmente de louvar a iniciativa da RTP, que, inspirada por programas já existentes em outros países, inseria na grelha da 'culta e adulta' RTP2 um programa que visava, precisamente, servir como 'tele-aula' para aspirantes a um curso universitário, bem como para aqueles que não tinham meios conducentes a algo deste tipo. É a essa rubrica, estreada há quase exactos trinta e seis anos, que dedicamos as próximas linhas.

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Transmitida pela primeira vez a 17 de Fevereiro de 1990, a 'Universidade Aberta' foi transmitida em diversos horários, primeiro logo após a abertura 'oficial' da emissão (da responsabilidade de Vera Roquette e patrocinada pela Frisumo), e, mais tarde, antes do lendário 'Hugo', ao início do serão. Qualquer que fosse o horário, no entanto, o segmento era, mais do que um programa, uma verdadeira aula do ensino superior, ministrada por docentes vinculados à homónima instituição de ensino à distância, fundada no ano anterior; quem estivesse interessado podia, assim, obter conhecimentos na área em foco apenas por sintonizar o programa, num método então inovador e praticamente inaudito, mas quase pitoresco na presente era hiper-digital. Ainda assim, este protocolo ajudaria a Universidade Aberta a estabelecer-se como instituição de referência para o ensino remoto a nível mundial, título que lhe foi oficialmente outorgado pela União Europeia em 2008. Antes disso, em 1995, a 'alma mater' em causa havia já atraído atenções por ter sido o primeiro estabelecimento de ensino superior em Portugal a introduzir um curso de Estudos Femininos, num gesto incrivelmente progressista para a época em causa.

Quanto ao programa da RTP, o mesmo voltaria a ser transmitido a partir da década de 2010, agora com um formato mais voltado para o debate sobre assuntos ligados ao ensino superior, por oposição ao modelo pedagógico da emissão original, o qual transitou, de forma natual, para a Internet. Quem viveu aquele tempo à vez tão próximo e tão longínquo recordará certamente, no entanto, o formato então veiculado diariamente, e que talvez tenha até motivado algum dos seus familiares ou amigos a procurar 'cultivar-se' e a almejar completar, ainda que à distância, o tão cobiçado curso superior...

 

 

 

 

23.02.26

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por várias vezes mencionámos a mítica 'Rua Sésamo' como grande e incontornável exemplo da televisão educacional e pedagógica portuguesa, não só à época da sua transmissão, como nas décadas subsequentes. Esse estatuto não impedia, no entanto, que outros programas tentassem o mesmo tipo de abordagem – pelo contrário, o sucesso de Poupas e companhia apenas encorajava as produtoras nacionais a criar mais conteúdos desse tipo, dando azo, ao longo da última década do século XX, a programas como 'Zás Trás', 'Contos do Mocho Sábio' ou 'O Jardim da Celeste'. Mas enquanto estes exemplos eram relativamente declarados nas suas aspirações educativas, outros havia algo mais subtis, como é o caso da série de que falamos neste 'post', e que comemorou há poucos dias os trinta anos da sua primeira emissão.

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Falamos de 'Alhos e Bugalhos', estreada na RTP2 (então 'casa' por excelência de conteúdos deste tipo, tendo mesmo a 'Rua Sésamo' passado por lá a dado ponto, vinda do Canal 1) a 21 de Fevereiro de 1996, e que, ao longo da sua única temporada de vinte e seis episódios, procuraria incutir no seu público-alvo rudimentos de vocabulário, através de um cenário de 'café', onde um estrangeiro procura aprender e perceber melhor o português, missão em que é ajudado pelos 'fregueses' habituais; um modo inteligente e divertido de fazer as crianças aprenderem sem perceber, gizada por um conjunto de nomes 'de respeiro', como Maria Emília Brederode Santos (uma das coordenadoras da 'Rua Sésamo', anos antes) a autora infantil Luísa Ducla Soares ou Sérgio Godinho, que assina a música. Uma equipa experiente e de sucesso comprovado, mas que, infelizmente, não conseguiria repetir a 'magia' de 'Rua Sésamo'.

Efectivamente, 'Alhos e Bugalhos' seria mais uma das muitas séries a não lograr ficar na memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, talvez pelo seu cariz mais educativo, ou talvez pela falta de um 'gancho' que prendesse o interesse do público-alvo ou de actores mais consagrados nos papéis principais. Ainda assim, nunca fica mal recordar mais este 'tesouro escondido' da televisão infantil portuguesa, na semana em que se completam exactos trinta anos sobre a transmissão do seu primeiro episódio.

20.02.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Após ter iniciado a sua carreira como 'carinha laroca' para filmes românticos (a par de contemporâneos como Johnny Depp ou Leonardo DiCaprio, que viriam a ter percursos de carreira semelhantes) a segunda metade dos anos 90 viu Brad Pitt afirmar-se como actor credível, mediante uma série de (excelentes) filmes de cariz mais sério e que, apesar de inicialmente parecerem escolhas pouco ortodoxas para um actor como Pitt, o ajudaram a revelar os seus talentos dramáticos. O primeiro destes – e que marcaria o início de uma frutífera relação entre o actor e o realizador David Fincher – seria 'Se7en – Sete Pecados Mortais', sobre cuja estreia em Portugal se completaram no início deste mês de Fevereiro (concretamente, dia 2) exactos trinta anos. E porque, na ocasião, escolhemos focar outro filme também a celebrar um 'aniversário' marcante, nada melhor do que dedicar agora, ainda que com cerca de três semanas de atraso, algumas linhas a este excelente 'thriller' policial.

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Com Brad Pitt e o fantástico Morgan Freeman nos papéis principais – como uma dupla de detectives no encalço de um assassino que comete crimes com base nos sete pecados mortais, interpretado por Kevin Spacey – e Gwyneth Paltrow e John C. McGinley em papéis de apoio, o filme de Fincher não parecia, de início, destinado ao sucesso, tendo tido fraca recepção por parte dos público de teste. Ao ser lançado nas salas de cinema, no entanto, o filme desafiou quaisquer preconceitos a esse respeito, tornando-se um dos dez filmes mais lucrativos do ano, e conseguindo a proeza de reunir o consenso de público e crítica, algo suficientemente raro para merecer ser saudado.

Este sucesso ajudaria, por sua vez, a lançar as carreiras tanto de Fincher – até então conhecido por 'videoclips' musicais e cujo único outro trabalho de longa-metragem era o controverso 'Alien 3' – como de Pitt, que seria recrutado mais duas vezes pelo próprio Fincher e que se lançaria na série de filmes mencionada no início deste texto. Quanto a 'Se7en' em si, a sua influência e relevância mantêm-se bem vivas, continuando o filme a ser considerado um dos mais bem-conseguidos exemplos do seu género específico, mesmo mais de três décadas após a sua estreia mundial, e a constituir uma excelente opção para uma Sessão de Sexta mais 'adulta' e cinéfila. Razões mais que suficientes para lhe dedicarmos o seu próprio 'post', poucas semanas após se terem completado trinta anos sobre a sua chegada às salas portuguesas.

 

18.02.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes falámos de como a hegemonia da Abril-Controljornal (ou Abril Jovem) no mercado dos 'quadradinhos' de quiosque nacionais lhe permitia levar a cabo experiências variadas sem, com isso, correr grandes riscos monetários ou financeiros. Não é, pois, de surpreender que, algures na primeira metade dos anos 90, a editora em causa tenha tentado a sua sorte num mercado então em expansão – nomeadamente, o das revistas de passatempos com personagens de banda desenhada. Surgia, assim, nas bancas o primeiro e único número de 'Brincadeiras Disney', que consistia precisamente daquilo que o título dava a entender – a saber, página após página de quebra-cabeças, cruzadexes e outros passatempos, tematizados em torno dos personagens das mega-populares revistas Disney publicadas pela Abril à época.

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Infelizmente, os conteúdos exactos deste título perdem-se nas 'brumas da memória', encontrando-se o mesmo totalmente Esquecido Pela Net (à parte uma única ficha no repositório Bazar0) e também esquecido pela memória do autor deste 'blog', que pode atestar que a revista em causa existiu lá por casa a dada altura, mas não sabe detalhar quaisquer dos seus conteúdos específicos. Assim, este terá de ser um daqueles 'posts' que pouco mais faz do que dar nota da existência de algo há muito perdido, oriundo de um tempo também ele irrecuperável, mas que deixa nada menos do que duas gerações repletas de nostalgia pela época em que a vida era mais simples e despreocupada, e um livro de passatempos do Tio Patinhas ajudava a passar uma tarde.

17.02.26

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Tal como sucede no aspecto mediático, também no campo dos videojogos as Olimpíadas de Inverno ficam a perder, não só relativamente às suas congéneres 'de Verão', como também a outros desportos mais populares em formatos interactivos. Ainda assim, tal não dissuadiu a Konami de procurar dar aos fãs das modalidades em prova naquele certame o seu próprio título-estandarte, com o lançamento, em finais de 1997, de 'Nagano Winter Olympics '98', o primeiro jogo a focar-se em desportos de Inverno que não o 'snowboard' desde o icónico 'Winter Games', mais de uma década antes.

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Disponível para PlayStation e Nintendo 64, e oficialmente parte da série de jogos de atletismo da Konami, 'Track & Field', 'Nagano Winter Olympics '98' seguia o mesmo princípio dos outros jogos da franquia, oferecendo aos jogadores a possibilidade de experienciarem simulações de modalidades com expressão reduzida ou nula em contextos interactivos, como o 'curling', o 'bobsled', o trenó ou a patinagem de fundo. No total, eram nove eventos em comum, espalhados por sete desportos, com outro – o salto de esqui – a apresentar modos distintos consoante a versão (dois na Nintendo 64 e um na PlayStation) e ainda um nono, a corrida em pista curta, a surgir apenas na versão para a consola da Sony. As categorias de esqui alpino (na PlayStation) e 'snowboard' (na N64) apresentavam ainda um modo exclusivo consoante o sistema, perfazendo um total de treze eventos na versão para PlayStation, e menos um na versão 64-bits. No cômputo geral, uma selecção variada, que lograva oferecer a desejada variação dos habituais 'saltos' e corridas de 'snowboard', e apresentar algo 'para todos os gostos'.

Infelizmente, e apesar desta ambiciosa proposta – e da jogabilidade divertidíssima de certos eventos, como o 'bobsled', que ganhava muito em ser jogado com amigos – nenhuma das duas versões de 'Nagano Winter Olympics' teve uma recepção particularmente calorosa por parte da crítica especializada, que considerou ambas pouco mais do que medíocres, citando controlos simplistas, erros gráficos, jogabilidade fixa e a ausência de um modo de treino como as principais pechas do título. Ainda assim, a versão para N64 foi considerada a melhor das duas, chegando a gozar de algumas críticas positivas por parte da imprensa da época – nada, no entanto, que impedisse este jogo de 'matar' não só a série 'Track & Field' como também a presença de jogos relativos às Olimpiadas em consolas da Nintendo durante mais de dez anos, até Mario e Sonic se 'aliarem' para revitalizar o género, já na década de 2010.

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Um resultado que, apesar de desapontante para os fãs de desportos de Inverno, conseguiu, ainda assim, ser mais positivo do que o do 'outro' jogo alusivo às Olimpíadas de Nagano '98 a sair para Nintendo 64 – o que não seria difícil, já que 'Olympic Hockey '98' chegou a receber uma classificação de zero em dez por parte do conceituado portal IGN! A razão para tal 'veneno' era, no entanto, simples e aparente, já que, à boa maneira da EA Sports, a GT Interactive havia lançado um jogo pré-existente com uma simples 'lavagem de cara' olímpica – no caso, 'Wayne Gretzky's 3D Hockey '98', então apenas com alguns meses de vida. Esta estratégia de pedir, novamente, 'preço completo' pelo mesmo título não agradou aos críticos (como, aliás, era também o caso com os jogos da EA) e 'Olympic Hockey' rapidamente caiu no esquecimento, sendo, hoje em dia, apenas notável como o primeiro jogo criado pela Treyarch, que se tornaria famosa, duas décadas depois, por uma franquia também ela composta por sucessivos titulos muito semelhantes – a icónica 'Call of Duty'. Quanto a este seu primeiro jogo, o mesmo não conseguiu, infelizmente, proporcionar aos fãs de desportos de Inverno a experiência que os mesmos desejavam, como, aliás, sucedia também com 'Nagano Winter Olympics '98'.

Os entusiastas das Olimpíadas de Inverno teriam, pois, de esperar mais alguns anos até a competição começar, verdadeiramente, a ter títulos à altura da sua dimensão – o que não invalida que primeiros esforços como o da Konami não mereçam ser recordados como tentativas pioneiras e ambiciosas de criar jogos 'de vanguarda', independentemente do sucesso almejado ou da qualidade do produto final.

16.02.26

NOTA: Por razões temporais, esta Segunda será de Sucessos. As Segundas de Séries regressarão na próxima semana.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Ao falar de pop-rock português, o nome de Rui Veloso é incontornável, tendo o cantautor portuense sido um dos pioneiros e 'criadores' do próprio movimento, conforme seria conhecido nas últimas décadas do século XX. Não é, pois, de admirar que Veloso e o seu parceiro e letrista de sempre, Carlos Tê, entrassem na década de 90 a 'todo o gás', como dupla já estabelecida dentro do panorama musical português, mediante sucessos como 'Chico Fininho' ou 'Porto Côvo', e prontos a dar o passo seguinte nas respectivas carreiras – no caso, um álbum conceptual duplo. Nascia assim 'Mingos e os Samurais', primeiro registo de Rui Veloso nos anos 90, e ainda hoje um dos mais bem-sucedidos da carreira do vocalista e guitarrista.

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Utilizando como motivo narrativo a carreira de uma banda de garagem nos anos 60 e 70 – numa espécie de versão suburbana portuguesa do 'Ziggy Stardust' de David Bowie – 'Mingos' viria, de facto, a definir a carreira de Veloso, ainda mais do que a estreia 'Ar de Rock'. Isto porque, no ano e meio subsequente ao seu lançamento, o disco venderia quase trezentas mil cópias - naquele que era, à época, um recorde absoluto para um artista nacional – atingiria a séptupla platina (!), passaria quase meio ano no topo das tabelas de vendas de discos nacionais, e colocaria três músicas nos 'tops' de 'singles' ao longo do ano de 1991, sendo a mais icónica 'Não Há Estrelas No Céu', que passaria seis semanas em primeiro entre Fevereiro e Março, tendo a sua hegemonia sido interrompida apenas por 'I'm Your Baby Tonight', de Whitney Houston, e pela 'outra' música de Rui Veloso, 'A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)'. Em conjunto com 'Logo Que Passe A Monção' (que teria direito a duas semanas a número um no último terço do ano) as duas faixas ajudavam a estabelecer Rui Veloso como o grande artista nacional daquele ano, tendo o músico sido um de apenas dois artistas nacionais a atingir o primeiro lugar das tabelas naquele ano, sendo o outro Marco Paulo, cuja música 'Taras e Manias' atingiria os lugares cimeiros nada menos que três vezes, uma delas destronando Veloso.

Com tal trio como 'alavanca', e dada a reputação de que já gozavam os seus autores, não é de admirar que 'Mingos e os Samurais' tenha almejado os níveis de sucesso descritos no parágrafo anterior, e se tenha rapidamente estabelecido como um dos álbuns essenciais e definitivos da última década do século XX em Portugal – um feito notável, tendo em conta o facto de ter saído ainda nos primeiros meses da década, e que torna bem merecidas estas linhas, no mês em que 'Não Há Estrelas No Céu' celebra os exactos trinta e cinco anos da sua chegada ao número um das tabelas de 'singles' portuguesas.

15.02.26

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

No presente momento sócio-cultural internacional, o grande tópico de debate e interesse a nível desportivo são as Olimpíadas de Inverno; e, embora os desportos na neve e no gelo não sejam uma área em que Portugal tenha grande tradição ou expressão (por razões óbvias), a verdade é que o nosso País não tem deixado, ao longo dos anos, de enviar atletas a esta competição, os quais, apesar de nunca favoritos e ainda menos medalhados, não deixam, ainda assim, de ter tido o privilégio de representar Portugal a nível olímpico, sendo por isso merecedores de destaque. Os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo dois dos três eventos realizados nessa década contado com participação portuguesa, por muito discreta e nominal que a mesma tenha sido.

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De facto, após falharem por completo a presença na Olimpíada de 1992, Portugal lograva pela primeira vez enviar um representante à prova no ano de 1994 – Georges Mendes, que competia na categoria de esqui alpino e que viajava sozinho para a Noruega. Já quatro anos depois, no Japão, o número de atletas nacionais via-se duplicado, com representantes de ambos os sexos – a também porta-bandeira Mafalda Pereira (primeira mulher portuguesa a participar na prova) no esqui 'freestyle' e Fausto Marreiros na patinagem de fundo, modalidade em que a holandesa Jutta Leerdam acaba de estabelecer novo recorde, poucos dias antes da publicação deste 'post'.

Nenhum dos dois atletas se classificaria na respectiva prova, com Mafalda a terminar fora dos vinte primeiros (tendo, ainda assim, logrado a melhor classificação de sempre para o nosso País numa Olimpíada de Inverno, conforme se pode ler na imagem que ilustra este 'post'), e Fausto a nem sequer almejar entrar nos trinta melhores .Ainda assim, e conforme acima referimos, a mera possibilidade de representar o País a nível Olímpico (por muito pouca que tenha sido a glória) é, por si só, suficiente para colocar estes dois atletas (e Georges Mendes antes deles) no panteão de grandes nomes do desporto português, tendo os mesmos superado o 'ponto máximo' a que chegam a maioria dos desportistas, e estabelecido um precedente para Portugal no tocante a participações nas Olimpíadas de Inverno; razão mais que suficiente para merecerem ser recordados ao lado de outros olimpianos nacionais, e para lhes dedicarmos estas breves linhas, por ocasião de mais uma edição do certame que os notabilizou.

14.02.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Numa edição recente desta rubrica, falámos da 'morte lenta' das sapatarias tradicionais, tal e como existiam até aos primeiros anos do Novo Milénio; agora, chega a hora de celebrar os quarenta anos de uma das lojas que, ao mesmo tempo, precipitaram essa situação e contribuiram para a permanência do referido tipo de estabelecimento nas ruas e avenidas portuguesas, mesmo após o desaparecimento de todas as 'concorrentes'.

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Falamos, claro está, da Seaside, uma das duas cadeias de sapatarias que se inserem no espaço intermédio entre 'franchise' de centro comercial e loja mais tradicional (sendo a outra a ainda mais veterana Calçados Guimarães), e cujo conceito permanece inalterado desde o seu aparecimento em 1986 – nomeadamente, oferecer calçado de fabrico nacional (com toda a qualidade inerente a tal origem) a preços competitivos em relação às referidas sapatarias de 'grande superfície'. Uma proposta de valor que, inevitavelmente, a torna atractiva para uma vasta gama de demografias, e que contribuiu para fazer da cadeia uma das mais procuradas não só pelos pais de crianças e jovens (em busca de calçado de qualidade e em conta para os filhos) como também pelos próprios jovens, que ali encontram, por exemplo, botas em pele a preços adequados aos seus orçamentos.

Com estes factores em conta, não é, pois, de admirar que a Seaside seja, para muitos, sinónima com a compra de calçado semi-formal nas últimas três décadas (os sapatos de ténis continuavam a provir maioritariamente das lojas de desporto, ainda que a Seaside também os vendesse) e que mesmo hoje em dia, na era das compras 'online', continue a ter alguma expressão no panorama comercial do País, onde retém o estatuto de uma das poucas sapatarias verdadeiramente 'de rua' ainda existentes em localidades como a capital Lisboa. Uma rara história de sucesso a longo-prazo sem, para isso, ser necessário comprometer os princípios ou a visão de mercado, e que merece bem ser celebrada, no ano em que a cadeia em causa completa quatro décadas de vida, e parece bem posicionada para vir a completar ainda muitas mais...

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